História O Preço da Verdade - Capítulo 10


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo 10


O Saci não demorou muito tempo junto ao grupo, pois segundo ele não era seguro ficar tão longe de sua mata, ainda mais com tantos sobrenaturais concentrados no mesmo ambiente. Aquele era o tipo de evento que inevitavelmente chamava a atenção! -Só queria que vocês soubessem o que estar por vir. - falou enquanto George o acompanhava até a praia.

–Obrigado mais uma vez por nos ajudar. Ficaremos em dívida com você novamente! - ele sabia se não fosse pela criatura, talvez eles não tivessem sobrevivido aos ferimentos na serra. -Espero que o que está por vir não complique você. - disse com sincera preocupação.

–Bem, vou procurar me manter o mais seguro possível. No momento são vocês os mais vulneráveis! Lembre-se o que eu disse para os seus amigos naquela caverna. Agora eles também são responsáveis pela proteção do sobrenatural. - disse em tom de aviso.

–Esse é o preço da verdade. - George relembrou. -Mas você fala como somente eles tivessem que carregar esse fardo… - deixou a frase no ar, esperando que o outro entendesse o seu pedido por uma maior explicação.

–Bem, diferente de você, eles não são mais o que já foram um dia. Como seres sobrenaturais nossas regras passam agora a ser aplicadas a eles. - respondeu, percebendo no olhar do outro que ele já esperava por isso. -Cuide-se. E não espere ter o mesmo destino que os outros tiveram! Tornar-se um sobrenatural é algo extremamente difícil e vocês conseguiram realizar esse feito mais vezes do que qualquer um de nós seria capaz de acreditar ser possível. Pode não haver uma próxima! - vendo que o outro compreendeu o alerta, logo o Saci foi envolvido novamente por um redemoinho que levantou areia e obrigou George a proteger os olhos com um dos braços. Quando por fim o vento se acalmou, o rapaz de gorro vermelho não estava mais ali.

George encarou a casa novamente e respirou fundo antes de voltar andando lentamente até o local. Aquilo que o Saci havia avisado a eles iria movimentar ainda mais as suas vidas e ele não tinha certeza se todos estavam preparados para aquilo. Além disso, ele havia conseguido a confirmação do Saci de que os cinco ali dentro, que provavelmente o esperavam voltar para começar a discutir o que seria feito, haviam se transformado definitivamente em criaturas sobrenaturais. -Agora, no que a Josi se transformou e quando isso aconteceu é um mistério que eu tenho que resolver. - falou sozinho, adentrando na residência.

Como ele suspeitava, quando chegou à sala de estar encontrou todos os cinco que logo o encararam como se ele trouxesse alguma boa notícia. Sentou-se ao lado do namorado, puxando-o para um abraço apertado. Mesmo estando com Sérgio ali tão próximo quanto seus corpos lhes permitiam, George ainda sentia a dor de tê-lo perdido e as imagens do outro morto ainda perpetuavam a sua mente. -Então, o que faremos? - perguntou, olhando para os outros, uma a um.

–Ele disse que pode acontecer. Não é exatamente uma certeza. - Marcos respondeu, segurando a mão de Josi, como se procurasse algum apoio.

–Levando em consideração tudo que aconteceu no último mês até agora, acho que as probabilidades de acontecer são bem maiores. - Joyce falou, reclinando-se um pouco mais sobre o sofá, adquirindo uma postura mais confortável. -E temos que levar em consideração que não estamos nem perto de saber o que fazer. Tudo isso ainda é muito novo!

–Ela está certa. - George voltou a se pronunciar, olhando por algum tempo para Marcos e Josi que estavam sentados juntos bem a sua frente. Não queria magoar ninguém com o que diria, mas já que estavam decidindo juntos os próximos passos, era melhor que as opiniões ficassem às claras. -Alguns de nós… - se interrompeu para se corrigir. -Quero dizer, alguns de vocês ainda não sabem como se controlar e isso nos torna mais vulneráveis do que perigosos. Enfrentar outros sobrenaturais, caso isso venha a ser necessário, sem ter controle não é uma estratégia inteligente! - observou que todos pareciam concordar.

