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História O peso de uma decisão - Capítulo 1


Escrita por: Brumabo_

Notas do Autor


Olá minha gente!
Olha a minha ousadia, resolvi me aventurar em outro fandom totalmente do qual eu costumo escrever.

Se eu estou com medo?
Sim, confesso!
Afinal de contas é algo novo para mim, e só tenho a desejar que vocês gostem dessa one shot.
Será de grande importância para mim <3

Devemos prosseguir?
Devemos!
Então vamos lá ^_~

Capítulo 1 - One shot - Capítulo único


O ambiente é melancólico. As paredes são escuras, cobertas por um papel de parede fúnebre, o que contribui para o ar pesado e espesso que cobre a minha cabeça. O cheiro de tabaco impregnado em minhas narinas, fazem minhas têmporas latejarem.

Estou sentado à mesa mais isolada do lugar, ao lado de uma janela que acompanha uma cortina pesada de veludo roxo. Observo pelo vidro - não tão limpo como deveria ser - a garoa fria de inverno descendo dos céus.

Do outro lado da rua, existe um bar, não tão grande quanto este, mas está movimentado, com lindas garotas e rapazes bem alinhados, conversando animadamente em frente ao estabelecimento colorido, chamativo, completamente o oposto de onde estou.

Retorno meus olhos para o ambiente, as mesas lotadas de homens e suas amantes, fazem com que suas risadas maliciosas reverberam em meus ouvidos. As mãos ousadas, acariciando as coxas por debaixo das mesas, fazem a luxúria excitar a quem os observa.

Algumas mulheres dançam músicas de época, remexendo seus corpos, tentando chamar a atenção de um homem rico certamente.  E com alguns dá certo, com outros não. Para mim isso tudo não passa de uma coisa vazia e sem graça. De almas cansadas buscando um consolo, um lugar onde possam repousar, mas honestamente? Não é o que se encontra neste lugar. Nada além de bebedeira e sexo fácil.

E o que eu estou fazendo aqui? Me escondendo! Pois eu sei que é o último lugar onde poderia ter algum conhecido. Onde alguém poderia me encontrar.

Sorrio tristemente, voltando meus olhos para o copo cheio de conhaque, o qual esquenta meu corpo, já que ela não está mais aqui, há um bom tempo...

 

 

 

Tento evitar os olhos verdes que me encaram. Eles queimam como brasa, esperando uma resposta, mas tudo o que faço é ficar paralisado. A caneta chique e pesada, parece ter cem toneladas, pois não consigo rabiscar meu simples nome no papel em minha frente. Os papéis do divórcio.

Engraçado em como você não valoriza a pessoa que está ao seu lado há tantos anos ou então, nem sequer a elogia mais ou lembra de como foi compartilhar com ela boa parte de sua vida, mas no momento em que você olha para aquele papel, cheio de letrinhas miúdas, um filme passa pela sua cabeça.

Minha mente viaja pelas inúmeras lembranças que vive com ela. Lembro-me do vestido branco rendado, emoldurado ao seu corpo, e suas esmeraldas reluzentes dizendo o tão aguardado sim.

Eu tremo, incerto se a atitude que estou prestes a tomar, é a atitude correta. Aperto os lábios, fecho os olhos e rabisco o papel, porém a tinta não sai da caneta. Seria um sinal do destino?

— Pegue está outra, senhor Uchiha — O advogado me entrega outra caneta ainda mais pesada que a anterior.

Meus olhos me traem e observam a linda mulher sentada do outro lado da mesa. Parece estar brigando entre deixar a lágrima escorrer ou segurá-la até que danifiquem suas córneas. Ela parece balançar a cabeça vagarosamente.

Antes que eu desista da ideia, firmo o objeto deixando uma mancha negra no final da assinatura. O ar me sufoca, e o que deveria me tranquilizar, tirar um peso das minhas costas, parece me sufocar, estrangular o meu pescoço. A vontade de chorar arde em meus olhos. Para não passar por uma situação ridícula como está, empurro bruscamente o papel manchado em direção a Sakura.

É nítido a decepção em seu rosto. Está estampado em seu semblante. Finalmente, a lágrima que ela tenta segurar, escorre pelo rosto pálido, a qual ela limpa ligeiramente com a ponta dos dedos. Meu coração aperta. Minha vontade é de pular por cima do móvel que nos separa, agarrar o seu corpo e beijá-la até que ela me peça para parar, mas não o faço.

