História O Professor - Capítulo 26


Escrita por:

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Rap Monster
Visualizações 29
Palavras 5.199
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 26 - Cap 26


Fanfic / Fanfiction O Professor - Capítulo 26 - Cap 26


Capítulo 26

“Como posso ir mais longe se meu coração aqui permanece?”

William Shakespeare

NAMJOON

– Obrigado,Milena! Foi um ótimo jantar – eu disse ao me despedir da minha irmã.

Naquela noite eu estava cansado, não apenas pelo desgaste físico que um dia inteiro de trabalho tenha me

causado, mas também pelo desgaste mental.

Não havia falado com S/N durante o dia inteiro. Eu me sentia incomodado por precisar procurá-la

quando deveria ser ela a me procurar. Era infantil, eu sei, só não conseguia evitar a sensação de

frustração por não ter recebido sequer uma mensagem quando até Anita enviara e Nathália havia me

mandado flores.

– Mesmo assim você não deixou de ficar com esta cara de desânimo e o Paty não largou o celular – olhei

para a sala da cobertura onde meus pais moravam e vi Patrício enviando e recebendo mensagens.

– Eu só estou cansado. Hoje o dia foi longo – ela sorriu sem muita vontade.

– E S/N não apareceu – acrescentou como se fosse capaz de ler meus pensamentos.

– Ela tinha compromisso. Nem sei se já chegou de São Paulo – tentei disfarçar meu abatimento.

– Ela não escreveu? Não ligou? – tive medo de que minha cara entregasse a realidade.

– Na verdade meu celular descarregou no final do dia e como eu estava muito ocupado não tive tempo de

carregá-lo.

– Que grande droga – ela disse olhando também para Patrício.

– Eu tenho mesmo que ir. Amanhã cedo pego a estrada. Vocês vão mesmo hoje?

Minha irmã tinha cismado que deveria chegar primeiro que todo mundo em Petrópolis e eu nem queria

imaginar o que ela estava aprontando.

– Vamos sim. Vai ser divertido – e sorriu como uma criança traquina.

– Vai mesmo tão cedo? – perguntei a minha mãe que se aproximou de nós dois e me envolveu em um

abraço carinhoso.

– Vamos viajar cedo amanhã, então preciso descansar – ela alisou meu braço me observando com

atenção.

– Boa noite, mãe! – beijei sua testa pegando todos os presentes que havia ganhado. – Vejo vocês amanhã.

– Tchau, Namjoon! –Milena se afastou, mas João Pedro me acompanhou até a porta.

– Ela não ligou? – suspirei. Estava tão cansado de ver todo mundo pensando que eu estava abatido por

causa da S/N e.

Tudo bem. Eu estava mesmo abatido por causa dela, o que não significava que me sentia feliz por todos

saberem disso, e o pior, que me tratassem como se eu fosse um adolescente inexperiente com

dificuldades para conduzir a situação.

– Eu estou apenas cansado.

– E incomodado por S/N não ter ligado – ele rebateu com cara de deboche.

– Quem disse que ela não ligou? Por que vocês resolveram se meter tanto em minha vida com a

S/N?

– Porque nós sabemos o quanto ela é especial para você, então todo mundo está torcendo para que dê

certo – encarei João, depois daquela declaração não deu para ser muito áspero.

– Eu já tenho trinta e cinco anos, João Pedro. Sei conduzir a minha vida amorosa.

– Nós sabemos disso – deu um tapinha de leve em meu ombro. Não gostei nada da forma como ele me

olhou.

Não havia motivo para que todo mundo ficasse tão preocupado com a minha vida amorosa e perceber que

isso estava acontecendo me deixava cada vez mais aborrecido.

– Vejo você amanhã – entrei no elevador deixando o apartamento o mais rápido possível.

Assim que ganhei a rua senti a chuva fina que caía.

Olhei para o céu percebendo que havia uma promessa de chuva forte, o que poderia complicar um pouco

nossos planos para o feriado.

Pensar no feriado me levava a S/N, ao meu aniversário e a forma chata como todos estavam

conduzindo a situação. Imediatamente fiquei ainda mais irritado.

Não demorei a chegar ao meu condomínio. Apesar de não ser tarde as ruas estavam desertas, com isso a

noite ganhava um tom mais sinistro. O portão abriu me dando passagem e Antônio, o porteiro daquela

noite, correu em direção ao meu carro com um guarda-chuva.

