História O que fazer quando o céu cair - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Fofura, Plottwist, Poderes, Romance
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Palavras 2.873
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, FemmeSlash, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Leandro jurou que receberia um choque ao passar pelo arco da porta, mas sua entrada triunfal foi acompanhada pelo mais puro silencio. Deu quatro passos largos até um sofá que fazia parte de um dos dois compartimentos comprimidos na cabana e foi quase forçado a se sentar sobre a almofada pelo homem loiro que impedia que visse Noah ser levado para cima.
— Não se preocupa, ele vai ficar bem. Eu me chamo Alex, sou o leitou de auras do grupo. Posso dar uma olhada melhor em você?
— O que você vai fazer?
— Só vou checar se não tem nada de errado com o seu talento.
— Não tem nada de errado comigo!
— Depois do que você viu, acredita em mim, pode ter.— em uma tentativa ridícula de fazer com que o menino se abrisse, Alex aproximou as mãos dele, mas recebeu um tapa tão forte que até esse se fechou.
— É mentira! Não tem nada de errado comigo! Eu não vi nada.
— Alex, não...— um par de mãos pálidas tirou seu balanço enquanto o empurrava para longe revelando uma moça esquelética um pouco mais alta que Leandro. — ele é um tonto de vez em quando. Quer comer alguma coisa? Algum doce? Algum pão...? Se você quiser, podemos ir para padaria pegar alguma coisa. Ninguém está de olho na gente.
— Não, obrigado. — virou-se um pouco no sofá para poder acompanhar os olhos verdes da mulher que agora se sentava ao seu lado.
Ela se vestia como uma mulher, tanto que, mesmo se olhasse de relance, conseguiria captar sua feminilidade. Se lhe dissessem que sua mãe tinha um vestido igual àquele, não rejeitaria. Usavam o mesmo tom bege pastel.
— O que esse acéfalo queria saber era se você tinha ou não um fantasma.— com o xingamento, Alex perdeu a paciência e se ocupou em pegar lenha para lareira.— mas eu acho que não é seu caso. Meu nome é Tina, qual é o seu?
— Leandro.— com toda sua sutileza, ele colou suas coxas no braço do sofá e suas costas no encosto tentando com toda sua força tornar-se um com o tecido e não ter mais que presenciar a situação na qual se encontrava.
Quase que por telepatia, Tina se levantou e se despediu dele com um sorriso e um aceno de cabeça enquanto puxava Alex consigo pelo braço para o andar de cima. Encontrou com Taiti com as costas apoiadas contra a parede roendo as unhas.
— Como ele está?
— Bem, eu acho...— Tina respondeu baixinho.— tem alguma coisa errada com ele, Alex?
— Não que você tenha me deixado ver.
A ruiva quase o bateu, mas, para sorte do leitor de auras, ela se segurou no meio do movimento e deixou que terminasse de falar.
— O irmão dele é um moribundo.
— Tô ligada. Só que a gente precisa dele para ter alguma chance de resgatar a Amy.
— Ela não é a única pessoa no grupo, Tai!
— Eu sei. Ele falou que o meu irmão está morto, Alex. Se ela ficar lá, não vai ser diferente e a culpa vai ser nossa.
— A culpa vai ser do Alexandre por não nos ter dado permissão.
— Foda-se o Alexandre! Se ninguém vier comigo, eu vou sozinha e o numero de baixas vai ser muito maior.
— Taiti, eu não quero fazer isso com você.— Alex sussurrou enquanto se aproximava dela para que fosse bem ouvido.
Ela tinha total ciência da ameaça que lhe era imposta, mas, mesmo depois de pesar tudo que podia dar errado se ele lhe arrancasse seu talento, sabia que o que podia perder valia muito menos do que podia ganhar.
— Ela é arcana. Depois de eu cometer essa atrocidade, pode fazer o que quiser com o meu talento. Tina, liga para o Alexandre.
Ela juntou as mãos na frente da boca e as soprou como se quisesse esquentá-las. Quando as abriu uma névoa branca pairava entre suas palmas, sendo logo colorida por um marrom claro e um vulto que tomou a forma do diretor.
— Aconteceu alguma coisa?— perguntou deixando um dos papeis que lia sobre sua mesa.
— Recebemos dois irmãos fugitivos da guarda real, um deles sabe onde a Amy está.— Taiti disse se esforçando para ficar parada dentro do que a névoa podia ver.
— E quem está tomando conta do outro?
