História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 11


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
Visualizações 143
Palavras 3.108
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Buenos dias

Capítulo 11 - Capítulo 11



Povoa a solidão é tarefa fácil para quem tem
um monte de gente para amar

 


Saí de casa logo cedo e, pela respiração alta que escutei no meu quarto assim que despertei, Calvin ainda estava dormindo. Dirigi até a casa dos meus pais. Não havia telefonado ou deixado qualquer aviso, apenas achei que necessitava de um domingo em família, como todos os outros.


Talvez a sensação de normalidade fosse o meu melhor remédio.


Tive a certeza de ter feito a coisa certa quando encontrei os meus pais, a minha avó e os meus irmãos sentados ao redor da mesa para o café da manhã. Eles quase não acreditaram quando me viram (mamãe arregalou os olhos e a minha avó, que normalmente é bem lenta, ergueu-se da cadeira em questão de segundos). A recepção foi calorosa. Os beijos e abraços vieram de todas as partes. Não demorou muito até que a confusão foi instalada; todo mundo falando alto e de uma vez só. Eles jamais mudariam.


Fui obrigada a narrar cada detalhe da minha semana. Claro que não falei nada sobre a loucura com o Calvin, porém me percebi comentando sobre ele (também omiti o fato de o meu vizinho ser muito do gostoso e igualmente safado) quando o papai perguntou se eu tinha feito alguma amizade no bairro. Infelizmente, a ideia de todos irem me visitar foi levantada em algum momento. Precisei enrolar, dizendo que não estava pronta para receber visitas, mas claro que ninguém me deu bola.


Marcaram um almoço para o sábado seguinte sem ao menos perguntarem se eu estaria disponível.
Bom, pelo menos havia sido um almoço. Calvin provavelmente sairia para o trabalho, e todos iriam embora antes de escurecer. No fundo, eu não queria que ninguém o conhecesse. Seria muito desconcertante. Minha família já era doida, visualizá-la em convivência pacífica com outro doido – ou seja, o Calvin – não me passava pela cabeça. Tenho certeza de que se juntariam para falar sobre mim daquele velho jeito chato de quem não tem o que comentar, então descobrem um assunto em comum (que no caso seria eu) para falar as mais diversas besteiras. Uma merda completa.


Além de tudo, eu não queria que a minha irmã conhecesse o meu vizinho. Sara chega a ser pior do que ele. Sério, a doida é muito safada. Tenho certeza de que se atiraria em cima do sujeito. Sabendo que ele não é nada seletivo, com certeza daria em merda. E antes que ela fosse feita, eu não teria coragem de contar para a Sara que ele já tinha “dona”. Quero dizer, não sou dona dele, mas a minha irmã não pode ficar com um cara que fiquei e que por acaso é o meu vizinho, certo? Seria no mínimo muito esquisito. Só de pensar nisso o meu estômago dava reviravoltas.


Passei o dia inteiro com eles. Almoçamos no quintal, como sempre, e depois cada qual foi fazer o que mais gosta; Sara saiu com as amigas, Guilherme foi andar de skate (alegando que iria jogar videogame no vizinho, mas eu o conheço muito bem), papai foi ler o jornal e mamãe foi à missa com a vovó. Acabei indo com elas. Não me considero tão religiosa  assim, mas gostava de ouvir a Palavra às vezes. Sentia-me reconfortada durante toda a semana quando ia à missa aos domingos. E foi assim que me senti quando saí de lá; acho que Deus abriu a minha mente e me disse para me manter tranquila.


Pensei em voltar para casa, mas a minha mãe exigiu a minha presença no jantar. Ela é muito mandona, vocês não fazem ideia. Na verdade, estava acostumada até demais a mandar em mim, só que daquela vez fiquei porque quis.


