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História O que são as cores? - Seongjoong - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Voltei mais rápido do que o esperado por mim mesma...

Perdão se tiver algum erro

Capítulo 2 - Cores


Cor

[cor]


sub. feminino


1. propriedade de uma radiação eletromagnética, com comprimento de onda pertencente ao espectro visível, capaz de produzir no olho uma sensação característica


2. coloração predominante de um ser, de um conjunto etc; colorido


3. cor ou conjunto de cores que constituem elementos distintivos ou simbólicos de alguma coisa


“A cor é uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina, que transmitem, através de informação pré-processada ao nervo óptico, impressões para o sistema nervoso. A cor de um objeto é determinada pela frequência da onda que ele reflete.”


“Cor é uma parte importante da Arte visual”







 Seonghwa olhou mais uma vez naquela tarde o endereço localizado no mapa digital de seu celular, encarando em seguida a casa pequena à sua frente, tombando a cabeça para o lado direito. A residência era pequena, e os pequenos cactos decorando o batente da janela lhe lembravam uma casa de fada, gnomo ou bruxa, todos em sua imaginação muito fofos. Uma delicadeza descomunal era exalada apenas pela simples fachada da casa, da mesma janela aberta onde os cactos estavam, Seonghwa pode ver a silhueta do Kim ao qual tinha ido atrás depois de dias se acovardando. Foram tantas conversas aleatórias e divertidas, mas sua coragem sempre ia embora quando o Kim mencionava em vê-lo pessoalmente, mudava de assunto, inventava alguma desculpa bem esfarrapada que o outro fingia acreditar, se mudava para outro planeta se possível, tudo para fugir do encontro daquele baixinho. Não sabia porquê, mas algo nas conversas agitava seu interior, e também não sabia o porquê dessa reação se nem ao menos conhecia metade da personalidade do homem do outro lado da tela. Não sabia? Ha! Era tudo mais uma esfarrapada mentira, pois ele sabia sim do que se tratava todas aquelas reações, sabia que tinha um danado sentimento construindo uma barreira de vidro em seu coração, apenas não queria ter a certeza a sua frente e encara-la. Porque tudo era raso demais, ele achava aquele sentimento, o amor, o seu amor, raso demais. Pois, tinham o tornado daquele jeito, o moldado daquela forma, sempre na defensiva, porque o seu primeiro amor o fez erguer barreiras e levantar suas armas para tudo e para qualquer um que quisesse invadir mais uma vez a sala trancada onde se encontrava trancafiado. A sala onde o amor também tinha ficado preso.

 É, só que seus óculos dados de presente pelo Kim no dia em que resolveu ajudá-lo, não o ajudaram e se quebraram naquela semana. 

 Seonghwa usou super cola na armação, fita crepe, band-aid, só faltava tentar derreter a desgraçada que ele sabia ser azul-escura – por o pequeno ter lhe falado a escolha da cor e que a mesma combinava com ele –, e quem disse que ele não tentou? Entretanto, de nada adiantava, a armação poderia até dar um jeitinho, mas e as benditas lentes trincadas? E foi ali que sem mais opções ele teve que se render a um encontro ao vivo e a cores com Kim Hongjoong, no caso, pensando que seria na ótica em que se encontraram pela primeira e última vez. O que foi um completo engano, já que o que chegou acompanhado do endereço do rapaz em seu celular foi a seguinte mensagem: “Esse é o endereço da minha casa. Venha hoje à tarde!". E as palavras minha casa foram o motivo do colapso de Park Seonghwa.


 — Hongjoong?


 — Oh! Você veio Seong-ah!


 Apareceu na janela sorrindo singelo para o que estava fora, logo, correndo para dentro mais uma vez. Só aparecendo de volta na porta da casa em uma calça jeans surrada e uma blusa branca, ambas as peças manchadas de tinta, Seonghwa não podia ver as cores mas o cheiro um tanto agradável das tinturas lhe era reconhecível.


 — Entre! É só abrir o portãozinho branco, pois pelo que pode perceber se eu tocar nele, ele se tornará colorido.


 — Está fazendo artesanato? 


