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História O que seus olhos veem? - Capítulo 8


Escrita por: Swiita

Notas do Autor


OPA QUANTO TEMPO, pra quem não sabe eu voltei de verdade agora, okay?
As atualizações começão a vir com frequência, juro! (inclusive essa era pra ter saído na quarta)
Peço desculpas pela demora e agradeço a paciência! ~♡♡

Fiquem saudáveis, usem máscaras ao sair de casa e cuidem também da saúde mental de vocês, sei que a pandemia não está sendo fácil pra muita gente.

xoxo ~♡♡

Capítulo 8 - Missão: salve dois idiotas de uma Quimera.


Amelia

Castiel e Lysandre irão sair esta manhã do acampamento pela primeira vez desde que chegaram aqui e descobriram ser semideuses. Estou preocupada, angustiada e principalmente arrependida, por tê-los tratado os tratei ontem durante o treinamento. Porém, vejamos, mesmo com o avanço significativo nas habilidades de luta dos dois, ainda acho que seja loucura do Quíron deixá-los sair tão cedo. Eu sei o que ele tá fazendo, deixá-los ter uma experiência na qual eles corram risco de vida é o melhor jeito de fazê-los ver a importância deste acampamento, na cabeça de Quíron

Mesmo que eu deteste a falta de crença deles mesmo depois de tudo que já aconteceu, eu não consigo achar isso uma boa ideia, pior, não consigo deixar de me preocupar com eles. Talvez se isso fosse há uma semana atrás eu não me importasse, entretanto, cometi o grave erro de criar laços emocionais com os dois. Maldita hora. Agora estou aqui a ponto de enlouquecer em silêncio, encarando o teto do chalé enquanto meus irmãos dormem tranquilamente. Eu só queria uns tapas da Selena, um soco talvez. Detestava ficar acordada sem poder sair do chalé, detestava essa espécie de teste ridículo em que Quíron resolveu colocar os novatos, acima de tudo, detestava não poder fazer nada.

Senti que tinha fechado os olhos por exatos 5 minutos, mas logo o interior do chalé começou a ficar agitado. Estava torcendo para que nosso chalé tivesse a melhor nota, tudo que me faria feliz agora era um banho quente, felizmente o tomei. Depois do banho, me organizei rapidamente e fui quase correndo até o chalé 9¹, fui recepcionada por Leo Valdez e tive uma conversa breve com o mesmo até que Selena surgisse e eu a levasse embora dali. Expliquei a ela toda a situação, esperando um soco na cara, mas tudo que eu recebo é um:

— Porra, o Quíron deve ter perdido completamente o juízo. 

Eu nunca cheguei tão perto de um síncope por cansaço mental, como eu cheguei depois de ouvir isso. Juro.

— Selena, eu esperava mais de você, sinceramente. — Digo me afastando da minha amiga, deixando-a confusa.

— Qual é?! — Exprimiu incrédula. — Eles sobreviveram todos esses anos, não vão morrer em um dia.

— Francamente? — Parei de andar e a encarei. — Esse é outro ponto que me assombra todas as noites antes de dormir, como é possível esses dois idiotas terem sobrevivido tantos anos sem a ajuda de ninguém? 

— Se você que é filha de Atena não sabe, como caralhos eu vou saber? — Indagou impaciente.

— Sou filha de Atena, mas não sou obrigada a saber de tudo. — Respondo brava.  — Por que ainda te chamo de amiga? 

— Honestamente? — Ela me olha com falsa piedade. — É uma boa pergunta. 

— Vim aqui em busca de um soco seu, mas estou a três passos de te afogar naquele lago. — Lamentei. 

— Por que não me falou que queria um soco? — Ela pergunta fingindo estar chateada. — Eu esperei tanto por esse momento, ainda posso dar? 

— Se fizer, terá que dormir com os olhos abertos se não quiser morrer esta noite. — Assegurei.

— Seu amor me sufoca. — Ela desconversa. — Odeio você.

— É recíproco. — Digo e voltamos a andar em direção ao pavilhão de refeições.

