História O Professor - Capítulo 28


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Rap Monster
Visualizações 47
Palavras 5.344
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 28 - Cap 28


Fanfic / Fanfiction O Professor - Capítulo 28 - Cap 28

Capítulo 28

“Os sentimentos verdadeiros se manifestam mais por atos que por palavras.”

William Shakespeare

Namjoon

Nathalia me olhava com olhos marejados, mantendo a compostura, mas eu sabia que estava destruída por

dentro.

Meu plano inicial, quando ela entrou na sauna, era fingir que ainda tinha interesse nela, assim tiraria seu

foco da minha namorada. Mudei de ideia em seguida, quando percebi que S/N tinha ficado magoada

e com toda a razão. Eu odiaria se ela fingisse interesse no Jin, ou no Suga por exemplo, só para

salvar a minha pele.

Então decidi que era hora de Nathalia saber de tudo.

Milena estava pronta para minha decisão. Havia dito a ela que se tudo desse errado eu deixaria o cargo de

editor- chefe e ela assumiria. Assim conseguiríamos manter a integridade da carreira de S/N.

Minha irmã não foi contra o meu plano. Ela entendia meus motivos e sabia que há muito eu almejava ter

mais tempo para cuidar dos meus próprios interesses. O cargo era perfeito para ela, eu o exercia apenas

porque era o acionista majoritário.

– Você sabe que pode estar jogando o seu nome na lama, não sabe? – Nathália me alertou.

– Não. Eu e Milena estamos organizando as coisas para que nada de errado aconteça.

– Namjoon ela é uma menina e é sua aluna, você é o orientador dela neste projeto! Você ofereceu a primeira

oportunidade a uma novata, uma desconhecida que o mercado nem tem ideia de quem é. Já imaginou o

que a mídia fará com estas informações? O sonho dela poderá ser destruído.

– Eu sei muito bem disso, Nathalia. Vamos trabalhar para controlar os danos.

– Pense bem. Não estou te pedindo para não ficar com a menina, apenas que pense primeiro nela e não

em você. A crítica vai destruir a garota. Não seja tão irresponsável!

Naquele momento eu perdi o foco da conversa.

Nathalia estava coberta de razão. Se as pessoas descobrissem que S/N e eu estávamos juntos

enquanto ela escrevia seu material, minha namorada ficaria desacreditada. Não seria reconhecida por seu

potencial e capacidade e sim pelo seu relacionamento com o proprietário da editora.

Droga! Eu estava sendo extremamente egoísta embora não pudesse voltar atrás. Não mais. Nunca

conseguiria me afastar. Mesmo que significasse me anular para que ela pudesse brilhar. Eu estava

apaixonado! Não!

Muito além disso. Estava amando. E amava tanto que não conseguia mais ver a minha vida sem aquela

garota.

Nathalia podia ver S/N como uma menina, uma garota inexperiente que “virou” a cabeça do seu

professor, mas eu não. S/N era uma linda mulher! A mais forte e decidida de todas. Ela sabia o que

queria, não hesitou nem se acovardou, correu atrás do seu sonho e conseguiu. Não importava os meios

que utilizou, eu me orgulhava muito dela.

– Nathalia eu... Eu amo a S/N. Queria que tudo tivesse acontecido de outra maneira, infelizmente não

posso modificar nada. Aconteceu – ela fechou os olhos retendo as lágrimas. – Eu sei o quanto é difícil

para você, mas não conseguiria continuar escondendo. De uma maneira ou de outra, você acabaria

sabendo. Então que fosse por mim.

– Obrigada, Namjoon! – limpou uma lágrima que escorreu pelo canto do olho.

– Eu preciso te pedir uma coisa. Sei que não é justo, mesmo assim tenho que pedir.

– O que quiser.

– É necessário que mantenha esse segredo com você. Eu ainda tenho coisas a fazer e soluções a dar,

preciso que me ajude a não deixar esta história vazar. Sei que os repórteres vão procurá-la em busca de

alguma declaração sobre a autora desconhecida. Por favor, não diga nada a eles. Eu pretendo esperar até

que S/N esteja formada para tornar nosso romance público.

Nathalia mordeu os lábios, mantendo o olhar baixo.

Eu jamais pediria aquilo a ela se não conhecesse a sua integridade. Apesar de ser uma mulher

apaixonada, era sensata. Sua classe nunca lhe permitiria entrar num jogo de intrigas.

