História O Relâmpago que ilumina a Terra - Capítulo 2


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Categorias South Park
Personagens Butters Stotch, Kyle Broflovski
Tags Butters Horny Angel, Dah4, Kyle Racional Dork, Kytters, Primeira Vez, Shakespeare, Slow Burn
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Palavras 4.593
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieee!!

Esse capítulo foi... algo... acho que eu senti de tudo enquanto escrevia ele e conto sobre isso nas notas finais!!

É ILEGAL o quanto eu estou me divertindo escrevendo esse casal!! 💙🧡

BOA LEITURA!!

Capítulo 2 - Nem tudo é um palco


O sol brilhava no início da manhã de sábado, Butters acabava de chegar ao Clube de Teatro para o ensaio final da penúltima apresentação de seu grupo neste ano letivo, estava satisfeito em poder concluir sua etapa, mas ainda muito descontente sobre designação à faculdade.

— Hey, Butters, estava na festa de ontem? — Sally Darson o parou. — Não vi você.

— Oh, sim, estava! — Respondeu observando a garota loira. — Mas, fui embora na hora do apagão.

— Naquela hora que a festa ficou divertida. — Sally contou. — Um idiota de South Park foi quem cortou a luz, acredita?

— Cartman? — Butters brincou.

A colega parecia surpresa e divertida.

— Conhece? Rebecca falou que viu você correndo com o Broflovski, de South Park.

— Kyle Broflovski? — Butters sentiu o coração aquecer. — Todos o conhecem?

A garota encolheu os ombros.

— Conheço de nome. Rebecca conhece, ele é do Clube de Debates, e colega da namorada dela, Red Tucker. — Sally observou. — Parece ser bem arrogante.

Ela torceu um pouco o nariz, aparentemente Kyle não era o mais popular.

— Mesmo? — Butters virou escondendo um sorriso. — Ele veio até aqui para se desculpar com alguém.

— Aposto que sim. — A garota disse entediada. — Rebecca diz que ele se desculpa querendo parecer legal com todo mundo.

— É, ele parece ser assim mesmo. — Butters se sentia feliz, Kyle fora legal com ele sem motivo aparente.

Porém, em um instante o pensamento deixou-o aflito. A despedida na noite anterior fora repentina, e talvez nunca mais visse Kyle, uma vez que em algumas semanas ambos estariam em faculdades diferentes.

Mas, não devia existir muitos “Broflovski” em South Park, não é?

 

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

 

Kyle andava de um lado para o outro, seus braços moviam-se quando as mãos corriam para os cabelos.

— Cara, já disse, se você sabe onde ele mora, é mais fácil! — Seu melhor amigo falou, Kyle parou de andar antes que fizesse um buraco no tapete. — Você só precisa ir até lá...

— E dar uns pegas nele! — Seu outro amigo completou, sob o olhar intenso de Kyle, ele ergueu os ombros. — Pelo que você falou ele tá caído por você, cara!

Com adagas no olhar, Kyle os encarou.

Stan era seu melhor amigo desde que se entendia por gente, e Kenny era amigo há tanto tempo quanto o outro. Kyle tivera que contar a eles a experiência, para que ele mesmo acreditasse que aconteceu.

— Sério, caras... vocês pegaram a parte que ele disse que não queria um namorado, nem um caso?

— Mas ele não falou sobre sexo, falou?

Kyle precisou olhar bem, para ter certeza que a frase saíra de Stan, e não de Kenny.

— Cara!

Stan girou os olhos brincando com um figure action de um Quarterback dos Broncos enquanto Kenny concordava acenando com a cabeça silenciosamente.

— Kyle, senta aqui, presta atenção. — Stan disse e Kyle se aproximou contrariado. — Parece que esse cara... confiou em você, de alguma forma.

O ruivo aprofundou as sobrancelhas.

— Stan tem razão. — Kenny sentou do outro lado brincando com o dedo em um buraco na calça de abrigo gasta. — Esse cara talvez não quisesse nada disso, antes de conhecer você!

