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História O Preço da Felicidade - Capítulo 8


Escrita por: e _Nolan


Capítulo 8 - Lembranças Dolorosas -7


Fanfic / Fanfiction O Preço da Felicidade - Capítulo 8 - Lembranças Dolorosas -7


Justin e eu dormimos abraçadinhos, era bom poder me sentir assim. Em toda minha vida sempre estive procurando por algo, nunca entendi bem o que era, sempre andei com um vazio dentro de mim, quando meu pai, Enry, meus amigos e agora Justin estão por perto ou estavam por perto esse vazio era substituído por coisas boas. A muito tempo que eu não sonhava com nada. Hoje porém estava tendo um sonho deveras horrível.


"Eu estava vestida como uma boneca, andando por aí em um parque de diversões ao lado de alguém que eu não conseguia ver o rosto.

Estava curiosa para saber quem era, aparentemente eu o amava, presumi então de imediato que seria Enry, sempre tive essa fixação por ele.

Tudo estava indo bem até que faço algo que não consegui nem mesmo ver ou escutar, saí de onde estava apavorada, lembro que a única coisa que eu conseguia pensar era que não podia ser verdade. Mas o que não podia ser verdade? Eu não sabia.

Estávamos em Hiroshima? Não podia dizer ao certo, as imagens eram borradas de mais para conseguir decifrar algo. Apenas sabia que estava com alguém que amava em um parque de diversões. Planejamos ver o pôr do sol, eu estava com um misto de tensão e alívio, não conseguia entender o porquê.

Estávamos indo de teleférico até uma outra montanha, meu coração começou a acelerar e em determinado momento entrei em pânico, ainda não tinha percebido o que acontecia, apenas sabia que estava com medo e era um medo real, apenas vi um vislumbre do rosto do garoto á minha frente, ainda assim muito pouco para eu saber quem era, em um segundo estava abraçada á ele e no outro estava gritando por conta do medo que se instalara em mim. EU IRIA MORRER! "


Levantei-me aturdida, estava ofegante, porém não conseguia me lembrar do que fizera eu ficar assim. Justin me olhava preocupado, eu devo ter tido o pior pesadelo que já havia tido.

Desde pequena eu sonhava com coisas ruins e no fim, quando me acordava não conseguia me lembrar o que havia sido, faria pelo menos sete anos que isso não acontecia.

Estava suada, me sentia cansada, meus músculos estavam tensos, minha garganta doía, sinal claro de que eu havia gritado. Justin ainda mantinha um olhar sério e preocupado sob mim.

- Eu gritei não foi? - perguntei mesmo sabendo da resposta.

- Se fosse só isso... Você berrou que iria morrer... Que tipo de pesadelo você teve? Nunca te vi assim antes - sua preocupação tinha um bom fundamento.

- Não lembro. Faziam sete anos que eu não tinha pesadelos... Talvez eu esteja cansada de mais.

- Pode ser... Que horas são? Tô com uma fome! - disse mudando de assunto e clima.

- Tarde o bastante pra comermos, vamos! - disse pulando da cama e indo em direção á porta.

- Onde você pensa que vai desse jeito? - olhei para mim mesma e corei - o Kilian tá lá em baixo e você não vai descer lá de calcinha e essa blusinha praticamente transparente.

- Ciúmes amor? - sorri sadicamente esperando ele atacar meus lábios.

- Claro que não- falou após nos separarmos - Bom dia coelhinha!

- Bom dia Juu!

Soltei-me dele e entrei no closet para pegar uma roupa decente, não queria falar nada sobre isso porém ele tinha total razão, com Kilian lá em baixo isso não servia para mim andar pela casa.

Havia esquecido a quantidade de roupas que eu tinha enviado para cá, por ser modelo ganho muitas roupas, ironicamente eu comprava as minhas e por mais bonitas que eram as que eu ganhava enviava diretamente para cá, tal atitude me rendeu um closet lotado, era um milagre eu conseguir me enfiar aqui dentro.

Como aqui já era inverno e estava extremamente frio escolhi uma calça preta bem colada a meu corpo, com pelúcia dentro para me aquecer, uma blusa de mangas compridas azul clara e ainda continuei com minhas meias e a pantufa. Caso saísse colocaria casacos pesados e um sapato decente.

