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História O que sabe o coração (JIKOOK) - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Capítulo 09


Fanfic / Fanfiction O que sabe o coração (JIKOOK) - Capítulo 10 - Capítulo 09

“Muitas coisas na vida terão apelo aos seus olhos, mas só algumas terão apelo ao seu coração. Vá atrás destas.”

– Michael Nolan

 

 

OS BROWNIES são minha justificativa para viajar de carro até Sokcho na manhã seguinte. Eu bati no furgão dele, depois ele me levou ao hospital e ficou preocupado a ponto de procurar por mim. Foi gentil a ponto de me trazer uma flor. Sensato a ponto de não pressionar demais. O mínimo que posso fazer é levar para ele uma travessa de brownies. Sei, por um post que a irmã dele escreveu, que Jungkook tem um fraco por doces e que brownies foram a primeira coisa que ele quis quando teve permissão para voltar a comer, e os da vovó são os melhores. Pelo menos ele merece isso. E depois eu vou à praia...

Faço uma pilha alta na travessa, cubro com filme plástico e escrevo um bilhete para os meus pais, que saíram juntos de manhã. Depois pego minha bolsa de praia e passo pela porta, decidido a repetir o percurso de carro de dois dias antes, tão nervoso quanto estava naquele dia, isso se não estivesse mais ainda.

 

***

 

Quando entro na rua principal e vejo o furgão de Jungkook estacionado quase na mesma vaga daquela primeira vez, meu coração acelera e passo direto com o carro, sem parar na vaga ao lado dele. Baixo a música para raciocinar melhor. Neste exato momento, ainda tenho uma alternativa. Se eu continuar dirigindo, não terei feito nada de errado nem com Jungkook nem com Yoongi. Por outro lado... se eu fizer isso – continuar dirigindo – talvez não tenha outra chance de saber mais sobre ele. “Um dia desses” vai expirar, Jungkook vai esquecer que disse isso, e talvez seja tarde demais para voltar.

O sinal seguinte fecha. Isso me dá mais alguns minutos para pensar. Ligo a seta. Desligo. Ligo de novo. Quando o sinal fica verde, hesito por tempo suficiente para ouvir a buzina do carro atrás de mim, depois faço o retorno. Volto para onde Jeon Jungkook está, após 402 dias. Volto para onde estacionei na primeira vez. Quando paro o carro, vejo que o amassado no para-choque do furgão VW ainda está ali e é maior do que eu lembrava, o que me faz estremecer. Olho para a travessa de brownies no banco do carona e de repente eles me parecem totalmente ridículos.

Não sei o que estou fazendo. E agora que estou aqui, realmente não sei onde encontrá-lo. Abro a janela e olho ao redor como se pudesse vêlo por acaso. O ar da manhã ainda está frio e relaxo um pouquinho quando inspiro fundo. É mais ou menos a mesma hora do dia em que apareci da outra vez e, com base no que Jungkook disse, ele pretendia estar na loja de caiaques ou na cafeteria. Pensei em ligar para ele antes de sair, mas me pareceu meio exagerado. Além do mais, eu não sabia se realmente ia seguir em frente com isso, só descobri agora que estacionei o carro. Na verdade, ainda não tenho certeza. A loja de caiaques parece fechada e até a cafeteria está escura. Eu ainda poderia...

– O carro está estacionado, não é? Desligado e tudo?

A voz me arranca do meu vaivém de pensamentos e, quando ergo a cabeça, vejo Jungkook recém-saído da água, o cabelo e o traje de mergulho ainda pingando, a prancha de surfe enfiada debaixo do braço.

– Você voltou.

Ele está feliz, mas não surpreso.

– Eu... É. – Pego a travessa de brownies e a estendo pela janela como se fosse uma explicação. – Trouxe isto para você... como um agradecimento... um pedido de desculpas, eu... – Olho para o amassado em seu para-choque e me sinto bobo e sem graça, e isso me faz falar mais acelerado, numa única série de palavras: – Você foi muito gentil em me levar para o hospital depois que bati no seu furgão, e me senti muito mal por você não me deixar pagar por isso, e sei que eu estava estranho ontem... Bom, eu também estava estranho no dia em que você me conheceu e eu... peço desculpas.

