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História O Renascer Da Cerejeira - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 3 - Amor verdadeiro


Chovia la fora, dava de ouvir o barulho das gotas se chocando no pequeno teto e dentro fazia frio, eu não queria abrir os olhos, ainda não. Só mais uns minutos de paz seria tão bom.. na verdade eu não queria acordar nunca mais e eu ia aproveitar aquela manhã de sábado pra ficar o mais inerte possível no meu sono. Abrir os olhos o suficiente para vê o borrão de Naruto ao meu lado ainda dormindo, vendo_o tão calmo nem parecia aquele garoto que só fala gritando e desconhece a palavra silêncio. Na verdade ele conhece e nos momentos certos ele faz uso disso como fez na noite passada.

Ah a droga da noite passada, eu não quero nem lembrar dela mas é impossível e isso vai me fazendo reviver as mesmas emoções e eu não quero, por favor não quero. Passei as mãos no rosto me virando para o lado oposto de Naruto e sem querer já chorava de novo, eu já estava desenvolvendo raiva por esse hábito, por qualquer coisa já tá chorando e isso dava a entender que qualquer coisa podia me atingir e podia mesmo mas eu não queria que todos soubessem disso. Eu ia mudar, eu tinha que mudar. Mas no momento eu ia chorar tudo como se tivesse vomitando tudo de ruim que eu engoli no decorrer dos anos passados. Tudo ia sair e no espaço vazio que sobrasse eu preencheria com coisas que realmente valeria a pena.. Quem sabe outras pessoas né. Quem sabe....

- Sakura ? - Tem alguma coisa pegando no meu pé, mas o que ?! Será que eu acordo pra vê? Não. Não quero.

- Sakura levante - Levantar ? Nem morta. Meus olhos não vão abrir, não vão, não va .....

- SAKURAAAAAA !!! - Dei um pulo no colchão já com os olhos arregalados e tentando controlar meus batimentos cardíacos.. passei uma das mãos no rosto e notei meus olhos ainda doloridos.

- Mãe, porque você está gritando ? - ela me olhou um tanto curiosa - Onde está o Naruto? - me deitei novamente com ela já entrando engatinhando pelo pequeno quadrado e sentando ao meu lado.

- querida o Naruto já foi, ele almoçou comigo e seu pai e depois disse que tinha que ir - Tirei a mão do rosto olhando_a de canto de olho, eu sabia que ela ia perguntar alguma coisa.

- Sakura o que houve ? Você andou chorando ? Seus olhos estão inchados querida..-

Ah mamãe... Como eu queria deitar no colo dela e contar tudo e depois chorar de novo. Mas chorar já não estava nos planos.

- Mãe, eu só tive uma noite ruim não se preocupe que eu vou ficar bem - sorri para parecer convincente.

- Tem certeza que não aconteceu nada ? - Ela é muito insistente quando quer.

- Tenho mãe - Me sentei de frente pra ela e senti seus olhos curiosos mas quase conformados com a minha resposta.

-Ta certo menina, deve ter sido uma noite horrível mesmo pra você dormir o dia inteiro - ela verificou seu relógio de pulso. Eu realmente nem notei o tempo passar - São que horas mãe? - Já são quase 18h - abri um pouco mais os olhos e olhei para a porta analisando o tempo lá fora, o chão ainda estava meio molhado e notei que ainda era frio, muito frio. Abracei meus joelhos e fechei os olhos só mais uma vez respirando fundo. Estava escurendo novamente

- Mãe eu tô com fome ! - Ela sorriu pra mim - Vem, eu fiz algo pra você meu neném- Ela falava imitando uma voz infantil e fazendo bico já engatinhando novamente para sair da pequena casa, arrumei os lençóis ali e fui logo atrás fechando a porta. Eu ainda estava com o vestido vermelho da noite anterior e mesmo com o frio eu queria e precisava tomar um banho. Fomos andando pelo gramado e pude notar o quanto nosso quintal era grande e bonito, mamãe cuidava muito bem de suas plantas embora tivesse um jardineiro pra fazer isso para ela. Eu ia poucas vezes para o fundo do quintal e quando ia era direto para a casa de boneca, sem olhar pro lado nem nada. Era sempre um caminho reto.

Passamos pela porta de madeira muito grande por sinal é seguimos para a sala de jantar e de repente eu me peguei analisando minha casa como se fosse a primeira vez que entrava ali, era tão bonita, tão branca e tão perfeitamente limpa que dava medo de tocar em alguma coisa. Muitas vezes não somos gratos pelo que temos e eu não seria mais assim.

