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História O Portal - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Quebrando as Regras


Quando Neji acordou naquela manhã ensolarada, aproveitou os momentos de paz que tinha por não ter a necessidade de levantar cedo para treinar. Ouvindo o cantar de pássaros próximo a ele, abriu os olhos com dificuldade pela claridade que vinha da porta aberta da varanda. Quando sua visão finalmente focalizou, viu Dakota sentada na posição de lótus apreciando os raios matinais de olhos fechados, com 3 pequenos tsubames voando e cantarolando ao seu redor.

― Perdeu o controle enquanto eu dormia? ― Bocejou, sentando-se devagar e vendo-a se assustar com sua voz. ― Por que acordou tão cedo?

Ela olhou para trás para encará-lo com um pequeno sorriso, observando os cabelos negros balançarem levemente com a brisa que adentrou o quarto.

― Bom dia. Eu te acordei? ― perguntou, recebendo um aceno negativo do shinobi enquanto se levantava devagar. ― Ah, e pra sua informação, são dez e meia.

― O quê?! ― Sua voz saiu num tom mais alto do que gostaria, deixando-o atordoado. Hyūga não se lembrava da última vez que tivera a chance de dormir até a hora que quisesse, muito menos até tão tarde. ― E… por qual motivo as andorinhas estão aqui?

― Porque eu convoquei, simples. ― Deu de ombros, sentando-se ao lado dele. ― Ok, pra onde vamos?

O shinobi levantou-se com calma e espreguiçou-se, indo até a varanda para observar o começo dos preparativos para o festival. Mesmo naquele horário a rua já estava mais movimentada do que o normal, pensou. Seria bom sair antes do almoço ou tudo ficaria um caos.

― Nós vamos a um onsen.* ― Deu um pequeno sorriso, mexendo nos cabelos. ― Troque de roupa e pegue tudo o que usa para tomar banho, vamos sair assim que estiver pronta.

Sem conseguir controlar a ansiedade, Dakota rapidamente se levantou do saco de dormir e vasculhou sua pequena cômoda, procurando por uma troca de roupa e toalhas limpas. Trocou seu pijama no banheiro por uma minissaia xadrez e uma camiseta branca, juntando seus produtos de cabelo logo em seguida, enquanto o rapaz se vestia rapidamente no quarto dando os toques finais aos preparativos. 

Quando finalmente passou pela recepção da pousada ― com mais pressa do que gostaria de admitir ―, visualizou Sakura vindo em sua direção com um pequeno sorriso em seu rosto, saudando a ambos assim que se aproximou.

― Bom dia, Dakota-san e Neji-kun. A senhora Tsunade me pediu para vir te entregar isso. ― Estendeu sua mão para a inglesa lhe oferecendo o pequeno pedaço de papel plastificado, onde continham seus dados com uma foto 3x4 no canto superior direito. ― É seu visto de cidadã de Konoha por tempo indeterminado. Caso tenha problemas ou precise mostrar alguma identificação, pode apresentá-lo sem problema. ― Sorriu novamente, coçando a nuca. ― Não costuma atrasar tanto, mas com a proximidade da prova chunnin, tudo está muito corrido. 

― Obrigada, Sakura. Ninguém me avisou que eu precisaria de um documento. ― Recordou-se do pequeno interrogatório no escritório da Quinta Hokage, no seu primeiro dia na Aldeia. Parecia ter sido há séculos. ― O que vai fazer hoje?

― Recebi folga por conta do festival ― respondeu, segurando melhor a bolsa pendurada em seu ombro esquerdo.― Acho que vou ficar em casa até dar o horário. Pra onde estão indo?

― Vamos passar o dia num onsen. ― Animou-se, abrindo um largo sorriso. ― Quer ir? Dizem que é relaxante, né?

― Sério? E-eu adoraria, Dakota-chan! ― Agradeceu com um pequeno cumprimento. ― Podemos passar na minha casa? Preciso pegar algumas coisas. Ah, podemos chamar a Ino, acho que a equipe dela chegou ontem da missão.

Para o completo descontentamento de Hyūga, o que prometia ser um passeio divertido e relaxante estava virando um verdadeiro caos, a mais pura farra de adolescentes que nunca tinham um dia de folga só para si. Agora quase todos os seus companheiros shinobi de idade compatível estavam ali, andando próximos a ele num grupo razoavelmente grande de rapazes e garotas.

Crouch estava radiante, em sua opinião. Seus cabelos dourados dançavam com o vento morno de começo de verão, como se acompanhassem o movimento de seus quadris (e que quadris) conforme se movia tranquilamente enquanto andava entre sua prima e a kunoichi de cabelos rosados, rindo de algo que Kiba contou a ela, deixando-o com uma sensação estranha na boca do estômago. O que ele veio fazer aqui, afinal? Obrigá-lo a se sujeitar àquele encontro ridículo não foi o suficiente?

Tentando controlar a aversão que sentia pela mera presença do outro shinobi, o rapaz de olhos perolados pensou que, após todo o ocorrido no dia anterior, a sugestão de Tenten fazia um pouco mais de sentido. Mas Neji não sentia todos aqueles sintomas que as pessoas descreviam quando estavam apaixonadas por alguém, muito pelo contrário: ele entendia que sua situação com Dakota era estritamente profissional, e que só ficariam próximos enquanto ela estivesse na Aldeia da Folha. Porém, não podia negar que a feiticeira tinha seus atributos, que pareciam se abrir para ele como um leque a cada dia que passava ao seu lado.

― Neji-kun, está me ouvindo? ― Lee chamou sua atenção, tocando seu ombro. ― Como está o treinamento da Dakota-san?

― Está progredindo, Lee. Parece que ela gostou de treinar com você ― afirmou, mantendo seu olhar na garota de saia xadrez.

― S-sério?! ― Seu colega de time respondeu com brilho no olhar. Ele também havia gostado da dedicação da garota. ― Eu posso ajudá-la mais vezes, se não tiver problema pra você.

― Por mim, tudo bem, Lee. O especialista é você.