Empurro ainda mais a travessa pela janela, como se o movimento pudesse compensar a atrapalhada que sinto que eu sou. Estou enferrujado nisso, em falar com as pessoas de modo geral. Mas pelo jeito como ele fica parado ali com aquele sorriso, ouvindo cada palavra, tudo fica dez vezes mais difícil.

Jungkook pisca uma, duas vezes, depois abre um largo sorriso e estende a mão para a travessa.

– Não precisa se desculpar. Ainda mais depois de ter trazido isto. Brownie é meu doce preferido.

Tenho que me conter para não falar Eu sei.

– Obrigado – diz ele com sinceridade. – Foi você que fez?

Ele encosta a prancha de surfe no carro, tira a travessa das minhas mãos e puxa o filme plástico, pegando um brownie. Dá uma mordida. Mastiga lentamente, como se estivesse testando o sabor ou algo assim, e por meio segundo tenho medo de ter errado na receita enquanto estávamos preparando, porque eu pensava nele, em vez de me concentrar na farinha de trigo e no chocolate em pó.

Por fim, ele engole.

– Nossa – diz, com as sobrancelhas erguidas. – Este... é de longe o melhor brownie que já comi em toda a minha vida. Toda.

Sinto meu rosto ficar vermelho.

– Estou falando sério. – Ele para de sorrir porque quer provar seu argumento. – E olha que já comi muitos.

Seu rosto está tão sério que me faz rir.

– Obrigado. Eu... fico feliz que tenha gostado.

– Eu fico feliz que você tenha voltado. – Ele sorri. – E gostar é pouco. – Ele devora a segunda metade do brownie. – Que outros talentos secretos você tem e o que vai fazer hoje, além de entregar o melhor pedido de desculpas e de agradecimento do mundo?

Rio de novo e olho para o meu colo.

– Não sei. Eu estava pensando em dar um pulo na praia, porque não consegui ir naquele dia.

– A praia vai lotar. – Jungkook olha por cima do ombro para a loja de caiaques às escuras. – Eu poderia mostrar a você uma praiazinha ótima, meio fora de mão. É tipo um lugar dos moradores.

– Hum. – Pigarreio e considero a ideia por um momento. – Não, está tudo bem. Não quero tomar mais do seu tempo. Sei que você tem que... – Olho para a loja. – Eu só queria agradecer e pedir desculpas de novo pelo seu furgão.

Eu me atrapalho com as chaves e elas caem no espaço entre meu banco e o console central. Claro.

– Não é nada de mais – diz Jungkook. – Não tenho nenhum compromisso nem nada. Espere só eu trocar de roupa e a gente pode...

– Eu não devia. Tenho hora para voltar para casa e não quero acabar em algum lugar longe, sem meu carro, e ainda fazer você me trazer de volta ou coisa assim.

Ele dá de ombros.

– Você pode me seguir... Mas, sabe como é, não muito perto, por causa dessa tendência sua de pisar no acelerador com muita força. Assim você vai estar com o seu carro e poderá ir embora quando precisar. – Ele fala isso com simplicidade, como se não fosse grande coisa, depois olha para mim, esperando por uma resposta. – É só um dia. E preciso de alguém para dividir estes brownies comigo ou vou comer todos de uma só vez. Então, é sério, você estaria me fazendo um favor.

Ele sorri, o sol ilumina o verde dos seus olhos e é isso que decide por mim.

– Tudo bem. Só um dia.

– Ótimo. – Ele sorri. – Perfeito. – Pega a prancha. – Eu vou... Então, vou me trocar. Já volto. – Ele apoia a mão bronzeada na minha porta, se inclina e me entrega de volta a travessa de brownies. – Toma. Pode guardar isto?

Pego-a das mãos de Jungkook, ele se vira e atravessa correndo a rua até a loja de caiaques. Antes de desaparecer lá dentro, olha por cima do ombro.

– Não vá embora! – grita ele.       

Isso me deixa nervoso e feliz ao mesmo tempo enquanto procuro as chaves que deixei cair.

Eu não poderia ir embora agora, mesmo se quisesse.


Notas Finais


Hey PURPLE's

Desculpem a demora, espero que estejam gostando.
O cap. é curtinho mas, logo logo atualizo.


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