— Ninguém por enquanto.
— Alex, vai lá.— ele voltou-se de novo para ela.— dá pra fazer?
Nem um pouco relutante, o leitor de auras desceu as escadas para ter certeza que Leandro não incendiaria o andar de baixo.
— É claro que dá!— Taiti impôs sem tentar conter sua indignação perante tanta desconfiança.
— Qual o talento dos meninos?
— Um é um elementar, o outro é um moribundo.
— E o Antonie?
— Morto. — Tina respondeu antes que Taiti precisasse se dar o trabalho.
Alexandre tomou um tempo antes de falar. Tragou uma baforada do seu charuto e massageou os olhos por baixo das lentes dos óculos escolhendo com todo seu cuidado cada uma das palavras que sairiam da sua boca.
— Usem ele como intermediário para entrar no complexo.— disse sem orgulho nenhum na voz.— levem o Mathias junto para que ele não sofra.
Quase que de imediato, ela de um passo para trás e olhou para o quarto onde Mathias ainda se ocupava com Noah. Podia não ser médica, mas sabia o que acontecia com moribundos que recebiam algum talento, principalmente de uma classe tão alta quanto o dela.
— Alexandre, se a gente fizer isso, ele vai morrer!
— Eu sei. Não ache que sou ignorante.
— Não posso fazer isso. Ele confia em nós, não podem fazer isso.
— Então me explique seu plano genial, Taiti, estou ouvindo.
— Você não consegue mandar um teleporta?
— Não.— Tina os interrompeu, mesmo que sua face não estivesse visível.— todo complexo está bloqueado, tanto para projeções, quanto para teleportes.
— Dá para passar os talentos para uma bola de gude, para alguma foto.
— Para você pegá-los de volta sem conseguir manipular um clipes de papel? Em território inimigo vocês todos vão precisar dos seus talentos tinindo. 
— Tem a Amy.
— Ela não vai estar em condições. Vocês só tem permissão para isso, se fizerem como eu mando.
— A Amy é a sua afilhada e eu sei que você não é um assassino.— apelou, implorando para alguma força superior para que ele ganhasse bom-senso.
— Não mesmo.— retrucou impaciente.— mas eu achei que tivesse sido bem treinada. Eles não são pessoas. Não tem um talento, não tem humanidade. Olha só o que eles fizeram com a Amy.
— Ele não tem culpa.
— O pai dele foi quem a prendeu. — Tina expos dando para Taiti um olhar de pena. Tinha certeza que se fosse sua filha no lugar de Amy, não estaria nem um pouco melhor.
—  Ele te mataria se tivesse a chance. Se livre dessa preocupação antes de essa se livre de você.— Taiti calou-se. Baixou os olhos e puxou os lábios para dentro para se impedir de falar qualquer besteira. Só precisava saber que não era uma assassina. Que seria Alex quem o mataria e que seria a mesma coisa do que matar um boi para que pudesse comer. Não seria uma assassina. Confrontado com o silencio, Alexandre refez sua postura austera e ajeitou seus óculos de leitura no nariz antes de inspirar fundo para falar.— as ordens foram dadas, Taiti. É isso ou você terá quebrado o código de conduta.
— Você já o quebrou muito antes.
Sem dar chance de resposta, ela fechou as mãos da Dínamo e começou a andar de um lado para outro no corredor. Mordeu seus dedos e colocou a franja no lugar uma vez depois da outra sem pensar em nada. Precisava tirar toda aquela tensão do seu corpo e essa não era como eletricidade. Não se dissiparia pelos seus pés.
— Se te servir de consolo-
— Nada vai me servir de consolo, Tina! O que eu vou falar para o Leandro? Eu sinto muito, mas vamos ter que matar o seu irmão?!
— Vai ser melhor do que ele ir para o Reformatório conosco e muito melhor do que se deixarmos ele voltar para o bolsão. Querem a cabeça dele lá.
Ela acelerou o passo e segurou a raiz dos cabelos com força, esperando que aquela sensação ruim saísse junto com os fios soltos. Nunca mais conseguiria dormir sabendo que matou quem ajudou a lhe devolver Amy.
— Você é uma Dínamo. Faça alguma coisa!
— Névoa nenhuma dura uma vida inteira. Nem a dos classe cinco.
— Eu não quero saber que fiz isso. — cobriu os olhos quando sentiu que iria chorar. Secou-os e voltou a marchar no corredor.