Não houve nada de novo durante o café da manhã, quando deu por volta das 10h, foi até a casa grande, na certeza de que encontraria Quíron com os novatos, e mais uma vez estava certa. A única instrução que lhes foi dada, é que eles deveriam estar de volta nesse mesmo horário de amanhã ou será presumido que eles estarão mortos, nenhuma equipe de busca será mandada até eles. Seria estúpido da parte do Quíron achar que eles não correriam nenhum risco e conseguiriam cumprir o horário conforme o ordenado, claro que seria, se ele não estivesse contando exatamente com isso. 

Ele sabia que de fato, uma equipe de resgate não seria necessária, porque eu iria. No fim das contas, esse teste não se resumia em mostrar a eles a realidade de um semideus e os riscos constantes que nós corremos. Aquele teste era meu também, Quíron sabia que eu não ficaria parada vendo os dois indo de encontro à morte. Talvez aquilo servisse mais para testar a mim do que os outros dois de fato. 

Coragem impulsiva, o meu defeito mortal. Achar que tudo será resolvido em um ato de bravura. Ter coragem para desobedecer as regras do acampamento só para salvar aqueles no qual criei laços. Coragem para arriscar tudo, se isso significa que não irei perder quem eu sou leal, mesmo que eu me perca. Esse será o motivo da minha morte um dia: coragem. O que até parece bonito, o fato de se sacrificar no lugar de outra pessoa sempre nos faz pensar em um ato bonito e empático, até mesmo heróico, mas o real motivo desse meu “complexo de heroína” é o medo. Medo da dor da perda, por isso sempre me esforcei ao máximo para evitar que alguém que eu ame corra risco de vida. Isso, claro, antes do Quíron foder com tudo. 

Não é como se eu fosse me jogar no tártaro por alguém na primeira oportunidade que surgisse, afinal, somos semideuses, nossa própria existência nos põe em risco. Obviamente, para que eu me sacrifique um dia, essa deve ser a única ou última opção, e claro, tem que ser algo bem forte para que seja capaz de me derrubar. Então isso nunca foi uma preocupação para mim, mas também nunca foi algo que o Quíron precisasse testar em mim. 

Deixei esses pensamentos de lado e corri para alcançar os meninos antes que eles saíssem do acampamento. Quando os alcancei, notei que o platinado parecia estar nervoso, enquanto o ruivo parecia até mesmo entediado.

— Por favor, voltem inteiros. — Digo e o ruivo sorri sacana.

— Preocupada, loira? — Ele leva a mão até a própria cintura, fazendo charme.

— Apenas com o Lys. — Abracei o braço do Lysandre para enfatizar minha fala. 

— Engraçado, eu jurei ter ouvido a frase no plural. — Ele leva uma das mão até o queixo com uma expressão forçada no rosto, como se pensasse bastante em algo. — “Voltem inteiros”, quem deveria voltar com Lysandre?

— A minha p…

— Epa! — Lysandre interrompeu minha fala quando deduziu o que seria minha fala. —  O que é isso, como uma breve despedida tomou um rumo tão baixo? 

— Não sei do que você tá falando, mas eu estava prestes a dizer “paciência”. — Digo com falsa ingenuidade.

— Claro que ia… — Castiel ri da cara de desaprovação de Lysandre.

— Espero vocês aqui amanhã, tomem cuidado. — Falo em um tom sério.

— Por favor, não morra de saudade. — Castiel diz pondo a mão no meu ombro. — Você é forte, sei que aguenta. 

— Você nem imagina o quanto eu estou tendo que me segurar para não quebrar a sua cara agora. — Digo sorrindo forçado e ganho uma gargalhada genuína do ruivo. — E Lys. 

— Sim? — A palavra foi dita em tom baixo e envergonhado. Poucas vezes eu usei esse apelido para me referir a ele, além de que, eu mesma tomei liberdade para chamá-lo assim, logo, ele ainda fica envergonhado quando o chamo assim. Fofo demais. 

— Eu quero que fique com isso. — Tiro o meu relógio do pulso e entrego em sua mão. — É um presentinho da Selena, fiquem sempre juntos e se algo atacar vocês, aperte esses três botões do lado juntos, quando acionado, ele vira um escudo e me deixa saber a localização de vocês. Vai ajudar a segurar as pontas enquanto eu não chego até vocês.

— Isso é o que eu chamo de tecnologia! — Castiel diz no seu habitual tom sarcástico. — Iphone 11? Puff, para né?!    