A casa de banho escolhida por ele se revelou ao final da pequena ponte, entre árvores típicas, pedras e nuvens de vapor. As tabelas de preço estavam nas fachadas separadas por gênero, juntamente com as regras de uso e comportamento para clientes. Dakota sentiu o estômago afundar ao ver a tabela, voltando disfarçadamente para o lado de Hyūga.

― Neji ― sussurrou, coçando a nuca. ― Você não me disse que teria que pagar. O meu dinheiro não vale aqui, esqueceu?

― Não esqueci ― murmurou em resposta, olhando para baixo para encará-la. ― Considere um presente. Nos vemos mais tarde, ok? ― Deu um pequeno sorriso e se direcionou à direita com os outros rapazes, deixando-a atônita com a pequena gentileza feita por ele. Sentiu borboletas no estômago ao vê-lo olhar para trás uma última vez antes de entrar no lado masculino. Droga.

― Vamos, Dakota-san. ― Hinata chamou-a e juntas adentraram a recepção do onsen, acompanhando as garotas que estavam pagando suas entradas. Após passarem pela recepção e deixarem os sapatos no genkan, a inglesa observou-as separarem seus itens de higiene e tirarem a roupa para guardar nos cestos dispostos numa prateleira à direita. 

― Sakura… ― Chamou a atenção de Haruno, que dobrava a camiseta enquanto encarava a inglesa. ― Temos que tirar toda a roupa?

― Eu esqueci que você nunca veio. ― Sorriu, desabotando o sutiã. ― Não é permitido entrar com roupa nas banheiras.

― Mas nem com a calcinha? ― Engoliu em seco, vendo que todas elas já estavam quase nuas.

― Não, é anti-higiênico. ― Fez uma careta, ajeitando sua última peça na cesta e pegando seu shampoo em seguida. 

Dakota sentiu o desespero tomar seu corpo pouco a pouco, observando ― mesmo que contra a sua vontade ― o corpo de pessoas que viviam em constante treinamento físico, meninas que tinham músculos de uma forma estranhamente feminina, sem espaço para nada fora do lugar. Como mostraria seu corpo para pessoas assim? 

― Não precisa ter vergonha. ― Haruno percebeu seu desconforto, aproximando-se devagar. ―  São apenas corpos, todas nós temos defeitos e isso não nos faz mais feias ou mais bonitas.

― Acho que você tem razão. ― Tentou parar de tremer e ignorar o aviso em seu cérebro que lhe dizia para pegar suas roupas e sair dali o quanto antes. Respirou fundo e abriu lentamente o zíper invisível de sua saia, baixando-a. ― Vim pra relaxar.

Vencendo aos poucos sua resistência, Dakota retirou sua última peça de roupa e guardou todos os seus itens em uma das cestas ainda disponíveis, e mesmo que estivesse se sentindo ainda mais confusa e desconfortável do que antes, criou coragem e ultrapassou a porta e sentou-se num banquinho ao lado de Tenten, onde havia um chuveirinho e apenas uma pequena prateleira de metal para deixar seus produtos.

― Lave todas as partes do corpo e o cabelo, Dakota-san. ― A morena lhe direcionou a palavra em tom baixo, mostrando-lhe onde deixar seus produtos. Lavou seu cabelo com cuidado, ensaboando sua esponja e seguindo à risca o conselho da kunoichi, limpando todas as partes que podia alcançar. ― Eu limpo suas costas, se quiser. E você precisa prender o cabelo, não pode entrar com ele solto na banheira.

Apesar de ser estranho, nenhuma delas encarava com malícia esse encontro entre amigas, pensou, enquanto sentia suas costas serem esfregadas. Enxaguou-se, fez um coque alto e direcionou-se à banheira mais próxima antes de todas elas entrarem, para evitar constrangimentos. A água quente envolveu-lhe assim que sentou no banco esculpido, relaxando lentamente cada músculo em seu corpo ao mesmo tempo que sentia-se afagada pelo vapor que subia sem parar das fontes termais.

― Então, o que acha de Konoha até agora? ― Ino questionou com cautela, lembrando-se da primeira conversa que tiveram.

― Tudo é muito diferente de onde eu venho. As roupas, a  arquitetura, as pessoas… Parece que vocês aqui conseguem levar uma vida normal, com famílias normais. ―  Suspirou, evitando encará-las. ― Konoha parece ser muito tranquila, comparada com o caos que deve estar na minha casa.

― Não se engane, Dakota-chan. A nossa realidade também é complicada aqui. ― Sakura fixou seu olhar na inglesa, preparando-se para revelar o que alguém de fora não conseguiria ver. ― A Aldeia está em uma fase de estabilidade e paz, fazemos o possível para mostrar aos outros países que nosso poder militar continua forte como sempre. Não sabemos quanto tempo vai levar pra sermos atacados novamente. ― Suspirou, massageando as têmporas.

― Ela tem razão. ― Tenten completou. ― Depois que Orochimaru invadiu a vila e matou o Terceiro Hokage, ficamos expostos. Temos que nos esforçar duas vezes mais depois disso.

Crouch engoliu em seco, lembrando-se do que ela lhe disse: Konoha padeceria, e mais de uma vez.

― O que você quis dizer com “o caos que está na sua casa”? ― Hinata questionou, prendendo melhor seus cabelos negros. ― Sua família está com problemas?

― Não só a minha família, Hinata-chan ― lamentou-se, abraçando seus joelhos. ― O mundo está… estamos a poucos passos de uma guerra. E… sinceramente, não sei o que fazer. Tenho medo de voltar para casa e todos estarem mortos. De ser tarde demais pra fazer alguma coisa.

― Sinto muito. ― Hyūga sentiu o clima pesar, compadecendo-se da menina. ― Se pudermos fazer alguma coisa…

― Tá tudo bem. Vai dar tudo certo, fica tranquila. ― Sorriu minimamente, tentando dissipar a neblina de desconforto que pairava sobre todas ali. ―  Uma coisa que eu sempre quis saber: como é sair em missão? O que vocês fazem?

― Sair em missão com o Choji e com o Shikamaru é fácil e complicado ao mesmo tempo. ― Yamanaka se pronunciou, apoiando ambos os braços nas laterais. ― É fácil porque fizemos um acordo que eles seguiriam as minhas ordens, e é difícil porque o Choji é um preguiçoso movido a churrasco e o Shikamaru é um gênio, mas é muito mais preguiçoso que o Akimichi. ― Suspirou, sentindo-se amuada. ― Coitado do Asuma sensei. E pra vocês?

