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História O Pequeno Príncipe - Capítulo 2


Escrita por: e softaegguksz


Notas do Autor


Pois é kkk voltei.
Esse capítulo está beeem maior, e eu estou muítissimo feliz por ele, porque além de ser o maior que já escrevi até hoje, também é o mais bem escrito (eu acho).
Espero que gostem.
Boa leitura.

Capítulo 2 - Para algum lugar


Jeon Jeongguk abriu a porta da nova casa com dificuldade, devido as caixas sobre os seus braços e mãos. Entrou na residência, andando a passos apressados até a sala de jantar, onde colocou as caixas em cima da mesa de mármore, suspirando aliviado ao sentir seus membros superiores livres de todo aquele esforço. Carregar três caixas de utensílios culinários não era algo nada fácil, e somando a todas as outras caixas que trouxe para dentro do lugar, foi algo bem difícil. Ainda mais que não tinha nenhum tipo de ajuda, era apenas ele e ele.

Estava se mudando para ficar mais próximo do seu novo trabalho, um ótimo que havia conseguido logo após terminar a faculdade, inclusive. 

Colocou as mãos na cintura, encarando os objetos retangulares em uma cor de marrom claro, pensativo. Rapidamente lembrou do que precisava e andou até a sala, procurando por sua mochila, e achando-a em cima do sofá, no meio de caixas com todos os seus livros didáticos da vida toda. Gostava muito de estudar e, mesmo que já tivesse acabado a faculdade, gostava de pegar aqueles pedaços de papéis com tantas letras e lê-las de novo e de novo.

Abriu a mochila vermelha e retirou o celular dali de dentro. Desbloqueou o aparelho ao simplesmente colocar o seu polegar em um lugar específico. Após a tela ter sido desbloqueada e ter mostrado o seu papel de parede do Homem de Ferro, clicou num ícone alaranjado chamado “contatos”. Tocou na tela, descendo-a até achar o número que tanto ansiava. Após encontrá-lo, clicou e levou o celular até a orelha, ouvindo os toques tão conhecidos por si, e, já no terceiro, o telefone foi atendido.

— Alô? Pois não? — perguntou a voz do outro lado do telefone.

— Seokjin, é o Jeongguk. — respondeu para um dos pouquíssimos amigos que possuía.

— Ah, oi, Jeongguk, o que deseja para essa noite? — perguntou novamente o homem do outro lado da linha, pegando um bloco de notas para anotar o pedido do mais novo.

— Quero o de sempre: sanduíche vegano e um suco natural de laranja.

— Já imaginava isso. Já pensou em mudar o cardápio alguma vez na vida, Jeongguk? — O Kim riu, anotando tudo em uma letra rápida e meio garranchada, destacando o papel logo em seguida e grudando na parede para que o chef pudesse vê-lo. 

— Sim, mas isso acabaria com a minha dieta e minha rotina, não posso arriscar. — respondeu, dando de ombros, sem se lembrar que o outro não veria a sua ação.

— Em cerca de meia hora Yoongi estará entregando a sua comida.

— Tudo bem. — Revirou os olhos. Odiava quando as pessoas não lhe davam horários específicos. “Cerca de meia hora” não lhe dizia quase nada. — Dará a mesma quantia de sempre?

— Sim.

— Tudo bem, boa noite, Jin. E tenha um bom trabalho.

— Para você também, Jeongguk, e boa sorte na sua mudança.

— Obrigado. — Deixou um sorriso de lado escapar. — Tchau. — Após ouvir a mesma palavra vindo do outro lado da linha, tirou o celular da orelha e apertou no botão redondo vermelho para encerrar a ligação.

Colocou o celular no bolso de trás da calça e andou de volta em direção à cozinha, pensando no que faria enquanto esperava pela comida, já que não fazia ideia de quanto tempo realmente demoraria. Calculando 30 minutos em sua própria cabeça, decidiu tirar algumas louças de dentro das caixas; no dia seguinte tiraria o resto.

Afastou duas delas e arrancou com força uma das fitas da caixa média. Abriu as abas, avistando os pratos e talheres. Os copos e xícaras estavam no menor caixote e as panelas e frigideiras na maior. Tirou um prato grande dali de dentro, um garfo e uma faca. Abriu a menor caixa, pegando um copo de vidro e, em seguida, levando tudo até a pia, onde lavou com a esponja que pegou em uma das poucas sacolas que trouxe.

Após deixar tudo bem limpinho, colocou tudo em cima da mesa — após passar um pano com álcool ali também. Pegou o celular de novo e viu que faltavam cinco minutos para dar os trinta informados por Seokjin. E, assim que guardou o aparelho, ouviu a campainha da sua nova casa tocar. Suspirou, agoniado com a falta de pontualismo e andou a passos apressados até a porta. Destrancou-a, pegou a comida e se despediu do entregador após pagar pela mesma.

Rapidamente voltou para a cozinha e colocou os pacotes em cima do mármore ao lado dos utensílios culinários. Tirou o seu jantar de dentro das embalagens e se serviu, enchendo o copo por completo com o suco natural.

Puxou uma das duas cadeiras que havia ali e se sentou, ajeitando-se, ficando bem perto do prato para que nada caísse no seu colo, mesa ou muito menos no chão. Estendeu um guardanapo sobre o colo e, por precaução, colocou outro dentro do moletom que usava. Pegou o garfo com a mão esquerda, a faca com a direita, e começou a cortar o sanduíche. 

Após cinco minutos comendo — e, de vez em quando, dando alguns goles na bebida natural alaranjada —, começou a ouvir uns barulhos estranhos vindo de algum lugar. Não conseguia identificar de onde vinha ou o que era aquele som terrível. Só sabia que aquele troço era absurdamente irritante, doía as suas, tão queridas, orelhas.

Aquilo estava tão insuportável que chegou a tirar a sua fome. Retirou os guardanapos de pano de si, suspirou irritado e empurrou o prato para longe. Apenas pegou o copo e levou o vidro até os lábios rosados, dando alguns goles na bebida levemente azeda em uma tentativa de não se irritar mais do que já estava irritado.

Fez uma careta quando aquele barulho ficou ainda mais alto, irritando-o ainda mais. Soltou a bebida e levou ambas as mãos até as orelhas, tampando-as, numa tentativa de abafar aquele som.

Aquela coisa estranha parou, finalmente, após mais dois minutos. Jeongguk estava a ponto de ligar para a ambulância pedindo socorro. Suas orelhas doíam e sua enxaqueca estava começando novamente, o que o deixou extremamente puto.

Após um minuto, o som começou novamente, porém em um tom bem mais alto. Jeongguk cansou-se e se levantou da cadeira, tentando identificar da onde vinha aquela coisa terrível.

Virou a cabeça para um lado, depois para o outro, até identificar que vinha da sua direita. Andou rapidamente até a janela da cozinha, que ficava bem naquele lado, e puxou a cortina branca, deparando-se com uma casa bem diferente da sua ao lado. Era do seu vizinho e, ao que tudo indicava, vinha dali o som.

A residência ao lado era de madeira velha, completamente diferente da sua que era de gesso e tijolos fortalecidos. A do vizinho também tinha uma cor deveras estranha, sendo de um laranja misturado com marrom. Enquanto a sua era num tom branco, assim como a grande maioria das coisas que tinha, já que, acima de tudo, era a sua cor favorita.

Colocou na cabeça que, se por acaso aquele troço irritante ficasse ainda mais alto e continuasse o irritando profundamente, iria ligar para a polícia sem exitar. Afinal, passava das dez da noite, era quase onze horas, na verdade, então tinha todo o direito de reclamar.