— Você ouviu o Alexandre. Eles não são humanos.
— Então você mataria seu cachorro? Ou qualquer vira-lata que você visse na rua?
— Não tenha um coração tão mole.
— Os humanos não saíram das cavernas para continuar com um coração de pedra. Por favor, Tina.
— Tenha um de titânio. Não quero que se minta.
— Se eu tivesse, ainda teria algum controle sobre ele.
— Essa é a ideia. — ela umedeceu os lábios e abriu os braços quando Taiti se aproximou. — quer um abraço?
Antes que pudesse aceitar, Mathias abriu a porta da enfermaria com o indicador sobre os lábios e sinalizou para que chegassem mais perto.
— O que foi decidido?
— Posso falar com ele antes de te falar?
— Pode.
O médico se afastou em choque antes que Taiti fechasse a porta atrás de si e ocupasse o banquinho ao lado da cama de Noah. 
— Como você está?
Ele levantou o dedão e lhe abriu um sorriso.
— Melhor que os guardas.
— Que bom. — ela riu e fechou o decote do seu casaco segurando-o no lugar. Quase não conseguia respirar e sendo uma manteiga derretida como era, sentia lágrimas teimosas comichando o fundo dos seus olhos. — qual que é o seu nome?
— Noah. E o seu?
— Inteiro é Taitiana, mas me chama de Taiti. — forçou um sorriso e secou os olhos com a mão livre.
— O que foi?
Ela negou com a cabeça e olhou para porta para ter total certeza que ninguém no corredor a ouviria.
— É sério que mataram o meu irmão?
O sorriso dele se dissolveu e pena tomou seu lugar. Olhou para o chão, depois para ela, depois umedeceu os lábios e assentiu com a cabeça.
— Só três celas estavam ocupadas. Pai e filho e a Amy. Eu sinto muitíssimo.
Não conseguiu responder. Mesmo lúcido Noah contava a mesma história, concisa, verdadeira e brutal. Podia falar que tentou não chorar, mas ainda que quisesse falar que odiava o irmão, se lembrar até mesmo das brigas que tinham apertou seu peito e Taiti o sentiu murchar. Era filha única agora e nunca antes na vida se sentiu tão sozinha. Se voltasse para casa, a cama ao lado da sua nunca mais seria ocupada e seu banheiro nunca mais presenciaria a luta entre perfume masculino e feminino.
— Qual era o nome dele?
— Antonie Königskraft.
— Vou rezar por ele.— manifestou com a voz baixa, contudo, com o cenho franzido. — você é irmã da Amy?
Taiti suspirou antes de calcular todos os possíveis cenários se falasse a verdade. Sempre soube que emoção supera razão, até mesmo em generais treinados para ter sangue frio, então não entendia como Noah, um recruta que nunca nem chegou a ser soldado, não se deixaria levar.
— Não. Ela é a minha esposa.— levantou os olhos com medo de ver qualquer que fosse a reação. Era encarada com uma cara tão confusa que preferiu ter ficado quieta. Não devia ter falado. Se o Alexandre de algum jeito soubesse disso, nunca mais as deixaria passar o dia no mesmo prédio do Reformatório.
— Você tá brincando. — ela negou com a cabeça e expôs sua mão esquerda. — é sério isso?
— É. Por que eu mentiria? Independente disso, Noah, eu a amo demais e se a levarem embora, principalmente com o meu irmão morto, eu não sei o que eu vou fazer! Eu sei que eu estou pedindo de mais, mas, por favor, me ajuda.
Ele a analisou por um tempo, esperando que seu olhar incessante espremesse a verdade para fora da boca dela, mas depois de tempo mais que o suficiente para que Taiti cedesse, o quarto continuava em silêncio. Aquela era a verdade. Sobre o que queria que fizesse e por quê. Não podia acreditar que se deixou ajudar por alguém tão interesseiro e egoísta.
— Querem a minha cabeça lá.
— Eu sei. Faz parte do plano.
— E qual seria esse seu plano?— indagou certo que ela não tinha um e o faria perguntar detalhes o suficiente para cria-lo na hora.
— Não sei se será do seu agrado, mas conhecendo a Amy, eu sei que vai dar tudo certo. Como nós também somos procurados lá, já que uma vez ela nos colocou em problemas bem sérios, — Taiti riu e coçou a nuca antes de continuar. — você seria a nossa moeda de troca.
— De jeito nenhum!
