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História O Reino Caído - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Aventura


Elisa sentia os nervos a flor da pele. Após procurar a amiga incansavelmente, já estava em um leve estado de desespero. Não era incomum Lamir desaparecer assim por algumas horas, ela era um tanto fechada, porém após aquela conversa, definitivamente o cenário mudava. Merda. A mente de Elisa a sussurrava. Aquilo era uma bela idiotice. Obviamente não era algo que diria na frente da amiga, não queria arrancá-la de seu pedestal. Ela realmente estava disposta a deixar tudo para trás por um sonho?

─ Egoísta de merda. ─ murmurou irritada. Não, não que seguir um sonho fosse puramente egoísmo, mas e tudo que ela deixaria para trás? Suspirou. Sua cabeça estava perdida em pensamentos desconexos, nada daquilo fazia mais sentido. Talvez só estivesse com medo de perder a amiga. Talvez.

Suas mãos empurravam com raiva os galhos e arbustos em seu caminho, abrindo inúmeros arranhões em sua pele. Não que isso importasse tanto, sumiria logo em seguida, mas doía da mesma forma. Não que essa merda importasse também. Resmungava. Não conseguia nem compreender a própria irritação.

Finalmente tinha chegado. Uma pequena clareira se abria entre as árvores, com uma cachoeira no meio, rodeada de pedras cobertas por folhagens. Aquele era o último lugar onde ela poderia estar, e era ali mesmo que ela estava. Elisa a observou por alguns segundos. O corpo pálido e esguio debruçado sobre as pedras, mergulhando delicadamente a ponta dos dedos. Estava encoberta por uma seda branca úmida, que realçava ainda mais os seus traços impecáveis.

─ Aí está você. ─ disse, despertando do próprio transe. Lamir apenas levantou o rosto levemente, observando-a com um sorriso. ─ Não faz essa cara, menina! Você sabe o que fez! ─ balbuciou irritada, mas Lamir apenas a ignorou, virando-se para a cachoeira.

─ Lembra-se desse lugar? ─ pediu a Elisa que se aproximasse com um gesto na mão.

─ Sim... eu me lembrei hoje, felizmente. ─ aproximou-se, Lamir abriu ainda mais o sorriso, encarando o centro da água.

─ É tudo tão lindo... ─ disse, quase num sussurro. ─ Queria poder tocá-los de verdade. ─ suas mãos acariciavam as águas. Como num transe, ela enchia as mãos, mas obviamente a água escorria entre seus dedos, desfazendo-se junto com o semblante da menina.

Aquelas fontes eram as Mihoatra. Existiam muito poucas e ficavam sempre em locais bem escondidos, com exceção da que havia no palácio. Ali era onde os dois mundos se conectavam. Lamir sempre observara tudo o que acontecia embaixo, era quase um vício.

─ Lembra quando sua mãe te proibiu de olhar a que tinha na sua sala? ─ riu. ─ Você passou o dia inteiro chorando.

─ Ela disse que eu não deveria amar tanto esse mundo, porque meu destino era ficar aqui. ─ abaixou o olhar. ─ Quando eu falei que queria ir embora, ela me proibiu de ficar olhando. ─ cobriu o rosto com a mão, rindo.

─ Aí você me fez passar três dias procurando outra Mihoatra para você. ─ cruzou os braços.

─ Ei! Em minha defesa, eu fui junto com você.

─ Sim, aí você ficou uma semana isolada aqui com sua mãe louca atrás de você. E está repetindo isso agora, como se ainda fosse uma criança, Lamir. ─ levantou-se, pondo as mãos nos quadris. ─ Você tem responsabilidades agora.

─ Elisa...

─ Precisa voltar agora mesmo. ─ cortou-a. ─ Sua mãe estava me perguntando sobre você.

─ Elisa, me escut...

