História O pequeno Corvo - Capítulo 12


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Categorias Eldarya
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Palavras 2.666
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Só mais um mês e acaba o semestre. Poderei respirar um pouco melhor (Oremos)

Nesse cap. me empolguei em questão de músicas, então terá indicações abaixo :3

Capítulo 12 - Tempestade em alto-mar


Não tem como negar que não ponho tanta confiança nessa viagem. Sairei com alguém que foi me apresentado a menos de um dia e não parece ter senso de responsabilidade. Isso ficou bem claro com todos os comentários e pedidos para que eu seja responsável.

Também não posso pedir para sair em missão com outra pessoa que eu já tenha mais afinidade. Muitas coisas aconteceram em poucos dias.

A aparição de um Blackdog durante o resgate do Kappa, isso continua sem uma explicação lógica e eles querem respostas. Tengus e humanos se desentendo, e eu ainda surpreso com a parte de ter outros humanos vivendo em Eldarya. Seriam totalmente humanos mesmo? Porque eu mesmo não sou.

Não posso esquecer do pequeno ataque que ocorreu no quartel, isso também desnorteou a todos, mas pelo fato de ter sido diferente do que estavam acostumados.

Em poucas palavras, não adianta pedir por mudanças. Estão todos ocupados e Miiko me garantiu que Chrome é de confiança e bom navegador, apenas tem problema para manter o foco.

Com a chegada da manhã levei o Kappa de volta para enfermaria para que Ewelein desse uma última olhada nele. Também precisei conversar com Elliot para que ficasse e se comportasse. Logo eu voltaria para busca-lo. Agora precisava falar com Miiko e conferir tudo que levaria a essa viagem.

- Angus! – fui recebido por Ykhar ao chegar na sala do cristal.

- Ykhar? – não esperava encontra-la tão cedo. Muito menos receber um abraço do nada. – Pessoal? – olhei rapidamente para os arredores da sala. – Por que estão todos aqui?

- Queríamos lhe desejar boa viagem. – Ykhar respondeu, voltando para perto dos chefes das guardas.

- Apenas estou aqui porque Miiko pediu que eu prepara-se alguns remédios e pomadas, caso fosse necessário. – Ezarel buscou disfarçar, mas, no fundo, parecia preocupado também.

- Como ainda não tivemos tempo de lhe treinar nem lhe dar uma arma, aproveitei para afiar o punhal de Chrome. – complementou Valkyon. Realmente espero não precisar de nada disso.

- Eu só vim desejar boa viagem e que voltem inteiros. – Nevra finalizou com um sorriso. Não esperava menos dele.

- Já acabaram? Posso falar? – Miiko tomou a palavra, fazendo um movimento com uma das mãos, querendo dizer algo como “desapareçam”. – Jámon e eu te escoltaremos até o barco. – dirigiu-se para mim? – Está pronto?

- Falta apenas pegar meus pertences e me despedir de Tori. – respondi. – O Kappa está com Ewelein. Achei que ela iria querer dar uma última olhada nele. – olhei para os lados em busca de meu parceiro de viagem. – Onde está Chrome?

- Está nos esperando na praia com o Kero.

- Entendo... Já sigo vocês então. – assenti aproveitando para me despedir de Ykhar novamente antes de seguir para meu quarto.

Confesso que fiquei encarando meu alaúde sobre a cama, após pegar minha sacola. Não sei se deveria leva-lo. E o que posso fazer além de tocar?

Não conheço esse mundo, mas a música sempre me acompanhou.

Realmente não sei o que fazer...

- Angus? – meus pensamentos foram interrompidos por alguém a porta.

- Leiftan? – me surpreendi ao vê-lo. – Pensei que já estivesse em alguma missão.

- Decidi sair depois de vocês. – respondeu sorrindo. – Todos parecem bem ansiosos com essa viagem. Então resolvi esperar

- Confesso que estou assustado...

- Essa será sua missão mais longe do Quartel e você quer se mostrar responsável. Então é normal essa sensação. – pausou. – Ou o que te preocupa é seu companheiro de viagem?

- Eu não sei nada sobre ele.

- Chrome, apesar de infantil, às vezes, é digno de confiança. Não permitiríamos alguém inexperiente em uma missão importante assim.

- Inexperiente, não é...? – sussurrei pegando o instrumento sobre a cama. – Infelizmente ainda não sou capaz de depositar tanta confiança em nenhum de vocês. E também tenho ciência de minhas limitações. Porém, como um verdadeiro bardo, prefiro partir com minhas canções.

- Gostaria de tocar algo antes de partir pelo mar?

