História O que há em mim - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Tags Drama, Naruto, Revelaçoes, Romance
Visualizações 20
Palavras 1.096
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo 2


 

 

 

ATO 2

 

 

 Eu costumava sentir uma dor profunda toda vez em que me olhava no espelho. Sempre soube que a imagem refletida não condizia com o que eu realmente era. Eu costumava enxergar a dor por trás dos meus olhos, mas acho que era boa atriz demais para que outras pessoas me notassem verdadeiramente.

O garoto problemático. O garoto quieto e isolado. O garoto perdido. Normalmente eram essas as definições que eu costumava receber, mas tudo baseado em simplificações e generalizações que nem de perto aproximavam-se do real.

Mas eu me transformei. E quando falo em “transformar”, falo de todas as coisas que me dizem respeito e formam quem eu verdadeiramente sou.

– Sakura...? Você está bem? Tem certeza que quer fazer isso?

– O quê...? – ainda distraída, olhei por sobre meu ombro. Natasha Mariova, minha atual melhor amiga, estava encostada na parede amarelada do banheiro de uma antiga e quase falida companhia aérea de Moscou. O ambiente ao derredor era, em melhor definição, lamentável. Os agentes de limpeza estavam em greve e a Roslow Airlines estava passando por maus bocados. Um amontoado de dívidas enlouquecia os empresários que agora, pouco a pouco, decaíam. Eu precisava aproveitar minha chance e fazer aquela viagem antes que a promoção escapasse de minhas mãos.

Eu ainda não sabia o que diabos tinha ido fazer em Moscou, mas foi o que aconteceu. Mantive-me escondida por um bom tempo durante o início, depositando todas as minhas economias dos anos em que trabalhei por vontade própria durante a adolescência, e mais o dinheiro emprestado por meu único apoio nos anos anteriores – tia Tsunade – no meu grande e tão desejado sonho.

A aceitação não era um fator primordial na capital Russa. Entretanto foi uma decisão totalmente impensada. Uma cirurgia de troca de sexo na Tailândia, seios nos EUA, algumas poucas cirurgias plásticas na Coreia do Sul, um rápido retorno à Romênia e depois de muito tempo vagando entre um emprego e outro, profundas transformações e empréstimos de Tsunade – o único contato familiar que mantive – finalmente decidi parar em algum lugar. Um lugar totalmente aleatório, confesso eu, mas que por algum motivo, representou uma parte das profundas mudanças que assim instalaram-se dentro de mim.

Moscou, de alguma forma, fez parte de uma porção importante de minha vida. E claro... Natasha Mariova também estava incluída nessa porção.

– Você anda tão pensativa... Me lembra dos primeiros dias após o término da transição. Tem certeza que está bem? – a voz calma dela, sempre despertava algo dentro de mim. Aquecia-me de certa forma.

– Estou. – sorri, voltando a encarar o reflexo do espelho repartido e manchado. Os cabelos rosa caíam desleixadamente sobre meus ombros. Usava roupas simples: uma regata preta, uma calça jeans e tênis preto.

– Tem certeza que essa é a melhor decisão? – ela vinha me fazendo essa pergunta desde que decidi mudar o meu rumo. – Poxa! Agora você tem um emprego estável aqui, tem os seus poucos, mas bons amigos, tem as baladinhas russas que agora eu sei que você adora...

– Nós já conversamos sobre isso. – falei após lavar as mãos e secá-las com o papel toalha.

A russa empertigou-se, afastando as mechas de cabelo roxas para trás dos ombros pálidos e desnudos. Seus olhos avelã me falavam de um visível desconforto.

– Você vai me deixar... – ela murmurou. E lá vamos nós...

Soltei um muxoxo e caminhei até ela, abraçando-a delicadamente.

– Eu venho visitá-la sempre que puder. E você também vai me visitar. – assegurei. – É longe, mas a Romênia não fica em outro planeta.

– É estranho que você realmente seja de lá... Parece sim de outro planeta.

– A Romênia parece irreal demais para você? – ri ao me afastar. Natasha sustentava um sorriso desleixado.

– Com certeza. – deu de ombros.

Encaramo-nos por segundos que demoraram a passar.

– Bem... – olhei no relógio de pulso. – Temos que ir antes que eu perca o voo.

Natasha anuiu.

 

***

 

– O Sasuke é tão bonito. – a loira de olhos claros estava vidrada no sujeito esguio de cabelos negros. As tatuagens se estendiam por boa parte dos braços de musculatura firme. Claro... Sasuke Uchiha era uma figura e tanto. Figura esta que assustava os pais e enlouquecia as pobres garotinhas indefesas do ensino médio. Balela. Todos sabiam que poucas eram as garotas que já não haviam se aventurado com o sujeitinho de olhar maldoso e trejeitos peculiares.

– Não tenho certeza, mas acho que ele está olhando para você também, Ino. – Hiroshi murmurou desconfortável. Não vendo outra saída para as mãos suadas, colocou-as nos bolsos da calça surrada que vestia. A música alta parecia entupir seus ouvidos, o cheiro de bebida barata e cigarros preenchia todo o ambiente. A fumaça quase densa dificultava a visão no local. Não sabia como os garotos do Abutres conseguiam manter um diálogo decente num ambiente como aquele, talvez, diferentemente de Hiroshi Haruno, estivessem acostumados com festas como aquela.

– Ah... Você é amigo dele, não é? – os olhos azuis de Ino pareciam ainda maiores.

– Eu não diria exatamente isso... – Hiroshi deu de ombros, pensando em como prosseguir com a frase. Os cabelos claros estavam úmidos de suor; tinha vontade de correr para o mais longe o possível. – Sasuke não fala muito comigo e...

– Vocês dois são tímidos! – a conclusão de Ino Yamanaka era tão estúpida quanto a risada aguda que saiu por entre seus lábios carmim logo em seguida. – Você sabia que os garotos me disseram que Sasuke supostamente sabe que você gosta dele? Dá pra acreditar?! Os Abutres são tão engraçados! Ah! Eu e Karin estamos loucas para ver a apresentação deles amanhã! O repertório vai ser o máximo! Você vai tocar guitarra, Hiroshi? Ou eles te descartaram de novo? Se eles fizeram isso, deixe-os comigo! Eu vou obrigá-los a colocar você na escala! Se eu oferecer algo em troca para o Sasuke, tenho certeza que ele vai aceitar numa boa! Ah! E tem mais...

A voz irritante da Yamanaka parecia distanciar-se aos poucos. E dentro de si... Uma tempestade começava.

 

 

***

 

– Senhoras e senhores, sejam todos bem-vindos a capital da Romênia, Bucareste. – a voz estridente de uma das aeromoças, me acordou no susto.

Eu havia despertado de mais uma lembrança idiota da minha juventude. Bom, não que eu estivesse tão velha assim, mas o montante de dor, ruminações e profundas mudanças pelos quais passei me fizeram alguém bem mais forte e madura. Talvez eu fosse uma idosa em pele de uma mulher.

Não sei o que o novo rumo me reservava, tinha certo medo de remexer no passado, mas era algo necessário. Havia muitas coisas inacabadas sobre a vida de Hiroshi Haruno, que a atual Sakura Haruno faria questão de ajustar.

 

 

 

 


Notas Finais


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