Felizmente, aquele som não ficou alto o suficiente para lhe fazer ligar para a polícia, porém era consideravelmente irritante para ficar com dificuldade para dormir. Só conseguiu pegar no sono por volta da uma hora da manhã, o que o irritou demais, visto que o seu máximo era sempre meia noite. Caso passasse disso, o seu cronograma do dia seguinte teria um problema devido o seu sono, e aquilo lhe irritava mais do que se roubassem o seu celular.

Não ligou porque não queria ter nenhuma briga com o vizinho — ainda. Deixaria para ver o que aconteceria no dia seguinte. Caso aquilo voltasse a se repetir, não exitaria em discar aquele número tão conhecido por si de apenas 3 dígitos.

 

— Espera! — falou Jimin, erguendo a mão, interrompendo o conto de Taehyung. — Como você sabe disso?

— Jeongguk me contou, e pode apostar que aquele garoto sabe contar com muitos detalhes. — respondeu Taehyung, dando ênfase ao “muitos”. — Enfim, voltando à história.

 

Jeongguk estava sentado no sofá da sala, com a postura completamente reta e as pernas para baixo. Um livro estava apoiado em seu colo, com as laterais sendo seguradas por suas delicadas mãos.

Foi quando começou a ouvir aquele som infernal novamente.

Suspirou, revirando os olhos e jogando a cabeça para trás, encostando-a na parte de cima do estofado.

Abriu os olhos, devolvendo a cabeça para a frente, ficando com o tronco ereto novamente. Decidido, deixou o seu livro de lado, e levantou do sofá. Com pressa, andou até a cozinha e abriu um dos armários, procurando alguma coisa, qualquer coisa. Viu uma xícara de porcelana branca, com alguns grãos de café desenhados. Pegou o objeto e fechou a porta do armário.

Pegou o celular em cima da mesa e andou apressado em direção à porta de entrada e saída, destrancando-a e rapidamente saindo de dentro de casa. Contou os passos. Dez passos e passou o quintal, chegando na calçada. Virou para o lado direito e continuou andando. 

Vinte e cinco passos e então estava em frente à casa do vizinho.

O quintal não era protegido com nenhum tipo de cerca, apenas era o quintal verde com várias tralhas espalhadas, uma escada mais à frente e, então, a porta de entrada. Andou um pouco mais e flexionou o joelho, apoiando o pé direito no primeiro degrau, então subiu os outros dois e chegou ao deck. Suspirou profundamente e ergueu o braço direito, fechando a mão em um punho, levando-a até a porta de madeira branca e dando algumas batidas receosas no local. 

Sua determinação havia ido embora. Estava tão determinado em acabar com aquela tortura, a qual tanto o incomodava todos os dias desde que se mudou, duas semanas antes. Não sabia exatamente o porquê de não ter ligado para a polícia ainda, só sentia que deveria resolver aquilo com o vizinho primeiro, na base da conversa.

Após dar as três batidas na porta, esperou pelo objeto ser aberto, o que demorou um bom tempo e aquilo estava lhe estressando em demasia. Oras, tinha coisas mais importantes para fazer do que ficar ali esperando por um vizinho mal educado que sequer atendia a porta, com certeza iria embora para casa e ligaria para a polícia para ela poder...

— Pois não? — perguntou a voz grossa e rouca, a qual causou-lhe arrepios na nuca. O homem a sua frente era absurdamente lindo. Estava sem palavras.

— O-oi, sou Jeon Jeongguk, o seu novo vizinho — Apontou para a casa branca ao lado e o de cabelo castanho olhou também, balançando a cabeça lentamente em afirmação — E eu vim pedir um pouco de açúcar. — mentiu, sem acreditar que estava usando aquela desculpa tão tosca. Mas, por algum motivo, Taehyung acreditou.

— Eu te empresto sim, aliás, quer entrar para tomar um café comigo?

Jeongguk sabia que não podia sair entrando na casa dos outros, podia ser perigoso, porém estava demasiadamente curioso e o seu plano de fazer o homem parar com os sons estranhos dependia de saber o que ele fazia, para começo de conversa.

— Eu adoraria. — Sorriu falso, e entrou na residência de cascalho após o, aparentemente mais velho, dar dois passos para o lado, dando-lhe passagem. 

Assim que entrou no lugar, arregalou os olhos negrumes e a boca ficou meio aberta. Ao mesmo tempo que era super bagunçado, também era organizado e adorável.

Na sala havia um sofá de bambu falso com um estofado de pano verde, um tapete felpudo também na cor verde e na frente havia um hack de madeira, e ele parecia velho, já estava até meio torto com a tevê estilo tijolão por cima. Ao lado da televisão antiga, havia alguns porta-retratos, livros todos desorganizados (um por cima do outro, sem padrão algum) e outros trecos que Jeongguk nem fazia ideia do que era. Havia ali também algumas ferramentas de construção.

Mais à frente, havia uma longa escada de madeira, a qual levava para o primeiro andar, porém podia ver de onde estava — já que possuía uma parte descoberta — que lá em cima havia três quartos. 

Ao olhar para o lado esquerdo, podia ver a entrada da cozinha, lugar onde o bonito vizinho desconhecido adentrava sem preocupação com o seu ato de bisbilhotar.

Não querendo parecer um fofoqueiro — apesar de ser — e mal-educado, seguiu-o e entrou no cômodo também.

Assim que adentrou, ficou surpreso porque parecia ser o primeiro cômodo moderno. Quer dizer, não que fosse muito tecnológico — ainda mais que estava longe de ser como na sua própria casa —, porém era mais que a entrada da casa e a sala. “E, na verdade, nem posso julgar muito, vi somente metade da casa até agora” pensou se auto julgando. Dentro da cabeça de Jeongguk era uma confusão.

Viu Taehyung andar até um dos armários brancos de madeira, bem parecidos com os seus próprios, e abriu, tirando dali um pote de vidro circular, praticamente oval, cheio com grãos brancos dentro. Colocou em cima da mesa, ao lado do pires e xícara bege de porcelana, igual a sua. Havia outras coisas também, como duas fôrmas — uma parecendo que estava com pão caseiro e a outra com um bolo branco — e então uma leiteira.

— Pode se sentar, Jeongguk. — Sinalizou uma das cadeiras, aquela bem na frente da que ele mesmo estava se sentando. — Sinta-se à vontade.

— Obrigado. — agradeceu, levemente envergonhado. Não era muito bom com interações sociais.

O de fios castanhos sorriu na sua direção e pegou a leiteira, servindo as xícaras com o líquido branco até a metade. Em seguida, pegou a jarra de vidro com o líquido escuro e derramou a bebida até que quase transbordasse as porcelanas. Após isso, pegou o pote de vidro e colocou quatro colheres de sobremesa cheias do açúcar dentro do café.

— Coloque a quantidade que quiser. — Entregou o pote ao novo conhecido, e Jeongguk sorriu forçado ao pegá-lo. Odiava açúcar, nunca colocava nos seus cafés, aliás, sequer tomava aquele tipo de café normal, tomava o descafeinado. Aquela havia sido a sua pior ideia da vida, moveu-se apenas pela emoção e não pela razão e aquilo estava o incomodando. Não podia funcionar assim, coisas davam muito errado quando eram movidas pelos sentimentos.

Não querendo estragar o seu próprio “disfarce”, encheu uma colher de sopa cheia de açúcar e colocou dentro da bebida agora bege. Afinal, só alguém que gostasse muito de doce mesmo para ir ao vizinho pedir açúcar enquanto poderia ir ao mercado facilmente em outra hora. Mexeu o café com o utensílio de inox tentando esconder a cara de nojo que queria surgir durante todo o tempo.

— O que foi? Tem algum problema? — perguntou o vizinho, e isso lhe fez gelar.

— Nada, nada. — respondeu, tentando se manter tranquilo, deixando a colher de lado e pegando a xícara branca, levando a porcelana até os lábios, porém ao dar um longo gole no líquido bege, não conseguiu conter a sua cara de nojo ao sentir o gosto extremamente doce.