― O Shino e o Kiba são muito diferentes. ― A garota de olhos perolados falou, sentando na posição de lótus. ― Mas, de alguma forma, estamos em sintonia. Nós fazemos o que a Hokage ordena, e de acordo com o grau de dificuldade o pagamento também é maior. Quando começamos fazemos coisas simples e bobas, e vai ficando mais complexo conforme crescemos. Pode acontecer de trabalharmos ao redor da Aldeia e voltarmos pra dormir em casa, como também pode acontecer de passarmos 30 dias dormindo na floresta ou em pousadas, se dermos sorte. ― Virou-se minimamente para a kunoichi mais próxima, abaixando-se um pouco mais na água quente. ― E você, Sakura-chan?

Todas elas fixaram o olhar na Haruno, que sentiu os olhos marejarem com as lembranças saudosas ao pensar nos seus colegas de time.

― O Naruto é um irremediável cabeça oca. ― Deu um pequeno sorriso, olhando para seu reflexo na água. ― Ele está há quase 3 anos treinando por aí com o Sannin e ainda não voltou, ficando mais forte pra trazer o Sasuke de volta… Eu também estou ficando mais forte, não posso ser passada para trás novamente. Quero os dois de volta em casa.

Dakota percebeu que aquilo havia se transformado em qualquer outra coisa, menos na tarde relaxante que havia planejado para si antes do festival. Só faltava a morena, pensou, com mau pressentimento pelo olhar levemente agressivo.

― Bom… vocês sabem como o Gai sensei e o Lee são. ― Tenten revirou os olhos, fazendo um muxoxo descontente. ― São tão elétricos com toda essa coisa de competição e treinos intensivos que nem consigo acompanhar. E o Neji-kun é na dele, na maioria das vezes. ― A kunoichi corou, sentindo os olhares sobre si. ― Mas o nosso time está desfalcado agora, já que ele está muito ocupado com você ― disse com pesar, cravando seus olhos na estrangeira. ― Aliás, como está sendo passar todo esse tempo com ele?

Falar sobre seu guardião não estava nos planos de Dakota, ainda mais depois do dia anterior. Sentia-se atraída por Hyūga e se conhecia bem o suficiente para ter a audácia de negar. Seu cérebro trabalhava com fatos, e mesmo que ela não gostasse deles não deixariam de ser fatos, no final das contas. Mas até agora ele não havia correspondido a nenhuma das suas investidas (mesmo que sutis demais para seu gosto, mas ela precisava partir de algum ponto), então era impossível chegar a uma conclusão sobre os pensamentos do shinobi. 

― É complicado conviver com  um indivíduo e ter que descobrir aos poucos os seus limites. E mesmo que o Neji seja previsível por ser uma pessoa sistemática e quase inflexível, eu estou aprendendo como lidar com alguém que é tão parecido comigo, mas também é tão diferente ― respondeu-lhe com apatia, fazendo o possível para manter a cara de paisagem. ― Para ser honesta, o enigma chamado Hyūga Neji tem ocupado a maior parte do meu tempo. Está respondido?

― Eu acho que você já sabe das limitações do clã Hyūga, não é? ― Yamanaka prosseguiu, a malícia era palpável em seu tom de voz. ― Não se importaria se eu explicar, Hinata-san?

A garota negou com a cabeça e, sentindo a vergonha se apoderar de si, baixou o rosto. Tenten engoliu em seco, sem acreditar que a loira tivesse coragem para tocar num assunto tão delicado.

― Limitações? ― Dakota arqueou a sobrancelha com ceticismo. Neji parecia muito senhor de si para ter limitações.

― O clã Hyūga é muito tradicional e antigo em Konoha, muito poderoso por conta do seu kekkei genkai*, o byakugan. Por ser muito cobiçado e para manter a linhagem pura, todos os membros só podem se relacionar com pessoas da família. Não é, Hinata?

Mais uma vez a herdeira do clã em questão concordou em silêncio, e mesmo sem nenhuma marca em sua testa, sentiu-se selada pelo destino.

― Mas isso é uma idiotice! As coisas podem mudar! ― A inglesa exclamou com atrevimento, atravessando a banheira para sentar-se do lado de Hinata.

― Mas é uma família muito tradicional. ― Sakura tentou apaziguar, vendo o nervosismo da feiticeira. ― Não é bem assim, Dakota-chan.

― Alguma de vocês aqui sabe o dia de amanhã? ― Encarou-as com imponência, tomando as mãos da kunoichi a seu lado. ― Como imaginei. O ponto principal é que eu sei o dia de amanhã. Pode levar anos e possivelmente não vou mais estar aqui, mas quando as coisas mudarem eu garanto que se lembrarão de mim. Está pronta? Vou ler suas mãos aqui e agora.

― E-estou, Dakota-chan. Pode começar.

― Destra ou canhota? ―  questionou, deixando as palmas das mãos viradas para cima sobre as suas próprias. 

― Destra. ― Era agora: finalmente saberia de seu destino de uma vez por todas. Todas elas prenderam a respiração e se aproximaram em silêncio para observar como Crouch diria o futuro de alguém só de olhar suas mãos.

― Sua mão ativa, neste caso a direita, me mostrará o presente e as possibilidades para seu futuro. A mão esquerda é a passiva, me mostrará seu passado e suas características pessoais. ― Passou seu indicador por toda a extensão da mão esquerda em silêncio, pensando em como foi uma péssima ideia fazer a leitura no meio do vapor. Me ajude, vou precisar. ― Muito influenciável, Hyūga. Possivelmente explique sua timidez excessiva. ― Não levantou sua cabeça para confirmar, mas sabia que ela havia arregalado os olhos. ― É inteligente, mas um pouco dispersa e tem problemas para lidar com os seus sentimentos… ou melhor dizendo, você gosta de alguém, e há muito tempo.

