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História O prelúdio das rosas negras - Capítulo 1


Escrita por: e TopJKProject


Notas do Autor


Querido par, espero que goste do seu presente, tentei seguir a risca o que me pediu, entoa vamos lá. @shinegguk.
Obrigada a @Hopecat pela capa maravilhosa que superou todas as minhas expectativas, você tem muito talento.

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction O prelúdio das rosas negras - Capítulo 1 - Capítulo único

 

Peônia, 1439 d.C

 

O reino de Peônia sempre foi muito próspero, a diversidade, as festas, tudo era motivo para alegria, há vários séculos não haviam motivos para iniciar uma guerra, a paz e o amor eram os princípios do povo, além da justiça e lealdade.

Por todos os lados, crianças corriam fazendo a poeira subir pelas ruas, os guardas vagueando pelas aldeias, a fim de manter a tranquilidade do povo. A estação em questão, o inverno, tão aclamado pelos súditos, indicava que era hora de descanso para aqueles que sustentam suas casas com a força do braço e que após três primaveras seguidas, sem parar, poderiam celebrar o baile de máscaras que o rei Chanyeol oferecia ao povo, sempre que a colheita demonstrava grande sucesso.

Dentro dos muros do palácio, Park Jimin, único filho do rei, corria pelos corredores, mesmo já tendo vinte primaveras, sempre ficava agitado com a chegada dos bailes, e principalmente este que não sabia a identidade dos plebeus. Sem autorização, abriu a porta do quarto de seus pais os assustando, seu omma que beijava o rei mais velho acabou caindo da cama, sendo ajudado pelo esposo que sentou-se.

— Quantas vezes terei que dizer para bater antes de entrar? — Baekhyun levantou-se.

— Desculpa. — Abaixou o rosto envergonhado, nunca se acostumou com os beijos afoitos que os mais velhos trocavam sempre que podiam.

— Tudo bem, eu preciso ir, tenho uma reunião com o conselho — disse Chanyeol, pegou a coroa que residia na cômoda de madeira e saiu do quarto, antes dando um beijo na testa do filho.

Baekhyun cruzou os braços e encarou o filho com a sobrancelha erguida.

— Omma, me ajuda, como é um baile de máscaras? — indagou, dando breves pulinhos. 

— É um baile como qualquer outro querido, só que as pessoas usam máscaras — respondeu o loiro.

— Não assim. — Sentou-se, fazendo um bico. — Você me contou que conheceu meu appa em um baile e foi amor à primeira vista — disse baixinho.

— Vem aqui, querido. — Deitou-se, apoiando as costas nos travesseiros macios, Jimin se aconchegou no mais velho, deitando a cabeça no colo do Park, sentindo ele mexer em seu longo cabelo também loiro. — O amor é algo maravilhoso, você não precisa procurar o tempo inteiro, ele simplesmente acontece.

— E como sei que estou amando alguém? — perguntou.

— Você vai sentir seu coração acelerado, quente, a necessidade de estar ao lado dessa pessoa — falou calmamente.

— Espero conhecer a minha alma gêmea antes da coroação. — Suspirou.

— Não seja apressado, tudo tem o seu tempo. — Acariciou as bochechas gordinhas do filho.

 

[...]

 

A noite havia chegado, a lua iluminava a vasta escuridão da floresta, às rosas negras cheias de espinhos venenosos, as árvores altas e os galhos que arranhavam qualquer um que ousasse passar por ali.

Apesar do inverno, aquela noite em questão era quente. Em uma cabana às margens do rio que corria em meio a floresta proibida, residia Jeon Jungkook, um caçador de recompensas, havia aberto a janela para que pudesse sentir a brisa dos ventos que rondavam a região. Sentado em uma cadeira desconfortável, estudava o mapa sobre a mesa, escrevendo algumas coisas no papel amarelado de um livro de capa dura. O moreno estranhou o fato de alguém bater em sua porta tão tarde, apanhou um punhal e seguiu até a madeira abrindo lentamente.

— O que querem? — As armaduras pratas não negavam quem era, guardas do rei.

— A mando do rei, estamos entregando o convite para todos da região. — Estendeu o pergaminho para o moreno.

— Obrigado. — Segurou o objeto, ao fechar a porta o jogou em cima da mesa não dando atenção.

