História O Relâmpago que ilumina a Terra - Capítulo 3


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Categorias South Park
Personagens Butters Stotch, Kyle Broflovski
Tags Butters Horny Angel, Dah4, Kyle Racional Dork, Kytters, Primeira Vez, Shakespeare, Slow Burn
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Palavras 5.814
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieeee!!!

Eu sei que prometi entregar ontem, mas nesses Dahs eu sou beta, então levo minha responsabilidade às últimas circunstâncias pra ajudar minhas betandas (graças a deus elas têm paciência)!! 😝

Oh, estou super contentinha com um rolê que eu dei pra um personagem que ninguém deu bola desde sempre kkkkkk, mas, dar atenção àquele personagem, era incomum de mim, de qualquer forma!

E devo dizer, eu estou muito IN LOVE COM KYTTERS!!! 💙🧡

BOA LEITURA!!

Capítulo 3 - Pelos gatos havaianos


 

A luz penetrava pela janela iluminando as partículas de poeira que rodopiavam no ar, um par de tênis ainda sujos da terra dos gramados que ele andou estavam visíveis abaixo da cama, e dedos calejados brincavam com o cadarço.

— Cara, mas não pode ter sido tão ruim assim. — A voz de Kenny era baixa, Stan meneou a cabeça negativamente para calar o loiro que suspirou. — Sempre tem alguma porra que se pode salvar.

— Nem acho que “foi”... alguma coisa. — Kyle disse mortificado. — Sério, caras, não se preocupem comigo, vão viver o domingo de vocês.

O ruivo puxou o edredom cobrindo a cabeça.

— Olha, Kyle... — Stan ficara quieto até agora, apenas ouvindo o pouco que Kyle dissera, lançou um olhar suplicante para Kenny um momento antes de continuar. — Você sabe que é melhor quando você mesmo toma a frente nas coisas.

Kyle jogou um olhar enviesado por cima do ombro, não se dando ao trabalho de virar na cama, estava muito chateado para falar com os amigos agora, nem teria aberto a porta do quarto se sua mãe já não tivesse colocado Stan e Kenny dentro de casa.

— O que quer dizer?

— Você sabe, Kyle... — Stan falou devagar. — Pense em algo que pode resolver para deixar esse garoto mais confiante, entende? Pelo que você falou, ele está frustrado com algo, afobado...

Kyle aprofundou as sobrancelhas, levou dois minutos para atirar o edredom nas costas de Stan na pressa de sair da cama.

— Tem razão, se tirar uma preocupação dos ombros dele, as coisas podem funcionar... sim, preciso pegar isso em minhas mãos! — Kyle encarou Stan assombrado. — Por Abraão, como não pensei nisso?!

— Porque sua cabeça estava cheia de sexo, cara, compreensível. — Kenny falou profundamente sincero.

Kyle zombou apanhando uma muda de roupa e simplesmente saiu em direção ao banheiro, deixando os amigos trocando olhares perdidos. E quando o ruivo voltou, vestido para sair, caminhou até a escrivaninha e pegou o celular do carregador, os amigos ficaram um pouco surpresos que havia um sorriso nos lábios dele.

— Estão esperando o quê? — Falou. — Vamos à casa do Cartman.

 Stan seguiu Kyle sem um segundo pensamento, mas Kenny permaneceu dois segundos paralisado no lugar, processando a surpresa que era Kyle querendo ir de boa vontade na casa do “aminimigo” mais antigo.

 

 

Quando chegaram lá, Cartman os recebeu com expressão contrariada, o controle do videogame pendia na mão que apontava para Kyle.

— Seja o que for, não fui eu, seu judeu maldito, não sei como descobriu!

Kyle teria gargalhado maquiavelicamente por fazer Cartman confessar sabe-se lá o que, mas não tinha tempo para isso agora.

— Cartman, preciso que me diga quem é o responsável pelas bolsas artísticas. — Falou calmamente, estudando cada mudança no rosto do outro. — Sei que você sabe quem é.

— E como sabe? — Cartman cuspiu sentando na cama.

Kyle se acomodou na poltrona da escrivaninha, Kenny cavava alguma coisa sobre a mesinha de apoio, e comia sem verificar o estado.

— Você causou o blackout em North Park na outra noite, você foi convidado pra festa do pessoal do Teatro.

Cartman apertou os olhos porcinos, mirando Stan e Kenny no processo.

— É, cara. — Stan acenou, Kenny sorria com a boca cheia.

— Você... — Cartman empurrou um dedo que mais parecia uma salsicha na direção de Kyle e depois olhou para Stan também. — ...não tem como provar!

— Cartman, não quero provar nada, só preciso de um nome e sei que você conhece o pessoal do Clube de Teatro. — Kyle estava sendo sincero, mas os anos de intrigas e discórdias entre ele e Cartman não deixavam que um confiasse no outro tão facilmente. — Você estava na bendita festa deles!

Cartman sentou novamente, atirando o controle para o lado pensou em silêncio, até voltar a falar, com um sorriso assustador crescendo em seus lábios.