– Sr. Namjoon– ele disse apressadamente. – Tem uma moça aguardando pelo senhor – e apontou para o

estacionamento de visitantes próximo a guarita.

A chuva engrossou, fazendo com que eu procurasse proteção debaixo do guarda-chuva dele. Por um

segundo meu coração acelerou pensando ser S/N, mas como eu já havia liberado a placa dela para

acesso livre, rapidamente me convenci de que não era a minha aluna, o que me deixou visivelmente

desanimado.

– Não existe a placa dela nos seus registros de visitas, como ela insistiu que já frequentou o condomínio

e que apenas havia trocado de carro achei melhor permitir que aguardasse pelo senhor do lado de dentro.

Sabe como é, as ruas do Rio de Janeiro estão cada vez mais perigosas.

– Você fez bem, Antônio.

Caminhamos até o carro e vi Nathália sair de dentro dele com um enorme guarda-chuva preto. Ela estava

muito arrumada, com meias finas escuras e saltos altos. A roupa estava escondida embaixo de um

sobretudo grafite que moldava o seu corpo perfeito.

– Nathália

? – vi Antônio se afastar tão logo encontrei minha visitante. – O que faz aqui nesta chuva?

– Recebeu minhas flores? – passei a mão nos cabelos imaginando o que ela tinha em mente.

– Sim. Lindas! Obrigado! – ela sorriu com doçura e me abraçou.

– Parabéns, Namjoon! – sussurrou em meu ouvido e beijou de leve bem próximo a minha orelha. Segurei em

sua cintura e me afastei discretamente.

–Milena me contou sobre o contrato. Fiquei muito feliz!

– Eu também – ela olhou para a chuva como se estivesse incomodada.

– O que faz aqui? – repeti a pergunta sem saber como agir.

– Visita de aniversário. Não vai me convidar para entrar? – pensei no que deveria fazer. Seria muito rude

se eu a mandasse embora?

Porra seria sim!

– Vou sim, mas aviso que estou bastante cansado e não devo ser de muita utilidade hoje – sorri sem graça.

Ela me avaliou, parecendo decepcionada com a minha atitude. – E amanhã cedo pego a estrada.

– Sim, Petrópolis – enlaçou meu braço e começou a caminhar em direção a casa. – Vai ser interessante.

S/N Nunca uma viagem pareceu tão longa em toda a minha vida. Sentada no jatinho, sob o olhar

atento do meu pai, incomodada com o sorrisinho cínico do meu melhor amigo, eu me sentia impotente.

– Você está muito agitada, S/N – meu pai me alertou pela quinta vez. – Qual é o problema?

– Nenhum! – fui enfática, mas eu quicava na poltrona como se esta estivesse cheia de formigas. – Só

estou cansada.

– Deve ser a chuva – minha mãe disse segurando a mão do meu pai. – S/N nunca gostou de viajar

com chuva – nossos olhos se encontraram e eu entendi que ela tentava me ajudar.

– Isso é bobagem – meu pai retrucou. – Nada vai acontecer – e voltou sua atenção para a revista sobre a

pequena mesa a sua frente. Jin me olhou sorrindo como o idiota que ele era.

– Quanto tempo falta? – meu pai levantou os olhos para mim, porém desistiu e voltou a olhar para a

revista.

– Falta pouco – Ana falou e me lançou aquele olhar que eu tentava evitar a todo custo. O mesmo que

dizia que não foi por falta de aviso.

Eu tinha tentado ligar, enviado mensagem, mas nada.

O celular dele estava desligado e ele não respondia nem visualizava as mensagens. Não que eu me

sentisse em dívida com o meu professor, nem imaginasse que estava errada por não ter ligado nem

enviado um presente, era só meu lado rebelde e infantil me impelindo a mostrar a ele que eu sabia.

Como Namjoon

reagiria quando descobrisse que eu já sabia de tudo? Com que cara ele me encararia quando

eu lhe desse os parabéns? Quando eu aparecesse do nada para deixar claro que eu não ficaria calada, no

canto, enquanto ele se divertia como bem entendesse.

Minha raiva era tanta que meus olhos ficavam marejados com frequência. Eu me sentia humilhada, mesmo

sabendo que não tinha o direito de cobrar nada dele. Além do mais, quando revelei o que sentia e, com

certeza este era o motivo para ele me manter longe de qualquer coisa que assumisse que éramos um casal,

como o seu aniversário, por exemplo, pedi para que nada mudasse.

