1. Spirit Fanfics >
  2. O Preço dos Olhos >
  3. Mãos que Tocam, Florescem

História O Preço dos Olhos - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


OLAR, MINHAS FLORES DA LUA
Um aviso: o próximo capítulo provavelmente vem apenas na terça-feira, ok? Pois nesse fds eu estou com muitas coisas pra fazer... Mas assim que possível, óbvio que vou aparecer aqui (a obsessão é muita, haha <3)
Espero que gostem! Mais coisas se revelando por aí, hehe.
Boa leitura!

Capítulo 14 - Mãos que Tocam, Florescem


Durante todo o tempo que Hinata ficou desacordada, Sasuke permaneceu bem ali. Normalmente, suas ações teriam sido mais úteis; teria patrulhado o quarteirão como um shinobi faria, ou talvez juntado coragem suficiente para visitar Himawari no hospital, mas não conseguia. Seu corpo parecia ter sido colado no chão, ao lado do sofá onde Hinata repousava. Resumido à insignificância da sua impotência, observava ela de perto, percebendo como o fluxo de chakra no corpo de Hinata, de fato, havia mudado.

Ainda não sabia o que a tinha deixado tão abalada na visita a Orochimaru, mas tinha um mau pressentimento. O pior de todos; algo dentro de si o levava a pensar que Hinata talvez estivesse daquele jeito... Por sua culpa. Lembrava-se das suas próprias palavras, proferidas há não muito tempo.

 

Eu destruo tudo o que toco.

 

E agora fechava os olhos, perguntando-se. Perguntando-se se não teria sido melhor deixar que Hinata seguisse a vida dela, ainda que infeliz com o casamento. Afinal, mesmo com a tristeza envolvida, pelo menos antes ela estava segura.

- Sa... su... ke... - a voz delicada sussurrou, Sasuke quase dando um pulo e se reclinando agora totalmente no sofá para vê-la.

- Como você está? - perguntou em um tom desesperado. - O que está sentindo?

Hinata acabava de abrir os olhos. Virava a cabeça lentamente em direção ao Uchiha para vê-lo, estendendo também uma mão para tocá-lo sutilmente no rosto. Bastava fazer o movimento para que seus olhos perolados se enchessem de lágrimas.

Lembrava-se que boa parte da felicidade de Sasuke estava em suas mãos. Se optasse por desenvolver o Tenseigan, Hinata poderia devolver a ele todas as pessoas amadas a quem tinha perdido.

- Ele... Ele descobriu o que tenho - ela balbuciou, referindo-se ao encontro com Orochimaru.

O Uchiha engoliu em seco, mas assentiu com a cabeça. O medo da resposta era menor do que o desespero por tê-la.

- Sasuke... Sasuke-kun... - sussurrava, sentindo-se tão fraca. Mas não podia recuar. Olhava-o fixamente nos olhos, mesmo que os seus estivessem embebidos em lágrimas. - Ele disse... Que meus olhos podem ser um milagre. Ele disse... Que talvez eu possa desenvolver... O que chamou de Tenseigan - e tão logo citou aquele nome, os olhos de Sasuke se arregalaram. - Com esse dojutsu... É possível ressuscitar pessoas que já se foram - Hinata agora derramava lágrimas, mas não eram de felicidade. Ainda assim, portava um sorriso fraco no rosto, porque a notícia era boa, certo? Para Sasuke, aquela deveria ser a melhor notícia do mundo...

Ele recuou um pouco o rosto, atordoado. Seus olhos se perderam no chão. Apoiou o cotovelo sobre joelho e repousou a cabeça nas mãos, mas não estava apenas refletindo. Parecia atordoado. Tremia. Os dedos se fechavam nos próprios cabelos pretos que ocultavam o rosto e ele meneava a cabeça negativamente.

- N-Não pode... Não pode ser...

- Orochimaru disse... Que o contato com o seu Rinnegan... Me fez ter a chance de desenvolver esse poder...

Sasuke ergueu o rosto para ela, e o seu olhar estava tão pesado, que Hinata se sentiu retesando. Lágrimas também estavam pregadas ao canto das pálpebras dele, mas o olhar era de pura desconfiança.

- O que você está... O que está dando em troca? - perguntou em um sussurro.