— Então, não veio me chantagear, Kahl... — Disse lentamente, e Kyle teria sentido um arrepio em outros tempos, mas agora apenas sustentou um olhar indiferente. — Veio pedir um favor.

— Um nome.

Cartman levantou da cama, com a adolescência e os Clubes Esportivos que favoreciam o porte físico dele, se tornara muito mais ágil, embora parecesse tão pesado quanto antes.

— Tenho meus motivos para ter participado dessa merda ano passado. — Falou encarando a janela. — Mas, o treinador do Time de Wrestling me queria de volta, mas sabe como é, luta livre não dá bolsa em boas faculdades, ainda assim precisei manter alguns contatos com os hipongas do teatro.

— Você não tentou a bolsa pelo Wrestling? — Kenny perguntou sacudindo o pacote de biscoitos.

— Você ta economizando audição também, ô pobre? — Cartman falou asperamente. — Eu queria ir para uma faculdade decente, sabe o que é isso? Nada contra a sua bolsa de cota social na faculdade comunitária.

Os olhos castanhos brilharam sarcásticos, mas Kenny ria abertamente. Cartman podia bancar o PC novato, mas ainda não podia aceitar que pobres tinham chance ao estudo de qualidade e gratuito.

— O nome, Cartman, estou sem tempo pra sua epifania. — Kyle disse friamente.

— Vai ser no meu tempo, Kahl. Foi você que me procurou. — Kyle ergueu as sobrancelhas e Stan puxou o celular do bolso e começou a jogar, Cartman parecia escolher o que falaria. — Eles me amaram, sabe como sou fantástico. Mas, não, minha bolsa foi por causa das minhas notas mesmo. Não sou tão estúpido, os clubes, conhecer as pessoas, é só parte do workshop, coisas para enfeitar o currículo.

— Workshop, certo. — Kyle concordou com os braços cruzados frente ao peito. — Foi assim que você descobriu o nome do responsável pelas bolsas artísticas.

Cartman voltou os olhos claros para ele.

— Afinal, por que se deu ao trabalho de vir até aqui me perguntar algo assim, quando você poderia estar rolando nos lençóis com seus amantes, o hippie e o pobre? — Cartman agora o observava com total atenção. — Ou poderia perguntar a qualquer outro na escola?

— Porque o Kyle é mais esperto que você pensa, bundão. — Stan mal ergueu os olhos da tela de celular. — Ele tinha convicção que você saberia isso mais do que qualquer um.

Com o peito sutilmente inflado pela massagem de ego que acabara de receber, Cartman pareceu mais solícito, e louco para mostrar o quão bem informado ele era.

— Logo, os hippies terão de me contar pra quem estamos fazendo um favor aqui, porque sei que os três já estão com suas cartas de aceitação. — Esticou um olhar para Kenny que cavara um pacote novo de Oreo embaixo do colchão e abria. — Até o pobre.

— Certo. — Kyle bufou, já esperava por isso. — Tem um cara que atua no Clube de Teatro da North Park High School, ele falou que não conseguiu uma bolsa.

Cartman colocou a mão no queixo duplo pensativo.

— Em North Park estavam sobrando bolsas, formandos do Clube de Teatro não solicitaram bolsas artísticas.

— Uma ova que não. — Kyle disse. — Isso está mal contado.

— O que quer dizer, Kahl? — Cartman aprofundou as sobrancelhas. — Algum tipo de corrupção envolvendo tráfico de bolsas artísticas? Não me surpreenderia

— Não...

— Por que se for algo assim, podemos estourar o problema e envergonhar o sistema.

— Não seja tolo, só preciso do nome para poder conversar.

— Okay. Mas, vai ser do meu jeito. — Cartman apontou o dedo gorducho com as sobrancelhas erguidas, lançou um olhar de lado para Kenny que comia o último Oreo do pacote e voltou-se para Stan e Kyle. — E me devem toda a comida que o Kenny comeu.

 

 

 

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Na segunda-feira pela manhã, Kyle, com Stan e Kenny, acompanharam Cartman até o Clube de Teatro da escola deles, onde Eric conversou amigavelmente com o orientador, saindo de lá com tapinhas nas costas e saudações.

Que Cartman tinha um enorme carisma apesar da real personalidade, estava além da compreensão dos amigos, mas era bom poder contar com isso de alguma forma, e portando o telefone que Eric recebera, Kyle fizera contato com alguém na escola de North Park.

Alguns minutos de conversa ao telefone e Kyle descobriu algumas coisas: Uma delas era que Cartman estava certo, nenhuma bolsa fora nem mesmo solicitada naquela escola; e a segunda era que um avaliador artístico trabalhava como professor na escola de North Park; e terceira, e mais importante: Um único aluno era elegível à bolsa artística, e os responsáveis por ele anunciaram sua desistência.

 

O aluno era Leopold Stotch.

 

— Ele jamais retiraria o pedido. — Kyle disse assombrado encarando Stan. — Ele é muito dedicado, eu vi isso!

— E como você tem tanta certeza que ele não desistiu, ô judeu. — Cartman falou sentado no capô do carro de Stan.