Voltou a revirar as pistas, contudo, o reino de Peônia era grande, imenso em extensão, jamais encontraria o ladrão de diamantes naquelas redondezas. Cruzou as mãos e respirou fundo, tomado pela curiosidade abriu o pergaminho que o guarda havia entregue em suas mãos.

 

CONVOCAÇÃO REAL

"O rei Park Chanyeol junto de sua família real, convida a todos os moradores de Peônia para o ilustre baile de inverno, conhecido por todos. 

Esta celebração tão especial será diferente de todas as outras já ocorridas, por escolha do rei Park Baekhyun, esposo do nosso monarca supremo, será festejado com um baile de máscaras, sendo assim dito."

 

— Mas é claro! — Bateu as mãos na mesa. — Como não pensei nisso, o desgraçado vai se aproveitar do baile para roubar os diamantes da coroa, como não pensei nisso antes?

Jungkook levantou e jogou outro mapa na madeira dura, começando a desenhar todo o contorno do castelo. Sua espada bem afiada foi posta na bainha, e pela primeira vez em anos removeu a única herança de seu pai de dentro do baú velho.

— Da para o gasto. — Decidiu deitar-se.

Assim como o vento passa tão rápido, os dias também se passaram, exatamente uma semana. A neve já havia coberto todas as estradas, a floresta estava coberta de gelo, contudo as flores tão perigosas não tinham murchado com o frio. O crepúsculo já era visível, o céu começava a ganhar uma coloração mais escura, e no castelo o salão de festa apresentava-se exorbitante, as tochas acesas presas às paredes brancas com faixas douradas e várias janelas de vidro, o chão inteiramente lustrado, o teto com lustres de cristais, vários empregados com máscaras pretas e bandejas com bebidas e comidas servindo os convidados, bobos da corte e malabaristas corriam pelo local alegrando a todos, em um canto a música clássica era tocada pelo violinista e outros músicos presentes.

No andar de cima do palácio, SeokJin, servo pessoal de Jimin o ajudava a se arrumar, a faixa larga de seda com dois dragões bordados de vermelho na frente foi presa por todo o busto e barriga do príncipe.

— Isso aperta — reclamou o loiro se remexendo.

— Alteza, fique parado por favor — pediu o mais velho.

Terminou as pinças vendo a peça ficar bem firme e o colo do príncipe ficar exposto, vestiu o hanfu que possuía saia de otomana, tecido pesado de trama de lã e seda chamalotada, coberta por renda e desenhos rameiras brancas nas linhas, a parte de cima composta por mangas de renda transparente preta e faixas vermelhas no feixe.

— Odeio esse hanfu com todas as minhas forças. SeokJin, ordeno que costure outro para mim — falou o menor já com raiva.

— O rei Baekhyun deixou claro, o senhor usará este hanfu por um longo período, seu appa rei Chanyeol gastou muito ouro para encontrarem a lã desta vestimenta. — Apertou a faixa que prendia o hanfu, colocando uma espécie de cinto de corda trançadas por cima com duas longas faixas brancas amarradas por cima.

— Appa faz tudo que eu peço, não estou gostando mais disso — respondeu com um bico.

— Alteza, — começou a escovar os fios loiros que batiam na cintura. — Seu appa o mima por ser o único de sua linhagem.

— Sabe, sempre quis ter um irmão — proferiu pensativo.

O mais velho fez uma tiara de tranças, escondendo-as na nuca do menor, deixando o restante do cabelo completamente solto e bem lisos.

— Querido. — Segurou as mãos de Jimin. — Seus pais o amam muito, você foi algo impossível que aconteceu na vida de ambos.

— O que quer dizer? — perguntou confuso.

— Baekhyun não podia ter filhos, mas ele não perdeu as esperanças junto de seu appa, seu parto foi complicado, quase perdemos vocês dois, contudo, você veio ao mundo, alteza. — Beijou as mãos tão bem cuidadas. — Cheio de vida, um verdadeiro símbolo de amor, cumplicidade, união e fé. — O abraçou chorando. — Tá bom, chega de sentimentalismo. — Virou-se pegando a máscara de tom salmão com contornos pretos e algumas pontas, encaixou o rosto do príncipe, amarrando a fita atrás.

— Não coloque a coroa, não quero que fique me bajulando — disse.