– Tudo bem, Namjoon. Eu não direi nada. Também não negarei. Este é um problema que você está causando,

apenas você poderá resolvê-lo. Quanto a mim, fique tranquilo. Não deixarei que ninguém saiba o que

aconteceu.

– Obrigado!

Saímos do escritório e Nathalia tratou de sumir rapidamente. Imaginei que ela não suportaria ficar ao meu

lado sabendo que eu nutria por outra pessoa o amor que ela tanto desejava. Não quis perder muito tempo

pensando no assunto. Precisava encontrar João e resolver mais um ponto desta história.

S/N

Escrever sempre foi uma forma de fugir da realidade. Eu me entregava tanto aos personagens

que durante horas esquecia completamente de mim e da minha própria vida. Consequentemente de Namjoon,

Nathalia... Digitei deixando que toda a minha raiva esvaísse em palavras.

Gostaria de poder matar as personagens, ou a idiota da mocinha apaixonada pelo crápula. Como sabia

que não poderia satisfazer minha vontade, separei os dois e dei- lhes muito sofrimento.

Ok! Estava completamente pirada me vingando em minhas pobres personagens. Talvez quando a raiva

passasse e Milena aparecesse para me buscar para a tão fatídica noite, sim, porque eu teria aquela noite,

Namjoon sendo um idiota ou não, eu perderia a minha virgindade, eu estivesse mais calma e conseguisse

pensar com mais maturidade.

Olhei pela janela e vi que o céu estava negro. Era dia ainda, mas a chuva que prometia cair deixava tudo

na maior escuridão. Ouvi uma batida em minha porta. Era minha mãe.

– Todo mundo está te procurando para o almoço.

– Estou sem fome, mãe – desviei meu olhar para tela.

Não queria que ela descobrisse o que me afligia.

– Você precisa comer. Como vai escrever se começar a desmaiar na frente do computador – sorri.

Minha mãe era incrível!

– Ok, Dona Mary, eu vou almoçar!

Acompanhei minha mãe até a mesa enorme onde estavam todos. Anita e Jin já comiam, enquanto

Ana e Patrício brincavam de colocar comida um no prato do outro. Meu pai e o Dr. Kim

conversavam sem parar. Namjoon, Milena e João pareciam tensos. Nathalia, cabisbaixa, mexia no prato sem

muito interesse.

Estava tudo muito estranho!

– Qual delas você quer que eu mande seu pai matar primeiro? – minha mãe sussurrou ao meu lado.

Namjoon me olhou e sorriu com doçura. Aquele Namjoon, apaixonado, meigo e doce, não se parecia em nada com

o que tinha sumido com Nathalia, algumas horas atrás.

Merda! Ele me deixava confusa. Sorri para a minha mãe disfarçando o meu nervosismo.

– Ah, mãe! O que é a vida sem um pouco de concorrência, não? – ela sorriu orgulhosa e me acompanhou

para fiscalizar de perto minha alimentação.

Ela nunca deixaria de ser a mãe protetora, mesmo sendo mais amiga e sensata, ainda era a minha mãe.

Por isso tratou de colocar em meu prato todas as verduras possíveis. Namjoon acompanhou a nossa disputa

de perto.

Rindo e incentivando-a. Minha vingança veio quando ela resolveu que Dandara tinha razão, Namjoon estava

magro, então deveria se alimentar melhor também.

Sentamos um ao lado do outro. Namjoon comeu tudo o que minha mãe colocou em seu prato e aceitou uma

parte da minha comida, mesmo que escondido. Não estava com apetite para o tanto de comida que minha

mãe gostaria que eu comesse.

Mesmo com ele ao meu lado, e com toda a atenção que fazia questão de me dar, eu sabia que alguma

coisa estava errada. Anita estava muito quieta, Nathalia comeu e desapareceu com cara de quem não

gostou. Milena conversava baixinho com João Pedro. Também parecia inconformada com algo.

– Podemos trabalhar no seu livro hoje? – Namjoon me pegou de surpresa com a pergunta. Todos estavam

muito próximos, então não era propriamente confidencial.

– Claro! – meu rosto ficou vermelho, o calor se espalhando por todo ele, ao perceber meu pai me

olhando com interesse. – Deixei o computador em meu quarto.

– Então me encontre no escritório do meu pai. O meu está lá. Vamos terminar esta etapa, certo? – ele

falava como meu professor e orientador. Não havia nada de errado ou dúbio em suas palavras.