— Só sei, ta legal? — Kyle falou tentando esfriar o calor que subiu em suas orelhas.

— Nós vimos ele atuando. — Stan esclareceu.

— Tenho certeza que os pais dele são aqueles tipos que proíbem até a gata de comer. — Kenny olhou para Cartman sinistramente.

— Será? — Stan encarou Kyle enxotando Cartman de cima do capô.

— Cara, isso não se faz. — Cartman disse com voz sombria. — Mas, agora quero ver essa merda de perto.

— É, se for o caso... Tem um jeito de reverter isso. — Kyle seguiu Stan para o carro, sem se interessar pelo debate de Kenny e Cartman sobre maus tratos a felinos, sentou ao lado do motorista. — Vou até lá tentar que o avaliador assista à última peça e faça uma recomendação.

Kyle sabia que estava em uma corrida contra o tempo, a formatura seria em poucas semanas, avaliadores tinham um prazo para aprovarem bolsas, as inscrições e matrículas para faculdades estavam na reta final.

Quando o carro de Stan estacionou em frente à escola, Kyle saiu às presas ajeitando a jaqueta verde camuflada, Kenny e Cartman ficaram no carro e Stan correu atrás do melhor amigo.

Eles chegaram à Direção da escola, onde um secretário ergueu os a cabeça, pronto para atendê-los.

— Em que posso ajudá-los? Não são alunos daqui, presumo.

Kyle abriu a boca, mas seu amigo colocou o cotovelo sobre o balcão.

— Boa tarde... estamos à procura do responsável pelo Departamento de Artes Cênicas. — Stan sorriu brilhantemente. — Pode nos indicar o caminho, por favor?

Kyle se esforçou para não bufar, queria apenas cruzar os corredores e encontrar o caminho ele mesmo, mas com o charme e a gentileza de Stan, foi bem mais fácil: Saíram dali com a direção exata e em dois segundos, Kyle estava em frente a um homem de aparentemente 40 anos, olhos castanhos cansados que se escondiam por trás de uma armação pesada.

A explicação do ruivo foi calma e cordata e o professor abriu livros de anotações e arquivos em sua sala abarrotada de acessórios estranhos, como uma caveira que Stan fez questão de colocar os dedos através da boca e fingir que era uma língua.

— Nunca avaliei o aluno Stotch, pois os pais dele se mostraram felizes com a primeira carta que ele recebeu: Uma bolsa parcial para Denver. — O professor ergueu os olhos para Kyle. — O que achei um desperdício, pois ele teria uma bolsa integral até mesmo na melhor escola de Artes Cênicas, e eu estaria disposto a enviar um relatório...

— Ele não desistiu! — Kyle exasperou-se, o professor ajeitou os óculos e o encarou.

— Se fosse assim, por que ele não está aqui? — O homem olhou por cima do ombro de Kyle onde viu Stan em uma capa verde testando o peso de uma espada visivelmente feita de papel laminado.

— Eu... não sei. — Kyle aproveitou que o professor continuou fuçando no arquivo e fez sinal para Stan largar os adereços cenográficos. — Ele achou que não tinha sido aprovado

— Bem, garoto. — O professor falou apontando o dedo para algo escrito em um papel timbrado. — Preciso assistir a uma peça onde Stotch faça uma interpretação, e mandar esse relatório até sábado às 11h59min. Se não, ele fica sem a vaga, por mais que a queira, e eu também.

— Mas, se a qualidade dele já é reconhecida, precisa assistir a uma peça? —Kyle perguntou irritando-se com a falta de dinamismo no procedimento de seleção.

— Preciso da gravação, e um relatório detalhado sobre a atuação em questão, não posso fazer as coisas como quero, rapaz. — O homem moveu os dedos apontando os campos em branco do formulário. — Bolsas com isenção, são as mais concorridas.

— Tudo bem. — Kyle balançou a mão. — Vou descobrir quando é a apresentação do grupo dele.

— Não precisa. — O professor disse puxando um banner do fundo da papelada bagunçada em sua mesa. — Sábado à tarde. Com certeza eu poderia reunir o material e enviar para a Comissão de Bolsas da Califórnia.

— Califórnia? — Stan atirou uma cartola para trás. — Faculdade da Califórnia?

— Quantas Califórnias têm no país, meu bom rapaz? — O professor ergueu uma sobrancelha.

— Puta merda, Kyle! — Stan disse impressionado, Kyle tinha o rosto vermelho quando o moreno voltou para o professor. — Esteja nessa apresentação, professor! O cara do meu amigo estará também!

E assim Kyle se sentiu sendo arrastado pelos corredores, só conseguindo respirar quando sentou no banco do passageiro.

— Como foi lá, seus hippies? — Cartman questionou com um olho atento em Kyle, Kenny entrou no carro e se inclinou para frente colocando os dedos no banco de Stan.

— O cara do Kyle vai pra mesma faculdade que ele. — Stan ligou o carro rindo. — Se nós fizermos ele se apresentar. Onde é a casa dele?