─ Ainda não terminei de falar. ─ interrompeu-a novamente. ─ Não posso ficar sendo responsabilizada toda vez que você faz alguma coisa errada, Lamir. Eu estou cansada disso. É sempre a mesma coisa. Você falta aos seus treinos, falta as reuniões com sua mãe, desaparece por dias. ─ respirou fundo antes de continuar. ─ E SEMPRE sobra para mim. Eu que saio como irresponsável. Presta atenção, ─ encarou a amiga ─ você vai voltar agora mesmo, conversar com sua mãe e explicar o que aconteceu, ouviu bem?

─ Elisa, eu não vou voltar.

─ O... O que disse? ─ arqueou as sobrancelhas.

─ Eu vou descer, Elisa. ─ sorriu.

─ Não, não, não, a gente já falou sobre isso!

Lamir sentou-se sobre uma das rochas, mergulhando seus pés na água. Sua boca entreabriu para falar alguma coisa, mas logo se fechou, voltando apenas a observar a água.

─ Eu te conheço. ─ Elisa sentou-se de frente para amiga, a olhando fixamente. ─ Você já se decidiu, estou certa? ─ Lamir retribuiu o olhar, em silêncio. ─ Vai mesmo me abandonar aqui? ─ sorriu.

─ Não vai tentar mexer com meus sentimentos de forma tão suja, não é? ─ as duas riram.

─ Vai se despedir de alguém antes? ─ franziu o cenho.

Ela estremeceu, passou alguns segundos encarando o nada. Mordeu o lábio inferior até doer. Suas ações finalmente pareceram pesar.

─ Eu não... eu ─ titubeou as palavras. Não conseguia materializar nenhum dos seus pensamentos. ─ Não posso. Minha mãe nunca me perdoaria.

─ Acha que ela vai te perdoar se você descer sem dizê-la nada? Olha, eu pensei que você fosse mais inteligente.

─ Elisa! Não é hora para suas gracinhas. Mas você está certa, ela vai ficar com raiva de mim de qualquer forma, então vou poupá-la da dor de me ver ir em sua frente. Eu a conheço bem, ela iria me amarrar e só me libertaria quando eu mudasse de ideia. Não estou disposta a ter outra briga.

─ Sabe que não vai poder voltar, certo? Você está renunciando o trono e abandonando seu reino.

─ Tenho consciência do que estou fazendo e não vou voltar atrás. Já vivi o suficiente para saber que esse lugar não é para mim.

─ Como vou sobreviver sem você aqui? ─ sentiu Lamir abraçando-a.

─ Como sempre sobreviveu.

─ Lembra que você tinha me prometido que nós nunca nos separaríamos? ─ retribuiu o abraço.

─ Nós duas sabíamos que isso era mentira.

─ Eu não sabia. ─ Elisa murmurou.

Observou Lamir afastar-se. Ela posicionou-se no centro do lago, todas as suas veias assumiram um suave brilho branco enquanto ela sussurrava algumas palavras. Abaixo de seus pés, um portal abriu-se, centenas de pássaros entraram por ele, emaranhando todo o cabelo da menina, que riu enquanto lentamente pousava seus pés sobre o portal.

─ Vai ir me visitar? ─ disse, abrindo um sorriso.

─ Me espera lá embaixo. ─ cruzou os braços, retribuindo o riso.

Seus olhos se fecharam, sentindo uma brisa forte passar por eles. Dado alguns segundos, abriu-os, inevitavelmente, eles buscaram pela amiga, mas já não havia mais nada. A única imagem que restara de Lamir, encontrava-se na mente de Elisa agora. 


Notas Finais


Espero de verdade que tenham gostado!
O que será que vai acontecer com a Lamir lá embaixo, que mistérios a reservam? Lembrando a todos vocês que o processo de iniciar uma história é muito exaustivo para o autor, se sentirem que a história merece, compartilha com aquele seu amigo doido por livros! Deixem suas opiniões, críticas, carinhos! tudo é bem vindo!

Apoiem uma autora!! ❤️❤️❤️

BEIJOSSS


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