— Certeza que não há nenhum problema? — questionou o homem mais velho, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso indecifrável nos lábios grossos e rosados. — Porque, pelo que eu me lembre, você não toma café que não seja descafeinado e odeia ainda mais açúcar. — Os olhos de Jeongguk arregalaram tanto que pareciam que sairiam da cavidade.

— Como você sabe disso?!

— Você se mudou para cá há duas semanas, e desde então eu venho te observando. Não ache que sou um stalker ou coisa do tipo, é só que gosto de ficar no meu quintal de manhã cedinho e final da tarde, observando o céu clarear ou escurecer, e nesses horários você está sempre indo para o trabalho ou então voltando.

— Mas como sabe do meu gosto pelo café? — questionou o Jeon, irritado e com receio ao mesmo tempo.

— Fala sério — riu e revirou os olhos castanhos. — Você compra café no Starbucks, o pedido vem praticamente anotado na embalagem.

— Ah… — Jeongguk devolveu a xícara a mesa e ficou encarando as próprias mãos delicadas e pálidas, sem nem saber o que pensar. — Mas então por que deixou eu ficar mentindo por todo esse tempo? — Levantou o olhar, encarando o mais novo vizinho.

— Queria ver o que queria com isso tudo, mas fiquei muito curioso e fiquei sem paciência para continuar o joguinho. — Deu de ombros, dando alguns goles na sua própria bebida, fazendo Jeongguk soltar uma careta, nem querendo imaginar o quão doce estava aquilo dali. — Então… Por que veio aqui, Jeongguk?

O Jeon suspirou, sabendo que não sabia muito o que fazer a respeito. Seu disfarce estava completamente estragado.

— Você está me incomodando com esses seus barulhos insuportáveis, então eu vim aqui para descobrir o que era para conversamos sobre o assunto.

— Você veio aqui me chantagear? — perguntou, franzindo o cenho, confuso.

— Não! — respondeu desesperado. — Para falar a verdade, nem sei por que vim aqui agora, apenas estava estressado e queria resolver a situação logo.

— Deu para ver. — O de fios acastanhados começou a rir. — Com essa desculpa ridícula…

— Ah, para de me zoar, para. — Revirou os olhos, porém achou graça também e riu junto ao outro homem. — Aliás, você não me disse o seu nome até agora. — lembrou.

— Ah, perdão pela minha falta de educação, me chamo Kim Taehyung. — respondeu sorrindo para o mais novo, arrancando um sorriso do moreno também. — E o barulho que você tanto ouve, é do meu mais novo instrumento: o trompete. Estou tentando aprender, porém não está dando nada certo. — Revirou os olhos.

— Deu para perceber muito bem. — Começaram a rir novamente.

 

Jeongguk deu novamente três batidinhas na porta de Taehyung, rindo baixinho ao ouvir o característico som horrível do trompete do Kim. O vizinho estava em mais um dos seus treinos fracassados.

Contou um minuto e quando a madeira não foi aberta, deu mais três batidas, dessa vez batendo com ainda mais força, e com isso o barulho parou. Trinta segundos depois a porta estava aberta e Jeongguk teve uma visão que lhe fez salivar: Taehyung sem camisa, com manchas de tinta — em sua maioria na cor azul — no abdômen amorenado não muito musculoso, mas deliciosamente delicioso. Vestia um jeans surrado e os pés estavam descalços; estava perfeito.

Depois da primeira vez que se conheceram, duas semanas atrás, Jeongguk e Taehyung só se viram mais uma vez, que foi no mercado perto dali. Conversaram por cerca de quinze minutos no lugar, esquecendo totalmente do propósito de estarem ali: compras. Fora isso, trocaram mensagens, essas vindo mais da parte do Jeon, pois, segundo o Kim, mensagens era um desperdício de tempo, preferia muito mais conversar pessoalmente.

E, naquela tarde de um sábado não tão qualquer, Jeongguk decidiu não limpar a casa — decidiu deixar a limpeza semanal para o dia seguinte — e ir visitar o vizinho. Motivo? Estava atraído por ele e não podia negar.

Taehyung era um homem extremamente bonito, inteligente, gentil, engraçado e bem diferente de qualquer outro cara que tenha conhecido. Ele lhe intrigava demais.

— Oh, já são duas da tarde? — perguntou o Kim, arregalando os olhos ao ver o mais novo ali na sua frente. Jeongguk riu e assentiu levemente com a cabeça.

— Sim. Você se perdeu no tempo de novo, não é?

— Sim. — resmungou, fazendo um biquinho com os lábios em forma de coração, fazendo o Jeon sorrir, achando fofo. — Pode entrar. — Arregaçou mais a porta, dando passagem para que o novo amigo pudesse passar.

— Obrigado. — agradeceu, entrando na residência. — Que cheiro é esse? — perguntou, fungando, sentindo um cheiro fraco de queimado.

— Ai, meu deus! O meu bolo! — gritou Taehyung, correndo em direção à cozinha. Jeongguk franziu o cenho e foi atrás dele.

Viu o Kim pegar uma toalha de louça branca com detalhes vermelhos e verdes, e com ela, abrir o forno e tirar dali uma fôrma retangular com um bolo meio queimado Aproximou-se, vendo que dava para salvar a comida, por sorte.

— Ainda bem que dá para salvar o bolo. — falou o Kim, andando até a pia e pegando uma faca de dentro da primeira gaveta, logo voltando e cortando as partes queimadas do bolo, colocando-as em cima da mesa, no canto, para jogar no lixo em seguida.

Jeongguk riu, lembrando que não era a primeira vez que sentia um cheiro de queimado vindo da casa do vizinho, havia acontecido outras três vezes. Era bem comum que Taehyung colocasse as coisas no forno e esquecesse disso após ir fazer qualquer outra coisa pela casa.

— Você tem um dom natural para quase colocar fogo na cozinha. — comentou o Jeon, puxando uma das cadeiras para se sentar.

— Eu sou muito aéreo. — comentou o óbvio, rindo junto com o mais novo. Finalmente terminou de tirar todas as partes estragadas e então juntou tudo num montinho, pegando com as mãos em forma de concha e jogando tudo na lixeira. Em seguida, cortou dois pedaços de bolo e colocou em dois pires, um para si próprio e outro para Jeongguk, quem agradeceu baixinho.

Sentou-se na outra cadeira e deu uma garfada no doce, logo levando até a boca, gemendo de satisfação após sentir o gosto tão delicioso de baunilha.

— Hm, está muito gostoso! — elogiou Jeon, com os olhos arregalados. Apesar de Taehyung esquecer algumas coisas no fogo, ele, com toda a certeza, era um ótimo cozinheiro, principalmente confeiteiro.

— Obrigado. — agradeceu o Kim, levemente envergonhado, colocando mais um pedaço do bolo na boca.

— Então, você ainda não me disse do que trabalha.

— Ah! — Taehyung começou a rir e o Jeon arqueou uma sobrancelha, confuso. — Eu não trabalho.

— Como assim não trabalha?!

— Eu vendo algumas pinturas que faço, alguns outros artesanatos e toco saxofone na rua. — Jeongguk fez uma careta.

— Mas por que você não começa a trabalhar em um lugar fixo?

— Não gosto. — Deu de ombros. — Desse negócio de ter um chefe, dia para trabalhar, horário para começar e terminar. Gosto de ser independente.

— Mas como tem dinheiro para se sustentar? — perguntou curioso. — Aposto que não ganha tanto dinheiro assim.

— Tenho a pensão das mortes dos meus pais e avós.

— Toda a sua família morreu? Oh, eu sinto muito! — Jeongguk fez uma expressão triste, e o Kim deu de ombros.

— Acontece, Jeongguk, é uma coisa da vida. Todos vamos morrer. Nós nascemos, crescemos, e então morremos. Ninguém vai escapar disso.