— Stan, nós não vamos lá. — Kyle falou urgente. — Eu... eu não posso ir assim!

— Estamos indo. — O moreno sorriu.

Kyle passou a mão no rosto e começou a instruir, Jeová o abençoou com uma memória fotográfica e excelente senso de direção.

— Ninguém me falou que isso era sobre o Kahl tentando entrar nas cuecas de alguém, seus gays. — Cartman resmungou. — Tenho coisas mais importantes para resolver!

Eles chegaram à rua arborizada, e Kyle deixou os amigos no carro um pouco distante da casa, ele foi até lá e quando apertou a campainha, viu apenas olhos árticos e uma cabeleira loira o espiando por um vão da porta.

Porém, era um rosto desconfiado, totalmente desconhecido que o encarava de volta.

— Boa tarde! — Tentou imitar o sorriso e o charme de Stan. — Butters está?

— Sim. — A mulher franziu o cenho, os traços dela eram bonitos, mas pareciam endurecidos. — De castigo.

— Oh. — Kyle surpreendeu-se, tentou desfazer a expressão de desgosto. — Posso deixar um recado?

— Não. — Ela falou direta, já fechando a porta, Kyle colocou o pé embaixo para manter o vão.

— Quando posso falar com ele?

— No domingo. — Ela falou, e aproveitando do momento de distração de Kyle, fechou a porta.

Desolado, o ruivo se afastou a passos lentos, ele lançou um olhar para a janela rente ao gramado que dava para o porão, e pensou ter visto um par de olhos claros.

A volta para South Park fora silenciosa, nem mesmo Cartman estava animado para zombar de Kyle.

 

 

 

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Durante toda a semana Kyle esperou que Butters ligasse, como fizera na primeira vez, mas nada aconteceu, e na sexta à tarde quando o telefone tocou, ele quase arrancou o braço de Ike para chegar ao aparelho.

— Alô? Aqui é o Kyle! — Ele se atropelou.

Alô, Kyle, sou Dougie, amigo do Butters. — O coração de Kyle congelou no peito, ele respirava enquanto do outro lado da linha Dougie continuou. — Butters falou que você esteve na casa dele...

— Sim, exatamente. — Kyle arrastava as mãos pelos cabelos, começando a andar em círculos na sala. — Escuta, Dougie, o Butters tem chance de ganhar a bolsa para a faculdade que ele quer, o professor responsável me falou.

Como...?

— Longa história. — Kyle sacudiu a mão. — Só, precisamos que o Butters esteja na apresentação de sábado!

Um silêncio do outro lado da linha se estendeu.

— Isso é ruim, porque o Butters está de castigo, ele conseguiu me mandar uma mensagem só hoje com o seu número, aparentemente ele usou o computador da mãe dele enquanto ela estava no banho.

— Ele tem 18 anos!!! Como está sem poder usar computador?

Os pais dele não seguem essa lógica...

— Cara, nós precisamos fazer alguma coisa! — Kyle disse e Ike erguia a sobrancelha vendo seu irmão tão exasperado no centro da sala. — Me dá seu celular, vou pensar em algo.

 

 

Durante a semana Kyle se concentrou numa forma de tirar Butters de casa no dia da apresentação, convocara os amigos novamente, e de alguma forma, mesmo Cartman não se negou.

Kenny lhe dissera que provavelmente os pais de Butters já deveriam ter matado o menino e a gatinha de fome, e por que Kenny e Cartman continuavam a falar sobre maus tratos a felinos estava longe da compreensão de Kyle, mas contando que isso fez os dois estarem envolvidos em sua missão, o ruivo não reclamou.

 

No sábado, Kyle dirigia o próprio carro, logo atrás de Stan que liderava até o endereço de Butters, faltavam exatamente duas horas para o início da apresentação.

Quando chegaram à rua de Butters, Kyle estacionou na lateral da casa, onde o carro ficaria camuflado pelas árvores, o híbrido de Stan parou bem em frente à casa, e Cartman saiu do carro ajustando um terno que o fazia parecer um inspetor de saúde pública.

Kyle foi até a janela do porão, empurrou-a enquanto Kenny vigiava a rua, Cartman e Stan apertavam o botão da campainha, e o sinal ecoou dentro da casa assim que Kyle conseguiu resvalar para dentro pela abertura que uma vez já usara para fugir.

 

— Kyle?! O que faz aqui?

 

Butters estava sentado com as pernas cruzadas em formato de borboleta, tinha uma maquiagem roxa sobre as pálpebras, se espalhando do centro dos olhos através da têmpora, a ausência de uma camisa fez a garganta de Kyle apertar.

— Vim buscar você, Butters... — Kyle falou batendo a grama que se grudara na roupa dele. — Você vai naquela apresentação.

Os olhos claros de Butters pareciam chocados, mas ele desviou o olhar.

— Estou de castigo. — Falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Não posso sair, mas papai permitiu que eu ensaiasse com música e tudo...

Kyle apertou as mãos em punhos.

— Cara! Isso não é suficiente! — Falou com a voz contida, a ira que vinha dele atingiu Butters que se encolheu. — Você quer ir pra uma maldita faculdade que vai valorizar seu árduo trabalho, não quer?