- Mamãe, eu vou tomar banho primeiro tá bom ?! -

- Tá bom querida, vou esperar você aqui embaixo. Eu fiz seu bolo vegano preferido já que você está de dieta . Olhei pra ela e analisei a situação. Aquela com certeza seria minha primeira mudança. - Mamãe, pode por favor preparar algo com chocolate pra mim ?! - Dei meu melhor olhar de criança pidona - Mas você não tá de dieta ? - não estou mais - ela sorriu tão grande que eu quase pude contar seus dentes - graças a Deus minha filha, você ia acabar entrando em uma garrafa se continuasse com isso, você não precisa disso - não preciso mesmo. Já volto mãe.

Passei pela sala de star e subi as escadas que dava para o segundo andar, passei pelo quarto dos meus pais que era o primeiro no corredor e logo cheguei no meu do lado oposto. Meu quarto, meu pequeno refúgio. Andei devagar pelo tapete branco e sentei na cama enorme, devia da três de mim ali encima e ainda sobrava espaço. Tinha uma varanda grande que dava para o lado esquerdo do quarto, eu adoro aquele espaço, os vidros estavam abertos e as cortinas enormes chacoalhavam com o vento que batia nelas. Me levantei indo até ali, fechei os dois lados do vidro e fui para o banheiro.

Estava frio mas a água do chuveiro estava quente, prendi o cabelo em um coque frouxo e comecei a me despir ora ou outra apontando algum defeito no meu corpo mas no final concluindo que estava bom assim, me aproximei da água caindo e pude sentir molhar do pescoço para baixo, pedi baixinho pra que ela levasse pro ralo todas as coisas ruins que eu tivesse dentro de mim. Escovei os dentes e lavei bem o rosto, desliguei o chuveiro e parei um pouco na frente do espelho.

Eu estava acabada. Rosto tão pálido, olheiras enormes e até meio avermelhadas que não combinavam em nada com a Iris verde dos meus olhos. Eu tinha que engordar, mamãe realmente tinha razão eu tava parecendo um fantasma desnutrido de cabelo rosa e olho verde. Pela primeira vez não gostei do que vi no espelho. Na verdade eu nunca gostava mas dizia para mim mesma que era para um bem maior... Tá bom... O bem maior estava na noite passada com o pênis inteiro dentro de quem se dizia minha amiga.

Sai do banheiro enrolada em uma toalha branca quase maior do que eu - 1, 60 e eu me achava grande - andei até o guarda roupa e parei antes de abrir uma porta me perguntando porque eu gostava de coisas tão grande - Porque são lindas - logo abri e tirei uma bermuda branca jeans curta e justa com fios soltos em suas barras e uma blusa manga cumprida preta que deixa os ombros nus, calcinha de bichinhos - Eu compraria novas, ja está na hora de agir como mulher - e um tênis branco no pé. Estava pronta pra descer. Parei pra olhar a imagem refletida no grande espelho das portas do guarda roupa e observei bem.

- Somos outra pessoa agora - A imagem refletida lá concordou comigo. Na verdade há anos ela pedia aquilo mas eu nunca aceitei.

- Ei garota cadê a minha filha ? - Mamãe sorria me olhando descer as escadas - Aquela sua filha morreu mãe. Eu sou sua nova filha - ela ergueu uma sobrancelha e seu rosto ficou sério por alguns segundos mas aí sua boca se abriu - Se essa minha nova filha prefere chocolate então eu gosto mais dessa. Parece que essa tem um gosto melhor pra roupa tbm né - ela disse me olhando da cabeça aos pés e me direcionando a sala de jantar. Já estava bem escuro lá fora. Era noite mais uma vez.

Eu nunca fui de calças, sempre estive dentro de um vestido ou uma saia assim como Ino, ela sempre foi meu parâmetro de beleza, tava sempre tão linda e eu queria ser tbm daquele jeito. Abri mão do meu gosto porque o dela me parecia melhor. Não mais.

Jantei com minha mãe, não deu tempo de preparar outro bolo mas coisas doces era o que não faltava naquela casa, minha mãe adorava. Papai chegou tarde naquela noite mas ainda jantou conosco , observou minha mudança de vestimenta e alimentação e disse que já estava na hora de voltar a ser eu. De algum modo ele me conhecia bem. Meu pai era o meu grande amor, nos entendemos tão bem e eu sempre tenho seu apoio para tudo e aquilo só me fazia ser grata por ter aquelas pessoas como minha família. Jantamos, sorrimos, assistimos um filme e pela primeira vez depois de anos eu fui parar no meu quarto sem saber como cheguei lá. Sabia sim mas preferi fingir não acordar pra sentir a proteção do meu pai me levando e me colocando na cama. Graças ao seu amor por academia ele era um coroa bem forte. Senti o beijo de minha mãe na minha bochecha e meu pai tirando meus sapatos. Assim que a porta foi fechada meus olhos se abriram minimamente e meu sorriso foi sincero. Eu era amada pelas pessoas certas sem precisar implorar por isso. Se algum homem um dia chegar a me amar terá que ser desse mesmo jeito.



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