1. Spirit Fanfics >
  2. O Quanto Vale Uma Mundana? >
  3. Capítulo 12 - Consequências (Parte 2)

História O Quanto Vale Uma Mundana? - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Não sei pq estou mais animada q o normal...

Eu revisei o cap, mas depois vou revisar melhor, ok? Me desculpem qualquer erro.
Espero q gostem!

Capítulo 12 - Capítulo 12 - Consequências (Parte 2)


As coisas não andavam boas no Mundo das Sombras. Desde que Valentine começara a caçar os traidores e ex-membros do Ciclo, ninguém se sentia seguro agora que tinham certeza: Valentine está de volta.

A Clave não conseguia mais se comunicar com os Seelies e sua relação com as outras espécies não estavam estáveis. Os vampiros e lobisomens eram os piores. Não é como se essas espécies fossem um exemplo de auto controle, mas eles estavam mais impulsivos que o normal. A Clave estava mais ativa do que nunca e isso sufocava os irmãos Lightwoods que tinham se envolvido com o Submundo mais que o necessário para um Shadowhunter.

Lydia Branwell e Alec Lightwood haviam anunciado seu noivado e agora todos tinham um motivo para se agitarem ainda mais, afinal, eram dois nomes de peso, juntando suas famílias, se tornariam ainda melhores. 

Clarissa Fairchild também era um dos nomes mais falados. A Clave queria o Cálice e agora tinham certeza que a garota o tinha, mesmo sem provas, caso contrário, levariam a força. A jovem, porém, não dava sinais de que iria entregá-lo, o que os irritava ainda mais. Também haviam as ordens que Lydia recebia para interrogar submundanos que, teoricamente, escondiam informações valiosas sobre Valentine.

Isabelle estava preocupada pois Merlion havia sido levado para o interrogatório e ela ainda não tinha novidades. Alec e Jace estavam brigando, algo que poderia passar despercebido caso não estivessem em situações críticas. Maryse estava radiante, com o casamento do primogênito marcado nada poderia estragar seu humor. Nada, exceto os rumores de que Jace Wayland e Isabelle Lightwood estavam contribuindo com a filha do Valentine para esconder o Cálice Mortal. Rumores, mas que foram o  suficiente para causar tensão na família.

Porém, não eram apenas os Caçadores das Sombras que passavam por problemas. No apartamento de Magnus Bane, Raphael Santiago e Simon Lewis faziam uma visita. Pelo visto Camille estava focada em causar problemas, ela queria causar o caos para Dylan Saltzman e espalhava boatos de que a nova vampira estava atacando mundanos por não conseguir se controlar. Eles sabiam que seria só uma questão de tempo até que os Shadowhunters batessem em sua porta. Dylan se preocupava com seu pai. O que aconteceria caso ela fosse atrás dele? Se ela estava tão focada em acabar com sua vida não tinha dúvidas de que a centenária iria atrás de sua única família.

Família... Ela odiava pensar no homem se referindo a isso.

Raphael se retirou acompanhado de Simon, depois que ele se despediu de da colega, prometendo mantê-los informados e com o pedido de Dylan que fossem cuidadosos. Ela se preocupava com eles. Sozinhos, a vampira teve a oportunidade de conversar com o feiticeiro. Ela o chamou.

- O que aconteceu? Você está abatido. - Ele se surpreendeu com a fala da garota que já não vestia o vestido que ele lhe dera, e sim uma blusa folgada verde e uma calça jeans escura. Bem mundana.

- Como assim? Nada. - Ela o fitou, seu olhar dizendo tudo que ela não sabia como dizer. - Eu estou bem, não se preocupe.

- Olha, - Sentiu vontade de suspirar. - eu posso fingir que não percebo suas mudanças de comportamento, mas não vou parar de me preocupar. Posso ignorar, se quiser, mas se quiser conversar ou... só botar para fora, eu estou aqui, okay?

Magnus sentiu vontade de abraça-la naquele momento, como um filho que pedia o colo da mãe quando se machucava. Era doloroso se manter longe, mesmo que a distância fosse pouca, o contato era mínimo e ele não sabia se poderia aguentar por muito mais tempo.

Ele só a queria de volta.

Alguns minutos depois, Magnus foi chamado por um cliente e precisou sair. Dylan ficou esperando seu retorno com os gatos fazendo companhia.

