História O preço do prazer - Capítulo 22


Escrita por:

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Categorias Naruto
Personagens Neji Hyuuga, TenTen Mitsashi
Tags Nejiten
Visualizações 100
Palavras 3.970
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


GENTEEEEEEEE, O CAPÍTULO DE HOJE TÁQUITÁ! HAHAAHAH
Eu levei um bom tempo pra organizar essa treta toda, e eu espero que vocês apreciam muuuuuuuuuuito!!!

Dica: Se quiserem ler ouvindo a música do título, acho que será bem legal. À partir da terceira parte já pode apertar o play.
Música: James Arthus - Naked
Grande beijo, boa leitura!

Capítulo 22 - Naked


Era metade de semana, quarta-feira de muito trabalho e responsabilidades. Clima nublado com pancadas de chuva, assim havia amanhecido a cidade de Nova York. E meteorologistas afirmavam ficar até o fim do dia. Olhei a janela com visão paradisíaca à minha frente, e só enxergava o céu cinza e as gotas que escorregavam pelo vidro. 

A sala que dividia com Temari estava mais fria que o normal, talvez tivessem diminuído demais o ar condicionado. Nem meu terninho e meu café fumegante pareciam dar conta, ou talvez eu não estivesse me aquecendo do jeito que quero.

Beberiquei mais um pouco do líquido tão quente que fumegava, olhando a tela do meu celular. O touch screen denunciava pouco mais que as dez da manhã. Recado algum. Deixei a xícara sob o pires e levei as mãos as têmporas, massageando-as. Naquela manhã eu fui pro retorno que estava marcado pra mim e minha psicóloga. A que cuidou do meu trauma após o sequestro. Voltar a ver aquela mulher despertou em mim sensações ruins e negativas, e eu percebi que isso acumulou ao fato de eu já me encontrar bastante abalada nos dias que se passaram. Suspiro.

Sob Neji, eu pouco o vi nos dias que se passaram. Ser o CEO de uma empresa requer tempo, atenção e mais tempo. E o meu namorado era um homem de negócios.

Suspiro, outra vez, desviando minha atenção.

"Jornalista e empresário envolvidos em assassinato engatam namoro". Leio mais uma vez o título da matéria tendenciosa. A revista estava dentro da minha bolsa. Minha expressão muda por alguns segundos. Pego-a, olhando mais uma vez a imagem que seguia a notícia. 

Incomodava. Incomodava de alguma forma ver aquela fotografia. A forma como Neji me olha... perturbador. Fazia-me querer ver isso por mais algum tempo, esse olhar abandonado, devoto, esperando por mim... eu vi muito aquele olhar durante o almoço. Se os olhos falassem, eu poderia dizer algo também. Dizer algo que tava preso na minha garganta, me sufocando lentamente. Eu tô com medo. Alcanço meu polegar na sua imagem, desenhando seus traços. Era ruim pensar quais eram as reais intenções dele com isso tudo, mas então eu me dava conta de que quem havia começado com tudo aquilo fora eu mesma. E então ficava pior ainda. Estampo as mãos no rosto. Idiota.

Isso que eu sou no momento.

***

Como era de se esperar de um promissor empresário e CEO de uma grande empresa, Hyuuga Neji morava em um dos melhores bairros de Nova York. Upper East Side é um dos bairros nobre da cidade e condado de Manhattan. Ele morava só, mas acho que esse apartamento é grande demais pra uma pessoa viver sozinha. Tsc, ricos e suas manias de ostentarem. 

Tem uma playlist bem abusada e sensual, somada a dose generosa de vinho que tomo, torna o ambiente bem propício para atos proibidos pra menores.

Com os dois primeiros botões do terno azul aberto e aquela cara de macho bem gostoso que vai te foder a noite inteira, ele se aproxima com as mãos no bolso. Esse homem é tão sedutoramente clichê e sensual.

— Por que escolheu um apartamento como esse? — indago. O lugar era uma mistura de patrimônio histórico e modernidade. O prédio onde era localizado o apartamento, assim como parte do bairro, era antigo. Manhattan foi um dos primeiros distritos, ou melhor, ele é o mais antigo. O primeiro a ser colonizado. E as pessoas pareciam gostar de ostentar essa arquitetura antiga com um toque de pós-moderno.

Eu, sinceramente, acho maravilhoso. Se não fosse assim, não seria Nova York. 

