História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 1


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
Visualizações 266
Palavras 1.722
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa qualquer erro não revisei mas e a primeira fanfic então é isso boa leitura

Capítulo 1 - Capítulo 1




A mudança é uma merda necessária
Na vida de quem não quer morrer morando com os pais


Os anjos gritaram amém. Os pássaros cantaram no ritmo do “aleluia, aleluia”, e o meu sorriso evidente quase fez as minhas bochechas arderem de tão esticada que ficou a minha pele. Desci do carro bem devagarzinho, como que para saborear lentamente o gostinho doce da mudança. Lembro-me até de ter fechado os olhos e inspirado profundamente.


O vento era fresco, e soprava com uma tranquilidade que invadia o meu peito. Havia muitas árvores na rua, nada de gás carbônico em demasia. Crianças brincavam de queimada mais adiante.


Uma casinha estilo Barbie bem bonitinha estava diante de mim, parecida com a que eu implorei para que a minha mãe comprasse quando tinha sete anos (ela não comprou, que isso fique claro).


Estava tudo mais do que perfeito. O bairro era perfeito, a rua era perfeita, a casa era perfeita, a vida era perfeita, o mundo era perfeito, e eu, Lili Reinhart, finalmente estava livre de toda aquela gente doida que compunha a minha família. Nada contra, só que não dá para viver em um lugar onde não se sabe quando exatamente estão conversando ou discutindo.


Foram vinte e oito anos. Vinte e oito anos de muitos: Lili, vai lavar os pratos! Lili, passa pano na casa! Para onde pensa que vai a essa hora, Lili? Lili, já disse que não gosto dessa sua amiga. Lili, esse seu namorado é irritante. Lili, cuida da Clarinha, ela é tão pequena! Lili, você não pode dormir tão tarde. Lili, sai deste computador! Lili, sua aula é daqui a uma hora e você ainda está aí? Lili, você só pode estar louca se pensa que vai comer chocolate no jantar!

 

Lili, Lili, Lili, Lili!


Na moral, naquele instante, esperava nunca mais ouvir o meu nome de novo. Eu ia morar sozinha (ops, deixe-me repetir: sozinha! Mais uma vez: sozinha! Outra: SOZINHA! Ok, ok... Acho que me empolguei) e muita coisa iria mudar. Teria as minhas próprias regras, planos, horários e responsabilidades. Pagaria todas as contas, precisaria lavar meus pratos, fazer a minha comida e lavar a minha roupa, mas cara... O preço da paz não pode ser quitado com um cartão de crédito. Tudo vale a pena quando é a liberdade e a privacidade que está em jogo. Só de pensar que teria um banheiro só meu, a felicidade era tão grande que dava vontade de chorar.


Nunca queira morar com pais malucos, uma avó com amnésia, uma irmã solteira com uma filha pequena e um irmão adolescente em plena ascensão da puberdade. Só da confusão. A minha antiga casa devia ter um alerta do Ministério da Saúde bem na placa de boas-vindas. Tenho certeza de que, depois de vinte e oito anos de doideira, o meu cérebro não funcionava como o das pessoas normais.


A minha única esperança era aquela nova fase da minha vida, que estava começando com estilo. E, claro, com um emprego novo (e bom), casa nova (e linda), tranquilidade, calmaria... Seria quase como se eu tivesse me mudado para a montanha dos monges, no Tibete. Já me sentia bem mais zen enquanto percorria o pequeno jardim da frente. Podia ouvir até o “aaaaummmmmmmm” ressoando ao longe, provavelmente alguém meditava diante do silêncio da rua. Ou era apenas o meu cérebro perturbado imaginando coisas.


Querendo ou não, este é o começo da minha história. Havia uma Lili radiante, sorrindo para os ares, ouvindo meditações alheias e pássaros em sinfonia. Foi comigo, mas podia ter sido com você.


Imagine-se em um processo maravilho de mudança; aquela que você estava esperando há muitos anos. Imagine que nada no mundo poderia estar mais perfeito, procure em sua mente o dia mais lindo da sua vida.


Era o que eu estava vivenciando naquele momento. Afinal, tudo havia saído do jeito que quis: a casa estava à venda por um preço tão pequeno que nem acreditei. Quando fui visitá-la, realizei a compra na hora, sem ao menos pensar duas vezes. Tudo bem que era pequena. E tudo bem que era dupla.

 

Certo, deixe-me explicar.


A casa na realidade era enorme, só que dividida em duas. Mal dava para perceber por causa da reforma que o antigo dono havia feito. Como a planta era toda simétrica, e ele precisava de dinheiro, teve a grande ideia de dividi-la em duas e alugar a outra parte. Funcionou. Bom, não deve ter funcionado tanto assim, visto que comprei a parcela que pertencia ao antigo dono. O vizinho acabou comprando de vez a outra.
Mas, sério, nem parecia que eram duas casas em uma. Havia duas varandinhas logo na frente, e a divisão era bem clara: a de número 104 era uma casinha cor-de-rosa, meio salmon, e a 105 era toda azul. Uma barra de proteção branca e bem bonitinha separava as duas singelas varandas.