— Não... não tem nada a ver! — Kyle arguiu. — Ele só queria mostrar para alguém uma interpretação... e eu só... estava lá.

— Não é verdade. — Stan apontou. — Você estava lá, é crítico, e ofereceu um debate sobre a personalidade do personagem.

— Não foi nada!

— E você é lindo! — Kenny interrompeu arrastando o traseiro pelo tapete, indo de encontro aos amigos. — Olha para você! A boca, os olhos e esse cabelo?

— E o Kenny está evitando falar do corpo. — Stan concordou. — Mas essa galera do teatro leva muito em consideração o corpo. O quê? Eles são como atletas!

Kyle olhou desconfiado para eles, depois seus olhos escorregaram pela calça de flanela confortável que usou para dormir, uma camiseta regata mostrava seus ombros sardentos.

— Vocês não estão me ajudando.

Kenny e Stan trocaram um olhar.

— Minha ideia é você ligar para ele. — Kenny atirou-se para trás aproveitando o tapete felpudo de Kyle.

— Acho melhor ir até lá! — Stan parecia irredutível. — Meu carro está disponível. Levo, e já vejo se o cara é digno de transar com você!

— Stan... eu não posso!

Kyle queria arrancar os cabelos.

— Você tem algo a perder? — O moreno falou. — Sério, cara, estou cansado de dizer que está na hora de viver uma aventura, vamos lá! Você vai ter quatro anos com a cara enterrada em livros, deixa a vida acontecer naturalmente, só dessa vez!

Kenny deu um soquinho no braço de Stan que ria, mas ainda parecia muito certo de sua opinião, quando a mãe de Kyle bateu na porta, o ruivo correu e abriu, ela esticou o telefone residencial para ele, cobrindo-o, murmurou:

 

— Alguém chamado Butters está procurando você, Bubbeh.

Kyle acenou, e desconcertado fechou a porta quando sua mãe saiu, encarou os amigos sentados no tapete, ambos fitavam-no em expectativa, Stan fez sinal o encorajando.

 

— Oi... — Disse inseguro. — Kyle falando.

Hey, Kyle... é o Butters... — A voz macia e conhecida o cumprimentou. — Ocupado hoje?

— Hoje? — Kyle lançou um olhar incerto para os amigos. Stan acenava com a cabeça e Kenny erguia dois polegares no alto. — Ah... não... estou livre.

Oh! Isso é ótimo! Tem uma apresentação do meu Grupo de Teatro... gostaria de vir?

— Sim! — Kyle mordeu os lábios se sentindo inseguro. — Onde vai ser?

Anotou o endereço em um bloco sobre a escrivaninha enquanto Kenny e Stan brincavam fazendo as figures actions do Quarterback dos Broncos e do Thor beijarem-se cinematograficamente.

­— Talvez haja uma festa depois. — Foi a vez de Butters parecer um pouco inseguro. — Se você quiser...

— Claro. — Kyle lançou um olhar para os amigos. — Uma festa parece legal.

Então... nos veremos em breve... — Butters disse lentamente. — Obrigado por aceitar.

— Cara, não precisa agradecer. — Um frio se espalhou pelo estômago de Kyle. — Vai ser divertido.

Que bom! Tchau, Kyle...

E desligou, o ruivo ficou encarando o aparelho, distraído pensando na voz de Butters, ele soava muito menos ácido e impaciente do que na noite passada.

 

— Jesus Cristo, Kyle, você está corando!! — Stan tinha um olhar assombrado no rosto, Kyle escarneceu a reação.

Kenny esfregou as mãos, rindo.

—O que vai ser, então, seu arrebatador de corações filho da puta? — Kenny questionou.

— Seja o que for, Kyle, esse cara realmente gostou de você para chegar ao ponto de ligar para a sua casa. — Stan levantou-se caminhando até o guarda-roupa do melhor amigo. — Como suspeitei, ele confia em você o bastante para achar que vale a pena.

— E acha você gostoso pra caralho também! — Kenny olhou para Stan. — Cara, ele descobriu o número da sua casa!