A Hyuuga arregalou os olhos em sua direção e então os desviou novamente. Com muita, muita dificuldade, se sentou vagarosamente no sofá em que antes estivera deitada. Suas mãos transpiravam pela notícia que teria que dar; não conseguia acreditar que tão rapidamente Sasuke já tinha percebido que teriam que oferecer algo em troca.

- Orochimaru disse... Que já não haveria chances para ele... - ela murmurou, colocando as mãos sobre o ventre.

Sasuke agora já sentia o coração na garganta, porque não era possível que estivesse recebendo uma notícia como aquela... Simplesmente não era possível...

Alternava a visão entre o rosto da Hyuuga e o ventre sobre o qual ela agora repousava suas mãos, mas não era possível que fosse aquilo...

Simplesmente não era possível...

- Hinata...

- Orochimaru disse que ele já não poderia sobreviver... - ela sussurrava, mas agora os olhos estavam sobre o chão. Estava com medo de encará-lo, porque nunca na vida tinha visto Sasuke portar uma expressão tão incrédula. E se ele... Saísse do controle? - Por favor, Sasuke, não fique triste... Mas...

- Você está... V-Você está...

- Grávida.

Um silêncio perpassou a sala, durante o qual o Uchiha prendeu a respiração e manteve os olhos arregalados em sua direção, procurando outra resposta no rosto delicado... Mas a resposta já tinha sido dada.. Com medo da reação que viria, Hinata ergueu timidamente o olhar para vê-lo, os punhos agora fechados em si mesmos.

De súbito, ele se movimentou, aproximando-se; Hinata abaixou a cabeça imediatamente, o medo acelerando seu coração... Mas o que Sasuke fez foi abraçá-la.

Não, ele não apenas a abraçou. Sasuke estava literalmente tremendo nos seus braços, e demorou até Hinata entender o que estava se passando ali. Sasuke chorava. Os soluços estavam tão fortes, que faziam tremer o corpo da mulher também.

Nem tudo o que fazia... Nem tudo o que fazia era destruir as coisas ao redor. Ainda existiam coisas boas que Sasuke era capaz de criar. Ainda existiam coisas que suas mãos tocavam e que floresciam, mesmo que as circunstâncias não fossem as melhores possíveis.

Hinata não sabia o que fazer. Sentia-o tremendo - logo Sasuke, a quem nunca vira demonstrar os sentimentos daquela maneira - e sentia o seu rosto se aquecendo como nunca. Estava envergonhada, mas preocupada também. O choro dele não parecia ser de tristeza pela notícia de que não poderia ter um filho, mas apenas de genuína felicidade. Era possível que estivesse chorando pela possibilidade do Tenseigan? Mas nesse caso, por que recebera a notícia do dojutsu com tanta desconfiança, e aquela recebia por entre as lágrimas...?

- Sasuke... - sussurrava, apertando-o nos braços.

De súbito, ele pareceu perceber o que fazia. Limpou as lágrimas com o dorso das mãos e se afastou, voltando à posição de joelhos no chão. Olhou para o lado oposto e abaixou a cabeça, permitindo que o cabelo escuro encobrisse a face.

- Desculpe - murmurou. - Eu não sei o que me deu...

- Eu... Eu nunca tinha visto você fazer isso - ela abriu um sorriso bondoso em sua direção, o qual Sasuke observou apenas com o canto dos olhos, mantendo a cabeça baixa.

- Hinata, a decisão é sua para ser feita.

- Decisão? Do que você está falando?

Oras, não havia decisão. Hinata desejava acima de qualquer coisa não matar nenhum ser vivo. A simples ideia de arrancar um filho do próprio ventre estava deixando-a enjoada. Enfraquecida. Mas se nem sequer havia chances dele sobreviver... Se nem ele e nem ela poderiam aguentar por mais de uma semana, enquanto que se seguisse a sugestão de Orochimaru, poderia ainda reviver a família tão amada do Uchiha...

- Orochimaru mentiu - ele murmurou, quase ríspido, ainda sem olhá-la. Hinata prendeu a respiração ao receber aquela informação, mas Sasuke apenas continuou a falar, como se acelerar o próprio discurso fosse mais fácil do que explicar os detalhes. - Ele faria qualquer coisa para aumentar o centro de pesquisa e desenvolver o Tenseigan.

