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História O que significa Rhaast, afinal? - Capítulo 1


Escrita por: sshen

Notas do Autor


Olá! Primeiramente, queria dizer que eu NÃO considero eles um casal. Escrevi apenas por escrever. É isso.

Capítulo 1 - Capítulo único - obediência


capítulo  único — obediência.

O sol brilhava de uma maneira incrivelmente irritante, e os pássaros cantarolavam de uma maneira mais incrivelmente irritante ainda. Os largos campos, que estavam repletos de flores coloridas e estranhas, faziam o garoto querer voltar para a casa. De preferência, sozinho. 

A brisa soprou suave, fazendo os fios de cabelo soltos de Shieda Kayn remexerem-se de uma maneira incômoda. Ele passou levemente a mão por eles, tentando pô-los no lugar. Foi tudo em vão, é claro, pois segundos depois eles estavam novamente dançando alegremente com o vento. 

Atrás de si andava com um andar tão débil um cara alto de lindos cabelos pretos bagunçados, com lindos olhos castanho-avermelhados e um lindo rosto (descrição do próprio, vale lembrar) repleto de cicatrizes e uma barba rala. O peito estava quase desnudo — algumas coisas haviam acontecido horas mais cedo, como um belíssimo encontro com um dragão cuspidor de fogo, mas isso é história para outro dia — e as pernas estavam cobertas com uma calça preta. 

Enfim.

— Rhaast, você poderia, por favor, parar de falar um pouco? Acho que o meu cérebro está derretendo. — Kayn pediu. Não aguentava mais.

— Eu não estou falando. Eu estou cantando. — o homem com a aparência de 30 anos corrigiu, e, logo após isso, desatou-se à cantoria de novo.

— Ah, que bom. Estou melhor agora — murmurou, querendo se afogar naquele mar de flores.

Desde que Rhaast havia aparecido com uma forma humana as coisas só haviam piorado. Ele estava mais chato, carente e, definitivamente, fora de si. Ao invés de ficar falando o dia inteiro dentro da cabeça de Shieda, o rapaz ficava falando o dia inteiro fora dela; isso amedrontava Kayn de uma forma avassaladora. Preferia mil vezes a voz estranha e demoníaca da ex-foice do que a atual, que era arrastada e sedutora.

Suspirou, derrotado. Só queria ter um pouco de paz, mas aquilo seria impossível no momento. Deus, por que tinha aceitado aquela missão mesmo? Oh, é verdade. Tinha que se esforçar para conseguir o cargo de líder das sombras. Fez uma careta com o pensamento.

— Olha lá, Kayn, você mais velho — Rhaast apontou para uma vaca de três tetas.

— Quanta conversa mole — franziu o nariz, cansado das brincadeirinhas do “amigo”. Rhaast soltou uma risada amarga, o que fez Shieda revirar os olhos. — Você é tão... você. Isso é um saco.

— Se eu não fosse eu, então quem eu seria? — sorriu de um modo presunçoso, com o queixo erguido. — Eu sou incrível, você deveria me agradecer de joelhos por estar ao seu lado.

— Por me servir — corrigiu o garoto — E você incrível? Ha! Que piada. Vou ter que te lembrar que eu sou a arma e você a ferramenta? 

Rhaast avaliou Kayn, com um brilho selvagem no olhar. Como aquela criatura podia ser tão metida? Como ela ousava a pensar daquele jeito tão... desleixado? Rhaast com certeza era maior e melhor que o outro, Kayn que preferia fingir que não. Bem, pelo menos era isso que pensava.

— Quanta conversa mole — resolveu repetir a frase do rapaz, dando uma interpretação digna de Framboesa de Ouro (se existe em Runeterra, é claro) — Você não consegue fazer metade das coisas que eu faço.

Era como se ambos estivessem travando uma árdua batalha para ver quem tinha o maior ego. Aquilo não iria à lugar nenhum, é claro, mas valia a pena a tentativa. Ou não.

Kayn parou a caminhada bruscamente e colocou a mão na cintura.

— Ah, é? Então me mostre o que o grande Rhaast pode fazer, para eu poder avaliar — debochou, olhando fixamente para ele.

O de cabelos pretos deu um sorriso que assustaria até o diabo, pronto para fazer uma tremenda vigarice. Kayn levantou uma sobrancelha, pouco se importando com a expressão facial do outro.

— E então? Vai ficar com essa cara de psicopata até quando? 

E de repente o homem à sua frente não era mais Rhaast. Era Zed, seu Mestre.

— Você não fez isso! — rugiu a fera, totalmente incrédula com a ação. 

— O que foi? Fiz o seu coração pular? Suas pernas bambearem? Suas mãos suarem? — brincou. Sabia muito bem que, uns anos atrás, Kayn tinha desenvolvido uma paixonite por Zed, e acreditava fielmente que a recaída continuava até os dias atuais (isso porque toda vez que Rhaast sugeria matar o Líder da Ordem das Sombras, Kayn recusava prontamente. Apenas gente apaixonada não mata para conquistar uma grande posição). De qualquer forma, aquilo meio que incomodava Rhaast, não porque Kayn não queria matar Zed — bem, em partes sim —, mas sim porque ele gostava do mentor.