(...)

Isabelle estava a ponto de surtar. Já fazia horas que Meliorn havia sido levado e a ignorância em saber o que estava acontecendo era angustiante. Jace estava com ela tentando a acalmar, o que era inútil.

- Vai fazer um buraco no chão. - Sua fala não causou nenhum efeito na morena de salto que andava em círculos.

A atenção de ambos foi desviada quando a porta do interrogatório se abriu. Alguns soldados escoltavam Meliorn e Alec estava entre eles.

- O que vão fazer com ele? - Isabelle perguntou ao passo que levavam Meliorn algemado.

- Ele será levado até os Irmãos do Silêncio. - Foi Lydia quem respondeu, ao lado de Alec.

- Não podem fazer isso! 

- É uma ordem da Clave, Isabelle. - Alec não olhou para seus irmãos.

- Podem matá-lo! Sabem que um submundano raramente sobrevive às interrogações dos Irmãos do Silêncio. - A Lightwood foi ignorada pela Branwell, o que ascendeu ainda mais a fúria da mulher.

- Vai mesmo arriscar uma guerra com eles? - Jace se intrometeu. - Alec, isso está indo longe demais, sabe disso.

- Seelies não mentem, desviam as respostas. Talvez com os Irmãos do Silêncio tenhamos uma resposta válida. - Os irmãos não estavam acreditando naquilo. Aquele não podia ser seu irmão e parabatai, eles se recusavam a acreditar.

- Alec... 

- Não temos escolha. - Ele deu as costas e foi embora. Sua noiva tomando a liderança.

(...)

Ao ouvir o que Luke tinha a dizer, Dylan estava desesperada. Seu pai havia tentado se matar! Estava bêbado e sofreu um acidente de carro, estava internado e teria que passar por uma cirurgia. Ele perdeu muito sangue, seu corpo estava muito fraco, por isso adiariam a cirurgia até ele se fortalecer. Ela só queria ir vê-lo! Mas o maldito sol já tinha nascido!

Ela ouvia a voz de Magnus que também estava lá, mas não conseguia entender suas palavras. Tudo que ela conseguia pensar era que seu pai tinha tentado suicídio. Ele ia se matar... ele ia deixá-la. Depois de tudo ele ia deixá-la. Ele teve essa coragem e saber disso partiu seu coração em pedaços.

Ele realmente teve a coragem de me deixar.

Luke e Magnus se encararam por um momento, indecisos sobre o que fazer, já tinha sido difícil segurá-la quando ela quis sair e ir vê-lo, até se lembrar que o sol não era um aliado. Luke deu um passo.

- Dylan, me escuta. Ele já está se recuperando, será uma cirurgia simples, logo, logo você poderá vê-lo. - Sem respostas. Mais um olhar entre os dois homens. O lobisomem nem sabia se ela tinha o escutado.

Eles se interromperam quando a garota se levantou da poltrona onde estava sentada, claramente abatida. 

- Okay. Tudo bem. - Ela segurou suas mãos que tremiam um pouco. - Eu posso esperar. Quando anoitecer eu vou vê-lo.

- Eu vou com você. - Magnus disse. Ela o olhou questionando-o com os olhos. - É um hospital e você ainda é nova nessa área.

Ah.. sim. Tem isso também. Ela assentiu.

Luke combinou de encontrar com eles na entrada do hospital, apenas para dar um apoio, depois disso ele foi embora. Deixando Magnus sozinho com uma vampira que podia jurar ter sentido seu coração se quebrar em dois.

Seu pai esteve a um passo de morrer. Ele quis morrer. Com álcool ou sem, ela o conhecia o suficiente para saber que isso não fazia a menor diferença. Ele teve a coragem de deixar seu bebê sozinho. Ela realmente não sabe porque está tão surpresa.

(...)

Jace já sabia quando eles levariam Meliorn para os Irmãos do Silêncio. Seria ao anoitecer, então teriam algumas horas para pensar no que fazer. Porque, óbvio, eles não iriam deixar aquilo acontecer, principalmente porque seu irmão estava naquele meio. Alec não estava pensando direito, disso sabiam. Mesmo que fosse sério e frio, ele não era insensível, principalmente com submundanos, Alec não era assim. Eles não deixariam seu irmão fazer algo de que fosse se arrepender depois, nem que para isso precisassem fazer algo que talvez eles fossem se arrepender.