— Eu prometo que a primeira coisa que eu vou fazer quando vocês voltarem é te desmaiar na mão. — Aviso e nós três rimos com a minha fala. — E por favor, só usem em uma emergência, eu sei que vocês podem dar conta de alguns monstros sozinhos.

— Pode deixar! — Castiel ainda testa minha paciência.

— Obrigado, espero mesmo não precisar usar. — Lysandre sorriu doce, eu retribui e assisti os dois se afastarem, adentrando na floresta, em direção a estrada.

— Eu também. — sussurrei para mim mesma. 

Passei um tempo olhando para a direção que eles tinham tomado, mesmo não os tendo mais em meu campo de visão, mas logo iniciei minhas atividades e treinamentos diários. Selena passou o resto da manhã enfurnada nas forjas do seu chalé, nada de novo sob o sol, falando em sol, lembrei que passar no chalé de apolo, Will havia dito que havia algo para conversar comigo. Depois do incidente com o Nico na última caça a bandeira, nós não havíamos nos falado mundo, a realidade é que nós nunca conversamos com frequência, já que ambos vivemos ocupados, logo não me incomodei pois sabia que aquilo era  normal entre nós e que ele não havia guardado rancor. 

Como eu já sabia que seria inútil procurar por Will no chalé de apolo, resolvi partir direto para a casa grande, pois o loiro passava mais tempo naquela enfermaria do que em qualquer outro lugar deste acampamento. Chegando lá, o encontro acompanhado de Nico, o que também não é nenhuma surpresa, ao me ver ele pede para que eu me aproxime e assim eu faço. 

— Oi. — Cumprimento o casal com um sorriso fraco, sem mostrar os dentes. — O que você queria me contar? 

— Eu estava conversando com o Nico uns dias atrás e bem, você não acha estranho eles terem chegado tão velhos aqui no acampamento? — Will questiona. — Mesmo eles não tendo conhecimento de que são semideuses, são filhos de deus grandes, o cheiro deles devia atrair vários monstros, mas pelo que parece, eles nunca vivenciaram nenhum acontecimento estranho até o seu primeiro dia de aula na escola deles.

— Eu comentei sobre isso hoje com a Selena. — Admito. — Realmente, esse fato me tira do sério. 

— Mas o que mais me deixou intrigado é que desde que os dois chegaram aqui, Nico diz que não consegue mais invocar fantasmas que tenha um poder mais fraco. — O loiro fala e o outro garoto concorda. 

— Na verdade quem notou isso foi o Joseph, ele ainda tinha costume de invocar fantasmas de pequeno porte, já que ele ainda prefere conversar com eles do que com as pessoas do acampamento. — Nico acrescenta. — Você deve imaginar que não é fácil para um filho de Hades socializar aqui no acampamento, as pessoas ainda tem uma certa relutância em se aproximar da gente, sem contar a falta de confiança que o Joseph tem nas pessoas. 

— É, eu sei disso. — Digo lembrando das breves conversas que tive com o Joseph durante essas semanas. — Então, acha que algum deles quem tá fazendo isso? De impedir que eles sejam convocados? 

— São só suspeitas. — Will responde. — Resolvi te contar isso pois além de ser próxima deles, seu cérebro com certeza vai pensar numa justificativa para isso mais rápido que o meu. 

— Vocês já comentaram isso com o Quíron? — Pergunto.

— Sim, mas ele sabe tanto quanto nós sobre isso. — O loiro fala e eu solto um suspiro cansado. 

— Vou tentar entender isso melhor quando eles voltarem. — Digo e os dois concordam com a cabeça. — Eu tenho que ir, obrigada por compartilharem essas informações comigo, vejo vocês na fogueira. 

Eu saí de lá sem pressa, ainda tentando formular alguma resposta para isso. Isso definitivamente pode justificar eles terem sobrevivido tantos anos, mas o que é isso? Qual deles tá fazendo isso? Se eles estiverem usando algum tipo de poder, isso não deveria atrair ainda mais os monstros? Sinceramente, tenho muitas dúvidas quanto a isso. 

O resto do dia foi tranquilo, puxado como sempre, mas sem nenhum problema grave ou perigo iminente. Depois do jantar eu já estava quase conformada de que os dois amigos de fato não iriam precisar da minha ajuda, mas foi aí que eu me enganei e me deixei iludir por esse pensamento positivo.

