História O que meus olhos veem - Capítulo 17


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Notas do Autor


OLHA SÓ QUEM VOLTOU <3

A fanfic está de capa nova, vocês viram? QUEM NÃO VIU CORRE PRA VER PORQUE TA A COISA MAIS LINDA DO MUNDO U.U Créditos a designer incrível @rozok e ao projeto @taekookers que tá sempre com os formulários abertos aceitando pedidos de capas para fanfics taekook <3

Aliás, falando no projeto @taekookers, além de beta reader, eu também sou escritora lá agora, vocês sabiam? QUEM NÃO SABIA (e quem tiver interesse) CORRE PRA LER MINHAS DUAS ONESHOTS POSTADAS POR LÁ ~também disponíveis nesse perfil~. A primeira chama "Procura-se amor (em cartas de tarô) e é sobre o JK achando que vai morrer sozinho e frequentando uma cartomante pra saber sobre a própria vida amorosa. É suuuuuuuuper fofa. A segunda chama "A culpa é do Downy", um love x hate maravilhoso onde o Taehyung é garoto propaganda da Downy e fica irritado quando o JK, cantor famoso, vende mais amaciante que ele ao falar a marca que usa. Essa é bem engraçadinha. Vou ficar muito feliz se vocês quiserem ler!

Enfim, chega de panfletação e vamos ao capítulo!

Capítulo escrito ao som de "Trouble" do Cage the Elephant. Link da playlist nas notas finais.

Capítulo 17 - Décimo sétimo: Surpreendido por você


Fanfic / Fanfiction O que meus olhos veem - Capítulo 17 - Décimo sétimo: Surpreendido por você

JEON JUNGKOOK. Universitário, graduando em Produção Audiovisual.  20 anos, distrito de Dongdaemun-gu.

 

— Nós nunca vamos conseguir a abertura com essa coreografia. 

— Na semana passada você disse que a gente ia arrasar, porque estava sensacional. — Bambam retrucou a fala de Yugyeom e não recuou ao receber um olhar irritado do mais alto. Eu observava tudo em silêncio, assim como o restante do grupo. Nunca era uma boa escolha se meter nas discussões dos dois, e aprendemos isso da maneira mais difícil.

— Isso foi antes de ver a coreografia que o grupo do Taemin ‘tá montando. Eu mandei um vídeo no grupo, mas aparentemente aquele grupo é de enfeite já que ninguém responde merda alguma lá. 

— Eu respondi. — Optei por intervir, levantando a mão e a voz um tanto inseguro. 

Yugyeom me lançou um olhar de desdém ao responder:

— Você elogiou a porra da coreografia, Jeon. 

— Por que nós não nos concentramos na nossa própria coreografia ao invés de ficar invadindo ensaios alheios escondidos e comparando com o que temos? — Momo questionou com um sorriso desconfortável no rosto. O grupo inteiro concordou com a ideia, e a manifestação coletiva foi o suficiente para apaziguar a discussão de Bambam e Yugyeom. Eu não achava que nossa coreografia estava ruim, mas faltava confiança por parte do grupo. Isso era visível nos movimentos hesitantes, nas feições cautelosas e na dificuldade de sincronização. O grande problema é que durante todo o semestre tínhamos feito apresentações de breaking dance misturado com funkstyle e agora estávamos apostando no hip hop para chocar e inovar; uma tentativa arriscada e desesperada para conseguir a abertura do festival que seria ao final do semestre.

Após meia hora ensaiando e repetindo os movimentos sem parar, meus músculos queimavam como o inferno. Era o resultado de suspender alguns membros durante partes específicas da coreografia. Mesmo que eu tivesse uma força fora do normal, não significa que meus músculos não esgotavam ou que esporadicamente eu não sentia dores. Ao final do ensaio nossa sincronização ainda estava uma merda, mas os movimentos se tornaram mais precisos então perder a aula de Sonoplastia para fazer o ensaio extra provavelmente não tinha sido em vão.

— Precisamos melhorar as expressões faciais — comentei quando o treino foi encerrado, todo mundo reunido no canto da sala com garrafinhas e toalhinhas em mãos. Eu tinha esquecido a minha, então me contentei em secar o rosto encharcado de suor na gola da camiseta que usava. — Precisa parecer que estamos nos divertindo, que sabemos que estamos arrasando enquanto dominamos a coreografia como se ela fosse a coisa mais fácil do mundo.

