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História O Principe das Trevas... Ou Não! - Capítulo 34


Escrita por: e Miranachan


Capítulo 34 - Capítulo 29 - A sua melhor versão


Apesar de Tom já ter acordado, ele permaneceu sem abrir os olhos por alguns minutos. Não queria perder aquele momento: pela primeira vez se sentia totalmente descansado e perfeitamente feliz.

O que era estranho.

Ele demorou um pouco até conseguir se lembrar dos acontecimentos do dia anterior, mas assim que se deu conta, as lembranças o acertaram como um raio.

Ele se sentou num estalo, pânico tomando conta dele, seu coração palpitando enquanto olhava enquanto olhava em volta para procurar seu amor. Quase entrou em desespero quando não o encontrou por um momento, até notar sua forma embaixo do cobertor, um pouco mais ao longe, na beirada da cama. Estava de costas para ele, os cabelos negros embaraçados e o pescoço pálido as únicas coisas visíveis no travesseiro, enquanto o resto do corpo descansava sob o travesseiro.

Um suspiro aliviado escapou de seus lábios. Ele podia ter chorado ali mesmo, mas não admitiria isso a ninguém.

Ele ainda estava aqui. Graças a Deus...

Isso era uma preocupação a menos, mas haviam tantas outras coisas preocupantes que ele não conseguia se sentir tranquilo. Ele tinha dito tantas coisas terríveis, tinha machucado tanto as pessoas que ele amava, tudo porque ele não sabia como lidar com aquilo – tudo porque ele não sabia como amar as pessoas.

Ele nunca tinha sentido tanto como sentia agora, e amar sempre trazia o maior sofrimento para Tom. Ou as pessoas que ele amava acabavam traindo a confiança dele – algo que seu próprio pai tinha feito, destruindo qualquer felicidade que Tom pudesse ter na infância – ou pior ainda, elas acabavam o deixando pelos braços da morte. Por isso, era simplesmente mais fácil não amar ninguém. Menos doloroso desse jeito.

Amor era uma fraqueza e por isso ele mandava com punho de ferro, sem deixar que nenhum deles se aproximasse dele.

...Ou pelo menos era isso que ele costumava achar. Mas ironicamente, ele nunca tinha se sentido tão fraco quanto como ele se sentiu quando Severus ameaçou deixá-lo. Foi assim que ele soube que não podia deixar isso acontecer.

Mas então ele percebeu.

Era egoísmo agir assim. Mantê-los com ele, contra a sua vontade, como objetos sem opinião... Isso não era amor. Ele não podia fazer isso.

Foi por isso que ele já tinha tomado sua decisão.

Mas... Ugh...!

Ele não tinha imaginado que Severus fosse reagir desse jeito! Ele sequer deu a Tom tempo de tentar se explicar! Ao invés disso ele tinha... tinha...

Tom se jogou de cara na cama. Ficou com vergonha só de lembrar.

Deus... Tinha sido tão bom...! Ele nunca pensou que Severus agiria daquele jeito. Tão dominante, sedutor e...

Tom nunca tinha tido a experiência de alguém colocá-lo em seu devido lugar, e ele nunca imaginou que pudesse gostar tanto daquilo. Severus o deixava absolutamente louco.

Ele nem conseguia pensar direito na presença dele. Ele já tinha planejado tudo o que queria dizer na noite anterior, mas agora toda a sua coragem tinha voado para longe. Ele ficou olhando para o teto, se perguntando o que fazer a seguir.

Tom engasgou quando Severus de repente se virou na direção dele, seus olhos negros o encarando.

-Poderia parar de se mexer tanto? Se tem algo a me dizer, diga logo.

Surpreso, Tom precisou de mais um momento para se recompor. Não se sentia preparado para ter essa conversa, mas era agora ou nunca...!

-Há quanto tempo está acordado? – questionou Tom.

-Já faz um tempo. – a voz dele estava firme, mas não exatamente rígida, o que já era um bom sinal. Sua expressão também estava mais suave do que de costume: não era calma, mas ainda assim, bem longe de estar irritado. – Acho que você tinha alguma coisa pra me dizer?

O coração de Tom acelerou.

-Sim, eu...

Severus esticou o braço, colocando o cotovelo sobre a cama e apoiando a cabeça na mão.

-Então? – ele perguntou com impaciência.

-Eu preciso te pedir perdão. Eu- eu nunca deveria ter dito nada daquilo, principalmente porque não é verdade.

-E...?

