História O presente - Capítulo 1


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Categorias Choque de Cultura
Personagens Julinho da Van, Renan, Rogerinho do Ingá
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Palavras 1.533
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fluffy, LGBT
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu não sabia que era tão complicado escrever uma ingátowner até tentar. Consegui? Não sei, mas está aí.

Obrigada tami por betar isso, te amo.

Capítulo 1 - Capítulo único


Rogerinho era um cara de poucos amigos. Passou sua infância e juventude aprontando e indo ao cinema com os primos Jorginho e Cerginho, quando se tornou adulto tinha os conhecidos do sindicato e com o Choque de Cultura estreitou os laços com Julinho e Maurílio. Após um tempo, até começou um relacionamento com Renan. 

Definitivamente ele tinha dificuldade de demonstrar alegria (ou qualquer sentimento positivo) e de participar de momentos festivos os quais para os outros seria motivo de entusiasmo. Participava de comemorações muito pelos churrascos e da cerveja gelada, e se tornou mais flexível com o atual namorado, que aos poucos conseguia convencê-lo de comparecer nos eventos em família e de conhecidos, mesmo que mantendo a habitual carranca na cara. Mas não se misturava, principalmente se houvesse uma roda de música no local. 

Das poucas ocasiões que Rogerinho não tinha receio em se envolver era nas festividades do colégio de Renanzinho. O menino adorava contar para os coleguinhas que tinha dois pais, e morria de orgulho quando eles compareciam e ao fim do dia iam os três tomar sorvete juntos. 

Assim iam levando a vida, entre o transporte alternativo, visitas ao hospital por causa dos acidentes de Renanzinho, jogos do Flamengo e programas em família, cada um respeitando seus momentos de solidão e agitação.

Em uma sexta-feira à noite, durante mais um jantar com Renan, que tinha se tornado algo frequente na rotina deles, Rogerinho deixou escapar que com o abandono de sua mãe nunca mais tinha tido uma festa de aniversário. Perspicaz como sempre, o outro logo se encheu de animação com o que veio em sua mente

– Ô Rogerinho, a gente tem que mudar isso aí, seu aniversário tá chegando. 

– Renan, me leva a mal não, mas festa não é muito a minha – respondeu em um tom de voz mais baixo que o habitual, enchendo a boca de arroz e feijão. 

Apesar da negativa, Renan se entusiasmou com a ideia e não deixaria passar em branco. Faltava algumas semanas para o dia, se não convencesse Rogerinho, ao menos faria uma surpresa. Ao mesmo tempo que ia tentando convencê-lo, em vão, a aceitar nem que fosse um bolinho em casa, ia tratando de cuidar dos preparativos. 


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Na semana seguinte, após uma tarde cheia de transportes em virtude de um show do Amado Batista, Renan arrumou uma desculpa qualquer para que pudesse dispensar seu jantar diário com Rogerinho, pois havia combinado de encontrar com Julinho no Barra Music para que o ajudasse na festa. Ao se aproximar da mesa e sentar de frente para o companheiro de profissão, foi obrigado a ouvir suas reclamações antes que pudesse falar qualquer coisa 

– Já te falei que vai dar merda cê fazer surpresa pra Rogerinho.– exclamou, dando um gole no copo de cerveja – Ele disse que não gosta e é melhor não insistir - tentou, sem sucesso, fazê-lo desistir.  

– Eu só vou precisar que cê me ajude com detalhes, cê vai ver, ele vai querer ter festa todo ano, Julinho!

Não querendo contrariar, e um pouco a contragosto, Julinho resolveu topar. Resolveram que ele ficaria responsável por guardar em casa os enfeites e no dia combinado transportar para a casa de Renan, que ficaria encarregado das comidas e de não deixar o namorado chegar antes de estar tudo preparado.  

Rogerinho havia ficado desconfiado das saídas repentinas e mudanças de hábito do companheiro, mais ainda quando notou que Julinho também estava o evitando. O único que parecia normal era Maurílio, que era estranho de qualquer forma. 

Ao fim da gravação do Choque ele aproveitou para chamar Renan de lado para conversar. Ainda que este parecesse estar com pressa, comentou, meio murcho, que estava achando esquisito como ele vinha se comportando nos últimos tempos.

– Cê tá achando que eu tô te traindo com Julinho, Rogério? – respondeu em um tom mais alto e surpreso do que estava esperando – Meu pastelzinho de feira, eu jamais te trocaria por aquele mal-acabado do Júlio César – falou abrindo um sorriso, mostrando seus dentes levemente separados, dando uma piscadinha que deixou Rogerinho enrubescido. 

Apesar do susto, conseguiu dobrar o outro com seu charme, que sabia que tinha e jamais seria modesto quanto a isso.

Com a suspeita, os outros dois tornaram-se mais cuidadosos com o planejamento, fazendo com que ele não notasse mais nada de estranho em suas posturas, e não os atrapalhasse e nem descobrisse antes do grande momento, que já estava perto de ocorrer. 


