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História O Prefeito - Fillie - Capítulo 8


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Notas do Autor


Boa leitura meus amoresss perdão pela demora❤

Capítulo 8 - Capítulo 8


 

                                            Millie
O senhor Wolfhard se manteve abraçado ao filho. E me olhava algumas vezes, parecendo estar refletindo sobre algo.

Se não posso contar tudo o que aconteceu, ao menos estarei perto dos meus meninos. Que ainda precisam tanto de mim.

– Me conte o que aconteceu filho. Como a Millie encontrou você?– Quebrou o silêncio,parecendo realmente interessado. – Eu quero saber de tudo.

Prendi minha respiração,parecendo ter ficado congelada. Ele tem que saber a verdade.

Troquei olhares com Alex. Que discretamente negou com a cabeça, se encolhendo nos braços do pai. Ainda assustado.

Senti-me impotente. Queria contar, queria dar a Mary o que ela merecia. Mas não poderia passar por cima da vontade de Alex.

– Eu não tava aguentando ficar aqui. Por causa da Iris, então eu fugi. Fugi pra bem longe,nem lembro onde eu tava. Mas peguei uma carona na estrada e consegui voltar, a tia Millie me encontrou no centro e cuidou de mim. Me trazendo de volta.


Esfreguei a mão na testa discretamente. Torcendo pro louco acreditar. Tem que acreditar.

O mais velho franziu as sobrancelhas, negando algumas vezes.

– Isso é verdade, Millie?

– Sim,é. – Respondi tão automaticamente a mentira pronta.

– Eu te procurei tanto filho. Não acredito que conseguiu se esconder tanto assim,você tem certeza do que está me dizendo? Você não tem idéia do quanto de pessoas eu coloquei atrás de você. Seus irmãos se preocupando tanto com você,assim como eu que nem sei o que é dormir e comer direito desde que você ficou esses dias sumido.

Depois seus olhos voltaram a se encher de lágrimas. O que me fez sentir culpa. Por saber exatamente quem estava por trás daquilo eu tudo.


– Me perdoa pai. Eu não queria te deixar preocupado. – Alex abaixou a cabeça voltando a se esconder no pescoço do pai.

–  Está tudo bem filho. Já passou, não consigo acreditar que você está aqui e bem.

– Papai eu ouvi vozes e... ALEX!

Alicia havia parado no pé da escada com as mãos na boca. Parecia não acreditar estar vendo-o ali.

– Sim, filha. O seu irmão voltou para nós.

A pequena nem pensou duas vezes antes de pular no pescoço do irmão, e caiu num choro incessante.

– Ei calma..já passou. – Alex tentava tranquilizar a irmã, apertando-a contra si.– Passou.

Troquei olhares com o senhor Wolfhard que pareceu comovido com a cena entre seus filhos.

Alicia então afastou-se dele e correu até o pé da escada.

– GUILLE O ALEX VOLTOU!

Eu ri baixinho pela empolgação da minha menina. Parece que toda tristeza dela se foi ao reencontrar o irmão.

Em poucos minutos ,Guille apareceu afobado no pé da escada.

– O que você disse,Alicia? Tem certeza?

– Não. É um fantasma aqui na sua frente bobão. – Alex brincou abrindo os braços para o irmão.

O outro pareceu petrificado por longos instantes.

– Você quase me matou!

O abraço foi cheio de saudades. Não queriam se soltar de jeito nenhum.

Fiquei comovida e feliz com aquilo. Essa família já é parte de mim, me sinto mãe deles. Pode até parecer errado,mas não consigo não me sentir dessa forma.

Logo Fanny e Fernando também se juntaram aos irmãos mais novos. Aliviados.Enquanto eu fiquei num canto, próxima ao senhor Wolfhard que também observava tudo visivelmente comovido.

– Eu tive tanto medo de te perder,pirralho. – Fanny confessou com a voz trêmula,e uma lágrima solitária escapou de seu rosto.

– Ei não chora. Eu tô aqui agora. – O pequeno limpou a lágrima,voltando a abraça-la.

– Eu também senti muito medo caçulinha,não faz isso comigo de novo. Não vou nem sair de perto de você,nunca mais. – Fernando completou se juntando no abraço. – Senti tanto a sua falta.

– Também senti a de vocês.

– A gente também quer se juntar a vocês.
Os mais novos se juntaram a eles, o que nos fez sorrir amorosamente.

– Vocês vão me sufocar aqui!– Alex gargalhou quando foi abraçado pelos quatro irmãos.

– A gente não quer te soltar nunca mais.

– A mãe de vocês iria adorar esse momento. Vamos tirar uma foto. O que acham?– O senhor Wolfhard propôs aos filhos,retirando o celular do bolso com um sorriso.

Os cinco se afastaram um pouco, se olhando balançando a cabeça.

– Por que o senhor não se junta a eles? Eu tiro a foto. – Sugeri.

– Ah será?– Ele olhou-me levando a outra mão pra nuca confuso.

– Vem papai. A mamãe gostaria que você tivesse na foto. Por favor. – Alicia suplicou .

– Ela tá certa papai. – Os meninos completaram.

Já Fanny e Fernando pareciam indecisos, e trocaram um olhar comigo. Como se quisessem saber o que eu acho.

Acenei com a cabeça discretamente. E os dois concordaram.

– Eles tão certos, a mamãe sempre gostou de nos ver juntos. – Fanny soltou áspera.

Wolfhard percebeu e murchou por alguns instantes, mas logo sua expressão mudou e um sorriso escapou de seus lábios.

– Então vamos dar essa alegria a ela. Mesmo a nossa Sophie não estando presente.

Ele me entregou o iPhone e juntou-se aos cinco filhos.

Alicia, Alex,Guille se abraçaram. Fernando,Fanny e o senhor Wolfhard também.