— Mas você não é solitário? Aqui, vivendo nessa casa enorme, sozinho. — Olhou ao redor e Taehyung soltou um suspiro, e então sorriu.

— As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes.

Jeongguk estava completamente em choque, não sabia o que falar. Taehyung parecia ser tão sábio, ele lhe intimidava demais, ao mesmo tempo que cada minuto que se passava lhe interessava mais.

— Terminou de comer? — perguntou o Kim, apontando para o prato já vazio de Jeongguk. — Quero te mostrar uma coisa.

Após assentir, levantaram-se juntos da mesa e as bochechas do mais novo ficaram coradas após o mais velho segurar na sua mão, puxando-lhe com um cuidado tão carinhoso.

Saíram da cozinha e passaram pelo corredor. Jeongguk achou que iriam subir as escadas, mas o Kim o puxou para o lado, lhe mostrando uma porta que não havia percebido ainda. Taehyung levou a sua mão disponível até o metal da maçaneta e a abriu, entrando no lugar e puxando o Jeon pela mão, delicadamente.

Quando entrou, Jeongguk não conseguia acreditar no que estava vendo.

Era um quarto cheio de tralhas, tralhas de todos os tipos, cores e tamanhos.

— Por que estamos aqui? E por que você tem todos esse lixos? — Fez uma careta, abaixando-se e pegando uma camisa cinza meio rasgada e cheia de tinta azul. Taehyung se ofendeu e tirou o pano do tecido da sua mão com um pouco de brutalidade. Vestiu-a rapidamente.

— Não são lixos, são coisas que eu posso reaproveitar.

— Então você é um desses acumuladores? — Arqueou uma sobrancelha e começou a olhar ao redor.

— Não, porque eu realmente aproveito o que junto. — argumentou, começando a andar pelo cômodo, olhando para o chão para desviar dos objetos e também procurando alguma coisa.

— Hm, sei... — murmurou Jeongguk, começando a sentir o seu nariz coçar, sintomas da sua rinite.

— Achei! — exclamou Taehyung, de repente, após um minuto de silêncio, assustando o Jeon.

— Achou o quê? — perguntou o mais novo, sem olhar para o mais velho, pois estava olhando em uma das prateleiras dali, passando de leve a ponta dos dedos pelos livros, curioso pelo o que encontraria naquele mundo de coisas exóticas.

— Um livro que eu fiz quando ainda era uma criança. — contou, desviando dos objetos no chão para chegar até o moreno.

Jeongguk virou-se, deparando-se com o Kim com um livro grosso, com grandes espirais douradas e algumas páginas velhas. Taehyung ergueu o objeto até que ele ficasse visível para Jeon, e então abriu, começando a mostrar desenhos que fez quando ainda era pequeno.

— O que é isso? — perguntou, extremamente curioso.

— Uma história que eu criei sobre um príncipe que morava em um minúsculo planeta com a sua querida rosa. — Foi virando as páginas mostrando a sua história. Eram desenhos infantis, ruins, porém pareciam cheios de sentimentos. A letra também não era nada bonita ou organizada, mas era legível.

— Você tinha uma imaginação e tanto… — Riram juntos, ainda vendo a história. Quando viu que o príncipe havia saído do seu planeta, o Jeon franziu o cenho, achando estranho. — Ei! Por que ele saiu do seu planeta? E quem é essa raposa? — perguntou, apontando para o novo personagem.

— Você vai ter que descobrir lendo o livro. — Taehyung sorriu, fechando o único exemplar, entregando nas mãos delicadas e pálidas do Jeon. — Faça bom proveito, Jeongguk.

— Você confia em mim? Não acha perigoso entregar algo que parece tão importante para alguém que só conhece há duas semanas? E se eu estragar ou perder?

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos, então mesmo se eu perder, estará tudo bem, eu ainda lembrarei bem dele. — falou, olhando no fundo dos olhos de Jeongguk.

Jeongguk retribuía o olhar do Kim, sem conseguir desviar por um único segundo. Taehyung lhe intrigava demais, queria tanto descobrir tudo o que o mais velho sabia, ele era tão sensato… Desviou o olhar para a boca do mais velho, encontrando os lábios cor de pêssego, parecendo tão macios e saborosos, com uma pintinha bem sutil no canto. Taehyung também encarava a sua boca, com uma vontade grandiosa de sentir aquela pintinha adorável que o mais novo possuía debaixo do lábio mais grosso.

Sem perceberem, foram aproximando os corpos e, consequentemente, as bocas. Lentamente, juntaram os lábios, em um contato ainda sutil e delicado. As mãos de Taehyung foram parar na cintura delgada do mais novo, e as do Jeon foram para o pescoço e lateral do rosto do mais velho. Abriram sutilmente as bocas, começando a mover os lábios, aproximando mais os corpos, ficando colados.

Taehyung tocou a ponta do lábio de Jeongguk com a língua, e o Jeon deu passagem, deixando o músculo molhado preencher a sua cavidade bucal em busca do seu semelhante. Quando as línguas se encontraram, ambos soltaram suspiros de satisfação. Aumentaram a intensidade do ósculo, mexendo as cabeças para um lado e para o outro, tão felizes e satisfeitos pelo primeiro contato realmente íntimo, coisa que queriam desde a primeira vez em que se viram.

Finalmente, separaram-se pela falta de ar, porém permaneceram de olhos fechados e super próximos um do outro, tão perto que a respiração ofegante de cada um era sentida pelo outro.

Por fim, abriram os olhos e sorriram, olhando todos os detalhes do rosto do outro, mas, principalmente, olhando para os olhos brilhantes que agora possuíam, achando-os perfeitos demais para serem reais.

 

Jeongguk estava deitado em seu colchão de casal, com as costas encostadas no travesseiro, o qual estava erguido e também encostado na cabeceira da cama. Em seu colo estava o livro de Taehyung. Folheava interessadíssimo, querendo saber tudo daquela história, querendo chegar logo ao final dela.

A história era incrível, era surpreendente que uma criança tivesse escrito aquilo. Era extraordinário, para falar a verdade. Jeongguk estava mais maravilhado com aquele único exemplar do que estava com qualquer outro livro que tenha lido ao decorrer da vida — e olha que leu muitos e muitos livros, apesar de que, é claro, tenham sido mais de estudo do que fantasia ou diversão em questão, porque até então achava que livros serviam apenas para transmitir conhecimento. E agora  soube que estava errado quando achava que conhecimento era apenas passado por livros teóricos ou de cálculos. Nunca esteve tão errado na vida.

A cada frase poética do personagem principal, o Pequeno Príncipe, sentia que aprendia um pouco mais. E não apenas com ele, com todos os personagens. Todos tinham a sua história para contar e coisas para ensinar. Porque, afinal, todos nós não temos uma?

Após chegar na metade do livro, virou a cabeça e olhou para o seu relógio no bidê. Ele anunciava que já era uma e quarenta e oito da manhã, ou seja, já deveria estar dormindo.

Suspirando dramaticamente, pois queria terminar aquele livro naquela madrugada mesmo, fechou a capa e colocou o registro no espaço livre do seu lado da cama. Deitou-se, cobriu-se com o cobertor, e fechou os olhos, desejando sonhar com o Pequeno Príncipe, ou então, até melhor, com Kim Taehyung.

 

As mãos de Taehyung e Jeongguk estavam entrelaçadas; o Kim puxava o Jeon pelo membro superior, dando pulinhos de tão animado que estava com aquele parque de diversões. Jeongguk apenas observava o mais velho, rindo baixinho pela empolgação dele; Taehyung parecia uma criança.

— Queremos dois ingressos. — pediu o Kim para a moça na recepção do parque. A mulher tinha os cabelos curtos, estilo chanel. Seus olhos eram bem puxados e seus lábios finos estavam cobertos por um batom vermelho forte; seus olhos com uma sombra azul, rímel e delineador. Estava maquiada e com um vestido florido azul com um decote. Estava bem arrumada.