— Porque eu queria gastar dinheiro. — ele parou do outro lado da banca de mármore onde eu estava sentada, com as mãos espalmadas sob o mesmo. Ostentando seu rolex prata. — Ficar um pouco mais pobre. 

Solvi um gole do vinho suave, que por sinal era meu preferido, e ergui mais olhos pra ele. Ainda com a taça na boca. Sorrio.

— Você compra a cidade inteira antes disso acontecer. — digo, sugestiva. Ele ergue uma sobrancelha, colocando as mãos no bolso da calça social outra vez. Os movimentos de Neji eram tão sexy's, como se tudo nele indicasse sexo. Cheirasse a sexo. Sua expressão, seus atos, até mesmo aquela cara de puta provocativa que ele lançava pra mim no momento.

— Vou encarar isso como um elogio. — diz-me, e bebo o resto do vinho, deixando a taça vazia de lado. Ela tinha uma marca de batom vermelho. 

Giro o corpo apoiando as mãos na cadeira jogando a cabeça pra trás, o assento é tão alto que meus pés não alcançam o chão, então os apoio no próprio ferro gélido do móvel. É noite e meio de semana. Quarta-feira pra ser mais exata. Tá frio lá fora, chovendo. E a chuva se choca com força contra as janelas do apartamento. Chuva de vento. 

— Você lembrou a minha preferência de vinhos. — comento, ainda com a cabeça jogada pra trás, sem contar as costas na bancada. 

Estar sentada naquele banco sem tocar os pés no chão me dava uma sensação de altura, meu corpo está um pouco mole, ou quem estou sou eu. Talvez meu cérebro esteja brincando com a quantidade relativamente pouca de álcool que tomei, mas o suficiente pra me alegrar de certo modo. O timbre e a batida lenta, suave e erótica da música que ressonava no ambiente também me fazia relaxar.

Como eu disse, tudo em Neji cheirava a sexo. Até o apartamento dele. 

Ele faz a volta na banca e para ao meu lado, bem próximo a mim. Sinto sua respiração pesada e o cheiro masculino de seu perfume caro. Sinto meu peito acelerar com a adrenalina. Minha resposta pra ele é essa, sentir. 

Sua mão grande e possessiva segura meu queixo, enquanto ainda estou com a cabeça pra trás. E sua respiração bate pesada em minha nuca, sua voz ressona no meu ouvido, como um mantra.

— Eu sei tudo sobre você. — de olhos fechados, me sinto arrepiar com a intensidade e a tensão sexual existente aqui. 

O tecido leve do vestido sarrando na minha pele sempre que eu realizava qualquer movimento com as pernas, como pressioná-las deliciosamente assim que o meu clitóris piscou. Como se eu quisesse manter o prazer ali.

Mas ele era passageiro, se não viesse de Neji.

Tem um aperto na minha cintura vinda de sua outra mão. Com força, pra ele. Como se me reivindicasse. Ainda afundando o rosto na minha nuca.

— Tenten... — ouço-o murmurar, rouco, como um anseio. 

Seguro a barra superior do terno do homem e com um meio sorriso nos lábios, puxo-o pra mim, sem pressa. Neji observa meu ato e obedientemente faz o pequeno percurso até o meio das minhas pernas. Como se realmente o tivesse sob controle. Sorrindo, mordo o lábio inferior, ele também sorria. Daquele jeito inescrupuloso e vadio que eu amava, e como amava. 

Uma troca de olhares a gente conversava uma foda inteira. 

Você é o meu tipo preferido de noite, dizíamos. Sem dizer nada. O som musical tornava o ambiente cada vez mais vulgar. 

Em termos biológicos, a boca de Neji era suave e molhada. A carne dos lábios dele eram macias, irresistível pra morder. Agora, em termos sexuais, ela era ávida e muito mandona. Sempre subjugando a minha. E eu amava isso.

Amava o fato de sua língua sempre parecer estar um passo à frente da minha, ou de como ela enroscava na minha como uma cobra predando o próximo jantar. Eu adorava quando os dentes dele roçavam na extensão dos meus lábios durante o fim de um beijo pro início de outro. Ou quando nossos incisivo frontal batiam com o nosso ato deliberado.

A cara que ele fazia quando ficava excitado com o nosso beijo. Os olhos brancos líquidos, como um metal branco derretido.

— Brunello di Montalcino. — sibila. — Trinta e cinco anos na garrafa, fora o tempo do envelhecimento... da uva Sangiovese. — ele alcança uma taça de vinho atrás de mim, e sem desviar o olhar, bebe. — Muito famoso na Itália.