Anita levantou e saiu da sala. João e Alex trocaram um olhar cúmplice e Lana parecia não concordar com

nada do que estava acontecendo. Eu continuava confusa e irritada, por outro lado, ficar algum tempo

sozinha com Alex poderia ser esclarecedor. Então levantei decidida a buscar o meu computador e acabar

logo de uma vez por todas com aquelas dúvidas.

Não demorou mais do que dois minutos para Milena aparecer no quarto. Ela parecia desconfiada e seu

olhar deixava claro que havia um problema. Meu coração acelerou só de imaginar o que ela iria me

dizer.

– O que aconteceu? – minha voz ficou miúda. De alguma forma eu sabia que estava relacionado a mim e a

Namjoon, e que não seria nada bom.

– Não sei. Talvez você possa me ajudar a descobrir – ela passou por mim em direção ao meu

computador. – O que você fez? – me encarou como se estivesse me acusando.

– Não estou entendendo, Milena. Se você está perguntando sobre o livro, escrevi o capítulo alternativo,

inclusive enviei para você antes do almoço.

– Eu recebi, mas, com certeza, não pode ser isso – ela olhou pela janela, pensativa.

– Milena, eu não estou entendendo. O que...

– Namjoon entregou a orientação do seu trabalho ao João.

– O quê? – fiquei tão assustada que não consegui me concentrar no que ela dizia. – Como assim entregou

a orientação do meu trabalho?

– Ele pediu ao João para assumir a orientação do seu trabalho. Eu só queria saber o motivo para ele fazer

isso. O que você fez?

– Eu não estou entendendo – repeti como se fosse um mantra. – Não estou entendendo, Milena. Namjoon acabou

de me pedir para levar o computador para trabalharmos no livro. Eu não entendo.

– Namjoon está estranho, ele...

– Milena! – falei mais alto tentando fazê-la parar. – Eu preciso de um tempo, por favor! Tenho que

encontrar Namjoon para conversarmos. Prometo que, quando tudo estiver esclarecido, contarei a você.

– Tudo bem, S/N! Desculpe, eu não quis te aterrorizar, estou apenas preocupada, não quero que o

elo entre vocês se desfaça. Se Namjoon...

– Por favor! Não quero conversar sobre nada enquanto ele não me explicar o que está acontecendo. Por

favor!

– Tudo bem! Tudo bem!

Milena saiu do quarto. Eu não estava em condições de decidir nada. Andei de um lado ao outro buscando

respostas e a única que conseguia encontrar era a mais óbvia de todas: Namjoon estava jogando comigo. Eu o

vi saindo com Nathalia, flertando com a sua “escritora favorita” e, logo depois, vem a notícia de que tinha

entregado meu trabalho, o mesmo que nos uniu, o mesmo pelo qual tínhamos feito tantas loucuras e que

nos levou até aquele ponto.

Ele simplesmente abriu mão de seguir comigo até o final do projeto?

Eu precisava colocar para fora todas as mágoas.

Precisava cobrar dele as respostas. Não poderíamos dar mais nenhum passo sem antes esclarecer tudo.

Sair do quarto foi o mais difícil. Eu queria confrontá-lo embora temesse a forma como tudo acabaria.

Sabia o que sentia por ele, seria doloroso demais descobrir que tudo não havia passado de uma farsa,

uma brincadeira de mau gosto. Estava com muito medo de descobrir a verdade, infelizmente não tinha

outra alternativa.

Abri a porta e dei de cara com a pessoa mais improvável. Nathalia, parada diante de mim.

– Nathalia?

– S/N, podemos conversar?

Avaliei seu semblante. Ela não parecia estar com raiva nem disposta a criar qualquer tipo de confusão,

mesmo assim eu não tinha a mínima vontade de perder o meu tempo conversando com ela.

– Desculpe, mas preciso resolver um problema.

– Um problema chamado Namjoon? Eu já sei de tudo – meu rosto deve ter demonstrado minha surpresa. –

Não se preocupe. Ele mesmo me contou e é por isso que estou aqui – sorriu.

– Namjoon... O quê? – pelo amor de Deus! Não poderia ser mais confuso.

– Vamos dar uma volta, assim poderemos conversar melhor.

Caminhamos pelos jardins da casa, nos afastando um pouco. Nathalia parou próximo a uma cerca, onde

alguns cavalos corriam. Um celeiro encobria a nossa imagem nos dando maior liberdade.

