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História O Preço da Verdade - Capítulo 11


Escrita por: aboutswen

Notas do Autor


Mais um capítulo para vocês. Espero que gostem!!

Capítulo 11 - Onze.


- Emma, separe algumas roupas. Você vai comigo para a cobertura, vou pedir ao Marcus para mandar alguém passar a noite com você. – Regina ordenou, enquanto olhava fixamente para a tela do seu celular. 

- Hmmm, a senhora não irá passar a noite lá, não? – Questionei um pouco desapontada. Eu realmente achei que, quando ela havia dito que iria me proteger, ela iria fazer isso pessoalmente. 

- Bem, até onde eu me lembro eu tenho um marido. Preciso ir em casa, estou passando muito tempo na rua e Graham acha que ainda podemos ter um relacionamento saudável. – Justificou calmamente. – De qualquer maneira, sozinha você não vai ficar, ok? Hoje eu a levo para lá e logo depois terei uma reunião com o pessoal da segurança. A gente vai descobrir onde o canalha do Neal está. 

O restante do tempo em que passamos no meu pequeno kitnet foi em silêncio, e eu apenas arrumei uma mala com algumas roupas. Minha cabeça fervilhava num misto de medo e ansiedade, eu nunca imaginaria que poderia estar envolvida num jogo de gato e rato como estava naquele momento. 

Regina havia ligado para Marcus, o chefe de segurança da Mills Co. e ele havia lhe garantido que faria tudo que estivesse ao seu alcance para proteger a ela. Quanto a mim, eu ainda achava que ele desconfiava de algo. Eu não o julgava, sabe? Todos os indícios apontavam meu nome como uma golpista de marca maior, e era o que eu estava sendo.

Antes de finalmente sairmos do meu pequeno apartamento, eu dei uma última olhada nas poucas coisas que ali estavam. Consegui pegar, junto com minhas roupas, uma foto antiga da minha família. Eu ainda não conseguia acreditar que meu pai tinha sido capaz de se envolver com algo tão deplorável quanto roubo. Olhei para a cama em que dormi sozinha por anos. A televisão que havia sido minha companheira nas madrugadas. A cozinha que nunca havia visto uma comida bem feita, considerando meus péssimos dotes culinários. 

Nunca fui fã daquele apartamento. Ele era pequeno, abafado, apertado, cheio de pontos de mofo que não importava o quanto eu limpasse, eles permaneciam. Vê-lo daquele jeito, revirado, maltratado e humilhado – sim, eu estava dando sentimento ao meu kitnet alugado por poucos dólares – me doía o coração. Não importava o quão ruim ele era, ele foi o mais próximo que eu tive de um lar durante anos. 

Regina já esperava impaciente perto da porta. Fechei os olhos e inalei fundo, sentindo, mais uma vez, o cheiro de casa. Já estava acostumada a não ter mais meus pais, mas agora eu estava sem eles, sem dinheiro, sem emprego e sem um lugar para chamar de meu. Não sabia naquele momento, mas aquela seria a última vez que eu veria o meu pequeno kitnet

Desci as escadas seguindo minha ex-chefe, enquanto eu carregava a mala na mão. Para a minha infelicidade, encontramos com Tinker mexendo no local de cartas mais uma vez. O que diabos ela tanto fazia para todo dia ter carta para receber?

- Emma! Oi! – Sua voz saiu estridente, como sempre. – E... oi! – Ela olhou para Regina de cima a baixo. Quis lhe repreender por ser tão indiscreta, mas não surtiria efeito. – Você é?

Regina abriu a boca para responder, mas foi interrompida por mim. 

- Maria... Hum, Maria Parrilla. – Regina franziu o cenho, como se não estivesse entendendo o motivo da minha pequena mentira. – Uma colega da faculdade. 

- Entendi... – a jovem loira na minha frente sorriu mostrando os dentes. – Você vai viajar? – Apontou para a mala com o queixo. 

- Hummm... não! Eu vou... Eu vou levar essas roupas para doação, já não servem mais. 

- Poxa, que atitude honrada, Emma. – Minha visão periférica conseguiu captar uma bela revirada de olhos de Regina. Pelo pouco que eu a conhecia, a animação de minha vizinha estava deixando-a extremamente irritada. – Bem, quando vamos marcar o nosso café? Lembre que você está me devendo.

- Eu estou ocupada agora, com um emprego novo e tal... mas assim que eu tiver um tempinho eu te ligo, ok? – sorri forçadamente. Eu nunca ligaria. Desde que havia me mudado para aquele prédio, eu achava minha vizinha um saco de pessoa. Forçada, intrometida, sem noção... Eram muitos adjetivos.