Degustando da visão de vê-lo degustar do vinho. Com a saliência da cartilagem em seu pescoço subindo e descendo lentamente.

— Se tornou o meu favorito. — digo, com a voz fraca.

Eu já havia desistido de resistir a ele há muito tempo.

— E você sabe qual é o meu!? — indaga. Minha cabeça se move de um lado pro outro em negativa.

Ele se aproxima com uma cara muito pervertida pro meu gosto. Sinto o corpo arrepiar e uma outra onda de prazer atravessar minha espinha. O pau dele roçava no interior da minha coxa. 

Sussurra algo em meu ouvido em meio ao meu êxtase. Riu de sua resposta. Ele ri também, filho da puta.

Pega mais a taça com um resto de vinho e bebe, ou finge fazê-lo. Vem beijar-me com o suco de uva alcoólico escorrendo pelos cantos da boca, misturando o gosto, boca e saliva. Gotas pingam em meus seios e vestido, e também escorregam pelo meu pescoço. Lambuzando-me. Com os braços envoltos em seus ombros e pescoço, pega-me no colo como eu fosse uma boneca. E eu me acoplo nele como uma parasita, rindo.

Imbecil, só me segurava com uma mão e eu sentia que ia cair. Obrigando-me a me agarrar mais nele, com as pernas ao redor de seus quadris. Segurando-me de lado como se eu fosse um bebê.

Bêbada, excitada ou animada por conta do vinho, não sei, só fazia rir. Rindo da minha precária situação, e da forma idiota que ele me tratava. Ele alcança a garrafa de vinho com a mão livre e me leva pro quarto.

***

Desperto, o quarto está um breu. Totalmente satisfeita e extasiada. Só de calcinha. Talvez ainda seja madrugada. O relógio digital marcava 04:07hrs da manhã. O cômodo está frio e eu estou sozinha. Está silencioso também, o que indica que a chuva cessou. 

Intenção de procurar meu vestido, mas me vem a memória que o maldito Hyuuga o sujou de vinho. Sorte que é preto, ou faria ele me dar outro. Não que isso fosse problema pra esse riquinho filho da puta, tsc. Então pego o terno azul que ele estava usando, frio e cheirosinho. Hm. Eu vestiria a blusa branca social e listrada, e imitaria aqueles filmes românticos sensuais e clichês, mas ela também tá suja. Só não sei ao certo de quê. 

Acho que essa quem sujou fui eu. Rio com a memória embaralhada do momento.

O apartamento de Neji tinha sala e cozinha próximos, divididos pela banca de mármore preto. Como uma cozinha americana projetada. E dois corredores distintos. Um dava pro quarto e era por onde eu passava no momento, e o outro dava no escritório dele.

A sala estava vazia, e na cozinha só uma das luminárias acessas, mas nem sinal dele. 

Puxo as mangas do terno, adequando-as à mim, enquanto meus olhos vagueiam pelo ambiente. São quatro da manhã, Neji não tinha saído e me deixado sozinha. Ele não tá louco. Vou de encontro ao único lugar plausível que ele possa estar, o escritório. 

O corredor está escuro, iluminado só no início com uma luz fraca. Bem fraca. Ao fim do corredor havia outra janela, e antes dela do lado direito, uma grande porta de madeira preta, que estava entreaberta. Havia luz lá dentro, denunciando a presença de alguém.

O silêncio só é quebrado pelo som insistente de um teclado mecânico. Indicando que ele estava usando um computador.

— Eu sei que está aí, Tenten... — ouço seu timbre forte, e olho pra madeira marrom da porta com a boca aberta como se a mesma houvesse me ofendido. E com a mesma expressão perplexa, empurro-a, apenas o suficiente para colocar o rosto. Fitando Neji que ergueu os olhos pra mim e sorriu da minha cara de bunda. Que porra é essa, tem câmera nesse caralho?! tsc. — Eu vi sua sombra. — reviro os olhos, resmungando. 

Entro de uma vez, já fui descoberta mesmo. Ele voltou a digitar no seu MacBook. 

— Já pensou que poderia não ser eu!? — indago, cruzando os braços. Ele para pôr um segundo, erguendo os olhos brancos sem expressão naquela cara bonita. — Poderia ser uma de suas clientes. — alfineto, enquanto ele voltava a digitar. Me ignorando.

