História O Ponto de Ônibus - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Metamorfose_

Visualizações 16
Palavras 1.950
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Lírica

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Yoo boa noite!
Tudo bem com vocês?

Hoje mais uma vez venho aqui com uma história que foi muito emocionante e tocante para mim escrevê-la, afinal trata-se de um tema muito delicado e ao mesmo tempo muito importante para nos fazer pensar como estamos lidando com o momento a nossa volta e impedir que arrependimentos possam nos consumir pouco a pouco. O tema, como pude adiantar em minha fala anterior, é justamente sobre o arrependimento, sobre o aprender a viver e a ser o momento. É uma metáfora que aprendi com meu falecido avô e agora passo para vocês. Espero que gostem!

Mas antes de ir ler a história, quero agradecer primeiramente ao Projeto Metamorfose (link nas notas finais) por me proporcionar a chance de escrever essa fic e também as meninas @IceChwnyeol_ e @Ayzet por terem betado a fic com tanto amor e a linda da @Honeymoon- por essa capa lindíssima! Sério pessoal, muito obrigada!

Agora sim, boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


O cheiro de terra molhada e o céu nublado não pareciam ser muito agradáveis aos olhos de Teresa que, por mais que achasse lindas tal combinação de solo recém-molhado e nuvens cinzentas, vivia totalmente alheia ao que quer fosse ao seu redor. Os pensamentos estavam distantes demais para concentrar em alguma coisa física e os olhos, pobres olhos, ofuscados demais para observar. A angústia tomava o corpo da garota de cabelos cacheados, tal como o nó na garganta parecia crescer conforme o caminho que seguia passo a passo, nunca chegando ao seu destino.

Tropeçou um total de três vezes antes de virar a esquina e deparar-se mais uma vez com o vazio de outra rua qualquer e inúmeros paredões de tijolos vermelhos. Observando aqueles paredões não pode esconder um sorriso sem de fato estar feliz para exibir. Quantas vezes ele esteve ali por ela, esperando um mísero sorriso que fosse vindo dela? Quantas vezes a esperou embaixo de chuva e sol apenas para acompanhá-la até o ponto de ônibus? Pensou suspirando e sentindo as lágrimas caírem. Se ao menos aquele idiota soubesse que por baixo daquela face emburrada e indiferente existia uma garota realmente feliz por estar tendo a companhia de um amigo. Choramingou internamente e chutando uma pedrinha com raiva.

Recordava-se perfeitamente de cada momento que tiveram juntos; de cada conversa trocada; de cada riso e discórdia; de cada abraço e do adeus que nem mesmo fora importante o suficiente para ter um adeus de fato. Caminhou mais um pouco, limpando rapidamente o rosto com as mangas de seu moletom preto e ajeitando a mochila nos ombros. As perguntas insistiam: quando foi que deixou de ser importante para aquela pessoa? Ou melhor, quando foi que aquela pessoa se cansou de esperar por uma reação sua, por mais mínima que fosse? Havia deixado o mesmo literalmente fugir de perto de si sem nem mesmo perceber que o mesmo estava fugindo. Nem mesmo um e-mail ou telefonema fora digna de receber. Muito menos um mero bilhete de adeus.

Os devaneios que a levavam a chorar pelo arrependimento e a culpa de tudo que não havia feito por seu melhor amigo — que agora não passava de uma mera lembrança em seu coração — não fizeram a menina do primeiro ano de um ensino superior de licenciatura ver a enorme poça de água a sua frente, pisando com força e molhando, por consequência, seu Conserve vermelho e parte do jeans. Soltou alguns suspiros desanimados enquanto encarava o próprio reflexo naquela água suja toda esparramada na calçada escura de lodo.

— Parece que somos parecidas. — Sussurrou ainda se encarando naquele reflexo. — Fomos deixadas para trás expulsas de um lugar muito bom, certo?

Obtendo o silêncio óbvio daquela água que a refletia, agachou-se triste equilibrando-se com dificuldade para agora não cair de bunda na água e se sujar ainda mais.

— Sente falta das suas amigas gotinhas de água lá do céu? — Perguntou triste, erguendo-se e, pela primeira vez em muitos dias, olhando a paisagem ao seu redor. — Eu também sinto a dele, mas viver arrependida não vai trazer ele de volta, vai?

