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História O que Me Domina - Capítulo 1


Escrita por: e LadyNK


Notas do Autor


A visão da religião exposta na história não expressa a opinião das autoras;
Todos os personagens são maiores de idade e possuem plena faculdade mental;
O intuito da história é promover entretenimento, nada do que foi escrito deve ser levado como regra ou influência para algum tipo de ação.

Capítulo 1 - I - Malum est


Passos abafados eram ouvidos ao longo do corredor. Um ritmo cadente e único, cada pisada era milimetricamente calculada, tal como a de um predador. Um estalar. O barulho característico da pressão entre a falange média e proximal, propositalmente baixo, indicava que o predador não era um animal – controlar e fazer tal sonido era uma característica exclusiva dos homo sapiens.

Encontrou uma bifurcação. O som se locomoveu para a direita.

Mais um corredor.

Uma respiração pesada. Molhar de lábios e um estalo de língua no céu da boca.

Portas e mais portas. Madeira escura e rústica, maçanetas de bronze polido e uma curta distância entre elas. Cruzes. Cruzes entre uma porta e outra. Tão similares ao chão negro, como singulares as paredes tão alvas. Uma sobreposição. Dualidades. Branco, preto. Claro, escuro. Bem, mal.

Uma porta se abriu. Havia preto, branco, amarelo e azul.

 Oh, azul.

— U-Uchiha-sama?! — A moça constatou assustada. Esperava encontrar ninguém no corredor àquela hora da madrugada. Muito menos o padre adjunto. Notou-o se aproximando, pé ante pé, passo a passo. Sempre vestido de negro, calças bem ajustadas e camisa que deixava muito para imaginação. Sua presença era lúgubre.

Ela baixou o olhar, aguardando sua reprimenda. Todas sabiam o quão implacável aquela figura era, rígido, austero e, às vezes, até rude. Prezava um comportamento exemplar de todas as noviças da escola. Impunha respeito e exigia bons modos, desde o cumprimentar até as orações que faziam antes de dormirem.

Certamente, não gostou de tê-la visto sair de seu quarto em plena madrugada, quando todas dispunham de um banheiro simples em seus aposentos. A respiração dela pesou ao imaginar que castigo ele a infringiria. Levou ambas as mãos atrás das costas e inclinou-se quase em um ângulo de noventa graus, demonstrando subordinação.

— Pergunto-me o que a senhorita faz fora de seu quarto a esta hora. — A voz grave e rouca arrepiou todos os pelos de seu corpo. Ela sabia que estava muito ferrada, engoliu em seco o medo. — Temos um código de conduta nesta instituição que diz que após o toque de recolher nenhuma noviça deve permanecer fora de seu quarto, sendo suscetível a punição imediata.

— E-Eu peço perdão pela minha infração. — Suplicou num fio de voz, temendo o que a aconteceria se ele não aceitasse suas desculpas. Seu coração batia acelerado. Estava tão tensa que não percebeu os dedos longos masculinos tirarem o colarinho clerical e começarem a abrir os primeiros botões da camisa escura, expondo parte do peitoral liso. Ela permanecia fitando os sapatos bem lustrados dele. O Uchiha gostava da visão, sentia o cheiro do medo que exalava de seus poros e aquilo era uma carícia em seu ego.

— Não acredito que o perdão seja suficiente. — A moça sentiu sua garganta travar. Um breve farfalhar em suas costas trouxe seus cabelos loiros para a frente de seu corpo, quis que os fios a escondessem dele. Mordeu o lábio inferior com força. Ele iria castigá-la. Implacavelmente. A garota sabia o suficiente sobre seus métodos para temer. Como ficar ajoelhada sobre o milho no confessionário por horas a fio ou ter que rezar incessantemente durante todo o dia. Sem comer nem beber, buscando a absolvição de seus pecados.

Céus, imploraria a ele, estava desesperada!

— Qual é o seu nome?

— I-Ino. Yamanaka Ino. — tremulou.

 Sorriu sem que ela percebesse.

— Ino. Acredito que esteja ciente da nossa preocupação com todas as jovens que estudam aqui. Queremos ensiná-las o melhor caminho, fazê-las agradáveis servas ao nosso Senhor, transformá-las em templos de benevolência e caridade. — Ele pronunciou cada palavra pausadamente, como se as saboreasse em sua língua. Ino não podia ver seu rosto, mas seria loucura acreditar que ele estava sendo sarcástico? — Veja bem, a senhorita violou uma regra muito importante e se eu não estivesse presente, sabe-se lá quais regras a mais seriam violadas. — disse olhando-a como se a punisse com os próprios olhos. Ela se apavorou.