— Como desejar, alteza. — Curvou-se.

— Bem, lá vou eu. — Respirou fundo e caminhou para fora do quarto em direção ao salão.

Jimin desceu as escadas calmamente, sem chamar atenção das pessoas, coisa que não foi fácil pois sua presença era marcante, além de seu hanfu ser o mais elegante da noite. Se perdeu em meio às pessoas, indo para perto da entrada, pegando uma taça de vinho, bebericando ao passo que admirava a dança de alguns casais.

Do lado de fora, Jungkook amarrou seu cavalo em uma árvore deixando comida suficiente para o animal, com seu hanfu totalmente negro com bordados dourados nas mangas e no peito, a espada escondida embaixo do tecido grosso presa a calça, em seu rosto uma máscara dourada que cobria seus olhos e seu nariz. Sua busca ali era apenas o ladrão e nada mais, ficaria atento a qualquer movimentação surpresa, ser um caçador de recompensas significava ser caçado e conhecido por todos. Ao entrar no palácio, seus olhos varreram todos os cantos, risadas, conversas, a música, nem parecia que estava tudo congelado do lado de fora. Deu alguns passos para dentro, procurando por fracos conhecidos, pois não havia como saber o rosto das pessoas, contudo seus planos foram por água abaixo ao se virar para o lado, perto de uma janela, os movimentos tão suaves de acordo com a música, a taça com líquido roxo escuro tocando os lábios tão bonitos, Jungkook sentiu seu coração falhar algumas batidas e poderia jurar que suas pupilas dilataram naquele instante, mesmo não conhecendo o rosto por trás de uma máscara tão acolhedora que o impedia de ver os traços do jovem.

O caçador ficou encantado, lindo, em sua concepção extremamente belo, o rosto coberto não o deixava menos bonito, apenas dava um ar misterioso, sob a luz da lua que penetrava o fino vidro, Jimin era iluminado, o moreno se esqueceu, como se uma amnésia houvesse lhe abatido naquele momento, conseguiu enxergar pouco, mas viu como eram lindos os olhos cerúleos, foi ali que soube que seu coração havia sido fisgado. Já próximo, arrancou uma flor de um dos vasos que enfeitavam o salão e criou coragem.

— Perdoe minha inconveniência, mas não pude deixar de notar-te — disse, entregando a rosa para o menor.

Jimin sorriu, largou a taça em um lugar qualquer e fixou o olhar nas íris escuras, foi como se suas almas tivessem se conectado, os deixando estáticos por alguns breves segundos.

— Não me olhe dessa maneira, pois a vontade que tenho é de te beijar durante toda essa noite — falou o Jeon sem pestanejar.

— Pois faço de seu desejo os meus, jamais em sã consciência senti algo tão forte em meu peito — falou de forma confusa. 

Estava acontecendo, a lenda era real, o amor que surgiu entre eles foi puro, único, sendo possível tocar com as próprias mãos.

— Não consigo ver seu rosto, não sei de sua beleza e nem de sua fama, mas já me sinto apaixonado por ti. — Jungkook tocou o queixo do menor. — Aceita dançar a valsa comigo? — indagou, lhe estendo a mão.

— Seria uma honra. — Aceitou o pedido, o seguindo até o meio do salão.

Ambos saudaram-se, Jimin Aproximou-se e colocou sua destra no ombro do moreno, enquanto ele segurou-lhe pela cintura e sua outra mão entrelaçou a dele, o príncipe sorria sendo guiado pelo mais alto.

— Como devo chamá-lo? — indagou, o levantando pela cintura, dando uma volta completa, voltando a segurá-lo pelas mãos.

— Me chame de Nix e você? — O Jeon o virou de costas, colocou o peito em suas costas o enlaçando por trás, o inclinando para o lado, deixando seus rostos bem próximos.

— Me chame de Seigneur Valery — sussurrou no ouvido do loiro.

A valsa ganhou um novo ritmo, maravilhando todos ao redor, inclusive as Majestades que pararam os cumprimentos.

— Estão nos olhando, senhor Seigneur Valery — exprimiu timidamente.

— Acredito, senhor Nix que estavam admirados com sua beleza — respondeu.