— Kenny está certo. — O moreno apontou com o polegar. — Vamos pensar numa roupa legal.

Kyle bufou, por que os amigos dele estavam deixando-o ainda mais nervoso?

 

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

 

Butters abriu a cortina lateral de leve, a plateia estava parcialmente ocupada, não conseguia ver muita coisa, pois havia uma luz no palco, ofuscando o público.

— Não tem muita gente. — Um colega comentou, empurrando os óculos redondos, era ruivo com cabelos cacheados. — Você parece interessado na plateia hoje, Butters.

O loiro o fitou, não reparou Dougie ali até ouvir a voz do colega de grupo, o garoto era um ano mais jovem e não trazia consigo o olhar de desespero da formatura. Eles contracenariam nesta peça e, além disso, Dougie era um dos poucos amigos que Butters realmente tinha.

— Não é nada demais. — Stotch falou, mas Dougie continuou o observando atentamente. — Convidei um amigo...

Dougie ergueu a sobrancelha.

— Alguém que eu conheço? — Questionou atirando um olhar para a plateia.

— Creio que não, ele não é daqui...— Butters falou lentamente. — É de South Park.

— Oh, Thad conhece caras de South Park. — Dougie respondeu solícito.

— Thad Jarvis? — Butters franziu o cenho. — O garoto da guitarra?

— O cara que vai dar a festa hoje. — Dougie se dirigiu para o fundo da coxia. — Ele mesmo.

Butters diria mais alguma coisa quando a luz do palco desligou e as cortinas frontais começaram a descer. Um sinal sonoro foi escutado por todo o teatro da escola, fazendo a última chamada antes de estarem no palco.

Descobrir o número residencial da família de Kyle fora fácil, o difícil seria esperar pacientemente por ele.

 

 

 

Kyle já estava sentado no fundo do teatro quando viu as cortinas fecharem-se, ao lado Stan esticava um pacote de amendoim, e ainda que Kyle estivesse nervoso demais para comer, Kenny colocou o braço por cima dele apanhando um punhado.

O ruivo rodopiou os olhos quando o braço de Kenny cobriu a visão do primeiro ator no palco.

— Por que, exatamente, vocês vieram comigo? — Kyle sussurrou entredentes.

Stan riu levemente, Kenny atirou amendoins na boca, apontando o palco.

— Para ajudar você a falar com o cara, seu Casanova do caralho. — Kenny disse assim que conseguiu engolir.

Kyle bufou irritado.

— Posso fazer isso sozinho, obrigado. — Respondeu com desdém, seus olhos verdes focaram em Stan que observava um monólogo de um garoto ruivo. — Você podia esperar no carro, Stan.

— Eu dirigi! — O moreno disse inocentemente. — Precisava sair do carro um pouco, sabe? Respirar.

Kyle olhou atravessado, tivera que ouvir todo o tipo de conselho ridículo dos amigos durante a meia hora de viagem, pior do que isso, eles atiraram na cara de Kyle a cada frase que ele “precisava viver uma aventura” antes de ingressar na faculdade.

— Na volta eu dirijo pra ninguém reclamar. — Kyle cruzou os braços se jogando para trás, tentando duramente conter a exasperação.

— Você não vai voltar, cara. Olha, é aquele? — Stan falou desviando totalmente o ponto de ira que crescia dentro de Kyle. — Tem que ser!

 

Com o capuz caído, um jovem loiro andava pelo palco trocando de lugar com o ruivo, as palavras dele eram altas e latejaram nas paredes do teatro apertado, ele trazia uma gadanha que de longe parecia tão real quanto as palavras que ecoavam.

 

Por que estás tu ao pé do palácio? Por que andas aqui à volta, Febo? De novo cometes injustiça, usurpando e abolindo as honras dos deuses infernais? — Ele parou, parecia crescer em cena quando encarou o público erguendo a gadanha à frente, a ferramenta que lembrava uma foice apenas cravava a caracterização perfeita da Morte. — Não te bastou impedir a morte de Admeto, enganando, com uma ardilosa habilidade, as Parcas? E ainda agora, com a mão armada de arco, proteges esta mulher, que prometeu libertar o marido, morrendo por ele, a filha de Pélias!**

— Ele é bom. Vai se foder, Kyle. — Kenny cantarolou.