Subi o degrauzinho até a varanda da casa de número 104. As instalações já eram todas distintas; as contas de água e luz vinham separadamente. O muro gradeado era baixo, e a portinha de madeira na frente ficava sempre aberta. Até porque não adiantaria muito trancá-la, qualquer sujeito podia atravessá-la com um pulo. Precisava me lembrar de não esquecer a porta aberta, nem as janelas.
Ainda bem que o bairro era seguro. Até guarda noturno havia, daqueles que apitam durante a madrugada. Coisa de tempo antigo mesmo!
Sorri pela milésima vez enquanto virava a chave (a minha chave) na maçaneta (a minha maçaneta).


– Vida nova... Aqui vou eu! – murmurei e ri baixo, abrindo a porta no mesmo instante em que a porta vizinha foi aberta.


Ouvi risadas. Parecia um grupo de mulheres. Decidi esperar para saudar o meu vizinho. O corretor disse que era um homem que morava ao lado, e que ele morava sozinho, mas devia estar recebendo visitas, sei lá. Enfim, queria falar com o sujeito. Morar ao lado de um cara poderia ser bom, traria mais segurança e eu ficaria menos neurótica.


As risadas continuaram enquanto três mulheres desciam a escadinha da varanda vizinha e seguiam até a portinha de ferro. Nem olharam para a minha cara. Sequer notaram a minha presença.


Estava desistindo de dar um “alô” para o vizinho quando um sujeito alto, moreno, com as costas largas e com a bunda maior que a da Carla Perez foi até a portinha. Não sei o que me deixou assustada tão depressa. Não sei se foi assistir ao cara beijando as três mulheres de uma só vez (e na boca!), se foi o seu corpo estupendo ou o fato de ele estar trajando apenas uma cueca boxer cinza.


Meu queixo caiu. E caiu mais ainda, acho que a minha língua se apoiou no chão de madeira da minha varanda, quando o sujeito se virou de frente depois que as garotas foram embora, mostrando uma protuberância óbvia na parte da frente da cueca. Foi só isso que consegui visualizar, juro. Não consegui tirar os meus olhos do saco do cara, foi mais forte que eu.


– Ei, você é a nova vizinha? – o homem gritou, aproximando-se. Eu ainda olhava para o saco dele. – Ei! Como é mesmo o seu nome? – Parou bem na minha frente, e me vi obrigada a encarar o seu rosto.


Minha língua dançou a macarena no chão da varanda. A baba escorreu pela beirada da minha boca, e achei que o dia estava quente demais para o meu gosto. Devia fazer tipo uns... quinhentos graus Celsius.


O homem sorriu de um jeito malicioso, notando o meu estado de transe imediato. Dentes brancos maravilhosos se puseram à mostra. Olhos escuros e sobrancelhas grossas incitaram a mais profunda sacanagem.


Ele chacoalhou uma mão na minha frente.

 

– Ei! Acorda!

 

– Puta que pariu.

– Hã?

– Meu nome é Lili... –

Consegui erguer uma mão para frente. Ele a apertou utilizando mais força que o necessário. Como sua mão era quente!
Minha língua continuou fazendo a dancinha ridícula da macarena.


O cara sorriu ainda mais maliciosamente. Na moral, não dá para descrever o que foi a visão daquele homem de cueca, rindo daquele jeito na minha frente. Era um absurdo. Uma afronta contra toda a comunidade feminina.

 

– Muito prazer, Lili. Prazer até demais... Ah! – Ele soltou um gemido? Sério, produção?


Não soube responder na hora, mas o sorriso sacana não desapareceu do seu rosto por nada. – Pensei que uma velhota tivesse comprado o 104.


– Acho que eu sou a velhota –

murmurei, ainda sem acreditar nos meus olhos que a terra há de comer.


O cara gargalhou. Tipo, mesmo. Colocou até uma mão na barriga, composta por um tanquinho que me fez perceber que lavar roupa não seria algo tão ruim assim.

 

– De modo algum, Lili! Você tá no ponto.
No ponto de quê, Senhor?

– Desculpa, como é seu nome mesmo? – Fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa.


Tomei fôlego e os reabri. Precisava me concentrar. Aquela energia que fazia os meus olhos serem atraídos para a cueca do homem não podia ser mais forte que eu.


– Você pode me chamar do que quiser... – falou com a voz nitidamente afetada e piscou um olho. Depois, passou a língua por seus lábios grossos.


Achei que fosse desfalecer. Passei séculos traduzidos em um segundo tentando assimilar o que tinha sido aquela passada básica de língua.

– Ok, vou te chamar de Calvin – falei sem pensar.

– Calvin? – O cara fez uma careta divertida.

– Calvin Klein. –

Olhei para a sua cueca, e ele gargalhou alto. Era a marca da maldita. Sei disso porque tinha uma faixa com o nome rodeando a sua cintura definida.


Sem conseguir reagir a mais nada, simplesmente virei as costas e entrei na minha nova casa sem sequer olhar para trás.


Como eu estava dizendo... Podia ter sido com você. Mas foi comigo. E, dali em diante, descobri que morar sozinha podia significar tudo, menos tranquilidade. A minha mudança necessária  não podia ser normal, afinal, eu não sou normal. Tenho uma família doida que me fez desenvolver distúrbios psicológicos irreparáveis.


Juro que só queria paz. Queria tédio. Queria um domingo de pura morgação diante do Faustão, comendo pizza requentada e esperando pela segunda-feira como quem espera pela morte.


Mas não. Nada seria igual e, ao mesmo tempo, seria tão louco quanto. Não podia esperar pelo diferente, não depois de ter conhecido o Sr. Calvin Klein, mais conhecido como o safado do 105.


Notas Finais


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