— Não, Uchiha-sama, perdoe-me! Não pretendia violar nenhuma regra, apenas queria buscar um pouco de água e…

— Mentirosa. — A voz grave embrulhou seu estômago. — Devo acrescentar mais esse delito em sua punição?

— Perdoe-me! — Ajoelhou-se, lágrimas rolavam por suas bochechas. Não se atrevia a olhá-lo. — Eu nunca mais farei algo do tipo, por favor, não me castigue!

Ele fechou os olhos, deleitoso. O jeito que ela implorava, tão temerosa por um castigo que sequer sabia qual seria. Notava suas veias começarem a inflar, o sangue corria rápido, sua pele estava quente e sentia a ponta dos caninos em seu lábio inferior. Respirou fundo, aspirando o cítrico cheiro do medo da sua presa e fitou-a novamente.

— Senhorita Yamanaka, você sabe o que acontece com as garotas desobedientes, não sabe? Não viu o que aconteceu com a senhorita Mitsashi mês passado? Ela feriu uma colega com uma faca da cozinha e em vez de se responsabilizar pelo delito, fez exatamente o que está fazendo agora. Implorou para que não fosse castigada. Lembra-se do que aconteceu depois?

Ino parou de fungar por um momento e deixou as lembranças a invadirem. Mitsashi Tenten feriu uma colega depois de ter roubado sua sobremesa e chorou copiosamente aos pés da madre superiora Tsunade para que não a castigasse. Afirmou que rezaria quinhentos “pai-nosso” e quinhentas “ave-maria” para que Deus e a jovem ferida a perdoassem. Na ocasião, o padre Uchiha não disse nada, o que causou espanto a todas, logo ele que era o primeiro a zelar pelos bons costumes e que não hesitava em castigar quem quer que fosse.

No dia seguinte, houve uma comoção na porta do quarto de Tenten. Antes que a madre e o padre adentrassem o local, Ino vira o exato momento em que a colega ficou de quatro na cama, nua, com as costas e coxas marcadas, roxas de hematomas, e exclamou: “Castigue-me novamente, meu Senhor! Preencha-me, meu Senhor!”. Depois do ocorrido, não a vira mais.

Os boatos diziam que ela estava possuída pelo mal e fora levada para uma igreja para ser exorcizada, outras, que ela estava num manicômio, louca. Afinal, como poderia estar toda marcada daquela forma se nenhum homem entrava na escola?

No entanto, o padre Uchiha convocou todas para um pronunciamento oficial. Disse que por não se responsabilizar pelos seus atos, a Mitsashi foi punida de uma forma muito pior do que seria infringida por ele, que era este o motivo pelo qual ansiava por ensinar a todas as noviças a serem boas mulheres, tementes e obedientes.

— Por favor, Uchiha-sama, não me castigue. — Ino implora mais uma vez.

Ele revirou os olhos, não acreditando que ela insistiria no mesmo erro. Todavia, não era como se ele não tivesse a avisado, certo?

— Levante-se, senhorita Yamanaka. — Ordenou, rígido. A loira se levantou do chão, devagar, mantendo as mãos atrás das costas, ainda com a cabeça baixa. Ele deu um passo à frente e viu quando a respiração da moça entrecortou. Pela diferença de altura, sabia que ela olhava o ponto nu exposto pela sua camisa desabotoada. Viu quando ela engoliu em seco, quando as bochechas se avermelharam e ele então aspirou, deliciosamente, o cheiro de excitação.

Era uma faísca, ínfima, imperceptível talvez. Menos para quem viera do fogo, certamente.

— Olhe para mim. — Rendida, Ino o olhou. Poderia ter gritado, corrido de volta para seu quarto, jogado uma das cruzes da parede nele, entretanto, seu corpo estava paralisado. Entre o farto cabelo escuro e brilhoso, os olhos sempre tão negros do padre Uchiha encontravam-se em vermelho sangue e havia dentes pontiagudos realçados sobre os lábios finos. — Você foi uma garota má, senhorita Yamanaka. É desta forma que quer subir aos céus? — Ele lambeu os lábios. Uma onda percorreu o corpo dela, sua pele se eriçou, o sangue ferveu e os mamilos se arrebitaram. Ino não conseguia desviar os olhos dos dele.