Enquanto eu a ajudava a cozinhar, pensei muito sobre isso. Cheguei à conclusão que, no fundo, a minha mãe sempre me mandou fazer o que precisei. Nem sempre foi o que eu quis, claro, mas essa é a função das mães. Se eu não tivesse sido educada deste modo, certamente não saberia diferenciar o que é bom ou ruim para mim. Ela havia cumprido com o seu dever muito bem. Um filho que não obedece aos pais acaba desobedecendo às regras, às leis e à própria ética... A obediência, por mais chata que seja, é um fator necessário para o bom desenvolvimento de qualquer um.


O jantar estava divino. Senti-me orgulhosa por ter ajudado a prepará-lo. Vovó ainda decidiu  fazer pudim de leite para a sobremesa, e claro que logo me lembrei do Calvin. A hora da divisão do doce foi uma loucura. A discórdia era instalada na minha casa sempre que havia a presença de alguma coisa muito gostosa para ser compartilhada. Isso jamais mudaria, pelo visto.


Depois que consegui me servir do pudim, tentei desvirtuar os meus pensamentos enquanto lambia a minha própria colher, mas devo ser muito idiota mesmo. Definitivamente, havia mudado muito.


Sara acabou percebendo o meu comportamento estranho.

 

– No quê está pensando enquanto lambe esta colher, Lili? – perguntou assim, na maior cara de pau.

– Sara! – Papai reclamou, olhando-a feio. Guilherme começou a gargalhar.

– Sempre amei doces – defendi-me, mas não consegui fingir normalidade. Meu rosto havia superaquecido, e mamãe percebeu também. Ela ergueu uma sobrancelha e ficou me analisando.


Continuei comendo normalmente.

– Está de namorado novo, filha?


Sério, eu ia matar a Sara. Por que as irmãs mais novas sempre têm que falar merda pros seus pais? Já não bastavam as inúmeras confusões nas quais tinha me metido por causa dela!

– Não, mãe.

– Lili vai morrer encalhada – Guilherme comentou. – O último, aquele cara... o do cabelo espetado... – Gesticulou, assanhando os cabelos lisos para cima. – Foi embora porque não aguentou as “nóias” dela.
Obviamente, ele estava falando do meu ex-namorado.

 

– Guilherme! – Papai reclamou de novo.


Dei de ombros. Na verdade ele tinha ido embora porque achou uma morena dos olhos azuis  e do peitão, que provavelmente era melhor de cama do que eu. Nosso relacionamento era composto apenas por muito sexo e zero diálogo. Quero dizer, não tinha como dialogar com o sujeito. Era bonito, sim, mas igualmente burrinho.

 

– Ela só está esperando o rapaz correto. Não é mesmo, Lil? – Vovó era tão legal! – Para quê ter pressa? Eu me casei com dezessete anos e me arrependo até hoje... – Parou e sorriu. Ela não gostava de falar sobre o vovô. Ele era viciado em jogos e acho até que batia na coitada. Não sei bem a história toda. Só sei que ele morreu há muito tempo, nem cheguei a conhecê-lo.

 

– Que nada, vó! Ela tem vinte e oito anos e está encalhada, daqui para que se case... Acho que vai ficar para titia. – Sara observou a Clarinha, que estava sentada ao seu lado, em uma cadeira especialmente para ela. A menininha comia o pudim com tanta concentração que nem ligava para o que estávamos falando.

 

– Melhor do que ser mãe solteira – alfinetei em um resmungo. Encarei a minha irmã seriamente.


Ela me deu língua.

– Lili! – Papai, como previsto, reclamou.
Sara fechou o bico e começou a limpar a boca da filha.

– Não fale assim com a sua irmã, Rai! – Mamãe veio defendê-la. Dificilmente eu venceria algum embate contra qualquer um dos meus irmãos na frente dos meus pais.

– Ela que começou. Não pretendo ter compromisso com ninguém por agora, só isso. Estarei com alguém assim que mudar de ideia. – Encarei o Guilherme. Ele riu com ironia.

– Tá certo!

– É, Gui... Pelo menos não estou em um relacionamento sério com a minha mão direita e com as garotas da Playboy.
Ele congelou. Sorri. Mamãe olhou feio para ele.

