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História O Safado do 105 - Beauany - Capítulo 19


Escrita por:


Capítulo 19 - Capítulo 18


Nem Clarice Lispector tem uma frase de efeito para justificar as raízes

obscuras da safadeza

Tudo se tornou uma profusão de cores, de modo que parecia estar dentro de

um arco-íris. Um

cenário surrealista que mexia com todos os meus sentidos permaneceu

diante de mim; as plantas, osvasos, as flores, a água da mangueira que jorrava na piscina. A imagem do

Calvin usando uma sunga

vermelha, e só. Seu corpo dourando sobre uma toalha grande azul-escura,

forrada em cima da grama

verdinha.

Depois de três caipirinhas, muitas risadas e fatias de carne tão macias

quanto a boca daquele

homem, achei que estivesse no paraíso. A sensação de alegria fez com que

me sentisse culpada: não

devia estar alegre. A minha avó continuava no hospital, lutando pela própria

vida. Entretanto, sentia

que eu estava lutando pela minha. O que, claro, não fazia muito sentido.

Calvin preparou uma farofa que, meu Deus, estava uma coisa de louco.

Colocou tantos

ingredientes dentro dela que podia alimentar uma manada de elefantes (ou

seja, eu). Nunca pensei que

uma farofa pudesse ser tão perfeita. Enquanto o observava se bronzear,

sentada à mesa, só pensava em

comer, comer e comer, em todos os sentidos da palavra (se é que me

entende!).

Havia colocado o meu biquíni (e pegado o meu celular caso alguém me

ligasse com notícias da

vovó), mas até então não havia tido coragem de sair de perto da mesa.

Devorava qualquer pedaço decarne que o Calvin vez ou outra colocava em uma travessa de vidro. Ele

parecia saber exatamente qual

era o momento de tirá-las da churrasqueira, como se um relógio interno o

alertasse. Devia ser prática

mesmo.

Não tocamos mais nos assuntos delicados. Para ser bem sincera, tentei

arrancar mais

informações dele, sem sucesso. Calvin se manteve relativamente distante.

Beijou-me muito pouco,

menos do que eu gostaria. Seu distanciamento me entristecia, pois me fazia

recordar o tempo todo o

tipo de relação que tínhamos.

Alguma coisa entre nós estava faltando. O vazio de nossas conversas se

tornou evidente, e

acreditei que tenha sido por isso que ele resolveu se afastar para absorver o

sol forte daquela tarde.

Dava qualquer coisa para saber o que se passava naquela cabecinha oca.

Reparei seu olhar perdido nos

vasos que jaziam no lado oposto, e uma carranca se fez presente antes que

eu tivesse coragem de fazer

qualquer pergunta.

O desânimo me atingiu depois que percebi a travessa vazia. Eu tinha

comido pelo menos uns

setenta por cento das carnes que ele preparou. Droga! Ia engordar muito

convivendo com aquele caraperfeito na cozinha (e no quarto também, diga-se de passagem).

Terminei a minha caipirinha e suspirei. O som portátil ainda trabalhava,

ajudando-me a suportar

o silêncio. Olhei para mesa no intuito de encontrar mais alguma coisa que

pudesse ser devorada.

Ainda tinha muita farofa, e alguns tomates fatiados com uma uniformidade

impressionante. Só o

Calvin para conseguir uma proeza daquelas.

Nenhum sinal de fatias de carne. As que estavam na churrasqueira

aparentemente não estavam

prontas, já que o relógio interno do Calvin não tinha apitado até então.

Levantei-me e me espreguicei. Calvin finalmente olhou na minha direção,

sorrindo sacanamente

logo em seguida. Parei um pouco só para acompanhar as suas reações, e

acho que me demorei demais.

Nossos olhares permaneceram cruzados até que ele resolveu se levantar e

caminhar até mim, exibindo

aquele corpo que merecia o prêmio Nobel da sensualidade.

Parou na minha frente e me deu um selinho casto. Eu estava sedenta por

mais, só que não tive.

Calvin deu um gole na própria caipirinha e procurou por alguma coisa na

mesa. Fez uma careta e me

olhou, sorrindo.– Sim, eu comi tudo – falei de uma vez. – Acho que é a ansiedade. Ou então

o seu talento de

fazer qualquer comida virar manjar dos deuses.

Calvin gargalhou alto.

– Você não comeu tudo. – Apontou para os tomates fatiados, pegando um

daqueles pedacinhos

para si. Deu uma mordida tão sensual que imaginei o meu próprio corpo

cedendo àquela boca.

– Não gosto de tomate cru... – murmurei, acompanhando um caldinho

avermelhado que escorreu

pelo canto de sua boca. Ele limpou com o polegar e depois lambeu os

dedos.

