História O Preferido - Capítulo 18


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Victor Nikiforov, Yuri Katsuki
Visualizações 30
Palavras 2.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Amanhecer


A claridade do amanhecer entrava pelas pequenas frestas da janela que não teve as cortinas ajeitadas corretamente e começaram a incomodar o ser que dormia esparramado na cama de casal. Bufou se virando de lado, pois seu despertador ainda não havia tocado e teria mais uns minutinhos de sono bom, mas aquelas riscas de luzinhas, com certeza, fizeram um trabalho melhor que o maldito relógio. 

Viktor virou-se na cama mais uma vez, ajeitou-se da melhor forma possível e resolveu que voltaria a sonhar, nem que tivesse que cobrir a cabeça com seu travesseiro, mas o cheiro de chá verde que inalou da fronha não o lembrou em nada o aroma da sua própria cama. Abriu os olhos assustados demais para saber onde estava realmente. - Que puta... merda... - Sentou-se na cama como se seu corpo tivesse molas e olhou por volta descobrindo que havia dormindo fora de casa. - Não foi um sonho, mas pelo jeito vai se tornar um pesadelo. - Disse baixo enquanto arrumava os cabelos e procurava por suas roupas, jogou para o lado o travesseiro que não era seu e pulou para fora da cama, estava nú. - Formidável...

Nunca dormia com ninguém, só quando esteve fora do seu país, foi que se deu essa liberdade e esse luxo. Em terras russas, sempre voltava para a casa dos seus pais, não importava a hora, sempre voltava. Esfregou o rosto com força em uma tentativa boba de se lembrar quando adormeceu e se acalmar com a surpresa de que com o japonês nada era do jeito que sempre fazia, mas nada lhe vinha a mente e por fim desistiu tanto de uma ação como da outra. Era melhor perder a cabeça de vez do que aos pouquinhos!

Achou tudo seu arrumado e dobrado em uma poltrona que existia perto da janela, não se lembrava dela também e por isso revirou os olhos em uma total frustração dos seus atos no dia anterior. O que mais não havia percebido? Deu uma volta no próprio eixo, e encontrou seu celular desligado e sem bateria apoiado no criado mudo junto a carteira e a chave do carro. - Que maravilha... - Vestiu a cueca e testou a outra porta que o quarto possuía, achando um banheiro pequeno e igualmente arrumado, tanto que sobre a pia de mármore negro tinha uma escova de dentes nova em uma embalagem e uma toalha dobrada. 

Fez uma higiene rápida e voltou para o dormitório, necessitava ir embora, mas não sabia onde o ilustre morador com quem passou a noite estava. Colocou a blusa de mangas longas e abriu a porta sem fazer um ruído, na sequência varreu o ambiente a sua frente à procura do homem japonês, mas não viu nada, só ouviu uma música baixa que provinha do outro quarto. 

Foi pra frente da porta que estava entreaberta e observou, não tinha movimento lá dentro, mas havia vida e Viktor se viu roubando o que tinha lá dentro. Yuuri. 

Ele estava parado em frente à janela aberta, seus cabelos estavam soltos e trajava um fino robe tão negro como os fios que possuía, ele estava de costas e o platinado o considerou absorvido demais para sentir a intromissão que fazia. 

O russo, então, percebeu a música que falava sobre promessa, espera, encontros e desencontros, e viu o gigante painel na parede de frente para onde estava. Era um deserto, a retração perfeita de um deserto digno de ser o Saara, mas era uma pintura inacabada e só nesse instante percebeu o cheiro de tinta e água raz no ar que envolvia todo o cômodo que não adentrou de imediato. 

Lembrou-se dos quadros expostos na faculdade e que Yuuri estava em todos eles, considerou que não sabia nada a respeito dele e que não faria a mínima diferença saber, mas observando de onde estava, concluiu que o moreno fazia parte da pintura árida. Yuuri pertencia de alguma forma, de alguma maneira a visão que tinha do outro lado do quarto. As dunas completavam o que via. 

E quando o russo voltou a si, olhos com um quê de vermelho o observavam calados, mas tinha mais. Existiam lágrimas ressentidas e presas, dor e tristeza também, Yuuri era o retrato fiel da última pintura que o professor se lembrava de ter analisado na universidade. Tristeza e solidão puras. 

Viktor, então, se encheu de coragem e abriu de uma vez a porta do quarto, não possuía móveis ali, somente uma mesa pequena e o aparelho de som no chão. Não disse nada e foi caminhando pelo piso frio até se aproximar do moreno e capturar a primeira lágrima com a ponta do dedo. Yuuri era lindo até mesmo triste. No impulso o abraçou forte como se fosse capaz de tirar toda a angústia e sofrimento que via e sentia. - Por que está acordado? Ainda é cedo demais. 

Yuuri não o respondeu com deveria, mas o questionou de forma direta. - Verei você novamente, Viktor?