Butters caminhava pelo palco, brandindo a ferramenta, Kyle estava encantado demais ao longo dos minutos seguintes.

 

Tempo depois, a cortina subiu e os atores voltaram ao palco para receber os aplausos, Kyle estava totalmente arrebatado, tanto ou mais do que na noite anterior, mas agora tinha outros dois com ele, compartilhando a experiência.

— O seu cara foi o melhor, Kyle! — Stan falou por cima dos aplausos, o ombro dele chocou-se com o do melhor amigo. — O pouco que ele ficou no palco me deixou impressionado!

E era verdade, Butters atuara mais no início da peça com diálogos com o garoto ruivo, caracterizado como Apolo, em uma clássica peça de tragédia grega. O loiro, interpretando a Morte, se saíra tão bem quanto na apresentação privada que fizera a Kyle, interpretando um personagem totalmente diferente.

Os aplausos se extinguiram, a cortina caiu e a luz ofuscou os olhos dos garotos, o crepúsculo já se iniciara quando Kyle se viu no lado de fora esperando ansiosamente por Butters na saída do teatro.

Kenny conversava com um cara, e Stan fora chamado por um garoto de cabelos crespos, eles falavam animadamente. Kyle girou os olhos, porque era normal ser deixado quando seus amigos encontravam conhecidos.

Em outras situações teria ficado entediado, mas agora alívio era a única coisa que sentia.

— Hey, amiguinho, você veio! — A voz doce soou e Kyle se virou lentamente, encontrando o sorriso cândido.

— Oh, você... foi ótimo lá, parabéns... — Kyle começou, sem saber o que fazer com as lembranças do quase-beijo da noite anterior que caíram sobre ele como uma tempestade repentinamente.

— Claro, fico feliz que tenha gostado! — Butters sorriu e a covinha surgiu roubando a atenção de Kyle.

 Broflovski colocou as mãos no bolso da calça jeans larga e atirou um olhar para os amigos atrás dele, Butters emparelhou observando na mesma direção.

— Tommy encontrou o mesmo carinha. — Butters falou sorrindo.

O ruivo o observou, e Butters podia dizer que sob a luz do pôr do sol, os cabelos de Kyle eram mais brilhantes e alaranjados do que tinha notado, a nuca batida tinha muito mais sardas do que vira no Jardim Secreto.

— O Admeto? — Kyle falou se referindo ao personagem interpretado pelo rapaz loiro-morango.

— Sim, ele estava com aquele cara loiro na festa. — Butters apontou Kenny. — Na mesma festa que você estava falando sozinho.

— Ah. — Kyle não sabia o que seus amigos fizeram na festa porque ele mesmo se perdera do bando, seguindo Butters para casa. — Entendo.

Butters atirou um olhar para Kyle.

— Então, a festa vai ser na casa do Thad, é uma despedida, ele vai pra Inglaterra estudar em uma grande escola de música. — Butters pareceu melancólico. — Quisera eu poder fazer uma escola que usasse melhor meus dotes pro palco.

Kyle franziu o cenho.

— Você ainda tem tempo, quem sabe se algum professor entrará em contato? — O ruivo falou, Butters sorriu para ele.

— Não acho que vá acontecer. — O loiro deu um passo adiante. — Mas tudo bem, meu pai falou que, se sou realmente bom, alguém vai me encontrar.

Kyle franziu o cenho.

— Enfim, vamos indo? Talvez a gente consiga dançar! — Butters sorriu com todos os dentes e covinha aparente.

E lá estava aquele sorriso radiante fazendo um enxame de borboletas baterem asas no estômago do ruivo, ele observou Butters enquanto apertava as mãos em punhos dentro dos bolsos para evitar fazer algo que não devia com elas.

 

Como segurar as de Butters.