O moreno sorriu e circulou-a, segurando-a pela cintura e apertando-a contra si, metendo o nariz em seu pescoço fino e deleitando-se com a energia latente que a percorria. Ela estava plenamente excitada, o que o daria uma bela refeição.

Beijou sob a jugular, apreciando o calor que ela emanava e segurou os seios com ambas as mãos, fazendo-a gemer e derreter pelo seu toque. Arrastou-a até a porta de seu quarto, tateando atrás de suas costas para encontrar a maçaneta quando algo chamou sua atenção.

De súbito, olhou para o final do longo corredor. Sentia mais alguém ali. Antes que pudesse fazer algo, como um vulto, quem quer que fosse desapareceu. Ele poderia ir atrás, contudo não estava inclinado a perder sua caçada. Estava faminto.

Abriu a porta do quarto da loira e puxou-a para dentro, com plena certeza de tudo que fariam. Antes de qualquer coisa, mordeu o polegar e marcou a parede do ambiente com seu sangue, que se tornou um símbolo escuro tão logo tocou a superfície clara. O selo demarcava o território como seu domínio e o blindava, nenhum barulho seria ouvido do lado de fora e ninguém poderia entrar, assim como sair, até que ele se desfizesse.

Seus sentidos apurados pulsavam. Precisava encontrar a pessoa que o flagrara em ação, não podia ser descoberto. No entanto, quem quer que fosse provavelmente já estaria longe o suficiente para que tornasse sua caçada infrutífera. Jogou a noviça na cama e enquanto terminava de desabotoar sua camisa, fitou os olhos azuis que o chamaram a atenção, hipnotizados.

Algo muito bom de ser quem era, era poder perceber os mais ínfimos detalhes.

E havia percebido que os olhos de quem o flagrara eram verdes.

 

[...]

 

Quando transpassou a porta escura, sentiu seu corpo ceder sobre ela. Sua respiração estava ruidosa, mal controlava o tremor das mãos e, como se não bastasse, parecia que todos os seus sentidos estavam enervados. Mal enxergava seu quarto, estava tudo tão embaçado. Tentou executar um exercício simples para ansiedade, mas falhou miseravelmente ao perceber que aquilo sequer se enquadrava numa crise.

Era pior, muito pior.

Estava hiperventilando, suado e parecia que seu sangue borbulhava abaixo de sua pele. Livrou-se da camisa escura que o agoniava e quase gritou apavorado ao ver as marcas de unhas sob seu peito e braços.

“Não, isso não pode estar acontecendo! De novo não!” constatou assombrado. Levantou-se com dificuldade e correu, cambaleando, até o espelho adjacente a sua cama. Vergões vermelhos, mordidas, pequenas marcas roxas, chupões, por todo seu peito, abdômen e… mais abaixo. Engoliu em seco, a agonia presa na garganta, a culpa se alastrando e tomando conta de cada poro de seu ser.

“Será que toda vez você se sentirá culpado, Sasuke? Francamente, já estamos há quanto tempo nessa?” A voz em sua cabeça se fez presente: Malum est, coisa ruim, como Sasuke o chamava, se manifesta. O qual assumia controle total de seu corpo em algumas noites e, infelizmente, de parte de sua mente durante o dia. Fitou seu reflexo, vendo o olho esquerdo completamente vermelho. O elo. O significado que ambos estavam conectados.

— Vá embora! — Exclamou, repulsivo. — O que você fez ontem, seu maldito?

A risada assombrosa penetrou sua mente. Abominando-a, fechou seus olhos por um momento. Não importava o quanto rezasse, o quanto implorasse, o quanto sacrificasse o próprio corpo, ele nunca ia embora. Sempre escondido em sua mente, divertindo-se com suas fraquezas, zombando de sua fé e, o pior, atacando moças inocentes que satisfaziam seu apetite selvagem.

“Você está tão arisco depois de ter se fartado do corpo daquela garota...” Sasuke quis arrancar sua própria pele depois do que ele jocosamente jogou em sua face, delatando o que sua carne tocou. “Ela tinha tanta energia, tão fogosa.”

— Cale a boca, desgraçado! — Era difícil encarar a dicotomia de seu próprio rosto pelo espelho. Um lado era totalmente seu: os olhos, a expressão, o desejo de fazer o melhor, de servir e ajudar. Reconhecia-se. No outro, só via o fogo do inferno, vermelho, quente e insano; parecia querer devorar tudo o que encontrava. Era um impulso tão forte que se perguntava como não havia se sucumbido completamente. Até mesmo encará-lo era aterrorizante. Não havia limites, amarras ou qualquer coisa que o mantivesse são.