Após a desconhecida anunciar o preço que daria, Taehyung tirou a carteira e ameaçou pagar a conta toda sozinho, o que fez o Jeon franzir o cenho e impedir o Kim, segurando-o pelo braço.

— O que você pensa que está fazendo?

— Pagando. — respondeu como se fosse óbvio, tirando uma nota de dentro do objeto de couro falso escuro.

— Nada disso! Vamos dividir a conta! — exigiu.

— Mas eu quero pagar tudo sozinho!

— E eu quero te ajudar a pagar! — Cruzou os braços, encarando Taehyung no fundo dos olhos, desafiando-o.

O Kim, por fim, suspirou e assentiu.

— Tudo bem, vamos dividir a conta. — Trocou a nota, pegando uma com um valor menor e entregou para a mulher. Jeongguk tirou o celular e tirou uma quantia que deixava escondido dentro da capinha do aparelho tecnológico. — Hum, criativo. — elogiou o Kim, sorrindo. — Gostei! — Jeongguk sorriu também e piscou um olho na direção de Taehyung enquanto entregava o pequeno bolo de dinheiro para a moça desconhecida.

Após a atendente entregar os tickets para os dois, despediram-se da mulher e foram até uma catraca que havia mais à frente. Esperaram cerca de cinco minutos na fila e então chegou a vez deles passarem. Passaram sem dificuldades.

— Podemos ir em qualquer brinquedo pelas próximas quatro horas e dez minutos. — falou Jeongguk, olhando o horário no celular. Era exatamente 17:50 da tarde. — Então, em qual você quer ir primeiro? — perguntou, começando a observar todas as atrações que haviam ao redor.

— Que tal no carrossel? — questionou o Kim, cruzando as mãos e deixando-as em frente ao corpo, erguidas, fazendo uma expressão pidona e começando a dar pequenos pulinhos. Jeongguk riu, achando adorável. Ele era uma eterna criança e talvez fosse por isso que era tão incrível.

— Você está parecendo uma criança neste exato momento. — comentou o que pensava, vendo o Kim fazer uma expressão ofendida falsa, e então voltar à expressão normal de sempre, rindo junto consigo.

— Isso para mim não é uma ofenda, é um elogio. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso, e os adultos não entendem nada sozinhos, e é cansativo para as crianças ficar sempre explicando as coisas para eles. — falou, dando de ombros, e então começando a puxar Jeongguk pelo pulso em direção ao carrossel. O Jeon arfou, admirado.

Entraram na fila do brinquedo e ignoraram os olhares tortos que recebiam dos pais que esperavam na fila junto com os filhos — Jeongguk, na verdade, apenas tentava mesmo, pois seu subconsciente ainda lhe dizia para se importar com as opiniões alheias.

— Tae, você acha que é uma boa ideia a gente estar aqui? — perguntou bem baixinho para o amigo e interesse romântico. Taehyung deu de ombros e cruzou os braços.

— Nas regras não diz nada que não podemos ir. — Apontou para o objeto retangular feito de metal bem ao lado da entrada do brinquedo. — Não fala de peso, altura e muito menos de idade. Sendo assim, podemos ir.

— Tudo bem… — resmungou o Jeon, desviando o olhar de todas aquelas pessoas e começou a encarar o chão, envergonhado.

— Ei! — chamou o Kim, segurando na sua mão e puxando levemente o seu queixo para que pudesse olhar para o mais velho. Engoliu em seco quando percebeu que estavam com os rostos bem próximos, e as mãos ainda estavam juntas, e a outra de Taehyung continuava em seu queixo. — Pare de se importar com o que os outros pensam, ok? Estamos aqui para nos divertir, e eles não tem nada a ver com a nossa vida. E garanto que amanhã eles já nem vão lembrar da gente, mas nós vamos lembrar desse momento e queremos que seja incrível, certo? — Jeongguk assentiu, incerto. — E nenhuma pessoa grande jamais entenderá que isso possa ter tanta importância! — O mais novo sorriu, assentindo com mais vontade.

— Você é incrível! — Sorriram um para o outro e Taehyung piscou um olho na sua direção.

Após essa fala do moreno, chegou a vez deles de entrarem na atração. Passaram pelo portãozinho que havia e subiram numa plataforma, começando a andar por meio dos cavalos falsos e carruagens também fakes. 

Taehyung escolheu um cavalo alto e branco e subiu nele, segurando no pilar que ficava grudado no pescoço do bicho falso e que ia até o teto do brinquedo. Já Jeongguk escolheu ficar na carruagem em frente ao Kim, que estava aberta e por isso ambos podiam se olhar.

— Você é sem graça! — acusou o Kim, apontando acusadoramente em direção do mais novo, que começou a rir e deu de ombros.

— Estou fazendo o que quero, ficar sentado em algo confortável, relaxado, observando você se divertir nesse troço aí. — Brincando, mostrou a língua para o Kim, que riu desacreditado e mostrou o músculo molhado também.

Riram juntos por mais alguns segundos e então o brinquedo começou a girar.

Apesar de ser uma atração “sem graça” para a maioria dos adultos, era algo incrível e extremamente divertido para o Kim, que realmente fingia cavalgar no cavalo e soltava barulhos de comando para o “animal”. E Jeongguk se divertia ao observar as palhaçadas do vizinho. Era bem comum que seus olhares se cruzassem e fizessem brincadeiras para o outro rir — principalmente o mais velho.

Após dez minutos com a atração girando, ela finalmente parou, anunciando que seu tempo no brinquedo havia acabado. Suspiraram tristemente e se levantaram. Taehyung aproximou-se e passou o braço esquerdo por cima dos ombros do Jeon, fazendo-o encolher levemente pela vergonha — não era muito acostumado com toques daquele jeito.

— Aonde você quer ir agora? Pode escolher.

— Hm… — Jeongguk começou a pensar. — Quero ir nas barraquinhas de jogos.

— Sabe que vamos ter que pagar a mais para ir lá, né? — Taehyung franziu o cenho e, em seguida, levantou uma única sobrancelha.

— Sei sim, e de novo vamos dividir a conta. — Jeongguk sorriu, piscou um olho na direção do Kim e se afastou dele para puxá-lo pelo braço. Começaram a praticamente correr na direção das barraquinhas, esbarrando bem de leve em algumas pessoas e sendo xingados por elas; ignoraram.

Chegaram na área das tendinhas e começaram a observar ao redor o que poderiam jogar. 

— Que tal aquela de espichar água na boca dos patos? — sugeriu Taehyung, apontando para o jogo. Jeongguk assentiu e puxou o Kim pelo braço ainda mais animado.

— Olá, moço, queremos jogar uma partida. — falou Jeongguk, pegando uma certa quantia de dinheiro e entregando para o homem que cuidava daquela barraca. Taehyung fez o mesmo.

Pegaram as pistolas amarelas com detalhes em vermelho, verde e azul e se prepararam. Trocaram olhares, desafiando um ao outro e então, após contarem de um a três, começaram a espichar água, tentando acertar no pato o máximo possível. O pato que enchesse primeiro, era o vencedor.

Ficaram trinta segundos mirando na boca do animal feito de plástico e borracha, e então, o pato de Jeongguk foi completado primeiro, denunciando a sua vitória.

Taehyung suspirou, abaixando a sua pistola de água, observando o Jeon começar a pular de um lado para o outro, falando alto que havia ganhado. Começou a achar fofo e engraçado, e apesar de ser um pouco competitivo, sabia perder e estava feliz por Jeongguk. Principalmente por estar vendo aquele lado mais descontraído do mais novo.

— Você não devia ter me desafiado, homenzinho! — zombou, apontando o dedo para o Kim, que apenas riu. 