 

— Você é o novo amigo do Kyle? — Butters viu um moreno de olhos azuis se aproximar, colocando um braço sobre o ombro do ruivo, os dois eram da mesma altura e Stotch sentiu a garganta apertar quando uma mão estendeu-se para ele. — Sou o Super Melhor Amigo dele, Stan Marsh.

Os olhos de Butters escorregaram do cara notando Thad ao lado.

— Ah... sou Butters. — Disse aceitando um aperto de mãos. — Seu Super Melhor Amigo é um cara muito legal, ele teve muita paciência comigo, no apagão na festa de ontem...

O moreno lançou um olhar brincalhão para Kyle, e o ruivo tinha uma sobrancelha erguida e um olhar de aviso que era algo novo para Butters, no entanto esse olhar não desencorajou o “Super Melhor Amigo”.

Butters não sabia se estava com inveja ou impressionado, talvez as duas coisas quando o moreno apertou o ombro de Kyle.

— Esse é o nosso Kyle, surpreendentemente paciente. — Butters sentiu um toque de sarcasmo na voz do moreno, que parecia realmente divertido quando os olhos deslizaram para onde Tommy conversava com o cara loiro.

Kyle limpou a garganta.

— Stan me trouxe, porque meu carro está no conserto. — Kyle admitiu, o moreno deu tapinhas no ombro dele.

— Legal, é bom ter um amigo assim. — Butters confessou. — Você já conhece o Thad, acho.

Apontou o cara de cabelos castanhos cacheados, o rapaz girou a franja que cobria o olho, antes de falar.

— Conheci Stan no fundamental quando tocamos juntos para os empresários do Guitar Hero. — Imediatamente os olhos dele voaram para Kyle. — Mas ele não prestou para ser minha dupla, eu era bom demais.

— Aposto que era. — Kyle zombou, com olhos afiados.

Era desdenhoso e totalmente diferente do rapaz gentil que Butters conhecera, ele ergueu as sobrancelhas surpreso com esse lado do ruivo que não tivera acesso, mas o cara loiro de cabelos bagunçados que conversava com Tommy surgiu do outro lado de Kyle.

— Vamos numa festa ou não?! — Ele riu desleixadamente, então mirou Butters. — Você é o cara do Kyle!

— Kenny... — O ruivo disse entredentes, lançando a Butters um olhar apologético. — Esse é o Kenny, mas não liga... ele só fala besteira.

O loiro recém-chegado ria, Kyle lançava um olhar assassino na direção dele.

— Sou Butters — o garoto falou sentindo pela primeira vez vontade de estar a sós com Kyle. — Você também é um Super Melhor Amigo... coisa?

— Nah, só melhor amigo, não tem como bater esses dois, eles praticamente são melhores amigos desde que estavam no útero.

— Impossível, idiota, Stan nasceu muito antes de mim! — Kyle atirou com impaciência, mas os outros dois riram, e Butters estava encantado com esse novo temperamento que ele não vira antes.

— Cavalheiros, tenho uma festa para começar, se não se importam...

Thad disse, e assim, Butters de alguma forma acabou envolvido com os dois amigos de Kyle, enquanto o ruivo tentava evitar que fizessem perguntas idiotas.

Butters se acomodou no banco de trás do carro de Stan Marsh, as pontas de seus dedos a milímetros dos dedos de Kyle, que ao seu lado enviava olhares por baixo dos cílios acobreados. A festa era a uma quadra de distância, e tudo o que Butters queria era que pudessem conversar.

Mal conhecera Kyle, e já se sentia tão egoísta...

 

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

 

Quando estavam na festa, Kyle tentou manter-se afastado de Stan e Kenny para poder conversar com Butters, e foi divertido assistir Stan e Thad tocando solos de guitarra juntos, aparentemente Butters estava falando sério sobre a aceitação de Thad na escola Inglesa de música, porque o cara tocava muito bem.

— Seu Super Melhor Amigo também não é ruim. — Butters ofereceu enquanto ouviam um solo especialmente complicado de uma música do Gun’s. — Não que eu entenda algo.