- Como você... Como pode ter certeza disso? - ela rebateu, exasperada.

O Uchiha voltou a olhá-la. Agora, ambos os olhos escarlate e espiralado estavam sobre ela, encarando-a com muita seriedade. Havia lágrimas presas às pálpebras, mas Sasuke agia como se nem sequer fossem suas.

- Eu tenho certeza porque todos os dojutsus de sangue envolvem um sacrifício, Hinata. Um sacrifício voluntário.

- V-Voluntário?

- O Tenseigan está se mostrando a você na gravidez por isso. Para te obrigar a escolher - abaixou o olhar para completar. - Eu tenho certeza... Porque já desenvolvi dojutsus como esse ao longo da vida...

- Mas se o sacrifício tem que ser voluntário, isso quer dizer...

... que o bebê não corre risco de vida.

A frase bateu na mente de Hinata como uma bala. Agora, havia de fato uma escolha para ser feita. O bebê no seu ventre tinha chances de sobreviver... Desde que abrisse mão do poder de ressuscitar os mortos. Hinata estava grávida de uma criança viva... E essa criança viva era fruto de uma noite de amor com o homem que estava à sua frente.

Agora, tudo fazia muito mais sentido; desde o dojutsu de sangue requerer um sacrifício voluntário, até Orochimaru querer prendê-la no laboratório há algumas horas... Até as lágrimas de felicidade derramadas pelos olhos do Uchiha.

Por mais que as lágrimas também estivesse nos olhos de Hinata, havia um sorriso trêmulo se formando no seu rosto. Estava grávida de uma criança viva... Viva! Mas...

O sorriso sumiu do seu rosto, sendo substituído por uma expressão de terror. Direcionou o olhar cheio de medo a Sasuke. E se a reação de felicidade dele ainda fosse por conta do Tenseigan? E se ele optasse pelo dojutsu? E se pedisse para que Hinata tirasse a pequena criança, o que faria? Teria forças suficientes para sustentar seu próprio ponto de vista? Teria forças para lutar pelo filho que estava no seu ventre? E ao mesmo tempo... Quão egoísta aquilo seria da sua parte?

Instintivamente, voltou as mãos à própria barriga, como se quisesse protegê-la. Mordiscava os próprios lábios, com medo do que ele diria agora. Mas o que ele sussurrou com o rosto ainda baixo foi:

- Por favor, não cometa o mesmo erro que eu. Não pense, Hinata... Que uma vida vale mais do que outra... Não pense que esses olhos... Valem o peso que você vai ter que carregar... - ergueu o rosto para finalmente olhá-la diretamente. - Talvez... O seu corpo ainda fique enfraquecido... Pela quantidade de chakra que terá que lidar, mas nós... Nós podemos encontrar uma saída...

- Sasuke...

- Eu teria feito de tudo para voltar no tempo e ter conseguido proteger Sarada - desceu o olhar para o ventre dela, as mãos trêmulas se aproximando até tocá-lo. - E agora... Eu quero fazer de tudo para conseguir proteger isso.

- E-Essa é... A sua... Decisão?

Sasuke assentiu com a cabeça.

- É a sua? - sussurrou de volta.

As lágrimas se multiplicaram nos olhos perolados e agora sim, agora sim eram lágrimas de genuína felicidade. O rosto se contraiu em uma expressão de choro e Hinata nada disse; apenas se jogou com toda a força que lhe restava nos braços daquele homem, o grunhido de surpresa deixando os lábios de Sasuke quando as suas costas bateram no chão com o estrondo.

 

-x-

 

Naruto, sentado à cadeira ao lado da maca da pequena Himawari, tirava um cochilo com a cabeça pendendo para frente. Vinha tendo noites tão ruins de sono, que não era de se admirar que dormia quase em qualquer lugar; Boruto passara alguns minutos ao lado da irmã também, mas acabava de se levantar para buscar algo na máquina de refrigerantes que, tinha ouvido falar, ficava no último andar do hospital.

Agora, pai e filha dormiam lado a lado; Himawari deitada na maca, Naruto com a cabeça pendurada para frente... Até que enfim a pequena despertou e se movimentou sobre o colchão, lançando um olhar para o lado. Piscou os olhos desacreditados, porque não era possível...