Jungkook o segurou firmemente pela cintura colando seus corpos, Jimin apoiou a cabeça e as mãos no peito forte do mais alto e fechou os olhos, deixando que a música os guiasse.

— O céu está muito bonito nesta noite de inverno, venha deslumbrar comigo? — Convidou-o.

— Vamos. — Jimin cessou os passos e foram juntos para o lado de fora. — A neve é tão pura. — Pegou um floco em seus dedos.

— Assim como o amor. — Tocou a mão do loiro que o olhou surpreso. 

— Acreditas no amor? — questionou.

— Quando o tenho em carne e osso em minha frente, não duvido de mais nada. — Jogou os fios longos do Park para trás, aspirando o perfume de rosas que provinha de sua pele. 

— Faz cócegas — disse o príncipe envergonhado.

Jungkook novamente alcançou o queixo do menor, passando o polegar pelos lábios carnudos e tão vermelhos. Jimin sentia como se seu coração fosse escapar de seu peito há qualquer momento.

— Estou sóbrio, só bebi uma taça. — Dedilhou seus dedos pelo pulso do moreno. — Se quiser me beijar, tem minha total permissão.

Jungkook pressionou as bochechas macias e quando menos percebeu, tomou os lábios tão bonitos, foi um ósculo lento, Jimin nunca foi tocado de maneira tão íntima por ninguém, se encontrava perdido, todavia deixou que o moreno lhe guiasse, deu passagem para a língua do mais alto, imitando seus gestos. O ato se findou após alguns segundos e sorriram um para o outro.

— Deixe-me contemplar sua beleza, por trás desta máscara — pediu.

— Pode tirá-la — respondeu, dando um passo para frente.

Jungkook levou as mãos para trás da cabeça do menor, morosamente puxou o laço da fita a soltando, lentamente foi removendo a face do loiro, a curiosidade de vê-lo foi interrompida por um alarde, as pessoas começaram a correr de um lado para o outro, o Jeon olhou para trás ao notar que um homem desconhecido e suspeito fugiu com a coroa.

— Nix eu. — Olhou para frente, contudo o menor havia desaparecido e apenas a máscara estava em suas mãos. — Droga! 

O moreno passou pelas pessoas com dificuldade, chegando em seu cavalo, indo atrás do fugitivo.

No palácio, Jimin era puxado escadas acima por SeokJin, tropeçando várias vezes ou outras nos degraus.

— O que está acontecendo? — perguntou preocupado.

A porta do quarto foi aberta, e antes que Jimin fizesse qualquer coisa, os braços lhe envolveram o trazendo para um abraço apertado.

— Você está bem? — Baekhyun apalpou o rosto do filho. 

— Sim, estou. — Esbugalhou os olhos ao ver o estado do mais velho. — O seu cabelo, o que aconteceu?

— Fiquei sozinho por alguns instantes e um homem me atacou, ele queria a coroa, e meu cabelo acabou indo junto, mas eu estou bem, logo essa falha desaparece, o importante é que ninguém se machucou — disse calmamente.

— Capturaram esse ladrão? — perguntou, preocupado com a situação.

— Ele desapareceu em meio ao tumulto, mas acredito que não será capaz de se esconder por muito tempo, os diamantes daquela coroa nem são verdadeiros. — riu.

— Fico feliz que esteja bem, não sei o que seria sem você, omma. — Jimin voltou a se agarrar ao mais velho.

A festa se transformou em um verdadeiro caos, os guardas pararam as buscas por ordem de Chanyeol, voltando para proteger o castelo. Em meio a escuridão da floresta, Jungkook segurava sua espada com força, vigiando o homem que havia parado para pegar água, em um ato de distração acabou pisando em um galho seco, fazendo o desconhecido se assustar.

— Quem está aí? — Armou-se.

— Se eu fosse você, abaixaria essa espada. — O caçador saiu de seu esconderijo.

— Você, como me encontrou aqui? 

— Eu tenho várias faces e estou em vários lugares e pode ter certeza que dessa vez não irei falhar. — Apontou a espada, ficando em pose de combate.

— Você já falhou meu amigo. — Partiu para cima do Jeon.

O choque das espadas ecoou por toda a floresta, fazendo os pássaros voarem, Jungkook não mediu esforços para acabar de vez com aquilo, o homem já havia destruído várias famílias em outros reinos, saqueando pessoas e até mesmo crianças. Foi pensando assim que em um único golpe, atingiu-lhe o peito e jogou a espada para longe.

