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História O Preferido - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Marcas


Yuuri saiu do camarim segundos antes das mulheres entrarem falando sem parar sobre a apresentação, ele ainda  segurou a porta para todas e disse um até logo baixo que foi respondido com grande entusiasmo por todas, mas que o japonês fez questão de ignorar. 

Passou a andar pelos corredores largos e frios com os olhos grudados no celular, estava respondendo o irmão, que por estar na companhia de um certo loirinho, não foi na palestra do amigo e nem presenciou a sua apresentação. Escreveu dizendo que estava bem e que iria pra casa direto, comeria algo por lá e pensaria no seu futuro. Quando se encheu de tantos questionamentos que não paravam e se recusando a falar do platinado com Otabek, travou o celular e colocou no bolso da mochila que carregava, e foi só então que percebeu que não sabia mais onde estava. 

Parou olhando para frente e depois para trás, mas o corredor longo era igual para ambos os lados. - Que beleza!!! - Resolveu retroceder seus passos até o camarim ou quem sabe daria a sorte de encontrar alguém no caminho que falasse um inglês digno e o colocasse na direção certa da porta de saída, mas nada é como se deseja e Yuuri tinha a sensação de que tinha caído em alguma armadilha do tempo, pois por mais que andasse parecia não sair do lugar. Portas trancadas, silêncio e o imenso corredor ao estilo vitoriano se repetia sem parar, foi assim até que atingiu uma escadaria, ele não se lembrava de ter passado por ali, mas decidiu descer acreditando que poderia encontrar alguém no pavimento inferior e ter sucesso em se achar. 

Conforme descia devagar, uma sensação estranha de que era observado aumentou no seu peito, sentiu que alguém o espiava de algum ponto cego para si. Parou no meio dos degraus e olhou para o topo da escada, não viu nada, então virou-se para baixo e encarou a escuridão que o esperava lá embaixo, ficou na dúvida e na sua cabeça a ideia de voltar para onde tinha luz lhe pareceu o mais correto a se fazer. Subiu correndo o pequeno percurso e no processo puxou a mochila novamente para frente, sua atenção voltada para a ação de pegar o celular, na clara intenção de ligar para alguém, e esse alguém só poderia ser Phic que o salvaria enquanto daria risadas a suas custas. 

Quando atingiu o topo da escada, voltou-se para o lado esquerdo sem perceber, seus olhos e dedos na tela do aparelho tentava desbloquear o mesmo. E foi nesse instante que braços o rodearam, um se agarrou a sua cintura enquanto o outro tampou-lhe a boca. 

Yuuri pensou em gritar ou bater, mas apenas esperneou tentando se  virar e sem largar o celular, foi arrastado para uma das salas mais próximas que estava fechada. 

A porta foi aberta e fechada em uma velocidade impressionante e o local para onde foi jogado,  praticamente, estava no breu total. Ele piscou forte para ver se conseguia enxergar algo na escuridão, mas não teve tempo, pois no momento seguinte, sentiu seu corpo ser pressionado contra a mesma porta de antes e sem que pudesse pensar em fazer algo, lábios cobriram sua boca em um beijo rude. 

- Não grite, por favor... - Com os lábios colados ao do japonês, Viktor suplicou. - Por favor...

Yuuri conseguiu reunir a força necessária e empurrou o peito do platinado criando um espaço mínimo entre eles. - Por um acaso enlouqueceu de vez? Tem ideia do que está fazendo? - Virava a cabeça para os lados tentando impedir que Viktor o beijasse de novo. - Viktor?! - A voz se elevou e assustou o professor. 

- Não grite... eu imploro. Quero conversar com você...

- Conversar? - O japonês riu com deboche. - Você tem problemas Viktor!

O professor finalmente perdeu a paciência e puxou Yuuri o colocando sobre a mesa. - Sim... - Beijou o japonês a força de novo quando segurou-o pelo queixo. - Tenho problemas mesmo... - Forçou-se sobre Yuuri e só ficou satisfeito quando sentiu o membro entumecido roçar no seu. - Meu problema é você e quer saber o porquê?