E nada mudou. Ele continuava sendo o cara que me ensinava o que era sexo e eu era simplesmente a nova

escritora da sua editora. Uma nova Nathália em sua vida.

Merda!

Precisei levantar para ir ao banheiro pela quarta vez e o meu pai já estava intrigado. Eu saía para

respirar até que as lágrimas voltassem para seus devidos lugares, longe do meu rosto, ou que eu

conseguisse me convencer de que não era aquela garota insegura e infantil, o que durava poucos minutos.

Aterrissamos sob uma forte chuva, e eu estava tão incomodada que me sentia sufocar. Eu necessitava

desesperadamente de estar com ele, de confrontá-lo, de ouvir da sua própria boca que seria assim mesmo

e que eu precisava me conformar com meu lugar em sua vida.

– Vamos deixar Jin em casa primeiro – meu pai avisou me olhando com desconfiança. Desviei o

olhar e encarei a rua molhada.

– Para mim está ótimo – meu amigo disse. – Ainda é cedo – e piscou como se já tivesse compromisso

para aquela noite.

Suspirei.

Eu não era o compromisso de ninguém. Mesmo sendo uma data especial.

Segui ouvindo meu pai e meu amigo conversarem sobre as oportunidades, minha mãe e Ana sobre o

vestido que viram em uma nova coleção, enquanto dentro de mim o turbilhão continuava. Senti falta de ar,

mas preferi ficar quieta. Meu pai já estava muito desconfiado.

Após quase uma hora estávamos em casa. Ana estava com cara de poucos amigos, pois havia

perdido um tempo precioso ao lado do seu namorado. Minha mãe estava tão cansada que rapidamente foi

se deitar e meu pai ficou meio agitado com o estado dela, depois a acompanhou sem questionar.

Eu sentei em minha cama e fiquei sem ação por algum tempo. Meus pés doíam e o corpo parecia mais

cansado do que deveria, em compensação a mente estava desperta e não me deixava em paz.

Passei longos minutos me perguntando o que Namjoon estava fazendo naquele momento, onde ele poderia

estar e com quem. Diversas imagens desfilavam a minha frente fazendo-me ficar enjoada. Respirei com

dificuldade.

Então era assim que funcionava um coração despedaçado? Aquela sensação de angústia, impotência,

raiva e muitos outros sentimentos misturados, não me permitia pensar direito. Eu precisava ter certeza.

Ver como os meus próprios olhos. Quem sabe assim me convenceria de que era isso mesmo.

Levantei sem saber ao certo o que faria, fui até a porta e, com exceção da luz no quarto de Ana, a

casa estava em silêncio e no escuro. Saí cautelosamente descendo para a sala. A chuva estava mais

grossa. Olhei para as escadas, me certificando de que ninguém me observava.

Meio insegura fui até a porta e quando dei por mim estava no elevador. O que faria ao chegar na casa

dele, eu não fazia a menor ideia, só tinha a certeza de que precisava ir e foi o que fiz.

Precisava de um plano. Não poderia simplesmente sair. Não poderia pegar o carro, pois chamaria a

atenção do Vítor que, com certeza, me delataria para meu pai.

Então como faria? O elevador parou abrindo suas portas revelando um saguão vazio. Dei os primeiros

passos insegura e quase voltei quando Vítor apareceu me encarando surpreso. Respirei fundo e caminhei

em direção à saída.

– Srta. S/N? – ele disse ainda sem entender a minha presença. – Quer que eu peça para tirarem o seu

carro?

Eu não podia. Demoraria muito. Tempo suficiente para ele alertar o meu pai.

– Não. Jin está me aguardando no final da rua – ele estreitou os olhos me avaliando.

– Mas está chovendo!

– Pois é. Ele não quer que meu pai saiba que perdeu as chaves de casa – dei de ombros. – Vou levar as

chaves reserva, fazer uma cópia em um chaveiro 24 horas e voltar – tentei parecer o mais normal

possível.

– Mas está tarde – ele disse ainda me observando com atenção.

– Se eu sair agora consigo chegar o mais rápido possível. E ele, com certeza, deve estar entrando aqui na

rua. Vejo você na volta – arrisquei todas as minhas chances e saí para a chuva sem aguardar por mais

protestos.

Corri sentindo minha roupa ensopar rapidamente.

Por sorte, assim que cheguei a rua principal, encontrei um táxi. Dei sinal e entrei sem esperar por nada,

passando o endereço para o motorista que me olhava com curiosidade. Preferi alertar o meu amigo sobre

a minha fuga.