“Por que eu deveria me calar? Você não aproveitou cada momento? Não foi maravilhoso quando ela pediu por mais?”

O olhar negro de Sasuke se encheu de cólera.

— Você é nojento! Por que as força a fazer isso? Elas não estão aqui para fazer o que você quiser! — vociferou, a saliva tomou conta de sua boca, o nojo a fazia borbulhar.

Os lábios do parasita se abriram numa gargalhada, Sasuke não pode controlá-lo.

“Forçar? Eu não forço ninguém a nada, miserabilis. Podemos seduzi-las, é claro, mas não influenciamos a vontade de ninguém. Se elas nos quiseram, é porque talvez não fossem tão devotas como aparentavam...”

O Uchiha crispou os lábios e fechou os olhos. Não suportava encará-lo. Não suportava dividir o mesmo corpo que ele. Um ser tão chulo, desprezível, manipulador; um demônio. A coisa ruim, um maldito Malignum.

Levou alguns segundos para poder encarar o espelho novamente. O quarto, antes iluminado pelos abajures dispostos ao lado da cama, agora adquiria tons cada vez mais claros pelo iminente raiar do sol. Só faltava mais um pouco.

Virou-se e deu dois passos até a cômoda de mogno que guardava suas roupas. Abriu e revirou a última gaveta, sentindo uma estranha calmaria percorrer seu corpo quando tocou na superfície lisa do couro negro e brilhoso. Quando se voltou para o espelho, o olho vermelho estava em fúria.

“Você nunca vai parar com essa estupidez? Você é patético, Uchiha!”

Sasuke moveu os lábios, na tentativa de um sorriso. Desabotoou a calça negra e alguns segundos depois, estava nu, encarando o próprio reflexo. As marcas que denunciavam o que ocorreu há horas já haviam sumido, cortesia do desgraçado que dividia sua consciência.

Sentou-se, numa quietude que não era exatamente sua e deu a primeira chibatada em suas costas. O ardor o fez morder os lábios, mas não era como se fosse parar naquele momento. Precisava expurgar seu pecado, precisava se livrar da inércia que o atingia toda vez que o demônio tomava o controle, necessitava voltar a si. Ou o que ele acreditava ser.

Mais uma chibatada. O ser de olhos vermelhos estava furioso, lutava para voltar à ativa, mas a fraca luz do sol adentrando o quarto indicava que a influência de seus poderes acabara. Agora era apenas Sasuke.

“Você é fraco! Acha que essas chibatadas vão te ajudar? Quando eu tomar o controle novamente, acredite, farei muito pior! Elas vão gemer, gritar e implorar, mas eu não vou parar, Uchiha, eu vou devorar cada parte delas, e quando isso acontecer, o último rosto que elas verão será o seu. Nós somos um, miserabilis. E isso nunca vai mudar.”

O padre ignorou-o e desatou em clemência:

— Purifique-me, oh, purifique-me. Tenha pena da minha pobre alma senhor, tenha misericórdia, purifique meu sangue ruim.

O moreno continuava, uma chibatada mais forte que a outra. Não expressava mais nada, seus olhos nem sequer focavam. Por não estar sob a influência do Malignum assim que o sol raiasse, não havia como suas feridas se regenerarem, era sua punição pessoal. Havia cicatrizes sobre cicatrizes, algumas muito antigas, outras mais recentes. A sua pele jamais voltaria a ser como antes, assim como ele próprio.

Talvez fosse esse o motivo por aplicar reprimendas um tanto ferozes nas noviças. Se elas fossem bem punidas, não cederiam ao desejo e não voltariam a pecar… certo?

 

[...]

 

Assim que terminou de colocar o colar clerical, ouviu batidas na porta de seu quarto. Suspirou, sabendo exatamente sobre o que se tratava, e caminhou lentamente até o portal de madeira escura, demorando alguns segundos antes de efetivamente abri-lo.

Senju Tsunade estava séria, no entanto, podia ver sua ansiedade pelo constante mover das mãos juntas a frente do hábito negro. Cumprimentou-a com um aceno de cabeça e antes que pudesse abrir a boca, ela pronunciou:

— Mais uma menina, Sasuke.