– Namjoon me contou o que está acontecendo entre vocês. Não sei porque ele decidiu me contar, o fato é que

contou – fiquei calada aguardando o que diria, Nathalia não parecia querer atacar. – Vamos ser colegas de editora e é importante que tenhamos uma convivência no mínimo cordial. Não se preocupe da minha parte

não será diferente.

– O que você quer de mim? Nós estamos aqui para definir os limites da nossa relação? – ela riu e passou

a língua pelos lábios.

– Você está certa, S/N. Então vamos direto ao ponto. Você sabe que eu e Namjoon tivemos um

relacionamento – ela esperava que eu confirmasse, mas eu não o fiz. Apenas me esforcei para não

demonstrar a dor que me causava aquela afirmação. – Eu não vou falar disso. Sempre soube o que Namjoon...

ele sempre deixou bem claro o que queria. Com certeza tem sido assim com você também. Nosso editor

não perde tempo sustentando algo que não quer ou não pode dar – continuei encarando-a fixamente, com

os braços cruzados no peito. – O que talvez não saiba, e é exatamente sobre o que eu quero falar, é que

Namjoon joga muito bem. Ele sabe o que deve ser feito quando o assunto é a editora. É por isso que eles se

mantêm em primeiro lugar há tanto tempo. Namjoon é o perfeito investidor.

– Vamos direto ao ponto, Nathália!

– Tudo bem. Namjoon está usando você – ri com ironia.

– Eu não estou dizendo que ele não goste de você. Até acredito que goste, mas ele vai fazer o que for

necessário para manter o nome dele longe de toda essa sujeira que é o relacionamento de vocês.

Certo! Enfim ela me atingiu. Simplesmente porque era assim que eu nos via nos últimos momentos. Namjoon

agindo para encobrir a realidade e entregando o meu projeto a João Pedro. Namjoon flertando com Nathalia

para desviar a atenção de mim. Ele realmente faria de tudo para resguardar sua imagem.

– Deus! Você já descobriu a verdade, não é?

S/N, eu não estou te contando isso por despeito. Juro que não! Tudo bem que eu realmente queria

que ele ficasse comigo. Quem não iria querer? Namjoon é tudo o que uma mulher quer e sabe o por quê?

Porque ele sabe exatamente o que cada mulher precisa.

– Do que você está falando?

– Seu livro. Ele acredita mesmo nele. Milena está super entusiasmada. Lógico que ele não poderia perder

você para outra editora. Foi o meu caso. Ficamos juntos até que o meu nome estivesse estabilizado e

dependente do meu contrato com eles. Ele está fazendo o mesmo com você – não havia nada de apelativo

em seu rosto. Nada que indicasse não dizer a verdade.

– Que absurdo! – mas eu já estava convencida.

– Não é um absurdo, S/N. Eu já disse: acredito que ele sinta algo por você, mas Namjoom é um homem

capaz de passar por cima de qualquer coisa para manter o negócio da família.

– Não quero ouvir mais nada, Nathália.

– Então me explique porque ele mantém Anita em “banho Maria”? Por que simplesmente não diz a ela

que está com você? Porque sabe que minha prima destruiria a carreira dele. Sabe que se ela descobrir e

resolver abrir a boca ele tem muito a perder. Seu trabalho ficará desacreditado e o dele também. Você não será mais tão lucrativa.

– Chega!

– Estou te avisando porque o mundo não precisa de mais uma Nathalia – parei chocada com a sua

revelação. – Ninguém precisa de mais uma escritora sofrendo pelo seu editor, sonhando com o dia em

que ele voltará a enxergá- la. Dê continuidade aos seus planos. Faça como quiser.

Mas faça sabendo onde está se metendo.

– Considero-me avisada. Agora me dê licença.

Dei as costas e saí sem olhar para trás. Meu dia estava se tornando um inferno. Somente Namjoon teria o

poder de me tirar dele ou de me jogar, de uma vez por todas, em suas chamas. Caminhei pela casa sem

me importar com os olhares curiosos. Ana me chamou, mas eu estendi a mão demonstrando que não

queria ser detida naquele momento. Nada me impediria de esclarecer tudo como o meu professor.

Minha mãe me olhou curiosa, não dei atenção ao que ela fazia, apenas andei com passos firmes e seguros

em direção ao escritório do Dr. Kim para encontrar o seu tão querido filho. Um idiota, cretino, filho

da puta de último calibre. Parei assim que me aproximei da porta.

Ouvi a voz de Anita, rindo e a de Namjoon acompanhando a alegria dela. Congelei.

– Sério que você pensa isso mesmo de mim?