Teresa sentiu vontade de rir de sua repentina e estranha autoconfiança perante uma poça d’água. Talvez estivesse endoidando de vez, pensou andando em direção ao rotineiro ponto de ônibus, ao qual pegava todos os dias desde que era apenas uma garotinha de doze anos. Muitos anos haviam se passado e ela nunca tinha conversado com uma poça de água, nem mesmo notado um panfleto diferente na cobertura de acrílico que a protegia do sol e da chuva enquanto esperava o ônibus. Nunca notou se o motorista e o cobrador eram pessoas diferentes, assim como também nunca notou seu amigo a esperando.

Sua vida era repleta de “nuncas” e talvez por isso estivesse tão afogada em mágoas em tantos anos. Acredite, nada justificava o motivo pelo qual não substitui esses “nuncas” por atitudes realmente úteis.

— Será que é tarde demais? — Falou a garota com as mãos no bolso agora e observando atentamente o que nunca via ao se sentar no assento molhado do ponto de modo a esperar seu ônibus.

Uma brisa gelada passava por si anunciando que viria mais chuva dali há algumas horas. Havia também algumas crianças correndo com um uniforme que tinha quase certeza que era de sua antiga escola do primário. Uma senhora observava tudo de sua janela, assim como do outro lado da rua um senhor simpático andava com sua muleta preta. Mordeu o lábio inferior totalmente desgostosa, afinal, por que nunca viu aquelas pessoas ali antes? Por que nunca reparou em nada a sua volta além de seus problemas e de si mesma? Seu amigo estaria aqui se ela tivesse sido diferente com ele?

Passou as mãos pelos cabelos embaraçados, agoniada demais para reagir de outro modo. Não aguentava mais a culpa de nunca ter vivido o momento com pessoas queridas, terminaria sozinha como um belo castigo! Pensou soluçando, deixando-se perder no deleitoso desespero até que um aperto se fez presente em seu ombro esquerdo. Levantou o rosto sem esperanças e encarou ali um rosto de um garoto que a fitava de modo preocupado.

— Desculpe, mas você não me parece bem hoje. — Disse-lhe com uma voz suave e um sorriso acanhado por entre as madeixas negras e longas.

O fato do garoto que parecia ter a mesma idade que a menina ter dito algo relacionado a hoje não passou despercebido por Teresa, que franziu o cenho ao se deparar com a possibilidade do rapaz já ter a visto ou conhecido antes enquanto ela, mais uma vez, falhava em não reconhecer as pessoas a sua volta.

— Me desculpe, mas você me conhece? — Questionou a garota tentando regular a respiração.

O garoto suspirou, descontando o peso de seu corpo da perna direita para a esquerda.

— Mais ou menos, digamos que nós pegamos o mesmo ônibus no mesmo horário já tem alguns longos anos.

— Oh, claro... — Sorriu sarcástica para si mesma, mais uma vez fisgada pela culpa. — Sinto muito por isso.

O misterioso garoto deu de ombros e se sentou ao lado da menina, encostando a cabeça contra o vidro de acrílico da cabine e, novamente, suspirando enquanto observava o céu.

— Não se preocupe, não é como se eu tivesse tentado fazer contato com você antes. — Esticou os pés e então observou os pés alheios sujos de água. — Está tendo um mau dia?

A garota hesitou se respondia àquela pergunta ou não, contudo, o que teria a perder se já havia perdido?

— Acho que sim, percebi que joguei anos da minha vida fora por simplesmente não parar meus movimentos e olhar ao meu redor. Percebi que não restou ninguém do meu lado, não sobrou nada. — Respondeu por fim fechando os olhos e sendo observada em desaprovação pelo garoto.

— Sabe, não acho que tenha perdido tudo ainda. Você notou seu erro e está tentando melhorar ou então não estaria falando comigo agora.

Teresa o encarou duvidosa. Arqueou uma de suas sobrancelhas e sem dizer uma única palavra foi capaz de fazer o rapaz compreender seus pensamentos: o que você quer dizer isso? O garoto assentiu e ajeitou a mochila nas costas.

— A vida da gente é como a situação ao qual nos encontramos agora. — Começou ele, gesticulando com as mãos a esquina por onde o ônibus deveria virar a qualquer momento. — Sempre estamos à espera de um ônibus chegar e nos levar ao nosso destino desejado, mas, se você ficar olhando apenas para a esquina, estranhamente o ônibus nunca vai chegar. Isso acontece porque miramos apenas aos nossos sonhos já realizados e nos esquecemos do aqui e o agora, nos esquecemos de olhar ao nosso redor enquanto batalhamos contra o tempo até enfim o ônibus chegar.