— Me deixa terminar? — Noah ficou quieto e sussurrou o que podia ser tanto uma maldição para a mãe daquele ser que não saía da sua frente ou um pedido de desculpas.— obrigada. A Tina esconde a Amy com a Névoa, depois eu passo lá e te busco.
— O que acharam disso? — o menino apontou com a cabeça para fora do quarto com deboche na voz. Tinha certeza que ninguém em sã consciência concordaria com uma ideia como aquela.
— Concordaram.
— E se eu não quiser ir?
— Você não segue viajem com a gente e te matam no bolsão. O Reformatório não aceita ninguém sem um talento e a Amy vai te dar um quando ela chegar. Não é um trabalho difícil. — Taiti revelou e logo depois cruzou os braços sobre o peito. Era Alex quem devia tratar da parte de persuasão, ele era um advogado já muito bem treinado e ela era só uma estudante que não tinha nada a ver com direito, mas assumiu esse problema como seu e, por causa disso, iria até o final de um jeito ou de outro. — vai demorar para que chamem alguém para lidar com você e nesse meio tempo já estaremos de volta. 
— Vocês vão morrer se forem na prisão.
— Por isso que vamos passar nossos talentos para você. Como um moribundo, consegue aguenta-los sem problema. — não recebeu resposta, então se levantou com ajuda dos próprios braços e, ao se dirigir à porta, virou-se para Noah e confessou.— eu tenho pavor de ser viúva com só vinte e cinco.
— Isso nem é casamento para você ser viúva!
Ela nem se deu o trabalho de responder.
Suas pernas estavam moles ao descer a escada e a ausência de um corrimão não ajudava em nada. O que sobrou do grupo estava junto à lareira que foi acesa por Leandro, esse encarava o fogo e mais ninguém.
— Parabéns! — Taiti comemorou por ele. — como você está?
— Melhor, obrigado. O Noah está bem?
Ela assentiu rindo só com os lábios.
— Mathias, ele pode subir?
— Claro!
— Coloquem a fofoca em dia.— Taiti o deu um toque nas costas quando ele se levantou e, quando ficou só com o resto do grupo dos voluntários, reuniu forças provenientes do ar para aguentar todas as perguntas.
— Contou para ele? — Tina indagou com a voz baixa.
— Não. Acho que é melhor assim.
— Deve ser mesmo. — o médico admitiu com os braços cruzados e o olhar preso no chão. — ele vem?
— Não sei. Tentei como eu conseguia, mas não é possível culpá-lo por não querer voltar para lá. Se fosse eu, eu também não quereria.
— Você tem um plano?
Era nessas poucas horas que não queria ser a capitã do grupo. Pelo menos, se desse certo, o crédito seria seu, mas, se não, seria retaliada por si mesma com tal intensidade que até seu pior inimigo ficaria com inveja.
— Tenho. Como também somos procurados, vamos levá-lo como se fosse um refém e exigir nossa entrada na prisão em troca dele. Como vão nos levar para o mesmo lugar, pegamos nossos talentos de volta e você, Mathias, cuida dele como puder. A Tina encobre a Amy e o Noah com a Névoa e voltamos direto para o Reformatório.
Se não fosse pelo som de uma conversa séria no andar de cima, o silêncio teria inundado a sala.
— Todos de acordo? — Alex perguntou quando se deu conta que ninguém mais perguntaria.
— Sim.
— Uhun.
— Obrigada pela confiança.
— Eu só tenho uma pergunta, Taiti. — Tina começou com a voz pesada do mesmo modo que a sua expressão. — você vai?
— Se alguma coisa der errado, vão precisar de alguém para lutar. — ela respirou pesado e moveu o olhar para o canto da sala, onde nenhum outro par de olhos a julgaria. — além de tudo, eu estou muito preocupada e ela também não deve estar muito bem.
— Tina, descubra o que o Noah gosta de comer e faça o melhor prato para ele. Você cozinha muito bem e é o mínimo que nós podemos fazer. — Mathias sugeriu com os olhos caídos e os braços cruzados. — eu vou fazer o meu melhor, mas não acho que, depois de receber quatro talentos, dê para fazer muita coisa. Um já é quase morte certa.
— Não fale sobre isso. — Alex mandou subindo as escadas para seu próprio quarto. — se precisarem de alguma coisa, não me chamem. Vou estar muito ocupado expurgando a minha alma.
Taiti tinha certeza que eles dois não eram os únicos que se ocupariam com isso.

 



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