— Não pode me matar — disse, ajoelhando-se já ofegante.

— Irei te entregar a guarda real e pegar a minha recompensa — exprimiu com frieza.

Jungkook não mediu esforços para entregar o ladrão aos guardas do palácio, recebendo uma bolsa de ouro como recompensa, oferecida pelo rei. O moreno apesar de ter conseguido o que tanto queria, alguma coisa lhe faltava, guardou as moedas de ouro na bolsa de couro presa em seu cavalo e ao mesmo tempo apalpou a máscara tão bonita em sua mão.

— Algum dia irei te encontrar. — Saltou sobre o animal de crina preta e foi para longe.

3 Meses depois 

 

Jimin andava pelo palácio pensativo, era início de primavera e por esse motivo usava seu hanfu mais simples de cor azul claro, sua vida havia mudado tão de repente, os preparativos para a coroação já o deixavam enjoado. Seus dedos enroscaram-se nos próprios fios, quase machucando.

— Alteza! — Jimin sobressaltou-se ao ouvir alguém lhe chamando. — Perdão. — A serva o saudou. — Vermelho ou azul?

— Vermelho, para representar o sangue que foi derramado por nossos soldados no campo de batalha — articulou e sem esperar saiu do castelo.

O príncipe não conseguia dormir há várias noites, acordando sempre no meio da noite, seus pensamentos vagueavam por suas memórias do baile, sonhando em encontrar o cavalheiro daquela noite, fantasiando seu rosto e seus toques. O beijo que trocaram foi uma mistura de vitória e derrota, ali o desejo de está com outros morreu, seu coração ardia pela crescente paixão de alguém que nem ao menos conhecia. Perdido, foi assim que desceu os degraus que o levariam para fora dos muros, mesmo sob os gritos dos empregados e poderia jurar que também ouviu um de seu appa Chanyeol, não deu atenção, seus pés ficaram ligeiros, a pressão imposta para tomar conta do reino, tantas tarefas, tanto afazeres, simplesmente deixou seu coração falar mais alto, segurando a barra do tecido correu o mais rápido que conseguiu, não percebendo sua coroa caindo nas ruas do povoado, muitos lhe cumprimentavam e tentavam se aproximar, em contrapartida Jimin não possuía cabeça no momento. O Park continuou até seus pés tocarem a grama de tonalidade escura, mesmo com a primavera, o verde era sem vida, já ouvira boatos sobre a floresta, contudo levado pelo calor do momento, atravessou as árvores tão altas como montanhas, alguns galhos prenderam-se as mangas de sua roupa, arranhando seus braços. Proibida e perigosa, amaldiçoada por uma ancestral que não teve sucesso no amor e recorreu à magia para se esconder de todos que quisessem lhe fazer mal. Tomou cuidado para não tocar em nada, quando de repente algo saltou em sua direção o fazendo se assustar e tropeçar nas rameiras que cobriam o chão, caindo sobre um arbusto cheio de rosas negras, Jimin gemeu dolorido, as lágrimas escaparam de seus olhos sem permissão, os espinhos perfuraram sua pele e o veneno correu em suas veias, frio, impiedoso, sem pena, o loiro não conseguiu mais se mover, apenas a escuridão que tomou conta de seus olhos tão ímpares.

Em outra parte, Jungkook terminou seu banho no rio quando um pressentimento atingiu-lhe, como um presságio ruim, imprescritível, em sua mente dizia para entrar na floresta, que lá encontraria respostas, um instinto esquisito, necessidade de proteger, ter em seus braços um incógnito. Entrou na cabana, vestiu sua roupa de couro e luvas para não correr nenhum risco, sua espada caso fosse uma enganação de consciência.