Devo ter soltado um resfolego. Calvin me olhou de um jeito divertido.

– Não estão crus. Aqui tem sal, azeite e manjericão em pó – falou como se

estivesse

apresentando uma receita no programa da Ana Maria Braga. Nem preciso

dizer o quanto acho o

máximo vê-lo no modo cozinheiro ativado. – Prove um, é uma delícia... –

Pegou um pedaço e me

ofereceu diretamente na boca, não me dando a chance de realmente pegá-lo.

Dei uma mordida

pequena, levando menos da metade.

Senti o gosto meio amargoso do sal e alguma coisa que não consegui

identificar. Supus ser o talmanjericão (pouco entendo desses temperos). Não achei ruim, decerto.

Talvez ficasse melhor com a

farofa. Bom, aquela farofa ficava boa com tudo (inclusive com nada).

– Coma todo de uma vez, assim sente melhor o sabor. – Calvin forçou o

resto do tomate, e

acabei abrindo o bocão. Depois daquilo, já era. Sabia que ia devorá-los

como tinha feito com as

carnes. – Viu só?

– Melhor você comer logo esses tomates. O meu apetite não conhece

limites!

– O seu apetite me excita, Any – falou sensualmente, com os olhos fixos

na minha boca.

Obrigou os meus lábios a remover os resquícios de tomate dos seus dedos.

Foi um ato explicitamente

sensual. – Imagino mil coisas toda vez que a sua boca se mexe...

– É? Que coisas? – incitei, colocando uma língua para fora. Fiz um

movimento demorado contra

os seus dedos.

Calvin me puxou pela cintura com uma mão, e com a outra pegou mais um

pedaço do tomate.

Enfiou-o na minha boca como se quisesse me obrigar a comer. Comecei a

mastigar depressa, pois ele

repetiu o feito: pegou mais um pedaço e depois outro, tacando-os na minha

goela. Começou a rirquando me viu desesperada, com a boca repleta e os olhos esbugalhados.

– Uma delas é o meu pau preenchendo toda a sua boca, esticando os seus

lábios... – Prendeu o

indicador e o polegar no meu queixo, dificultando a minha mastigação.

Obrigou a minha cabeça a ser

erguida, e o encarei de muito perto. – Ah, Any... É muito difícil me

controlar. Juro que estou

tentando, mas a desistência é inevitável.

Engoli tudo aquilo de uma só vez. Lambi os meus lábios sujos, e o Calvin

se inclinou para passar

sua língua sobre eles. Foi uma delícia. Sério.

– Por que se controlar? – sussurrei, delirando com a sua proximidade.

Calvin se afastou um pouco e largou o meu queixo. Desviou o rosto.

– Estou em dúvida. Não sei o quanto seria justo.

Não entendi porcaria alguma do que ele estava falando. Fiz uma cara feia e

esperei que

continuasse, mas Calvin apenas se afastou de vez. Voltou a andar na direção

de sua toalha, e

acompanhei o movimento fantástico daquela bunda (ele devia colocar

aquele traseiro no seguro, como

fez a Mulher Melancia, aposto que valeria milhões). As costas largas e as

coxas grossas também não

eram nada mal. Morta de frustração, retirei o meu short e a blusa, deixando o biquíni branco

à mostra. Fui até

ele, sentando-me ao seu lado na toalha. A minha pele recebeu o sol quente

muito bem.

– Dúvida? Que dúvida, Calvin?

Ouvi seu suspiro.

– De alguma forma, Any, percebi que você precisa de mim. E eu

confesso: preciso de você.

Não vai dar certo se a gente ficar transando, sou um promíscuo assumido.

Por mais que te queira...

Puta merda, e eu quero muito...

– Ah, cala a boca. – Praticamente me atirei em cima do sujeito, roubando-

lhe um beijo

facilmente retribuído.

Certo, acho que estava bêbada. Calvin dizia algo importante sobre a nossa

relação, mas naquele

instante eu só queria dar. E que o resto se danasse. Não ia conviver em um

terreno neutro com o meu

vizinho safado e delicioso. Nosso sexo era inevitável. Quero dizer, eu não

queria mais evitar. Esta fase

foi muito bem superada por mim, obrigada.

É impossível querer o comum depois de provar algo realmente bom. Por

mais que ele estivessecom a razão – nossa relação “amigável” estaria mais segura sem sexo –, o

desejo que circulava pelo

meu corpo mandava qualquer resquício dela para o raio que a parta.