— Mas nós não dominamos ela — resmungou Bambam.

Ainda. — Momo interviu novamente. — Jungkook-ssi está certo, as expressões faciais são importantes, mas acho que estamos no caminho certo. Se continuarmos com os treinos extras, vamos melhorar rápido.

— Só espero não reprovar em Cálculo II por causa de faltas. — Lalisa disse com um bico na boca que arrancou risada de todos. — Sério. Eu já reprovei nessa matéria uma vez, e se eu reprovar de novo e precisar encarar o mesmo professor, vou trancar o curso.

— Nós precisamos revezar os horários para que ninguém fique muito pr… — interrompi minha própria fala quando senti o celular vibrando no chão, próximo da minha perna. Desviei o olhar para a tela e perdi completamente a linha de raciocínio, distraído com a notificação de uma mensagem nova de Taehyung. 

Kim Taehyung [9:24]

Hipoteticamente, se eu estivesse passeando pelo belo e agradável campus da Universidade de Seul, em quais blocos deveria passar despretensiosamente para te encontrar?

 

Franzi o cenho para a mensagem, pegando o celular no mesmo momento para digitar uma resposta.

 

Jeon Jungkook [9:25]

Quê? Você ‘tá na minha faculdade?

Kim Taehyung [9:25]

Não seja bobo, foi uma pergunta hipotética

 

Contradizendo as próprias palavras, Taehyung mandou uma selfie segurando um copo da Starbucks, o canudinho verde preso entre os lábios. Ele usava um boné bege virado para trás e senti o estômago embrulhar com a visão, minha mente fértil trabalhando rápido ao imaginar o resto das vestimentas: provavelmente camiseta e calças largas, ou então uma jaqueta jeans de lavagem clara arrasadora que realçava seus ombros largos e a pele bronzeada.

Porra, eu secretamente amava a visão de Taehyung usando boné virado para trás. 

 

Kim Taehyung [9:26]

Não acredito que vocês têm um Starbucks dentro do campus, isso é um puta de um privilégio.

Jeon Jungkook [9:27]

Não acredito que você ‘tá na minha faculdade, isso é um puta de um privilégio.

Meu, no caso.

Estou saindo de um ensaio e indo para o bloco M tomar um banho. Me encontra no banheiro do primeiro piso.

Kim Taehyung [9:27]

Adoro quando você fala sacanagem

 

Soltei uma risada baixinha ao largar o celular e levantei o olhar, percebendo que o grupo inteiro, quase quinze pessoas, me encaravam, alguns parecendo confusos e outros com semblantes curiosos.

— ‘Que foi? — questionei confuso e meio sem jeito com tanta atenção em cima de mim.

— Você literalmente interrompeu a própria fala quando seu celular tocou e nos deixou esperando, observando um sorriso dentuço aparecer na sua cara enquanto respondia a mensagem. — Yugyeom comentou com ares maliciosos. Tentei lançar um olhar de aviso que dizia algo tipo Ei, para com essa merda, mas é claro que fui ignorado e ele continuou a falar, sem poupar esforços para me constranger:

— Você ‘tá namorando e não contou ‘pra gente, Jungkook-ah?

É isso, pensei em desespero, ficando em pé num pulo e jogando a mochila nas costas, recolhendo a garrafinha d’água e o celular do chão com uma rapidez surpreendente. Hora de ir embora.

— Não — balbuciei e completei meio desesperado: 

— Só estava dizendo que precisamos intercalar os horários ‘pra ninguém reprovar por falta. E vamos usar mais o grupo, se possível. Hum. Tenho que, é. Ir. Compromisso e tal. Tchau. — Comecei a andar de costas na direção porta, engolindo em seco a cada frase mal elaborada e sentindo uma vergonha colossal com tantos pares de olhos me encarando sugestivamente. — Nos vemos… — E não completei, dando as costas para meu grupo e correndo porta afora em passos apressados, deixando minha dignidade (já escassa) para trás. 