- Roubar a estela do Alec? - Clary estava no mínimo surpresa.

- Vamos distraí-lo e você pega a estela. - Isabelle falou.

- Quando pegar você vai usar para abrir o cofre e pegar seu colar e o Cálice, volte e devolva exatamente aonde estava. Vou desenhar algumas runas que podem te ajudar a ser mais rápida e silenciosa. - Jace explicou o plano.

- Tá, olha, não tô dizendo que eu não quero meu colar de volta, mas...

- Isso vai afetar a todos, Clary. - Isabelle a interrompeu, mais séria do que nunca. - Vamos pegar o Cálice porque neste momento eu não acho que entregá-lo à Clave seja o certo a se fazer. Se eles estão dispostos a ir tão longe a ponto de arriscar começar uma guerra... eu não sei o que mais pode acontecer.

Clary suspirou, olhando de um para o outro. - Contem comigo.

E seguiram conforme o plano. Izzy e Alec distraíram Alec, o que levou a uma discussão nada tranquila, principalmente por partes dos dois rapazes. Clary inaugurou as três runas que Jace lhe fizera: velocidade, agilidade e silêncio, conseguindo completar sua parte com sucesso. Ela saiu antes que alguém lhe visse, com o colar e a carta de tarô com o Cálice em sua bolsa.

Se encontrou com os outros dois do lado de fora do Instituto, eles estavam com um humor pior do que meia hora atrás.

- Pronto, já temos o Cálice, e agora? - A ruiva perguntou.

- Precisamos impedir que levem Meliorn. - Isabelle olhou para o loiro.

- Vamos precisar de ajuda.

(...)

Alec tinha acabado de discutir com seus irmãos mais uma vez. Já estava cansado disso a muito tempo, mas não fazia a a menor diferença.

Será que eles não percebem que tudo que ele faz ou fez foi para o bem da sua família? Todos os erros que ele cometeu nunca tiveram consequências únicas, era sempre mais alguém que sofria junto com ele. Seus pais, principalmente, e seus irmãos, indiretamente. Sempre foi assim. O fato de ter tido um caso com o Alto Feiticeiro do Brooklyn só piorou sua vida. Seguir seus desejos, seus impulsos, vontades, ele tinha seguido, se rendido quando conheceu Magnus, e, por um momento, ele não se importou com as consequências.

Ele estava errado.

Agiu errado. Talvez se ele não tivesse saído da linha naquela época não estaria agora prestes a se casar com uma pessoa que ele nem conhecia. Uma mulher.

Alec sempre teve medo de ser diferente. O diferente nunca foi bem aceito entre os shadowhunters, e, mesmo que ele não entendesse o porquê, ele ainda fazia de tudo para não ser diferente. Um bom soldado, era isso que ele tinha que ser. Um exemplo a se seguir, principalmente por ser o primogênito. Mas as coisas não têm sido assim em alguns anos.

Tudo começou ainda na sua pré-adolescência, aos 14 anos para ser exato. Tinha uma jovem nephilim que gostava dele. E era recíproco. Ele realmente gostava dela. Coisa de criança, como por exemplo sentir um frio na barriga só em estar perto dessa pessoa e rir como um idiota quando está com ela. Eles ficaram por alguns meses até que ela e seus pais foram para o Instituto de Londres e não voltaram. Ele ficou triste por alguns dias, nem o consolo de sua irmãzinha foi o suficiente para animá-lo. Mas o de Jace foi.

O seu, até então, futuro parabatai não aguentava mais ver seu amigo naquele estado, e por causa de uma garota! Não valia a pena, nas palavras do Wayland. Ele distraiu Alec de todas as formas que conseguiu, treinando, brincando, desafiando, e por causa disso Alec foi capaz de superar sua primeira paixão. Os dias passavam e ele já não pensava nela com tanta frequência. Mas ele foi capaz sentir uma dor parecida, se não pior, dois anos depois, quando ele viu que tudo tinha um preço e quando ele viu seu melhor amigo beijando uma shadowhunter qualquer em uma festa que ele realmente não faz questão de lembrar. Mas ele se lembra como se sentiu naquele momento. Uma mistura de raiva e dor, algo que ele se recusou a prestar mais atenção até que percebeu que queria estar no lugar dela.