São tão lindos juntos. Nem parecem que estão desestruturados,e que não são felizes.

– Digam essa é pra mamãe. – Comprimi os lábios, observando-s através da câmera .


Então eles me deram o seu melhor sorriso.

– Essa é pra mamãe.

A foto havia ficado perfeita, digna de colocar em um quadro.

– Estão lindos. – Afirmei verdadeiramente, me aproximando deles com o celular devolvendo ao senhor Wolfhard.

– Obrigada, Millie. Eu nem sei como te agradecer, por você ter trazido o nosso irmão de volta. – Fanny abraçou-me por alguns instantes. – Me dá vergonha de ter sido injusta com você.

Senti-me feliz com as suas palavras. E também vitoriosa. Parece que consegui amolecer a pedra de gelo que estava em seu coração.

– Tudo bem querida. Acontece. – Minimizei.

– Você é mais do que especial pra mim.  Agora depois do que fez pelo Alex,ainda mais.

Fernando me deu um sorriso lindo, juntamente com um beijo na bochecha,que me fez sorrir.

Quando se afastou, olhou diretamente em meus olhos. O que fez minhas bochechas esquentarem.

Eu estaria suja ou algo do tipo?

– Você também querido,e por favor não precisam me agradecer. É sério.

– Você foi nossa heroína tia. Até o papai concorda né?– Guille estreitou o olhar para seu pai.

– Sim meu filho. Mas agora vocês precisam me deixar sozinhos com a tia Millie. – Ele depositou um beijo na testa do filho.

Eu já sabia que isso iria acontecer. Então não estou nenhum um pouco surpresa, só preocupada.

Será que o doido vai me demitir mesmo?



– Você não vai demitir ela né?– Alex questionou engolindo em seco.

– O papai  não é maluco de fazer isso. – Alicia deu uma risada nervosa. – Ou é?

O mais velho apenas levantou a mão num gesto.

– Façam o que eu disse, por favor.

– Vamos devorar aquele bolo de chocolate, que a Win fez. – Fanny sugeriu tentando distrair os irmãos mais novos.

– Tá uma delícia. Eu garanto. – Fernando entrou na onda. E eu agradeci mentalmente.

Meus três pequenos se despediram de mim com um aceno, e o pai deles fez um sinal até seu escritório.

Era só o que me faltava.

Mas então assenti e o segui até lá.

O jovem prefeito sentou-se frente a mim. Voltando aquela maldita expressão séria.

Vê-lo assim me dava uma sensação que eu não conseguia explicar. Meu coração estava acelerado,e minha pele arrepiada.

Que diabos eu estou sentindo?

– O que é isso no seu braço? Meus filhos estavam tão eufóricos que nem notaram. – Quebrou o silêncio entre nós.


Merda!

– Eu tive um acidente nos vidros do meu apartamento. Nada grave.

Ele levantou as sobrancelhas relaxando as costas na cadeira.

– Por isso saiu ontem a noite no meio do expediente,sem avisar?

Como ele sabe disso?

Que inferno.

– Sim senhor. – Respondi automaticamente,que pareceu até ensaiado.

Meu querido chefe continuou com os olhos presos em mim. E um riso fraco escapou de seus lábios.

– Graças a isso você encontrou o meu Alex. Eu não irei demitir você, e nem sei se algum dia vou poder agradecer o que fez pelo meu filho. Só que é necessário que você entenda o seu lugar de babá. Você não é a mãe deles,o lugar da Sophie nunca será tomado.


Ah não. Esse louco ainda não desistiu dessa idéia,o que fez o meu sangue até agora frio voltar a ferver.

– Não sou bem eu,que desejo tomar o lugar de mãe dos seus filhos senhor. – Rebati entredentes.

O moreno apoiou o queixo entre os dedos,e seus olhos negros pareciam soltar faíscas.

– Do que está falando?

– Da sua namorada, Iris. Ela não está fazendo bem a nenhum dos seus filhos. Principalmente os mais novos. – Respondi sem hesitar.


O silêncio se fez presente, e o senhor Wolfhard balançou a cabeça concordando.

– Você tem razão. E sei que não é fácil atura-lá aqui, também já tenho conhecimento da forma como ela vem te tratando. Mas te peço que não se demita, nem algo do tipo. Nunca pensei que fosse dizer isso,mas eu preciso de você.

Fui completamente desarmada pelas palavras dele. A barreira criada entre mim e o doido parece estar se quebrando.

Não posso acreditar.

– Tudo bem senhor. Eu não farei isso, fique tranquilo.

Ele segurou em minhas mãos com um sorriso fraco.

– Meus filhos estão passando por um grande trauma. Os mais novos ainda não me odeiam. Mas os mais velhos não querem nem me ver perto. Eu sou homem que sempre soube o que fazer,mas desde que a Sophie desapareceu eu não sei mais o que fazer com meus filhos. Tudo está em minhas costas,estou em tempo de explodir.

Seu toque em minhas mãos,fizeram novamente o arrepio percorrer por todo meu corpo. É o primeiro toque masculino que meu corpo não repele.

O que é totalmente estranho para mim.

Deixa de besteira Millie!

Encarei sua feição de tormento já conhecida por mim. Tudo bem que ele tem atitudes horríveis, mas o amor por seus filhos é visível. O que ele passa também não é fácil.

– Eu acredito que um psicólogo pode ajudar. Com toda certeza, e também o senhor se fazendo presente, compreendendo e não brigando já é um começo. Também o senhor permitindo o contato com a família da mãe, já irá quebrar barreiras entre vocês. Os seus filhos tem adoração pela senhorita Tess. Iriam ficar felizes demais, se o senhor permitir o contato novamente.

Rapidamente ele soltou minha mão. Franziu os lábios e encrispou a testa.