Não fiquei surpreso ao entrar no banheiro do bloco M e encontrar Taehyung lá; o campus era absurdamente grande e combinava com a capacidade do Kim em se comunicar: ele provavelmente não teve problemas para pedir direções a primeira pessoa que passou perto de si ou para pegar a van que circulava pelo campus, levando alunos de uma ponta a outra e facilitando o caminho quilométrico pelo local

Não fiquei surpreso ao entrar no banheiro do bloco M e encontrar Taehyung lá, mas fiquei extremamente surpreso ao ser recebido com um beijo violento, Taehyung afastando o quadril da pia larga do banheiro e avançando na minha direção em passos largos assim que me viu ultrapassar o batente da porta, fechando-a com brusquidão e empurrando meu corpo contra a superfície, um ruído de surpresa e satisfação escapando dos meus lábios. Suas mãos grandes seguravam meus ombros com firmeza, me mantendo no lugar e a garrafinha d’água que eu carregava atingiu o chão com um som metálico estridente que registrei pelas metades: era difícil concentrar em qualquer coisa que não fosse a boca de Taehyung prensada contra a minha, puxando o lábio inferior com força, o joelho enfiado entre minhas pernas meio que causou um reboliço no meu estômago. Abri os olhos brevemente ao subir as mãos para seu pescoço, checando se ele realmente estava com o boné virado para trás e, para meu desespero e tesão, estava. Suspirei alto, dessa vez sentindo meu pau repuxando com mais intensidade. 

Ele tentou me abraçar nas costas, mas não deu muito certo por causa da mochila pesada nas costas, mas suas mãos desceram dos meus ombros e firmaram na minha cintura, uma solução e posição igualmente boa. Depois de várias investidas deliciosas e empenhadas da sua boca contra a minha, Taehyung se afastou delicadamente. Ele beijou o ponto embaixo do meu olho esquerdo e depois, do direito. Respirei meio trêmulo, precisando de todo autocontrole possível para não convidá-lo para transar ali mesmo e, ainda excitado e quente, cumprimentei:

— Oi, gracinha. — Aquele era meio que um novo lance entre nós. Completamente brega e digno dos barulhos de vômitos que Namjoon e Seokjin fizeram quando escutaram sem querer, mas eu gostava mesmo assim. Fazia duas semanas que tudo tinha começado na minha casa (duas semanas desde sua última visão desastrosa, desde os beijos, a maratona forçada de Star Wars…) e para dois universitários ocupados, nós nos víamos com bastante frequência: finais de semanas intercalados entre minha casa e o apartamento dele, reuniões com seus amigos nas sextas-feiras, jantares tranquilos e caseiros em barraquinhas. Mas aquela era a primeira vez que ele fazia uma visita surpresa na minha faculdade e eu ainda não sabia direito como processar a presença dele ali, no local mais rotineiro possível da minha vida.

É só que… Encaixava. De um jeito preocupante e fácil demais, Taehyung encaixava ali, exatamente onde estava.

— Desculpa, bebê. — Abriu um sorriso retangular fofo e eu beijei seu maxilar, tentando me concentrar apenas na sua presença e não no reboliço interior de desejos e pensamentos que me acometia quando pensava demais sobre ele. — Só lembrei que beijar fervorosamente alguém no banheiro era um sonho meu desde o ensino Médio e simplesmente não pude perder essa oportunidade quanto te vi todo formoso atravessando a porta com todo seu esplendor. — Franzi o nariz em desaprovação, comentando:

— Ah, cara, você não pode me deixar duro com um beijo daqueles e dois minutos depois me chamar de formoso. Eu já ia broxar com a água gelada, não precisava se esforçar. — Taehyung riu alto, sua risada contagiante ecoando pelo banheiro vazio. 

— Se você quiser, podemos resolver isso de outra maneira. Também tenho umas vontades que envolvem transar no banheiro.  

— Por Deus, quantos filmes teen americanos você assistiu? — resmunguei brincalhão, mas na verdade eu não tinha moral alguma para reclamar, era fã de todos os romances água com açúcar hollywoodianos. — Podemos pensar nessas vontades depois, vou tomar um banho rápido porque tenho aula em duas horas. 