O pensamento o assustou, mas não conseguiu desfazê-lo. E desde então, ele não vem tido outro foco a não ser melhorar e evoluir, algo que orgulhou sua mãe por um tempo, mas que caiu por água abaixo quando ele conheceu Magnus Bane durante uma missão.

Agora sua mãe mal fala com ele e ainda são palavras duras, seu pai também tem o evitado, mas suas palavras não são tão frias assim.

Ele não sabe aonde estava com a cabeça quando decidiu ir visitar Magnus. Ele estava noivo, iria se casar, seu casamento já estava marcado e agora o mais velho sabia disso, não tinham mais nada para conversar. Mas ele queria. Dizer um adeus amigável, ou pelo menos se desculpar pela última vez.

Bateu na porta e esperou. Analisava suas falas em sua mente para não correr o risco de piorar a situação, o que ele não esperava é que a porta fosse aberta não por Magnus, mas por uma vampira que o olhou como se ele fosse um alienígena na sua frente.

- Posso ajudar? - Ele deu uma olhada de baixo para cima. Estranhando as roupas mundanas.

- Onde está o Magnus? - Deu para perceber que estava impaciente, mas ela não pareceu se importar. Pra variar.

- Ele saiu, disse que tinha um trabalho a fazer. - Ela ainda estava na entrada. Ele revirou os olhos.

- Eu posso esperar ele aí dentro?

- Não sei, a casa não é minha. - Ela sentiu vontade de rir ao ver a expressão indignada do mais velho. - Mas acho que não terá problemas.

Ela deu passagem para ele entrar e observou quando ele analisou o lugar, um sentimento nostálgico em seus olhos, ela percebeu. Algo sereno que ela ainda não tinha visto nos olhos do Lightwood e gostou. Ficou levemente desapontada quando seus olhos pousaram em si e a leveza se dissipou.

- O quê?

- "O quê", o quê? - Ela queria testar sua paciência?

- Vai ficar aí parada?

- Eu não tenho nada melhor para fazer. - Ela sorriu fracamente, o Lightwood desviou o olhar. - Posso saber por que quer vê-lo? - O cenho de Alec nunca pareceu tão franzido, ela admite que achava atraente. - Sei que não é da minha conta, desculpe. Só não quero passar o tempo em silêncio.

Ele não respondeu, sua carranca diminuiu um pouco. Ela só não queria passar o resto do tempo pensando em seu pai, o silêncio era horrível nessas horas, Alec estava ali, então ela podia se distrair um pouco. O Lightwood estranhou o silêncio e olhou para a mundan... a vampira. Para alguém que não cansava ela estava bem abatida. Ele quis perguntar, mas desistiu.

- Magnus disse que horas ia voltar? - Ela o olhou. Uma sombra passando pelos seus olhos.

- Não. Só que não ia demorar, vamos sair esta noite. Quer dizer, eu vou. Ele só vai para me conter caso eu perca o controle. - Alguma coisa naquela frase incomodou a ambos. Motivos diferentes mas que causaram reações parecidas. - O que você quer com o Magnus? - Ela repetiu a pergunta. Um pouco mais séria que a última vez.

- Quero falar com ele.

- Sobre? - Ele parou por um segundo. Era incrível como seu humor oscilava com ela. Em um minuto ele estava chateado, em outro estava calmo, em outro nervoso, e depois voltava ao estado inicial. Como agora.

- Isso não é da sua conta.

- Magnus estava deprimido algumas horas atrás. É por isso que veio conversar? - Ele desviou o olhar ao invés de responder. Ela se aproximou. Postura firme enquanto continuava. - Espero estar errada, mas eu tenho motivos para acreditar que você é o culpado por deixá-lo daquele jeito.

- O que você tem haver com isso?

- Tenho mais haver do que imagina. - Ele franziu o cenho. Ela realmente não sabia porque estava fazendo aquilo, só se sentia responsável pelo feiticeiro, o que era ridículo, mas ela não conseguia evitar. Mas sua frase não teve uma reação positiva no nephilim que também se aproximava da garota.

- Saia daqui. Vá embora. Você nem deveria estar aqui para início de conversa, só está porque Magnus teve pena de uma você. Uma vampira...