– Não sei se é uma boa idéia. Diante das situações que você já viu,merece saber o que houve. Eu e minha cunhada já tivemos um relacionamento, antes de eu conhecer a minha esposa. Só que eu conheci a Sophie e acabei escolhendo ficar com ela. A Tess nunca entendeu muito bem eu ter escolhido a sua irmã. Só eu sei as vezes que ela tentou colocar a Sophie contra mim.
Uau.

Isso aqui está melhor que casos de família.

Eu percebi claramente o quanto aquela mulher ainda é interessada nele. E isso pode gerar outros problemas.

O que me incomodou um pouco.

– Ah senhor. – Comecei a dizer mordendo a ponta do lábio. – Vocês são adultos,e sabem que o bem maior são seus filhos. A não ser que ainda tenha algum tipo de sentimento.

Ele negou de forma rápida.

– Não. De forma alguma,e você tem razão. Meus filhos são mais importantes que tudo isso. Eu convidarei toda família da minha esposa para jantar aqui amanhã. Estava com tanta raiva que acabei ficando cego,e fazendo meus filhos sofreram por isso.

Meus ombros caíram com alívio. Ele quer mudar.

Isso é ótimo.

– Fico feliz por isso senhor Wolfhard.

Dei um sorriso terno para ele. Que logo foi retribuído.

– Obrigado por tudo que tem feito por eles. Se essa casa não tem sido um velório é por sua causa.

Aquilo novamente foi uma surpresa para mim.

Desde que comecei a trabalhar aqui, só tenho aturado grosserias e poucos momentos em que ele é gentil.

Uma nova sensação foi se formando em mim. Era algo calmo. Até mesmo doce.

E não sabia como reagir aquilo.

– Só estou fazendo meu trabalho senhor. Não me agradeça.

Acabei me envolvendo mais do que deveria com essa família. Não me importa se terei que enfrentar Mary e Noah. Até mesmo Iris.

Eu irei continuar ao lado deles. Independente de tudo.

[...]

– Desculpem a demora, eu estava ocupada com as crianças.

Rayssa e Jack sorriram para mim com um leve aceno.

– Não tem problema querida. Acabamos de chegar.

Foi um custo enrolar a Win para conseguir deixar a mansão. O senhor Wolfhard já voltou as suas funções na prefeitura. Fanny e Fernando foram estudar com alguns colegas de classe, e as crianças ficaram em casa. Estão tão empolgados com a volta de Alex,que depois nem notaram quando sai.

A acessora do prefeito me ligou pedindo que a encontrasse,num café no centro da cidade.

O cheiro de café e misto quente me invadiu fazendo meu estômago roncar.

Não como nada desde ontem,pela adrenalina que vivi.

Até pensei em contar aos dois o que houve, mas desisti ao pensar no sofrimento de Alex. Ele está protegido agora.

O jovem casal estava sentado numa mesa ao fundo. Com uma vista para o departamento de Polícia de Los Angeles.

Várias pessoas foram cumprimentar o vice prefeito. E fazer diversas reclamações.

Esperei que se afastassem para me sentar frente aos dois.

– Agora que o Alex está bem e em segurança. Nós podemos voltar ao assunto das buscas pela Sophie. – Rayssa começou a dizer depois de dar um gole no café com creme.

– Eu ainda acho que é tempo perdido. Já se passou tanto tempo. – Jack frisou batendo os dedos levemente na mesa. – Mas podemos tentar sim.

– Alguma novidade, Millie?

– Bom. Eu peguei algumas conversas da Mary, com o Noah. Eles falavam sobre a memória de uma mulher estar voltando aos poucos. E que o tratamento com uma tal de doutora Sink não está dando certo, coisas assim. Mas eles não mencionaram o nome dela. – Contei fazendo um sinal para o garçom.

O queixo de Rayssa simplesmente caiu. Depois,trocou olhares com Jack maneando com a cabeça.

– Rayssa isso..

– Eu verifiquei as contas do Noah. Você sabe que eu tenho acesso ,e vi uma transferência de quinhentos mil dólares pra conta dessa doutora Sink. Que é uma neurologista famosa. E se ele e a tia Mary deram um jeito de fazê-la perder a memória com algum tipo de tratamento? Estou sentindo uma coisa macabra vindo disso tudo sabe? Minha intuição nunca falha.

As palavras de Rayssa me atingiram como um tiro no cérebro,ao ter a constatação.

É claro!

– Meu Deus..– Sussurrei para mim mesma,levando em seguida uma mão na boca.

O garçom trouxe meu café em seguida. E Jack comprimiu os lábios.

Assim que o homem de meia idade saiu, ele abriu a boca.

– Não Rayssa. Você está viajando, isso não tem nada haver. Ficou louca? A Sophie também conquistou inimigos, porque ela conseguiu condenar criminosos perigosos. E também por ser primeira dama. Não acho que o Noah e a tia Mary chegariam a tanto. Você está exagerando. – Jack ralhou esfregando uma mão na testa,e logo pegou uma xícara que continha um chá. Com aroma de camomila. – Preciso me acalmar.

– Como assim criminosos perigosos?– Questionei curiosa,dando um gole no meu café.

– Ela era juíza,e julgou casos muito conhecidos.  – Rayssa tomou a frente me respondendo, remexendo seu chá e bufou irritada. – Eu vou te mostrar quem é a louca aqui. Tudo é possível, eu tenho certeza que o Noah nunca se conformou. Assim como a tia Mary. Eu vou provar isso,vou pegar os dois. Pode escrever.

Pior que faz sentido. Mary realmente é capaz de muita coisa.

– Quando a gente concluir isso, você devia deixar de ser acessora do prefeito e trabalhar no FBI.

Rayssa piscou para mim jogando o cabelo pra trás.

– Eu sei.

– Mas você tem razão. Faz sentido, é só juntar as peças. – Falei encarando Jack que revirou os olhos discretamente.

