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História O Retorno da Titã - Capítulo 10


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Notas do Autor


É pessoal, a história finalmente está chegando ao fim, falta apenas mais um capítulo para se encerrar, espero que aproveitem a leitura.

Capítulo 10 - A tempestade abriga o Medo


Fanfic / Fanfiction O Retorno da Titã - Capítulo 10 - A tempestade abriga o Medo

Acordei no chão, o barco que antes estava tranquilo agora chacoalhava de um lado para o outro, pude ouvir uma tempestade lá fora, e Zerek gritando do outro lado da porta ameaçando abri-la com um ponta pé.

- me levantei as pressas e abri a porta.- O que houve?- disse entre bocejos.

- Uma tempestade.

- Isso eu vi, mas precisava de todo esse escândalo?

- Ahn, sim!

- coloquei a mão na cintura e o encarei, inconformada.- Tem medo de uma chuvinha?

- Do que pode vir com ela...

- me contive para não rir.- Certo, mas não podia pedir refúgio pra Milene?

- Digamos que...ela está ocupada com as...cobertas.

- Ah, claro.- suspirei.- Entra aí.- voltei pra dentro do quarto, dando passagem a ele.

Ele adentrou e se sentou na cama.

Era hilário ver aquele marmanjo com medo de uma chuva, mas não podia rir dele, provavelmente ficaria chateado comigo.

- Obrigado.

- Tudo bem.- encostei a porta me sentei de frente pra ele.- Mas por que esse medo todo afinal?

- Não é muito seguro ficar em alto mar.

- No céu também não era seguro pra você, se me lembro bem.

Ele suspirou, acho que entendeu que não poderia esconder de mim por muito mais tempo, o que quer que fosse.

- Acho que te devo isso...- ele começou a tirar a camisa.

- UOU! UOU! UOU!

Que espécie de reação era essa? Tudo bem que vê-lo sem camisa não era ruim, mas onde estava o sentido nisso? "Oh, hey, tenho que te contar um segredo mas antes veja meu abdômen definido."

- Deixa de ser pervertida.- ele riu.

- corei.- Você percebe em que posição está?

- Olha pra baixo.- ele apontou pra uma marca um pouco abaixo de seu umbigo, perto do quadril.

Sinceramente, era quase impossível prestar atenção no símbolo, mas fiz esse esforço.

- Não me é estranho, conheço essa marca de algum lugar, mas não consigo me lembrar de onde.

- Pra alguém que nasceu e morou a vida toda na Grécia, você é bem desligada.

- Nós não almoçávamos com os Deuses, ou ficávamos falando sobre eles.- revirei os olhos.- O que é, afinal?

- A marca do meu pai.

Ele devia me achar com cara de Esfinge, porque eram tantos enigmas que só podia ser isso.

- Ah, seu pai te torturava, é isso?

- O QUÊ?- pigarreou.- Não, longe disso, foi a marca de quando ele me reconheceu como filho, a marca de Hades.

Eu sabia que ele era um semideus, mas logo ser filho de um dos três grandes? Era demais! A marca me lembrava uma espécie de crucifixo, mas tinha um semicírculo no topo, e um círculo inteiro no meio, era bonita de se ver. 

- Ela é linda.- sorri, maravilhada.

Enquanto a olhava, a conversa com Reia veio a minha mente, e num impulso tomei a decisão de abraçá-lo, talvez não tenha sido a melhor decisão, porque um nó se formou em minha garganta.

- Obrigada, Zerek.

- Por que está me agradecendo?- ele disse em meio ao abraço.

- Por confiar em mim pra contar isso, por cuidar de mim todo esse tempo.- me desvencilhei do abraço e agora o olhava nos olhos.- Mesmo com toda a picuinha, eu amei mesmo te conhecer, a todo vocês, na verdade.- mostrei um sorriso forçado, com meu rosto em meio a algumas lágrimas que rolavam.

Ele parecia muito confuso.

- O que houve?- enxugou algumas lágrimas do meu rosto.

- Zerek, sei que você pediu pra esperar você tomar sua decisão, mas eu não posso esperar pra dizer o que sinto por você...já conheci inúmeras pessoas, mas nenhuma delas me fez sentir como você faz...mesmo sendo errado de certa forma, eu te amo.

- ele corou, mas ainda estava meio sério.- Por que está agindo como se fosse partir tipo...pra sempre?

- me afastei um pouco dele.- Conversei com Reia...