- O que tem de errado em ser vampira? - Interrompeu. Desafiando o Lightwood que tinha tanto fogo nos olhos quanto ela. - Você é ridículo, Alec. Gosta de menosprezar os submundanos mas não aguenta quando vemos o quão podre os Shadowhunters podem ser. O quanto você pode ser! E se você tivesse um pingo da coragem que finge ter admitiria...

- O quê? - Ele a interrompeu com ódio no olhar e ela reuniu coragem para falar.

- Admitiria que está apaixonado pelo Magnus!

- CALA A BOCA!

- Por quê?! O que acontece se eu não parar?! - Só só foram necessários 2 segundos para ele lançar uma lâmina e imobilizá-la contra a parede. A superfície fria não causou nenhum efeito nela que sustentava seu olhar tão firme quanto o dele.

- Você nunca mais se atreva a dizer isso!

Ela riu irônica, o que ascendeu ainda mais a ira do moreno. - Você é tão cego, Alec. A resposta se encontra bem na sua frente, mas você está tão perdido que nem percebe.

Ele fraquejou por um momento e foi aí que ela aproveitou para inverter as posições. Mesmo sendo mais alto, ela conseguiu imobilizá-lo com a mesma lâmina que ele pressionara em seu pescoço. Usando sua mão para segurar a dele contra a lâmina serafim e não se queimar. Um arrepio lhe ocorreu quando viu os olhos negros e vermelhos da garota vidrados em si. Sua força o impedindo de se soltar.

- Se você tivesse coragem admitiria... tentaria. Ao menos tentaria.

Ela o soltou, mas não se afastou de imediato. Sustentando o olhar do outro que já não possuía raiva, mas algo diferente. Algo que quase a fez sentir pena. 

Assim que se afastou, Alec não perdeu mais tempo, desviou do corpo pequeno da garota e foi embora. Sem se importar com o motivo de ter ido ali para início de conversa.

(...)

Algumas horas já haviam se passado e estava quase anoitecendo. Demorou um pouco para eles convencerem Raphael a ajudá-los. Na verdade a ruiva queria ajuda de seu amigo, vampiro novato, mas Raphael foi rápido em negar em seu nome, o que deixou Simon chateado, mas ele não se atreveu a reclamar.

Raphael não queria mais problemas, nem se meter em mais escândalos, muito menos expor seu protegido, mas depois de várias tentativas Clary acabou vencendo a discussão. Ela também ligou para Luke que, por algum motivo, hesitou em ajudar dizendo que já tinha outro compromisso muito importante, mas no final, ele acabou aceitando ajudar quando Clary explicou a gravidade da situação.

Isabelle tentou ligar para Magnus, porém o feiticeiro não atendeu, então ela e Clary foram pessoalmente até seu apartamento, pois Dylan podia ajudar também e Clary precisava falar com ela. 

Elas chegaram mais rápido que o normal, só tinham mais duas horas. Foi Magnus quem abriu a porta.

- Precisamos de sua ajuda. - Clary entrou afobada, uma atitude já familiar para Dylan que ouviu as vozes do outro cômodo.

A jovem apareceu como uma sombra com roupas que Clary reconheceu. Isabelle estranhou as roupas simples de Dylan, mas se calou, não era hora para aquilo.

- Dylan...

- Não posso. - A vampira interrompeu sem ao menos a deixar falar. Tinha ouvido a conversa dela e de Izzy no corredor, já tinha uma ideia do que queria pedir.

- Não pode o quê?

- O que quer que quer me pedir. - Clary revirou os olhos, sem tempo para a acidez da garota. - Sinto muito, eu não posso.

Magnus sentiu uma tensão chegando, chamou Isabelle para conversarem longe das duas, para lhes dar mais privacidade. E porque também não queria servir de alvo ao tentar separar uma possível briga.

- Dylan, é sério, eu preciso de você. Alec está levando Meliorn para os Irmãos do Silêncio, ele pode começar uma guerra com os Seelies se não os impedirmos! Por favor, precisamos da sua ajuda. - Alec?

Ela engoliu em seco.

- Chama o Simon. Ele também é vampiro, e mais experiente que eu.

- Já chamei, mas eu preciso de você, seria uma ajuda a mais e perfeita para o que precisamos.

- Chama o Luke.