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Quando o aniversário do mais velho chegou, aproveitando que Renanzinho precisou ser hospitalizado no dia anterior ao evento por conta de uma alergia terrível que o menino possuía devido ao couro da Towner (que o pai se recusava a trocar, pois o garoto criaria resistência), pediu para que Rogerinho fosse buscá-lo no hospital. Todos já o conheciam e não teriam problema de liberar mesmo não sendo o responsável legal. Assim, deixaria o espaço livre por algumas horas para que tudo fosse devidamente organizado, e quando chegassem estaria tudo pronto. Era uma forma de se esquivar da responsabilidade de trazer o menino de volta para casa e ainda seria distração para Rogerinho. 


Logo após a saída da Sprinter azul e vermelha da rua, avistou a chegada da van de Julinho. Depois de alguma discussão e reclamações por parte de Julinho, ficou decidido que Renan ficaria na cozinha preparando o bolo e iria organizar as mesas, o outro trataria de encher as bexigas. No processo, a maioria acabou estourando pela falta de delicadeza do piloto ao manuseá-los, mas ainda conseguiu pendurar uma boa quantidade no teto da sala da casa e depois iria começar a esquentar a churrasqueira. 

Os primeiros convidados começaram a chegar, sendo eles os primos de Rogerinho, um deles levando junto o namorado. Maurílio chegou logo em seguida com as cervejas trincando de geladas que Julinho havia esquecido de levar.

Rogerinho não se ausentou por muito mais tempo e quando voltou Renanzinho aparentava estar bem melhor e pronto para outra, mas quem não estava pronto pro que via era o próprio motorista.

A garagem em que guardavam as vans estava agora ocupada por mesas distribuídas de qualquer forma e pela churrasqueira cuidada por Julinho, também tinha uma mesa um pouco maior decorada com um tecido amarelo, em que se via o bolo de chocolate, decorado com alguns carrinhos de brinquedos encontrados jogados no quarto de Renanzinho.

O primeiro a vê-lo foi Cerginho, que chegou correndo ao seu encontro pronto para lhe dar um abraço e uma caixinha em que estava seu presente, uma Sprinter esculpida no sabonete. Apesar de estar confuso com a situação e sem entender direito o que estava acontecendo, tratou com carinho seu primo, coisa rara de ser vista, mas sem parar de procurar com os olhos o único que ele achava ter sido o responsável pela ideia. Assim que o avistou, se despediu com um olhar nada amigável dos outros que chegaram perto para cumprimentá-lo e foi marchando sério em sua direção, pronto para pedir uma resposta para aquilo. Esse ainda não tinha o visto, porque estava distraído com os problemas que surgiam. 

– Ô Renan, o namorado do primo de Rogerinho tá falando de novo com a churrasqueira. Reclamava Julinho – Ele tá me atrapalhando aqui. Ô cara, me leva a mal não, mas vai falar com uma cadeira, vai – dizia, já perdendo a paciência. 

Renan ia falar algo quando viu que a figura do outro se aproximou. Pela cara dele já sabia que iria precisar dar explicações, mas era bom de argumentação e depois de um longo tempo conversando que não, não teria música e que não, não cantariam nem parabéns (apenas palmas), e alguns beijinhos mais tarde, ele aceitou participar da própria festa. 

E ninguém poderia reclamar que ela não estava boa. Comida não faltou, nem a bebida da galera, talvez uma cadeira tenha voado por conta de uma discussão sobre qual van é a melhor, mas até aí normal. A discussão de Julinho com Willy não parou até quase o término do evento, em que o presidente dos objetos argumentava que a churrasqueira não gostava de fogo e o motorista questionava se ele era doido. Só pararam quando Maurílio e Jorginho se intrometeram separando os dois e os colocando em ambientes diferentes da casa. 

Ao final da festa, depois das palmas, do primeiro pedaço dado a Renanzinho, da expulsão dos convidados, finalmente ficaram a sós. 

– Rogerinho, eu nem te dei seu presente ainda, vê aí em cima da cama, bem. 

Renan já tinha seu modo de falar mais cansado, mas expressava curiosidade pra saber se ele gostaria do que foi escolhido

Era um pacote de presente colorido, amarrado com um laço e com uma letra que era um garrancho com seu nome escrito e um coração ao lado. Sorriu sem nem perceber. Ao abri-lo e pegar em mãos notou que era uma touquinha do Flamengo. 

– Aqui no Rio não tem um dia que não faça calor, mas é sempre bom ter uma proteção pros dias de viagem, principalmente durante a noite, Rogerinho – falava sem parar para tomar fôlego – Tive um amigo que cê precisava ver, foi fazer entrega de madrugada, deu dor de cabeça por causa da friagem, desmaiou no volante!!

Rogerinho o calou com um beijo, agora seria ele a ser presenteado.



Notas Finais


cabô, cabô.

foi mal aí qualquer coisa, é nóis.


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