–Ainda não acredito realmente no que o Saci falou. - Letícia voltou a quebrar o silêncio. Demorou alguns segundos mudando a posição do cabelo o que fez um aroma de mar preencher o ambiente, antes de prosseguir. -Se as outras criaturas sobrenaturais do país já ficaram sabendo que nós matamos a Cuca, eles deveriam estar gratos e não ensandecidos querendo nos atacar. Certo?

–Teoricamente, sim. -Josi confirmou, olhando para a amiga e vendo que o mar realmente havia lhe feito muito bem. Letícia perdera a palidez e os cabelos estavam novamente sedosos e com um brilho intenso que chamava a atenção. Assim como estava sendo com Sérgio, era difícil encará-la sem se distrair com os seus traços. Josi desviou o olhar antes de continuar. -Mas exatamente o fato de termos matado um deles, pode causar espanto e medo. Segundo o que o Saci contou para gente na caverna, antes de te encontrarmos Leticia, os sobrenaturais já foram caçados por humanos normais e isso os obrigou a viverem em completo exílio, tornando-se lendas de folclore. Então, de repente, anos depois surge um grupo que consegue matar em três dias uma das bruxas mais perigosas e pelo menos outras três criaturas! Do contrário nós também estaríamos em alerta.

–Além disso, conseguimos não somente matar alguns seres sobrenaturais, como também tomamos o lugar deles. - Sérgio observou, olhando especificamente para Joyce e Marcos que eram os exemplos claros do que ele estava falando. -E ainda não sabemos as consequências que os ataques do Lobão ai vai trazer. - disse, em um tom um tanto irônico.

–Nem os meus por até agora ter ignorado o pedido das sereias de vingar a morte da Iara que protegia as águas da serra. Elas vão vir atrás de mim para cobrar o corpo do lobisomem… - Letícia olhou para Marcos com receio. Embora nenhum dos outros tivessem percebido, a garota tentava medir ao olhar para o outro o quanto ele representava um risco e inconscientemente, avaliava se ela seria capaz de vencê-lo.

–Provável que o fato de você trazer o Sérgio de volta a vida, ainda que na forma de boto, também tenha alguma preço. -George falou abraçando Sérgio com mais força, como se para comprovar que ele realmente estava ali.

A conversa prolongou-se por quase uma hora até que chegassem a uma conclusão que foi sintetizada por George que a essa altura já estava com os livros que ganhou de Saci abertos sobre a mesa de centro. -Então, o que podemos fazer de imediato é nos preparar para a possibilidade de haver sim um grupo de criaturas sobrenaturais vindo à nossa procura para cobrar explicações, nos matar ou mesmo apenas conferir se representamos riscos ou não para eles. - disse sem olhar para os demais. -E tudo que podemos aprender desse mundo louco, sobre o que vocês são capazes e sobre os nossos possíveis oponentes está nessas belezuras aqui! - apontou para os manuscritos como se exibisse troféus. -Mas antes, acho que precisamos dormir um pouco e recuperar as forças gastas nas últimas horas.

Ninguém questionou e logo todos estavam espalhados pelos quartos, dormindo sem qualquer dificuldade. Todavia, o descanso de Josi não durou muito tempo!

Não fazia muito tempo que a garota havia dormido quando o pesadelo começou a acontecer. No início Josi apenas escutava os choros e gritos que pediam por socorro e por mais que ela olhasse em todas as direções não conseguia ver os donos daquelas vozes! Tudo era apenas escuridão e frio. Sentia como se o seu corpo tremesse e mais do que nunca teve vontade de gritar para que aquilo parasse. Sabia que estava em um sonho, contudo, por mais que tentasse não conseguia despertar e isso lhe afligia. Não ter o controle era aterrorizante e ficava cada vez mais, até ela não conseguir mais aguentar e o grito escapar de sua garganta.

O som de algo sendo rasgado se sobrepôs aos pedidos de socorro e trouxe consigo o fim da escuridão e Josi desejou de imediato que isso não tivesse acontecido. Ver o que escondia nas sombras foi muito pior do que se sentir perdida dentro dela. Por todos os lados havia cadáveres, uns por cima dos outros, tentando a todo custo deixar os seus túmulos. Os corpos aparentavam a muito ter deixado essa vida, mas ainda assim moviam-se em desespero, tentando alcançar o seu objetivo. Os mortos-vivos se arrastavam em sua direção!