- Ele já aceitou, mas eu preciso de você!

- Já? - Dylan se sentiu uma idiota naquele momento. É claro que ele ajudaria sua filha. De consideração, mas isso não muda muito. - Me desculpe, Clary, eu não posso.

- Dylan...

- Clary, eu não posso, ok? Meu pai está no hospital e eu preciso vê-lo, já deixei ele sozinho por tempo demais!

- Você pode ir depois, por favor, Dylan, eu preciso de você! Não tem mais ninguém que pode nos ajudar! - Ela não quis acreditar no que tinha ouvido.

Fechou os olhos, tentando manter a calma. Clary estava certa ao se preocupar, era um assunto sério, não tinha porque brigar ou sentir raiva dela. Abriu os olhos e viu a ruiva olhando suplicante para si.

- Meu pai também precisa de mim, Clary. - Uma cartada final, ela precisava pôr um fim naquela conversa. - Eu sei que a situação é grave e eu sinto muito, mas eu não posso ajudar agora. Me desculpe, mas eu tenho outras prioridades no momento.

Dito isso, ela viu a raiva passar pelos olhos verdes da ruiva e se sentiu um pouco culpada por ser a responsável daquilo. Estava sendo egoísta, sabia disso. Mas seria apenas desta vez, só desta vez, depois ela voltaria a seguir e ajudar Clary do mesmo jeito que Simon fazia, mas agora ela precisava ver seu pai mesmo que ele não ligasse para ela. Se sentiu uma amiga horrível naquele momento, mas não voltou atrás.

Lançou um olhar para Isabelle que foi embora com Clary. Um peso em seus ombros e um bolo na garganta, sabia que estava errada, mas...

Não tinha mais certeza do que fazer.

- Vamos? - Magnus a chamou e ela assentiu.

(...)

Não tiveram problemas para entrar, Luke havia os avisado que a filha do paciente viria, apesar de que Dylan precisou tapar o nariz em alguns momentos, ela se manteve no controle. Até quando o médico e enfermeira ficaram no quarto para explicar melhor a situação para ela. Nada que uma mão no nariz não resolva. Ela não precisava respirar mesmo. Só foi um pouco constrangedor pois o médico se sentiu ofendido, mas nada complicado.

Disseram que ele carregava um MP3 player em sua mão quando foi encontrado. Um detalhe que ela não deixou passar. O questionaria quando acordasse.

Ele parecia tão fraco naquela cama. Totalmente diferente do homem que ela estava acostumada a ver. Também parecia bem mais velho que a última vez que o viu. Uma expressão cansada até quando estava sedado.

- Eu não acredito que ele ia me deixar. - Se praguejou por ter dito em voz alta. Mas tudo bem, era o Magnus, ela podia se permitir por alguns segundos. - Na verdade, eu acredito sim. Não é como se ele tivesse muita vontade de viver ultimamente. - Magnus ouvia atentamente cada palavra. - Eu só achei que... naquele dia.. ele parecia tão preocupado comigo. Só achei que ele se importasse o suficiente para querer ficar. Mas eu estava errada pelo visto.

Seus olhos frios pareciam desfocados, mas ela ainda mantinha um olhar fixo no homem. Atenta a cada detalhe. Ela se aproximou um pouco, alarmando o feiticeiro.

- Dylan..

- Eu estou bem. Só quis ver melhor. - Ela tratou de explicar. - Seus órgãos estão funcionando bem, ele está fraco, mas com a medicação e tratamento certo vai melhorar. Também tem os pedaços de vidros que entraram e outros ferimentos, mas não afetaram nada realmente importante, pode esperar até amanhã para a cirurgia.

Um momento de silêncio se instalou a medida que ela se perdia em pensamentos. Magnus sempre a observando. Perguntando-se o que estaria se passando em sua mente cheia de problemas e decisões difíceis. Ele se questionou se poderia lhe perguntar algo, tentar conhecê-la melhor, mesmo que houvesse um risco nisso, ele se perguntou se era possível manter uma conversa longa e pessoal com ela. Ele sorriu levemente ao se lembrar da vez em que comeram pizza juntos. Eles conversaram, riram e ele pôde sentir um gostinho da personalidade da garota. Um momento que ele amou e não se esqueceria tão cedo. Parando para pensar aquela foi a única vez em que viu a garota rir de verdade. Uma risada leve e contagiante.

