História O Porão da Escola - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Drama, Escola, Romance, Universidade, Universo Alternativo
Visualizações 2
Palavras 2.385
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Segundo Capituloo! :3

Capítulo 2 - Abertura e Toque.


Eu realmente não estava acreditando que ela estava ali. Os cabelos alaranjados eram tocados cada vez mais pelos dedos delicados da garota de sardas. Os olhares se voltaram a mim, e quando ela olhou, logo desviou o olhar rapidamente, estava me evitando? Eu segui para um assento perto de Shayne que ficava coincidentemente atrás da novata. Samantha não disse nada ao me ver, os olhos sondavam a sala inteira, mas nunca se viravam para mim. Ela não dizia nada. O mais excruciante, no entanto, eram seus pensamentos apagados, totalmente invisíveis, brancos como uma folha de papel.

Os fios de cabelos chegavam até minha mesa e não pude deixar de notar o perfume que vinha deles. Então, a tremedeira começou. Eu precisava informá-la do equivoco que tivemos ao adentrar a universidade, mas a entrada do professor Mikhael me deixou ainda mais acanhado. Ele andou até a cadeira, sorrindo e ajustando os óculos no rosto como sempre. Pude notar seus pensamentos, estavam alegres e despreocupados. Devia ser por causa do recém-casamento, mas as mordidas de cobra no braço não indicavam uma experiência boa.

Apesar de já ser professor, ele tinha apenas vinte e quatro anos e era o melhor professor da Universidade, claro, depois do de Educação Física, mas Engenharia Química era o que eu queria para meu futuro, e ele me ajudaria nisso... Mesmo eu esquecendo o trabalho. Vasculhar a mente das pessoas era algo que eu não tinha orgulho em fazer, mas há pessoas que têm histórias interessantes a contar.

No caso dele, não tão interessante assim.

Shayne já havia aberto seu caderno quando jogou uma pequena bolinha de papel em meu rosto sem que Mikhael percebesse, eu o encarei e ele fez sinal para abri-la.

Eu peguei o papelzinho na mesa e abri:

"Essa é a garota que te atropelou hoje?"

Eu voltei o rosto a ele, Shayne apontava discretamente para Samantha. Eu assenti da mesma maneira. Meus olhos se reviraram ao ver que o filho da mãe fazia um coração com as mãos, sinalizador demais para o meu gosto. Escutei a risadinha da garota atrás de mim, Courtney, a irmã de Shayne ria sarcasticamente do meu declínio. A garota loira de cabelos curtos era a face copiada de Shayne, porém, com a expressão mais convencida e arrogante que já havia visto na vida. Nunca havia falado com ela na vida, mas a conhecia e ela sabia quem eu era. E se parar pra pensar, a garota mais popular da escola conversando com um nerd esquisito igual a mim estava meio fora dos padrões impostos pela dura sociedade.

Além do mais, eu não tinha intenção alguma de conversar com ela.

— Muito bem, antes de darmos inicio ao terceiro bimestre — o professor disse, eu estava com medo do que viria a seguir. — O trabalho que passei antes das férias. Todos estão prontos?

Oh, oh...

— Quem diabos você acha que é para dar um trabalho nas férias de Julho? — um dos alunos disse bem no canto esquerdo da sala.

Aquele era o Kevin, a pessoa mais sincera daquela sala. Eu apreciava seu jeito, pois ele sempre dizia o que vinha a mente. Se lançasse uma palavra eu poderia crer que era aquele pensamento que ele tinha em mente. Era raro encontrar alguém como ele, à propósito, ainda não encontrei. Kevin tinha os cabelos negros e pele pálida, sempre vestia preto para destoar um pouco quando saia no sol. Seus olhos despreocupados se assemelhavam aos de Courtney, apesar de não ter ligação nenhuma. Sua mente era como uma caixa de som, e os auto-falantes eram a boca.

Porém, às vezes machucava as pessoas com o que dizia, por isso eu sempre o via sozinho ou com seu amigo Anthony que estava bem ao lado. Eles se entendiam muito bem, e como todo mundo dizia, a relação chegava a parecer exageradamente forçada. Nunca discutiam e eram os tipos nos quais todos evitavam.

Artistas incompreendidos, eu diria...

— Sou seu professor, Kevin — Mikhael respondeu a sensatez. — E "diabos" é uma palavra muito feia de se usar.

— Você parece minha mãe — ele rebateu e foi claramente o que pensou. A sala se encheu de risadas.

O ataque certo para fazer Mikhael rir de si mesmo.

O professor começou a recolher os trabalhos e minha pressão acaba de descer. Eu abaixei a cabeça na mesa, escutando as conversas, deixando os pensamentos de lado. Eu só queria usar aquilo mais uma vez para repor o que havia esquecido, mas não podia. Eu devia arcar com as conseqüências, enfrentar meus erros e meus medos de frente, mesmo que fosse o menor deles. A luta contra a vontade de modificar o tempo me fazia suar, a batalha interna foi travada.

