História O Preferido - Capítulo 14


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Victor Nikiforov, Yuri Katsuki
Visualizações 22
Palavras 2.432
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 14 - Protetor


- Você tem alguma ideia de quem é o irmão dele? - O moreno falava gesticulando para o homem mais velho sentado na enorme cadeira de estofado vermelho parecendo com um trono, na verdade JJ achava aquilo exagerado, mas daria o seu mundo para se sentar do mesmo jeito imponente que a figura a sua frente fazia. - O senhor o assustou, por isso ele fugiu, falei para ir com calma. - O rapaz deu uma volta completa no próprio eixo com a mão no queixo e tornou a perguntar. - Faz ideia do que o irmão dele  é capaz de fazer com um computador e uma boa conexão?

- Não, porque o meu interesse não é nele e sim no filho da minha Nadine!!! - Ryan Eros sorriu ao se lembrar do moreno de longos cabelos e de tudo que vinha no conjunto, ele era uma obra de arte. Nunca haviam se visto antes do enterro da única mulher que amou e que por coincidência, era a mãe do seu ratinho, só que Eros tinha plena certeza que o conhecia e depois que o viu no palco, descobriu que acima de tudo, Yuuri era uma preciosidade para ser de uma única pessoa e não ficar se expondo como estava. - Ache-o, seu trabalho é esse. Esqueça-se do meio irmão dele. - Disse ao apoiar o tablet na mesa com a foto de uma família onde os irmãos apareciam bem jovens. 

O rapaz o encarou com os olhos arregalados. O seu contratante não era uma novidade, há algum tempo prestava serviços para o mais velho, só que tudo que dizia respeito ao japonês ficava sempre mais complicado. Como por exemplo, o fato de que não ouviu nada do que falou nos últimos minutos e nem no decorrer dos meses anteriores, simplesmente ignorava qualquer palavra contrária à sua vontade que envolvia o nome do jovem dançarino. Mas Jean não se dobrava facilmente, talvez se fosse mais claro e objetivo, o homem o entendesse. - O senhor não me escutou! Estou falando que eu desconhecia quem era o irmão dele, mas agora que sei, tenho uma ideia de onde estou me envolvendo, e o senhor parece não saber e nem se importar com isso, mas deveria e muito. 

- Já disse que não me interessa. - Abriu mais o sorriso. - Só preciso saber onde ele se escondeu...

- Ele deve estar na Rússia. - O moreno atalhou em um lampejo de fúria e virou o notebook na mesa a sua frente para si. - O último registro que se tem de Otabek Altin consta na Rússia, mas exatamente em São Petersburgo e se eu estivesse no lugar da sua presa... - JJ levantou os olhos triunfantes. - Eu correria na direção dele. - Virou o note de volta com uma imagem meio desbotada e fora de foco de alguém muito parecido com Yuuri Katsuki. - Voilà!!! Aeroporto internacional de São Petersburgo há quase duas semanas. - Agora o sorriso mudou de lábios. - Seu ratinho correu para o colo do irmão. 

Com mais um toque e por cima da imagem apareceu outra foto, essa pertencia a uma ficha, mas não era qualquer tipo de registro. Os olhos dos dois homens se encontraram e Jean entendeu que precisava se explicar. - Otabek Altin aos dezessete anos entrou para a lista de hackers mais procurados do FBI, ele era um dos melhores e maiores hackers do lado do oriente. - Continuou sem respirar. - Altin e sua turminha são responsáveis por invadirem sistemas de empresas e organizarem ataques estratégicos para roubarem dados.

Eros arqueou uma sobrancelha, o falatório do seu funcionário estava entediando-o de maneira profunda e não entendia onde tudo aquilo o levaria. - Leroy vá direto ao ponto, sim. 

O semblante de Jean ficou sério, pesado e mesmo sem perceber fechou as duas mãos. - Ele era o cara, o fodão da internet e um dia desapareceu, sumiu, evaporou-se. - Fechou os olhos e respirou fundo. - Otabek sempre foi bom em apagar rastros e em esconder as informações também. Fique sabendo que ele roubou e ganhou muito dinheiro com sua profissão fora da lei, mas como disse ele virou um fantasma... e o mundo não sabe dele há pelo menos cinco anos. 

Os dois voltaram a se encararem mudos, finalmente JJ conseguiu explicar a sua linha de pensamento para Ryan Eros, se por um acaso Yuuri tivesse mesmo indo atrás do irmão, era praticamente certo que ele, também, desapareceria. - Seu trabalho é achá-lo, só isso!!! Então ache-o e não me interessa se para isso vai usar o FBI, a Interpol ou a máfia russa. Dê seu jeito Leroy, eu o quero sob meus domínios o mais rápido possível. - O moreno apenas assentiu com a cabeça e começou a recolheu seus equipamentos que estavam espalhados sobre a enorme mesa de carvalho. - Mas, uma dúvida Jean, como você sabe tanto de um fantasma? Você e ele devem ter a mesma idade, não? - Eros juntos as duas mãos sob o queixo e aguardou o jovem se confessar como esperava. 