- Alec esteve na sua casa. - Seu cérebro parou por um minuto. - Ele queria falar com você. - Ela não ousou encará-lo, com medo da reação do mais velho ao dizer: - Mas eu acabei discutindo com ele e então ele foi embora.

- ... Por que discutiu com ele?

- E-eu... eu fiquei com raiva porque sabia que era por causa dele que você estava daquele jeito. Eu não queria que vocês conversassem porque... - Fale. - porque eu sei que uma conversa não vai impedir o casamento. - Ela começou a se desesperar quando não houve resposta. - Me desculpe, Magnus, eu não sei o que deu em mim...

Ele a interrompeu com um movimento que nem ela pôde prever.

Ele a abraçou e demorou um pouco para ela voltar a si e retribuir o gesto, mas o fez com a mesma intensidade. Um abraço forte e demorado. Como se estivesse sendo guardado por tanto tempo e agora finalmente foi realizado. 

Alívio. Foi o que ela sentiu. Tão forte que uma lágrima solitária correu pela sua bochecha sem que se desse conta.

Você não está sozinha. Magnus sempre estará com você. E você sempre estará comigo.

Ela sorriu. Sim. Eu sempre terei você dentro de mim, Leonor.

(...)

Estavam a postos. Não foi muito difícil fazer os vampiros trabalharem de acordo com a matilha, isso porque Luke era o alfa e tinha levado a alcateia inteira para a operação. Não sabiam quantos shadowhunters estariam guardando a entrada, nem quantos levariam Meliorn. Quanto aos vampiros, eles tinham apenas Simon e Raphael, pois Camille ainda era sua líder e teriam consequências se ela soubesse que eles estavam ajudando os shadowhunters. 

E Raphael não queria perder sua cabeça de novo.

Eles ficaram aos seus postos à medida que os caçadores se aproximavam com o prisioneiro. Um sinal de Jace para Luke que deu a ordem aos lobos. Isabelle estava com os dois vampiros e Clary estava logo atrás de Jace, todos esperando sua vez de agir. Com suas runas ativadas, Jace sentiu quando alguém se aproximou por trás, em uma velocidade impressionante ele puxou Clary e puxou uma espada serafim que se iluminou ao que ele a tocou.

- Ei, ei! - A voz levemente alarmada da garota quebrou o silêncio. - Sou eu. - Ela falava baixo.

Clary se iluminou no momento em que reconheceu a vampira, correndo para abraçá-la e um sorriso enorme no rosto. - Eu não acredito que você veio! E o seu pai?

Agradeça a Magnus por eu estar aqui, foi ele quem me convenceu.

- Eu já o vi, ele vai ficar bem, está recebendo os cuidados certos. - Dylan retribuía o abraço da ruiva, mas não na mesma intensidade. Se sentia envergonhada, principalmente por ter uma plateia.

- Um lindo reencontro, meninas, mas agora não é hora. - Jace interrompeu o momento das duas.

Clary tratou de explicar o plano para a vampira que ouvia tudo com atenção, seus olhos, porém, estavam pousados no nephlim que liderava os outros. Mesmo um pouco longe, ela conseguia enxergar perfeitamente até as expressões do seu rosto. Cenho franzido como sempre. E ela se praguejou por notar o quão atraente ele era aos seus olhos.

Depois disso, tudo ocorreu como o planejado. Os lobos atacaram por trás, os vampiros, inclusive ela, cuidaram de mais três shadowhunters, deixando apenas Alec e Meliorn. Em um momento, porém, um dos shadowhunters atingiu Simon, fazendo o vampiro gritar pela dor. Raphael o atacou por trás, o deixando inconsciente, indo ajudar Dylan que examinava o ferimento na altura do peito.

- Ele vai ficar bem. Não atingiu o coração. - Ela concordou aliviada.

Ajudou Raphael a levar o outro vampiro para um lugar seguro, longe da confusão que ainda não tinha se dissipado, e foi atrás de Clary. Sabia que ela tinha Jace para protegê-la, mas, sinceramente, estava mais ansiosa em lidar com Alec do que qualquer outra coisa.

