1. Spirit Fanfics >
  2. O sabor do chocolate >
  3. "Pé no saco" 1.2

História O sabor do chocolate - Capítulo 12


Escrita por:


Capítulo 12 - "Pé no saco" 1.2



Dilan caminhara pela rua encarando seus pés, quando de repente escuta Cassy chamar pelo seu nome do outro lado da rua. Dilan estara um pouco distraído essa noite, seu aniversário é amanhã e ele não tem uma boa lembrança de nenhum de seus aniversários, por conta disso ele anda um pouco cabisbaixo. Dilan olha para Cassy que olha para os dois lados da rua e atravessa.

-Dilan! Como vai? -O sorriso no rosto de Cassy fez com que Dilan acordasse de qual fosse o pensamento.
-Tudo bem, e como vocês estão?  
-Estamos bem, seria ótimo jantar com você de novo.

O pai de Dilan foi assassinado no dia do aniversário dele, e desde esse dia nunca mais comemorou o próprio aniversário. Nesse dia a única coisa que sua mãe faz é chorar, não come, não cozinha, não levanta... Ela apenas se maltrata pelo dia inteiro. Isso causou mágoa no coração de Dilan, pois ela esqueceu que tem um filho aniversariando e que ver sua mãe desse jeito é de partir o coração. Ele não a culpa por isso, mas também não tem culpa de ficar mal. 

Dilan sabendo que sua mãe odiaria vê-lo nesse dia:

-Hoje eu não posso, mas amanhã é sábado, eu apenas trabalho de manhã, seria ótimo me aproximar de vocês.
-Claro, quer vir almoçar conosco? 
-Okay.
-Até amanhã, querido.

Dilan dá um sorriso falso e sai andando devagar.

Nenhum dos amigos de Dilan que o conheceram depois da morte de seu pai sabem o dia de seu aniversário, facilitando tudo para ele.

   *Sábado assim que Dilan entra pela porta.* 

-Feliz aniversário, pequeno Dilan.

O senhor e a senhora Aragon prepararam um bolinho pequeno para Dilan como sempre fizeram. Dilan, come um pedaço do bolo e esconde o resto para que seus colegas não pudessem ver, mas Reim já havia chego, e viu tudo escondida atrás da porta do depósito. Então ela esperou que todos se distraíssem, se abaixou e passou pelo balcão, fingindo entrar no restaurante pela primeira vez no dia.

-Bom dia.

Reim falou e entrou em disparada ao depósito. Dilan até que poderia ter notado algo diferente, mas estava desanimado demais para se importar com isso.

Após o meio expediente acabar, Dilan sai primeiro e no caminho, Reim percebe que ele caminhava na mesma direção.

-Com licença? Você está indo pelo lado errado. 

Dilan encara a menina com o canto dos olhos.

-Desculpa, Reim. Vou comer com vocês hoje.
-Tudo bem.

Dilan imaginou que seria outra reação, mas não reagiu a nada disso.

Reim caminha um pouco atrás de Dilan, as folhas caem das árvores, é outono.  

*Reim*

Esse seria o amigo perfeito para mim, calado, quieto e chato. Mas, devo admitir que é estranho ver ele assim, não estou comovida com ele nem nada, porém,  minha tia o convidou, não posso destratá-lo.

Caminhamos em silêncio até chegarmos em casa, peguei o casaco de Dilan e ele entrou e  sentou na mesa. Minha tia fez de tudo para agradar o convidado especial dela, mesmo sem saber que hoje é o aniversário dele. Ela assou biscoitos e fez sobremesas. O almoço com mais acompanhamentos do que podíamos dar conta, mas a cozinha estava ainda mais vazia do que quando jantávamos só nós duas. 

-Eu vou ter que atender essa ligação, volto daqui a pouco.

Minha tia saiu para uma ligação, Dilan levantou e foi levar seu prato na cozinha.

-Onde você vai? Acabamos de começar a comer.

Ele nem sequer olhou para trás e respondeu:

-Não estou me sentindo bem, se desculpa com a sua tia por mim.
-Qual o seu problema?

Segurei o braço de Dilan e puxei. Ele virou apenas o rosto e encarou minha mão que segurava seu braço, e então puxou ele.

-Eu sinto muito.

Dilan pôs o prato na pia e saiu, ele não tocou na comida, mesmo assim saiu pele porta sem dizer um adeus para tia Cassy. Aquilo só reforçou qualquer desprezo que eu tenho por amizade, não por mim, mas pela minha tia, odiei ele por alguns minutos, até que a tia Cassy entrou e comeu como se nada tivesse acontecido.

-Tia, o Dilan saiu.
-Eu sei, ontem eu percebi de longe que ele estava mal, o convidei para ver se conseguia ajudar ele, mas não consegui. 

Minha tia deu um pequeno sorriso.

-Você não ficou chateada com ele, tia?
-Não tem motivo para que eu fique chateada com ele, sabe por quê?
-Não, nem consigo entender também. 
-Ele tentou fingir para não me magoar.
-Ou seja, ele mentiu.
-Ele no meio de tanta tristeza e desânimo se importou com outra pessoa além dele, isso significa Reim, que ele estava grato por tudo que fiz por ele hoje, e por isso ele foi embora. 
-Por que ele foi se estava grato?
-Pra não acabar entristecendo nós duas também.

Nada do que minha tia disse fez sentido para mim. Ele é um ingrato e um infantil.  

-Ainda não entendo, tia. Hoje é aniversário dele, mas ele tá tão amargo.

Nessa hora, tia Cassy pegou um embrulho antigo dentro da gaveta, escolheu um dos gorros tricotados por ela, segurou meu pulso e nós duas saímos correndo no vento congelante, sem nem mesmo um cachecol.

-Dilan!

Encarei tia Cassy tão dedicada em entregar um acessório sem valor para um desconhecido, e imaginei se essa mulher realmente existia. Dilan não escutou minha tia, me senti em um filme, correndo atrás de alguém que está indo embora, e acabei entoando junto:

-Dilan!

Dilan se virou assim que paramos sem fôlego com as mãos no joelho em sua frente. 

Minha tia entregou o gorro embrulhado em um papel de embrulho com corações desbotados. Eu ri quando olhei para o embrulho, e entendi nos olhos da minha tia que seria melhor se eu entregasse.

-Dilan, isso é pra você. 

Dei um sorriso e minha tia que tentava aquecer as mãos também sorriu. Ele encarou o presente em minhas mãos, seus dedos vermelhos se aproximaram, ele pousou a mão em cima da minha e me olhando sorriu.

-Obrigado.

Minha tia chegou perto e disse:

-Abra.

Quando Dilan abriu e viu o gorro tricotado ele deu uma risada e imediatamente pôs o gorro na cabeça, o cabelo liso de Dilan escorreu para sua testa e até que o gorro ficou bonitinho nele. 

-Eu nunca ficaria feliz desse jeito ao ganhar antiquado.

Fiquei na ponta de pé para sussurrar em seu ouvido. Dilan virou para mim e me encarou:

-De antiquado aqui, só sua personalidade.

E sorriu. Foi bom ver esse pé no saco sorrir de novo, ele é feio, mas fica mais feio ainda quando está desanimado. 





Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...