- Fiz parte do grupo dele do começo até o fim, fui um dos melhores e o mais fiel também... o apelido JJ foi Altin quem me chamou primeiro e achei que fôssemos mais que... só amigos, mas um dia ele simplesmente me deixou como fez com todos... nenhum adeus, explicação, nada. - Raros eram os momentos que podia-se ver Jean Jacques Leroy como estava, a simples menção da lembrança ou a explicação o machucavam fundo na alma. Nunca entendeu ou compreendeu o porquê do abandono que sofreu e embora tenha recebido muito dinheiro de organizações para achá-lo, nunca o fez efetivamente, sabia onde procurá-lo, mas o receio que sentia de descobrir que fora descartado por ser considerado um inútil, sempre calou em seu coração apaixonado. - Vou para a Rússia, daqui não consigo fazer meu serviço e vou precisar de suporte senhor... e quando digo suporte... - Levantou a cabeça recomposto. - Refiro-me a dinheiro. 

Todos tinham um ponto fraco e para Eros ficou claro onde doía o calo de JJ, o orgulho saiu ferido quando foi traído e esquecido. De posse de tal informação, poderia tirar grande proveito quando a ocasião aparecesse e por isso se sentiu mais radiante com a sua conclusão. Então o mais velho na sala abriu seu sorriso outra vez. - Você terá tudo que solicitar e que merecer, meu caro Leroy. Tudo!!!

 

Yuuri achou a livraria, não foi uma tarefa difícil, o que foi complicado mesmo foi sufocar a angústia de que alguma coisa aconteceria a qualquer momento. De tempos em tempos, A sensação e os pensamentos ruins brotavam na sua mente, e sentir-se vigiado era uma constante na sua vida. 

Chegou um pouco mais cedo e preferiu caminhar por entre as prateleiras cheias de livros ao invés de ficar sentado olhando para os lados procurando evidências de um louco. Os livros sempre o distraiam igual acontecei com a dança. Passou os dedos pelas capas e admirou suas cores coloridas, aspirou o cheiro de páginas novas e folheou alguns, não viu os minutos passarem e se perdeu nas letras e palavras que não entendia. Fechou os olhos mais calmo. - Você sabe o meu idioma?

A pergunta foi soprada em seu ouvido e o japonês apenas sorriu feliz por ter aceitado o convite, não sentiu medo do desconhecido, pelo contrário, a presença do russo platinado trazia um sentimento bom, além de uma certeza... podia confiar nele! E assim, ainda de olhos fechados, respondeu. - Não Viktor, não sei, mas acho que vou arrumar um bom professor para me ensinar. 

O professor platinado sorriu para o comentário, no mínimo, com duplo sentido e ao acaso, puxou um livro da prateleira, analisou e depois concluiu. - Poemas e poesias. É uma coletânea com vários autores. 

E de olhos ainda cerrados, Yuuri solicitou. - Leia um... qualquer um. - O russo folheou o livro, leu alguns trechos para si e estudou o que tinha nas mãos, algumas das poesias tinham conotações sexuais e ele não queria isso. Bom... querer, ele queria e muito, mas não lhe parecia a hora certa para falar sobre posições, penetrações e orgasmos. Havia um encanto no ar e não queria quebrá-lo, pensou em trocar de livro, mas também não seria justo com o japonês e... - Assim não. - Viktor tirou os olhos do livro no exato instante que os gentis dedos nipônicos o fechou. - Qualquer um! Abra o livro e leia o que estiver na página do lado esquerdo. Apenas leia o que abrir. - O japonês sorriu confiante do mesmo jeito que a sua mãe sempre fazia. 

Viktor pediu aos céus que as palavras que por ventura tivesse que ditar não fossem sobre sexo, pois não saberia onde enfiar a cara. E pior era ver e perceber o que tais palavras fariam no homem a sua frente quando fizesse a tradução. E se ele não acreditasse que estava escrito aquilo mesmo? Ou pior, e se por um acaso achasse que era uma cantada barata ou até mesmo vulgar? Se arrependeu antes mesmo de começar a ler e temia se arrepender mais ainda depois que acabasse, pois com certeza seria um desastre. Tomou fôlego e encarou os castanhos que aguardavam pacientemente. 

Como solicitado, espalmou as palmas de suas mãos, uma em cada uma das capas e com os polegares abriu o livro na sorte. Respirou fundo se preparando para encarar o que havia sido destinado como presente para o momento. 