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Expliquei tudo, pelo menos conforme eu me lembrava, imaginei que fosse ficar bravo, mas na verdade ele parecia triste, talvez decepcionado, e pela primeira vez ele se calou sem brigar.

- Não faço ideia do que Zeus vai fazer...

- ele olhou nos meus olhos, parecia segurar o choro.- Provavelmente vai mandar algum monstro poderoso atrás de você...se dermos sorte vai ser quando estivermos em terra firme.

- Duvido disso, Reia estava ansiosa demais.- suspirei.

- Amanhã falaremos com Milene e Átalo sobre tudo isso, você não vai morrer!

Concordei com ele, apesar de saber que não se pode mudar o destino. A essa altura as Parcas¹ provavelmente encerraram minha história.

- Por agora vamos tentar não pensar nisso.

- Tudo bem.- mostrei um sorriso forçado.

Apesar de tentar não pensar sobre, era difícil, a tempestade se estendia lá fora, e parecia cada vez mais forte, me perguntei se o ataque talvez viesse por parte de Poseidon, já que da primeira vez ele havia ajudado Reia, quem sabe agora estivesse ao seu lado também.

- Não se preocupe.

Zerek parecia ler minha mente, e não duvidava que pudesse.

- É só uma...tempestade.- ele engoliu em seco quando disse a última palavra.

- Você tem razão.- sorri.

O problema é que quando um semideus, ou no meu caso, quando se tem um ser mágico antigo e poderoso dentro de si planejando sua morte, o azar parece se sentir atraído, e isso me preocupava.

- Vem aqui.- Zerek estendeu os braços pra me abraçar.

- Não quer colocar sua camisa primeiro?- ri.

- Ah! Me esqueci.- ele vestiu sua camisa.- Pronto!

Bom, já que eu sabia que morreria pelas mãos de Zeus, ou algum outro Deus superpoderoso, não fazia mal abraçá-lo, afinal, Verônica não podia me matar duas vezes. Então o fiz, e um sentimento de segurança me preencheu.

- Obrigada, me sinto um pouco melhor agora.- me soltei do abraço.

- Vamos descansar um pouco.- ele se deitou me deixando um espaço perto da parede.

- Certo.- me deitei ao seu lado.

Estávamos deitados de lado, cara a cara, e ele não desviava o olhar de mim nem por um segundo, isso me deixava inquieta e constrangida.

- O que está pensando?- perguntei pra cortar a tensão.

-  Que você fica linda até quando tem a aparência trocada.- ele sorri.

- Gostava mais do meu cabelo castanho.- suspiro.

- Bom, eu também preferia sua versão original.- ele riu.- Mas essa também é linda, até porque, você continua a mesma, aparência nem é tudo.

Ficamos conversando até pegarmos no sono, e pela primeira vez desde que Reia havia retornado da última "briga" ela não aparecera, de certa forma foi bom, pois me proporcionou uma noite tranquila.

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Acordei no meio da madrugada com a sensação de que algo estava errado, a tempestade parecia não ter fim, o que me incomodava um pouco, porque parecia que a qualquer momento algo grave aconteceria. Zerek estava em seu décimo sono, e parecia que não acordaria tão cedo, precisava esfriar a cabeça, então segui para o convés, e antes que saísse, dei de cara com o motivo da minha angústia, era a criatura que provavelmente poria um fim à minha vida. 

Era uma mulher muito bela, do torso pra cima, seria inofensiva não fosse pelo que estava abaixo da sua cintura, seguindo a mesma estavam seis cabeças de serpente que possuíam no mínimo três fileiras de dentes prontos pra me fazer em pedacinhos, e como se não bastasse, um círculo de doze cães saía da mesma. Não sabia o limite que um monstro teria para ser assustador, mas talvez fosse esse, ela cheirava morte certa. Antes que algo ali pudesse me notar, corri até o quarto de Milene, bati desesperadamente na porta, o medo me tomava por completo, sabia que meu fim seria ali. Logo a porta se abriu, mas antes que eu pudesse explicar qualquer coisa, o teto do barco saiu voando em direção ao mar, e lá estava meu pesadelo marinho. A mulher me encarava com seus olhos vermelhos, provavelmente pensando que eu daria um lanche apetitoso.

 

*As Parcas/Moiras 1 : Divindades que controlam o destino dos mortais e determinam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Zeus poderia contestar suas decisões.


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui, não sei quando poderei publicar o próximo capítulo, então espero que aproveitem esses.


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