Com raiva ela escreve seu nome, bate a caneta na mesa e se levanta rapidamente, saindo da sala em seguida. Ouço a porta bater com força. Meu coração acelerado erra uma batida. Levanto-me tão rápido quanto Sakura e sigo na mesma direção em que minha esposa ou melhor, ex esposa partiu.

— Sakura espera — Falo exasperado, mas não a encontro ali. Corro pelos corredores ignorando as pessoas que me chamam de maluco. Não posso parar! Sinto que tenho tanta coisa para dizer, sei que não é o momento, sei que deveria ter dito tudo o que sinto por ela antes, mas... mas eu preciso, eu devo isso a ela.

Paro em frente ao prédio, olho para os dois lados da rua, porém não a encontro. Sinto uma pontada forte no peito. Abaixo a cabeça, e admito, finalmente após tanto tempo, ela se foi. Ela se foi, para não voltar mais.

 

 

Retorno a realidade em virtude da música que toca ao som ambiente. Viro o líquido amarelado em um único gole, e o sinto descer rasgando pela minha garganta. Levanto o copo, e logo uma moça sorridente, sedutora, aparece para encher meu companheiro.

— Algo mais para o senhor? — Ela pergunta insinuante.

— Nada que você possa fazer por mim — Viro novamente o copo que a garçonete acabou de me trazer. Ergo pedindo mais um pouco da bebida.

— Acho que o senhor está indo com muita pressa — Hesitante ela enche até a borda meu copo.

— Não tenho nada a perder — A moça me analisa. Parece ponderar sobre o que deve dizer ou não. Levanto meu rosto para observá-la, e a encontro sorrindo.

— A dor do amor!

Apenas balanço a cabeça. Cansado de ficar mentindo para mim mesmo que não é pela Sakura que estou assim. Preciso admitir, não sou mais o mesmo desde o dia em que tudo se acabou. Esperava ser feliz, quando já era. Queria tanto a liberdade, que agora que a consegui, não me parece tão interessante.

Rodopio a bebida em meu copo e olho firmemente para a mulher ainda parada na minha frente — Sim! A dor do amor.

— Realmente! Não há nada que eu possa fazer por você meu amigo — Ela se retira.

Sorrio, amargurado. Me sinto um grande idiota por estar dessa forma. Vagando sem um coração, sonhando em tê-la em meus braços de novo um dia. Se eu soubesse ao menos onde ela está, mas desde a separação não tenho mais notícias.

Amigos próximos dizem que ela se mudou para outra cidade, parece que encontrou outro alguém, que está feliz, e que eu deveria esquecer. Que eu deveria viver a minha vida da mesma forma que ela tem feito, mas não consigo.

Meu coração lateja no peito só de pensar que outra pessoa beija os lábios finos pintados por um batom rosado, o qual ela tanto gosta.

Conheço a Sakura desde que éramos crianças. Crianças tolas, cheias de sonhos. Cheias de expectativa.

Crescemos, lado a lado, como bons amigos inseparáveis. Demorei tanto tempo para descobrir que aquele ciúme estranho era por gostar dela. Que aquele sentimento era bem maior que uma simples amizade. E novamente as lembranças me atingem em cheio, vomitando em mim o passado. Passado este que nunca mais vai voltar.

 

 

 

— Ei Sakura! — Me aproximo da garota que está parada ao lado do portão da escola observando o movimento de pessoas enquanto me espera para irem juntos para casa.

— Nossa Sasuke! Que demora — Ela faz uma careta brava reprovando meu atraso — Achei que nunca mais ia chegar. Minha barriga está roncando de fome. Estava quase indo embora e deixando você para trás.

— Eu não tive a última aula hoje e estava com um pessoal jogando verdade ou desafio atrás do ginásio — Aponto para um grupinho que nos observa de longe — Como eu escolhi desafio, eles me desafiaram a beijar você — Falo diretamente, fazendo Sakura ruborizar com a proposta.

Ela então olha para o grupo de nove pessoas e me encara, apertando ainda mais os livros que estão em seus braços contra o seu peito — Eu... eu... você sabe que eu não posso fazer isso — Ela cochicha próximo ao meu ouvido — Eu nunca beijei ninguém — E então ela se afasta — Além do mais eu espero que quando isso acontecer, seja com alguém que eu goste e não com uma pessoa que eu considero como um irmão — A garota faz uma careta de nojo.