 O Park adentrou o jardim observando os variados tipos de flores e os gnomos de jardim, pequenininhos enfeites que decoravam a frente das margaridas, as quais o encantou. Hongjoong sorriu, e acenou com a cabeça para dentro da casa, indicando para que finalmente pudessem entrar.


 — Não, não estou fazendo artesanato, são apenas umas pinturas nas paredes. Então, vai parecer meio aquelas pessoas que tem preguiça de arrumar a casa, mas… só ignora a imensa bagunça.


 — Não se preocupe eu- Meu Deus Kim Hongjoong que bagunça terrível!


 — Eu te disse para não reparar na bagunça! — Esbravejou divertido, rindo em seguida acompanhado da risada do Park também. — É que eu tô tentando dar uma mudada na cara velha dessa casa que eu comprei, argh, odeio esse ar antigo.


 — Então eu devo estar te atrapalhando. Além de vir à sua casa no dia de São Valentim, e interromper algum compromisso seu, eu vou atrapalhar seu trabalho domiciliar.


 — Primeiro, se eu te chamei até aqui exatamente hoje é porque eu não estou fazendo e não vou fazer absolutamente nada importante hoje. Segundo, eu não tenho namorado e nem ficante para comemorar esse dia, minha companhia são doramas e sorvete mais tarde. Terceiro, me dê logo esses óculos para que eu possa arrumar.


 — A-ah sim.


 — Tem horário para ir embora?


 — Não.


 — Se alguém estiver te esperando é melhor avisar, isso aqui vai demorar mais do que o previsto.


 A tarde foi tão ágil naquele único dia na companhia do silêncio dos dois homens. Os segundos pareciam não se cansar de correr dentro dos minutos e iam cada vez mais rápido, pareciam estar a espera de uma atitude que mudasse o tipo comum de monotonia que se apossava de um dos presentes no quarto de pouco espaço, esperavam a mudança, a coragem, e as dúvidas que o rapaz criava e recriava em sua mente sem descanso algum serem esclarecidas, justo quando o sol ia se pôr. O olhar se recaia ao que se encontrava concentrado em seu árduo trabalho de consertar as lunetas que encaixam tão perfeitamente no rosto de Seonghwa, este, que reparava nos cabelos caídos sobre os olhos castanhos não muito escuros do rapaz, mesmo que o maior não pudesse ver a bela cor das íris. O silêncio apenas se esvaiu ao que o olhar mortal de Hongjoong se focou na face daquele que se fingia de inocente, quando o Kim ralhou consigo, reclamando da tão mal feita gambiarra na armação repleta de fita crepe.

 Perguntas não eram feitas, boa parte esclarecidas nas conversas digitadas ou nas de horas dependurados em uma ligação de não menos que duas horas, tinham se tornado pouco unidos mesmo um tanto longe. Mas algo, ou alguém, tinha dúvidas. Dúvidas sobre o que ele pensava, sobre o que ele achava, sobre o que ele sentia, tudo em relação a falta de cores em sua vida. Entretanto, seu medo, o que lhe acompanhava em todas as conversas, em todas as interações, em tudo que se referia ao rapaz a sua frente, lhe barrava mais uma vez, lhe fazia inseguro, e jogava toda sua coragem pela janela. Sempre, sempre e sempre. Deixando todas suas dúvidas e medos lhe sufocarem, lhe atirarem dentro um poço de queda sem fim, lhe machucando, e fincando espinhos em sua alma.

 Sabia, nunca, mas nunca mesmo, algo seria diferente em sua vida, porque ela não tinha e nunca teria cores.


 — No que tanto pensa?


 O sol havia desaparecido quando a pergunta de Hongjoong ressoou pelo quarto, pois, até o astro tinha desistido de esperar junto aos segundos, minutos e horas, Park Seonghwa esclarecer suas dúvidas. Se nem mesmo o tempo e os astros lhe aturavam, por que um ser humano o aturaria? Ou melhor. Se nem ele mesmo se aturava e se amava, porque justo Kim Hongjoong, um garoto tão puro e cheio de conversas soltas lhe aturaria e… amaria?