— ‘Tá bom, vencedor, pegue o seu prêmio. — Incitou com a cabeça para a pelúcia que lhe foi entregue — E vamos para a roda gigante agora. — Após o mais novo pegar o que ganhou, segurou na mão dele, sem entrelaçar os dedos, e o puxou em direção à fila do outro brinquedo.

Após dois minutos andando — já que a atração ficava quase do outro lado do parque — chegaram à fila. Felizmente, não estava muito cheia, na verdade havia bem poucas pessoas. A grande maioria estavam nas filas da montanha-russa e barco pirata. Taehyung não gostava muito daqueles brinquedos radicais, preferia muito mais os tranquilos, como a roda gigante ou carrossel. E ficava feliz sabendo que Jeongguk estava lhe respeitando nesse sentido — e não só nesse.

Cinco minutos depois a vez deles chegou e entraram em uma das cabines que possuía a cor rosa. Ficaram lado a lado, colocaram o cinto e então o brinquedo começou a girar bem lentamente, dando-lhes a oportunidade de aproveitarem bem a vista da noite iluminada.

Ficaram observando o céu escuro, sendo abençoados por aquela noite bem estrelada. Aqueles pequenos pontinhos de brilho no meio daquela imensidão negrume era algo extraordinário.

Jeongguk, criando coragem, deitou a cabeça no ombro de Taehyung, e o mais velho apoiou a própria cabeça na do mais novo. Não queriam verbalizar nada naquele momento, apenas queriam aproveitar aquela sensação tão boa que os preenchia e deixava os seus corações quentinhos.

Seus corações estavam acelerados, suas respirações da mesma maneira, e suas mãos suadas, mas, ao mesmo tempo, sentiam uma sensação tão grande de tranquilidade, cumplicidade e confiança.

Taehyung passou um braço ao redor de Jeongguk, trazendo-o para ainda mais perto de si, sentindo-se tão bem ao ter o menino em seus braços e o Jeon sentia-se tão seguro dentro dos braços do mais velho. Engoliu em seco, sentindo o Kim lhe dar um selar no topo da cabeça. Seu coração começou a bater ainda mais rápido, sentia que poderia senti-lo explodir naquele exato momento.

Gostava tanto de Taehyung e nem ao menos conhecia ele há tanto tempo assim. E o Kim sentia o mesmo.

Após mais alguns minutos abraçados, apenas sentindo os corpos juntos e o coração do outro bater aceleradamente, Jeongguk desencostou a cabeça na de Taehyung e do ombro dele e saiu dos seus braços, desapontando o Kim, porém ainda permaneceu perto.

Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e as pessoas me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. — falou poeticamente, deixando o mais velho surpreso, encarando-lhe com os olhos arregalados e a boca entreaberta, com um mínimo sorriso ladino. — Mas quando eu estou com você, tudo parece menos entediante e você é muito especial para mim por isso. — confessou.

Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa. Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla. — Tirou uma rosa que estava grudada em seu blazer e colocou atrás de uma das orelhas de Jeongguk, observando o quão lindo era o seu menino sob a luz das estrelas. Seus olhos negros, já naturalmente iluminados, estavam ainda mais. — Eu não tinha necessidade de ti. E tu não tinhas necessidade de mim. Mas, tu me cativaste, nós agora temos necessidade um do outro. És para mim único no mundo. E sou para ti único no mundo.

Foram aproximando os rostos até que os lábios, finalmente, estivessem juntos novamente. Não sentiram a necessidade de aprofundar o contato, apenas deixaram no sutil encostar de lábios. 

Após alguns segundos, separaram-se e sorriram um para o outro. O sorriso triangular de Jeongguk e as ruguinhas no nariz grandinho dele fazia o coração do Kim bater mais forte, e o sorriso quadrado de Taehyung surgia o mesmo efeito no Jeon.

Não havia necessidade de um pedido de namoro, sabiam o que sentiam, sentiam o que o outro sentia, não havia necessidade de um título para o que tinham. Estavam juntos, sabiam disso, então para que um rótulo? O que importava era que estavam juntos e felizes. E cada dia que se passasse após esse, seria uma benção e felicidade a mais para eles.

 

Jimin estava sorrindo que nem bobo, observando o próprio sorriso bobo de Taehyung ao contar a história de como ficaram juntos.

— Vocês eram tão perfeitos um para o outro. — comentou, sem ver a sua mãe no canto do quarto concordar com o que falou, assentindo com a cabeça.

— Nada na vida é perfeito, nossa relação poderia ser linda, magnífica, um exemplo para outros casais, porém de longe era perfeita. — justificou, desmanchando o sorriso e assumindo uma expressão pensativa. — Finalmente iremos ao clímax da história.

 

Jeongguk estava sentado no sofá, com o tronco para frente, os cotovelos apoiados nas coxas e o pé direito batia constantemente contra o chão da sala. As mãos estavam apoiadas no queixo. Estava ansioso e completamente indignado. E para ajudar na sua situação — só que não — Taehyung não chegava nunca.

Finalmente a porta da entrada fora aberta, e Kim Taehyung entrou com as mãos ocupadas com os quadros que não havia vendido naquele dia. Dos quatro, sobrou dois.

— Boa tarde, Gguk. — desejou, entrando no cômodo e aproximando-se do mais novo. Quando ia deixar um selinho na boca do moreno, o garoto desviou o rosto, não querendo receber o seu beijinho. — O que foi, amor?

— Eu não sei, você que tem que me explicar! — Jeongguk cerrou os olhos na direção do mais velho, que franziu o cenho, super confuso.

— Do que você está falando? — Cruzou os braços. Jeongguk bufou e se levantou do sofá, enfurecido.

— Você está me traindo!

— Como é que é?! — Taehyung ergueu ambas as sobrancelhas, arregalando os olhos surpreso e começando a rir. — Da onde que você tirou isso, garoto?!

— Eu vi as conversas na porcaria do seu celular. — Abaixou o tronco para pegar o aparelho que estava ao seu lado no sofá. Pegou-o rapidamente e o jogou com tudo no peito de Taehyung, que pegou com pressa antes que o objeto caísse no chão. — As conversas com o tal de “Bogumie Hyung”! — debochou, cruzando os braços, afinando a voz e fazendo uma cara de nojo.

— Que conversas, Jeongguk? — Taehyung começou a se irritar, afinal, nunca chegaram perto de brigar daquele jeito. O máximo em que chegavam era discutir sobre terem esquecido de lavar a louça ou algo do tipo, e era mais uma reclamação do que uma briga de fato. E estavam juntos há dez anos, era algo deveras estranho. — Eu sempre fui fiel e você sabe muito bem disso! Que loucura é essa de começar a desconfiar de mim agora?!

— Eu não sei, Taehyung, eu apenas estava tranquilo aqui no sofá, lendo o meu novo livro de filosofia das cores — O Kim segurou o sorriso, pois até quando estavam discutindo achava fofo como o companheiro nunca lia muitas coisas “divertidas”, apenas livros didáticos — quando seu celular começou a apitar demais do meu lado. Eu juro, ele não parava de fazer aquele barulho chato de passarinho. Eu, já sem paciência nenhuma, peguei ele para colocar no silencioso e adivinha? Encontro várias mensagens carinhosas entre você e aquele seu amigo de pintura, Park Bogum. — Fez uma cara de desgosto ao citar o nome do outro.

— Ele é o meu melhor amigo, Jeongguk, e você sabe o quanto eu sou carinhoso com as pessoas que eu amo! — justificou-se, no entanto, isso apenas piorou as coisas.

— Ah, então você ama ele?!

— Claro que eu o amo, Jeon, ele é meu melhor amigo há dois anos, nos vemos quase todos os dias por horas!

— Você é inacreditável! — Jeongguk começou a rir, balançando a cabeça em forma de negação.

— Eu sou carinhoso com meu melhor amigo, e daí? Quer bancar o louco possessivo agora?!