-É só que... eu não sei como lidar com isso. Há tanto tempo eu venho tentando manter o controle sobre tudo o que faço, não demonstrando fraqueza, porque eu não sei lidar com essa vulnerabilidade. E isso funcionou, por algum tempo, mas eu sou ambicioso e sempre quero mais. Quando dei por mim, eu queria ter amor também, mas não queria a fragilidade que vinha com ele. Quando Quirrel zombou de mim, dizendo que eu tinha ficado fraco, eu me descontrolei e tentei te afastar, mas a verdade é que eu nunca me senti tão fraco como quando percebi que tinha te perdido.

-Entendo... – Severus continuou ouvindo atentamente, mesmo sem mudar a expressão.

No início, Tom estava incerto de como começar a falar, mas assim que começou a explicar, era como se seus sentimentos estivessem transbordando e ele não conseguia mais contê-los.

-Eu sei que não é desculpa. Foi minha insegurança que tomou conta de mim e acabou te machucando. Mas eu percebi que eu não sou forte apesar de ser capaz de amar alguém; eu sou forte exatamente porque eu amo alguém. E eu nunca devia ter tentado reprimir meus sentimentos. É por isso que... Se o meu amor se tornou um fardo para você... Eu vou te deixar ir. Se é o que você quer. Eu só quero que saiba que eu te amo e espero que algum dia possa me perdoar.

Talvez Tom não soubesse como amar alguém da forma certa, então teria que deixa-lo ir.

Perdê-los com certeza iria mata-lo, mas Tom estava disposto a fazer isso se lhe fosse pedido.

Severus não respondeu por um momento, apenas se virou, deitando-se de costas e encarando o teto. O silêncio foi ainda pior do que uma rejeição, porque a falta de resposta lhe proporcionou esperança e esperança era algo perigoso de se ter. Depois de respirar fundo, ele finalmente se pronunciou.

-Eu já gostava de você mesmo antes, sabia? – ele falou calmamente. Tom não entendeu porque a mudança súbita do assunto. Ele tentava encontrar o olhar de Severus, mas o mesmo estava olhando saudosamente para o teto.

-Bem... – Tom tinha lá alguma ideia. Quando eles se conheceram, Severus era ainda tão jovem e ingênuo... Na época estava estampado em seu rosto a sua admiração que poderia facilmente ser uma paixonite. Embora ele já fosse tecnicamente um adulto no mundo bruxo, Tom demorou muito para começar a vê-lo como tal, e mais tempo ainda para enxerga-lo como um possível par romântico.

Foi mais quando Severus se tornou um guardião para Harry, que a visão de Tom começou a mudar, colocando-o acima do que qualquer outro comensal e acima de qualquer outra pessoa. Ele se tornou alguém que ele podia confiar plenamente, ver de igual para igual. Alguém que era rigoroso, mas atencioso, versátil e equilibrado. Ele sabia quando era necessário se manter fiel, mas também sabia que era necessário se questionar.

-Você era como um ídolo para mim. – Severus continuou – Eu te admirava muito. Na época, eu achava que você era tudo o que eu poderia querer.

Tom se encolheu. Era agora que ele iria dizer que ele percebeu que estava errado e que ele não se sentia mais assim. Ele estava pronto para a rejeição inevitável.

-Mas então eu comecei a te conhecer melhor.

Está para vir...

-E eu percebi que você não era perfeito como eu pensava.

Tom prendeu a respiração.

-E eu percebi que eu te amava ainda mais por isso.

Tom ficou boquiaberto. Ele nunca pensou que algum dia iria escutar isso de alguém – até porque ele não merecia. Muito menos naquele momento.

-Depois você começou a mudar e se tornou alguém completamente diferente de quem eu conhecia. No fundo, eu sabia que não era realmente você, mas eu não sabia como te trazer de volta. Caso não tenha notado, você é muito ameaçador quando quer... – Severus revirou os olhos com irritação – Mas então você adotou o Harry e ele derreteu o seu coração. E eu finalmente voltei a ver o reflexo daquele homem por quem eu tinha me apaixonado.  – Ele olhou diretamente nos olhos de Tom – O que eu estou tentando dizer é que você não devia ter medo de ter voltado a ser aquela pessoa. Porque aquele Tom, era a melhor versão de você. Alguém que era forte, mas compassivo. Que luta apenas quando é necessário, que tem as melhores intenções para o mundo bruxo. Você se perdeu no seu caminho, mas nunca realmente deixou de ser essa pessoa – ele apontou para o peito de Tom – Essa é a pessoa que eu amo, Tom. É ela que eu quero comigo. Com as qualidades e defeitos, contanto que você continue sempre tentando ser a melhor versão de si mesmo.