 Seu ex-namorado tinha a completa razão em todos os sentidos. Por não lhe amar, não lhe aturar e tantos outros motivos que ele havia lhe dito mas conseguiu deletar de sua memória fraca, agradecia a ele por ter saído daquela droga de relacionamento sem sal nem açúcar, agradecia a ele por não ter desperdiçado mais tempo com uma pessoa tão sem graça, agradecia a ele por ter lhe dito palavras tão reais em seu término que machucaram e que agora faziam o total sentido, pois, qual era o seu charme mesmo? Ah, verdade! Nenhum. Sem sal nem açúcar, apenas um ser sem cor repleto de frustrações, sem cores, apenas preto, branco e alguns tons de cinza. E quem suporta e ama uma pessoa somente preto, branco e cinza? Exatamente isso!

 Uma pessoa…


 — Como decifra ou imagina certas cores, Seonghwa?


  A pergunta feita repentinamente enquanto os óculos lhes eram entregues o pegou de surpresa e de imediato não soube o que responder.

 Como imaginava as cores mesmo? Já não sabia mais, a muito tempo não as projetava em sua mente mesmo nunca as tendo visto, desde seus dezoito anos havia parado de imaginá-las por conta de um capricho da pessoa a qual amava e pensava ser amado na mesma intensidade. Mas era abusivo, possessivo e repreendedor aquele amor. Na verdade não era amor, o garoto apenas queria lhe usar para subir a maldita reputação, e durante quatro anos não percebeu o abuso que sofria, das coisas que abria mão, das amizades que perdia, porque para ele, para Park Seonghwa aquilo era amor, e abdicar das cores por ele era a prova de seu amor, ele disse. E ele o fez. E depois não soube mais amar ou distinguir cores de seu jeito, ele se perdeu, sangrando, em meio ao labirinto de rosas cinzentas cheias de espinhos que o perfuravam, e se deliciavam e coloriam com seu sangue, quando ele o deixou, sozinho e amargurado.

 Seu olhar se perdeu entre memórias após a pergunta feita, suas mãos foram acolhidas pelo calor das palmas pequenas manchadas de tinta, os olhares se entreligaram, Hongjoong sorriu, e o Park ainda confuso com a atitude apenas o olhou sorrir se entregando mais uma vez, sendo novamente fisgado pelo sorriso de dentes pouco tortinhos. Sendo sempre surpreendido por algo que ele dizia ou fazia por si, como naquele momento.


 — Descubra-as comigo uma vez mais…


 — É impossível, Hongjoong. Não se esqueça: eu não enxergo cores.


 — Cores não se resumem a enxergá-las por meio de nossas retinas, não se resumem ao colorido ou as ondas eletromagnéticas, elas se resumem a você e ao que quer enxergar diante delas. Me deixe te mostrar, me deixe ser o guia de suas paletas…


 — Hongjoong mas… mas…


 — Crie comigo significados para as cores de suas paletas, venha junto a mim além da linha do horizonte dessas paletas… deixe-me invadir a sua monotonia e torná-la minha também.


 — Apenas se me permitir fugir quando eu estiver prestes a lhe manchar com preto, branco e cinza.


 — Me encontre todos os dias, às duas da tarde, criaremos significados antes que o sol se ponha e você verá que nada é impossível. Nem mesmo não enxergar as cores.


 Uma pessoa... extremamente louca que não tivesse limites.

Uma pessoa que tivesse poucas experiências no amor, mas que soubesse amar de seu jeito único, que soubesse as infinitas facetas do amor com base apenas em suas próprias teorias, que soubesse que o amor não tem forma, gênero, número ou até mesmo cores.

 Uma pessoa que amasse preto branco e alguns tons de cinza.

 E mesmo tendo a sua paleta de cores infinitas com significados próprios e sem sentido algum Kim Hongjoong amava e aprenderia a amar ainda mais preto, branco e cinza.

 Porque sem uma delas, sem o branco, algumas de suas cores não existiriam. E ele também não.





Notas Finais


Não vai mais ser three shot não pq deu errado KKK (rindo de nervoso)

Espero que cês estejam gostando da minha "monocromia" sobre a fic, pq eu tô animada e amando escrever isso aqui

Até a próximaaaaa!!!


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