- Assim que chegarmos na praia. – respondi pedindo passagem para encarar o destino aguardado.

Leiftan deixou meu quarto, mas não me seguiu.

Miiko estava parada em frente a enfermaria conversando com Ewelein e Alajéa estava com o Kappa em mãos.

Aguardei o final da conversa até Miiko pegar o Kappa e continuar o trajeto até a praia.

O trajeto foi quase todo em silêncio, exceto quando o Kappa decidiu deixar o colo de Miiko para vir até mim.

- Tocar... – dizia ao apontar para meu alaúde preso a minhas costas.

- Sim, Elliot. Teremos música durante a viagem. – respondi a animação dele.

Chegando ao pequeno porto a beira da praia, podia ver Kero conversando com Chrome.

- Vamos então aos detalhes finais. – Miiko dizia. – O barco é pequeno mais caberá os dois perfeitamente com o Kappa.

Passou vários lembretes e comentou sobre melhoria no barco enquanto Jámon colocava os suprimentos a bordo.

Também aproveitei para colocar minha sacola em um canto do navio, mantendo apenas o instrumento comigo.

- Você entendeu tudo Chrome? – Kero indagava ao jovem lobo.

- Sim. Não é a primeira vez que irei dirigir esse barco. Ficará tudo bem.

Kero não parecia muito convencido e nem eu.

- Miiko... Acho que minha parte está feita. – acabou ditando por fim.

- Perfeito. Chrome, você se lembra do nosso combinado, não é? – Miiko indagou uma última vez.

- Claro que sim.

- Então estamos voltando para o quartel.

- Tenham uma boa viagem. – desejou Kero. – E não o atrase Chrome.

- Mas... Que?! – lógico que Chrome não gostou da “acusação”

- Voltar. Bem. – Jámon nos desejou.

Antes que eu entrasse no barco, logo após Chrome e Elliot. Acabei parando ao escutar um som de patinhas pesadas correndo pela areia.

- Tori? – sorri surpreso. – O que está fazendo aqui? Pensei que ficaria dormindo no quarto. – ajoelhei para abraça-lo.

- Parece que ele veio se despedir. – Kero comentou.

- Prometo voltar logo. Até lá se comporte.

- Jámon cuidar. Tori.

- Obrigado, Jámon.

Com o fim das despedidas, entrei no barco. Agora sozinho com Chrome que mal conhecia, uma criança Kappa e um imenso mar.

- Aquele é sua mascote? – Chrome parecia surpreso. – Como conseguiu?

- Eles precisavam de alguém que ficasse com ele.

- Que sorte! Essas mascotes são famosas pelo tamanho e força. E raras de se ver.

- Acho que tenho um pouco de sorte sim. – me permiti sorrir. – Tori é uma ótima companhia.

- Agora vamos dar início a nossa missão.

- Viagem! Mar! Mar! – Elliot não escondia a felicidade de estar navegando.

A viagem inicialmente aparentava ser tranquila, mesmo Chrome se distraindo da rota várias vezes porque via “algo chamando sua atenção”. Boas horas foram perdidas nessa brincadeira, coisa que poderia ser poupado se mantivesse apenas o curso normal. Sem mencionar uma das vezes que a gente quase esbarrou em um Kraken por conta de sua curiosidade. Por sorte conseguimos nos distanciar antes que fossemos notados.

- Descender de uma família de viajantes jamais me preparou para algo assim. – murmurei apoiando o queixo sobre o braço a borda do barco.

- Não me diga que vai começar a ficar com enjoo agora.

- Não é nada disso! – esbravejei. – Como pode se distrair tão fácil? E todo esse desvio de curso... A gente podia ter sido pego por aquela coisa!

- Isso ainda é por causa daquele Kraken? Já estamos horas longe dele. Não aconteceu nada demais.

- Estamos pelo menos no trajeto certo?

- Claro que sim. – respondeu olhando para sua bússola. – Não... Espera...

- Saímos do curso, não é?

- Sim... Não! Desviamos só um pouquinho.

- Quanto?

- Algumas horas....

- ... – tive vontade de atirá-lo para fora do barco, mas, por pior que fosse, ainda preciso dele. – Vocês vão se dar bem... – murmurei, logo respirando fundo.

- Ruim... – Elliot falou com cara de choro.

- Desculpa Elliot, não devia ter me irritado assim. Essa missão deveria ser tranquila.– falei mais brandamente. – Sem mais desvios e distrações, ok?

- Ta... Prestarei mais atenção. – estava visivelmente emburrado, mas parecia ter entendido o recado.