– O que houve? – ele atendeu alarmado.

– Preciso de sua ajuda – ouvi Jin puxar o ar.

– Outra vez? Com o padrinho em casa? Não acha que está arriscando demais por uma pessoa que nem

quer estar com você? – essa doeu. Precisei fechar os olhos e respirar profundamente para não chorar.

– Eu estou em um táxi.

– O que? – sua voz alta me assustou um pouco. – Ficou maluca, S/N?

– Jin, eu preciso ir até lá – mantive a voz baixa.

– Puta que pariu!

– Eu disse ao Vítor que você perdeu a chave de casa e eu estava levando a reserva.

– Merda, S/N!

– Só estou pedindo que confirme, caso meu pai descubra – ele hesitou.

– Vou ficar acordado até você me ligar. Vá, quebre a cara e me ligue para que eu possa te buscar.

– Não vai ser necessário...

– Ligue para me dizer que chegou em casa. Pelo menos isso – ele estava furioso, mas estava me

ajudando, então não contestei.

– Tá. Eu ligo para você. Obrigada!

– E não me envolva em mais nenhuma merda.

– Ok! – ele ficou em silêncio por um tempo. Uma lágrima rolou em meu rosto, que eu tratei de limpar

imediatamente.

– Tome cuidado. Qualquer coisa me ligue que eu vou lá e acerto uns socos naquele professor escroto – ri

sem vontade.

– Combinado. Amo você!

– Eu também, S/N !Vou ficar acordado. Tchau!

– Tchau.

Passar pelo porteiro foi um pouco mais complicado.

Primeiro eu estava molhada, segundo, estava sem documentos e não queria que ele alertasse Namjoon da

minha presença. Precisei de toda a minha lábia para conseguir convencê-lo. Dei a placa do meu carro,

apesar de estar sem ele. Tentei fazê-lo lembrar de mim, de todas as vezes que estive lá e assim acabei

conseguindo minha liberação.

– Mas eu tenho que avisar que aquela outra moça está aí – ele disse ainda inseguro sobre a sua decisão.

Meu sangue gelou. Quase congelei no lugar ou desisti de seguir em frente. – Ela chegou ainda cedo e o

encontrou quando ele entrou no condomínio – me deu um olhar de soslaio.

– Tudo bem. Eu não vou demorar – minha voz soou fraca e meu corpo tremia de frio e de medo do que eu

encontraria.

– Sei não, moça – ele repetiu pela milésima vez. – O Sr. Namjoon pode não gostar.

– Eu prometo que assumo toda a responsabilidade.

O professor Namjoon está aguardando pelo meu material e o meu prazo termina hoje. Se eu não encontrá-lo

vou acabar tendo o meu projeto cancelado – ele se mexeu olhando para os lados.

– Tudo bem, vou dizer que te liberei porque a senhorita estava na lista de visitas permitidas.

– Ótimo! Vai dar tudo certo – sorri me sentindo destroçada por dentro.

Não corri na chuva. Eu caminhei sentindo o medo se infiltrar em cada célula do meu corpo. O que eu

estava fazendo ali? O que queria provar? Namjoon com certeza ficaria aborrecido e acabaria colocando um

ponto final na nossa história. Que droga! E eu por um acaso queria continuar naquela merda de jogo? Eu

daria continuidade mesmo sabendo que ele preferiu passar a noite do seu aniversário com outra pessoa?

Merda!

Senti minhas lágrimas escorrerem se misturando com a chuva. Pelo menos assim eu teria mais dignidade.

No entanto eu me sentia destruída. Nada que todo mundo não tenha tentado me alertar, inclusive o próprio

Namjoon.

Mesmo assim, ainda era melhor por um ponto final do que terminar sem saber como poderia ser. E

movida por este pensamento me deixei guiar até a frente da casa dele. A luz da sala estava acesa, mas não

me atrevi a entrar, a tocar a campainha. Fiquei do lado de fora, na chuva, o coração aos pulos e os olhos

presos naquela porta.

Não sei quanto tempo depois ela abriu. Eu estava do outro lado, escondida embaixo de uma árvore que

cobria a luz do poste que iluminava à frente da casa. Vi quando Namjoon deu passagem para um corpo

delicado e feminino.

Um guarda-chuva grande se abriu. Ela se deteve na porta, o objeto impedindo-me de ver o que acontecia,

depois de uma risada ela se afastou.