— Você... você... Argh! — colocou a mão no rosto, puxando um pouco a pele para baixo — Eu não tenho coração, seu babaca! Você deveria saber disso. E de onde tirou essas ideias? Eu não gosto do Zed.

— Então por que sua bochecha tá vermelha? Puxa, você fica uma gracinha corado, Kayn! — colocou a mão na boca, fingindo surpresa. Visualizar a reação do Shieda o deixou decepcionado, mas não perdeu a pose.

— Eu não tô corado! — gritou, escondendo a cara — Eu... É o sol, seu imbecil. — resolveu dar uma desculpa esfarrapada. Não sabia se estava corado de verdade, porém resolveu não arriscar.

O falso Zed soltou uma risada alta. Kayn com vergonha era tão hilário; raro. Normalmente o garoto estava sempre cheio de si, fazendo piadinhas e inflando o próprio ego. Patético.

— Por que está assim? Qual o seu problema? Volte para sua forma normal, a de foice! — vociferou. Todo o sentimento de timidez havia sido trocado por raiva.

— O que foi? Não gosta do meu visual? — cantarolou, dando uma voltinha — Eu sinceramente poderia ficar assim pra sempre. Ei, o que acha da gente matar o verdadeiro Zed e me colocar no lugar dele? Acho que ninguém desconfiaria.

— Não, Rhaast! A gente não vai matar o Zed verdadei... quer dizer, o mestre Zed. — limpou a garganta, acalmando-se aos poucos. Se tinha aprendido uma coisa convivendo com aquele infeliz, era que, por mais que brigassem dia e noite, não iriam se separar tão cedo. Logo, se estressar era perda de tempo.

Rhaast fez um biquinho, muito decepcionado. Agradeceu mentalmente que sua máscara escondia tudo. Pensando melhor, devia ser bastante legal usar uma máscara, ele poderia chorar a qualquer momento e ninguém veria. Botou em sua lista mental a compra de uma máscara.

— Você é irritante. Não vê que ele só te manda nessas missões para se livrar do trabalho? Ele nunca vai te conceder a liderança, Kayn. — falou, bastante convincente — Mas eu posso. Juntos, governaremos a Ordem das Sombras.

Toda aquela bobagem de inspirar, expirar, relaxar tinha ido por água abaixo assim que o Shieda ouviu a frase alheia. Ele estava novamente irritado, e dessa vez era pra valer.

— Eu consigo me garantir perante à isso — soou seco — Não preciso de empecilhos como você. Eu vou te dominar, Rhaast, e então me erguerei mais forte do que nunca.

— Patético, tão patético. Apesar da idade, você continua sendo uma criança. — negou com a cabeça. Achou que tinha feito um avanço, mas aparentemente tinha voltado umas dez casas. Lamentável.

Kayn odiou o sútil xingamento do outro. Era tudo, menos criança. Aquilo o feriu feio.

— O que significa Rhaast, afinal? Porque pra mim você não passa de um reclamão — resolveu alfinetar. Cruzou os braços, bravo.

O homem soltou uma risadinha e estalou os dedos, voltando à sua forma humana. 

— Você quer mesmo saber? — indagou, com a voz mais aveludada que o normal. Kayn deveria ter estranhado aquilo, mas apenas deu de ombros. Sinceramente, estava pouco se fodendo. 

Não esperou a resposta do garoto, sabia que não haveria uma, e se aproximou dele. Olhou no fundo dos olhos de Kayn antes de levar o indicador até o queixo dele e levantar levemente sua cabeça.

Obediência — sussurrou no ouvido do rapaz.

O cérebro do Shieda entrou em pânico. Os mini-Kaynzinhos estavam correndo de um lado para o outro, gritando “perigo! Perigo!” e esmurrando botão de alerta vermelho. Ele estava arrepiado e petrificado.

— O-o que você pensa que tá fazendo? — gaguejou, sentindo o rosto ferver. Toda a sua raiva tinha saído para, sei lá, um passeio, e ele desejava muito que a bendita estivesse voltando.

— Quebrando aquele clima tenso de antes. Deu certo. — abriu um sorriso sincero. Puxa, os olhos de Rhaast sempre foram assim tão bonitos? E o sorriso também? 

— Você tem belos dentes. — tossiu ao notar o que tinha dito — Pentes. Eu quis dizer pentes. Você tem um aí? Quero pentear o cabelo.

Rhaast arqueou a sobrancelha, achando graça na situação. Estava feliz que tinha provocado aquela reação em Kayn, e, se tudo desse certo, continuaria provocando. Resolveu não responder, apenas deu de ombros e voltou a andar.

— Vamos logo, a gente precisa chegar em Demacia antes do anoitecer. — resmungou, espreguiçando-se.

Kayn assentiu diversas vezes ainda aéreo e começou a seguir o maior. Aquela seria uma longa viagem...


Notas Finais


Vale lembrar que essa transformação aí não acontece na lore, e que o Rhaast só fica “humano” quando possui o corpo de Kayn.

Espero que tenha gostado!


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