A cada passo que dava seu coração se apertava, segmentando as folhas, deixando um caminho de rosas para trás, possivelmente ficou cego, sendo levado por suas pernas em uma região abarrotada de arbustos com flores, no meio delas um corpo, Jungkook arregalou os olhos e cortou as rosáceas, com complexidade e resistência logrou recolher o corpo dali, o ergueu em seus braços e com urgência correu dali. Abriu a porta em um estrondo, deitando o loiro em sua cama, sentiu o pulso do menor e então abriu o hanfu em ruínas o jogando no chão, com uma pinça retirou todos os espinhos os colocando em uma vasilha de barro com álcool, limpou os machucados os enfaixando, em seguida vestiu um de seus kimonos no menor. No fogão de lenha, ferveu uma rosa negra com outras ervas, fazendo um chá que limpava todo o veneno da floresta, aprendeu com sua falecida avó que todo veneno em dose certa se transformava em remédio, colocou o líquido límpido em uma caneca de barro e sentou-se na cama, apoiando o príncipe em seu colo, o viu se mexer, dando sinais que estava acordando.

— Calma, — Jimin começou a se agitar. — Calma, estou cuidando de você. Tome isso, vai ajudar a cortar o efeito do veneno e aliviar as dores. — Levou a tisana aos lábios do Park, o ajudando a sorver. — Você vai ficar bem, eu prometo.

Jimin se remexeu e caiu em um sono profundo. O Jeon o acomodou melhor entre os lençóis, o cobrindo com uma coberta grossa, pois a febre estava abaixando aos poucos, encostou as mãos nas costas da cadeira até que seu olhar se prendeu na máscara salmão em cima da mesa, a pegou dedilhado por alguns segundos e memórias daquela noite voltaram a sua consciência o fazendo se virar para o loiro adormecido, vagarosamente colocou-a no rosto tão bonito.

— Eu não acredito — disse sorrindo. — É você, por isso senti algo diferente, você precisava de mim, estava correndo perigo. — Uma lágrima escorreu de seu olho.

Jungkook se lembrou de uma antiga lenda, onde diziam que sua alma gêmea o atrairia de uma forma intensa, jamais vista.

Alguns dias se passaram, o reino todo estava à procura de Jimin, Jungkook não sabia como nenhum guarda havia invadido sua casa ainda. Tirou a toalha úmida da testa do príncipe e viu que já não tinha mais febre e que os machucados eram apenas cicatrizes. 

— Você é minha alma gêmea, em nenhum momento duvidei que o amor existisse, mesmo que eu seja um simples caçador, naquela noite, o baile de máscaras era apenas um pretexto para investigar o ladrão, contudo eu enxerguei você ali, os teus olhos da cor do céu me enfeitiçou seu sorriso me encantou, você Nix, me conquistou de todas as formas possíveis em meros segundos, e hoje fantasio em meus sonhos mais profundos os carinhos invioláveis, nosso desejo incontrolável. Nos últimos meses, sua imagem tão perfeita reflete em meu pensamento como um vício sem cura, a memória de um dia ter provado de seus lábios em um beijo sedento, e sempre acordo sozinho e murcho como uma flor no inverno e me rastejo como o orvalho quando penso que isso não existe. Em contrapartida, você está aqui agora, o destino o trouxe para ficar ao meu lado e percebo que jamais fui capaz de imaginar tamanha beleza, em todas as minhas buscas nunca enxerguei você em nenhum rosto. — Acariciou as bochechas do menor.

— Muito lindas suas palavras, Seigneur Valery — proferiu o Park, abrindo os olhos. — Reconheceria sua voz em qualquer lugar

O príncipe sentou-se e o puxou para um abraço.

— Qual seu verdadeiro nome? — indagou.

— Jeon Jungkook, e você é Park Jimin, filho unigênito do rei e príncipe de Peônia — disse.

— Como sabe? — O olhou espantado.

— Os guardas estão atrás de você, já faz alguns dias que você desapareceu — contou. — O que fazia na floresta proibida?

— Eu não sei, por um momento me senti sufocado e comecei a correr, quando vi já estava dentro dela — falou baixo, franzindo o cenho.

— Nossa história já foi escrita há muito tempo 

Jungkook mais uma vez beijou os lábios do menor.

— Está se sentindo bem? — questionou, tendo a responsabilidade em suas costas.