Kyle sorriu segurando um copo de refrigerante light. Estava emocionado que Butters conseguira isso para ele, depois de dizer que preferia evitar bebidas com açúcar, por conta da diabetes.

— Ele é ótimo! — O ruivo falou. — Mas você também é inacreditável no palco, Butters, por que não insiste na carta de aceitação para a Faculdade que quer?

— Não adiantaria. — Butters sorriu docemente, mas seus olhos perderam o brilho mesmo com o globo de luzes girando pela sala. — Já recebi uma carta, e não era a que queria, mas a vida segue.

— Ouvi dizer que essa área tem bolsas sobrando porque ninguém liga para as artes cênicas. Se alguém recomendasse você...

Butters aprofundou as sobrancelhas.

— Nenhum avaliador vai ter tempo de vir me ver, Kyle... estamos no interior do Colorado... — Disse. — Vou para onde estou destinado, como meu pai falou, em algum ponto alguém vai me achar.

Kyle balançou a cabeça, não podia concordar com isso, sua vida intera fora focado em conseguir vaga em uma boa Faculdade, mas tudo o que fizera fora decorar livros e fórmulas, o que Butters fizera no tablado sob a parca luz noturna, ou no palco do teatro da escola... aquilo sim era algo.

— Tinha tantas coisas que eu queria fazer antes da Faculdade. — Butters continuou, ignorando a consternação não visível de Kyle, ele começou a caminhar em direção ao jardim e o ruivo o seguiu, quando já estavam no pátio, os olhos árticos fixaram em Kyle. — Você já fez tudo o que queria?

Butters apanhou o copo de Kyle e terminou o restinho de refrigerante que tinha ali, atirou o copo na lixeira enquanto o ruivo sorria de sua travessura, com as mãos livres para afundar nos bolsos das calças largas.

— Sim... eu... queria terminar o Ensino Médio com notas suficientes para ir a uma boa Faculdade.

— E isso era tudo? — Butters o observava daquele jeito parecendo um cachorrinho confuso.

Ele parou bem na frente de Kyle, e uma luminária de jardim lançava sombras por trás, iluminando a grama onde os pés de ambos repousavam, as mãos de Butters apanharam as de Kyle.

Outro solo de guitarra começara na sala, chegando nítido até eles, apesar de estarem um pouco distantes agora. O ar na rua era mais frio do que Kyle esperava e ele apertou os dedos de Butters, tentando ignorar a corrida de seu coração.

— Bem... o que mais poderia querer? Isso é o futuro.

Butters deu uma risadinha, se aproximando sutilmente, as mãos dele soltaram-se das de Kyle e rodaram pelos ombros do ruivo que suspirou com a proximidade.

— Há muita coisa ainda no seu presente. — Butters acariciou um cacho ruivo que pendia rente a orelha quente. — Isso, por exemplo...

 

Quando puxou Kyle para si, Butters não esperava que seu coração estivesse tão acelerado, era exatamente como a emoção de subir ao palco, e conforme os lábios dele se aproximaram dos de Kyle, essa emoção só aumentava.

Isso o instigava a querer descobrir mais sobre o ruivo, o impulsionava a querer mais...

Os dedos trêmulos do outro se apertaram no alto de suas costas, e o loiro sorria ao puxar o pescoço de Kyle, o coração de ambos batia descompassado.  Butters adorou quando os cílios acobreados desceram sobre o verde esmeralda como uma cortina, imaginando o que se passava por trás daquelas pálpebras, Butters colou suas bocas.

Rapidamente Kyle empurrou a língua entre os lábios do loiro que lhe apertou a nuca, abrindo-se para que o outro fosse capaz de descobrir seus segredos através desta conexão.

O som da guitarra foi substituído por uma música que Kyle não se importou, mas essa melodia fez Butters embalar-se rente a ele, colando ainda mais seus corpos, deixando o calor do beijo espalhar-se.

Os braços de Butters escorregaram do pescoço de Kyle, apanhando-o pela cintura, apertando-o rente a si, de repente queria fundir-se neste momento, de olhos fechados aproveitou que o coração entrou em um ritmo, e moveu-se, levando o ruivo consigo.