— Não basta querer, Kyle...

O ruivo caminhou até ele, decidido apanhou as mãos de Butters nas suas, acariciando os calos que nasceram ali, provavelmente de tantas vezes que Butters deve ter se pendurado ou feito outros movimentos arrojados em um palco, incorporando algum personagem.

— Olha aqui, não vou ficar parado vendo esse trabalho todo sendo desperdiçado porque seus pais estão sendo babacas! — Os olhos verdes brilharam. — Vivi a minha vida toda preocupado em dar o melhor de mim, mas eram apenas livros, fórmulas, fatos, detalhes que armazenei. Isso que você faz... Isso é outra coisa, Butters...

Kyle fez um gesto abarcando o porão, todos os adereços de palco, e o próprio tablado no canto. Olhos árticos o encaravam e a expressão de Butters era de espanto quando sentiu seu rosto arder.

— Ninguém nunca teria feito algo assim por mim. — Ele falou sincero dando um passo à frente e encurtando a distância entre eles, mas seus olhos baixaram e ele não encarava Kyle ao continuar. — Especialmente não depois daquele fracasso da outra noite... fui um fiasco total... não faço nada direito...

Ambos coraram e Kyle mordeu os lábios, a ira anterior arrefecendo.

— Foi só... a primeira vez... acho que é normal, estávamos muito apressados... nem tive a oportunidade de ver você direito... — Kyle confessou parando os olhos nos mamilos rosados e espetados de Butters. — Depois que resolvermos outras coisas, poderíamos tentar de novo... se você quiser!

O ruivo se apressou em acrescentar desviando o olhar, Butters começou a sorrir.

— Eu gostaria disso...

O loiro inclinou o rosto em direção a Kyle, esticando o pescoço e formando um biquinho adorável, o ruivo sorriu e abaixou o rosto.

 

— Kyle, nós temos que ir, Stan mandou mensagem! 

 

A cabeça de Kenny estava ridiculamente enfiada pela abertura da janela, e Butters levou a mão ao peito cobrindo-se quando percebeu que havia alguém ali.

— Butters, pegue suas coisas, nós vamos te levar para o Teatro, um professor vai fazer uma avaliação, tenho tudo organizado...

Um pouco atordoado, Butters puxou a blusa de franjas que à luz do dia Kyle notara ser lilás, a gola alta cobria o pescoço dando um ar ainda mais etéreo a Butters.

— E os meus pais? — Stotch falou atirando uma jaqueta jeans sobre a roupa e apanhando sapatilhas.

—Cartman e Stan estão cuidando deles. — Kyle parou. — Aliás, Butters, você tem uma gata?

 

 

 

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Na sala dos Stotch, Stephen encarava os homens a sua frente com olhos culpados.

— Eu... nunca pensei que isso poderia acontecer... Sr. Cartmanez, sinto muito...

Cartman, apresentado como “Sr. Cartmanez” acertou os óculos no nariz e jogou um olhar frio para o homem.

— Sr. Stotch, não acho que seja o caso de se desculpar. — Ele olhou de lado para Stan que anotava algo freneticamente em uma planilha. — Você terá de se apresentar com sua esposa neste endereço para prestar explicações para com a Secretaria de Imigrantes do Hawaii, também para esclarecer como essa gatinha faleceu, ela era uma espécie local em extinção. O Hawaii quer comer o cu do governo americano com esse fato. Desculpe o palavreado.

Ele acrescentou com voz gélida.

— Mas, isso foi há semanas!— Linda Stotch disse, e Cartman a observou impassível. — Sr. Cartmanez.

Ela completou e Stan encarou-a e voltou os olhos azuis para a planilha, escrevendo ainda mais.

— Eu também poderia levá-los presos agora mesmo, como esse mandato exige. — Cartman disse sacudindo um papel timbrado nas mãos. — Mas, estou me apiedando de vocês. Sou muito generoso, mas não quebrem as minhas pernas.

— Precisamos avisar meu filho. — Stotch disse se levantando.

— Não precisam, porque caso vocês venham comigo agora, vamos nos assegurar que a criança não saberá de nada. — Os olhos castanhos claros brilharam em escárnio. — Ou vocês podem ir presos sem direito a defesa, afinal... um crime contra uma raça felina em extinção...

 

 

Quando chegou ao teatro, Butters correu para a coxia, e Kyle, seguido por Kenny foram recebidos por Dougie, que estava com outro rapaz que Kyle demorou a reconhecer como Kirp Drordy, um garoto que o ruivo tivera uma rápida amizade no fundamental.

— Oi, sou Dougie. — O menino de óculos mais baixo que Kyle se aproximou. — Esse é Kirp do Clube de Audiovisual, ele vai gravar.

— Oh, sim, obrigado. — Kyle se apressou em olhar através da plateia. — Precisamos ver se o responsável pelas bolsas está aqui.

— Já está, falamos com ele há pouco tempo. — Dougie completou. — Como conseguiu que os pais de Butters o deixassem vir?

