História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 14


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
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Palavras 2.586
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom dia Brasil
Boa tarde Itália
huhauahuahauha
Ficarei a tarde todinha fora
não sei se terá outro capítulo

Capítulo 14 - Capítulo 14


Quando ambos estão arrependidos a culpa é somente de quem não cede primeiro, ou seja, a culpa é minha


A minha sexta-feira foi uma meleca (tudo estava verde e pegajoso como uma). Primeiro porque dormi no tapete. Claro, acordei toda quebrada. Meu pescoço voltou a doer, precisei até ingerir um comprimido de anti-inflamatório. Tomei um banho rápido, não comi nada e mesmo assim me atrasei quase meia hora. Meu chefe quase me engoliu. Havia muito a ser feito, qualquer atraso era significativo.


Passei o dia todo sem conseguir trabalhar direito. Minha concentração era facilmente desvirtuada; qualquer coisa se tornou motivo para pensar no Calvin. Não queria pensar nele, mas não encontrei outra saída. Foi involuntário. Os pensamentos apareciam sem que eu fizesse esforço algum.


Todas as ideias que juntei se resumiram a uma grande conclusão: eu estava certa. Ele tinha sido muito ridículo comigo. Tudo bem que o ofendi sem querer, mas foi o idiota que veio com aquele papinho de que gosta de mim e não quer me fazer sofrer.


Dá licença, né? Não tenho paciência para isso. Se o Calvin ficasse calado e voltasse a transar com as vadias, não me importaria (mentira cabeluda). Ok, seria melhor do que dar uma de coitado.


Esse papinho de “eu não sirvo para você” é uma palhaçada. Para mim o raciocínio é muito lógico: se me comporto de um jeito que não me faz merecer certas coisas, simplesmente mudo de atitude para fazer por onde merecê-las. Mas não, ele vive naquela ladainha, conformando-se em ser safado como se fosse algo absolutamente imutável. Só pode ser preguiça, comodismo, má vontade... A culpa de ser safado é só dele. Se gosta de ser assim, então para quê o draminha? Estava tentando se desculpar por não ser quem eu queria que fosse? Conta outra!


Sou madura, apesar de tudo. Entrei na situação sabendo onde estava me metendo. Não estava exigindo nada dele, muito menos um compromisso, coisa que não estava em meus planos para aquele ano (talvez nem para aquela década).


De uma coisa eu tenho certeza: sou exatamente quem quero ser. Realizo cada um dos meus sonhos com muita luta e determinação. Não fico olhando para a grama do vizinho, não espero nada cair do céu, não me lamento pelo que ainda não consegui. Sou transparente, acredito nos meus valores, tenho discernimento. E, sinceramente, não entendo como alguém pode dizer a frase “eu não presto” com tanta convicção, como se fosse uma doença terminal que só dependesse da sorte para obter uma cura. Deus me livre!


Ele era muito infantil. Precisava entender certas coisas, rever suas prioridades. A vida ia lhe dar pancadas fortes cedo ou tarde se continuasse a agir assim. Tudo bem que deve ser difícil ser tão novo e lindo, ter todas as mulheres que quiser, morar sozinho e não ter nenhum familiar com quem contar...


Calvin era bastante solitário. Sua sensibilidade não lhe deixava negar. Aquelas amizades (trocas de favores sexuais) não preenchiam o vazio que só o amor familiar pode oferecer.


Por incrível que pareça, depois de muito xingar, praguejar e quase morrer de raiva, comecei a sentir verdadeira pena do Calvin. Aconteceu perto do fim do expediente, quando o meu chefe já estava tão indignado que simplesmente me mandou ir para casa mais cedo. Aleguei estar sentindo cólicas (uma desculpa que sempre funciona entre os homens; eles não sabem o que isso significa, mas imaginam que você esteja praticamente tendo um aborto), pedi desculpas aos meus colegas e fui embora.


Tentei não me sentir uma derrotada enquanto dirigia pela cidade. Parei de sentir arrependimento.