Depois do banho rápido e da troca de roupas, guiei Taehyung pelo campus em uma apresentação rápida dos lugares que eu mais frequentava. Perguntei também o que ele estava fazendo ali, porque era terça-feira e ele deveria estar trabalhando, e o Kim sorriu animado ao dizer que largou os turnos de terça e sábado na biblioteca da própria faculdade. Ele estava contente porque tinha conseguido controlar as próprias dívidas e agora não precisava mais fazer turnos extras. Nós acabamos no terraço de um dos prédios de pesquisa, sob o sol fraco da manhã, dividindo um pacote de pepero que estava dentro da minha mochila.

As horas passam rápido, como sempre acontece quando Taehyung e eu estamos juntos. Não fiz esforço algum para me convencer a assistir as últimas duas aulas do dia, ao invés disso foquei a atenção em Taehyung, na sua presença, nas histórias que ele estava contando, na sua boca macia e no cheiro gostoso e suave do seu perfume. Nós falamos sobre meus ensaios, sobre a data da apresentação e sobre minhas preocupações com a coreografia. Taehyung sugere que eu chame Hoseok para ajudar meu grupo porque hip hop é totalmente a praia dele e eu me inclino sobre seu corpo, beijando-o profundamente em agradecimento. A ideia é genial e o fato dela vir de Taehyung, não de mim, que sou o melhor amigo de Hobi hyung, mostra o quanto sou desatento para as ajudas disponíveis que existiam ao meu redor e que muitas vezes passam despercebidas por mim.

— Você fica bem ‘pra caralho com bonés — digo quando finalizamos o beijo. Nossas testas ainda estão próximas e Taehyung esfrega o nariz no meu em um beijo de esquimó. — Assim, só expressando um fato mesmo. 

Mentiroso — cantarola baixinho, seu tom implicante me faz sorrir pequeno. — Aposto que já imaginou várias situações safadas envolvendo meu lindo corpo e um boné.

— Não vou afirmar nada, mas nós podemos testar seus palpites em uma brincadeira sacana de quente ou frio e… — Depois de duas semanas é muito mais confortável flertar com Taehyung, mas sou obrigado a interromper minha própria fala ao sentir o celular vibrando no bolso. Desencosto minha testa da sua e olho o visor do aparelho, a tela exibe uma pequena e simples palavra que me deixa mais desconfortável do que deveria.

Mãe.

Com o canto do olho consigo ver o olhar curioso de Taehyung em cima de mim, e solto um suspiro baixinho, atendendo a ligação.

— Oi, mãe. 

Jungkook-ah, como você está? — Faz quase um mês que não nos falamos por telefone, mas sua voz ainda é a mesma: uma cadência tranquila e respeitosa, quase distante. Meu pai costuma dizer que nossas risadas são iguaizinhas e que a voz melodiosa também, mas tudo que sinto quando falo com ela pelo telefone é a semelhança de distância entre nossas vozes.

— Bem, e a senhora?

Estou bem também. Seu pai inventou de pintar as paredes da casa por conta própria esse final de semana, então as coisas estão uma bagunça, mas até que ele leva jeito ‘pra coisa

— Legal, vão pintar o lado de fora também?

Sim, mas estamos em um impasse. Eu quero pintar de laranja e ele, de azul. Por isso te liguei. Decidimos que você vai desempatar. — Sua voz era mais leve agora e eu reconhecia perfeitamente a tentativa de me incluir nas escolhas da família, mesmo não morando na casa de Busan desde meus seis anos de idade. Era sua forma indireta, eu achava, de deixar claro que ali ainda era meu lugar, se eu quisesse que fosse. Que eu sempre teria um lar perto dos meus pais. Mas o problema nunca havia sido a casa que morávamos, e sim a situação como deixei Busan, os motivos e a mudança repentina, necessária. 

— Acho que laranja vai ficar bonito — declarei por fim. — Mais vívido e tal. 

Eu disse para seu pai que você concordaria comigo! — Escuto uma risada curta e meio tímida e me esforço para acompanhá-la. É tão difícil me sentir confortável com minha mãe, quatorze anos de sentimentos de culpa e arrependimento ficavam no caminho da nossa relação. E o pior de tudo era não saber o que fazer para mudar. 

Enfim. Como estão as coisas em Seul? Você está gostando do trabalho, do curso?