- Emma. – Regina chamou com sua voz rouca e eu me empertiguei. – Temos que ir. Estamos, hummm... um tanto atrasadas. Se despeça de sua amiga e vamos. – Algo no seu tom de voz ao falar a palavra “amiga” me mostrou na hora que ela não havia gostado nada daquela conversa que eu havia tido com Tinker. Seria uma pitada de ciúme?

Obviamente não, mas meu coração até queria que fosse sim. 

- Bem, eu tenho que ir . Até mais, Tinker. – Acenei levemente com a mão e ela fez o mesmo, só que dessa vez lançando um olhar desconfiado para minha chefe. Regina provavelmente nem lembraria o rosto dela na manhã seguinte. 

Saímos do prédio direto para o carro. O sol já começava a baixar, indicando que provavelmente já passava de uma hora da tarde. Senti meu estômago doer com fome e torci mentalmente para que pudéssemos comer algo em algum momento daquele dia. Regina colocou o cinto de segurança e se ajeitou no banco do motorista. Naquela altura, eu já estava devidamente sentada e com a minha mala apoiada sobre as minhas pernas. 

A toda-poderosa deu partida no carro e saiu dirigindo tranquilamente pelas ruas de Seattle. Cerca de alguns minutos depois de termos saído, ela quebrou o silêncio desconfortável que havia se instaurado.

- De onde você tirou o nome Maria Parrilla, Emma? – questionou suavemente. – Por acaso eu tenho cara de churrasco? – Ela me olhava divertida, sem tirar a atenção do trânsito. 

Senti meu rosto ruborizar. Eu falei a primeira palavra em espanhol que veio na minha cabeça, pois estava verde de fome e realmente adoraria comer um bife de carne. 

- Desculpa. É que, sei lá... Eu estou com fome e aí pensei em bife e lembrei que você é latina e aí pensei em espanhol e aí me veio uma churrasqueira na cabeça grelhando vários bifes de carne e... – Falei tudo num fôlego só, sem respirar e sem pausar. Ela balançou a cabeça com um leve sorriso. 

- Eu imagino que deva estar com fome. Eu também estaria, depois de um dia caótico como esse. De qualquer modo, minha despensa está cheia e tenho certeza que você poderá comer algo quando chegarmos no apartamento. – Me senti mais tranquila ao saber disso. 

Vez ou outra Regina passava a mão pelos cabelos sedosos, e em determinado momento ela chegou até a segurar o volante com uma mão e apoiar a cabeça sobre a outra, apoiada na porta do carro. O sol adentrava o veículo e fazia sua pele brilhar, ela parecia estar cansada. Não somente cansada do dia, mas cansada daquela vida. Cansada de resolver problemas em cima de problemas, cansada de viver um relacionamento falso, cansada de perder na vida pessoal em detrimento da vida profissional.

Chegamos ao prédio gigante da South Lake Union e ela entrou tranquilamente na garagem do subsolo. Não demorou para que estivéssemos, mais uma vez, dentro da sua cobertura perfeitamente decorada. Eu achei incrível o fato do elevador parar exatamente dentro do apartamento, mas me preocupei com a possibilidade de alguém indesejado entrar ali também. 

Como se tivesse lido minha mente, Regina interrompeu meus pensamentos. 

- Pode ficar tranquila, senhorita Swan. O elevador só para na cobertura com a minha digital. – Respirei aliviada e ela balançou a mão no ar. – Só eu posso entrar aqui. Quer dizer, a pessoa só pode entrar comigo. Achei que você tivesse percebido. 

Regina, mais uma vez naquele dia, se direcionou ao bar e se serviu de uma bela dose de Whisky. Sentou-se em um dos bancos altos da cozinha e me encarou, como se soubesse o que se passava em minha mente naquele exato momento.

- Você quer saber o motivo pelo qual eu estou te ajudando, né? 

Balancei a cabeça afirmativamente.

- Senta aqui. – Ela puxou um banco ao seu lado e eu sentei, apoiando os braços no balcão e fitando a cozinha a minha frente. – Eu posso ser muitas coisas, mas idiota não é uma delas. Eu não conheço o seu coração totalmente, mas algo me diz que você não é uma pessoa ruim. Você é uma jovem que foi enganada, só isso. Eu, sei lá... – deu de ombros – eu odiaria que não me dessem o benefício da dúvida. 

- Eu agradeço, senhorita Mills. – Olhei para ela, que agora olhava para o copo vazio com dois cubos de gelo quase derretidos por completo. Sua mão brincava com as gotas d’água do copo. – Não posso aceitar essa ajuda por muito tempo. Ficarei aqui essa noite, para não fazer desfeita... Amanhã partirei. 