Hinata corou violentamente, engolindo em seco enquanto sentia o suor descer por sua espinha. Ela havia acertado tudo até ali, e nenhuma das informações partiu dela! Seria realmente possível?

― Errei alguma coisa? ― Dakota questionou, mesmo já sabendo a resposta.  Após o aceno negativo e silencioso, segurou a mão direita da kunoichi entre as suas. ― Muito bem, vamos para o futuro. Como eu esperei, sua mão direita confirma: tímida e prudente, com boa saúde e uma vida longa pela frente. ― Sorriu, sentindo as atenções voltadas para si. ― Você é muito aplicada e verdadeira, e posso ver que se dedicará à mesma pessoa até o final de seus dias, será seu único amor. Porém, precisa ser mais confiante. ― Fitou-a, tentando passar bondade e esperança. ― Você vai conseguir tudo aquilo que seu coração realmente deseja. Sabe do que estou falando, Hinata, sei que sim. Vai precisar encontrar o equilíbrio entre deixar acontecer e trabalhar duro, mas…

― O quê?!  ― perguntou com desespero, sentindo que seu coração pararia a qualquer instante. Era informação demais para lidar de uma vez. ― O que tem aí?

― Eu vejo… vejo a sua união com o sol, que governa das sombras. Ele cumprirá a promessa feita, confie nele. Ele mudará o mundo como conhece agora.

― Dakota-chan… ― murmurou, sentindo falta de ar. ― Você… acertou tudo, e com certeza disse mais do que eu precisava saber. Ainda não entendo tudo que me disse, mas agora eu tenho esperança de ter o futuro que sempre sonhei. Obrigada.

― Isso foi incrível! ― Ino confessou com empolgação. ― Quando pode fazer isso comigo?

― Anh, na verdade eu estou pensando em atender na casa das pessoas. ― A inglesa coçou a nuca, com medo da rejeição caso soubessem que ela cobraria por seus serviços. 

― Eu preciso de dinheiro enquanto ficar aqui, já que o meu não vale. Preciso me virar. ― Deu de ombros, encarando-as. ― Sei fazer algumas coisas que acredito que nunca viram antes, então…

― Eu não ligo, Dakota-chan, pago o que for preciso! Quanto você pagou, Hinata? Uns mil yenes? Não está caro!

Merda, ela ainda não havia pensado no preço, pensou. Como saber que valor seria aceitável?

― Discutam isso depois, meninas ― pediu Sakura, indo para a borda da banheira. ―  Já deu o horário do almoço, vamos sair pra comer e aproveitar o espaço ao ar livre, senão vamos cozinhar como lagostas.

― Ela tem razão. ―  A loira respondeu, saindo logo após a kunoichi de cabelos rosados. ― Depois do almoço podemos usar a sauna e fazer esfoliação com sal para deixar a pele linda para o festival.  

― Você tem razão, Ino. ― Dakota se levantou, assustando as outras. Que se foda todas as normas e moralidades, tinham um dia de folga e, se dependesse dela, todas elas aproveitariam ao máximo. ― Vamos ficar mais brilhantes que os fogos de artifício.

 

***

 

A tarde na companhia das kunoichis foi muito divertida e prazerosa, quase como uma festa do pijama, mas no conforto e privacidade do spa. Valeu a pena ter escolhido o onsen mais distante da aldeia, pois mais ninguém se deu ao trabalho de ir até lá. Não era o tipo de passeio que Dakota faria com Addie, tinha que admitir, mas foi uma boa experiência, pensou, fazendo uma anotação de achar algum lugar com fontes termais para tomar banho no inverno assim que voltasse para casa. Todo o grupo já estava reunido e voltavam a passos lentos para Konoha, aproveitando o sol que iria se pôr daqui algumas horas. A estrada estava lotada graças aos cidadãos que se direcionavam para o centro da vila em seus trajes formais de verão tornando difícil para os jovens avançar no ritmo desejado, deixando Crouch ainda mais ansiosa do que já estava. Parecia estar parada no tempo sem nunca sair do lugar, e nem mesmo a conversa animada ao seu redor conseguia prender sua atenção. 

Na verdade, apenas uma coisa naquele momento prendia sua atenção, e era a pessoa que andava em sua frente, com seus cabelos negros e soltos pela umidade, contrastando com a camisa clara que era marcada pelos ombros largos. Por Deus que estava no céu, ela não sabia por quanto tempo conseguiria aguentar ficar perto de Neji sem tomar medidas drásticas. O dia anterior tinha sido o maior teste para seu autocontrole, pois após sentir seu cheiro convidativo e seu corpo colado ao seu, com as mãos segurando-a com firmeza enquanto deslizavam sutilmente por sua cintura… mexeu mais com a inglesa do que gostaria de admitir. Será que alguma coisa foi proposital? Ele estava correspondendo ou ela finalmente tinha ficado insana e perdido o pouco de juízo que lhe restou? Tentar dormir enquanto o via ali, ao seu alcance para fazer o que quisesse, foi um verdadeiro inferno.

― Dakota-chan, tudo bem pra você? ― Sakura chamou sua atenção tirando-a do transe, entrelaçando seus braços. Só então Crouch percebeu que já haviam entrado na aldeia e se misturado com a multidão, dispersando o grupo lentamente.

― Desculpe, o que disse? Estava com a cabeça nas nuvens.

― Eu perguntei ao Neji se teria problema você se arrumar comigo na minha casa, posso te emprestar um kimono, fazer o seu cabelo… quero que se sinta como uma de nós.

― Eu posso ir? Quero dizer, sem você e toda aquela coisa de ficar de olho em mim, sem ofensa. ― Direcionou seu olhar para o rapaz que estava atrás de si, implorando silenciosamente para que lhe desse só mais essa folga.

― Tudo bem, pode ir ― respondeu ele, achando graça no alívio da mais jovem. ― Sakura-san vai te vigiar por mim. E também preciso me arrumar em casa. Não se acostume com isso, estou quebrando as regras só por hoje. Devemos marcar um ponto de encontro, Haruno.

― Obrigada, Neji-san. ― A kunoichi curvou-se minimamente em agradecimento, tentando conter a empolgação. ― Vamos nos encontrar na ponte vermelha perto dos campos de treinamento, ok?