O platinado o soltou de leve e com carinho ergueu o queixo pedindo que o encarasse nos olhos. - Você deseja isso? Me ver de novo? - Viu o japonês apenas afirmar com um movimento de cabeça e por conta disso, concluiu decidido. - Com toda a certeza te verei novamente, pois seu desejo é uma ordem pra mim. - Beijou os lábios de forma singela e depois juntou as testas, queria perguntar o porquê das lágrimas, mas sua voz ficou presa na garganta, no fundo sabia que o moreno carregava uma dor, algo que não foi dito e não se achava no direito de questionar sobre o motivo do silêncio, por isso preferiu respeitar. Apenas acreditou que estar ali, faria a diferença e movido por essa certeza, tornou abraçá-lo. 

Voltaram a se beijar quando o japonês ofereceu a boca mais uma vez e como no dia anterior, tornaram a se perderem no gosto um do outro, se entregavam ao momento e ignoravam o que girava ao redor deles, até que um pigarro os puxou de volta a realidade. 

A voz simpática do tailandês encheu o ambiente com seu tom alegre e sempre espontâneo. - Eu sei que é seu apartamento e que você estava na seca desde que chegou, mas aqui... - Fez um gesto amplo com as mãos. - É onde a magia acontece, a minha magia, então... - Phic falou rindo sem esconder que estava amando tirar sarro da cara do japonês. - E por falar em magia... - O mais jovem apontou para o traseiro do russo que dentro da cueca que se mantinha de costas para si. - Bela bunda, professor!!!

Yuuri que no começou encarava o amigo por cima do ombro do russo, depois do comentário indiscreto, foi virado a sua revelia e agora era usado como barreira para cobrir o corpo desnudo do pobre professor que não sabia com agir ou revidar as palavras. - Phic?! Você não tem jeito. 

- Meu amigo... - Gargalhou. - Eu sou o menor dos seus problemas e garanto que meu jeito é o melhor sempre. - E no instante seguinte, o irmão do japonês se materializou atrás do rapaz parado na porta fazendo o japonês entender suas palavras. 

Otabek encarou o irmão e devagar dirigiu seu olhar para russo, se mediram calados mais uma vez e depois os negros olhos desceram até o chão e observou que os dois estavam descalços, e o que era pior, o platinado não usava as calças. Resolveu que se importar com quem o irmão se envolvia não era seu departamento, mas... - Você não atendeu o celular. - Pontuou sério. - Queria saber se você estava bem e se gostaria de tomar café comigo, mas acho que cheguei em um horário muito ruim, muito embora o dia mal tenha clareado. 

- Bom dia para você e sejam bem vindo os dois!!! - Ali estava o moreno recomposto, senhor de si e refeito do susto de ser pego aos beijos com Viktor. - Vou me vestir e vou fazer café para nós, vamos todos passar uns momentos agradáveis envolta da minha enorme mesa de jantar. Todos juntos. - Sua expressão séria e decidida não dava espaço para qualquer tipo de contestação, nem para a entonação usada a respeito do móvel minúsculo que chamava de mesa. E pretendendo se dirigir ao seu quarto, procurou pela mão do platinado, não poderia esquecer-se do homem que protegia com o próprio corpo e se afastar o deixando a mercê do amigo sem noção e do irmão com muita noção, era sim um problema fazer isso. 

Depois do contato e há passos pequenos começou a se mover com Viktor sempre em seu encalce, nos seus calcanhares. Phichit e Otabek abriram caminho para os dois passaram, mas na porta, Yuuri parou e sem se virar na direção do irmão informou. - Não atendi o celular porque não escutei. - Depois de um suspiro mais forte, olhou para o moreno finalmente. - Está tudo bem Ota e não precisava derrubar todos da cama. - Disse ao visualizar o coreano caindo de sono sentado em seu sofá. 

Os irmãos se olharam calados, para os outros seria fácil dizer que se mediam pensando em alguma ofensa para jogar na cara um do outro, mas na verdade, os dois se entendiam assim, olhos nos olhos, sem palavras duras ou pela metade, somente o necessário. - Me desculpe. 

- Não precisa disso, você é meu irmão. - Yuuri finalmente deu seu primeiro sorriso do dia. - Está tudo bem. 

Agora, era Viktor que estava incomodado, o japonês não soltava sua mão e também não fazia menção nenhuma de entrar de uma vez no quarto, e para piorar tudo, o diálogo com o irmão parecia que azedaria a qualquer momento, por isso foi sua vez de pigarrear. Chamou a atenção de todos, até mesmo do rapaz alto que cochilava no sofá e na hora considerou que foi exagerado demais. - Eu... preciso ir para a... faculdade. Será que posso? - Apontou na direção da suíte do moreno. 

Otabek revirou os olhos e foi pra cozinha, Phic começou a rir e Seung não achando nada de interessante, ajeitou-se melhor no sofá e fechou os olhos novamente. Já Yuuri apenas diminuiu o sorriso que tinha. - Me desculpe por essa cena com Otabek e Phichit. - Disse se encaminhando para o quarto, mas Viktor não se mexeu e o parou segurando pela mão. 