A noite anterior foi incrível, nem mesmo as palavras imbecis do meu vizinho safado foram capazes de apagar as lembranças do nosso momento de entrega. Ainda podia sentir suas mãos me tocando. Meu ventre gritava toda vez que me lembrava daquele corpo impressionante me possuindo.


Revivi cada instante. Cada detalhe.


Recebi uma ligação da minha mãe (quase derrubei o celular antes de atender, estava distraída).


Ela avisou que a família não poderia almoçar na minha casa nova no dia seguinte (eu nem me lembrava daquele maldito almoço), pois vovó tinha amanhecido adoentada. Ninguém sai da minha antiga casa enquanto um membro estiver doente, era a principal regra. Já perdi muitas festas porque o Guilherme estava com febre, ou porque a Sara não parava de tossir.


Fiquei bastante preocupada com a minha vozinha querida, mas mamãe me tranquilizou, avisando que era apenas uma gripe. Como se tratava de uma senhora de quase oitenta anos, carecia de cuidados especiais. Concordei e avisei que faria uma visita quando ela estivesse um pouco melhor, pois não queria incomodá-la. Sei bem que vovó era uma cabeça dura, ia querer cozinhar alguma coisa para mim se me visse por lá.
Quando desliguei o celular, percebi que teria um fim de semana inteiro pela frente. Seria um tédio completo, mas não era isso o que eu queria desde o princípio? Usaria cada segundo para cuidar de mim. Ligaria o som bem alto e abriria uma garrafa de vinho. Cantaria como se não houvesse amanhã, gozando da minha liberdade conquistada à duras penas.


Decidi passar em um supermercado, precisava fazer umas compras e renovar os meus kits de cuidado pessoal: hidratantes, pinças, cera quente. Ia me renovar, estava precisando. A semana exaustiva fez com que eu mal soubesse que tinha um corpo para ser prezado. Sempre gostei de me cuidar, sou bastante vaidosa. Meu humor muda totalmente quando as minhas unhas não estão feitas.
Acredite se quiser.


Cheguei em casa perto das nove da noite. O trânsito da cidade estava caótico, a fila do supermercado quase dava voltas, e precisei ter muita força de vontade para não sair correndo, gritando feito uma louca. Abri a portinha de madeira e segui pelo jardim, parando apenas para, como sempre, ligar as luzes.


Percebi o Calvin sentado no batente de sua varanda, olhando para o nada. Estranhei completamente, afinal, ele devia estar no trabalho. Ainda era bem cedo para o expediente de alguém que trabalha em um restaurante ter fim. Também era esquisito estar sozinho no escuro. No que será que estava pensando?


De qualquer forma, desviei o rosto e prossegui. Estava disposta a dar uma ignorada até quando pudesse. Sou péssima em dar gelo, pois normalmente não sei guardar rancor. Já não estava com raiva – apesar de ter sentido quase o dia inteiro –, só meio chateada com o que havia nos acontecido. Foi desnecessário.


Tudo poderia ter sido resolvido antes de virar aquela bola de neve.


Subi o degrau da minha varanda e senti um cheiro incrível. Estaquei na hora e olhei para baixo.


Havia um arranjo enorme e muito perfumado, ao lado das rosas vermelhas e da violeta. Daqui a pouco ia precisar estufar a minha varanda de tantas flores que o Calvin me arranjava. O mais engraçado foi o fato de aquelas flores novas serem da mesma cor das violetas. No entanto, exalavam um cheiro divino, impossível de ser ignorado.


Curvei-me para observá-las, pois eram realmente muito bonitas. Alisei algumas delas, e só então percebi um bilhete ao lado. Peguei-o, já sentindo o meu coração bater forte. Devo ter soltado uns trezentos suspiros antes de ter a coragem necessária para lê-lo.


A letra horrorosa do Calvin estava lá, mas desta vez ele foi bem sucinto:

“Me perdoa?

C.”