O meu vizinho safado, como todo bom safado, sequer pestanejou. Acho que

as dúvidas foram

embora depois que puxou as minhas pernas e me fez deitar totalmente sobre

a toalha. Visualizei o céu

azul, quase sem nuvens, acima de nós, sem poder acreditar que faríamos

aquilo ali, ao ar livre. Por

mais que não houvesse possibilidade de sermos vistos, a ideia de exposição

me deixou ainda mais

louca.

Delirei de tesão quando aquele corpo enorme se projetou sobre mim.

Enlacei minhas coxas

abertas por cima das suas, e puxei tanto os seus cabelos que não sei como

ele não reclamou. A mesma

boca, que virou uma necessidade para o meu juízo, investiu contra a minha

sem pausas. Senti a velha

sensação de sufocamento que o seu beijo pré-sexo carregava.

Uma mão invadiu a parte de cima do meu biquíni. E por dentro. Tive

vontade de gemer, mas só

consegui quando a sua boca deixou a minha para me abocanhar o bico de

um seio. Olhei o céu de

novo, tendo a certeza de que podia literalmente ser levada às alturas por

aquele homem. Era muito desejo a ser sentido... muita inconsequência, inconsciência... Incapacidade

de autocontrole.

Eu perdia tudo o que restava de mim quando ganhava o direito de ser dele.

– Você não me deixa opções, Any... – Calvin rosnou enquanto apertava os

meus seios um

contra o outro, lambendo-os avidamente. – É te foder ou te foder. Ah... Eu

adoro não ter escolha.

No fundo (nem tão no fundo assim), eu amava aquela falta de autocontrole.

Adorava o fato de

não ser a única a não ter escolhas; o desejo seguia um caminho solitário

rumo à nossa satisfação

corporal. Apenas este apelo era ouvido, nada mais conseguia existir.

Escorreguei as minhas mãos pelas suas costas até alcançar aquele bundão

lindo. Atravessei a

sunga por dentro e apertei a sua carne com vontade. Calvin soltou um

gemido fraco e um riso leve,

colocando a língua para fora apenas para passá-la nos meus lábios. Com um

movimento curto e

rápido, inverteu as nossas posições, puxando-me para si.

A primeira coisa que fez foi retirar de vez a parte de cima do meu biquíni,

atirando-a na piscina

ao nosso lado. Sentou-se, meio curvado, e continuou a me beijar. Guiou as

mãos pela minha coluna

despida. Senti os meus pelos se eriçarem, envolvidos com suas carícias

sempre tão precisas.Era mágico estar em suas mãos. Ele me tocava com o mesmo empenho que

usava para cozinhar,

era como se fosse uma técnica, um ato profissional friamente calculado.

Eu já podia sentir a sua ereção no meio das minhas pernas, por isso comecei

a rebolar em cima

dela como uma louca. Ergui a cabeça e fechei os olhos, totalmente

absorvida pelas sensações. Calvin

soltou um gemido entre os meus lábios. Voltou a segurar os meus seios

simultaneamente, mas logo

decidiu ousar: uma de suas mãos brincou com a minha calcinha, fazendo-

me gemer muito. Soltei um

rosnado quando um dedo mais safado resolveu conferir o nível da minha

excitação.

De repente, parou. Sorriu com malícia, mas não foi na minha direção. Seu

rosto perfeito

observava alguma coisa que estava além de mim. Meio perdida, olhei para

trás. O coração, que já

batia forte, acelerou mais ainda ao perceber a Taylor-quenga nos observando

perto da porta do quintal.

– Desculpa, gente! Posso entrar? – falou de um jeito divertido, dando

batidinhas na porta e

depois entrando sem esperar uma resposta. – A porta da frente estava

aberta...

Pensei em dar um salto e sumir dali o mais rápido possível, mas Calvin me

segurou no lugar.Seu dedo parou na minha abertura quente e molhada de desejo.

– Claro, entra aí, minha linda!

Como é que é? Fala sério, produção... Não brinquem comigo!

Tentei sair mais uma vez, praguejando mentalmente. A minha cara com

certeza não era das

melhoras, porém o Calvin ignorou o meu desconforto.

Permaneci sobre ele, seminua, morrendo de tesão e ódio daquela filha de

uma mãe. Que

mulherzinha mais sem-noção! Não percebeu que estávamos ocupados? Ela

devia ter ido embora em

vez de nos dar aquele desprazer.

– Pensei que o churrasco tinha acabado. Está tarde, Deli, esqueceu do nosso

compromisso? – A

vadiazinha se sentou ao lado dele na toalha, de frente para mim. Assim,

como se nada estivesse

acontecendo. Observou-me com curiosidade, sobretudo os meus seios

expostos. Respondi com uma

careta mais feia ainda. Calvin não ligou. Aliás, além de não ter ligado, sabe

o que fez? Retirou os

dedos de mim e os levou até a boca da sem-vergonha. Posso com isso? –

Oi, moça – murmurou depois

de ter lambido os dedos do Calvin até revirar os olhos.