Naruto realmente estava ali, adormecido ao seu lado? Sendo que nem mesmo era um dia de folga? As mãozinhas vieram ao seu encontro, a pequena tocando o pulso do pai adormecido para se certificar de que não era apenas um Clone das Sombras.

- O... Otousan?

Um último ronco antecedeu o despertar do Hokage. Ele rapidamente esfregou os olhos exaustos e direcionou a ela um sorriso.

- Ah! Himawari!

- Você... Você veio me visitar? - sentou-se sobre a maca, o rosto já rosado pela vergonha da demonstração de carinho do pai. Era tão raro vê-lo... E ela ainda dava trabalho de forma que Naruto tinha que vir visitá-la no hospital...

- É! - Naruto alargou o sorriso, lançando a ela um pequeno jóia. Em seguida, posicionou uma mão sobre sua testa como se quisesse verificar a febre. - Como você está?

- Eu... Estou bem! - a pequena exclamou, segurando fortemente a roupa de cama. Sentia seu rosto pegando fogo pegando pela vergonha, porque aquilo era tão raro!

- O que aconteceu com você, Himawari? - emendou imediatamente, em um tom muito sério. A pequena voltou sua atenção a ele e viu como Naruto lhe direcionava agora os grandes olhos azuis muito preocupados.

- Bem... Eu comecei a me sentir fraca do nada, como se... Como se toda a minha energia estivesse sendo sugada...

Naruto estreitou o olhar em sua direção, desconfiado, enquanto ela prosseguia:

- ... Sasuke-san estava em casa e me segurou... E me trouxe para cá...

- Sasuke?

Himawari assentiu com a cabeça, mas agora sua expressão era de tristeza. Ela parecia pensar em algo que a estava entristecendo.

- Tem alguma coisa a mais? - Naruto perguntou.

- Mamãe... - ela sussurrou, com os olhos preocupados perdidos em algum ponto da parede. - Mamãe estava encolhida em um canto... - o Hokage então se aproximou um pouco da garota, apoiando-se agora na maca para tentar ouvi-la melhor. - Estava me olhando com tanto medo... Pedindo para que Sasuke-san me levasse embora, como se... Como se ela que estivesse me deixando doente...

Os olhos grandes se voltaram em sua direção, e Naruto sentiu o peso da tristeza dela sobre seus ombros.

- Otousan... Eu acho que ela também está com problemas...

Naruto engoliu em seco, mas não podia passar a ela ainda mais ansiedade do que já estava.

- E-Ei - chamou, abrindo um novo sorriso para tranquilizá-la. - Não pense nisso, Hima-chan! Seja o que for, tenho certeza de que vamos resolver.

Os grandes olhos dela então se iluminaram, um pequeno sorriso adornando os lábios.

- Você... Você acha mesmo?

- É claro! - Naruto manteve o sorriso amarelo, levando as mãos para trás da cabeça, um pouco sem-jeito. - Não se preocupe com isso, está bem?

- Otousan! - Himawari finalmente ganhou coragem suficiente para se erguer um pouco da cama e abraçá-lo. Os enfermeiros ao redor, que não estavam exatamente na seção dela, mas transitavam pelo hospital, voltaram os olhares carinhosos àquela cena; o Hokage tinha família afinal.

- Hima... - Naruto riu um pouco sem-graça, atento aos olhares ao redor.

Himawari não se importava. Continuava abraçando-o calorosamente, os olhos fechados enquanto demonstrava seu carinho ao pai; mesmo sentindo os olhares ao redor, ela insistiu. E por fim, venceu; vagarosamente, Naruto parou de se importar com o que acontecia ao lado. Correspondeu ao abraço da melhor forma que pôde, permitindo-se até mesmo fechar os olhos para sentir os bracinhos em torno de seu pescoço. Agora que conseguia compreender e admitir para si mesmo, percebia que sentira tanta falta daquilo.

- Ei, ei! - a voz de Boruto chamou em um tom brincalhão atrás, e o rosto de Himawari se iluminou ainda mais ao ouvi-la.

- Nii-san! - gritou em bom humor, ao que Boruto imediatamente largou o refrigerante no chão e caminhou para vir abraçá-la.

Naruto abriu espaço para que os irmãos agora se cumprimentassem, Himawari abraçando o adolescente enquanto Boruto fingia reclamar, mas dava alguns tapinhas amigáveis sobre a cabeça dela depois de deixar escapar uma risada.