Ela viu Clary chamar por Alec, o que atraiu sua atenção e ele a olhou surpreso. Mas não tão surpreso quando viu a vampira surgir como um fantasma atrás da ruiva. Eles trocaram um rápido olhar e ela sabia que ele não esquecera sua pequena discussão de horas atrás.

Uma voz masculina atraiu a atenção do Lightwood. Jace estava atrás de si, impedindo a passagem do caçador.

Ela apenas observava a cena. Revirou os olhos ao ouvir as palavras sábias de Clary para convencer o shadowhunter - nota-se o sarcasmo em seus pensamentos. Jace também não estava ajudando muito, mas suas palavras eram mais sensatas que as da ruiva, talvez porque ele já estivesse acostumado com as atitudes do irmão, não sabia.

A cada palavra Alec ficava mais instável, ela podia sentir e ouvir seu sangue esquentar e correr mais rápido, ficando atenta a qualquer movimento brusco que pudesse ocorrer. O que não aconteceu por parte de Alec, mas pelo loiro que começou uma luta corpo a corpo com o moreno mais alto.

Clary correu para tirar Meliorn dali, Dylan ajudou, mas seus pensamentos ainda estavam na luta que se tornava mais violenta. Ela percebeu que o loiro não queria o machucar realmente, por isso seus movimentos não eram tão agressivos, Alec por outro lado... 

Não se envolveu até o momento em que o moreno puxou uma espada e voltou a atacar seu parabatai. Ela não pensou nos seus atos. Quando viu que Jace estava imobilizado e Alec ainda lançava a espada contra seu irmão, ela agiu. Clary gritou alguma coisa, mas ela não ouviu. Em um segundo ela estava por cima do nephilim imobilizando-o, sua espada longe demais para ele alcançar.

Ela sabia que seus olhos estavam vermelhos naquele momento, suas presas também estavam a mostra. Ela viu a surpresa nos olhos do Lightwood. Um pouco de medo também, e raiva. Muita raiva, contida claro. Ela não estava surpresa.

- Dylan! - Clary gritou.

Jace se aproximou dos dois no chão. - Solte ele. Isso é entre nós dois.

Dylan ainda sustentou o olhar do Lightwood por alguns segundos antes de o soltar. Ela sentiu Clary a puxar pelo braço para saírem dali. Encontraram os outros cúmplices em um local combinado e ela ficou aliviada em ver que apenas Simon tinha se machucado e já estava se curando. Tinha sido uma operação arriscada e ela se preocupava que algum shadowhunter tivesse acertado algum deles, mesmo Alaric.

Mas ela confessa que sentiu uma raiva e medo crescer no momento em que ficou cara a cara com a alcateia de Luke, lembrando-se do que o que aqueles mesmos lobos haviam lhe feito apenas alguns dias atrás. Ela se manteve firme, não deixando seu medo transparecer. Isso ficou um pouco mais difícil, porém, quando alguns lobos começaram a rosnar para a garota, indo em sua direção.

Rapidamente, Raphael e os outros ficaram em sua frente, a defendendo, uma atitude que a surpreendeu e ela quase se comoveu, e para completar, Luke dava a ordem para recuarem. Olhos abertos e atentos, deixando seu medo transparecer um pouco. Luke tocou seu braço e ela quase se afastou.

- Você está bem? - Não confiava em sua voz naquele momento, então apenas acenou com a cabeça. Um pouco trêmula.

- Estaria melhor se seus cachorros se comportassem. - O latino provocou.

Já prevendo uma briga, Dylan se meteu entre os dois. - Podemos encerrar esta noite sem desavenças? Por favor? Acho que já tivemos aventura demais para uma noite.

Os dois homens recuaram. Para o alívio e surpresa dos shadowhunters que observavam alertas. O seelie também estava surpreso.

Dylan conversou um pouco com Raphael, enquanto que Clary com Simon e Luke, Isabelle se despedia de Meliorn. Jace só esperou. Depois disso, os amigos se despediram e cada um voltou para o seu próprio mundo. Sem mais brigas ou discussões naquela noite. Eles teriam que descansar, pois sabiam que não teriam muitas horas até que mais problemas batessem em suas portas.


Notas Finais


Eaí? O q acharam?? Tô tão animada q a fic continua firme e forte! 😁😁
Mas de verdade, o q acharam? Estão gostando? Me digam, eu gosto de saber.
Enfim, atéo próximo cap!😘


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...