— É só um beijo! E outra, eu como seu amigo me sinto no dever de não te deixar passar por esse mico. Exemplo — Ergo o dedo indicador — Vamos supor que o Naruto queira ficar com você e você não sabe beijar. Vai passar a maior vergonha da sua vida — Me aproximo ficando a poucos centímetros de distância de Sakura — Eu te ensino como se beija e você me ajuda a cumprir meu desafio — Sinto-me confiante ao perceber a hesitação da minha amiga à minha frente.

—  Mas somos amigos. Não me parece certo isso — Ela balança a cabeça tentando não cair em minha armadilha — E se algo mudar entre a gente depois disso? — Os olhos verdes me encarando fixamente.

— Eu juro que nada vai mudar. Ainda continuaremos sendo os mesmos depois disso. Alguma vez eu prometi algo que eu não pude cumprir? — O dedinho mindinho é oferecido como forma de selar uma promessa.

Percebo que Sakura não diz uma palavra sequer. Percebo então que é a hora de agir. Encurto qualquer distância que possa haver entre nós. Delicadamente arrumo a mecha de cabelo da garota que cai sobre o seu rosto e o coloco atrás da orelha — Feche os olhos — E então suavemente toco os meus lábios contra o dela.

A boca de Sakura é macia e carnuda, e nunca em toda a minha vida podia imaginar que os lábios de uma amiga tinham um gosto tão doce.

Não demora muito e meus devaneios são cortados — Ai garota! Enlouqueceu? — Separo abruptamente e levo a mão até a boca sentindo o gosto metálico atingir o meu paladar e sujar os meus dedos — Você me mordeu!

— Eu não disse que você podia me beijar — Sakura fala e sai correndo feito louca para longe de mim.

 — Você me paga — Grito correndo na mesma direção em que a garota — Deixe-me te alcançar que você vai ver o teu, sua ratinha traiçoeira.

Por mais que Sakura tentasse correr, eu sempre fui mais rápido. A “minha amiga” tentava desesperadamente chegar até a sua casa e se esconder lá dentro, mas quanto mais ela corria, suas pernas fraquejavam.

Cortando caminho por um campo aberto cheio de flores, agarro sua cintura e seus livros caem ao chão a fazendo gritar — Peguei você sua moleca.

Caímos no gramado e me coloco sobre Sakura a imobilizando, colocando as suas mãos em cima da sua cabeça e me deitando sobre ela.

Meus olhos encaram as esmeraldas que brilham em fúria, me fuzilando — Vai me dizer por que me mordeu? — A garota se debate, em vão. Certamente sou mais pesado que ela — Quanto mais você se mexer, mais eu vou te apertar — Sorri, vitorioso.

Por fim ela relaxa e inspira o ar profundamente — Eu não queria que o meu primeiro beijo fosse por causa de um desafio idiota. Eu queria... que quando isso acontecesse a pessoa quisesse me beijar porque queria e não porque foi obrigado.

Por longos segundos continuo encarando a expressão sincera de Sakura — Você acha mesmo que eu fui obrigado a fazer aquilo? — Ela balança a cabeça em afirmação — Na verdade foi uma desculpa — Dou de ombros.

— Uma desculpa? — A expressão sincera passa a ser de dúvida — Eu não entendi.

— Nunca, em todo esse tempo de amizade você percebeu que eu sempre quis fazer isso, Sakura? — Minhas bochechas queimam com a confissão.

— Sempre quis? Mas eu achei que... eu achei que você só me via como uma garota magra e sem graça. Uma testa de marquise como você sempre me disse.

Solto uma gargalhada a fazendo ficar ainda mais confusa com o que estava acontecendo — Não deixa de ser verdade — O semblante da garota se fecha — Mas isso não me impediu de... — Paraliso. É agora ou nunca — De eu... — Viro o rosto e tusso constrangido — De...

— Por Deus. Fala logo Sasuke — A garota se exaspera.

— De eu me apaixonar por você. Você é tão lerda que nunca percebeu? — A encaro novamente.

Os olhos verdes queimam como brasa diante da declaração. Ela fecha os olhos e ergue a cabeça esperando que eu termine o que comecei na frente da escola. Não demora muito e logo nossas bocas estão coladas uma na outra novamente. O beijo meigo e terno, transmite todo o sentimento de paixão que sinto por ela.

Minha língua pedindo passagem para aprofundar ainda mais o primeiro momento de intimidade entre nós. Sakura, mesmo sem saber ao certo o que fazer, replica os movimentos da minha boca, e eu aprecio o gosto bom que vem dos lábios dela.