– Pra mim a Sophie pode ter indo embora. Você sabe que ela e o Finn não estavam numa fase boa. E seria a oportunidade perfeita,pra ela se livrar de tantos problemas.

– Jack. Dylan. Grazer. Eu não estou acreditando que estou ouvindo isso.  Você tá doido não é? Até parece que não conhece a Sophie, que sempre foi o ser humano mais bondoso e amoroso que eu já conheci em toda minha vida. Ela sempre amou os filhos e o Finn. Tudo menos isso. Não fale besteiras, se você não quer ajudar sugiro que se retire agora. – Ela apontou para a porta de entrada com uma expressão furiosa.

Aquilo me fez rir. Ela fica engraçada quando está brava.

– Na prefeitura eu aprendi que não conhecemos ninguém totalmente mas tudo bem , meu amor. Me desculpe. – Grazer pegou em sua mão,deixando um beijo demorado. –Apesar de eu achar que não iremos encontra-la, o que sugere?

Já eu tinha certeza que iríamos acha-la. Sinto que Sophie está mais perto do que imaginamos.

– Estou disposta a tudo. E você é a cabeça dessa operação. – Brinquei fazendo - a rir. – Posso continuar de olho em tudo naquela casa.

Rayssa pensou por longos instantes. E deu um sorriso zombeteiro.

– Se você não pode com seu inimigo. Junte-se a ele. Com a tia Mary é capaz de não funcionar..mas com o Noah sim. Ele é um bobo manipulável. Dê um jeito de se aproximar dele, Millie.  Ser sua amiga e no fim da o bote. Me ajude a colocar escutas nas partes da casa onde eles estão, ou você mesma pode gravar algumas conversas que pegar. Vai me mantendo informada sobre tudo. Eu tenho certeza que se pegarmos o Noah, pegamos ela e chegamos na Sophie.


[...]

Pensei muito sobre a idéia de Rayssa. Realmente é uma boa jogada se juntar aos seus inimigos, para conseguir o que deseja.  Ela tem toda razão.

É assim que conseguiremos montar esse quebra cabeça. E dar fim ao sofrimento de todos aqui.

Vim direto para meu quarto assim que voltei para mansão Wolfhard.

Mas meu estômago embrulha só de pensar no nojo em que sinto de Noah. Pelo o que tentou fazer comigo e pelo o que fez com Alex.

Porém acredito que posso passar por cima disso. E é o que vou fazer.

Lavei meu rosto algumas vezes, e observei meu reflexo no espelho. Ajeitei minha tomara que caia lilás, e joguei meu cabelo para trás.


Alisei minhas mãos no jeans assim que deixei o ambiente azul.

Não sei como vou reagir se cruzar com Mary por aqui. Sei que preciso ter sangue frio,mas não sei se posso . A minha vontade é de enche-la de tapas.

Foco Millie!

Faltava pouco para o doido, que não é tão doido assim chegar da prefeitura.

Volta e meia minha cabeça se concentra em nossa conversa mais cedo.

Finn Wolfhard realmente parece querer mudar. Até admitiu alguns de seus erros e pareceu bem grato a mim.

No fundo ele é um homem bom. Que só está perdido e atormentado.

Quem sabe não poderíamos ser amigos?

Decidi ir conversar com Alex um pouco. Aproveitar que seus irmãos  não estão por perto.

Os quatro estão na piscina, se divertindo como nunca.

Subi as escadas passando pelo corredor extenso,até chegar no terceiro quarto do andar. Empurrei a porta entreaberta,encontrando-o na cama com vários lápis coloridos em volta,e papéis.

– Posso entrar?

Ele tirou a atenção do que fazia e olhou para mim,abrindo um sorriso largo.

– Claro,tia Millie.

Adentrei no quarto azul escuro, e fechei a porta atrás de mim me aproximando dele na cama.

– Como você está meu querido? Tem certeza de que não quer contar nada pro seu pai ? Eu..


– Não precisa tia. Eu tô bem,não quero que o papai saiba de nada. – Me interrompeu levando o dedo mindinho até minha boca.

– Mas você passou por um trauma meu amor. Com a sua própria vó. – Tentei argumentar.

Alex novamente negou.

– Ela não vai fazer mais nada. E você me ajudou muito,tia. Obrigado, senão fosse você eu nem sei. Você é como uma mãe pra mim.

Então o caçula Wolfhard pulou em meus abraços,me abraçando forte.

Perdi o fôlego com sua declaração.  Esse menino não existe.

– Oh querido. Não precisa me agradecer sabe disso.

Retribui seu abraço com força, beijando sua bochecha várias vezes.

– Eu fiz esse desenho pro papai. Acha que ele vai gostar?

Assim que nos separamos, Alex me mostrou o desenho que havia feito.

Era ele junto com o senhor Wolfhard. Ainda tinha uma declaração.

– Claro que vai meu amor. Assim que ele chegar nós entregamos sim?

Seu rosto se iluminou e ele balançou a cabeça.

– Tá bom.

– Vamos ir ver seus irmãos lá na piscina?– Sugeri com um sorriso amoroso,acariciando seu rosto.

Alex deixou o desenho num canto e tirou a camiseta verde que vestia, ficando apenas com a bermuda preta.

– Vamos!

O pequeno segurou em minha mão,calçando os chinelos em seguida.

Deixamos o quarto em passos rápidos, até a área de lazer no jardim.

O fim de tarde está ensolarado. Bonito. Ideal para um banho de piscina.

Os quatro filhos do senhor Wolfhard estão na piscina,brincando, rindo e se divertindo como eu imaginava.

– Ei vocês!– Fernando veio nadando até a borda. – Por que não se juntam a nós? A água tá ótima.

– Eu quero! – Alex exclamou empolgado.