Ele ainda a observou caminhar para a chuva, chegar ao portão e virar em direção à guarita. Quando ela

virou eu pude constatar quem era e naquele momento eu me senti ainda mais derrotada. Usando um

sobretudo escuro, Nathália exibia um sorriso largo tentando se proteger da chuva forte. Pensei que não

suportaria.

Voltei a olhar a porta. Namjoon ainda a olhava partir, logo se voltou entrando e fechando a porta. Pisquei

diversas vezes sentindo as lágrimas se avolumarem, então ele abriu a porta de novo e olhou diretamente

para mim.

Fiquei parada, sem saber se ele realmente estava me vendo ou se procurava por alguma coisa. Senti

vontade de sumir.

– S/N? – ele falou alto dando um passo para a chuva.

Merda!

O que eu poderia fazer? Sair correndo? Xingá-lo?

Dizer que tinha visto tudo e que ele era um canalha? Não.

Eu não poderia jamais fazer aquilo. Por isso dei um passo à frente permitindo que a luz fraca me

revelasse.

Namjoon Nathália ficou mais tempo do que eu esperava. Para não ser descortês, abri um vinho e ficamos

diante da lareira elétrica evitando o frio da noite. Não me atrevi a trocar de roupas, tive medo do que ela

poderia fazer, então comecei uma conversa casual mantendo a maior distância possível.

– Você está diferente – ela disse com os olhos fixos em mim.

– Estou mais velho – sorri tentando formular alguma coisa. – E mais cansado.

– Não é apenas isso, Namjoon – ela se aproximou deixando-me em alerta. – Eu não sei dizer ao certo, é como

se você estivesse sempre tenso, disperso e ao mesmo tempo como se existisse um brilho diferente, algo

que eu não saberia explicar, mas que está presente – encarei Nathália pensando no que ela me dizia. – O

que tem feito, além de trabalhar, é lógico – ela levantou olhando para fora, observando a chuva.

– Surfado – ela voltou a me olhar e sorriu amplamente.

– Nada de novas namoradas? – e eu sabia que era aquela a pergunta que nos colocaria no ponto crítico.

– Sem novas namoradas – respondi com cautela e vi quando Nathália assimilou a minha resposta. Ela

bebeu um gole do vinho e umedeceu os lábios.

– Alguém especial? – levantei também sentindo o clima ficar tenso.

– Nathália...

– Por que não me conta? Acha que eu me partiria se soubesse que você está se divertindo com alguém?

– A forma como você fala faz tudo parecer sujo – fiquei incomodado, pois pensei imediatamente em

S/N. Eu não me divertia com ela. Eu a amava.

– Desculpe, não foi o que quis fazer parecer. Apenas falei o que é óbvio: Namjoon não se apega a

ninguém.

– Isso não é verdade – mais uma vez ela ficou tensa e me encarou tentando descobrir o que havia de

diferente de mim.

– Então existe mesmo alguém?

– Não acho que seja uma boa ideia falarmos da minha vida pessoal – coloquei minha taça sobre a mesa

como se estivesse encerrando o assunto.

– Alguém que o impediria de ganhar um presente de aniversário especial? Que esteja roubando a sua

energia sexual a ponto de fazê-lo recusar uma oferta?

Ela se aproximou sedutoramente, abrindo o sobretudo e revelando o que vestia por baixo. Uma calcinha

preta minúscula e um sutiã que deixava seus seios mais volumosos. Nathália era linda e seu corpo era

perfeito. Em qualquer outro momento da minha vida eu dispensaria uma oferta tão generosa, no entanto,

naquele momento, meus pensamentos, todos, se dirigiram a S/N, e no quanto eu queria que fosse ela

ali.

– Uma oferta? – dei um passo para trás mantendo minhas mãos firmes nela. Nathália sorriu forçando a

aproximação dos nossos corpos.

– Nossas noites eram incríveis – desceu os olhos até meus lábios demonstrando o seu desejo. – Não sente

saudades?

– Nathália... – tentei me afastar outra vez, mas ela me impediu.

– Não estou te pedindo em casamento, Namjoon. É só uma noite, por diversão – tentou alcançar minha boca,

desviei a tempo e ela beijou meu rosto.

– Não acho que seja uma boa ideia – peguei seu braço retirando-o do meu pescoço. – Vamos manter as

coisas como estão.

– Por quê? Por que existe mesmo alguém ou por que você não sabe o que fazer comigo no dia seguinte?