― Tudo bem, nos encontramos até às 18 horas, no máximo. Seria bom levar algumas chochins para não ficarmos no escuro. ― Posicionou-se ao lado de Hinata, que acenou levemente. ― Até lá.

As duas observaram o casal de primos se perderem na multidão e desaparecerem de vista, partindo para a casa de Sakura logo em seguida, que não era muito longe dali. A kunoichi sabia que o tempo seria apertado para toda a produção que tinha em mente considerando que teria outra pessoa para vestir, mas tudo isso lhe dava mais impulso para ver Dakota completamente finalizada. Após as apresentações aos pais da kunoichi as garotas subiram para o quarto e Haruno deu vazão a toda criatividade que tinha dentro de si, vestindo e regulando o kimono da yukata* para a altura da loira, acinturando seu corpo com habilidade com o obi e finalizando-o com um bonito laço na parte traseira. Cedeu uma de suas sandálias de madeira para combinar, emprestou-lhe também uma pequena bolsa de palha em formato redondo para levar o que julgasse necessário. 

Para sua sorte, Ino chegou quando começava a mexer nos longos cabelos loiros, já arrumada com sua yukata roxa e devidamente maquiada. Enquanto Sakura começava o seu processo de vestimenta, Yamanaka ajeitou os longos cabelos num coque ornamentado com destreza, acrescentando pequenas flores artificiais para finalizar.

― Que sorte a sua ser bonita e não ter uma pele ruim ― murmurou a loira enquanto delineava os olhos azuis com delicadeza. ― Nenhuma de nós tem base para o seu tom de pele. Você é muito mais bronzeada do que eu ou a Sakura. 

Assim que abriu os olhos e se encarou no espelho, Dakota deparou-se com uma versão sua que nunca havia visto ou imaginado e, para sua surpresa, amou o que viu! A maquiagem leve lhe deixava com ar inocente, e sua pele e cabelos realmente estavam brilhando após um dia inteiro num onsen.

― Eu estou incrível! Como isso é possível?

― Sim, estamos todas lindas, ótimo. ― A kunoichi de cabelo rosa andava apressada pelo quarto, terminando sua maquiagem e jogando itens aleatórios sobre a sua cama. ― Mas eu marquei com o Neji às 18h, e faltam 20 minutos! E vocês sabem como ele é quando se trata de horários.

― Kami, você tem razão! Não vamos atravessar essa distância nesse tempo, e temos muitas coisas pra levar.

― Eu dou um jeito nisso. ― A inglesa disse, sacando sua varinha e fazendo feitiços indetectáveis de extensão nas três bolsas. ― Agora podemos guardar literalmente qualquer coisa nelas. Aliás, eu tenho uma ótima ideia pra hoje à noite, mas vou precisar da ajuda de vocês.

Depois de um rápido planejamento e execução do plano secreto, a bruxa e as kunoichis guardaram tudo com agilidade em suas bolsas e saíram para o telhado para fugir do fluxo intenso, com ambas segurando Dakota pelas laterais do seu corpo, fazendo o possível para chegar no horário e não desmanchar os cabelos. As ruas estavam lotadas de barracas e vendedores ambulantes se espremendo contra os cidadãos que transitavam em ritmo lento, mas por sorte avistaram Neji e Hinata se juntarem com o pequeno grupo de ninjas assim que saltaram para o chão com o pouco de dignidade que lhes restou.

― Desculpem o atraso, acho que perdi a noção do tempo. ― Sakura se aproximou do pequeno grupo arrumando os fios soltos pela correria, tentando acalmar sua respiração. ― Ainda bem que a Ino apareceu pra me ajudar, ou demoraria muito mais.

Sentindo o coração palpitar mais rápido que o normal, Dakota saiu lentamente atrás de Ino e se posicionou ao seu lado, cumprimentando-os apenas com um aceno de mão. Os olhos de Neji cruzaram os seus e, pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu seu estômago afundar violentamente ao medir a garota parada perto de si, desde o cabelo preso com um bonito coque lateral com poucas flores de cerejeira e pérolas de enfeite, descendo pelo kimono branco contrastando com sua pele dourada. E mesmo que seu sorriso indicasse a criatura mais maléfica e complicada que já havia conhecido, a estampa com flores rosas lhe davam um estranho ar angelical. Iluminada pelos últimos raios solares da primavera, não pôde evitar de pensar uma vez mais numa estatueta banhada em ouro reluzente.

― Finalmente uma roupa diferente, Hyūga sensei ― disse-lhe em tom debochado assim que se aproximou. ― Você fica bem de preto, Neji. ― Analisou-o de cima a baixo enquanto admirava o kimono preto com pequenas listras cinzas, quase se mesclando com os longos cabelos escuros que finalmente estavam soltos.

― Você também está… hum… ― Limpou a garganta, sentindo o rosto esquentar. ― Quer dizer, você fica bem de branco.

― O Shikamaru chegou! ― Yamanaka disse para todos, vendo seu parceiro se aproximar com a kunoichi do país do vento, Temari. ― Seria legal procurarmos um lugar mais tranquilo, longe de toda essa confusão. Alguém tem alguma ideia? 

― Eu tenho ― disse Dakota, levantando a mão. ― Vamos para o lago do lado de fora do muro, tem uma clareira que dá pra ver os fogos. E é melhor todos acenderem suas chochins antes de entrarem no bosque. ― Sacou a sua varinha e com um simples encantamento acendeu todas as luminárias, cumprimentando a todos que se reuniram ali. Os jovens seguiram sem pressa para os portões de Konoha, o clima era agradável e as conversas não finalizadas ao longo do dia, no onsen, logo vieram à tona, enchendo o ar de risadas. A inglesa se deixou ficar para trás, apreciando a vista já tão conhecida do seu local de treinamento ser iluminada pouco a pouco a cada passo do grupo disperso, ouvindo apenas o caminhar suave do Hyūga e sua colega de equipe atrás de si.

― Lumos ― murmurou, vendo uma pequena luz branca sair da ponta de sua varinha enquanto olhava ao redor para se localizar.