As palavras eram sussurradas como se fosse proibido dizê-las em voz alta e em todo o curto diálogo, se é que poderia chamar-se assim, o platinado beijava os lábios, o pescoço e mexia o quadril criando um atrito gostoso entre eles. - Diga que não quer... me mande parar... me dê um tapa na cara... e eu paro no mesmo instante. - Viktor lambeu a boca do moreno. - Faço algo ou faço eu!!!

Como Yuuri era traído por seu próprio corpo, Viktor foi se aproveitando como toques e carícias cada vez mais quentes, mais indecentes e quando o japonês deu por si, o professor o chupava escandalosamente sobre a mesa da sala. - Viktor... - Agarrou os cabelos platinados em um rompante de lucidez e os puxou com força para longe de seu corpo. 

O russo sabia o que vinha pela frente com a atitude do asiático e precisava evitar a todo custo, por isso endireitou o corpo e atacou a boca que lhe tirava o pouco juízo que um dia teve. O beijo guloso revelava dois homens duelando pelo controle e por ditar um ritmo, sem contar que testavam o poder da respiração. Os dedos se encontravam e se perdiam na mesma proporção, e na brincadeira de pegar e largar, a mão boba do professor se fechou no pau duro e exposto do outro. Começou a masturba-lo. 

- Yuuri... - Viktor gemeu rente ao pescoço delgado onde alguns fios já se prendiam pelo suor e teve certeza que mesmo na escuridão, o japonês estaria com os olhos apertados enquanto se entregava a sensação do momento. - Yuuri... eu quero você e muito, mas quero fazer a coisa certa... não quero um momento roubado como esse. - A mão não parava de mexer e manipular o membro do moreno. - Aceita ir comigo para outro lugar? - Não deu tempo para o azar e atacou a boca alheia com gosto e entre os beijos implorou para que fosse seguido a todo custo. 

 

Yuuri mirou o espelho que cobria uma parede inteira do quarto onde estava e o que viu não o deixou envergonhado, por mais que soubesse que deveria ficar e sabendo que devia isso a si mesmo,  não ficou e pior, não sentiu o mínimo remorso por sua escolha. Deixaria para mais tarde para se entender com a sua consciência pesada que viria com o arrependimento pela escolha tomada no calor do momento. 

Estava nu, deitado em uma cama com lençóis cheirando a flores, sentindo sensações que por um tempo achou que não sentiria nunca mais, querendo e desejando o que não deveria, que estava errado e o que faria se sentir mais errado ainda, mas quem se importava com o agora?

Viktor beijava o corpo que desnudou com uma força de vontade de tomá-lo de todas as formas, queria saciar-se nele, atingir o clímax várias vezes, mas acima de tudo queria dar prazeres que o moreno nunca encontrasse em outro lugar ou em outros braços. Somente nos seus! Queria que Yuuri só conseguisse se satisfazer no seu sexo, por isso se empenhava em adora-lo. 

Lambeu, chupou e acariciou o corpo inteiro do moreno que ainda continha pequenas manchas da tinta que usou na apresentação. E em se lembrar da dança, só servia para atiçar os ânimos do russo cada vez mais, porque queria que aqueles movimentos fossem somente para seus olhos e de mais ninguém. - Dança pra mim... - Viktor sussurrou entre uma mordida e outra que dispensava aos mamilos duros que judiava. - Dança...

- Não. - Yuuri contorceu o corpo quando dois dedos platinados e lambuzados entraram em seu anus. - Não vou dançar para você... nunca... - Sentiu na pele toda a frustração russa a sua negação proferida assim que os dentes se fecharam sobre seu mamilo com um pouco mais de força, bem como a soma de mais um dígito na sua entrada sem nenhum tipo de aviso. - Ahhhhhh... Vitya... - Estava sendo punido, era isso mesmo? Pior que estava gostava. Só isso para explicar o porquê  de estar quase gozando com os toques mais rudes. 