– Ainda guarda aquelas revistas horrorosas, Guilherme? – Ela odiava descobrir as artimanhas que o meu irmão usava para ver pornografias. O computador dele já estava com todos os sites devidamente bloqueados. Coitado do garoto.

– Não!

– Claro que guarda, devem estar embaixo da cama. – Sara me ajudou. Sorri mais amplamente. A gente só se juntava de verdade quando era para ficar contra o Guilherme.

– Vou dar uma olhada nisso. – Papai fez uma careta para ele, balançando a cabeça como se sentisse verdadeira vergonha de ter um filho viciado em masturbação.


Guilherme ficou soltando fumaça pelas ventas, morrendo de raiva. Depois de um segundo, senti pena dele. Eu não tinha feito aquela visita para me comportar do modo infantil como sempre me comportava quando estava com a minha família. Precisava mostrar maturidade. Fazer jus à posição de irmã e filha mais velha, que mora sozinha e é independente.

 

– Relaxa, papai. Ele vai fazer dezoito anos daqui a dois meses. Vamos mudar de assunto.


Guilherme me olhou de um jeito confuso, bem como a Sara e o meu pai. Não me importei.
Vovó sorriu e me serviu de mais pudim. Por um segundo, imaginei como seria ter o Calvin ao redor daquela mesa, sorrindo do jeito sacana e fazendo comentários dúbios sobre tudo, incluindo a sobremesa.


Deixei uma névoa densa chamada pensamento racional dissipar tudo o que a minha mente perturbada tinha imaginado. Não era saudável pensar no meu vizinho fora de hora. Aliás, em hora alguma isso era saudável.


O assunto foi devidamente desviado pela minha mãe. Tiraram-me da berlinda e colocaram a Sara. Graças aos céus! O fato de a minha irmã não ter um emprego era preocupante para todo mundo, menos para ela. Sara fazia pouco caso, alegando que não trabalharia em paz enquanto a Clara não estivesse crescida. Todo mundo discordava daquilo, afinal, papai estava pagando um hotelzinho caro.


Sara deixava a Clara lá e passava o dia todo de fofoca com as amigas.


Sempre achei a minha irmã uma mimadinha de merda, mas daquela vez decidi ficar calada. Ela só tinha vinte e um anos e duas vidas para tomar conta: a dela e a da minha sobrinha. A coitada não tinha consciência nem para cuidar de si própria. Infelizmente, meus pais precisavam sentir um pouco a educação diferenciada que deram para ela. Por mais que tivessem sido perfeitos comigo (dizendo- me não quando era preciso), eles erraram feio com ela (dizendo-lhe sempre sim). Achei que eu era a mais prejudicada na história, mas me enganei. Sara, agora, estava precisando de todos os “nãos” que não havia recebido. Eu os dividi em prestações que duraram vinte e oito anos. Ela teria de pagar à vista.


Deixei a casa dos meus pais com a alma renovada. Pronta para encarar mais uma semana de trabalho. Também retirei do meu peito aquela sensação chata de solidão. Eu não estava sozinha, podia contar com a minha família do mesmo jeito como sempre contei. Podia voltar a curtir a minha própria companhia sem medo de ser uma pessoa solitária. Morar sozinha não significa estar sozinha.


Já era noite quando abri a portinha de madeira. O clima estava bem frio e seco, uma brisa irritante soprava e me trazia arrepios. A casa dos meus pais era sempre tão aconchegante que nunca sentia o frio que fazia lá fora, por isso foi uma surpresa comprovar que a noite seria uma daquelas que eu nem ousaria ligar o ar-condicionado.


Liguei as luzes do jardim, mesmo já sendo tarde e ter visto as luzes da casa do Calvin acesas.


Gostava do aspecto que o jardim fornecia à noite, quando as luzinhas embutidas em pequenas grades no chão faziam o seu serviço. Sentia-me em uma espécie de floresta encantada. Doideira, não? Enfim, só sei que eu gostava de percorrer aquele trajeto até a minha humilde varanda.