— Não consegui, cara.

Dougie perguntaria mais alguma coisa, mas Kyle se afastou com Kenny no encalço e encontrou o avaliador, sentado bem na frente, ambos sentaram-se perto dele e Dougie e Kirp se organizaram na lateral do Teatro, de onde poderiam fazer uma boa filmagem, com cenas de outro ângulo diferente do avaliador.

Não demorou a cortina descer e o teatro cair na penumbra, o coração de Kyle aqueceu quando reconheceu a música que Butters pedira para ele colocar na vitrola.

Os efeitos sonoros não eram como daquela vez no porão, e o peito de Kyle encheu-se de algo inexplicável quando a figura de Butters surgiu. Iluminado pelo brilho de um relâmpago ele fazia movimentos com as mãos como se fosse um tipo de divindade manipulando algo pequeno na Terra.

Kyle sentia que era seu próprio coração que o relâmpago iluminara, sentia que ele era o único sendo atingido pelos raios que Butters forjava.

A música ficou mais baixa, outro ator veio à cena, Kyle não reparou nele, porque seus olhos voltaram-se para Butters, que após uma frase, caminhou bem à frente do palco.

 

“No mastaréu, mas vergas, no gurupés, lá estava eu, centelhas distintas, depois reencontradas, unidas numa só. Os relâmpagos de Júpiter, precursores de terríveis trovões, não teriam sido mais momentâneos; fui mais rápido que a visão”.*

A música aumentou e o professor ao lado de Kyle sorriu fazendo anotações na planilha, a plateia parecia presa às palavras de Butters, assim como a cada movimento dele.

O loiro correu no palco, abrindo os braços seu figurino refletia a luz dos holofotes em milhares de pequenos pontos de luz, era como um anjo. Aventureiro, altivo, poderoso... como um fenômeno natural.

O total oposto de Kyle, sempre preso ao chão, sempre seguindo um único caminho... o ruivo levou o nó do dedo indicador aos lábios e mordeu, porque agora sabia...

 

Que estava apaixonado.

 

A voz doce ecoou majestosa, fazendo o coração de Kyle atirar-se em uma corrida.

“O fogo e os estrondos crepitantes e sulforosos pareciam sitiar até mesmo o poderosíssimo Netuno, e faziam estremecer suas corajosas ondas.” — Butters subiu escadas e desceu por um mastro, rodopiando a barra da roupa brilhosa, apontando para o público, os olhos árticos brilharam acompanhados de um sorriso lascivo. — “Sim, faziam seu medonho tridente tremer.”*

Se ele tivesse dito a maior das obcenidades Kyle não teria sentido tanto calor quanto naquele momento. Ao seu lado Kirp filmava, parecendo impressionado demais para qualquer reação além de chiar entredentes.

O restante da apresentação foi recheado de momentos onde Butters roubava a cena. O professor ao lado de Kyle por vezes fechava os olhos e se deixava levar apenas pela entonação de voz de Butters, que como Ariel, vezes era doce e outras manipulador; oras amável, e outras perverso, e ainda, carente, em busca de aprovação**.

No fim, Kyle estava tão em êxtase que esquecera que era apenas uma peça final de uma escola de Ensino Médio tamanha era a qualidade.

 

Quando o ruivo estava do lado de fora do teatro da escola, viu uma cabeleira vermelha e automaticamente suas sobrancelhas ergueram-se.

— Sally!! — Ele gritou, Butters surgiu logo atrás, observando Kyle correr ao encontro de uma ruiva que acompanhava duas garotas de mãos dadas. — Eu... queria mesmo falar com você.

A menina franziu o cenho, um vento balançou os cabelos dela, parecia que uma tempestade de verão estava dando as caras, e Butters acomodou sua bolsa com o figurino de Ariel no ombro.

— O que você quer, Kyle? — Ela disse impaciente. — Red vai me dar uma carona, então seja rápido.

O ruivo não havia pensando em nada, e na verdade, até ali se esquecera totalmente sobre o pedido de desculpas que não conseguira produzir.

— Bem... queria me desculpar sobre... sobre aquela vez. — Alguém chegou ao lado dele colocando a mão em seu ombro e Kyle notou Butters sorrindo. — Fui arrogante naquele debate, entendi o meu erro.

Sally Turner suspirou.

— Kyle, não combine arrogância com empatia, não queira nos ensinar sobre feminismo. — Sally apontou. — Mas, você está em formação, Kyle, logo, aprenda: Não espere se posicionar pró-feminismo e ganhar biscoitos. Indigne-se com as atrocidades praticadas contra mulheres, e pode deixar, pois existem várias de nós fazendo discursos e promovendo debates a respeito, não precisamos de homens no palco.

Kyle acenou a cabeça humildemente, Sally pareceu satisfeita, pois ver o feroz Broflovski aceitando que errara e se desculpando, era algo que ela jamais esperava.

— Vamos nos encontrar novamente, ainda vou te trucidar nos debates sociais! — Ela ergueu a mão apertando a dele exatamente como era feito ao final dos eventos, embora jamais tenha visto aquela expressão no rosto do ruivo, ao lado dele um par de olhos claros brilhavam para ela.