Josi acordou de súbito com o chamado de George que a encarava assustado ao lado da cama onde ela dormia. Suor escorria pelo rosto da garota e ela sentia dificuldade de respirar! Olhou aturdida para os lados querendo comprovar de que somente eles estavam naquele quarto.

–Você está bem? Vim chamar você e te vi tendo espasmos e choramingando. Teve um pesadelo, não foi? - o garoto passava a mão na testa da melhor amiga, retirando as gotas de suor que escorriam ali.

–O que foi que aconteceu? - Josi perguntou não se referindo ao pesadelo que acabara de ter.

–Não consegui impedi-lo. - a voz veio da porta e ambos encararam Letícia, que entrava com a respiração acelerada. -Marcos saiu e disse que nenhum de nós deveria ir atrás dele. - completou, sentando-se na cama junto aos outros dois.

–Ele quer passar pela transformação sozinho dessa vez. Tem medo do que pode fazer com algum de nós! - George explicou, vendo a expressão de preocupação e raiva misturadas no rosto de Josi. -Ele vai voltar bem. Só espero que ele não machuque ninguém por aí.

Logo que a lua surgiu no céu os cinco puderam escutar o uivo do lobisomem, mas este veio de muito longe e somente o perceberam porque estavam bastante atentos ao sinal. Esperaram durante as quatro primeiras horas que o amigo transformado retornasse para a casa, mas isso não aconteceu! Quando ficaram mais certos de que estavam seguros de um ataque do licantropo descontrolado, tentaram concentrar-se no plano que formaram.

Letícia e Sérgio foram para o mar em busca de descobrir mais sobre o que eram capazes de fazer, talvez juntos tivesse maior sucesso. Joyce e George ficaram estudando os livros em busca de qualquer conhecimento novo sobre bruxas, lobisomens, sereias e botos. Josi, que não havia contado para os outros sobre suas visões, passou a pesquisar nos livros qualquer coisa que pudesse ajudá-la a entender o que aquilo significava ou mesmo o motivo de ser ela a ter tais presságios. Agora ela estava mais conformada de que os pesadelos não eram somente sonhos ruins, visto que a morte de Sérgio provara-se uma previsão.

–Eu acho que achei algo… - Joyce chamou a atenção dos outros dois, que logo a fitaram com curiosidade e juntaram-se a ela, debruçando-se sobre os ombros da garota para ver o que ela lia no livro estendido sobre suas pernas.

–E o que exatamente é isso? - George perguntou, olhando para Josi em busca de uma confirmação de que não era apenas ele que não estava conseguindo ler as palavras escritas. -Você está conseguindo entender o que tem ai?

–Sim. Vocês não? - Joyce se perguntou logo se dando conta de que o feitiço realmente estava escrito em outra língua, que embora ela não conhecesse, conseguia entender perfeitamente. -Não posso dizer que não gostei dessa novidade! - falou animada, olhando para os outros dois que a encaravam com certo espanto. -Ok, Isso não vem ao caso agora! Isso aqui pode nos ajudar a enfrentar as outras criaturas. É um feitiço, que basicamente desperta habilidades inerentes em quem é enfeitiçado. Poderíamos tentar!

–Não se é exatamente uma boa ideia. - Josi começou a argumentar, pensando nas possíveis consequências que aquilo poderia trazer. -Ainda acho que talvez o método tradicional de desenvolvimento deva ser mais indicado. - completou, sendo bem direta o que percebeu logo em seguida, pareceu deixar a amiga cabisbaixa. -Não que eu esteja duvidando que você seja capaz de fazer… - começou a se explicar, mas foi interrompida.

–Não! Eu sei. Relaxa. Você está certa! - Joyce concordou, virando a página do livro, passando a ver outros feitiços. Com um tempo, os outros se afastaram também! O restante da noite passou rápido e eles acabaram adormecendo onde estavam. Acordaram pela manhã com a presença de Letícia e Sérgio novamente dentro de casa!

Logo que estavam reunidos os dois contaram que a experiência havia sido bastante proveitosa e acabaram aprendendo mais da nova condição do outro do que realmente esperavam. Algumas horas depois, quando o sol já estava bem alto no céu, Marcos retornou, sem roupas e com o corpo manchado de sangue em diversas partes. Sangue que não era seu!

–Eu não consigo me lembrar... - foi a única coisa que ele disse, apagando logo depois.



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