– Pelos dois motivos – encarei minha ex-amante tentando descobrir como ela encararia a minha resposta,

Nathália apenas sorriu e abaixou os olhos.

– Então ainda há esperança – disse me distraindo com a sua tentativa de me beijar, mas descendo a mão

pelo meu peitoral, por cima da camisa, até alcançar meu pau. Arfei! Ela o acariciou com delicadeza, mas

eu não reagi. Não fiquei excitado nem nada do tipo. Então segurei sua mão impedindo-a de continuar.

– E eu sei o meu papel em sua vida, Namjoon. Somos adultos, responsáveis... Não precisa ter medo do dia

seguinte.

– Digamos que a primeira opção pese mais do que a segunda – mais uma vez tive medo de como ela

reagiria e novamente Nathália apenas sorriu.

– Como eu disse: ainda há esperança – ela se afastou e colocou a taça ao lado da minha. – Como você

não quer festejar – pegou a pequena bolsa que estava sobre o sofá e fechou o sobretudo. – Eu vou

embora.

Amanhã nos encontramos, não?

– Com certeza – tentei sorrir, mas estava tenso demais com a ideia de tê-la me perseguindo durante todo

o feriado e como S/N reagiria a sua presença. – Obrigado por ter vindo.

– Eu não poderia deixar passar em branco – fomos até a porta e eu a abri desejando que ela não

demorasse mais nem um minuto. – Foi uma ótima noite – ela se virou e beijou meu rosto, bem no cantinho

próximo a boca.

– Vejo você amanhã.

Nathália saiu protegida pelo seu guarda-chuva. Ainda a observei partir, ansioso para entrar e acabar com

aquele dia. Assim que ela desceu as escadas, corri os olhos pela rua vendo o quanto estava escura. Uma

sensação estranha me invadiu. Por um breve segundo eu a vi, como meu cérebro já havia enviado a

mensagem para fechar a porta, foi o que eu fiz enquanto processava a imagem.

Segundos depois abri a porta de novo encarando aquele vulto escuro embaixo da árvore. Era ela.

– S/N? – meu coração acelerou com a possibilidade.

No momento eu não pensei em Nathália nem em nada ligado ao mundo exterior. Eu apenas encarava aquela

sombra, sentindo o meu corpo formigar. Quando dei por mim já estava na chuva fria, andando em sua

direção. Ela ficou imóvel no primeiro instante, fazendo-me acreditar que eu estava imaginando coisas,

mas logo em seguida deu um passo e se permitiu ser revelada.

– S/N! – andei mais rápido em sua direção.

Paralisei assim que a vi completamente molhada, me encarando com frieza. – O que faz aqui? – eu

tentava não me concentrar na sua expressão e buscava o que quer que fosse para quebrar o gelo do seu

olhar.

– Eu... – ela hesitou, para em seguida tomar coragem. – Ana me contou que era o seu aniversário –

me avaliou enquanto a chuva nos ensopava ainda mais. – Eu só queria lhe dar os parabéns. Hoje. Não

amanhã...

porque vamos nos ver amanhã, certo? Eu queria que fosse hoje, já que é a data do seu aniversário.

S/N estava confusa demais e acabou me deixando da mesma forma. Observei enquanto ela se perdia

nas palavras e justificava a sua presença como se fosse algo de errado.

– Então... Parabéns! – e me encarou. A chuva molhava seu rosto delicado, pingando pesadamente dos

seus cabelos. – É isso. Eu... – olhou em direção à rua e colocou as mãos nos bolsos.

– S/N! – suspirei sentindo a paz que a sua presença me fazia sentir e a tomei nos braços.

Quando a senti colada a mim tive medo de estar imaginando coisas e que ela fosse desaparecer. Mas

S/N não reagiu, ela se deixou ser abraçada sem retribuir o abraço. Pensei ter sentido um soluço, um

movimentar abafado do seu peito.

– Senti a sua falta – revelei sem conseguir deixá-la.

– Eu preciso ir, Namjoon. Saí escondido, meu pai com certeza vai perceber a minha ausência, preciso voltar.

– Você fugiu só para me ver? – me afastei buscando pelos seus olhos.

Sorri deliciado com a atitude dela. Durante dias S/N fugiu de mim, inventando um monte de

desculpas, mas ela estava ali, enfrentando a chuva, o pai, tudo, apenas para estar comigo no meu

aniversário.

– É o seu aniversário. Achei que era importante vir até aqui e...