Um... ultraje?Sequer a respondi. Tentei me desvencilhar de novo, mas as mãos firmes do

Calvin ainda me

seguravam, tirando-me qualquer apoio para sair daquela posição.

– Foi mal, eu esqueci totalmente – só então o Calvin a respondeu.

Taylor-quenga sorriu.

– Tudo bem, o motivo foi bem forte. Forte e delicioso. – Lambeu os lábios e

ergueu uma mão

para tocar os meus cabelos. Afastei a minha cabeça para o lado.

– Não toque em mim – alertei com seriedade.

Taylor ficou com a mão no ar, até que a abaixou lentamente. Olhou para o

Calvin, que sorriu de

orelha a orelha. Foi o seu velho sorriso safado, mas em uma versão ainda

pior. Ambos pareceram

conversar apenas com um olhar prolongado direcionado um para o outro.

Eu sabia o que se passava por aquelas mentes pervertidas (um sanduíche de

Calvin Klein, onde o

pão era eu, e provavelmente a fatia que ficava embaixo), foi por isso que

usei toda a força possível

para sair dos braços dele. Consegui. Fui me levantando tropegamente.

– Ei, Any, relaxa.

Não o respondi. Emburrada, procurei a parte de cima do meu biquíni.

Estava submersa napiscina. Uma merda mesmo! Absolutamente frustrada (e com muita

vontade de chorar como uma

criancinha que acabou de perder o doce), fui até perto da mesa e vesti o

meu short e a minha blusa.

Coloquei o meu celular no bolso. Deixaria o biquíni por lá mesmo. Só

queria ir embora o mais

depressa possível.

– Any... – Calvin se levantou da toalha e tentou se aproximar. Dei um

passo na direção da

saída, e ele segurou a minha mão. – Vamos conversar.

Meu último impulso foi olhar para a Taylor. Estava de pé ao lado da toalha,

observando-me de

cima a baixo, como se eu fosse parte fundamental do churrasco. Seus olhos

diziam que me comeria

com aquela farofa, facinho. Claro, isso só me fez ficar ainda mais irritada.

– Vou ao hospital ver a minha avó – falei decididamente, evitando olhá-lo.

Estava puta demais

para suportar aquela cara de cínico. – Será bem mais útil que esta conversa.

Calvin não ficou nada feliz.

– Qual é, Any? Ninguém está te obrigando a nada.

A frase deixou os seus planos malignos ainda mais óbvios. Seu sorriso

inicial não negou a

alegria que sentiu quando a amiguinha querida invadiu o quintal. Uma só

não era o suficiente. Claroque não. Eu nunca fui o bastante para ele, bem como qualquer outra mulher.

Aquele homem era um safado mesmo. Um cretino da pior espécie. Meu

Deus, eu não podia, em

nenhuma hipótese, esquecer-me daquilo. Não importavam o seu ombro

amigo, as suas lágrimas, a sua

sensibilidade.

– Por isso mesmo. Ninguém vai me obrigar a ficar – defini em um rosnado,

puxando a mão que

estava presa pela dele. Sem querer, olhei-o uma última vez antes de virar as

costas. Estava sério,

visivelmente chateado com a minha atitude. Devia me achar uma quadrada.

Bom, eu era. Com relação

àquilo, espero jamais ser uma “redonda”.

Fui andando a passos largos na direção da saída. Passei pela Karen, e quase

dei língua para ela.

Antes de sumir, ouvi o Calvin falar:

– Deixe-me saber sobre a sua avó, por favor!

Sério, não sei direito o que pensei no caminho até em casa. Só sei que me

sentia menos

importante que um pedacinho de lixo. Pior que o microorganismo do cocô

do cavalo do bandido.

Atirei-me no tapete consolador da Sra. Klein assim que tranquei a porta.

Mais uma vez, a culpa havia sido minha. Ficar com o Calvin era a mesma

coisa que pegar ummaço de cigarros, ler todos os alertas do Ministério da Saúde, ficar

horrorizada com as fotos de gente

cheia de câncer e mesmo assim abri-lo a fim de fumar tudo. Ou seja, uma

burrice.

Os órgãos entre as minhas pernas não podiam vencer o meu cérebro. Pelo

amor de Deus... Estava

vivendo em uma série de contradições. O meu corpo precisava entrar em

um consenso urgente, mas o

vício era bem óbvio (qualquer viciado se justificaria até se cansar, certeza

de que o meu corpo faria o

mesmo até encontrar um modo de continuar com a palhaçada), e apenas

uma abstinência completa me

curaria.

É triste, mas é a verdade.



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