– Pode ir querido ,mas eu não posso. Onde já se viu uma babá entrar na piscina?– Eu ri .

– Isso não tem nada haver.  Vem logo. – O mais velho insistiu com um sorriso.

– É tia,vem. – Alicia me chamou do outro lado.

– Ou você quer que a gente vá te buscar?– Fanny me lançou um sorriso travesso .

– Ela quer!– Guille riu e também nadou rapidamente até a borda. – Empurra ela Alex.

Eu gargalhei levando as mãos pro rosto.

– Não faz isso.

– Você não veio por bem. Vai vir por mal.

Quando notei já havia sido empurrada para dentro d'água. Que estava gelada.

– Meu Deus vocês me pagam!– Exclamei assim que nadei até a borda me encostando ali. – E se o pai de vocês chega e vê isso?

– Ele não vai falar nada. – Alicia nadou até mim,colocando seu corpo em minha frente. Passei meus braços pelos seus ombros.

– Ele está feliz demais com a volta do Alex,não se preocupe. – Fanny se encostou ali junto comigo e passou mão pelo seu cabelo encharcado. – E você merece um pouco de diversão.

Ela está certa. Que mal tem nisso?

– A gente briga com ele.

Fernando também se juntou a nós.

– Estavam falando de mim?

Meu coração deu um pulo ao ouvir a voz do prefeito.

Era o que faltava mesmo.

Inclinei minha cabeça para trás e o vi vindo em nossa direção . E não parecia nenhum um pouco incomodado

Mas ue.

Fernando e Fanny reviraram os olhos e sua expressão se fecharam.

– Nada demais papai. Por que não se junta a nós?– Guille sugeriu apoiando os cotovelos na borda.

Alicia e Alex fizeram o mesmo.

– É mesmo papai. Tá muito calor.

– Se ele vir eu saio. – As palavras de Fanny saíram cheias de mágoa.

– E eu também.

O senhor Wolfhard piscou várias vezes, tentando não demonstrar sua decepção e respirou fundo.

– Não falem assim meninos. – Acabei defendendo-o.

– Meus filhos..Não há porque ficarmos assim. Eu até convidei as tias e os avós de vocês para jantar aqui amanhã. Fiz por vocês e por conselho da Millie.

– Jura papai?

Os olhos verdes de Alicia brilharam. Tenho quase certeza de que ela é a mais afetada.


– Eba eu tô com tanta saudade de todo mundo!– Alex e Guille se abraçaram eufóricos.

– Um pouco tarde pra isso, não é Finn?– Sua filha mais velha novamente revirou os olhos.

Espera..Finn ?

– Olha como você fala comigo Estefânia. Eu já falei sobre isso com você!–  Ele esbravejou,me fazendo assustar .

Nem parece o Finn calmo de mais cedo.

O doido voltou.

– Querida não é assim..

– É assim sim,Millie. – Nando me interrompeu. – Enquanto ele não mudar, não será chamado de pai por mim e nem pela Fanny.

– Deixa Millie.– O senhor Wolfhard levantou a mão para mim,fazendo um gesto de negação.

– Isso não é justo com o papai. Não façam isso. – Alicia defendeu o pai nervosa.

– Não se mete pirralha. – Fanny rebateu.

– Alicia tá certa. Ele é nosso pai,e se tem coisa que a mamãe nos ensinou é ter respeito. – Alex bufou e dirigiu o olhar pro pai. – Não liga pra eles papai.

– São dois idiotas. – Guille bufou.

Fiquei no meio de um fogo cruzado. Briga entre irmãos.

Observei o moreno que sorriu para os três filhos caçulas.

– Está tudo bem.

– Realmente estava. Até você chegar. – Fernando se apoiou na borda até sair da piscina. Sua irmã gêmea o seguiu.

– Você está certo maninho, vamos entrar. Millie depois a gente se fala. – Ela jogou beijos no ar para mim,e passou sem olhar para seu pai. Assim como o irmão.

O moreno tirou os sapatos, e sentou-se na borda mergulhando os pés na água suspirando frustrado. Seus caçulas o abraçaram, como se quisessem demonstrar apoio.

Mesmo ele sendo um escroto, senti cada vez mais pena dele.

Talvez a culpa possa ser minha. Aliás eles estão em minha responsabilidade, não deviam agir assim com o pai.

– Senhor me perdoe. Eu não queria que isso tivesse acontecido,eu falo com eles e..

– Não se desculpe, Millie. O único culpado sou eu. – Riu fraco.

– A gente tá do seu lado papai. – Alicia encostou a cabeça no ombro do pai.

– Pra sempre. – Alex e Guille fizeram o mesmo.

Aquilo é importante pra ele. Ter o apoio dos filhos caçulas com os mais velhos. E mesmo com pouca idade, Alicia, Alex,e Guille faziam isso muito bem.

– Eu amo vocês,e o papai agradece. – Sorriu amplamente abraçando os três fortemente. – Estavam se divertindo muito?

– Sim sim.

Prestando atenção na conversa dos quatro. Eu tive uma idéia que poderia aliviar toda tensão.

– Junte-se a eles senhor. Diante de tudo que aconteceu, o senhor merece um momento com seus filhos. Eu vou ir falar com a Fanny e o Fernando.

Me apoiei para sair da piscina, mas o braço dele me impediu .

– Não. Fique com a gente.

Eu ouvi direito?

O louco me pedindo para ficar?

Acho que esse banho de piscina deve ter enchido meus ouvidos de água,e me impedindo de ouvir direito.

– Não quero atrapalhar senhor. – Falei sem graça.

– Você não atrapalha. Não é meninos?

– Nunca tia Millie.

Ah meu Deus!

Meu chefe olhou-me nos olhos,com um sorriso desafiador.

– Acho que não tem como você escapar .