Notava que ele tinha certeza habilidade nisso, o que indicava que deveria ter feito algum curso de computação. 

De pé, sem blusa e com toda aquele muro de músculos. A claridade da tela do aparelho iluminava aquele corpo gostoso. Ele parecia bem empenhado no que fazia, e tinha tanta maestria para tal, que mesmo desviando os olhos para me ver chegar mais perto, seus dedos não paravam. 

Então parou, clicou e fechou. 

— Não trago trabalho pra casa. — ele veio até a frente da mesa e sentou na ponta. Sorriu. Eu parei minha caminhada e o meu próprio morreu, me dando uma expressão azeda. — Brincadeirinha... — disse, rindo de canto. — Ficou com ciúme? 

"Hmhumhm", murmuro. Com a cara mais entojada que eu poderia colocar. Semicerrando os olhos. 

— De se esperar de uma prostituta. — digo, ainda sem humor. 

— Você não tava reclamando quando estava se aproveitando. — reviro os olhos. Decido devolver a brincadeira chata que estava entalada em minha garganta:

— É... Já que é tão bom assim, vou fazer programa também. 

Eu nem terminei a frase, Neji levantou a cabeça com uma expressão sombria que beirava o assustador. Eu só o vi com essa cara duas vezes. Duas exatas vezes. E uma delas foi durante o sequestro. 

Um frio atravessa minha espinha, fazendo-me me arrepender das palavras. Embora não tenha dito nada.

— Não fala isso nem brincando. — não era um aviso, nem um pedido. Era uma ordem. 

Fecho os olhos, suspirando. Apertando os punhos com força. Sentindo um aperto no peito. Algo que eu já tinha ignorando há algum tempo, antes mesmo desse namoro bagunçado. E sinceramente, eu não sei ao certo quando tudo isso começou. 

Aqueles olhos... era como se eu fosse a fonte dos seus problemas, e a solução de todos eles. Era isso que eu via nos olhos líquidos sempre que ele olhava pra mim. Sua preocupação excessiva, seu cuidado e as frases que faziam tudo ter um pouco mais de sentido. Eu ignorava isso por pura descrença, ignorando o que eu mesma queria. Fingindo que não importava.

E chega uma hora que o silêncio disso grita tão alto que me deixa louca.

— Eu quero te ajudar, Neji. Mas não sei como... — digo, compassível.

Tentando chegar ao fundo daquela situação. Eu estava cansada. Cansada de jogos, brincadeiras e segredos. Tudo demais é veneno, mata.

E isso tava me matando, pouco a pouco

— O que você faria por mim? — o que? Indaga. A pergunta me pega de surpresa, confesso. Pisco.

— O que!? — pronuncio a única coisa que conseguia pensar. Olhando-o, confusa.

— Eu faria qualquer coisa por você. — qualquer coisa, por mim? — Eu faria qualquer coisa por você, Tenten. Eu mataria por você. Mataria de novo.  Eu mataria qualquer um que tentasse machucar você de alguma forma... — sua frase morreu, olhando pra mim. Talvez assustado com a minha expressão perplexa, apavorada... eu não sei. — Mas eu não quero que você precise fazer algo assim por mim... — ele baixa a cabeça negando, sua voz falha. Assim como parecia respirar com dificuldade.

Oh meu Deus, Neji parecia arrasado.

Abracei-o. Sinto seus braços me rodearem. Com força. Sinto sua cabeça repousar no vão do meu pescoço. E era como se ele precisasse disso. Em atos, não palavras, ele parecia segurar o mundo todinho nos braços. Eu. Isso me quebrou um pouquinho mais. E eu via a máscara da indiferença que eu criei ruir lentamente. Por fingir que eu não me importava com ele. Eu me importo, até demais. Não foi fingimento... em momento algum. Não foi.

Eu não aguento mais isso, e eu tô com medo. Tô com medo que ele se canse, com medo de que só eu esteja envolvida demais, com medo que ele não se importe mais, com medo de perder a coisa que eu fingi durante todo esse tempo não ter... meus sentimentos por ele. E foi depois de ver aquela foto, aquela maldita foto da revista. Que eu percebi que estava me afogando em areia movediça, e que toda vez que eu dizia não, era eu lutando um pouco mais e afundando lentamente. Eu me ferrei. Pra caralho.

Neji, eu tô com medo. Eu também sou humana, tá.