A cena aquecia o coração de Naruto. Por quanto tempo o posto de Hokage o tinha impedido de ver o crescimento dos próprios filhos? A maneira como se davam tão bem... Mas algo chamou a sua atenção.

Naruto sentiu a presença... De um chakra. Um chakra extremamente familiar. Era denso; pesado. A luz que o envolvia era de um tom roxo escuro. O poder que o circundava teria feito os pêlos de qualquer shinobi se arrepiarem, mas para Naruto... Para Naruto, reverberou apenas em uma pontada de tristeza.

- Otousan! Onde você vai? - Himawari perguntou.

Naruto estivera dando alguns passos em direção à varanda, de onde estava sentindo aquela energia vir.

- Vou apenas... Tomar um ar - mentiu, mas por um bom motivo. - Acho que alguém quer falar comigo ali na frente.

Himawari pensou por alguns segundos, antes de rebater:

- Otousan... Se você se encontrar em algum momento Sasuke-san... Pode dizer que quero falar uma coisa com ele?

- Falar?

Himawari desceu os olhos timidamente para o chão, para sussurrar:

- Ele me resgatou, então... Eu queria agradecer.

- Mas Sasuke... É um foragido do hospital, não é? - Boruto perguntou. - Ele não poderia aparecer aqui...

Um pequeno sorriso de orgulho se formou nos lábios de Naruto, os olhos azuis ainda direcionados à filha.

- Não se preocupe, Hima-chan. Se o encontrar, eu direi a ele.

Enfim, saiu para a varanda. O clima de Konoha àquele horário era agradável; estavam no começo da tarde. Naruto provavelmente levaria uma séria bronca de Tsunade e Shikamaru por ter atrasado tanto com seus afazeres de Hokage; mas não havia como largar sua filha no hospital. Agora, finalmente, entendia.

No lado externo ao hospital, Naruto sentiu a brisa fresca sobre seu rosto. Algumas crianças brincavam lá no térreo, à frente do edifício; alguns pedestres passeavam nas ruas, despreocupados de tudo. Mas Naruto, por outro lado, tinha preocupações; pois ao seu lado havia um vórtice de energia. Um chakra semi-materializado de Sasuke; uma cópia perfeita do seu amigo, invisível a todos os demais, mas visível apenas aos olhos azuis de Naruto.

- Enfim você apareceu - o Hokage murmurou, apoiando-se na grade da varanda.

A imagem de Sasuke estava de pé ao seu lado, ainda que Naruto soubesse que seu corpo verdadeiro não estava ali.

- Naruto... - Sasuke cumprimentou, demorando um longo tempo para enfim lançar a ele um olhar de lado.

Um estranho silêncio perpassou a varanda, durante o qual o Uzumaki soltou um longo suspiro.

- Naruto, eu deveria te dizer...

- Me poupe dessa conversa - o loiro fechou os olhos, tentando se concentrar apenas na brisa que acariciava o seu rosto. Não queria pedidos de desculpas; não queria explicação alguma. Estava exausto dos assuntos de Sasuke; estava exausto de ser traído e decepcionado por ele. - Vá direto ao ponto. O que você quer?

Sasuke voltou o olhar lá para baixo. As palavras ríspidas do amigo o atingiam, mas já sabia que era merecedor daquilo.

- Hinata precisa da sua ajuda - murmurou.

- Como é? - o Hokage rebateu, desacreditado, lançando a ele um olhar irritado.

O Uchiha soltou um breve suspiro.

- Naruto, não estou te provocando. Hinata precisa da sua ajuda.

- Por quê? - endireitou a coluna, o olhar tornando-se repleto de raiva. - O que você fez?

- Não é algo que eu tenha feito... - Sasuke arqueou as sobrancelhas para o nada, ainda muito abalado. A verdade era que por mais que estivesse errado naquela história, abrir o jogo com Naruto envolvia ferir o seu próprio ego. - Você é um Jinchūriki, não é? Tem chakra infinito, não tem?

Os olhos azuis se estreitaram, desconfiados.

- Quem sabe você possa ceder a ela algum chakra.

- Por que Hinata precisaria de chakra?