Para a minha total surpresa, percebi que as rosas do vaso haviam sido renovadas de novo. Mas isso não foi tudo. Além do de sempre, havia a presença de outro vaso, que era só um pouquinho maior.


Flores de uma coloração incrível fizeram os meus olhos brilharem. Agachei-me para observar melhor.


Não entendo nada de flores, mas aquelas eram lindas. Mal consegui identificar aquela cor, e depois de um tempo acreditei que eram roxas.
Sorri. Passei alguns segundos sorrindo para elas, como se fossem capazes de sorrir de volta.


Sentei-me no chão em algum momento. Cruzei as pernas em posição de borboleta e coloquei a minha bolsa no chão. Não soube dizer direito o que aconteceu, acho que estava começando a admirar de verdade as plantas e flores daquele jardim. Nunca fui uma pessoa ligada à natureza (na verdade sempre achei esquisito esse povo que ama as plantas como se fosse gente), mas me senti conectada com o ambiente, como se cada folhinha pudesse me compreender.


Estava muito absorta quando senti um trambolho ao meu lado. Levei muito tempo para entender que o Calvin tinha aparecido e se sentado. Encarei-o com ar confuso, depois apenas sorri. Ele sorriu de volta. Daquele jeito. Pensei que falaria alguma coisa, mas se manteve calado também.


Tive tempo de sobra para observá-lo; estava usando calça de moletom preta e uma camisa de manga comprida branca. Parecia ser de um tecido bem grosso. Realmente, fazia muito frio. A minha calça e o tênis trazia conforto às minhas pernas, porém meus braços expostos não paravam de se arrepiar. Péssimo dia para escolher usar blusa de alcinha.


Abracei a mim mesma depois de uma rajada de vento forte. Calvin sorriu ainda mais e, do nada, tirou a própria camisa. Ofereceu-me. Olhei-o torto, porém uma força interna me fez pegá-la sem questionamentos. Vesti-a e me abracei, sentindo o cheiro dele quase me fazer surtar. A visão diante de mim também não ajudava. Jamais me acostumaria com a beleza daquele homem.

 

– Qual é o nome dessa flor? – perguntei baixinho para não incomodar o silêncio. Toquei no vaso novo, alisando as flores com carinho.

– Você tem mesmo problemas com nomes – Calvin também falou baixo. Sua voz foi capaz de interferir no meu sistema nervoso. Resultado: meu coração acelerou de imediato.

– Não tenho problemas com nomes. Só que tudo tem um nome, e eu queria saber.

– Por quê?
Franzi a testa.

– O nome é a primeira coisa que a gente conhece de alguém ou de alguma coisa.
Calvin riu fraco. Alisou meus cabelos do mesmo jeito como eu estava fazendo com as flores.
Senti o meu couro cabeludo se arrepiar. Sério, a sensação foi esquisita, pensei que o meu cérebro esmagaria o meu crânio, ou vice-versa.

– Quando a gente conhece o nome, pensamos que sabemos tudo sobre aquilo. Então nos esquecemos ou ficamos com preguiça de saber o restante... – Seus dedos pararam nos meus lábios.
Senti um calor fora do comum tomar conta do meu corpo. Calvin olhou para as flores. – O que achou delas?

– São lindas... Obrigada.

– E o quê mais?
Dei de ombros.

– São... Sei lá... Há algo nesta cor. Trazem uma sensação de alegria. Além de que são pequenas, singelas... Ela também não tem perfume, mas isso não me pareceu ruim. É como se evitassem se expor, mesmo que a cor faça isso por elas muito bem.

– Viu só? Se você soubesse o nome não se preocuparia em desvendar mais sobre elas.
Aquiesci, compreendendo totalmente o que ele queria dizer. Estava falando sobre si mesmo.
Sobre o fato de eu não saber o seu nome, e de isso não ser o mais importante.