Seu rosto se contorceu numa carranca e ela respirou fundo. 

- Não seja ridícula, Emma. Você pode muito bem ficar aqui no apartamento, nem aqui eu moro mesmo. Eu só uso esse apartamento para... para relaxar. – Algo me dizia que ela usava aquele apartamento para levar possíveis namoradas, sem pretensão de querer me enfiar na sua vida, mas era isso que eu achava. Ela fez uma pausa engraçada e depois continuou. – Eu te deixo aqui pelo tempo que você precisar e, sei lá, começo a relaxar em algum outro lugar. 

- Você compraria um outro apartamento só para me deixar nesse? – Questionei, abismada e ela riu. Pela primeira vez, eu ouvi a sua gargalhada rouca e forte. 

- Embora eu tenha dinheiro para isso, não, eu não o faria. – Justificou. – Eu realmente gosto daqui e realmente tomei total asco pelo kitnet que você me apresentou hoje, mas não, não comprarei outra cobertura. Quando eu quiser me livrar da minha casa eu fico aqui com você. Esse apartamento é gigante e nós não vamos nos ver, se não quisermos. 

- Ainda assim, eu não posso aceitar. – E eu realmente não podia. Nem nos meus sonhos mais loucos eu teria dinheiro para pagar a manutenção daquele lugar, principalmente agora que eu estava desempregada. – Eu não tenho dinheiro para me bancar, Regina. A conta de luz e de água aqui deve ser absurdamente cara... Ainda tem gás, condomínio e... – Comecei a elencar nos dedos e ela segurou a minha mão, abaixando-a contra o mármore do balcão e a prendendo lá. 

- Você é engraçada. Ontem você acreditava que eu era rica, multimilionária e que dinheiro não faria falta para mim, já que, na sua cabecinha – ela tocou com o dedo indicador na minha testa – eu roubava dinheiro da empresa. Sinceramente, não vai mudar muita coisa ter ou não você aqui. – Ouch! Essa doeu no estômago. Obrigada por me reduzir a nada, pensei. – E, se você não se sentir à vontade, eu respeito a sua decisão de ir embora. Só peço que se cuide e, pelo menos, passe a noite aqui. 

- Tudo bem, senhorita Mills. – Agradeci, de coração. Eu não seria capaz nunca de retribuir o que ela estava fazendo por mim. Inclusive, não sei se faria o mesmo por alguém. Regina estava se provando uma pessoa extremamente diferente do que parecia ser. – Eu posso tomar um banho? Eu suo quando fico nervosa. – Sorri amarelo. 

- Claro que pode. Venha. 

Regina subiu as escadas comigo em seu encalço e me mostrou o segundo andar da cobertura. Havia um corredor com cinco portas brancas, duas de cada lado e uma no final dele. 

- Temos quatro suítes e um escritório. A porta do final do corredor é o meu quarto, a primeira porta à direita é um escritório que eu quase nunca uso e o restante são quartos para hóspedes. Todos os quartos, com exceção do meu, são iguais. – Ela disse abrindo a segunda porta à direita, que ficava exatamente ao lado da porta do escritório. – Esse aqui é o que eu mais gosto, tem uma vista legal da cidade lá embaixo. 

Não é preciso dizer que o quarto era maior do que o meu kitnet. Nele havia uma cama de casal no meio do quarto,  coberta com lençóis brancos e diversos  travesseiros dispostos sobre ela. Ao lado da cama tinha uma mesa de cabeceira com uma luminária prateada. Um guarda-roupas embutido branco ficava num dos cantos do quarto, oposto exatamente a janelas de vidro enormes que davam visão para a cidade de Seattle lá embaixo. Por fim, havia uma porta que eu julguei ser a do banheiro.  A decoração do quarto era toda em cinza e branco, o que dava um ar extremamente futurista quando contrastado com a cidade.

- Nossa, é enorme. 

- Sim, esse apartamento é gigante. – Ela sorriu para mim. – Ali é o banheiro, tem toalhas nesse guarda-roupas aqui e você pode colocar suas roupas dentro dele. Tem sabonete e shampoo também, dentro do armário do banheiro.  

- Muito obrigada, senhorita Mills. – Agradeci. – Eu nunca terei como lhe agradecer. 

Ela estava encostada na porta, com metade do corpo para dentro e metade para fora. Sorriu para mim com os olhos brilhando e disse: 

- Um dia, quando alguém precisar de ajuda, você dará. Eu me sentirei agradecida. 

E, com essas palavras, minha chefe saiu, me deixando sozinha no quarto de hóspedes da sua enorme cobertura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!


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