— Nunca me senti tão bem em toda minha vida

Ajoelhou-se na frente do Jeon e dessa vez tomou a iniciativa, tudo intenso, a temperatura de seus corpos subindo vertiginosamente, se queriam de todas formas, as paredes da cabana ficaram quentes, ambos sentindo as respirações ofegantes, a paixão e o amor de mãos dadas, faziam seus corpos vibrarem, Jungkook lançou um olhar amoroso para o amado, suas mãos moveram lentamente pelo rosto tão bonito, descendo levemente por entre os dedos, fluindo para dentro das roupas do príncipe, foi quando o nome do moreno escapou da boca do loiro. O Park soltou os próprios cabelos, os deixando a mercê do mais velho, seus lábios encontravam-se no meio do caminho, e naquele toque tão ousado apenas os tecidos que lhes cobriam foram ao chão, as costas de Jimin foram parar no colchão macio, Jungkook se perdeu nas íris tão doces, seus dedos se entrelaçando, sucumbindo ao mais puro desejo, de maneira ágil, esplêndido, fervoroso, os gemidos dengosos que surgiam da boca do loiro, as coxas tão bonitas e fartas presas em sua cintura, dançando ao mesmo ritmo, seus corpos colados e suados, corações acelerados, o que faziam ali era mais que amor, se fundiam como um só, encaixando-se perfeitamente, colidindo seus desejos íntimos, libidinosos. Em meio às próprias interpretações, não sentem medo do futuro, apenas juras de amor e nada mais, sendo o começo de uma história e a edificação de uma lenda que contava sobre amor e benevolência. Jungkook veio a derramar sua semente no interior do príncipe e este veio logo em seguida, entre os corpos suados. Caíram exaustos, sem dizer nenhuma palavra, apenas abraçaram-se naquele fim de tarde, adormeceram unidos.

Foi uma noite tranquila, Jungkook acordou com o canto dos pássaros e os raios solares, girou o pescoço vendo a face serena do amado que dormia, a paz e a serenidade sempre andaram juntas, Jungkook queria Jimin para sempre. Passou seus dedos pelo contorno das bochechas o vendo se remexer e abrir os olhos tão claros, em um ato de carinho lhe selou na testa e sorriu.

— Não me conhecia, nem ao menos viu o meu rosto, o que te fez se apaixonar? — perguntou o loiro.

— Seu olhar, sua voz, sua presença já foi o suficiente. — Voltou a iniciar um ósculo.

— Você aceita se casar comigo? — Jimin foi direto em suas intenções. — Não faça essa cara, você me desonrou, nada mais justo.

— Eu não tenho nada para te oferecer, nem mesmo um sobrenome digno — falou o caçador, sentando-se, colocando as pernas para fora da cama.

Jimin aproximou e o abraçou por trás, beijando os ombros arranhados.

— Não se rebaixe, você tem o meu coração e eu o seu, somos um a partir de agora 

Jungkook o fitou e respirou fundo, concordando com o que ele havia dito.

 

[...]

 

As portas pesadas do palácio foram abertas, Jimin atravessou não dando satisfação para ninguém que lhe perguntasse, indo direto para o quarto de seus pais. Como de costume, entrou sem pedir permissão, vendo Baekhyun se soltar dos braços de Chanyeol e correr até si.

— Onde estava? — perguntou chorando. — Nunca mais faça isso conosco, Jimin! — Sua voz saiu mais alta que o esperado como um sermão.

— Perdoem-me, eu pensei que não estava preparado para assumir o trono, por isso fiz o que fiz, mas agora, eu tenho certeza absoluta de que estou preparado, e também vou me casar. — Soltou sem olhar para seus pais.

— O que?! — Chanyeol segurou Baekhyun pelos ombros.

— É isso mesmo, irei me casar com o amor da minha vida, e quero que ele assuma a coroa comigo. Eu imploro, — Seus joelhos bateram contra o chão. — não sejam contra a minha união, estou honrando o nosso código de conduta real, por isso não devo esconder nada, além de querer me casar e ter suas bênçãos, fui desonrado. — Suas lágrimas tornaram o chão ainda mais escuro. — Não se envergonhem de mim, eu imploro.

Jimin foi surpreendido pelos braços de Baekhyun e Chanyeol que os abraçaram em seguida.

— Nós nunca iremos nos envergonhar, você é o nosso sonho. — Chanyeol beijou a cabeça do filho e do esposo. — Só temos orgulho de você, meu filho. E se é de tua vontade casar-se, assim será.

Depois de conversar sobre tudo que aconteceu, Jimin desceu até o salão principal.