Quando finalmente paramos para dar atenção a fome já estava anoitecendo.

Chrome se glorificava de uma salsicha que havia conseguido pegar da dispensa e preferir não contrariar. Já tenho ciência da simplicidade da alimentação daqui. Prova disso era o que estávamos levando para nosso próprio sustento. Era realmente contado para a duração prevista da missão.

- Tem certeza que não vai querer nenhum pedaço? – Chrome oferecia relutante.

- Você parece com mais vontade de comer que eu. – respondi. – Também não sou muito fã de salsichas.

Ele apenas deu de ombros aproveitando seu “banquete” feliz. Cuidei de alimentar o Kappa e também comer alguma coisa.

- Devemos estar perto da Costa de Jade. – Chrome comentou após a refeição. – Pela manhã talvez já conseguimos ver terra.

- Tocar... – Elliot lembrou de meu alaúde ao tentar pegá-lo.

- Por que trouxe isso? – Chrome indagou.

- Porque tocar me acalma. E Elliot parece gostar também. – respondi simplista.

- Tocar. Tocar.

Pretendia tocar antes de sair de terra firme, mas agora...

- Será que consigo lembrar de algo sobre viagens? – sorri posicionando o instrumento.

Uma melodia animada me veio em mente e tentei reproduzi-la.

 

“Ajuste nossas velas altas”

“Uma jornada épica, nossos navios através do mar”

“Através do mar nós alcançamos terras antigas”

 

Versos rápidos e dançantes tomavam o ambiente. A letra pouco parecia importar, pois a energia estava contagiando ambos. Até Chrome tentou me acompanhar na canção em seu refrão repetitivo.

Ao finalizar a música, dei início a uma mais lenta. Quase que uma canção de ninar, sem letra. Seria bom que uma criança como Elliot descansasse. Como esperado, Chrome também caiu no sono.

- Afinal é apenas uma criança também... – sussurrei para não acordar nenhum dos dois. – A noite parece que será apenas eu e minhas canções.

O mar calmo ajudava a manter o curso correto e o céu livre de qualquer névoa e bem estrelado iluminava o caminho.

- Será que posso realmente acreditar que pessoas do passado continuam olhando por seus amores? – falava sozinho, encarando as estrelas. – É horrível ser deixado para trás, mas alguém precisa ficar para contar as histórias, não é? – sorri sem animo. – Ainda voltarei para meu mundo. Contarei todas minhas prosas. Até que chegue o dia que eu possa voltar a seus braços...

Mais uma vez me ajeitei para tocar. Uma canção para os ventos.

 

“Eu fecharei meus olhos...”
“Em um mundo distante nós poderemos nos encontrar novamente”
“Mas agora ouça minha canção sobre a aurora da noite”

 

“O amanhã nos levará embora...”
“Para longe de casa”
“E você não está sozinho”
“Portanto, não tema no escuro e no frio”
“Porque as canções do bardo permanecerão”
“Elas todas permanecerão...”

 

Quando dei minhas canções por encerrado, a única noção de tempo que possuía era o amanhecer que ameaçava apontar.

- Mais uma noite sem dormir... -  falei ciente de que aquilo não era nenhuma novidade. – Será que ainda falta muito?

- O que? – assustei quando Chrome despertou de repente. – Onde estamos? Quando tempo eu dormi?

- Bom dia, Chrome. – me permitir rir ao ver sua expressão de surpreso. – Apesar de ainda não dar para dizer que amanheceu.

- Não acredito que dormir.

- Você parecia cansado. Fez bem descansar.

- Você! Foi você que me fez dormir com suas músicas. – acusou.

- Talvez. – apenas dei de ombros. – Mudando de assunto. Sua mascote é uma espécie de morcego, não é?

- Schwarz passou por aqui?!

- Então esse era o nome dele? – continuava a falar calmamente. – Lembro que Miiko queria ser informada a cada vinte quatro horas. Então, como eu não queria acordá-lo, pedi sua mascote levar uma carta com o resumo da missão até então.

- O que você falou? – ele parecia apreensível.

- Calma. Não disse nada para te prejudicar. Apenas que acabamos tendo uns contra-tempos por conta de uma tempestade inesperada, porém estamos bem e quase chegando a costa.

- Você mentiu?

- Não diria que foi mentira. Apenas mudei as palavras. – dei de ombros. – O início da nossa missão foi bem turbulenta mesmo. Realmente achei que alguém cairia no mar. Fosse ou não por boa vontade.