Assim que o beijo é cessado, acaricio sua bochecha com polegar e a olho de forma apaixonada — Namore comigo! — O pedido a pega de surpresa.

— Namorar? Eu e você? — Ela pergunta ainda espantada.

— Sim! — Retruco firme, mostrando que não estava para brincadeira.

O sorriso largo e as lágrimas nos olhos da garota, é a resposta mais sincera que ela poderia me dar — Eu aceito namorar você – Ela solta os braços agora os enrolando em meu pescoço me puxando para mais um beijo. Selando o início da nossa história.

 

 

É duro relembrar os momentos que passei com ela. Gostaria de poder voltar ao passado e concertar as coisas. Pois eu sei que boa parte do fracasso em nosso casamento foi por minha causa.

Talvez se eu tivesse sido mais paciente, mais companheiro, tivesse ouvido, cuidado, Sakura não teria chegado ao ponto de pedir o divórcio.

Bato o copo na mesa, chamando a atenção de dois homens e uma mulher que estão na mesa ao meu lado. Ambos me olham com desdém. Eu apenas os ignoro, sinto-me envergonhado por estar tão humilhado desse jeito, mas quando lembro dos meus erros, de tudo o que não fiz por nós dois, algo me corrói por dentro.

Demorei tanto tempo para assumir o que eu sentia, e quando isso aconteceu, quando ela finalmente se tornou minha, deixei a oportunidade de ser feliz escapar pelos meus dedos, dando prioridades em coisas fúteis, obcecado em ser o melhor em tudo, que eu esqueci do que realmente importava.

Tentei seguir minha vida em frente, conheci outras pessoas, possui os seus corpos, para tentar me convencer de que poderia ser feliz, mas foi em vão. Nada poderia me fazer feliz, pena que percebi isso tarde demais.

— Idiota! — Falo para mim mesmo. De nada adianta ficar aqui me lamentando pelo passado.

Resolvo ir embora. Ficar aqui não me ajudará em nada, pelo contrário, me deixa pior do que estou. No fim das contas, fugir dos problemas não me parece ser uma ideia atraente.

Me levanto, e deixo o dinheiro sobre a mesa. Dou uma última olhada nas pessoas presentes neste bar. Os homens beijam as mulheres como se fosse devorá-las. Suas mãos deslizam por todo o corpo sem pudor.

Corpos sem alma!

Viro as costas e saio do local. Assim que passo pela porta, sinto o frio me arrepiar dos pés a cabeça, mas no mesmo instante sento meu corpo esquentar, meu coração parar por um minuto.

Eu não acredito no que vejo do outro lado da rua. Pisco algumas vezes tentando dissipar a visão. Acredito que bebi demais, pois seria impossível em meio a tantas pessoas, ser ela parada do outro lado da rua a me observar.

Estico minha mão, a chamo, porém no mesmo instante um ônibus passa e para por conta do sinal vermelho. Corro por entre os carros para tentar alcançá-la, mas não a encontro.

Levo uma das minhas mãos até a cabeça. Penso que estou ficando louco, perdendo a sanidade. Olho para os lados, na esperança de vê-la. Sem sucesso! Ela não está aqui.

Mas como posso explicar o que estou sentindo?

Esse coração acelerado?

Balanço a cabeça, tentando colocar as ideias no lugar e me recompor. Resolvo partir, ir para minha casa de onde não deveria ter saído nesta noite.

Me viro para seguir o caminho, e quando isso acontece, me deparo com ela. Linda. Absurdamente delicada com seus cabelos presos em um rabo de cavalo. Seu rosto imaculado, destacando ainda mais os olhos esverdeados, cheios de vida que eu tanto admiro. A boca pintada pelo seu batom preferido cor de rosa, se curvando em um sorriso tímido.

Dou um passo em sua direção, assim como ela também o faz. Nossos olhos se encontram e ouço o som da sua doce voz.

— Sasuke!

— Sakura!

 


Notas Finais


E o final deixo para a imaginação de vocês <3

De fato a Sakura estava lá?
Será uma miragem por conta do álcool ou será realidade?
Ela de fato poderia estar ali, bem de frente para Sasuke?
Não duvido, pois o destino gosta de pregar peças com as pessoas.

Aos leitores, espero que vocês tenham gostado, e desde já o meu sentimento é de gratidão para você que cedeu uns minutinhos do seu dia para viajar comigo nesta história!

PS: E um abraço de urso para uma amiga muito especial que teve a paciência de ler está fanfic e me apoiar como sempre faz, obrigada S2

Obrigada por ler ^^


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