Em situações normais, teria sido ríspido. Teria apenas cuspido que Naruto era um egoísta por não poder ajudar a mulher que precisava dele, mas agora... Agora, não havia orgulho que não pudesse ser vencido. Mesmo à distância, Sasuke ainda sentia seus olhos ardendo pelo choro recente. Sentia ainda a própria mão trêmula.

Após uma breve conversa com a Hyuuga, tinha entendido que Hinata havia reprimido o próprio chakra para se casar com o Uzumaki. Agora, grávida de um filho do Uchiha, ela precisava de muito mais chakra se quisesse realmente levar adiante uma gravidez que, mesmo com um bebê razoavelmente saudável, ainda poderia consistir algum risco para ela.

Precisava de muito chakra para recompor o que havia suprimido no clã Hyuuga; com chakra novo em folha a seu dispôr, talvez ela tivesse mais chance de lidar com o poder que estava vazando de dentro de seu ventre.

Por isso, Sasuke não rebateu a Naruto. Por isso, apenas abaixou a cabeça, derrotado.

O Uzumaki era a única pessoa que podia ajudá-los agora; se tivesse que se humilhar para trazê-lo de volta, assim Sasuke faria.

- Escute... - Sasuke sussurrou, a mão se fechando instintivamente na grade da varanda. - Hinata precisa de você, então... Por favor...

- O que está acontecendo? - Naruto insistiu, agora preocupado pela diferença no olhar do amigo. - Que história é essa dela precisar de chakra? E por que você está... Por que está assim?

- Naruto... - Sasuke murmurava de cabeça baixa, os dedos agora se forçando contra aquela mesma grade. - Não cabe a mim te contar... Apenas... Por favor...

- Ei, ei, ei! - o Uzumaki rebateu, apoiando uma mão sobre o ombro do amigo. Sasuke ergueu o olhar vagarosamente para si, e o loiro se surpreendeu ao ver quão abalado ele de fato estava, mesmo que aquela fosse apenas uma imagem refletida de seu corpo. - Tá... Tá legal. Eu vou visitá-la, tá legal? - decidiu, um pouco incomodado.

O olho negro de Sasuke se arregalou pela surpresa, mas ele em seguida se recompôs. Olhou para baixo e assentiu com a cabeça, mudo. Naruto teria completado “A condição para eu ir é que você esteja fora da casa”, mas não teve coragem. Simplesmente não teve coragem.

Por mais que a raiva consumisse parte de seu ser, não conseguia agir através do ódio. Observava Sasuke naquela expressão deplorável e resistia ao desejo de humilhá-lo; mesmo que tivesse sido rejeitado, jamais faria algo para machucar Hinata. Nem sequer tinha coragem de atacá-lo. Talvez outras pessoas o definissem como um verdadeiro frouxo, mas a verdade... A verdade era que não importava.

- Diga a Hinata... Diga a ela que eu vou visitá-la assim que sair daqui.

- Obrigado, Naruto - murmurou, a cabeça ainda baixa.

Já ia se preparando para desaparecer, mas ouviu a voz do Uzumaki novamente.

- Ei, Sasuke.

Parou o que fazia. Direcionou o olhar a ele uma vez mais, preocupado com o que pudesse vir. Mas o que veio foi apenas um olhar cansado; Naruto murmurou:

- Obrigado... Obrigado por ter trazido Himawari.

O Uchiha assentiu com a cabeça, silencioso. Enfim, o loiro voltou a olhar para frente, finalizado a conversa; a energia de Sasuke se dissipou dali, o Hokage agora permanecendo como único ser presente na varanda. Apoiou então as mãos na grade e a testa nas mãos, soltando um longo, longo suspiro.

Não havia tido bondade suficiente para dizer a Sasuke que Himawari queria agradecê-lo... Mas ainda teria bondade suficiente para ainda fazer algo por eles.


Notas Finais


ARREEE AGORA SIM!!!! HAHAHAHAHAHA
Bem, acho que vocês já perceberam que a maior parte dos mistérios se revelou, né não?
E também por culpa de vocês eu fiquei toda melosa ughhhh hahahahahaha
Enfim o trouxa do Sasuke teve uma pequena felicidade
OBRIGADO PELA LEITURA!!! Ainda tem mais coisinhas pela frente.....
Meus comentários??????


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...