Eu ri balançando a cabeça.

– Não tem mesmo.


[...]

                                        Fernando

– Você não devia ter falado daquele jeito com seu pai. Ele errou muito,mas parece estar tentando melhorar.

Revirei os olhos com a defesa de Millie.

Era só o que me faltava mesmo.

Estávamos na sala de jantar. A noite já havia caído e eu estava sofrendo por causa de equações.

Tudo parece ter voltado ao normal, com a volta do meu caçula.

Estava sendo um verdadeiro inferno sem ele aqui.

Chamei minha querida babá para me ajudar, e acontece isso.

– Você veio me ajudar com as equações ou defender o Finn?

Dei uma mordida depois nos biscoitos de chocolate que ela fez.

Foi a vez da morena revirar os olhos.

– É sério Nando. Apesar de tudo ele é pai de vocês,e quer resgatar os laços.

Não acredito nele. Pra mim é tudo fingimento.

– Não acredito nele.– Dei de ombros.– Ele já me agrediu, agrediu a Fanny. Só falta agredir a Alicia, o Guille e o Alex.

Millie arregalou os olhos, batendo na mesa.

– Ele não faria isso. E foi horrível o que ele fez com vocês mas,não vale a pena ficar remoendo.

No fundo eu sei que ela tá certa. Mas não quero dar o braço a torcer.

Ele me magoou muito. Magoou a minha mãe e a minha irmã.

Não posso esquecer isso.

– Dele eu espero tudo,Mills. Ele nunca foi um pai presente,tava ocupado demais traindo a minha mãe.

Brown esticou a mão até a minha e fez um carinho.

– Eu entendo sua revolta, me senti assim com meu pai por anos e me sinto até hoje. Mas diferente do meu,o seu tem salvação.

Não acredito nisso.

– Não acredito. Ele manter aquela vagabunda aqui,me faz lembrar de tudo que a minha mãe sofreu por causa dele.

Fechei meu punho com força, apertando as unhas ali de raiva.

– Ei!– Millie levantou-se e veio abraçar meus ombros. – Você não é assim,Nando.

Eu ri, segurando em seus cotovelos.

– Com você não mesmo.

– Faça isso por mim. Vai me deixar muito feliz,você começando a se entender com seu pai.
Encarei seus olhos castanhos,e seu sorriso largo e encantador. Junto com seu rosto angelical .

Seu cabelo castanho jogado pra frente, sua leve maquiagem conseguiu deixá-la ainda mais linda .

Millie é tão linda. Eu faria qualquer coisa por ela.


– O que eu não faço por você?

– Ah!– Ela me abraçou mais uma vez,beijando minha bochecha várias vezes. – Vou fazer um milkshake pra gente depois disso.

– De chocolate. – Falei rindo.

Millie apertou meu nariz.

– Sim senhor.

Fiquei sozinho enquanto a esperava.

Millie nunca olharia pra mim com meu pai perto.

Esse sentimento que tenho por ela só cresce a cada dia.

Queria me declarar para ela,mas não sei se minha timidez permitiria.

Minhas mãos começaram a tremer e meu coração a acelerar.

Precisava de coragem. E isso me fez lembrar uma conversa com minha mãe.

° Flashback On °

– Fernando? Estou entrando filho.

– Merda mãe! Eu tô de toalha. – Revirei os olhos ao vê-la já dentro do meu quarto.

Mamãe riu levando uma mão na bochecha.

Apesar da raiva, só consegui reparar no quanto ela estava bonita.

Seu cabelo castanho claro na altura dos ombros, jogado para trás.

Ela sempre usa batom vermelho, junto com a maquiagem leve que só realça seus olhos verdes.

E está vestindo um blazer preto sob uma blusa rose, junto com uma calça social.

– Eu já limpei a sua bunda várias vezes Fernando,não me venha com essa.

– Mesmo assim. – Bati a mão na testa rindo.

– Fanny me disse que você não quer ir pra escola. E pela sua carinha,eu vejo que tem algum problema. Te conheço desde que você estava na minha barriga meu amor.

Mas que merda!

Pior que é verdade.

Sophie Levy Wolfhard,tem o dom de desvendar certas coisas. Não é a toa que é juíza.

– Não é nada mãe. – Menti me encolhendo na beira da cama. – Não precisa ficar preocupada.

Ela veio para o meu lado,segurando em minha mão.

– Filho..  a gente combinou de não ter segredos né?

Espremi os olhos.

Ela sabe muito bem como me fazer falar.

– Na escola vivem falando que eu tenho que ser igual meu pai..  O grande prefeito Finn Wolfhard. Eu queria mesmo ser como ele,mas não consigo e não aguento que me falem essa merda o tempo todo.

Minha mãe me observou com atenção e bufou negando.

– Quem está falando isso pra você? Você não precisa ser igual ao seu pai para ser especial meu amor. Você é único. E é muito especial, tenha coragem e se imponha diante de quem está fazendo isso. Você é meu filho,não permitam que te magoem. E vai pro colégio sim.

As palavras da minha mãe me deram algo que eu nunca tive muito. Que é coragem.


– Você tem certeza mãe? É que o meu pai é um exemplo. – Argumentei e ela puxou-me para seu colo . Que é a única coisa que me conforta.

– Claro,você não tem que ser igual ao seu pai. E não deixem que digam que você é menos especial por isso. Porque não é verdade.

Suas mãos pararam em meu cabelo, onde ela fez carícia.

Mas não era só isso que me incomodava. E sim o fato de eu estar gostando de uma garota e não saber como agir.

– Eu tô gostando de uma garota, mãe. Não sei como agir,por isso não quero ficar muito perto dela. Era pra eu está falando isso pro meu pai,mas vai que ele acha ridículo?