Não demorou até estarem no quarto de Yamanaka Ino que, nua, retorcia-se nos lençóis claros de sua cama. Havia marcas roxas por todo o corpo pálido, mordidas profundas a se perder de vista e, como se não bastasse, alucinava com os olhos azuis bem abertos.

O padre adjunto pegou um cobertor caído no chão e colocou sobre a jovem, sentindo-se intimamente perturbado com os seus orbes desfocados. Obviamente não estava consciente. Havia um padrão nos ataques do Malignum que além de acontecerem sempre à noite, contavam com a vítima em um estado inerte o suficiente para não terem o controle de sua própria mente.

Era instantâneo. Bastava apenas um olhar para que ele adentrasse na cabeça de alguém. Como uma cobra, rastejava até chegar onde queria, plantando a semente do desejo desenfreado, assistindo aquilo crescer. As noviças não tinham saída. Não demorava muito tempo para serem consumidas por ele.

— Temos que acordá-la, Sasuke. — Tsunade afirmou, mesmo não tendo o controle de suas mãos que tremiam compulsivamente. Sasuke anuiu, sentando-se na cama ao lado da noviça loira que, indesejadamente e lamentavelmente, era sua vítima. Precisou respirar fundo buscando uma coragem que não possuía quando se tratava do Malignum que habitava em si.

Lembrou-se de Mitsashi Tenten e das outras jovens que foram atacadas antes, mas que, por sorte, conseguiram acordar antes que fossem acudidas. Malum est só atacava quem havia cometido um delito. Como Tenten que havia ferido uma colega e Ino que quebrou a regra de sair de seu quarto à noite, ambas foram pratos cheios para ele.

— Isso… — Ino murmurou. — Assim… — Gemeu arrastado e o cobertor se moveu, exibindo uma parte das pernas abertas dela. — Toque-me, por favor, toque-me… — A mão feminina agarrou o lençol abaixo de si e o tronco se arqueou instantaneamente como se estivesse sendo penetrada.

Ele fez uma prece silenciosa e tocou no ombro da Yamanaka. No mesmo instante, seus olhos voltaram ao normal e ela desabou o corpo na cama, claramente ofegante.

— U-Uchiha-sama? — perguntou, franzindo o cenho. Como as outras, assim que saíam do transe, não se lembravam de nada, constatou o Uchiha. — O-O que… Por que… — Ao tentar se levantar, segurou o cobertor firmemente contra o corpo, notando sua nudez, os olhos se arregalaram em espanto. — O que está acontecendo? — Direcionou o olhar para o moreno e respectivamente para a madre que a encarava assustada. — Por que estou assim? Por que vocês estão aqui?

— Senhorita Yamanaka, precisamos que mantenha a calma. — Sasuke iniciou. — Por favor, vista-se e nos acompanhe. — Ino assentiu, ainda aérea. O mais velho levantou-se e abriu caminho para a jovem, que enrolada no cobertor, dirigiu-se até o pequeno banheiro que havia no quarto.

— Sasuke, o que está acontecendo com essas meninas? — Tsunade perguntou aflita ao padre adjunto. — Elas estão enlouquecendo? Estão tomadas pelo mal? É a segunda em pouquíssimo tempo. — A madre superiora não conseguia conter o próprio nervosismo e o moreno a compreendia. Ter algo poderoso e além dos próprios limites era algo que precisava lidar diariamente, além de, claro, tentar não enlouquecer no processo.

Quando a jovem noviça se recompôs, saíram do quarto e caminharam até a sala da mais velha. Não havia moças pelos corredores, o trabalho de evacuá-las havia sido bem feito. Ter comentários de qualquer tipo pela instituição era um problema, ainda mais se fossem de uma estudante possuída – um escândalo sem precedentes. Ao passo que Yamanaka Ino sentou-se à frente da mesa da madre superiora, Tsunade respirou fundo ao iniciar as perguntas.

— Ino, você pode me dizer o que fez ontem à noite? — Sasuke, que estava em pé e parado ao lado da mesa, notou o entrelaçar de dedos da jovem e o olhar que percorria todos os lugares ao mesmo tempo, o que denunciava seu nervosismo.

— Eu… jantei, organizei alguns livros na biblioteca e fiz a oração da noite na igreja. Depois disso, fui para o meu quarto e me deitei para dormir. — Um crispar de lábios e o padre adjunto percebeu uma pequena mentira.

— Certo. Você se lembra de algo incomum que tenha acontecido à noite? Ouviu algum barulho ou viu alguém estranho? — Tsunade inquiriu e Ino franziu o cenho.