Fecho os olhos, sentindo-o me apertar. Percebi que eu queria ficar ali, sentindo o cheirinho de resto de perfume pós-sexo da nuca dele. Ou vendo como nossos peitos pareciam ficar mais perto quando a gente respirava ao mesmo tempo, subindo até se tocarem um pouco mais e se afastando depois. 

Eu percebi que não queria sair dali. Percebi que meu namoro não era de fachada. Eu realmente gostava de Neji. De um jeito tosco, errado e totalmente insano, mas gosto. Ah, que droga, eu tô fodida pra caralho.

E me importava demais com ele, como alguém necessário pra mim. Ele só ficou segurando a minha cintura. Olhando nos meus olhos com a testa colada na minha.

Olhei-o por alguns segundos... uma pessoa normal, sem máscaras. Os olhos que pareciam tão tristes tentando alcançar os meus.

Neji, o que eu fui fazer comigo!?

— Ajuda. Eu me importo com você mais do que qualquer um. — declara, fazendo-me sentir viva outra vez.

Eu também, também aprendi a te colocar como prioridade. Confesso pra mim mesma. Porquê... eu acabei me apaixonando por esse filho da puta.

***

Quando você conhece a existência dos sentimentos de alguém, você tende a ignorá-los.

Contra a cabeceira da cama, estou com os pés na parede deitada com o tronco no colchão. É obvio que eu não dormi mais, os nuances de humor constante pelos quais estou passando estão acabando comigo. Eu estou bem, e então não estou mais. Culpa dele. Como uma bolha de sabão.

É fácil, não é, Tenten!? É fácil fingir que você não estava se apaixonando. Era só ter certeza de que ele estaria ali por você. Só ser egoísta. Foi tão fácil, tão fácil fingir. Eu teci uma teia e acabei me enroscando nela. Eu acho que, eu já tinha me dado conta disso desde aquele dia. O sequestro. E me impedi a aceitar isso porque na balança quem tinha mais propensão a se foder era eu. E acabou que nós dois estamos um pouco fodidos. Eu tô andando numa passarela de cacos de vidros com os pés descalços, me ferrando um pouco mais sempre que insistia em dar outro passo. Isso é um tipo de sentimento estranho, doentio. E é exatamente o que descreve a gente.

Sinceramente, não sei como encarar Neji depois de hoje mais cedo. Saber que eu tinha necessidade dele era uma coisa, mas saber que eu tinha necessidade além do sexual... eu tô me sentindo terrível. Tô com medo.  

Mas esse medo não transpassa em meus olhos, eu posso continuar fingindo. Alguém que eu não sou, que eu não quero que mais ninguém veja.

Levo as mãos ao rosto, me dando conta do quão idiota eu sou. Passando por algo que eu mesma criei, e acabei arrastando ele junto comigo. Coitado. Eu gostaria de saber onde estava a mulher decidida que eu costumava ser. Bem, ela ainda está lá. Está lá pra que ninguém perceba.

Eu vejo o sol nascer lentamente pela janela do quarto, de cabeça pra baixo. O movimento repetitivo do meu pé nervoso contra o gesso frio. Já são quase seis da manhã. Ele não voltou pra dormir comigo, disse que teria que viajar cedo e antes precisava enviar um e-mail pra um dos investidores. Viajar, de novo.

Tudo bem, eu entendia.

Conseguia entender que a vida de um CEO é desse jeito. Hinata está noiva, ela sem dúvidas está dando mais atenção aos trâmites do casamento. A empresa então caía nas costas dele.

Dizem que ficar alguns instantes à sós consigo mesmo é bom, te faz refletir. Mas estou há mais de uma hora aqui, e nada. Estou quebrando outra vez, e tudo culpa de um cara. Um cara que era pra ser só uma linha cruzada na vida, pra ser só uma vez, só uma noite. Mas em algum momento a gente se enroscou demais nisso, e olha pra gente, estamos fodidos. Fecho os olhos, suspiro. A chuva realmente cessou, talvez hoje haja sol. Tomara.

Olho o relógio digital outra vez, reclamando comigo. Você irá se atrasar, ele diz. Sento na cama, levo uma mão a cabeça. Sorrio. Conversando com móveis? Talvez eu esteja ficando louca

Complicado. Complicadíssimo. 

Neji, Neji... eu não posso perder a minha paz por sua causa.