– Eu sabia que tinha uma garota no meio. – Mamãe sorriu fazendo cócegas em minha barriga,fazendo-me gargalhar. – Isso é a coisa mais normal do mundo filho. Apesar de que o senhor tem que estudar, não fuja disso se te faz bem. Só não te quero perdendo o foco.

Sabia que ela falaria isso.

– E você e o pai? Foi fácil pra vocês?

Minha mãe fez uma careta mas logo sorriu.

– Não tanto filho. Eu gostei do seu pai desde que o conheci. Ele era o mais bonito do curso de direito,e depois que fui o conhecendo não tive olhos pra mais ninguém. Não demorou tanto e vieram você e a Fanny.

Me sinto meio culpado. Aliás meus pais nos tiveram com dezoito anos, e deixaram de viver muita coisa.

– Você se arrepende?– Mordi meu lábio a encarando.

– Não. Nós fomos imprudentes,sim. Amo você e seus irmãos. Mas eu não me arrependo, eu amo o seu pai. E amo tudo que construímos juntos. – Respondeu-me docemente levando as mãos para meu rosto, deixando um beijo ali. – Coragem meu amor.

° Flashback off°


Minha mãe tem razão mesmo não estando aqui.

Tudo que eu preciso é de coragem.

Tomei fôlego me levantando da cadeira.

Começaria chamando Millie para sair.

– Coragem Fernando.

[...]

                                            Finn

Acredito que na noite de hoje finalmente eu poderei dormir em paz. Todas as minhas noites em claro,atormentado e preocupado com meu Alex.

E parte disso eu devo a Millie.

Eu realmente preciso mais dela do que ela de mim. Ainda estou indeciso com essa idéia de trazer a família da Sophie de volta ao convívio com meus filhos.

Mas pra ter meus filhos sem mágoa de mim eu faço tudo. Até aguentar aquela gente.

Dirigi meu olhar até uma foto minha e dela, peguei o porta retrato e deixei um beijo.

–  Você estaria orgulhosa de mim,meu amor..

Ao ouvir uma batida na porta,larguei a foto ali e me ajeitei na cadeira.

– Entre.

A porta abriu-se revelando Rayssa ali. Cuspindo fogo pelas ventas, batendo a porta com certa força.

– Ei que isso?

– O que a Iris está fazendo aqui, Finn? Eu achei que com o sumiço do Alex,você aprenderia. Como você coloca alguém que desrespeita os seus filhos e da Sophie. A pessoa que fez ela sofrer tanto. Você não tem noção?

Fiquei desarmado diante das afirmações de Rayssa. Até mesmo surpreso.

Me sinto em dívida com Iris. Aliás ela está do meu lado todo esse tempo,eu não queria magoa-la de jeito nenhum.  Mas reconheço que todos os meus problemas com a Sophie se devem a ela.

Mas não quero fazê-la sofrer mais do que já sofreu por minha causa.

– Você está certa.– Soltei um grunhido de raiva, afundando meus dedos em meu cabelo. – Mas eu gosto da Iris,ela me faz bem até. Não quero fazê-la sofrer.

Minha melhor amiga abriu a boca, arregalando os olhos e veio até mim.

Só senti sua mão pesada bater em meu ombro com força.

– Aí caralho!– Gemi pela dor.– Ficou louca?
– Desde quando a Iris é mais importante que seus filhos e que a Sophie?

Aquilo foi como um tiro no meio peito. Rayssa sabe como argumentar.

– Não. A Iris não está acima deles. Mas o que quer que eu faça?

Ray se encostou na minha mesa, cruzando as pernas.

– Faça o que a Millie disse, priorize seus filhos.  Essa babá é uma benção na sua vida.

Um riso escapou de meus lábios.

– Realmente. Acho que não sei o que faço caso ela quiser ir embora.

A morena em minha frente abriu um sorriso zombeteiro.

– Hum interessante.

Sabia!

– Rayssa não é nada disso. Não invente.

Ela deu de ombros.

– Que seja. Eu estou indo pra casa. Terminei tudo sobre a sua nova campanha, ainda fiz o trabalho do Noah. Ele cismou em pedir uns dias de folga, sobrou pra mim.

– Tudo bem. Até amanhã.

Noah ter pedido folga foi inédito pra mim. Ele sempre foi focado, nunca gostou de deixar trabalho pendente.

Minha mãe é outra que sumiu desde ontem. Não me ligou para me atormentar, o que também é inédito e me deixa um pouco preocupado. Mas logo vou atrás de notícias.

Após deixar um beijo em minha bochecha, ela deixou-me sozinho.

Esse assunto é pessoal demais. Mas creio que precisarei da ajuda de Millie. Me abrir um pouco com ela.

Decidi chama-la para jantar comigo,se estivesse tudo bem com meus filhos em meia hora.

Levantei-me da cadeira, e deixei meu escritório indo em direção a minha suíte.

– Olha o que você fez comigo sua pirralha, me deixou toda suja de propósito!

Ao ouvir o berro de Iris, parei no meio da escada .

– Eu juro que não. Foi sem querer e...

– Não quero saber sua monstrinha, você me odeia não é de hoje. Porque eu tomei o lugar da sua mãe,entenda que ela não está mais aqui. Sua pirralha detestável,você é insuportável igual ela!

Aquilo me enfureceu por completo. Que só faltou as batidas do meu coração me matarem.

Quando me dei por mim já estava no corredor, vendo Alicia chorar segurando uma lata de tinta.

– Iris! Quem você pensa que é pra chamar a Alicia de monstrinha, detestável? Quem você pensa que é para maltratar a minha filha!? Quem você pensa que é!?

Berrei descontrolado fazendo-a arregalar os olhos.

Minha filha largou a lata e veio para os meus braços.

–Papai eu não fiz de propósito. Me desculpa.

– Shh não chora meu amor. O papai está aqui.