— Não conte com isso, Turner.

O olhar arrogante estava lá de novo e mais tarde Sally perguntou a Red e sua namorada Rebecca se fora uma ilusão coletiva o fato de que Kyle Broflovski, o “Sr. Sabe-Tudo-Estou-Certo-de-Tudo”, ter vindo até ela se desculpar com todas as letras e humildade.

Arrumando a alça da jardineira de sua namorada Rebecca, Red disse que deveria ter tirado uma foto do momento épico.

                        

 

Kyle assistiu as garotas se afastando, experimentando uma estranha sensação de alívio apesar das nuvens que se formavam no céu, Butters ao seu lado apanhou o pulso dele e colocou algo frio rente a pele sensível do ruivo.

— Você esqueceu isso... daquela vez. — Ele disse baixinho. — Olhei para ele a semana inteira pensando em um jeito de falar com você.

Kyle assistiu Butters fechar a pulseira do relógio em seu pulso, os olhos deles estavam nivelados, Kyle observou a cicatriz fraquinha que atravessava a pálpebra esquerda de Butters, estavam tão próximos que ele quase podia sentir o gosto da boca do loiro.

— Sua calça está vibrando... — Butters sussurrou, Kyle se afastou em um pulo.

— Oh, é o Stan! — Kyle franziu o cenho, lendo a tela. — Ele disse que seus pais vão voltar para casa só amanhã à tarde, aparentemente eles estão conversando com pessoas na Secretaria de Imigrantes do Hawaii.

— Oh, hambúrgueres... — Butters brincou com os dedos nervosamente, um traço que Kyle nunca vira antes. — Eles estão bem?

— Sim, Stan falou que estão perfeitos. — Kyle completou embolsando o celular. — Vou ligar para ele...

Mas, antes de qualquer coisa, Kenny apareceu trazendo Dougie.

— Cartman mandou mensagem. — Kenny falou erguendo o celular na frente do rosto de Kyle. — Aparentemente aquela conversa sobre ele ser um membro da equipe de controle de maus tratos de gatos havaianos não era mentira.

— Quê? — Kyle não poderia estar mais confuso. — De onde saiu essa merda, Kenny?

— Eu falei! O Cartman estava investigando sobre uma quadrilha de malfeitores que exploravam a reprodução e causavam morte de gatos havaianos, ele até entrou para uma comissão.

— Meu deus, a Kitty! — Butters levou as mãos aos lábios. — Achei que ela tinha morrido misteriosamente.

— Não, você não me falou merda nenhuma, cara! — Kyle desviou o olhar de Butters.

— Falei sim, você que não prestou atenção, estava preocupado demais com... — Os olhos cerúleos dele focaram em Butters. — Sua vida.

— Então fala! — Kyle exigiu impaciente.

— Cartman se infiltrou no grupo de Teatro, veio naquela festa semana passada e gerou o blackout justamente por causa de provas que ele estava coletando. — Kenny disse devagar para espanto de todos especialmente de Kyle. — A gatinha havaiana teve uma morte cercada de mistério mesmo.

— Ela morreu engasgada com uma espinha de peixe... — Butters lamentou, a morte de Kitty ainda doía demais.

— É aí que entra a investigação do Cartman. — Kenny explicou e voltou-se para Butters. — Mas seus pais podem ajudar a desvendar o mistério, não são culpados! Então, pode sei lá, relaxar e aproveitar com o boy!

Kenny piscou se afastando já encontrando Tommy, o mesmo loiro que já conversara outras vezes, Kyle se viu sozinho com Butters, o vento aumentava e em breve começaria a chover, os olhos árticos voltaram-se a ele.

— Isso foi um desenvolvimento louco. — Butters falou.

— Somos crianças de South Park. — Kyle encolheu os ombros. — Coisas absurdas acontecem conosco.

Eles ficaram parados ali, se encarando, Kyle desviou o olhar para o carro.

— Você quer que eu o leve em casa...? Parece que uma tempestade está se formando.

— Isso seria um desenvolvimento melhor... — Butters sorriu.

 

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

 

Ao chegar a casa com Kyle pela mão, pela primeira vez na vida Butters sentira-se recompensado, feliz com sua apresentação, o coração repleto desse garoto ruivo que aos poucos o encantara.

A semana afastado fez com que Butters revisitasse em sua mente todos os momentos e situações que vivera, e ao mesmo tempo em que se arrependera pela afobação, estava desesperado para ter uma nova oportunidade.

Mas, agora, não se tratava apenas de sexo, e ele sabia disso quando os olhos verdes de Kyle pousaram nele assim que chegaram ao pé da escada.

— Esse não é o caminho do porão... — Kyle sussurrou e a voz dele fez algo aquecer no peito de Butters.

— Não, é o caminho do meu quarto... porque hoje, você não vai ter uma performance, Kyle... hoje... vai ser uma entrega...

— Butters... — A voz de Kyle era grave e quebrada quando Butters o puxou pela escada acima.