Justin ja havia descido, provavelmente estava preparando o almoço ou quem sabe café da manhã, estava pronta para a surpresa. Fui ate a sala e encontrei Kilian ainda apagado no chão. Sorri ao ver a tinta seca em sua face. Decidi então colocar mais algumas decorações na parede e enquanto isso eu cantarolava minhas músicas preferidas.

Não tinha palavras para expressar o quão feliz estava, tudo estava genuinamente bem e apesar de minha desafinação completa Kilian continuava a dormir como um anjinho. Comecei a cantar "Carry on my wayward son" e quando estava chegando na metade da música percebi que Justin me olhava.

- A quanto tempo tá aí? - pedi com curiosidade.

- Desde a parte do primeiro "wayward son".... Essa música é de quando? 1970? Muitos séculos amor... Porquê gosta de músicas tão velhas?

- Talvez eu esteja na época errada, já pensou que eu deveria ter nascido em outro lugar e outra época?

- Não , porquê aí eu também deveria ser! Café almoço da manhã tarde ta na mesa.

-Então vamos comer!

Comemos uma deliciosa pizza e para sobremesa acabamos com o belo visual do bolo de Kilian, como havíamos chegado a um acordo de deixar para o café da manhã apenas agora eu sentia o sabor do chocolate com o morango. Os bolos dele eram simplesmente os melhores. Eu lavava a louça enquanto Justin guardava a comida separadamente para o senhor juventude e arrumava a mesa.

- Prontinho - disse em meu ouvido enquanto me abraçava por trás.

- Isso é golpe baixo Juu.... deixa eu terminar isso aqui Justin por favor.

- Só um beijinho! - sorri e o ignorei - A tá bom, mas vamos no cemitério após acordarmos o Kilian.

Justin saiu ne deixando furiosa, estava tentando adiar isso a qualquer custo. Estava sentindo que deveria ir mas sabia que doeria. Talvez se eu não tivesse saído no dia seguinte ao enterro de meu pai doeria menos agora. Lembrar da sua morte era doloroso de mais.

Terminei as coisas na cozinha e subi para colocar minhas botas especiais, elas eram as mais quentinhas, peguei um cachecol verde, cor preretida de meu pai e casacos pretos. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e nem sequer me preocupei com a maquiagem.

Enquanto descia podia escutar o sussurrar de alguém do meu sonho "eu te amo", um arrepio passou por minha espinha, o que era isso? Fui andando lentamente até a sala esperando mais alguma coisa acontecer, nada.

Meus sonhos tinham de ter algum gatilho, eu só não sabia qual era. Encontrei Justin tentando acordar Kilian, como eu sabia que aconteceria. Eram quase duas da tarde e ele ainda dormia feito um bebê. Sentei em cima da sua lombar e comecei a estapear o garoto que acordou aturdido.

- Mas que merda?! - Falou ao acordar - Kiara? Sai de cima !

- Bom dia senhor juventude!- ri e ele me derrubou - Ai! Seu mau educado.

- Hahaha, bom dia pra você também e... Porquê minha cara tá tão estranha? - fiquei séria de imediato.

- Sei lá cara, estamos indo no cemitério, tem comida pra você no forno e vai no banheiro. Tchau! - O nervosismo de Justin era a coisa mais fofa e engraçada.

- Ta bom, boa sorte Kiara! - Kilian sorriu ao me dar um abraço.

- Obrigada... Vou precisar...

Kilian foi para o banheiro e Justin se apressava para colocar seus sapatos, conseguimos escutar o grito de Kilian enquanto saíamos, iria sobrar para mim depois.

- KIARAAAAAAAAAAAAAAAAA! VOCÊ ME PAGA!

Fechamos a porta e saímos correndo, talvez ele quisesse vingança mais cedo do que o esperado, com Kilian nunca tinha como saber. Pedi gentilmente para Justin me deixar ir sozinha, primeiro precisava encarar isso comigo mesma, depois eu poderia levá-lo ali.

Deixei Justin na praça central fazendo exercícios e apenas prossegui, fui andando calmamente, não queria chegar rápido de mais. Conforme passava pelas pessoas elas me reconheciam e me davam as boas vindas para a volta á cidade.

Estava tão distraída com a beleza do lugar e o ar puro que sequer percebi que estava a cinco passos do portão do cemitério. Respirei fundo e passei pelo portão. Podia sentir a escuridão e a tristeza daquele lugar.

