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História O roubador de livros (História 2) - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Ao lado da linha férrea


Primeiro aparece uma coisa branca. Do tipo ofuscante. 

É muito provável que alguns de vocês não achem que o branco é realmente uma cor, e todo esse tipo batido de absurdo. Bem, eu estou aqui para lhe dizer que o branco é. O branco é sem dúvidas uma cor e, pessoalmente, acho que você não vai querer discutir comigo.

"UM ANÚNCIO TRANQUILIZADOR

Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.

Sou só garganta...

Não sou violento.

Não sou maldoso.

Sou um resultado."


Sim, era branco.

Era como se o globo todo estava revestido de neve. Como se houvesse enfiado aquilo, do jeito que se enfia um suéter. Junto à linha do trem, as pegadas afundavam até às canelas. As árvores usavam cobertores de gelo. 

                                  -

Não podiam simplismente deixá-lo ali no chão. De momento, não era um problema tão grande, mas, logo, logo, a linha seria desobstruída mais adiante e o trem precisaria seguir viagem.

Havia dois guardas.

Havia uma mulher com seu filho. 

Um cadáver. 

A mãe, o menino e o cadáver continuaram obstinados e calados. 


- Bem, o que mais você quer que eu faça?

Os guardas eram um alto e um baixo. O alto era sempre o que falava primeiro, embora não fosse o responsável. Olhava para o menor, mais rechonchudo. O do rosto vermelho e suculento. 

- Bem - foi a resposta -, não podemos só deixá-los assim, não é?

O alto estava perdendo a paciência.

- Por que não?

E o baixote por pouco não explodiu. Ergueu os olhos para o queixo do altão e gritou:

- Spinnst du?! Você está delirando? - A aversão em suas bochechas adensava-se a cada momento. Sua pele foi se alargandado. - Vamos - disse, tropeçando na neve. - Levaremos todos os três de volta, se for preciso. Faremos a notificação na próxima parada.


Quanto a mim, eu já tinha cometido o mais elementar dos erros. Não consigo lhe explicar a intensidade de minha decepção comigo mesmo. Originalmente, eu tinha feito tudo certo:

Estudei o céu ofuscante, branco feito neve, que estava na janela do trem em movimento. Praticamente o inalei, mesmo assim, titubeei. Cedi - fiquei interessado. No menino. O vivo. Fui vencido pela curiosidade e me resignei a ficar o tempo que meu horário permitisse, e observei.

Vinte e três minutos depois, quando o trem estava parado, desci com eles. 

Havia uma alminha em meus braços.

Postei-me meio à direita. 


A dupla dinâmica de guardas do trem voltou à mãe, ao menino e ao corpinho masculino. Lembro-me claramente de estar respirando alto nesse dia. Fiquei surpreso com o fato de os guardas não me notarem ao passarem por mim. Agora o mundo estava afundando, sob o peso de toda aquela neve. 

Uns dez metros à minha esquerda, talvez, postava-se o menino pálido, de estômago vazio, enregelado.

Sua boca tremia. 

Seus braços frios estavam cruzados.

Havia lágrimas cristalizadas no rosto do roubador de livros.



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