– Claro! – a voz dele estava incrivelmente sedutora.

– E o que você faz com S/N? – Namjoon ficou calado por um tempo, logo depois riu.

– S/N é um caso complicado de explicar, Anita.

– Ah é?

– Sim. Muito diferente de você, que eu sei exatamente como resolver.

– Mesmo? Como?

– Bom... Podemos discutir isso em algum lugar afastado daqui. O que acha?

– Namjoon! Você sempre me surpreende.

Não esperei para ouvir o que ele diria. Para mim estava tudo muito claro. Namjoon era um canalha. Um

imbecil sedutor. Manipulador. Nathalia tinha razão, ele não media esforços para atingir o seu objetivo.

Corri para o quarto sem saber ao certo o que fazer.

Minha vontade era fugir. Ir embora sem falar com ninguém infelizmente não poderia. Meu pai estava lá e

permitir que ele descobrisse só tornaria tudo muito mais difícil. Se bem que Namjoon merecia ter a arma do

Peter apontada em sua direção.

Olhei para o meu computador e tive vontade de atirá-lo na parede. Ouvi uma batida leve na porta, o que

freou meus impulsos destruidores.

– Entre!

Respirei fundo tentando manter a calma para não acabar alertando alguém sobre que aconteceu. Não

acreditei quando vi quem abria a porta e entrava no quarto.

– Oi! – seus olhos demonstravam constrangimento e seu semblante parecia cansado. Mesmo assim ele

tentou sorrir.

– O que você quer, Namjoon? – minha raiva o pegou de surpresa.

– S/N? – rapidamente ele estreitou os olhos e passou a mão pelo cabelo, demonstrando entender o

que acontecia – Eu sei que você deve estar pensando um monte de coisas...

– Estou. Você realmente me deu muitas coisas para pensar.

– S/N, por favor...

– Não.

Apontei um dedo em sua direção para silenciá-lo.

Fiquei incrivelmente surpresa com a minha calma. Não alterei a voz, não gritei, nem chorei. Comecei a

falar claramente para que não restassem dúvidas.

– Eu já entendi. Não precisa explicar. Vou facilitar as coisas para você. É o livro que quer? Ele é seu.

Não precisa mais fingir, nem tentar me enganar, muito menos andar na corda bamba para manter a sua

adorada carreira à salvo. Você está livre, Namjoon. Tem a minha palavra de que nunca falarei nada sobre o

que aconteceu entre nós dois.

Apenas me deixe em paz!

– S/N, o que você está dizendo? – ele parecia indignado.

– Você entendeu muito bem. Acabou!

– Acabou? – me olhou assustado.

– É. Acabou.

Namjoon abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber o que dizer. Caminhou pelo quarto, passando as mãos

pelos cabelos os olhos fechados como se buscasse pelo próprio equilíbrio.

– Você é muito infantil! – disse finalmente.

– Eu o quê? – não conseguia acreditar no que ele estava me dizendo.

– Isso mesmo, S/N. Você é infantil e irritante. Entende tudo errado. Tira as suas próprias

conclusões. Não dá para ser madura pelo menos uma vez?

Eu estou exausto. Esgotado de tanto procurar um jeito de salvar as nossas peles e você procurando tornar

tudo mais difícil – eu via a raiva contida em suas palavras mesmo assim não recuei.

– Ótimo! Chegamos a uma conclusão. Somos incompatíveis. Eu sou infantil e você é um canalha –

disparei.

– Meu Deus! Será que você...

Ele ia falar, mas o celular vibrou em seu bolso.

Namjoon parou na hora, praguejando, deixando claro que já sabia do que se tratava. Olhou para a tela e

depois para mim. O rosto cheio de culpa.

– S/N, eu preciso ir – ri indignada. Eu sabia muito bem para onde.

– Você vai mesmo sair com Anita?

Eu deveria xingá-lo, bater nele e expulsá-lo do quarto, porém o fato de saber que ele me deixaria sozinha

para se encontrar com aquela mulher, fazia com que eu me sentisse tão rejeitada que doía. Era impossível

controlar a minha raiva.

– Vou. Eu preciso levá-la daqui até conseguir resolver...

– Vá para a merda! – explodi.

– Puta que pariu! Será que você não ouve nada do que eu falo?

– Quero você longe de mim. Agora!

– Tudo bem. Eu vou. Esfrie a cabeça.

Conversaremos quando eu voltar.

– Fique longe de mim – sibilei.