- Vou fazer você dançar, quer ver? - Com essas palavras, o russo saiu de cima do corpo do asiático e se posicionou no meio de suas pernas, apontou o membro para a entrada melada e com ambas as mãos na cintura de Yuuri, o puxou se encaixando nele em apenas um movimento. Adorava aquela sensação que lhe percorria toda a espinha dorsal quando penetrava o japonês. Era como se o ligassem em uma tomada. 

Movimentou pouco para fazer com que o corpo que o acomodava se acostumasse com a invasão e depois que achou que estava bom, tornou a puxar o moreno, só que dessa vez o fez sentar-se no seu colo. Yuuri o abraçou no automático ainda sentindo a dor que logo seria substituída por um prazer sem nome.

Eles haviam transado várias vezes, mas o moreno em nenhuma das oportunidades havia ficado por cima e o russo querendo e desejando ser agraciado com os movimentos que viu na coreografia mais cedo, o colocou dessa forma, pois acreditava que assim ele seria obrigado a se mexer e rebolar sobre si. - O que vai fazer agora? - Perguntou baixo para provocá-lo e começou a estimula-ló para que subisse e descesse por seu membro. 

E foi ali, naquela posição que Viktor viu o brilho surgir nos olhos castanhos, e mudar e ganharem uma determinação única. Luxuria. Havia cutucado um felino com sua vara e não sabia o que aconteceria daquele ponto adiante. 

Yuuri enfiou a língua na boca do platinado e iniciou um beijo que terminou da mesma forma tempestiva que havia começado. Puxou os curtos cabelos prateados da nuca com força e chupou o pescoço que ficou exposto, deixou uma marca grande e vermelha que nas horas seguintes ganharia tons arroxeados. Cravou as unhas nas costas e ombros largos do professor, e o arranhou até que ouviu seus gemidos baixos. Estava por cima e mostraria do que era feito. Começou a mexer devagar o quadril, o incômodo havia passado e deu lugar há um tesão que gritava nos seus ouvidos como a respiração descompassada do seu parceiro. - É isso que você queria? - Rebolou e viu o russo fechar os olhos enquanto apertava os lábios. Repetiu o movimento lentamente. - Diga, é o que queria?

Viktor abriu os olhos nublados pelas descargas elétricas que sentia pelo corpo todo. - Eu quero você!!! - E o beijou como nunca o tivesse beijado. - Sempre... você.

 

Viktor despertou como de costume antes que o alarme do seu celular tocasse. Espreguiçou-se e passou às mãos pelos cabelos em uma tentativa de arruma-lós, depois olhou para o lado fixando o rosto sereno do japonês que dormia tranquilo e sorriu feliz com tudo que aconteceu na noite anterior. Não conversaram, mas de algum jeito, haviam se entendido. 

Pousou os dedos de leve sobre o rosto e tirou uma mecha do longo cabelo negro que ocultava a boca de linhas perfeitas. Abriu mais o sorriso, queria isso para sua vida e nunca se enjoaria. 

O russo admirou-o por mais uns instantes e depois resolveu tomar uma boa ducha, fazia planos mentais de pedir um café da manhã gordo e poder curtir mais com o Yuuri. Pulou da cama e foi para o banheiro se considerando o homem mais corajoso e felizardo do mundo, pois trazia no corpo as marcas do que havia dividido naquele quarto com a pessoa que dormia esparramado na cama. Yuuri o surpreendeu, não dançou, mas fez outras coisas que não imaginava. 

Deixou que a água norma lavasse seu corpo que em alguns pontos ardia mais e sentiu falta dos toques das mãos do asiático como na última vez que estiveram na banheira juntos, ou seja, apenas algumas horas atrás. Balançou a cabeça, a ideia a princípio era de tomarem um banho rápido e saírem para comer, mas no fim acabaram transando de novo e quando terminaram, desabaram na cama nus, adormecendo poucos segundos depois. Por isso o plano de um café reforçado lhe parecia tentadora demais. 