— Sim, sim. Está tudo bem. — Respiro fundo e o mais baixo possível, pensando no festival que vai encerrar o semestre. Mordo o interior das bochechas e a ligação fica silenciosa por bastante tempo. Mesmo não tendo a relação mais íntima e exemplar de mãe e filho, de alguma maneira, minha mãe parecia conhecer e interpretar os meus silêncios com maestria. — Hum, na verdade. Vai ter um festival… De encerramento. No final do ano. Eu estava pensando se você e o pai…

Claro, Jungkook, claro. — Uma pausa em forma de tosse. — Eu- Nós adoraríamos assistir sua apresentação. De verdade. 

— Ahn. Ok. Que bom. — É a minha vez de limpar a garganta e a situação toda é tão constrangedora que eu aperto o celular mais forte, erguendo o queixo para o céu e tentando simplesmente relaxar. É só a minha mãe, não tem nada de errado em chamá-la para ver uma apresentação. — Vou conferir a data e mando por mensagem. 

Tudo bem. Obrigada. Você sabe, pelo convite. 

— Por nada, mãe. 

Vou desligar agora, sei que você deve estar ocupado. — Viro o rosto para o lado, encontrando a atenção de Taehyung fixa em mim. Nós não temos nada sério e é tudo muito recente para pensar sobre isso, mas me pego refletindo se, caso a situação com minha mãe fosse menos complicada, se eu teria coragem de falar sobre ele com ela. De falar sobre os ataques que sofri, de como ainda estou com medo de andar sozinho na rua, mesmo que as coisas estejam calmas agora. Me pergunto se teria coragem de falar sobre como Taehyung me ajudou e insistiu mesmo quando eu rejeitei todos seus contatos e ajuda, e sobre como gosto de passar tempo com ele agora. De beijá-lo e de segurar suas mãos, os dedos longos e finos contra minha palma quente. 

Desvio o olhar do mais velho e fecho os olhos por alguns segundos, tentando afastar os devaneios. Pensar em todas as coisas que eu poderia fazer se minha situação com minha família fosse melhor não adianta nada, então é melhor apenas aceitar as coisas como são. 

— Beijo, mãe. Manda um beijo para o pai. — Ela responde o mesmo e quando desligamos, afasto o celular da orelha com calma, o olhar baixo nas minhas mãos descansando nos joelhos.

— Era minha mãe. — Não sei porque digo isso, assim como não sei porque específico depois de uma pausa indecisa:

— Nós não temos uma relação muito… próxima, acho. 

— Ela mora em Busan, né? — perguntou e eu reconhecia a maneira que ele tentava dar continuidade ao assunto, mas sem forçar a barra.

— Sim. Ela é policial lá. — Diante do olhar surpreso de Taehyung, comento:

— Por isso nunca fiz nenhum B.O sobre aquele ataque que recebi na rua, quando você me encontrou. Ela conhece vários policiais de Seul e ia ficar sabendo na hora. Não quero deixá-los preocupados, sabe?

— Eles não sabem sobre seus… seus poderes? — Aquele era um assunto que Taehyung ainda parecia hesitante em falar sobre, provavelmente com medo de me afastar outra vez. Nós conversámos pouca coisa sobre, principalmente após sua última visão. Assim como eu não gostava de falar sobre minha força, agora sua animação e franqueza com a própria vidência tinha diminuído bastante. Ele não falou mais nada sobre a vizinha, a avó da garota que morreu atropelada, mas eu sabia que ele provavelmente não tinha procurado-a, e não achava que ele estava errado. Era direito seu escolher se iria ou não se intrometer.

Mas. Nós estávamos no terraço, sozinhos, e ali em cima era tão silencioso e a companhia de Taehyung era tão confortável que talvez, talvez não fosse uma má ideia contar um pouco sobre mim, sobre minha força. 

— Na verdade, sabem sim. — Peguei uma de suas mãos, brincando com seus dedos para não precisar olhar em seus olhos enquanto falava. — Eu não sei se com sua vidência foi assim, mas… Bem, eu acho que sempre tive essa força comigo? — Ele parecia surpreso com minha fala e eu conseguia notar seu interesse pelo assunto, toda sua atenção focada em mim, como sempre acontecia quando estávamos juntos: seus olhos estavam sempre em mim e aquilo me motivou a continuar. 