"Não faça isso, não faça isso..." Eu repetia cada vez mais. Os pensamentos lutavam contra meu corpo, eu não podia nem sequer pensar naquilo. Minhas mãos suavam e tremiam, eu queria voltar só mais uma vez. Mas, em questão alguma, eu podia fazer aquilo.

Os pensamentos do professor se aproximando me fizeram encolher mais ainda.

Até que o barulho se cessou.

O silêncio fez-me sentir um lixo. Eu não acreditava que tinha feito aquilo de novo.

Quando retornei minha cabeça à posição inicial, via o professor olhando para Samantha. Estava tudo parado, eu me aliviei por ainda estar naquela sala. Entretanto, tinha algo errado: ninguém se movia. Estavam todos paralisados, a sala estava petrificada.

Olhei pela janela e via os pássaros num vôo pausado, parados bem no céu azul. Eu me espantei, não era eu quem estava fazendo aquilo, podia ter certeza. Olhei ao redor, mirava todos na mesma posição.

O tempo havia parado?

Shayne não dava sinal algum, Courtney não conversava com as amigas.

Sim, o tempo estava parado.

Mas como aquilo pôde acontecer? Eu não havia feito nada.

Que merda é essa...?

Alguém estava manipulando o tempo, sem fazer idéia do quão perigoso aquilo podia ser.

Os olhos giravam pela classe tentando encontrar alguma pista.

Então, ela se levantou.

Samantha saiu de seu assento, como que sem preocupação alguma, ignorou Mikhael por completo e foi até a porta. Eu a mirei, sem que percebesse.

Como ela podia estar se movendo? Como ela podia se mover quando o tempo estava parado?

Aquilo só significava uma coisa...

Eu não estava sozinho.

Ao ver que Samantha tinha saído da sala eu logo me levantei na furtiva tentativa de seguir seus passos, aonde quer que eles estivessem indo. Me escondi entre as lixeiras do corredor principal e via apenas os cabelos esvoaçantes seguindo rumo a saída do prédio. Para onde estaria indo?

A fugitiva abriu a porta do prédio e deu o fora. Aquela era minha chance de sair correndo. Logo me apressei, colei o rosto na porta e via, pelo vidro, ela caminhando apressadamente pelo pátio. Abri a porta e continuei a segui-la, me esgueirando pelo mesmo caminho que ela fazia.

Ela seguiu até um almoxarifado velho e que ninguém tinha coragem de entrar, o único que entrava ali era o zelador da Universidade. Samantha facilmente abriu a porta e adentrou o local. 

Eu segui depressa até a porta do almoxarifado, tentando entender o que ela queria ali. Sem ouvir nenhum passo aparente por trás da porta, eu a abri e entrei no local escuro. As dezenas de vassouras, rodos e produtos de limpeza dificultavam a passagem. O cheiro não era nada agradável ali. Me encolhi no lugar apertado sem fazer barulho algum, seguindo. Eu nunca havia entrado ali em questão alguma, era a primeira vez que me dou ao trabalho de seguir alguém até um almoxarifado e não estava sendo nenhuma experiência antropológica.

Ao me aproximar de uma porta avulsa, bem no final do local, notar que ela estava aberta fez me esconder atrás das prateleiras. Não tinha duvida de que Samantha tinha entrado ali, o porão velho ainda jogava a poeira ao ar e, como se não tivesse senso, eu logo me aproximei da porta. Havia uma escada que dava para o porão um tanto assombroso demais para convidados.

Eu estava descendo as escadas empoeiradas, afastando as teias de aranha e me perguntando o que Samantha estaria fazendo ali.

No momento em que o cômodo repleto de cadeiras, mesas, quadros e livros velhos se revelou, eu a vi.

Samantha estava novamente sentada no chão em meio a poeira, cruzada as pernas, com os olhos fechados. A mesma posição de antes.

Me aproximei devagar, sem que ela notasse, olhando a meditação concentrada da garota. Como ela poda se concentrar num local sujo como aquele? As teias, as cadeiras e mesas empilhadas os quadros velhos e quebrados faziam o cenário mais horripilante que se podia imaginar.

Quando cheguei perto o suficiente, sem dar a vista, engoli seco. Ela ainda não havia notado que eu estava ali.

Foi quando toquei em seu ombro:

— Ei. O que está fazendo? — perguntei, simplesmente.

Samantha abriu os olhos rapidamente e se assustou. O grito agudo e o pulo a deixaram como um gato assustado. Mas nada comparado ao tapa que recebi por assustá-la: Samantha inevitavelmente girou a mão e me acertou bem no lado direito da face.

O susto foi repentino de tal forma que a fez me acertar o rosto.

Minhas mãos se juntaram ao rosto, e a pulsação começou, depois a dor ao mesmo tempo em que via a garota dizer algo como "desculpe" certas quinze vezes depois de dar o tapa mortal.

— Oh, desculpe, desculpe, desculpe... — dizia ela, se levantando.

Eu parei um minuto e recuperei.

— Está tudo bem — respondi, checando se minha mandíbula não havia deslocado.