De um lado, a página estava em branco e do outro um pequeno poema residia, o título "Life after Death" lhe pareceu sinal de mal agouro, mas sem pensar muito sobre as palavras e seus significados começou a ler de forma baixa e pausada em russo e depois passou para o inglês. - ... “não pense separadamente nesta e na próxima vida...

- ... pois uma dá para a outra a partida...” - Yuuri completou ao sussurrar a sequência quando reconheceu os versos. - Poema de Rumi, Vida após a Morte. - Os dois se olharam calados. Se mediram e se analisaram, o primeiro a se movimentar foi o Viktor que foi inclinando a cabeça na direção do outro, seu objetivo era atingir os lábios alheios. Já Yuuri se preparou para o contato e aguardou ansioso para descobrir o gosto da boca do russo, mas o celular de ambos tocou ao mesmo tempo e o momento se perdeu. 

O japonês pegou o aparelho do bolso da calça e observou a tela, poucas pessoas tinham seu novo número e não foi uma surpresa quando viu a mensagem: “ ele está limpo, mas tenha cuidado e juízo”. Levantou a cabeça rápido e virou para os lados procurando pela única pessoa que poderia estar ali e fazendo o que tinha acabado de acontecer. Foi quando um rapaz de porte atlético usando uma jaqueta preta e segurando um capacete na mão saiu pela porta da frente. Yuuri, então, abriu um grande sorriso ao reconhecer o irmão na figura que estava de costas. 

- Está tudo bem? - Viktor olhou do celular que parecia ter recebido uma ligação por engano para a saída do café acompanhando o olhar do japonês, desentendendo o pequeno ocorrido que passou. 

- Está professor, está tudo certo. - Pegou o livro das mãos do russo. -  Gostei desse e vou levá-lo. - O sorriso se mantinha na boca do moreno. 

 

Passaram algumas horas um na companhia do outro e foram os últimos a saírem da cafeteria, ficaram parados na calçada da rua vazia tanto pelo adiantado do horário e bem como pelo frio, o japonês acertou melhor seu cachecol ao redor do pescoço, tinha um caminho a percorrer e foi assim que sentiu os olhos do platinado cravados nos seus gestos. - Foi um prazer Viktor. - Sorriu estendendo a mão. 

O professor encarou a mão enluvada e depois o rosto levemente corado do outro homem, como havia dito e prometido, durante o tempo que estiverem na livraria não tocou no assunto que se referia ao nome dele, mas continuava não sabendo isso e muitas outras  informações que o japonês de forma delibera evitava responder. - O prazer foi meu... - Não desfez o toque dos dedos. - Eu me comportei, não acha que mereço um agrado?

Yuuri apenas fitou o rosto do russo e observou a franja de fios brancos ficar ouriçada pelo vento que brincava com ela. Continuavam estáticos no mesmo lugar e mais uma vez aquele magnetismo se fez presente os aproximando, puxando um para o outro. Mas o som alto de uma moto acelerando ensurdeceu o moreno que virou a cabeça com tudo para o outro lado da rua. 

Lá tinham duas motos estacionadas e três pessoas, Yuuri puxou a mão e encerrou o contato. Parecia cabisbaixo com a interrupção sofrida. - Preciso ir embora...

Viktor ficou confuso como quando o celular tocou mais cedo e atrapalhou o quase beijo deles entre os livros, e agora  isso?! Alguém no céu deveria odiá-lo muito. - Quem são? Está tudo bem? 

- Está tudo bem Viktor. -  A voz estava mais triste e por um segundo o platinado viu toda a dor e sofrimento que enxergou no quadro que estava na universidade. - Eu vou indo. Até a próxima vez... 

O moreno começou a atravessar a rua e a prender os cabelos, não queria ir embora, não daquela forma parecendo um adolescente que os pais vão buscar na baladinha na casa dos amigos. Estava no meio do asfalto quando parou tomando a sua decisão, voltou-se e correu de encontro do russo mais uma vez. Queria se jogar no colo dele e ser beijado, mas não faria nada disso, não na rua e na frente dos amigos e principalmente do irmão. - Viktor... - O platinado deu um passo para frente por pura expectativa. - Fique com o livro... - O platinado pegou a sacola e só não se decepcionou mais porque não teve tempo. - E meu nome é... Yuuri.

O russo não teve tempo de dizer mais nada e nem de comentar que o nome era bonito ou que combinava com ele, o japonês atravessou a rua no galope e subiu na garupa da moto do cara mais badboy que Viktor já tinha posto os olhos e sumiu na rua deserta em alta velocidade. Na verdade, todos sumiram. 

Sorriu quando se apercebeu do peso do livro na sua mão e que ganhará um motivo para ligar, mas muito mais que isso, agora tinha um nome para chamar. - Yuuri...



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