— Tipo, quando eu era menor… Sempre me destaquei entre as outras crianças da minha idade. Não tinha a mesma força que tenho hoje em dia, acho que ela foi aumentando conforme eu crescia, mas sempre foi... Diferente. Destoante. Meu pais notaram isso, então sempre souberam sobre.

— Sério? Isso é- surpreendente. Minha vidência apareceu faz quase dois anos. Quando eu era pequeno tinha uns sonhos estranhos, mas eram poucos, se comparado com a frequência que acontece hoje em dia. Vislumbres pequenos, e quando contava para minha família eles diziam que eram apenas sonhos. A minha avó era a única que dava atenção para o que eu falava, mas ela morreu antes que eu pudesse perguntar se ela desconfiava de alguma coisa ou se simplesmente me ouvia porque era gentil. — Seu tom era mais baixo ao citar a avó, e eu não precisava perguntar nada para saber que aquele ainda era um luto difícil de lidar.

— Ahn… Então eles ainda não sabem da sua vidência? — perguntei curioso.

— Não. Engraçado né? Tenho um site oficial divulgando meu trabalho, mas minha família não sabe. — Taehyung soltou uma risada curta. — Nós somos muito próximos, mas acho que nunca encontrei um jeito certo de abordar essa parte de mim. 

— Lembro que você disse que não conseguia prever nada para si mesmo… A sua família também está inclusa nisso? — Ele acena positivamente, explicando:

— Teve uma vez que previ os números da loteria para um cara com quem eu saía, e deu certo. Tipo, eu achei que não daria em nada, mas ele ficou milionário e me largou. — Sua risada agora era um tantinho amarga e eu senti uma revolta interna, uma vontade de pedir a Namjoon para rastrear o infeliz e dar um soco na cara de quem quer que ele fosse. — Depois tentei fazer o mesmo para mim e para Namjoon e Seokjin, mas não deu certo. Acho que consegui prever para esse cara porque era ‘pra ele ficar rico? Tipo, hoje ele é reconhecido por ajudar várias instituições não-governamentais e financia vários programas de apoio a mulheres que sofrem violência doméstico, asilo de idosos e tal… Então acho que talvez estava no destino dele e no meu, entrar na minha vida, me fazer de trouxa para ficar rico e ajudar outras pessoas…? — Sua afirmação sai como uma pergunta incerta e eu bufo, replicando:

— Foda-se se ele ajuda os outros. Foi um jeito babaca e insensível de ficar rico, porra. — Taehyung ri da minha indignação e a mão que estou segurando aperta meus dedos em resposta.

— Verdade. Mas comigo e com as pessoas próximas de mim não consigo induzir visões, que nem fiz com ele. E além dessa limitação, também tem as visões equivocadas. — Taehyung está olhando para as próprias pernas esticadas, os pés balançando de um lado para o outro. 

— Como assim, limitações? — questiono confuso.

— Ah, é uma explicação que Namjoon achou nos confins da deep web. — Ri com sua fala, mas Taehyung ergue o rosto com as sobrancelhas arqueadas na minha direção:

— Estou falando sério. A maioria das coisas que sei sobre poderes foram encontradas em chats na deep web. — Namjoon é tão gentil e parece tão inofensivo com suas covinhas adoráveis que eu acabo me esquecendo com muita frequência que ele é um hacker, e que é muito bom no que faz. — Até porque nos chats do Naver e sites parecidos só tem especulações ofensivas sobre nós. De qualquer jeito, nesse chat falava sobre um estudo de casos que reuniu uma pesquisa com algumas pessoas com superpoderes e foi notado um padrão: cada pessoa com um tipo de poder possui consequências e limitações. Varia entre uma ou duas consequências e limitações e no chat a pessoa dizia que acreditava que essas coisas existiam para controlar nosso poder, o que achei bem plausível. 

— Faz sentido — murmurei, interessado na tal teoria. Eu até pediria para Namjoon configurar meu computador para eu poder dar uma olhada nesse chat, mas com toda a promessa de perseguição que eu estava sofrendo, era melhor não arriscar. — Se não conseguir prever as coisas para si e seus amigos e os equívocos são suas limitações, quais são as consequências?

A consequência. Até agora só achei uma, o sonambulismo. Eu não era sonâmbulo dois anos atrás e acho que tratar como coincidência seria ingênuo demais da minha parte.