Saiu do banheiro se enrolando no roupão e ficou parado sem saber o que fazer, pois ainda era cedo demais para pedir o café e, também, queria deixar o japonês acordar por si só. Caminhou devagar em direção a janela e abriu uma pequena fresta, o dia estava claro sem muitas nuvens no céu, e foi o suficiente para incomodar o ser que dormia na cama e que se virou para o outro lado rápido. 

Viktor sorriu de canto, pois o movimento fez parte da coberta cair e revelar as costas praticamente inteira do moreno que resolveu dormir de bruços. Com movimento lentos, o professor foi em sua direção, sua intenção era de cobri-lo, mas mais uma vez se pegou admirando os mínimos detalhes que via. E seus olhos e dedos se prenderam a mecha de fios brancos no mar negro que eram os cabelos em cima do travesseiro. Enrolou no dedo e depois soltou, enrolou mais e repetiu todo o processo mais uma vez antes de, finalmente, começar a descer o olhar pela nuca e costas. 

Viktor se perdia olhando a pele uniforme, os músculos discretos porém definidos dos ombros, os movimentos que o corpo fazia conforme respirava, mas de repente uma marquinha mais escura sobressaltou na pele de marfim, parecia uma pequena estrela com quatro pontas, e sem entender o porquê o russo sentiu sua garganta apertar e travar. 

Na verdade, existiam três pequenos sinais idênticos nas costas do moreno e Viktor sabia que não eram tinta, mas também não sabia dizer o que seriam. Só que seu coração se oprimiu, seus olhos se nublaram e sua mão tremeu quando largou os fios com que brincava. 

A primeira lágrima do russo desceu quando os dedos tocaram a marca que ficava mais em cima. E viu Yuuri respirar fundo, contrair todos os músculos e depois relaxar sobre a cama, pareceu-lhe que sentia dor. 

O ar no quarto de repente ficou pesado e fazia o platinado respirar ruidosamente, seu peito subia e descia rápido como se estivesse em uma corrida desenfreada. Viktor estava ajoelhado ao lado da cama e tentou se controlar para não gritar de desespero, e foi aí, nesse momento, que a sua mão chegou no segundo sinal. Seu rosto já estava banhado pelas lágrimas, mas viu quando Yuuri se contraiu de novo e escutou a respiração mais forte. Estava sonhando ou estava preso em alguma espécie de pesadelo, muito embora estivesse acordado há vários minutos, e sem entender, rezou para despertar logo. 

Viktor se curvou sobre si mesmo, fechou os olhos e deu vazão para o seu pranto dolorido. Estava com dor, muita, mas desconhecia o motivo. E sua mão cobriu a terceira marca, essa deveria ser na direção do coração do japonês e foi a pior de todas para ele, pois Yuuri se contraiu mais uma vez, suas mãos agarraram os lençóis, mas diferentes das outras, Viktor só escutou uma respiração profunda e depois cessou. 

O coração russo falhou uma batida, igual o fôlego do moreno e por um segundo, um mísero segundo, Viktor teve a certeza que Yuuri havia morrido de novo e ele não pode fazer nada, apenas assistiu e chorou. Não segurava mais suas lágrimas e muito menos seus sentimentos de perda e luto, chorou alto. Deixou tudo sair, toda aquela dor, toda a angústia e... - Eu estou aqui, eu estou aqui... Viktor... - Yuuri acordou com o pranto sentido e sem pensar o abraçou forte repetindo sem parar palavras de conforto. - Estou aqui e tudo vai ficar bem... eu prometo, Viktor. 

As lágrimas molhavam o ombro, escorriam pelas costas e se misturavam aos fios negros. O platinado o apertava cada vez mais nos braços como se tentasse colocá-lo dentro do próprio peito para protegê-lo de um mal sem fim, mas não conseguia e com isso a frustração era cada vez maior e suas lágrimas não cessavam, mas ele tinha uma certeza. - Não vou perder... não vou perder você dessa vez... não de novo. 

 



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