Um momento longo passou quando a boca de Butters abandonou-o, Kyle mordera um gemido contrariado na perda do contato.

— Vamos para minha casa...

Butters sussurrou, estava na ponta dos pés para colar o nariz no de Kyle. — Podemos continuar lá... tem outras coisas que quero experimentar.

— Não faça isso...

A voz grave de Kyle ao colar suas testas fez com que Butters o apertasse.

— Quero fazer muito... muito mais...

 

 

Quando Kyle deu por si, estava de pé no meio do cômodo da noite anterior, os pais de Butters dormiam em algum lugar do segundo andar. Dedos ágeis deslizaram em seus ombros descartando a jaqueta jeans no chão, o ruivo não se lembrava de ter feito nada tão inconsequente antes.

— Não precisamos ter pressa. — Kyle ouviu Butters dizer, mas ele mesmo estava perdido em uma névoa de calor adolescente inédita. — Mas, também não precisamos nos conter...

— Tudo bem...

Entorpecido demais para questionar, Kyle apenas se deixou levar pela ânsia faminta de Butters, ele mesmo sentiu-se livre e extremamente excitado, quando o loiro o puxou para um canto onde havia uma cama improvisada. A luz noturna revelava as sombras de seus corpos e Kyle gemeu quando os dentes de Butters rasparam em sua mandíbula.

— Quer fazer isso? — Butters murmurou rente ao pescoço de Kyle. — Tem certeza...?

— Claro que quero... — A resposta de Kyle foi imediata e fez crescer algo desesperado dentro de Butters, uma nova faceta que Kyle desconhecia.

O loiro empurrou-o de leve, e Kyle sentou-se na superfície amaciada por edredons e lençóis que tinham o cheiro doce e amadeirado de Butters.

Sozinhos nessa tenda que Butters criara no porão, Kyle mentiria se dissesse que não estava nervoso, não era apenas sua primeira vez, era a primeira vez com uma pessoa sincera e determinada que ele acabara de conhecer.

Butters se arrastara pela cama improvisada, ele balançou uma embalagem de preservativos, e Kyle sorriu, acostumado a ter o controle dos rumos de sua vida, o ruivo se viu tentando passar uma confiança que não tinha agora.

— Nervoso? — Butters perguntou com urgência, tinha a respiração acelerada quando descartou a camiseta, imediatamente Kyle queria provar-lhe a pele, mas o loiro pairou sobre ele. — Estou um pouco, sabe? Mas acho que vai ficar tudo bem, você já leu algo sobre sexo na internet, não? Fiz uma pesquisa quando estava esperando minha entrada no palco.

Enquanto Butters falava sem parar, Kyle desfez-se das calças e puxou a camiseta pela cabeça, mas Butters só notou que o ruivo estava nu quando foi puxado para um beijo desajeitado.

Seus corpos se alinharam, mas Butters ainda vestia uma boxer que Kyle não conseguia ver na luz noturna, o loiro se moveu rente a ele, como se ainda estivessem dançando no pátio da festa.

— Eu mesmo vou colocar isso, tudo bem? — Butters questionou sem ar.

Kyle o puxou para outro beijo, tentando buscar sua própria calma, não ajudava nada que Butters estivesse sobre ele, empurrando o joelho contra o lado interno de sua coxa, Kyle estremeceu quando algo queimou em contato com um ponto sensível dele, Butters sorriu animado.

Kyle não podia simplesmente pará-lo, não com aquele sorriso estampado bem na frente de seus olhos.

 

Totalmente envolto em sua própria determinação, Butters impulsionou-se afoito, Kyle mordeu os lábios quando os cotovelos do loiro apertaram-se rente às orelhas dele.

Com dedos pressionados nos ombros de Butters, Kyle apertou os olhos até uma explosão luminosa acontecer por trás das pálpebras dele devido a esta ação. Tentou respirar sistematicamente, mas quando deu por si, muito perto de conseguir finalmente relaxar, Butters havia simplesmente parado de se mover.