— Ah… — Eu estava ligeiramente impressionado. Além de curioso sobre minhas próprias consequências e limitações.

E Taehyung me conhecia bem demais em muito pouco tempo, porque afirmou com uma voz divertida:

— Você está curioso, não ‘tá? — Um sorriso grande emoldurava seu rosto e eu nem hesitei em sorrir de volta. — Com suas consequências e limitações.

— A minha limitação é parecida com a sua, acho — comentei. — Minha super força não funciona sempre. Ela aparece aleatoriamente. Já apanhei ‘pra caralho por causa disso — resmunguei descontente. — Achei que ela ia funcionar na hora e simplesmente… Não foi.

— Acho que sua consequência pode ser a cicatrização lenta. — Taehyung disse, o queixo apoiado na mão livre. Lancei um olhar confuso na sua direção e ele tombou a cabeça para o lado, perguntando:

— Você não reparou o quanto seus machucados demoraram para sarar na semana que ficou lá em casa? Você estava tomando remédios e passando pomadas quatro vezes ao dia e mesmo os machucados mais superficiais demoraram bastante. 

— Caramba, você é muito observador — comentei assombrado, relembrando de todos os machucados que tive durante a infância: quando caía de bicicleta e ralava os joelhos, quando brincava de jogar bola com Hoseok hyung e nós machucávamos os pés, em todos os casos eu sempre o primeiro a sangrar e o último a sarar.

— Vai ter que me pagar um almoço por solucionar seu mistério — disse divertido, me piscando um olho. Puxei seu rosto para perto, segurando as bochechas gordinhas bem próximo do meu rosto e respondi, antes de beijá-lo:

— Quando você quiser, sr. Holmes. 

-

Uma mensagem de voz perdida de: Hobi hyung [22:47]

Muito bem, Kook, eu gostaria de dar essa notícia pessoalmente ou pelo telefone, mas você nunca atende a porcaria do celular quando eu preciso que atenda. Estou andando inquieto pela sala sob o olhar cortante da Jiwoo, ela ‘tá dizendo que se eu der outra volta ao redor a poltrona dela mais uma vez, vai me obrigar a atualizar todo meu cartão de vacina. Enfim, enfim. Não sei porque estou dizendo isso. Na verdade, sei sim, estou enrolando. Mas o que quero contar é que… Bem, tomei uma decisão: não vou mudar para Busan. Isso mesmo, caralho, eu vou ficar aqui! Eu sei que era o trabalho dos meus sonhos, tudo que eu poderia querer, mas… Minha casa é Seul. Eu não quero deixar esse lugar, não quero deixar você, Jiwoo e todo mundo… Pode ser uma péssima ideia e muito prepotente da minha parte, mas desde que recebi a proposta eu estive pensando “Bem, se os olheiros de Busan me notou, pode ser que os olheiros de Seul também me note, certo? Não é tão improvável assim, eu só preciso da oportunidade certa” Então eu vou arriscar e… Vou ficar. 


Notas Finais


playlist: https://open.spotify.com/playlist/3yISixijAhMynIYiqCZUrJ

Ai, estou tão feliz. Nem acredito que tô conseguindo atualizar em Janeiro AAAAAAAAAAA. (~feliz ano novo super tarde haha~)

Esse capítulo estava na minha cabeça há um tempão e foi inspiradíssimo naquelas fotos da dispatch dos taekook no terraço rsrs.

FINALMENTE, explicações sobre o lance dos superpoderes, né? Demorou mas chegou. Vocês conseguiram entender tudo certinho? Qualquer duvida é só perguntar.

O que acharam do capítulo? Eu poderia fazer uma fanfic INTEIRA só dos taekoo sendo amorzinhos um com o outro, sério. Cada cena fofa me deixa soft soft soft. E a decisão do Hoseok, estão tão aliviados quanto ele está?

Vou fazer meu melhor para trazer a próxima atualização rápido <3 Enquanto aguardam, aqui os links das duas oneshots que comentei nas notas iniciais:

Procura-se amor (em cartas de tarô): https://www.spiritfanfiction.com/historia/procura-se-amor-em-cartas-de-taro-18011806

A culpa é do Downy: https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-culpa-e-do-downy-18238696


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