O mesmo coração que batia acelerado se aqueceu instantaneamente. Fechei os olhos e soltei mais um bocado de suspiros. Já não sabia mais o que pensar; o certo e o errado se embaralhavam dentro do campo das minhas ideias. Acho que não existia um caminho fácil, por mais que estivesse procurando por um.


Eu podia dar meia volta e ir falar com ele. Seria muito simples. Cheguei a descer o degrau da minha varanda, mas desisti. Talvez Calvin estivesse precisando de um pouco mais de aprendizado.


Olha, a gente aprende muita coisa com o arrependimento. A dor faz a gente raciocinar de todas as formas, até não ter mais opções. Não estaria dando a chance de que ele precisava se simplesmente o perdoasse. Ele não mudaria nada. Ninguém muda de um dia para o outro.
Engoli a minha vontade de abraçá-lo e entrei em casa sem olhar para trás, mal sabendo que aquele simples gesto significaria tanto para mim (e mais ainda para ele). A verdade foi que quase morri de saudade. O fim de semana foi do jeito que planejei, mas percebi que todos os meus planos estariam longe do meu real desejo só porque não o envolviam.


Depois daquele dia, não o vi mais. Sentia a sua presença no “nosso” quarto, e só. Ele não conversava comigo sob nenhuma hipótese. Recebeu suas vadias em alguns dias da semana, e quis morrer em cada um deles. Calvin tentou ser discreto (tentativas frustradas), mas o ruído involuntário que fazia para tentar abafar os sons do sexo com as cadelas me deixava mais do que irritada. Eu ficava triste. De verdade.
Como nunca pensei que fosse ficar por um homem.


Na quinta-feira percebi a sua presença pelo jardim. Estava aguando as plantas como de costume.


Era de manhãzinha, e eu estava parecendo um zumbi porque decidi dormir na sala. O motivo você já conhece. Desejei-lhe um bom dia fraco, que foi respondido com mais fraqueza ainda. Sua voz saiu comedida, fria. Um tom que pensei que jamais fosse conhecer partindo dele.
Percebi que estava fazendo papel de idiota. Havia começado com a ideia do gelo para fazê-lo refletir e mudar, mas Calvin se comportava do mesmo jeito. Aliás, ele estava bem pior, porque antes ainda me tratava bem. Preferia mil vezes voltar a falar com ele, e ter a possibilidade de sair magoada, a encarar a sua frieza para o meu lado.


Depois de muito raciocínio, compreendi que eu não tinha o poder de mudá-lo. Eu só era uma vizinha chata que tinha comprado uma parte da casa que sempre foi dele há menos de um mês. Na verdade, Calvin tinha motivos de sobra para me detestar (ou pelo menos a minha presença por ali), e não o contrário.


Depois de uma sexta-feira vazia em que quase morri por ter tomado uma decisão equivocada, decidi seguir o meu próprio conselho. Não podia esperar as coisas caírem do céu, não dava para me acomodar e viver como se nada de mais estivesse acontecendo. Calvin já tinha me pedido desculpas.
Se eu quisesse mudar a situação, então a atitude devia partir de mim, e não dele (vai que eu desse outro fora, né?).


Era a minha vez.


Pensei em alguma coisa legal o bastante. No início, nada conseguia se manter na minha mente por mais de um minuto; descartava as ideias tão rápido quanto elas surgiam. Tudo me parecia uma idiotice completa; as minhas atitudes, as atitudes dele... Parecíamos dois adolescentes emburrados sem propósito. Só queria pôr um fim naquilo tudo.


A minha avó, que ainda não tinha melhorado da gripe (segundo a última ligação que eu tinha feito), sempre dizia que há sentimento quando não há indiferença (ela sempre me dá conselhos sentimentais, não ligue. Acho que foi a primeira a saber que eu não sou mais virgem, tipo, meus pais ainda fingem que sou).


Mesmo distante, sabia que o Calvin não era indiferente a mim. Se fosse, não faria questão de me manter tão longe. Ele é o tipo de cara que, quando não se importa, simplesmente age daquele jeito safado considerado comum. Contudo, o seu comportamento estava muito longe do normal.