― Bom, chegamos ― disse Kiba, colocando sua luminária no chão. ― Só tem um problema, e acho que vocês concordam comigo: eu não quero nenhum adulto vindo aqui pra atrapalhar nossa diversão. ― Bufou, coçando a cabeça. ― A gente devia aproveitar, né?

― Eu não acredito que vou dizer isso, mas o Kiba tem razão. ― Ino se pronunciou, massageando a têmpora com a mão livre. ― Nós quase nunca conseguimos nos reunir, hoje é um dia especial! A gente devia fazer uma festa.

― Aqui, no meio do mato? ― Temari debochou, cruzando os braços. ― E como vamos fazer isso se ninguém trouxe nada?

― Correção: vocês não trouxeram nada. ― Sakura respondeu maliciosamente, sacudindo sua bolsa de algodão rosa para a ninja da Areia. ― Mas… como vamos conseguir que ninguém nos veja? 

― Droga. ― Shikamaru reclamou, coçando a sobrancelha. ― Isso vai dar trabalho. Que complicado. ― Bocejou.

― Eu posso ajudar. ― Crouch se pronunciou, dando de ombros. ― Posso fazer com que ninguém nos interrompa, nos veja ou nos escute perfeitamente, se quiserem tentar.

― Você pode mesmo fazer isso, Dakota-chan? ― Inuzuka sorriu para ela com esperança brilhando nas pupilas verticais, ao mesmo tempo que todos eles discutiam entre si se seria uma boa ideia deixar a estrangeira usar seu poder tão perto deles, deixando um rastro de burburinho no ar.

― Claro que posso, Kiba. ― Olhou para todos com um pouco de receio, poucos ali já tinham visto algum feitiço seu. ― Se todos estiverem de acordo, se posicionem nos limites do espaço que querem ocupar. Não se preocupem, não vou atingir ninguém. 

Após todos eles delimitarem com seus próprios corpos o espaço que gostariam de usar, Dakota sacou sua varinha e passou um por um, recitando seus feitiços e criando uma barreira entre eles e o resto do mundo.

― Abaffiato,* protego totalum,* salvio hexia,* cave inimicum* ―  sussurrou, vendo que Neji era o último ponto da barreira de proteção. Se aproximou devagar com um pequeno sorriso, vendo seu rosto pálido iluminado pela luminária em suas mãos. ― Devo fazer um feitiço que mate quem tentar ultrapassar? Só preciso de mais duas palavras. ― Olhou-o de esguelha vendo seus olhos se arregalarem de apreensão, fazendo-a rir com sua preocupação. ― Eu nunca faria isso aqui, Hyūga. Esperava mais de você. ― Fingiu ressentimento e, após murmurar a última carga de feitiços, deixou-o só. ― Acabei, podem sair de seus lugares. Agora ninguém vai ouvir ou ver o que acontece deste ponto pra lá. 

Com mais rapidez do que havia imaginado, tecidos foram estendidos no chão com a ajuda da iluminação das chochins, e enquanto as garotas sentavam-se, alguns dos rapazes providenciavam uma fogueira. Alguém conseguiu levar um rádio para tocar músicas (o volume foi ampliado pelo feitiço Sonorus*) e Ino distribuía garrafas médias de umeshu* que foram armazenadas em sua bolsa, enquanto Sakura gravava alguns momentos da festa improvisada com sua câmera alugada, conversando aqui e ali com seus amigos e colegas.

― A gente não teria conseguido sem você, Dakota-chan! ― Haruno se aproximou da loira que bebericava sua bebida, apreciando o leve sabor do álcool. ― Conta pra gente como você se sente usando a yukata.

― Com calor ― respondeu com uma pequena risada. ― Mas também me sinto a criatura mais adorável que existe, então está compensando. E você, Sakura, o que acha da nossa festinha?

― Eu acho que foi a melhor ideia que alguém teve em anos! ― Comemorou, virando a câmera para si. ― E sem a supervisão de nenhum sensei, o que deixa bem mais legal. ― Virou-a novamente e filmou a interação ao redor, mostrando a fogueira sendo acesa no centro da clareira. ― Todo mundo se divertindo, até a Hinata que é quietinha… Olha quem vem vindo, se não é o Hyūga Neji!

O shinobi parou próximo à loira, que se divertia vendo Ino tentando fazer Hinata dançar sem desmaiar de vergonha. Olhou para a câmera com sua expressão habitual, vendo Sakura filmá-los por completo. Ele se aproximou da kunoichi e sussurrou algo que a deixou um pouco espantada, mas o que quer que fosse, ela concordou no final, se retirando para filmar suas amigas mais de perto.

Crouch finalmente estendeu seu pano no chão tentando descobrir uma boa maneira de ficar sentada com todo aquele tecido envolto em seu corpo, não permitindo nem mesmo que sua postura ficasse desleixada por conta do obi, que cobria uma boa parte da sua coluna. O rapaz permaneceu em pé numa distância considerável, sentindo o perfume doce e delicado que emanava da garota. Por um motivo que ainda não entendia, sentia que o clima entre os dois estava diferente, como se uma atmosfera de tensão pairasse entre os dois, deixando-o com a sensação de que não tinha o controle da situação.

― Ok, chega de palhaçada. ― Ino se pronunciou assim que ficou de pé. O rosto da kunoichi estava rosado como os cabelos da amiga e sua voz estava mais estridente do que o normal. ― Dakota, desliga o rádio, por favor? É o seguinte: nós vamos brincar de "eu nunca". ― Apontou para Choji, que havia levantado o dedo para fazer uma pergunta ao mesmo tempo que a inglesa desfazia o encantamento. ― Já vou explicar, relaxa aí. Eu não trouxe as bebidas por trazer, ok? Vamos fazer perguntas e quem já fez, bebe. Quem nunca fez, não bebe. ― Bebericou sua garrafa com delicadeza, firmando seu olhar em cada um deles. ― E não me venham com perguntas idiotas do tipo "eu nunca fiz missões nível B", hoje é dia de aprontar. ― Deu seu costumeiro sorriso lateral, levantando sua garrafa. ― Todos entenderam? Ótimo, eu começo.

O rapaz de olhos perolados pediu permissão para sentar-se no mesmo tecido que Dakota, que concordou silenciosamente.