— Não me recordo de nenhum barulho e acredito que seja impossível alguém de fora burlar a segurança da escola. — respondeu a jovem. A mais velha suspirou e apertou os dedos na testa. Era provável que estivesse com dor de cabeça.

— Sim, sim, claro. São só perguntas de praxe.

— Mas por que essas perguntas de repente? Por que estavam no meu quarto quando acordei? Por que eu estava… — As bochechas dela coraram, mas eles tinham ciência do resto da pergunta. — Isso está muito confuso…

— Senhorita Yamanaka, — Sasuke iniciou. — fomos informados por uma de suas colegas que você não havia despertado no horário habitual e que sons estranhos vinham de seu quarto. Naturalmente, fomos averiguar e nos deparamos com a senhorita em termos… inadequados. — Ele pigarreou. Gostaria de tirar o colar clerical por alguns minutos, pois sentia-se estranhamente sufocado.

Era uma situação tão paradoxal. Inferno, seu corpo havia atacado a moça! Suas mãos marcaram a silhueta, apertaram com força o suficiente para que visse a marca dos dedos antes de cobri-la com o cobertor. Seus lábios fizeram a mancha roxa no pescoço alvo. Seus dentes cravaram em sua pele suficientemente fundo para que a marca dos caninos ficasse visível, ainda que estivesse sumindo aos poucos. E lá estava ele, interrogando-a sobre algo que ele fora o causador!

— Não me lembro de nada. — Ela afirmou e ele trocou um olhar cúmplice com Tsunade. A mais velha suspirou. — Sinto muito, mas o motivo de estar em termos inadequados também é um mistério para mim.

— Certo. Obrigado, Ino. — Os dois superiores saíram por um momento da sala principal e, assim que fecharam a porta, Sasuke quebrou o silêncio. — Ela está mentindo.

— Como?! — Tsunade se sobressaltou.

— Ela está ocultando alguma informação e ao dizer que apenas foi para o quarto e se deitou para dormir, mentiu. Não foi isso que ela fez.

— Então o que sugere? Vamos interrogá-la novamente? — indaga aflita. Sasuke negou com a cabeça.

— Ela se tornaria agressiva se insistíssemos nisso. Não vamos comentar nada por ora. Eu aconselharia a mantê-la no colégio por enquanto, aliás. Mandá-la para a igreja do interior como foi com a senhorita Mitsashi, mais faria mal do que bem. — A loira suspirou.

— Sim, entendo seu ponto de vista. Quer descobrir mais coisas, não é?

— Sim. Coloque-a em um dormitório diferente e vamos fazer um relatório oficial em que ela apenas não se sentia bem. Deve ser o suficiente por enquanto. — Ele finalizou e surpreendeu-se com a mão da madre superiora em seu ombro.

— Obrigada, Sasuke. Sem você, não sei o que faria. — Ele abaixou a cabeça e ela adentrou a sala novamente.

Gostaria de dizer que era um homem nobre e temente o suficiente para ajudá-la a resolver a situação de forma ponderada. No entanto, havia um par de olhos verdes em sua memória e um aviso muito claro do que o habitava. “Encontre a dona desses olhos. Ela sabe sobre nós”. Não era difícil entender o desenrolar do conflito. Precisava manter a Yamanaka por perto tempo o suficiente para descobrir sobre o que ela estava omitindo e, claro, descobrir quem o flagrara.

Sua intuição dizia que havia alguma conexão entre ela e a garota de olhos verdes. A qual não costumava falhar.

 

 


Notas Finais


LadyNK: Olá pessoal! Cá estamos, @Anylee e eu, trazendo essa fanfic um tanto quanto ousada para vocês. Nós tivemos essa ideia há vários meses e graças a quarentena conseguimos finalmente colocar no computador - o que foi realmente maravilhoso porque é nossa primeira parceria. Uhul! Espero que tenham gostado desse primeiro capítulo e que vibrem tanto quanto a gente com o que está por vir (#ansiosa) ♥️

Anylee: Olá meninas! Espero que tenham gostado da história!. Será curta, não mais que cinco capítulos. Lembrando que o personagem "Malignum" é criação nossa inspirado nos Incubus, ok? Então, não aceitamos a utilização dele em qualquer outra história. O capítulo foi escrito pela LadyNK. Não esqueçam de dar aquela força comentando pra gente saber se gostaram.

Um beijo e até breve.


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