— Eu quero que as paredes sejam pintadas com tons de azul, as mesas devem ser brancas, troquem os lustres dourados por prata. — Conforme dizia, os empregados começaram a correr de um lado para o outro, revirando caixas e mais caixas. 

— Alteza. — SeokJin vinha em sua direção esbarrando nos objetos jogados. 

— Justamente, você que eu queria ver. Costure um hanfu branco e azul com flores salmão — disse divertido. 

— Por que todas essas mudanças? — O mais velho estava assustado com a bagunça.

— Irei me casar — proferiu sorrindo.

— Casamento? — SeokJin deu alguns passos para trás. — Que os deuses tenham piedade.

A notícia se espalhou por todo povoado, chamando a atenção dos reinos vizinhos que também vieram para a celebração.

— Estou nervoso — disse Jungkook para o amado.

— Não fique, meus pais amaram você e aposto que o povo também o amará. — Deu um beijo nos lábios do Jeon. — Preciso ir, é contra a tradição ver o noivo antes do casamento.

Jimin desapareceu pelos corredores, quando SeokJin apareceu lhe guiando para o salão em que a cerimônia iria acontecer, se espantou pois Jimin já estava ali o esperando com um sorriso lindo. Jungkook ficou hipnotizado, em sua mente poderia morrer em paz, pois o amor de sua vida seria para sempre, pensando assim quase tropeçou em seu hanfu, ficando envergonhado no momento seguinte.

— Estamos aqui celebrando o matrimônio do futuro rei de Peônia… — O sacerdote continuou falando, contudo os noivos estavam entretidos demais em seus pensamentos. — Jeon Jungkook, aceita o príncipe Park Jimin como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo até que as morte os separe? — perguntou.

— Sim! — Acabou falando mais alto que o necessário.

— Príncipe Park Jimin, aceita Jeon Jungkook como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe? — repetiu a fala.

— Sim, eu aceito. — Seus olhos sorriam perante aquela afirmação.

— Podem firmar seus votos — falou, dando espaço.

Jimin segurou a mão esquerda do noivo, colocando a aliança de diamante azul em seu anelar.

— Eu sempre sonhei em encontrar um grande amor, pensei que isso fosse demorar, me sentia sozinho nesse mundo de paixões, como uma neblina, vendo todos com seus amores e eu sem ninguém. Mas, como mágica, iluminou toda minha vida e agora eu tenho tudo, eu te amo. — Chorou.

Jungkook segurou a mão do príncipe a beijando, para sem seguida depositar a aliança.

— Não posso dizer em palavras, mas posso te mostrar o meu amor pelos dias que iremos passar juntos. — Não esperou a ordem, puxando o loiro pela cintura e beijando apaixonadamente. 

Baekhyun chorava em um canto, não acreditando que seu bebê havia crescido tanto em tão pouco tempo. Chanyeol soltou sua mão e foi até lá, empurrando o Jeon para longe do filho.

— Na minha frente não, gosto de pensar que Jimin ainda é inocente. — O Park encarava o horizonte com uma careta. 

— Appa! — exclamou o loiro tímido.

Chanyeol sorriu e tomou em suas mãos a coroa que residia em sua cabeça.

— Povo de Peônia, hoje o meu reinado chega ao fim, mas o meu legado continua nas mãos do meu filho, Park Jimin. Eu sou o rei de Peônia, passo a coroa para o próximo da linhagem, Rei Park Jimin. — Colocou a coroa na cabeça do loiro.

Chanyeol então pegou a coroa da cabeça de Baekhyun e levou até o genro.

— Assim como dito, de agora em diante Park Jungkook será o braço direito assim como meu esposo foi e continua sendo, reinando ao lado do meu filho com sabedoria, compromisso e benevolência. — Depositou a coroa no mais baixo. — Eu os abençoou, Majestades.

Os súditos vibraram diante dos novos reis, uma nova era começaria ali, onde não seria aceito injustiças e desigualdades.

 

 

 

 


Notas Finais


Obrigada a quem sobreviveu até aqui, espero que tenham gostado assim como eu.
Para quem tiver curiosidade sobre as roupas usadas, aqui está o link:
Obs: Não encontrei os modelos masculinos para o Jimin, mas os que estão no arquivo são uma idéia.
https://drive.google.com/folderview?id=1GwN6JwlrVfeDj2h9WuC8od1HsxGPDe0Q


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