Pus a minha ideia (medíocre!) em ação no sábado de manhã. Calvin não estava pelo jardim, procurei-o por toda parte. Dei uma espiada em sua janela e pude vê-lo preparando alguma coisa na cozinha. Não estava com fones, e não dava para escutar música alguma, então supus que escutaria se eu batesse na porta.


Passei alguns segundos observando o modo como revirava alguma coisa no fogão, parecendo muito concentrado no que fazia. Ficava tão lindo e sexy cozinhando! Quase me esqueci do que tinha ido fazer ali. Calvin tem esse efeito sobre mim; esqueço do mundo quando sei que estou perto dele.


Suspirei profundamente e voltei até a porta. Tomei ar e coragem, embora o segundo tenha sido bem mais difícil de ser tragado. Dei batidas de leve e esperei. Fechei os olhos, e só os abri quando ouvi a sua porta ser aberta.


Não sei explicar o que senti quando aqueles olhos me encararam novamente. Estavam serenos.


Misturavam o reconhecimento e o estranhamento; pareciam os mesmos, mas alguma coisa tinha mudado. Tentei não prestar atenção em mais nada além deles. Sabia que Calvin usava apenas um short imples de ficar em casa (que mais caía do que ficava em sua cintura), porém o seu corpo estupendo só era uma casca que escondia o que estava em seu olhar.

 


Entreguei-o a caixinha em minhas mãos. E o bilhetinho também. As palavras foram estudadas, selecionadas e escritas por mim. Calvin pegou, sem nada questionar, e foi logo abrindo o bilhete.


Estava muito sério. Até demais para o meu gosto.


Eu sabia de cor o que tinha escrito ali, mas foi incrível acompanhar a sua reação.


“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida”. – Clarice Lispector
Eu perdoo. L.”


Primeiro Calvin riu. Começou de levinho, mas foi se intensificando. Meu coração precisou abrir a sua porta para absorver aquele riso saudoso. Não me lembrava de ter sentido tanto conforto por causa de um simples sorriso. A coisa ficou mais bizarra quando, ainda analisando seus olhos, percebi que se encheram de lágrimas.


Tentei entender o que estava acontecendo, mas o Calvin começou a abrir a caixinha, ainda rindo. Retirou de dentro o objeto que eu havia comprado na noite anterior: uma corrente de prata com um pingente indicando a letra C. Ele começou a balançar a cabeça freneticamente.

– Como... Como? – sussurrou com ar confuso. Os olhos foram perdendo o brilho. Infelizmente, ele deve ter feito um esforço para se recompor. Não sei como conseguiu.


Achei que seria melhor lhe explicar o porquê daquele presente.

– Não me importa qual é o seu nome. Eu quero o melhor do Calvin, meu vizinho safado do 105. – Sorriu, finalmente me olhando. – Não estou me iludindo, pois sei que você vale a pena. Não vou deixar de ser sua amiga. Permita que eu sinta seu perfume e admire a sua cor... Como faço com aquelas flores. Assim quem sabe possa te conhecer por inteiro... Sabe, as rosas têm espinhos, e não é por isso que vou desistir de admirá-las. Respeito cada espinho, pois entendo que foi o modo que ela escolheu para se proteger.


Calvin arfou alto. Colocou a corrente por cima da cabeça e a segurou com as mãos fechadas.


Continuou me olhando com bastante emoção. Mal consegui me mexer.

 

– Fala alguma coisa... – pedi.
Suspirou. Sorriu com malícia logo em seguida. Minha cabeça deu tilt.

– “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência, e sim de sentir... De entrar em contato... Ou toca, ou não toca”, tia Lispector – murmurou com a voz rouca.


Simplesmente me atirei nos braços dele. Já não precisava de muita coisa para me incentivar a querer tocá-lo, com aquela frase então... Se for lhe tocando que eu o entenderia, então que se preparasse.
Seu corpo seria o meu mais novo touch screen.
 


Notas Finais


Favoritem...
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Divulguem...
Até Mais
XOXO!


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