A essa altura, Tom já estava à beira de lágrimas. Ele tentou inutilmente formar palavras para dar algum tipo de resposta, mas falhou miseravelmente. Nem se importou com as lágrimas que começavam a cair livremente em seu rosto, só se preocupou em segurar a mão de Severus com toda a força que tinha, se certificando se aquilo era real.

Severus ainda teve coragem de rir do constrangimento dele:

-Diga alguma coisa. Está parecendo um dos meus alunos em pânico durante a prova – ele caçoou.

-Me dê um momento para me recompor! – implorou Tom – Você praticou isso? Como você fala tudo com tanta naturalidade?

-Anos de trabalho de espião, é claro. E como acha que eu fiquei quando você se pôs em perigo daquele jeito? Ficando totalmente exposto onde Dumbledore poderia te encontrar? Você é quem sempre me enlouquece!

-Eu sinto muito...

-Não se desculpe. Você... Na verdade, você realmente não se sente mal por isso, não é?

Tom escarneceu.

-Eu não sinto mal por ter vindo. Ou por ter me arriscado. Mas eu sinto muito por ter te preocupado.

-E...? – Incentivou Severus.

-E por não ter te tratado como você merecia. Você e o Harry são tudo para mim, eu nunca mais vou duvidar do amor que eu tenho por vocês.

-E...?

-E eu vou me redimir em relação a organização. Muita coisa vai mudar, eu te prometo.

Severus pareceu satisfeito.

-E...?

Tom ficou confuso.

-...O que mais quer que eu diga?

-Que tal “Você foi tão bom pra mim ontem à noite e tão dominante e sedutor-“.

-Bem é que-! – Tom enrubesceu, antes de arregalar os olhos quando percebeu que aquelas eram as exatas palavras que ele tinha pensado mais cedo, então... – Você está usou legimência em mim?! – ele exclamou, em choque.

-Ninguém mandou ficar sem oclumência  - zombou Severus. – Milorde deveria ser mais cuidadoso.

-Bom, mas se você já sabia disso, por que quer que eu diga?

-É sempre bom ouvir. – Ele deu um sorriso arrogante.

-Está bem... – Tom corou ainda mais, não estando acostumado em deixar alguém ter poder sobre ele daquela forma (mas ao mesmo tempo secretamente adorando isso) – Foi, hã... Ontem foi maravilhoso. Melhor do que qualquer coisa que eu poderia sonhar.

-Eu penso o mesmo – Severus sorriu levemente, se aproximando lentamente – É uma pena que estávamos com tão pouco tempo. – Deu um beijo caloroso em seus lábios. Tom suspirou no beijo, sentindo imenso alívio, além de outras sensações que...

-Nã-nã-não – Severus se afastou quando Tom tentou puxá-lo para mais perto – Nada disso. Eu tenho aulas para dar, caso tenha esquecido.

-Não... – resmungou Tom.

-É sim. Nós podemos continuar isso outra hora – ele deu um beijo rápido nos lábios de Tom antes de se virar para se levantar (ao menos dando uma bela visão a Tom enquanto ele se vestia).

Suas roupas ainda estavam um pouco úmidas de ontem à noite, mas não era nada que um feitiço não podia resolver. Não demorou até que ele estivesse vestido e pronto para o trabalho novamente. Felizmente as suas roupas pretas eram todas parecidas e ninguém notaria que ele estava usando as mesmas roupas do dia anterior.

-Eu preciso voltar para Hogwarts, mas eu te mando uma coruja mais tarde – Severus explicou – Então pague a nossa conta e suma. – ele disse, suas palavras eram duras, mas seu tom era carinhoso.

-Está bem – Tom deu um último beijo nele, mas Severus não se moveu. – Sev...?

-Não tem mais alguma coisa que você queira me dizer?

Tom hesitou por apenas um segundo antes de entender o que ele queria.

-Eu te amo. – ele disse, a declaração parecendo tirar um peso de seus ombros.

-Eu também te amo. – Severus retribuiu seu olhar amoroso, dando mais um aperto na mão de Tom antes de soltá-la com certo receio. – Nos vemos logo, tudo bem?

Os alunos de poções iriam ficar muito confusos de como o professor deles estava de tão bom humor.


Notas Finais


Finalmente nós tivemos a nossa reconciliação! O que acharam?

Hein, caso vocês tenham sugestões ou pedidos para os próximos capítulos, podem nos mandar! Não podemos prometer que vamos fazer todos, mas vamos levar todos em consideração. Obrigada!

Até o próximo capítulo!


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