Ele pediu que eu não me preocupasse, que estava tudo bem. Tudo bem, se está tudo bem, então está tudo bem. Eu tento me convencer disso. Deve ser normal sua insônia; Deve ser normal essa dupla identidade que ele tem; Deve ser normal uma pessoa ter tanto problema em se expressar, ou pedir ajuda; Deve ser normal a fragilidade que eu vejo em seus olhos; Deve ser normal a forma como ele age comigo, como se eu precisasse de proteção. É normal, não é!? Mentira.

Ele está vulnerável, tão vulnerável que eu quase conseguia tocar essa angustia dele. Desperto dos meus devaneios outra vez. O relógio me grita, já são 06:45hrs. 

Tenten de verdade, fica aí na cama... ou bem escondidinha dentro de mim. Eu agora preciso daquela outra. Digo pra mim mesma.

Eu me arrumei dentro do tempo, mas ainda estava atrasada. Horário de pico, Nova York estaria um caos. Sem tempo pra mastigar, lá tomaria um café forte. Talvez isso me mantivesse de pé o resto do dia em cima desse salto. Vou até o escritório.

Estou fodida também, Neji. Mas se puder fazer algo pra ajudar você, eu farei. E não me pergunte do que sou capaz, porque nem eu mesma sei.

Tudo bem, vamos tentar de novo.

— Foi você quem o matou. — dizia a voz. Travo. Uma voz alta o suficiente pra quebrar o silêncio do ambiente. Eu conhecia a voz, era familiar. Mas não era Neji.

Eu me vejo congelar da cabeça aos pés encarando aquela peça fria de madeira à minha frente. Não era Neji, não era Neji quem falava. Era outra pessoa, um homem. Alguém que eu não conseguia me recordar onde. 

— Ele tentou me matar, e ameaçou a minha mulher. — essa eu reconheceria, em qualquer lugar do mundo. Era ele, meu homem, e ele estava alterado. Eles pareciam estar discutindo.

O ódio, a fúria que eu senti no timbre dele. Eu conseguia vê-lo como no dia que tudo aconteceu.

Um frio percorreu minha espinha. Por um segundo, todo o pavor que eu senti naquele dia voltou me golpeando como uma pancada forte de um onda. Ele estava falando do sequestro, sem dúvida. Olho pra baixo, notando que minhas pernas não se moviam, como se eu estivesse tendo alguma crise de pânico. Apavorada. Vejo minhas mãos também tremiam. Eu só conseguia pensar em uma coisa: Alguém sabia da verdade sobre a morte de Kiba.

Quem está aí!? Respiro fundo, entoando um mantra em minha cabeça, colocando em prática os exercícios que fiz com minha psicóloga, mas minhas mãos não paravam de tremer.

— Foda-se, a responsabilidade é sua! Resolve essa merda aí!! — a porta se abriu, e eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Ou melhor, quem.

Uzumaki Naruto, o noivo da Hinata.

Seus olhos azuis estavam dilatados, e sua expressão era pura fúria também. Ele chegava a bufar. Seus olhos miravam os meus, mas eu fui incapaz de mexer. Então passou por mim, e saiu. Quando a muralha de homem loiro saiu da minha frente, eu vi o meu homem lá. Ele estava parado atrás da mesa com as mãos na cintura, visivelmente alterado também. Encarando-me.

Num nuance seus olhos passaram de fúria à pavor, vendo-me parada ali. Fechou os olhos e respirou fundo, perturbado, balançando a cabeça de um lado pro outro.


Notas Finais


VOCÊS ACHARAM QUE O CAPÍTULO IA SER SÓ ISSO? SÓ SAD? HAHAHHAHAHAHA EU SOU DE ÁRIES MEU AMOR, RAINHA DAS TRETA!!!!

mano, real kkkkkkkkkk eu fico tentando esclarecer as coisas pra vocês, mas acho que só acabo complicando ainda mais... isso é algo que eu não consigo mudar. EU ADOREI REVISAR ESSE! por incrível que pareça, não foi um saco. Ficou curtinho, mas ficou no ponto.

Eu tenho uma perguntinha: e aí, vocês montam alguma teoria? kkkkkkk os próximos vão pegar fogo também, então espero voltar o mais rápido possível..
nossa eu tô muito feliz, real.
Por favor, não deixem de comentar, qualquer coisa é deveras importante pra mim, ok? até uma crítica construtiva, a gente melhora ♥

ps: abram alas pro meu novo capítulo favorito!!!

Enfim, é isso. Encontro vocês nos comentário e no próximo :*


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