- Acho melhor... - Sua voz não passava de um sussurro. - Eu me trocar sozinho. Sabe, né?! - Yuuri corou violentamente com o pensamento que o russo estava tendo e abaixou a cabeça para esconder sua vergonha, mas o professor achando linda a reação que viu, puxou o rosto do moreno para frente mais uma vez e lhe roubou um selinho. - Adoraria, mas realmente tenho horário. - O japonês voltou a sorrir grande mesmo vermelho e se afastou dando a intimidade do seu quarto para que o platinado se vestisse tranquilo. 

 

Na faculdade, o russo parou o carro fora da sua vaga habitual, entrou correndo e evitando contato com outros possíveis professores e funcionários. Por cedo demais, os prédios estavam bem vazios, mas uma ou outra pessoa cruzava o seu caminho e Viktor fazia questão de se esquivar, nem cumprimentava. Entrou na sua sala e respirou fundo quando se encostou na porta fechada e depois abriu um sorriso feliz se considerando um adolescente apaixonado, mas...

- Espero que tenha uma boa explicação para essa cara de bobo que está fazendo! - Viktor saltou no lugar ao ouvir a voz do professor amigo que não percebeu estar sentado em sua cadeira. - Mila ligou, Yurio ligou, sua mãe me ligou!!! Vik?! Tem cabimento isso? Quantos anos você tem afinal?

Os dois se encararam e o platinado sentiu o peso de sua irresponsabilidade da noite anterior, mas estava tão feliz que deu de ombros antes de falar qualquer confissão que fosse. - Conheci uma pessoa e estou apaixonado por ele... - Mordeu o lábio inferior. - Parece loucura, isso nunca me aconteceu antes. - Riu para o amigo. - Eu estou feliz Chris, muito feliz que poderia gritar de tanta alegria. 

O professor de oceonografia espantou-se com o amigo, nunca o viu assim e, principalmente, nunca ouviu dele as palavras que acabara de proferir “apaixonado por ele”. Viktor adorava sua profissão, amava sua família e a noiva por ser mais uma amiga do que outra coisa, poderia se dizer apaixonado por cachorros, por livros e até por algumas séries que assistia aos fins de semana. Mas o russo nunca, jamais e nem em hipótese nenhuma falava sobre amar outro homem e das relações que mantinha, imagine então, ostentar a felicidade que sentia por ter passado a noite na cama e companhia desse mesmo homem. - Viktor, estou feliz por ter achado alguém que realmente goste de verdade, mas você nem mesmo se deu ao trabalho de me questionar o que estou fazendo na sua sala a essa hora da manhã?

As palavras caíram na cabeça o professor platinado como um banho de água fria. Christophe tinha razão, não ligou para nada e nem para ninguém, na sua felicidade esquecera-se de tudo e todos, até mesmo do medo que tinha de ser descoberto ou ser pego no flagra com algum rapaz. - Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

- Está tudo bem. Falei que tínhamos saído ontem para conversar e acabamos bêbados. - Chris apoiou os dois cotovelos na mesa e suspirou cansado. - Bom... fiz isso depois que Yurio tocou a campainha da minha casa às duas horas da madrugada. 

Viktor fechou os olhos e deu um tapa na testa, foi por isso que Otabek despencou da cama logo cedo. Ele deveria saber que não tinha voltado pra casa e o loirinho enfezado deve ter falado, e isso provavelmente motivou-o a ir na casa do irmão logo cedo para conferir se tudo estava bem. - Yurio acreditou?

Christophe gargalhou com gosto e depois se levantou. - É óbvio que não. Ele é inteligente Vik e... - Fez suspense antes de completar. - E te venera. Partiu dele a ideia de dizer que bebemos além da conta. - Bocejou cansado finalmente tomando o caminho da porta. - Agora me faça o favor de manter a mentira e fingir uma cara de ressaca convincente. - Parou com a mão na maçaneta e virou-se para olhar nos olhos do amigo frente à frente. - Só me diga a verdade, valeu cada segundo?

Viktor confirmou com a cabeça sorrindo e teve o suíço com cúmplice. - Cada um, Chris. 

- Bom Vik, isso é muito bom. - Abriu a porta e deu uma piscadela. - Tenha mais cuidado da próxima vez, sim?!  - Saiu para o corredor e tomou o caminho da sala de professores, iria tomar um bom café preto e depois ir para sua sala de aulas, onde falaria dos mares e oceanos, veria seus alunos com sono lutarem suas lutas como todos os dias e passaria o tempo assim. Mas estranhamento o dia que acordou incerto e cheio de dúvidas, havia tomado um rumo diferente e por mais esquisito que fosse não conseguia deixar de ser tocado pela felicidade do amigo. 

Viktor estava apaixonado!



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