Samantha respirou fundo, aliviada. Mas então ela começou:
— Espera... O que você está fazendo aqui? — As sobrancelhas laranja não escondiam a duvida.

— O que você está fazendo aqui? — repeti. — Não viu o que aconteceu lá em cima? — Eu voltei a uma pequena janela na parede, e a abri, vendo o mundo parado no mesmo ponto.

— Ah, isso? É apenas um truque — ela respondeu, convencida.

— Truque? — Me voltei a ela.

Samantha balançou a cabeça.

Aquilo realmente estava acontecendo.

— Então, você... Tem mesmo... "Habilidades"? — sussurrei a pergunta.

— É claro. E sei que você tem algo de especial também...

— Como sabe disso?

— Seus pensamentos... — ela pegou uma cadeira velha e se assentou. — Na maioria das vezes consigo controlar as pessoas pelo modo de pensar, até consigo lê-los, mas você... Você é uma página em branco. Não consigo ler seus pensamentos. Aquilo hoje de manhã ocorreu porque eu não consegui te convencer a parar a sua bicicleta...

— Espera! — Pausei a explicação. — "Controlar as pessoas"...?

— Sim. Mas, e você, o que consegue fazer?

— As habilidades que possuo não são para me aproveitar das pessoas — eu impus. Não tinha sentido em controlar as pessoas para meu próprio proveito.

— "Habilidades que possuo"...? Você não tem criatividade... Hã... Chris?

— Isso não vem ao caso, Samantha. Estou dizendo que não se deve controlar as pessoas, pode ser muito perigoso. Você precisa desfazer o que fez, ou está fazendo agora mesmo.

Ela revirou os olhos.

— Qual é? — se levantou. Samantha posicionou uma cadeira velha bem a minha frente, me incitando a algo. — Quero ver do que você é capaz. Vamos me mostre. O que você consegue fazer?

Não me movi.

— Por favorzinho, Chris... Não vai querer deixar sua nova amiga psíquica desapontada, não é? — ela me rodeou, sorrindo sarcasticamente.

Eu balancei a cabeça.

— Eu consigo tomar controle sobre a matéria, controlá-la e modificá-la — Samantha bateu palmas. — Além de ler os pensamentos, mas apenas isso...

— Parece ser bom — ela se afastou, animada. — Vamos, anda!

Eu olhei para a cadeira, aquela seria a primeira vez na qual eu mostraria minhas habilidades para outra pessoa. Entretanto, a segurança e o conforto me deixaram um tanto aliviados por finalmente ter a oportunidade de fazer aquilo. De alguma forma eu não me senti com medo, nem hesitante em usá-las.

Samantha me trouxe aquilo. Me trouxe a coragem.

No momento da concentração, ao retorcer os lábios a cadeira se espatifou em um dos quadros da parede. O vôo incrível e a colisão do objeto na parede fizeram a garota se sentir surpresa. E eu me sentia o máximo por finalmente conseguir, ou poder, fazer aquilo.

— Isso é incrível! — ela aplaudiu.

— Não foi nada — eu respondi, modesto.

— Bom, eu não posso controlar matéria, quero dizer, não como você — ela pegou uma perna da cadeira espatifada. — Mas, eu quero ver como funciona.

Ela me deu o objeto, sem ao menos encostar-se em mim.

Foi aí que a perna da cadeira transmutou completamente em poeira. Os grãos saíram entre os dedos e cada vez mais eu me sentia incrível por poder fazer aquilo.

Mas estava sendo demais. Aquilo devia parar por ali.

O descontrole poderia vir novamente.

— Agora chega, já é o suficiente — eu disse, limpando a mão. — Vamos voltar, você precisa trazer o tempo de volta.

— Não. — Samantha discordou, se virando para os quadros. — Ainda há algo que eu quero fazer.

Eu me virei novamente, franzindo o cenho.

— Samantha...

— Tem algo nesse porão, eu preciso descobrir o que é... Você não está sentindo? É como se me chamasse cada vez mais.

Eu não pude deixar de assentir. Havia mesmo algo me chamando, agora estava cada vez mais forte. O calafrio me subiu a espinha, sentia que aquilo não poderia ser coisa boa.

— Estou sentindo, mas... Precisamos ir — eu dei meia volta.

— Chris...!

Samantha pegou minha mão.

E aquilo o trouxe.

Algo que nunca iríamos imaginar.

No momento do toque o vendaval começou a nos rodear. Os cabelos de Samantha voavam e não conseguíamos nos manter em pé. A ventania circundava-nos e nos segurávamos um no outro para não cair. As cadeiras voaram, os quadros estraçalharam e nós dois não sabíamos o que aquilo significava.

Então o portal se abriu.

Bem a nossa frente, uma nuvem roxa rodeou a parede formando um circulo a nossa frente. Os relâmpagos ecoavam e logo a dimensão se revelou.

Apenas o escuro se via do outro lado.

E ele nos chamava cada vez mais. 


Notas Finais


Até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...