Tive vontade de abraçá-lo. Nem tentei me conter, envolvi meus braços ao redor do seu pescoço e depositei a minha cabeça em seu peito firme. Senti braços enormes me envolverem.


Calvin começou a sussurrar bem baixinho, fazendo seu hálito brincar com o topo da minha cabeça:

– “A violeta é introvertida, e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia.
Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada, mas exige da gente que o busque. Não grita nunca seu perfume. Violeta diz levezas que não se podem dizer”.


Fechei os olhos, sentindo-me embalada pelas palavras. Sinceramente, não me passou pela cabeça o que aquele homem estava tentando fazer comigo (e conseguindo que era uma beleza). Não parei para raciocinar, e talvez este tenha sido o meu maior erro.

– São violetas? – Dã. Pergunta mais idiota impossível.

– E as palavras?

– Dona Lispector.
Suspirei.

– Sua mãe gostava muito dela.

– Creio que sim. Eu também gosto.

– Acho que estou aprendendo a gostar. – Levantei um pouco a cabeça para observá-lo de perto. Seus olhos escuros analisaram cada partícula do meu rosto, até que pararam na minha boca.
Calvin prendeu os lábios. Depois, sorriu sacanamente.

– Da Clarice ou de mim?
Continuei séria.

– Dos dois.
Calvin me soltou muito rapidamente. Ficou sério na velocidade da luz, olhando-me como se eu fosse um E.T.. Levei uma espécie de susto com o seu movimento brusco, e só então percebi o quanto estava dando uma de romântica.
Eu, hein? Onde já se viu?

– Não se preocupe, Calvin, eu sei até que ponto posso gostar de uma escritora morta e de um vizinho safado. – Sorri.
Ele gargalhou. Acompanhei-o, sem opção. A verdade era que eu não fazia ideia do quanto podia gostar dele (se é que podia gostar). Mas o coitado, que era avesso a compromisso (devia ter desenvolvido uma espécie de alergia), não devia saber da minha capacidade de me perder dentro de mim mesma.

 

– Só estava esperando você chegar. Agora que sei que está bem... Boa noite, Lili.
Ele estava fugindo. Era notável. Até foi se levantando na maior correria. O clima estranho em que entramos foi demais para ele. Não me surpreendi, pois havia sido esquisito até para mim.


Levantei-me também e abri a porta da minha casa. Nem o respondi. Calvin segurou a minha mão antes que eu entrasse. Voltei a minha atenção para aqueles olhos escuros maravilhosos.

 

– Não vai me dizer boa noite?

– Vou. Assim que estivermos em nosso quarto.
Ele riu alto.
– Nosso?

– É. Afinal, o que é uma parede de gesso?
Pensou um pouco.

– Uma coisa chata que me impede de tirar a sua roupa todas as noites. Se é que você dorme de roupa...
Eita, pau! Devo ter ficado da cor das flores novas com aquela frase. Calvin apenas riu. E por um raio de segundo eu odiei tanto aquela parede que já cogitava pegar o meu martelo de carnes só para me livrar dela.

 

– Hoje eu vou dormir só de calcinha. – Recuperei o meu fôlego e tentei entrar no jogo sacana daquele cara... sacana.
Ele lambeu os lábios deliciosos, que imploravam por um beijo.

– Que cor? – É um safado mesmo!
Olhei para o chão. Sorri.

– Violeta.
Ouvi a sua gargalhada antes de fechar a porta praticamente na cara dele. Depositei o meu corpo contra a porta, soltando um longo suspiro, e só então notei que ainda estava usando a sua camisa.


Pensei em devolvê-la, mas desisti. Já estava decidido: ia dormir de calcinha violeta e de camisa branca quentinha, com o cheiro do meu vizinho delicioso, sensível e estupidamente cafajeste.


A ideia do martelo de carnes ainda estava fixa na minha cabeça.
 


Notas Finais


comentem
XOXO


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