Ela se afastou ligeiramente. Meu coração acelerou ao notar o seu tom e a mágoa em sua voz. Merda!

Nathália.

S/N tinha visto Nathália sair da minha casa. Que idiota eu era.

– Desejar feliz aniversário.

– Vamos entrar – falei mais cauteloso. Eu sabia que ela explodiria a qualquer momento.

– Não! – ela se afastou ainda mais. – Eu tenho que voltar – e continuou se afastando.

– Espere, S/N! – segurei em seu braço forçando-a a ficar. – Está chovendo muito e você está

encharcada – ela olhou para o corpo como se só naquele segundo tivesse percebido o quanto estava

molhada. – Vamos entrar e conversar.

– Não, eu vou para casa – disse aumentando a voz.

– S/N, não aconteceu nada – falei logo de uma vez demonstrando entender a sua dor. – Nathália

apareceu quando eu chegava da casa dos meus pais, estava chovendo e por educação a convidei para

entrar enquanto aguardava a chuva passar. Não aconteceu nada – ela ainda me encarava com mágoa.

– Você não me deve satisfações. Eu só vim...

– Eu sei o motivo da sua vinda. Já me disse isso diversas vezes – afirmei impaciente. – E não quero ter

esta conversa aqui na chuva – ela piscou deixando que a chuva escorresse livremente pelo seu rosto, ou

eram lágrimas? Puta que pariu!

– Vejo você amanhã – tentou se soltar, eu não deixei.

– Não vou permitir que vá desta forma. Não enquanto não me ouvir – ela parou e aguardou. Vamos entrar.

– Não quero entrar, mas podemos conversar fora desta chuva.

Ela se soltou, passou pelo portão que estava aberto, parando próximo à garagem, onde uma soleira nos

protegeria da chuva. Abraçou o próprio corpo, tremendo e me encarou.

– Eu sei que você viu Nathália sair daqui de casa, mas eu juro que não é nada do que está imaginando.

– Eu não estou imaginando nada – falou irritada tremendo um pouco mais.

– Merda, S/N! Você vai ficar doente, por que não entra? Eu posso colocar sua roupa para secar

enquanto você se aquece.

– É só você me deixar ir embora. Em minha casa poderei me cuidar melhor.

– É isso o que quer fazer? Quer ir embora aborrecida comigo? Vai ser infantil a este ponto?

– Adeus, Namjoon! – rebateu com um rosnado e tentou passar novamente. Eu não seria idiota para deixá-la ir,

então a puxei para mim e a abracei com força.

– Não aconteceu nada. Por que você é tão cabeça dura? – ela escondeu o rosto em meu peito impedindome de alcançar seus lábios. – S/N não faça isso – implorei me sentindo um imbecil. Um boneco nas

mãos dela.

– Por que não me contou que era seu aniversário? – ela levantou o rosto me encarando. Observei-a

indeciso sobre o que responder. Por que eu não contei? Porque era um cretino, idiota e orgulhoso.

– Não sei. Você disse que tinha compromisso – revelei preocupado, escolhendo cautelosamente as

palavras. – Não quis fazê-la mudar de ideia. Também não tem nada demais em fazer aniversário, não é

uma coisa que eu faça questão de contar.

– Mas sua autora preferida sabia? – sua voz continha tanta mágoa e acusação que eu senti medo.

– Nathália convive comigo há tempo suficiente para saber. Olha, eu sei o que você está pensando, mas não

foi nada disso. Eu jantei com os meus pais, Milena pediu para te convidar, mas você me disse que tinha

compromisso então deixei pra lá, não era nada importante, eu te contaria amanhã, ou você acabaria

descobrindo mesmo – passei a mão nos cabelos tirando o excesso de água. – Vim para casa decidido a

dormir cedo já que amanhã tenho que pegar a estrada, aí Nathália apareceu e o resto eu já falei.

Nós ficamos conversando enquanto aguardávamos a chuva passar.

– E tomaram vinho – ela acusou. Que droga! Claro que ela sentiria em meu hálito.

– Tomamos algumas taças – admiti.

– E as marcas de batom em seu rosto – e pela sua voz eu percebi que existiam mesmo lágrimas e não

apenas chuva em seu rosto.

– S/N... – suspirei sem conseguir encontrar uma justificativa que a fizesse entender. – Nathália tentou,

mas eu não permiti – ela mordeu o lábio inferior e se abraçou um pouco mais. – Não aconteceu nada,

S/N!