– Tenho que ir, S/N. Não dá para conversar com você nesse estado – ele me olhou com amargura,

deu as costas e foi embora.

Tive vontade de morrer. Queria sumir, ir para bem longe, ser esquecida, não queria estar presente quando

ele voltasse do encontro com Anita. Seria insuportável. Olhei pela janela. A chuva se aproximava com

rapidez. Queria que ela me afogasse.

A decisão chegou com tanta força que só me dei conta quando corria em direção ao celeiro. Um rapaz

jovem e magro cuidava de um lindo cavalo negro. Era exatamente do que eu precisava.

NAMJOON

A chuva forte quase não me deixava dirigir de volta para o rancho. Anita tinha ficado furiosa

comigo. Não a culpo. Eu fingi, enganei e manipulei muitas pessoas para conseguir limpar a barra da

S/N. E a maluca ainda teve um ataque de ciúmes me acusando de ser um canalha.

Puta que pariu! Eu queria um pouco de sossego, um dia dedicado exclusivamente para mim, bem longe

desse bando de mulheres loucas e inconstantes.

Se João tivesse conseguido fazer o que eu pedi, tudo daria certo. Anita com certeza aprontaria alguma, a

julgar pela sua reação explosiva, mas se João conseguisse, eu não precisaria mais me preocupar com ela.

Queria poder me concentrar apenas em S/N e esquecer o restante.

A chuva caía com tanta força que me forçava a dirigir lentamente. Eu queria chegar logo para esclarecer

tudo. Ainda precisava conversar com Peter. Antes seria melhor contar a S/N e torcer para que

acreditasse em mim.

– Você sabe que sua carreira já era?

– Não. Não vejo motivo para destruir a minha carreira só porque me apaixonei.

– Por uma aluna, Namjoon! Você não consegue compreender a gravidade? O mundo inteiro vai cair em cima

de vocês.

– Nós somos adultos e responsáveis pelas nossas atitudes. Não queira tornar tudo como se ela fosse uma

garotinha e eu um aliciador de menores.

– Não importa. S/N é sua aluna, sua orientanda.

O que você fez? Nathalia me contou do interesse em lançar o livro da garota. É uma troca? Um jogo de

marketing? O que é? Porque eu definitivamente não entendo.

– Que criatividade! – resmunguei incomodado. No fundo eu sabia que aquilo aconteceria.

– O que ela tem? Sério, Namjoon! O que S/N tem de tão interessante? – tive vontade de responder que

exatamente tudo o que ela não tinha, no entanto preferi ficar calado. – É por que ela é rica, é isso?

– Pelo amor de Deus, Anita – rosnei sentindo minha paciência escoando junto com a chuva.

– É o que então? Um homem como você não pode me convencer que gosta mesmo de uma garota tão...

Sem sal, sem nenhum atrativo.

– S/N tem todos os atrativos necessários para me fazer querê-la. Ela é esplêndida, inteligente,

determinada... Ele é quem eu quero.

– Então é fetiche? Uma menina novinha que caiu em seu colo como um presente. Eu entendo, Namjoon.

Entendo mesmo, mas daí você fazer tudo o que está fazendo não é um pouco demais? Uma coisa é

diversão e outra é compromisso.

– Ela não é uma diversão. Qual é o seu problema? – fui um pouco mais rude, visivelmente incomodado

com tudo o que ela dizia. – Anita, eu sei de todos os riscos.Namjoon também e nós dois decidimos que queremos ficar juntos.

Não aguentava mais aquela conversa. Não suportava mais as ameaças, as tentativas de me fazer enxergar

a situação. Ninguém era capaz de entender que eu não conseguia mais viver longe dela? Podia ser

egoísmo, suicídio profissional, o diabo a quatro. Para que serviria tudo se eu não pudesse ter S/N

ao meu lado?

– O professor Carvalho não vai aceitar. Ele não aceitará o trabalho dela. Não quando existem fortes

indícios de que houve a sua intromissão no desenvolvimento. Você favoreceu uma aluna porque existia

uma relação entre vocês dois. Está dormindo com a sua orientanda, não vai conseguir convencer ninguém

de que a reprovaria se fosse necessário.

– Vamos deixar que cada um tome sua própria decisão, certo? No momento, eu decido me casar com S/N – entrei na propriedade da minha família. A chuva castigava o chão fazendo tudo se transformar

em lama.

– Casar? – ela ofegou.

Olhei para Anita sem acreditar em sua reação. Ela não era nem apaixonada por mim para tentar com tanto

empenho me impedir de fazer o que pretendia.