Meu peito bombeava rapidamente,como se eu fosse explodir a qualquer momento.

Ver minha filha sofrendo desse jeito,faz meu coração se dilacerar. Ela é só uma criança.

– Ela me sujou de propósito, Finn! Seus filhos me odeiam, implicam comigo. Me querem longe daqui! – Rebateu furiosa.

– Você tem que dizer isso pra mim,eu sou o pai. Eu tenho que chamar atenção, não você caralho!

– O que está acontecendo? Eu estou ouvindo berros lá debaixo e..

– Leva a Alicia pro quarto dela,Millie. – Respirei fundo, me abaixando na altura dela. – O papai já vai ficar com você viu?

Ela continuou soluçando, concordando e correu para os braços de Millie. Que nos encarava confusa,mas fez o que eu pedi.

Já Iris também chorava de raiva ou de qualquer outra coisa. E aquilo me enfureceu ainda mais.

– Vem aqui!– Puxei-a pelo braço até a minha suíte.

– Você está me machucando!

– Você perdeu a noção,Iris? Não vai tratar a minha filha assim. Nenhum dos meus filhos na verdade. Eu devia.. eu devia ter medido o impacto que o nosso relacionamento ia causar nos meus filhos mais novos. Eu sei que disse que ia tentar ser feliz com você,mas não sou feliz vendo meus filhos sofrerem. E nem contra mim como está acontecendo!– Explodi fazendo-a dar um pulo pelo susto.

As lágrimas voltaram a tomar conta de seu rosto. E Iris levou as mãos para o cabelo enlouquecida.

– Você não pode fazer isso comigo,eu estive do seu lado esse tempo todo. Aguento você não querer deixar aquela vaca traidora partir de vez, aguento você usar sua maldita aliança.Ter um quarto cheio de coisas dela, ainda tem esperança dela voltar. Aguento os seus filhos e você me diz isso!?


– Você não vai falar assim da Sophie!

A loira começou a rir histericamente,batendo palmas.

– Até parece que ela era muito santa. Seus filhos me odeiam porque eu tomei o lugar dela.

Não suportava quando minha mãe ou Iris falavam de Sophie.

Eu a conhecia melhor do que ninguém. Nem de longe a minha Sophie era uma má pessoa.

Foi a minha vez de soltar uma risada doentia.

– Pelo amor de Deus,Iris. Nem de longe você tomou o lugar da Sophie. E chega,eu não quero discutir com você. Eu vou ver a Alicia. E quando voltar não quero te ver aqui.

Ignorei os apelos de Iris, e segui para o quarto de Alicia completamente atordoado.

Como deixei as coisas chegarem a esse ponto?
Os piores sentimentos se formaram dentro de mim. Junto com a raiva e o ódio. 
Mas isso pareceu passar quando vi Millie e Alicia abraçadas na cama.

– Ela dormiu de tanto chorar senhor. Abraçada a esse foto.

Millie se levantou com cuidado, e conseguiu pegar o porta retrato.

Era uma foto de Sophie com Alicia.

Aquilo me deu a dor da saudade .

As duas tão parecidas. O mesmo olhar o mesmo sorriso.

– Meu Deus.. –  Respirei fundo afundando o rosto entre as mãos. – Eu sinto que vou enlouquecer a qualquer momento.

– Calma senhor. Agora o senhor percebeu que a presença dessa mulher aqui, deixa seus filhos afetados. – Brown deixou o porta retrato sob a cama, e segurou em meu ombro. – O senhor tem que tomar a melhor decisão por eles.

Eu nunca senti tanta raiva de mim mesmo. Deixei meu relacionamento com Iris chegar longe demais.

Meu corpo todo esquentou. As lembranças terríveis de tudo que estamos vivendo parecem ter vindo com força.

– Eu estou fazendo meus filhos sofrerem, Millie. Olha como a Alicia ficou.

A babá de meus filhos olhou-me compreensiva e me levou até a beira da cama.

– O importante é que o senhor enxergou isso. Antes estava cego, querendo ter toda razão. Mas agora não,e isso já é uma mudança e tanta.

Mais uma vez ela está certa. Eu não enxergava nada na minha frente.

Essa mulher faz milagres, conseguiu me fazer reconhecer meus erros. Coisa que nunca faço.

– Você me fez reconhecer os meus erros. Me fez ter vontade de mudar pelos meus filhos, eu não sei como vou te agradecer por isso. – Admiti sinceramente.

Em troca, Millie me deu um sorriso maravilhoso.

– Imagina senhor.

Acabei segurando em suas mãos,em forma de amizade ou quase isso.

– Quero dizer..

– Finn eu preciso falar com você.  Você não pode me matar embora daqui.

Afastei-me de Millie bruscamente, e olhei para Alicia na cama. Que parece estar num sono profundo.

Eu não mandei ela ir embora? O que está fazendo aqui ainda?

Toda calmaria em que eu estava se foi ao vê-la ali. Na maior cara de pau,mantendo sua expressão de desespero.

– O que você quer? Já não basta o que fez com a minha menina ?– Millie rangeu os dentes lançando um olhar mortal a ela.

– Eu não mandei você ir ?– Tentei soar calmo,ficando frente a ela. – Não me obrigue a te arrastar pra fora.

– Você não vai fazer isso. Eu estou querendo falar com você desde cedo, sobre algo importante. Mas não tive chance. – Iris limpou as lágrimas antes de erguer um envelope pra mim.

Ela parece estar muito satisfeita. Pra quem vai sair daqui. Parece vitoriosa. Consegui enxergar isso,mesmo com seu desespero aparente.

– O que é isso?

– Você não pode expulsar a mãe do seu sexto filho. Eu estou grávida.






Notas Finais


Eita ferro..O bebê é real ou fake ? Imaginem a reação da Millie e das crianças hahaha.

Beijos 💕


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