– Olha, Namjoon... – ela puxou o ar com força. – Nós não temos nada além do nosso acordo.

– Não é bem assim...

– O fato de eu ter revelado que me apaixonei não significa que temos que mudar alguma coisa – merda! O

que ela estava dizendo?

– Não vai mudar – corroborei o que ela dizia. – Só que as coisas não são como você está falando.

– Eu realmente preciso ir – ela me interrompeu.

– Não vá embora – pedi engolindo todo o meu orgulho. – Droga, S/N, eu senti tanto a sua falta! – me

arrisquei a acariciar seus braços. Vi quando ela fechou os olhos e engoliu com dificuldade. – Acredite

em mim! – ela abriu os olhos e me olhou com mágoa. Tentei beijá-la, ela desviou o rosto. – Não posso

mais te beijar? – acariciei seus cabelos sentindo a amargura daquelas palavras.

– Não enquanto estiver com os lábios dela estampados em seu rosto.

Acusou com a voz rouca de quem tentava prender o choro, falhando totalmente. Passei a mão pelo meu

rosto para limpar as marcas do batom. Minha vontade era matar Nathália.

– Você me beijaria se soubesse que eu tinha acabado de beijar alguém? – ela disparou. – O Suga, por

exemplo. Se eu o beijasse, você me beijaria em seguida?

– senti a raiva que aquelas palavras me causavam.

– Não – revelei engolindo em seco. – Só tem um detalhe: eu não beijei a Nathália – fui firme e ela manteve

os olhos nos meus captando a verdade das minhas palavras.

– O nosso acordo era: você não arranja ninguém e eu não arranjo ninguém. Se você quebra a regra eu

também quebro.

– Porra, S/N! Eu não beijei a Nathália – e a raiva estava contida em minhas palavras. Ela empinou o

queixo me encarando com mais firmeza. A ameaça muito nítida. – E não quero que você beije o Suga

ou qualquer outro garoto.

– Ótimo! – disse rispidamente. – Porque é o que vou fazer da próxima vez que eu vir qualquer outra

mulher sair da sua casa, independentemente de qual seja a desculpa que você inventará.

– Eu não... – fechei os olhos controlando a raiva. – Tudo bem – soltei o ar com força. – Tudo bem,

S/N – e eu me sentia um babaca filho da mãe, dominado por aquela fedelha que me amarrava

deixando-me sem reação.

– Vejo você amanhã – tratei de limpar mais uma vez o meu rosto enquanto ela passava por mim, e

consegui segurá-la.

– Não sem me dar meu beijo de aniversário – e a beijei sem esperar pela sua autorização.

S/N tentou me deter, mas meus lábios já estavam nos dela, forçando passagem com a língua e com

isso todo o seu corpo amoleceu. Ela podia ser a dona dos meus pensamentos, mas eu era o dono do seu

corpo e sabia a forma certa de domar aquela diabinha, quebrando um pouco da sua pose.

Nossos lábios de movimentaram em um beijo apaixonado, cheio de saudade e desejo. Seus dedos se

fecharam em meus cabelos molhados, e uma mão segurou com força em minha camisa, puxando-me para

mais perto.

Fiquei excitado na mesma hora.

Imprensei minha aluna na parede, colando meu corpo ao dela e minhas mãos rapidamente exploravam

suas curvas. Ela gemeu em meus lábios, mas desfez o beijo.

– Passe a noite aqui comigo – sussurrei minha súplica. – Fique!

– Não – ela disse com a voz fraca, a respiração pesada.

– Por que não pode ou por que não quer? – me forcei a me afastar, caso contrário seria impossível se

continuássemos por mais um minuto colados daquele jeito.

Ela me encarou ainda com ressentimento.

– Pelos dois motivos – revelou me respondendo como fiz com Nathália um pouco antes, e eu me perguntei

se ela fazia aquilo pelo mesmo motivo que eu.

Senti meu coração acelerar, mas concordei me afastando, deixando-a livre para partir.

– E amanhã? – minha pergunta era mais uma tentativa de apaziguar o redemoinho dentro de mim do que

combinar algo.

– Vamos manter o planejado.

No entanto, sua voz estava fria e sem emoção, como se a nossa primeira noite juntos fosse apenas mais

uma parte do que ela pretendia para conseguir a aprovação do seu projeto. Era como um banho de água fria.

– Certo.

Ela virou e partiu na chuva e a noite se tornou mais fria do que aparentava.



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