-.... Gostei de você. – fez uma pequena pausa antes de se pronunciar e começar a rir. – Já consigo ver a vegetação da costa. – comentou debruçando-se sobre a proa do barco. – Só precisamos manter o curso.

Ainda levou um longo tempo até vermos terra. Elliot só foi acordar quando atracamos.

Chrome amarrou o barco, o ocultando perto de um matagal.

Coloquei meu alaúde nas costas e peguei  Elliot no colo enquanto Chrome cuidava das refeições que havíamos levado como oferenda.

- Por que não deixa isso no barco?

- Prefiro manter meu alaúde junto ao corpo. Assim como você com seu punhal. – respondi simplista. – Está tudo bem se eu chegar perto do vilarejo? – parei. – Kappas não gostam de humanos.

- Parece que o ancião irá nos encontrar próximo a entrada do vilarejo. Qualquer coisa irei na frente para eles não terem uma interpretação errada.

Seguimos florestas a dentro. Todas aquelas vegetações enormes e muitas estatuas rodeando o local. Eram coisas que prenderiam a atenção de qualquer um.

- Me sinto minúsculo perto dessa vegetação. – comentei.

- E como acha que me sinto?! – respondeu. – Você ainda é bem maior que eu. – ele parecia frustrado ao admitir isso.

- Mas é um lugar interessante. Queria ter mais tempo para explorar. – tentei mudar o foco do assunto.

- Também gostaria. – confessou. – A entrada do vilarejo é logo a frente. – parou. – Melhor esperar por aqui

- Bom... Elliot. É aqui que nos separamos. – o coloquei no chão e ele fez cara de choro. – Não faça essa cara. Ainda nos veremos de novo. Agora deve ir para casa. – fiz carinho em sua cabeça para tentar acalmá-lo. Sabia que ficaria triste. Porém assustei quando alguém o pegou e começou a falar um idioma estranho.

“Uma criatura gigante” – foi meu primeiro pensamento ao encará-lo. – Desculpe, mas não consigo entende-lo. – instintivamente evitava o contato direto. Isso então é um Kappa adulto?

- Você não é originário das terras sagradas, então... Estou encantado em conhecê-lo. – ah... Então é isso.

- Eu também...

O Kappa ancião pronunciou seu nome, porém não me senti capaz de aprendê-lo naquele instante. Me limitando apenas a chama-lo por “Senhor”.

Por educação também me apresentei e ele aparentava estar de bom humor ao falar comigo. Diferente de Chrome que agia de forma totalmente informal.

Elliot estava feliz ao se reencontrar com sua espécie e o ancião voltou a agradecer por toda a disposição e trabalho. Perguntando também se não havíamos encontrado outros.

Contou que muito de seus recém-nascidos estavam sendo sequestrados e explicamos onde encontramos Elliot e que era o único que havíamos visto.

Aproveitamos também para entregar as oferendas na esperança de manter um bom relacionamento entre os povos.

- Vejo que és musico. – o ancião comentou ao ver o instrumento em minhas costas. – Lembro-me de minha juventude quando via muitos viajantes cantando suas histórias. Sentir-me-ia honrado se pudesse ouvir sobre seu povo.

- Bem...

- Desculpa, mas estamos com um pouco de pressa. – Chrome interveio.

- Eu compreendo... Uma próxima vez então. Leve nossas honras para senhorita Miiko.

- Nós faremos. – afirmou Chrome e eu me despedi uma última vez de Elliot antes de pegarmos o rumo de volta para a praia.

- Foi bem mais tranquilo do que esperava comentei enquanto caminhávamos para a praia.

- O que tem de tão especial em você ser músico? – Chrome indagou incomodado.

- Nada passa despercebido por um contador de histórias. – respondi. – Então caso queira saber algo ou simplesmente sonhar basta prestar atenção nos bardos. E mesmo em seus contos e lorotas, nunca deixam de ser verdadeiros com seus sentimentos.

- Não entendo nada disso... – aparentou confusão. – Bom... Vamos voltar logo para o bar...co.

Paramos chocados ao não ver nosso barco no lugar onde havíamos deixado.

Sem marcas de roubos e nem indícios de ter sido mal amarrado. Me recordo perfeitamente de até jogar a âncora para segurar...

Não havia como voltar para casa.

- Estamos encrencados.... – soltei o óbvio.


Notas Finais


Ao início da viagem: https://www.youtube.com/watch?v=reTG0JJdG5Q
Uma indicação de música calma: https://www.youtube.com/watch?v=ifQ3JRS4gqc
Quando Angus está tocando para si enquanto os outros dormem: https://www.youtube.com/watch?v=n63UbX5kzAc


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