― Você não fica vermelha quando bebe ― sussurrou, fazendo-a rir de forma nasal. ― Parece que está acostumada com o álcool.

― Você não quer falar sobre isso, vai por mim ― respondeu, ajeitando os fios soltos de seu cabelo. ― Já você quase nunca bebe, não é? Suas bochechas estão vermelhas. Ficou uma gracinha.

― Já vou avisando, eu vou pegar pesado. ― Yamanaka anunciou maliciosamente. ― Prontos? ― Eu nunca fiquei chateada com meu parceiro por não fazer aquilo direito. ― O choque nos rostos dos jovens era evidente, ninguém estava realmente levando a sério quando ela disse que pegaria pesado. ― Vocês sabem as regras, não é possível que todo mundo aqui seja virgem.

A loira bebeu de sua garrafa, vendo Dakota, Shikamaru e Kiba beberem um pouco em seguida.

― Minha vez. ― Tenten falou com a voz um pouco embargada, ajeitando melhor seu kimono azul enquanto fitava Neji. ― Eu nunca tive um amigo com benefícios. ― Virou o restante de sua garrafa, recebendo outra de Ino enquanto Dakota, Neji, Sakura, Ino, Shikamaru e Shino fizeram sua parte.

― Tá bom, vamos lá. ― Kiba disse enquanto brincava com a sua garrafa. ― Eu nunca fiquei a fim de um colega de trabalho.

― Pegou pesado, Inuzuka. ― Nara reclamou, dando um pequeno gole. E, para a surpresa de Crouch, todos os presentes beberam. ― Aparentemente todo mundo aqui é a fim de todo mundo. Ok, eu nunca fantasiei sobre alguém que esteja aqui neste local.

Hyūga segurou a mão da garota ao seu lado, puxando-a delicadamente e trazendo sua chochin. 

― Vem comigo ― sussurrou.

Dakota se levantou em meio à confusão causada pela polêmica da pergunta por Shikamaru só tendo tempo de puxar seu pano para não sujar o kimono branco de Sakura e trazer sua garrafa. Neji se afastou do grupo silenciosamente seguindo em direção do lago, parando próximo da grama alta e se escondendo em meio às árvores para evitar olhares curiosos. Crouch jogou suas coisas no chão e se recostou na árvore mais próxima, apreciando a melodia dos grilos e o coaxar dos sapos enquanto o rapaz deixava sua luminária entre eles, evitando encará-la.

― Então…? ― questionou, arqueando uma sobrancelha. ― Por que saímos? Isso tudo por que você não queria responder se estava a fim de alguém?

― Esse não é exatamente um sinônimo de diversão pra mim. ― Ele respondeu com uma risada nasal, finalmente olhando para ela.

― Mas você poderia ter vindo sozinho.

― A verdade é que… preciso me desculpar por ontem. ― Coçou a nuca, encarando-a sob a luz da lua. ― E também preciso de algumas respostas.

― Tudo bem ― respondeu ela, cruzando os braços. ― Pode se desculpar.

― Eu perdi o controle e te ataquei, me desculpe. ― Revirou os olhos, vendo um sorriso vitorioso surgir nos lábios cheios. ― Mas você me parou, quer dizer, o que aconteceu? Ninguém nunca conseguiu parar o golpe de 64 palmas, diretamente ou indiretamente. Não era você ali, Dakota, então o que era?

― Não posso te responder uma coisa que não sei. ― Suspirou, bebericando o último gole de sua garrafa e deixando-a no chão. ― Eu escuto a voz de uma mulher dentro da minha cabeça e ela me mostra algumas coisas sobre as pessoas. E às vezes sinto que ela quer assumir o controle, entende? Me dominar ou algo do tipo.

― Então os seus poderes vêm dela?

― Não, eu ainda tenho os meus poderes. Ela só… potencializa, de algum modo. Ela assumiu o controle porque sabia que eu não conseguiria pará-lo sozinha, eu acho. 

― Entendo. ― Coçou o queixo, meditando se realmente havia entendido. ― Hinata-sama me contou que você leu seu futuro ― debochou. ― Ela te ajudou?

― Eu fiz a leitura das mãos, mas confesso que tive ajuda nas visões. ― Espreguiçou-se devagar, vendo o rapaz se aproximar com a mão estendida.

― Por que não lê o meu futuro, se é tão boa assim?

― Primeiro. ― Suspirou, fechando os olhos e respirando devagar ao tocar a mão quente e calejada. ― Você não mencionou o pagamento e eu não faço de graça. O que eu fiz com o Kiba estava dentro da minha estratégia de divulgação. ― Mexeu nas laterais de seu kimono, alargando-o um pouco por conta do calor. Não devia ter bebido tanto. ― Segundo, você não acredita em previsões do futuro, não agora que sabe que pode fazer o seu próprio destino. Nem sempre um fracassado será um fracassado, Hyūga Neji, as pessoas possuem a capacidade de evoluir.

Os olhos perolados se arregalaram com a revelação, procurando palavras para definir seu espanto enquanto a via lamber os lábios de forma inocente, encarando-o com sensualidade.

― Eu prometo ler o seu futuro quando acreditar em mim ― sussurrou com malícia mordendo seu lábio inferior em seguida, sentindo-o alcançá-la devagar, como se calculasse cada movimento feito para não assustá-la.

Neji direcionou-se para ela com cautela, vendo-a umedecer os lábios quando fitou os seus com a respiração lenta e compassada, sentindo seus corpos encontrarem um ao outro conforme prensava carinhosamente a garota contra a árvore, segurando o máximo possível seus instintos com uma lentidão esmagadora enquanto seus olhos baixaram  para os lábios entreabertos, sentindo o coração falhar umas batidas ao sentir o hálito morno de framboesa tocar seu rosto. Subiu o olhar, observando seu rosto de perto nos mínimos detalhes, afundando-se no azul de seus olhos e tocando a cintura ao mesmo tempo que ela empinava seu queixo para vê-lo melhor, compensando a diferença de altura. 

Eu não posso fazer isso, pensou consigo, mas ele queria. Dakota tocou os cabelos negros com carinho, sentindo a suavidade do fios que escorriam entre seus dedos,vendo o espanto do rapaz ao tocá-lo tão repentinamente.