— Não era só isso, Taehyung! Eu vi que você mentiu para mim! — acusou e o Kim arregalou os olhos e engoliu em seco.

— E-eu não sei do que você está falando.

— Jura? — zombou. — Porque na semana passada você disse que iria passar a tarde trabalhando, vendendo os seus quadros na pracinha, quando, na verdade, você estava na casa do Bogum! — gritou.

— Eu posso explicar. — Suspirou, e isso fez o Jeon começar a gargalhar e bater palmas.

— Ah, é mesmo? Isso é uma frase muito clichê, não acha? Logo você, que sempre gosta de ser o original, o “diferentão”. — Fez aspas com os dedos e o mais velho revirou os olhos. Odiava ser chamado daquela forma.

— Eu menti, sim, para você, e sei que combinamos de nunca mentir um para o outro e sei que você odeia mentiras, mas eu tive que fazer isso porque o Bogum estava me ajudando a achar um presente de aniversário para você. — Jeongguk franziu o cenho.

— O quê?

— Eu estou planejando comprar a saga inteira dos livros de física astronômica daquele autor que eu nunca lembro o nome, porém eles são muito caros e eu não tenho dinheiro para comprar eles e pagar o frete dos Estados Unidos até aqui, então pedi ajuda ao Bogum. Ele tem um amigo que trabalha com os correios nos EUA e disse que consegue um bom desconto para mim.

— Ah… — Jeongguk ficou sem palavras. Taehyung não estava lhe traindo? Foi tão ridículo ao ponto de desconfiar do seu namorado que conhecia e confiava há dez anos?

— Eu sei que você odeia mentiras, Gguk, e eu sinto muito por ter mentido para você, pela primeira vez, aliás, mas foi para uma boa intenção. E me magoa muito saber que você também não confiou em mim, que saiu deduzindo as coisas sem nem conversar comigo direito, saiu me acusando e gritando comigo. — desabafou magoado, o que fez o Jeon morder o lábio inferior com força ao sentir-se culpado. — Uma conversa calma teria resolvido isso mais tranquilamente e sem estresse. Nós sempre fizemos isso, por que agiu assim do nada?

— Me desculpe, acho que o novo trabalho está me estressando demais! — confessou, sentando de volta no sofá, suspirando.

— Eu disse que trabalhar naquela escola que não se importa com os alunos e o futuro deles era uma péssima ideia. — lembrou o moreno, que suspirou, assentindo.

— Eu sei. Mas você não sabe o que aconteceu hoje mais cedo... — Taehyung franziu o cenho e sentou ao lado do moreno. 

— O que aconteceu? — perguntou preocupado, vendo os olhos do seu menino começarem a marejar. Instintivamente, passou os braços ao redor dele, puxando-o para um abraço de lado.

— Eu faço de tudo para ajudar os outros coordenadores, hyung, mas eles mesmos não se ajudam! Eles ainda roubaram um trabalho que eu fiz, modificaram algumas coisas, o que deixou tudo péssimo e ainda falaram para os alunos que quem fizeram foram eles! Eu me senti um lixo! Inútil! E, quando eu reclamei, eles me chamaram de arrogante! Que eu só ligo para mim mesmo! — Começou a chorar, sendo prontamente consolado pelo namorado, que passou a distribuir beijinhos no topo da sua cabeça.

— Pede demissão, Gguk. Não vale a pena ficar mal por pessoas assim. — aconselhou e o mais novo assentiu.

— Vou fazer isso amanhã mesmo. — Respirou fundo. — E você acredita que... ah! — gemeu alto, levando a mão esquerda até a barriga, sentindo-a doer como o inferno, do nada.

— O quê? Que foi, Jeonggukie? — perguntou o mais velho, preocupado.

— Minha barriga está doendo para um caralho! — quase gritou, fechando os olhos com força. — Puta que me pariu!

— Está doendo tanto assim? — Taehyung estava de olhos arregalados, olhando assustado para o seu amor.

— Sim, Taehyung! Puta que pariu! — gemeu alto mais uma vez.

— Vamos para o hospital agora! — O Kim levantou-se do acolchoado e pegou na mão e braço do mais novo, ajudando-o a se levantar do sofá.

Pegou-o no colo com dificuldade (estilo noiva) e correu para fora da casa, destrancando a porta e trancando logo em seguida. Depois disso, correu em direção ao carro dos dois e abriu a porta do passageiro, aconchegando o mais novo no banco. Colocou o cinto no garoto e fechou a porta. Entrou no carro logo depois e colocou o cinto de segurança nele mesmo. Engatou a chave no buraco e girou, ligando o veículo e deu ré, saindo da garagem e começando a dirigir pelas ruas. 

Há quase dois anos que não colocava a mão no volante, e estava sendo um pouco difícil para si se lembrar de tudo que tinha que fazer, no entanto, aquilo era uma emergência. Jeongguk estava gemendo de dor ao seu lado e Taehyung estava extremamente alarmado por causa do seu menino.

— Que porra é essa? — perguntou exasperado, trocando a marcha. — O que está acontecendo? A dor é no intestino? Estômago?

— Acho que no estômago… Eu já tinha a sentido antes, mas nunca nesta intensidade… Ai! — gemeu alto, fechando os olhos com força.

— Você já tinha sentido isso antes e não me contou?! — O Kim encarou o mais novo por um segundo, repreendendo-o com o olhar.

— Achei que não fosse nada... — justificou-se, mas isso não valeu de nada para o namorado, que balançou a cabeça em forma de negação.

— Mesmo assim, Jeongguk!

— Okay, desculpa! — Revirou os olhos, mordendo o lábio inferior com força. Suas mãos estavam sobre o seu tronco, apertando a região dolorida. Não era uma dor contínua, ela aumentava e diminuía, mesmo que o ponto menos dolorido ainda fosse muito intenso.

Taehyung furou um sinal vermelho; sabia que era errado e que deveria resolver com a polícia depois, porém no momento estava muito preocupado com o seu amor para ligar para aquilo no momento. Que se dane a multa grande que teria que pagar!

Dez minutos depois, estava estacionando em frente ao hospital. Tirou a chave do gancho e abriu a porta do carro, saindo dele em seguida. Deu a volta no veículo, logo abrindo para Jeongguk e tirou o cinto de segurança dele, ajudando-o sair do automóvel. Fechou o carro por completo depois.

Colocou o braço esquerdo do mais novo sobre os seus ombros e segurou a cintura dele com a sua própria direita. Depois de devidamente apoiado, o Kim começou a andar de maneira apressada para dentro do hospital.

As portas automáticas rapidamente se abriram, dando passagem aos dois. Apressados, aproximaram-se da recepção, ignorando as outras três pessoas que estavam na fila antes deles.

As pessoas começaram a reclamar por terem furado a fila e isso apenas irritou em demasia o Kim.

— Vocês não estão vendo que ele está muito mal, não? Vocês não tem empatia por ninguém, apenas olham para o próprio umbigo! Se é cada um por si, então Jeongguk está por ele mesmo e a sobrevivência dele é mais importante que a consulta semanal de qualquer um de vocês! — quase gritou, fazendo as pessoas do saguão ficarem bem quietinhas. Virou-se para a recepcionista em seguida e falou exasperado: — Por favor, ele precisa de ajuda!

— O que você está sentindo, senhor? — perguntou preocupada, pegando uma ficha e uma caneta preta.

— Uma dor aguda no estômago! — explicou por meio de arfadas. A mulher, de cabelo em forma de coque assentiu, anotando no papel rapidamente.

— Atenção! Ele precisa de uma maca! — chamou as duas enfermeiras que apenas assistiam a cena. Elas assentiram e foram atrás de uma para o moreno.

Enquanto o Jeon era colocado deitado no colchão do hospital, a recepcionista chamava o doutor Jung Hoseok pelo telefone, quem felizmente atendeu o chamado rapidamente e já corria em direção ao paciente.