Passei pelo belo corredor cercado por flores que estavam agora cobertas pela neve, tudo que se ouvia ali eram o som da natureza e o barulho dos meus pés na neve. Meu coração estava cada vez mais acelerado, encontrei o túmulo de meu pai e de minha mãe, meu coração se apertou mais ainda.

Ambas as pessoas que eu mais amava estavam mortas. Me ajoelhei, estava sem forças para ficar em pé. Olhei fixamente para a parte que correspondia á minha mãe. Quando ela se fora eu era muito pequena, não lembrava bem dela, lembro apenas do quanto eu havia chorado após a morte dela. Lembro-me de como aquele incêndio quase havia tirado minha vida também. Ela salvou a mim e à meu pai, ironicamente salvou a todos e morreu.

A essa hora já estava com o rosto encharcado. Mesmo não lembrando direito doía de mais, mesmo escutando várias pessoas dizendo que a dor some ou diminui com o tempo, estava sendo totalmente o contrário.

Olhei para o lado que meu pai fora enterrado, eu vi tanto o assalto quanto sabia da saúde comprometida dele. Nunca entendi o porquê aqueles caras foram lá em casa. As piores lembranças possíveis invadiram minha mente.

"- Onde está ? ONDE? - gritava o assaltante.

Olhei para meu pai, ele apenas olhou-me brevemente com olhos suplicantes, sua súplica era para mim não fazer barulho nenhum e mesmo apavorada continuei calada. Nos olhos de meu pai só conseguia ver amor, instinto de proteção.

- Não sei! Já disse que não sei de absolutamente nada! - disse meu pai nervoso.

- Senhor Feurshtir, acha que isso é alguma brincadeira?! - o assaltante engatilha sua arma.

Contive com todas as minhas forças a vontade que eu tinha de gritar. Não podia fazer nada, esse cara me impediria de passar para qualquer lugar que fosse. Meus olhos já estavam ardendo, as lágrimas querendo sair.

- Espero que você tenha deixado alguma carta Henry. Você é oficialmente um homem.... - a cada palavra mais para dentro ia o gatilho da arma. - MORTO!

Ao berrar isso, sem dó nem piedade ele atirou em meu pai que caiu no chão, eu me segurei para não gritar ou chorar, estava sem condições para me mexer do lugar.

Vi o assaltante ir embora, saí do meu esconderijo atrás das barras de madeira da escada e corri até meu pai.

- Pai... Por favor... - a essa altura eu já estava desmanchando em lágrimas.

- Eu... Te... Amo... L............

-Pai?! PAI!

Pude senti-lo perder toda a vida que lhe restava, fiquei repetindo a palavra "não" por uma hora inteira. Enry e Analý chegaram e com muito esforço me tiraram de perto dele para mandarem ele com alguma funerária.

Naquela noite eu chorei e esgotei todo o estoque de lágrimas que havia. Olhava para as pessoas chorarem e me sentia mal.

No dia seguinte ele fora enterrado e eu simplesmente saí do país, ainda não tinha parado de chorar e quando eu coloquei meus pés na passarela do avião pude sentir uma mão tocando em meu ombro, senti como se meu pai estivesse me dando adeus, entrei no avião chorando novamente e quando decolamos olhei para baixo dando adeus para a Finlândia."

Não conseguia me conter. Estava chorando como naquele dia, jamais poderia esquecer e tudo que disseram era mentira. A dor apenas aumentou ficando tanto tempo longe.

Não sabia quanto tempo havia ficado aqui, só precisava chorar, novamente senti uma mão tocando meu ombro, olhei para trás e não encontrei ninguém.

- Pai? - sequei as lágrimas. - Desculpa por tudo... Eu te amo.... - e novamente chorava. - Desculpa por ter demorado tanto.....

Baixei minha cabeça e fechei meus olhos, queria lembrar de seu sorriso, cada momento especial que tive com ele. Retirei meu cachecol e amarrei em uma das colunas que haviam ali na lápide. Levantei-me e caminhei lentamente para fora do cemitério. Podia sentir algo diferente, só não sabia o que era.


Notas Finais


Por hoje é isso, espero que gostem..... Tenham uma boa semana😴😴


Amo vocês❤ beijinhos 😚❤


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