― Você quer mesmo fazer isso? ― Ela sussurrou roçando seu nariz no dele, deixando seus lábios separados por milímetros. ― Eu ouvi umas coisas hoje sobre a sua família e…

― E eu disse que hoje quebraria as regras ― murmurou, olhando para a boca convidativa uma última vez, demorando-se para ter a certeza de que ela não recuaria. O ar da noite trouxe novamente o perfume adocicado a suas narinas e ele não resistiu, selando seus lábios de uma vez. O rapaz sentiu o arrepio que desceu sua espinha como um raio que congelou todo seu sistema nervoso ao ver que ela correspondia, puxando-o para perto de si com delicadeza pelo obi de seu kimono, juntando definitivamente seus corpos.

Eu não posso fazer isso, a voz em sua cabeça aumentou e, à contragosto, Hyūga se afastou rapidamente da garota.

― Se continuarmos, tudo vai mudar ― disse com a respiração acelerada, vendo a impaciência nos olhos da feiticeira. ― Você tem cert...

Ela o interrompeu, beijando-o novamente com brutalidade, aprofundando-se no sabor de sua boca e sentindo o contato da língua com a sua pela primeira vez, fazendo-a suspirar. Dakota mordiscou lentamente os lábios alheios ao mesmo tempo que sentia as mãos fortes descerem a lateral do seu corpo e pararem em seu quadril, apertando sua bunda com vontade. A garota ergueu sua perna para entrelaçá-la no corpo do rapaz, que puxou sua outra perna e segurou-a em seu colo, deixando suas pernas expostas pela abertura da yukata. A inglesa separou seus lábios com um pequeno sorriso, agradecendo mentalmente pela química que tinham, e por Neji corresponder a todas as suas expectativas básicas sobre beijo. Antes mesmo que ele pudesse se recuperar, ela atacou novamente, sentindo-se queimar por dentro com os carinhos tímidos feitos por ele, fazendo seu corpo implorar por um contato mais íntimo. Lambeu os lábios rosados de maneira sensual e distribuiu beijinhos por todo seu maxilar, descendo para seu pescoço e deixando rastros de saliva enquanto apreciava o perfume amadeirado sem nunca perder contato com a pele arrepiada do rapaz.

Neji depositou-a gentilmente no chão e beijou-lhe rapidamente, sentindo algo começando a dar sutis sinais de vida entre suas pernas, estimulando-o a ficar mais próximo dela. Crouch voltou a beijar seu pescoço exposto, abrindo-lhe o kimono com agressividade enquanto descia delicadamente com seus beijos pela clavícula e peitoral expostos, sentindo que a respiração do rapaz começava a desregular. Conforme se aproximava de seu umbigo, seus joelhos dobraram e suas mãos desciam pelo torso parcamente coberto pelo tecido de algodão, passando por sua virilha e encontrando uma ereção. Sabia o que ele queria, podia ver no fundo de seus olhos perolados o desejo que Neji não conseguia expressar verbalmente, e principalmente o que ela gostaria de fazer, já que estava ali…

Hyūga puxou-a para cima com força e jogou-a novamente contra a árvore, acariciando suas coxas e subindo por seus quadris e torso enquanto lambia e beijava seu pescoço, sentindo as unhas se agarrarem ao tecido de suas costas e a respiração ficar ofegante. Subiu um pouco mais suas mãos enquanto lhe beijava com desejo, sentindo seus mamilos arrepiados contra o tecido e os acariciou com cuidado, ouviu Dakota gemer timidamente contra sua boca, excitando-o ainda mais.

Os fogos de artifício começaram a estourar criando um espetáculo visual no céu e despertando a consciência do shinobi, que se afastou sem fôlego, vendo as curvas internas de seus seios aparecerem num kimono frouxo e desmontado, fazendo-o engolir em seco por saber que gostaria de ver mais. Que tipo de demônio era ela para levar sua mente à loucura desta forma? Como ia voltar para junto de seus amigos, como iria encarar Tenten? Droga, ele queria tanto tirar aquela maldita yukata e recomeçar de onde haviam parado…

Afastando-se da garota, que tinha um sorriso maligno em seu rosto, lhe informou que voltaria para a pensão e que ela poderia voltar o horário que quisesse com as meninas, ele precisava resolver um assunto.

Eu não podia ter feito isso, mas que porra, pensou, ativando seu byakugan e escalando a árvore mais próxima para sair dali o quanto antes. Dakota Crouch o havia enfeitiçado com seus lábios, e Neji sabia que teria que usar todas as suas forças para escapar. 

Mas a grande questão era: ele realmente queria escapar?


Notas Finais


Onsen: termo japonês para águas termais, onde é possível banhar-se. É um estabelecimento (casa de banho, pousada ou hotel) construído sobre uma fonte termal que emerge água subterrânea aquecida, que é rica em nutrientes.

Kekkei genkai: literalmente significa "uma técnica limitada a herança sanguínea". São habilidades passadas geneticamente entre clãs específicos. Dōjutsu é a habilidade visual (como o sharingan ou o byakugan) que pode ser usada com outras partes do corpo para potencializar defesa e ataque. O kekkei genkai e suas técnicas não podem ser ensinadas ou copiadas por alguém que não pertence ao clã.

Yukata: vestimenta japonesa de verão, um tipo tradicional de kimono confeccionado em algodão.

Abaffiato: permite conversas longas sem interrupção, pois o alvo escuta um zumbido de conversa.

Protego totalum: cria uma barreira mágica.

Salvio hexia: também cria uma barreira mágica, mas tem a capacidade de potencializar o protego totalum. Juntos se tornam um escudo.

Cave inimicum: cria uma barreira protetora em volta do lugar, não permitindo que quem esteja de fora veja o que acontece do lado de dentro.

Sonorus: feitiço para aumentar o volume.

Umeshu: licor tradicionalmente feito de ameixa de sabor adocicado, leve e sem resíduos amargos no paladar, com toques cítricos. Feita de ameixa verde com açúcar e álcool de arroz, possui baixo teor alcoólico, podendo ter variações de sabor.


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