 

O loiro se afastou e Kyle não tinha certeza se deveria se sentir tão aliviado.

— Butters...

— Talvez você deva ir. — Butters falou sentando de costas, ele puxou a camiseta do ruivo do chão e entregou para Kyle. — Está ficando tarde.

— Tudo bem, chamo um Uber... — Kyle começou.

— Nos falamos outra hora. Preciso acordar cedo amanhã.

O ar do quarto ficou mais frio e foi uma mudança tão repentina que Kyle colocou a camiseta atordoado, ele desviou o olhar de Butters, sentindo-se envergonhado e culpado como nunca antes.

Depois de vestirem-se, cada um de um lado do cômodo, Butters acompanhou Kyle que saía pela porta da frente pela primeira vez, sem fazer ruído algum.

— Não tenho o seu número. — Kyle conseguiu falar, ainda sentia o constrangimento inundando-o.

— Tenho o seu, não se preocupe.

— Butters...

Kyle se aproximou, não sabia se Butters estenderia a mão ou ofereceria os lábios para um beijo, mas para firmar a sensação de ruína do ruivo, Butters simplesmente deu um passo para trás desviando o olhar.

 

Parecia aquelas cenas clichês de filmes de adolescentes desconfortáveis depois de uma primeira vez desastrosa.

 

— Está tudo bem. — O loiro falou passando a mão no rosto.

Kyle queria gemer, gritar de frustração, mas mordeu os lábios e encarou os tênis.

— Okay, tchau então...

Kyle falou baixinho, Butters acenou com um sorriso triste e fechou a porta deixando o ruivo de pé no jardim, que novamente testemunhava sua saída, porém dessa vez sem a glória da primeira.

Butters fechou a porta, a culpa o lavava e ele não sabia como lidar com isso, geralmente lamentava erros sem se apegar, não gostava de decepcionar as pessoas, mas aparentemente não era tão bom nisso como pensava...

Também não era bom em várias coisas, nem tudo é um palco...então não deveria se sentir tão mal.

A mão pousou no lado esquerdo do peito onde seu coração batia acelerado, provavelmente Kyle jamais falaria com ele, era bom que não dera o celular ao rapaz, isso forçaria o ruivo a seguir seus princípios sendo um cara legal, e procurando-o, talvez Kyle assumisse a culpa pelo desastre desse momento...

Covardemente Butters espiou pela janela, Kyle caminhava como um zumbi, passos incertos, rosto fechado, as mãos fundas nos bolsos.

O loiro apertou os olhos e voltou ao porão, desfez toda e qualquer cena que pudesse entregar o que aconteceu ali, e quando dobrou os edredons, achou o relógio de Kyle.

Uma recordação estranha de um momento como esse.

Butters apertou o acessório rente aos lábios e, se pudesse, teria feito um desejo, mas relógios não são lâmpadas mágicas.


Notas Finais


Oieee!!

**Trecho de “Alceste”, peça teatral escrita por Eurípides

Ohhh, esse capítulo me levou do céu ao inferno... eu adorei escrever os amigos de todo mundo e um pouco do Butters e do Kyle no local onde pertencem, foi divertido e dinâmico, mas o plot exigia um desfecho que congelou meu coração...

Easter Egg: Red e Rebecca namoram nesta fic por influência da minha fic "Anjas sabem mais que Espelhos"!!

Também, devo dizer:
o Kyle com os amigos: 🙄😒
o Kyle com o Butters: 😊😍

Essa é a parte mais DIVERTIDA pra mim adoro ver as mudanças e poder brincar com elas!! Eu meio que comecei a shippar Kytters porque o Kyle real oficial tem uma puta paciência com o Butters e sempre está defendendo ele (principalmente do Cartman), e adoro como o Butters NÃO DÁ UMA FODA pro Kyle, é muito engraçado... então eu comecei a pensar "Como o Kyle poderia chamar a atenção esse cara?" E aqui estamos, djflkjgdfd!!!

Se leram até aqui, deixem um comentário!!

MIl Bjs,
Vivi


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