Os lábios se moldaram tão rapidamente quando eles atravessaram a porta que Butters mal teve tempo de se desfazer da bolsa com seu figurino, Kyle estava tomado pelo cheiro amadeirado e doce que era mais intenso ali do que ele jamais imaginou que era possível.

O loiro o puxou para sua cama, delicadamente tocou cada músculo sutil que o ruivo possuía, as sardas eram como estrelas no céu e Butters se xingou mentalmente por não ter aproveitado isso da outra vez.

Kyle fechou os olhos e aproveitou cada toque, desesperado por mais, Butters puxou a camiseta dele e o ruivo chiou quando a boca cálida tocou sua pele sensível, os beijos e toques cresceram tanto quanto o vento que açoitava a janela quando a chuva começou timidamente lá fora.

O calor entre eles aumentou e Butters empurrou Kyle na cama, eliminando as peças de roupa, provando com seus dedos e lábios toda e qualquer superfície de pele. Kyle acariciava o rosto, delicado, reverente, mas quando Butters se mostrava mais faminto o ruivo puxava-lhe os cabelos, tomava a boca rosada, bebia dos lábios de Butters ferozmente.

Mesmo sorrindo, Butters aproveitava, era um lado de Kyle que ele decididamente queria ver mais, então ele deitou o ruivo totalmente, esticando o braço para apanhar lubrificante e preservativos, escondidos em uma caixa de adereços de palco embaixo da cama.

Os relâmpagos fizeram os olhos azuis de Butters brilhar quando ele se inclinou na direção de Kyle, que permanecia sorrindo no momento que os lábios do loiro apertaram-se contra os dele.

— Não precisamos ter pressa. — Butters sussurrou, a língua ainda lambia a boca vermelha de Kyle. — Acho que da última vez fui precipitado demais.

— Definitivamente. — Kyle murmurou sentindo seu corpo estremecer e sabia que nada tinha a ver com o trovão que trepidou o vidro da janela. — Podemos, talvez... nos conhecer melhor... falar do que gostamos... sobre... Hmmff...

Butters grudou sua boca na de Kyle, em seguida virou-se trocando a posição, agilmente ele acomodou o ruivo entre suas coxas.

— Gostei disso. — O loiro entrelaçou as pernas nas costas de Kyle, empurrando a ereção do ruivo contra as pernas dele. — Gostei quando você deixou transparecer sua impaciência.

— Não sou impaciente... — Kyle resmungou, e impossível de controlar ele desceu o rosto em direção ao pescoço de Butters. — Só... porra...

Butters enredou os dedos por trás dos cabelos cacheados, e puxou o ruivo para olhar diretamente no rosto corado.

— Gosto fazer tudo acontecer. — Kyle o encarou abertamente.

— Vivi esperando que algo me acontecesse. — Butters sussurrou. — Talvez “algo” fosse você.

— Impossível, cara... nem mesmo um objetivo eu tinha...

— Seu objetivo, foi acontecer na minha vida, Kyle...

Os olhos verdes de Kyle arregalaram-se, ele sentiu a respiração pesada e o riso de Butters reverberou rente aos lábios dele quando o loiro o puxou.

— Mas, não fique se achando... — Butters se afastou, o olhar era doce. — Tem outra coisa que você precisa achar.

Ele puxou o lubrificante que descansava ao lado e espalhou as pernas com a expressão mais meiga que Kyle já vira, o ruivo mordeu os lábios quando os dedos de Butters se fecharam ao redor dele, conduzindo-o exatamente como queria.

Do lado de fora a chuva lavava as calçadas e um relâmpago iluminou a terra, a tempestade começara, e mesmo avassaladora, eles sabiam que o sol brilharia depois.

 

 

“Cada um, mesmo que o pé entorte,

Estará aqui, e outra vez ator.

Agora, o senhor me tem amor?"**

 

 


Notas Finais


Oieeee!!

*Trecho de “A Tempestade”, de William Shakespeare
** Relacionado a fala de Ariel, Ato IV, Cena I

Quatro Dahs, quatro vezes eu peguei o Kyle!!!!! 🧡😍

Mas, foi muito divertido escrever Kytters, o rolê todo me deu muito trabalho de pesquisa que eu amo, reassisti vários episódios e li algumas peças de teatro nesse meio tempo para escolher quais o Butters faria, mesmo que rapidamente...
Se minha escolha para "Ariel" tiver algo a ver com o Colin Morgan, não posso fazer nada... hehehe...

Cartman e o rolê dos gatos havaianos foi algo que eu pensei em espelhar mais através do texto, mas no fim ficou apenas algumas dicas explícitas nos diálogos dele, desculpem... mostrei apenas o que achei necessário que vocês vissem, e ainda assim adorei "meu" Cartman!!

Também adoro o headcanon da @Twecker que o "Kyle é tão pró-mulheres que chega a ser quase um esquerdomacho" kkkk USEI, VIU BI!!

É isso, espero que tenham se divertido e se leram, deixem um comentário, shipp flopado merece atenção!

Mil Bjs e até o próximo Dah!!
Vivi


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