– Anita! Você é linda! É inteligente. Por que não se permite ser feliz também? Eu não sou, nunca fui e

nunca serei o cara certo para você.

– Não seja ridículo! Você nunca sequer me deu uma chance de descobrir isso.

– Vá por mim, foi melhor assim – estacionei agradecendo por poder ficar longe dela.

– Vamos fazer diferente – parei olhando-a sem entender que tipo de proposta ela poderia me fazer. – Você

me dá uma chance. Uma única noite. Ninguém precisa ficar sabendo, e depois disso poderemos decidir o

que fazer. S/N é uma menina, Namjoon – sua voz mudou de tom, tornando-se mais baixa, mais sensual. –

Eu... – se aproximou sedutoramente. – Sou uma mulher e só preciso de uma noite para te provar isso –

não dava mais para conversar. Anita que ficasse sozinha com suas loucuras.

– Anita, eu amo a S/N. Jamais trairia a confiança dela para comprar o seu silêncio.

Ela se afastou me olhando como se estivesse indignada. Como se fosse um absurdo eu negar a sua oferta,

e eu sabia que aquele foi o ponto em que ela decidiu que se vingaria. Anita não deixaria barato.

– Vamos. Tenho muitas coisas para resolver – abri a porta do carro e corri na chuva. Ela veio correndo

atrás de mim, gritando e praguejando contra a água que descia forte, nos encharcando.

Assim que entrei vi que alguma coisa estava errada.

Todos estavam na sala. A expressão de Mary era de sofrimento. Droga! Imediatamente soube que era algo

relacionado a S/N. Milena e minha mãe vieram em minha direção.

– Onde você estava? – Milena me censurou.

– S/N está desaparecida – minha mãe não estava preocupada com o que eu estava fazendo e sim

com o fato de a minha aluna ter sumido. – Pensamos que ela estivesse com você. Seu telefone só dava

caixa.

– O quê? Como? – perguntei angustiado. Anita riu cinicamente atrás de mim e minha mãe estreitou os

olhos imaginando que estávamos juntos. Mulheres! – O que aconteceu?

– Tentamos encontrá-la, mas a chuva apagou o rastro – meu pai apareceu na sala com a roupa molhada e

o celular na mão. – A polícia não tem como chegar aqui.

Também informaram que devido à chuva, ela pode ter se abrigado em algum lugar seguro. Precisam de 24

horas para começar as buscas.

– Eu vou atrás da minha filha. Ela não pode estar muito longe – Peter já estava se aprontando para sair

quando João, Jin e Patrício entraram completamente molhados.

– E então? – Mary avançou para eles esperançosa.

– O rio transbordou. Não tem como passarmos para o outro lado, onde ela provavelmente deve estar –

João olhou para mim, preocupado.

– O que deu nela? – Mary choramingou e Milena me acusou com os olhos.

– Eu vou encontrar aquela destrambelhada – Peter estava decidido.

– O que podemos fazer? Acreditam que dá para atravessar com o jipe? – perguntei aos rapazes tentando

traçar uma estratégia de busca.

– Duvido muito. O jipe não é 4X4, teremos que encontrar outra maneira – Patrício respondeu pensativo.

Notei quando Ana se aproximou segurando na mão dele e o meu irmão a apertou transmitindo

confiança.

Bom... Pelo menos os dois estavam dando certo.

– Se é impossível ir a cavalo ela não conseguirá voltar também – Jin tentava colaborar. – E já está

anoitecendo.

– Com toda essa chuva é bem provável que o cavalo tenha se assustado e fugido – João me olhou

cúmplice. – Temos que pensar em todas as possibilidades – admitiu sem se deixar abater pelo choro das

mulheres.

– Tem alguma estrada para o outro lado do rio?

Mesmo que distante, é melhor do que ficarmos aguardando – Peter se juntou ao grupo. Ele era decidido e

forte. Poderia ser útil.

– Nenhuma. Pelo menos nenhuma perto o suficiente e nem sabemos como estão as estradas. Só pelo rio mesmo – João informou. – E não dá para passar.

– João, eu vou tentar. Não sei como, mas vou. – afirmei decidido.

Todos pararam me encarando. Peter levantou uma sobrancelha, porém preferiu não dizer nada. Jin

sorriu, João e Patrício concordaram.

– Podemos tentar com o triciclo – eu e João nos animamos com a alternativa que meu irmão havia

encontrado. – Ele é resistente e 4X4, só não sei se funciona. Não é usado há muito tempo.