— Senhor, faremos um raio-x, endoscopia e mais alguns exames, o senhor terá que ficar aqui! — avisou o doutor, impedindo que Taehyung seguisse Jeon Jeongguk.

— Mas eu tenho que ir com ele! — implorou com os olhos, seguindo o corpo do namorado, o qual estava sendo levado para longe de si.

— Depois! — Hoseok deixou-o ali para sair correndo atrás de maca que era empurrada pelas enfermeiras.

Taehyung respirou fundo e passou a mão direita pelo cabelo, puxando os fios castanhos claros com força. Seus olhos começaram a marejar. Não queria perder Jeongguk, não podia!

Sem escolha, sentou-se em uma das cadeiras duras da recepção e esperou.

Acabou esperando tanto que nem notou quando havia pego no sono. Acordou com o chamado do médico.

Levantou-se da cadeira em um pulo e encarou o mais velho com os olhos brilhando em nervosismo, medo e esperança.

— Venha comigo. — pediu o doutor, incitando para o mais novo que direção seguir. O Kim assentiu e começou a segui-lo. Os passos dos dois eram deveras rápidos.

Entraram no elevador e o homem mais velho apertou o botão número seis. Taehyung engoliu em seco, sentindo-se agoniado por estar esperando tanto para saber o quadro do seu namorado.

— Doutor, você pode me dizer já o que está acontecendo? — praticamente implorou, porém o outro apenas meneou com a cabeça em forma de não.

— Espere até chegarmos no quarto, por favor. — pediu e o Kim assentiu, mesmo que a contragosto.

Finalmente chegaram ao atual último andar do prédio, e então saíram da caixa metálica meio antiga para o ano em que estavam.

Começaram a andar pelo corredor. Taehyung observava as pessoas ao redor, chorando pelos parentes falecidos, e aquilo lhe entristeceu demais. Aquele seria o destino dele e de Jeongguk?

Hoseok abriu a última sala do corredor e adentrou o lugar, deixando a porta aberta para que o Kim pudesse entrar também. Fechou o objeto de madeira logo em seguida.

Jeongguk estava praticamente deitado na maca, só não estava totalmente porque suas costas estavam levemente elevadas por causa da parte superior da maca de hospital. Ele tinha algumas agulhas ligadas às mãos, e as batidas do seu coração estavam bem ritmadas. Pelos céus, Taehyung odiava o som do bip daquela máquina.

— Gguk, como você está, meu amor? — perguntou desesperado, aproximando-se rapidamente do namorado, colocando uma mão sobre a dele e começando um carinho singelo. — Está melhor?

— Oi, Tae… — murmurou o Jeon, com dificuldade. Sua voz estava um pouco embolada e rouca, o que fez o Kim notar e estranhar.

— O que ele tem, doutor? Vocês deram alguma medicação a ele? — perguntou preocupado, e o outro homem mais velho apenas assentiu, pegando a ficha do paciente, a qual estava dentro de um tablet feito exclusivamente para os médicos.

— Sim, nós demos. Após uma conversa com o Jeon e alguns exames, como a endoscopia, nós identificamos o problema. — começou a contar, teclando algumas poucas vezes na tela.

— E o que ele tem? — questionou, completamente ansioso.

— Úlcera. — contou, parando de mexer no aparelho para poder encarar o namorado do seu paciente, quem lhe encarava com as sobrancelhas erguidas e uma expressão incrédula.

— Úlcera?!

— Sim. — confirmou, meneando com a cabeça. — A úlcera são machucados no estômago, que doem quando o suco gástrico entra em contato com ela. A principal causa é a presença de uma certa bactéria, porém há muitas outras maneiras de se contrair esse transtorno, e após conversar com Jeongguk, cheguei a conclusão que o motivo dela foi o estresse excessivo que o Jeon vem tendo há alguns meses. — explicou.

Taehyung estava sem fala, sua cabeça estava em pane total. Olhou para o mais novo, com a boca ainda aberta pela surpresa. Seu namorado não falava nada, permanecia olhando para as próprias mãos sobre a cama, envergonhado.

— Pode me falar “eu te avisei sobre o trabalho inúmeras vezes”, eu sei que você está pensando nisso neste exato momento. — resmungou o Jeon.

— Não vou falar isso, porque é muito sério!

— É mesmo. — O médico interrompeu os dois. — Normalmente eu receitaria apenas o uso de alguns remédios específicos, mas vimos que as paredes do estômago do Jeongguk estão muito afetadas, sendo assim, teremos que fazer uma cirurgia o quanto antes para que nenhuma complicação aconteça.

— O que você quer dizer com “complicação”? — perguntou o Kim, receoso.

— Alguma hemorragia interna, por exemplo. Isso pode levar à morte. — avisou, assustando o Kim. Já havia tido a conversa com o Jeon, então não surpreendeu o mais novo dentre eles.

— E para quando podemos marcar essa cirurgia?

— Ultimamente as nossas salas de cirurgia estão muito cheias, pois só estamos com dois terços delas, algumas estão sendo reformadas. Praticamente toda hora está acontecendo uma cirurgia, ainda mais que nos últimos dias aconteceram muitos acidentes de carro, então estamos fazendo o máximo que conseguimos. — começou a explicar e o Kim engoliu em seco. — Só vou conseguir encaixar o Jeon daqui a cinco dias.

— Cinco dias?! — gritou Taehyung, completamente incrédulo. — Cinco dias?! Isso é muito!

— Acalme-se, Tae. — pediu Jeongguk, mesmo que ele mesmo estivesse igualmente apavorado.

— Não dá para me acalmar, eles só vão conseguir uma cirurgia para você para daqui a cinco dias! Vocês não podiam fazer uma reforma nas salas em outro mês não?! Em um que não fosse comprovado estatisticamente que tem mais acidentes?! — Bateu com força na maca, na área livre de qualquer pedaço do corpo de Jeongguk. — Isso é um absurdo!

— Senhor, nós estamos fazendo o melhor que pudemos, por favor, peço que se acalme! — mandou Hoseok, antes de pegar o tablet e sair da sala, tentando fugir da inconformação de Taehyung.

— Puta que pariu! — murmurou o Kim, começando a andar de um lado para o outro no quarto.

— Acalme-se, Tae, por favor! — implorou o Jeon.

Taehyung parou de andar de um lado para o outro e olhou para o garoto. O moreno estava muito fragilizado, com a pele totalmente pálida e olheiras profundas. Não havia parado para perceber isso antes. Não tinha percebido o quanto ele estava mal. Sentia-se péssimo por isso.

— Eu não quero perder você. — Seus olhos começaram a marejar e ele se aproximou do Jeon, puxou a cadeira do quarto para que ficasse ao lado da maca, sentou-se no assento e segurou novamente a mão do mais novo, passando a acariciar a pele macia. — Eu não posso!

— Vai ficar tudo bem, Tae. — Jeongguk sorriu forçado. — Vai sim.

 

— Não ficou tudo bem, não é? — perguntou Jimin, enxugando as lágrimas grossas, as quais escorriam pelo seu rosto delicado.

— Não. — respondeu Taehyung, enxugando as próprias lágrimas também. — Jeongguk teve uma hemorragia interna três dias depois, mesmo que estivesse tomando os remédios, e faleceu.

E, após essa fala do homem mais velho, Jimin caiu num berreiro, preocupando o idoso e a sua mãe.


Notas Finais


Drama, ah como eu amo o drama... Mentira, nem tanto assim.

Espero que tenham gostado, e se possível, deixem um comentário porque me deixaria muitíssimo feliz!

A fic já tem trailer!! Olhem que lindo que ficou:
https://twitter.com/MoviesTKpjct/status/1275882265499840512?s=20

Créditos de betagem para a maravilhosa: @rosagoticah


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