O ditado que diz que alegria de pobre e de semideuses dura pouco, estava ficando cada vez mais comprovado. Por volta das 22h o dispositivo que monitorava o relógio que dei ao Lysandre, mostrou que ele havia sido acionado. Pela localização mostrada, eles estavam longe, não tinha como eu chegar depressa lá, logo, me restou confiar na chance de que o Castiel conseguiria segurar as pontas até eu chegar no local, já que o Lysandre já havia mostrado ser péssimo em combate físico, se não fosse pelos reflexos padrões de todo semideus, ele estaria na enfermeira toda semana. 

Correndo contra o tempo, arrumei uma mochila com algumas coisas básicas, como kit de primeiros socorros e ambrosia, não é como se eu fosse a pessoa mais indicada para realizar os primeiros socorros caso algum deles estiver machucado, mas daria para que sobrevivessem até chegar no acampamento, além de que, Lysandre é filho de Apolo, com certeza saberia fazer algo por ser natural dele. Tentei sair do acampamento da maneira mais sutil que eu conseguia, mas mesmo assim senti que estava sendo observada. 

— Eu sei que tem alguém aí, diga algo. — Parei de andar e fiquei praticamente imóvel esperando uma resposta. — Por favor seja rápido, estou com pressa. 

— Fugindo de casa? — Me surpreendo ao ouvir a voz de Joseph. 

— Indo ajudar uns amigos. — Voltei a andar sem nem mesmo olhar para o filho de Hades. — Não tenho muito tempo agora, conversamos depois.

— Quíron sabe disso? — Ele pergunta mesmo já sabendo a resposta.

— Claro que sabe, por isso estou saindo às escondidas. — Digo ironicamente. 

— A ironia cai bem em você. — Ele diz, percebi pelo seu tom de voz que ele sorria ao dizer isso. 

— Joseph, eles estão um pouco longe, então vamos mesmo ter que marcar nossa conversa para amanhã. — Digo apressada.

— Eu posso te levar lá. — Ele surge das sombras na minha frente. 

— Eu não poderia pedir isso a você. — Parei de andar novamente e o encarei pela primeira vez durante esse papo. Seus olhos azuis lentamente se fundiram em um preto tão escuro quanto as sombras que ele costuma viajar. 

— Eu quem me dispus a te levar, em primeiro lugar. — Ele sorriu ladino. — Prometo que não há trânsito. 

— Ainda não me sinto à vontade com isso. — Sou sincera. 

— Tudo bem, apenas me diga onde deseja ir. — Ele estende uma das mãos. — Como você deseja um desafio, não trarei vocês de volta. 

— Não é isso, temo que pareça que estou lhe usando. — Digo. 

— Bem, o tempo está passando, de qualquer forma, a escolha é sua. — Sua mão permanecia estendida em minha direção. 

— Okay. — Aceitei sua mão e ele sorriu vitorioso antes de eu mostrar a ele a localização dos meninos. 

— Espero que você não tenha medo do escuro. — Ele disse antes de andar comigo em direção à uma das árvores da floresta. 

Antes que nós passássemos pela árvore, as sombras pareciam nos abraçar, e em apenas um segundo um vento frio bateu em nossos rostos e parecia que estávamos numa velocidade tão alta que eu sentia que a pele do meu rosto sairia do lugar. De fato era muito escuro e frio, além de que eu tenho certeza de que fui capaz de ouvir alguns barulhos estranhos. 

Em resumo: foi incrível!

Em questão de segundos uma nova cena se formou e eu notei que já não estava mais no acampamento e sim em um pequeno parque no Bronx. "Que merda esses garotos estão fazendo nesse lugar a essa hora da noite?" Foi o meu primeiro questionamento, mas não foi preciso muito para que eu visse os dois patetas tentando, muita ênfase no "tentando", duelar com uma Quimera. Nossa, quanto azar, atraíram logo um Quimera, eu estava esperando uma fúria ou algo do tipo. Quando eu me virei para agradecer ao Joseph, ele já tinha sumido de novo entre as sombras, só me restava agora tentar ajudar os dois palhaços, felizmente nenhum dos dois pareciam machucados, respirei fundo e corri até eles. 

Okay, lá vamos nós.



Notas Finais


Chalé 9¹: chalé de Hefesto.

xx

Obrigada por ler até aqui e até o próximo capítulo! ^^


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