– Vale a pena tentar. Onde está? – Peter assumiu o comando.

– Na garagem. Atrás de um monte de coisas velhas – João informou. – Mas só cabe uma pessoa – ele me

olhou rapidamente.

– Primeiro precisamos fazê-lo funcionar. Depois decidiremos quem vai – Patrício desfez o clima pesado

que começava a se instalar.

– Certo! – Peter concordou.

Conseguimos remover o triciclo. Johnny tratou de fazê-lo funcionar e Patrício abasteceu o tanque. A

chuva era torrencial o que tornava tudo ainda mais difícil.

– Acho que Namjoon deveria ir. É mais leve e conhece muito bem a região, vai saber aonde procurar – João

gritou contra o barulho da chuva.

– Como saberemos se ele conseguiu? – Peter argumentou sabiamente. De nada adiantaria deixar todos

preocupados comigo também.

– João, o seu casaco é impermeável. Eu vou com ele e coloco o celular dentro. Se conseguir um sinal,

ligo assim que tiver alguma novidade.

– E se não conseguir? Se alguma coisa acontecer? – Peter parecia preocupado.

– Eu vou atrás dele, caso alguma coisa aconteça – Jin tranquilizou Peter. – Posso tentar arrumar uma

das motos enquanto aguardamos. Assim teremos como passar, caso Namjoon não volte. – Peter assentiu.

João foi buscar o casaco e Patrício entrou para informar as novidades. Jin ficou arrumando algumas

coisas no triciclo enquanto esperáva.

– Traga a minha menina de volta, Namjoon. Ela é o meu maior tesouro.

Peter estava com a voz embargada. Olhei em seus olhos e vi neles um imenso sofrimento. Imediatamente

compreendi o seu excesso de cuidado. Ele amava S/N e não suportaria perdê-la.

– O meu também, Peter – admiti sem receio. – S/N é toda a minha vida.

Ele me olhou surpreso, mas não reagiu contra a minha confissão. Estávamos ligados pela mesma causa e

objetivo. Se era assim que deveria ser, assim seria, então ele assentiu concordando.

João voltou e Jin apertou minha mão se despedindo. Peter também fez o mesmo. Seu aperto foi forte,

seguro e confiante, como se fossemos parceiros. Em seguida ele foi embora, voltando para a chuva.

Montei no triciclo rezando para me lembrar de como manter aquela máquina sob controle.

Liguei e quando estava de partida ouvi Mary chamando por mim. Virei em sua direção. Ela se aproximou

e me abraçou. Um pouco sem graça envolvi aquela mulher em meus braços. Foi quando ela sussurrou em

meu ouvido: – S/N te ama. Ela confia em você, então eu também confio.

Meu coração ficou em festa com aquelas palavras.

S/N me amava, assim como eu a amava e não importava nossa briga, nem as besteiras que aquela

cabecinha louca pensava e dizia. Eu a encontraria, porque seria guiado pelo meu coração e este estava

ligado diretamente ao dela.

– Traga a minha menina de volta, Namjoon. Ela é o meu maior tesouro.

Peter estava com a voz embargada. Olhei em seus olhos e vi neles um imenso sofrimento. Imediatamente

compreendi o seu excesso de cuidado. Ele amava S/N e não suportaria perdê-la.

– O meu também, Peter – admiti sem receio. – S/N é toda a minha vida.

Ele me olhou surpreso, mas não reagiu contra a minha confissão. Estávamos ligados pela mesma causa e

objetivo. Se era assim que deveria ser, assim seria, então ele assentiu concordando.

João voltou e Jin apertou minha mão se despedindo. Peter também fez o mesmo. Seu aperto foi forte,

seguro e confiante, como se fossemos parceiros. Em seguida ele foi embora, voltando para a chuva.

Montei no triciclo rezando para me lembrar de como manter aquela máquina sob controle.

Liguei e quando estava de partida ouvi Mary chamando por mim. Virei em sua direção. Ela se aproximou

e me abraçou. Um pouco sem graça envolvi aquela mulher em meus braços. Foi quando ela sussurrou em

meu ouvido: – S/N te ama. Ela confia em você, então eu também confio.

Meu coração ficou em festa com aquelas palavras.

S/N me amava, assim como eu a amava e não importava nossa briga, nem as besteiras que aquela

cabecinha louca pensava e dizia. Eu a encontraria, porque seria guiado pelo meu coração e este estava

ligado diretamente ao dela.



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