Cruzando os braços, Teresa demorou alguns minutos para compreender a lógica do rapaz que, por alguma razão fazia sentido. Entrando naquela linha de pensamento, o questionou:

— E quando ficamos, sei lá, distraídos demais olhando apenas para a esquina... Talvez a esquina errada, o que nos leva a perder o ônibus. O que fazemos?

O garoto sorriu e completou:

— Então esperamos o próximo ônibus passar e recomeços tudo de novo. A resposta dessa questão não é se distrair e se esquecer de seus objetivos, é justamente você ter foco neles, porém saber conciliar isso com o seu redor. Aposto que quando você fizer isso, o ônibus chegará aparentemente mais rápido e você não se sentirá culpada por ter deixado tudo passar. Nunca é tarde para recomeçar se você quiser realmente fazer isso.

— Uau. — Exclamou chocada. Aquilo era o melhor que podia fazer no momento, visto que a sensação de se sentir melhor misturada a uma dose de realidade ainda estavam em confrontos em seu estômago. — Isso foi legal da sua parte, ajudar uma estranha assim com um conselho tão forte.

O misterioso garoto sorriu enquanto se levantava, o ônibus que pegariam estava virando a esquina.

— Isso me deixa tranquilo. Eu te observo há um tempo, você nunca me pareceu bem, mas hoje foi a primeira vez que a vi chorar. Senti que precisava de uma palavra amiga. — Confidenciou o garoto pegando o passe na mochila e se esgueirando próximo a porta do ônibus, que se abriu como mágica. Teresa repetiu seus passos.

— Foi de grande ajuda tudo isso. Me sinto realmente melhor. — Sorriu verdadeira para o garoto que sorriu também. — Vou seguir a sua fala, vou realmente olhar mais a minha volta enquanto espero meu ônibus.

O garoto negou com a cabeça e após ambos passar pela catraca, estendeu a mão direita para a menina que o encarava novamente em dúvida.

— Não fique apenas olhando, faça parte do que está há sua volta, oras! Ficar apenas sentada observando tudo acontecer vai ser tão tedioso quanto não ver nada. — Respondeu aflito. — Aprenda a encarar e a fazer parte do que está em sua volta enquanto espera o bendito ônibus, garota.

Perplexa para dizer qualquer coisa, deixou ser conduzida pelo rapaz que a convidou para se sentar com ele no banco mais alto do ônibus. Local que havia abandonado desde passou a se sentir “madura demais” para isso.

— Obrigada, de verdade. — Respondeu olhando as pessoas no ônibus, pela primeira vez notando-as verdadeiramente e não mais as vendo como sombras.

— Não me agradeça ainda, nós nem começamos. — Respondeu com os lábios escancarados em um belo sorriso.

— Nós? — Perguntou a menina, deixando sua atenção direcionada totalmente ao rapaz ao seu lado. — Como assim?

— Vou te ajudar nisso, vou te ajudar a aprender a viver o momento a menos que você me diga com um bom motivo para não fazer.

Teresa pensou em retrucar, dizer que não iria confiar em um estranho, mas, aquele garoto não era um estranho afinal. Talvez aquele fosse um sinal de que realmente ela pudera mudar as coisas, mesmo que o tempo não tivesse retornado sua jornada. Pensou em todas as reflexões do dia e dos meses que passara enfurnada em sua própria tristeza pela partida do amigo, ela realmente precisava agarrar aquela oportunidade rara que a vida lhe dera de recomeçar. Estava mais que óbvio, estampando em neon.

— Acho que podemos fazer isso. — Suspirou o encarando sem jeito e o rapaz sorriu.

— Prazer, João Felipe. E você?

— Teresa.

Teresa relaxou os ombros, deixou as mágoas de lado e decidiu focar apenas no recomeço junto de João Felipe. Guardaria no peito apenas as boas recordações de seu antigo melhor amigo, desejando em seu íntimo que, onde quer que estivesse, que fosse feliz assim como ela seria dali para frente.

Sorriu enquanto o garoto lhe contava uma piada qualquer, refletiu que talvez seu ônibus já estivesse chegado e ela o pegou sem mesmo perceber. Afinal, talvez seu sonho mais obscuro fosse de fato confiar em alguém, enfim estava se realizando.


Notas Finais


Então é isso pessoal, espero de coração que tenham gostado!
Um enorme abraço <3
Lis
#projetometamorfose

Link do perfil do Projeto Metamorfose:
https://spiritfanfics.com/perfil/metamorfose_/

Link do perfil da fundadora:
https://spiritfanfics.com/perfil/thaix_uchiha15


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