História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 15


Escrita por:

Postado
Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
Visualizações 640
Palavras 2.776
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Consegui voltar !!!

Capítulo 15 - Capítulo 15



É muito raro conhecer mais do que a ponta do iceberg de alguém, porém estava disposta a mergulhar bem fundo 


Foi cena de novela. Juro que nunca imaginei viver uma loucura dessas; Calvin me puxou em seus braços e nos beijamos com fervor, chocando nossos corpos contra a parede, atravessando os cômodos de sua casa como dois selvagens. A saudade que eu sentia de seus lábios prometeu não ir embora tão cedo. Só isso foi capaz de me deixar assustada, pois não me lembro de ter desejado alguém com tanta intensidade.


Seguimos pela sala carimbando as paredes, caímos no sofá desajeitadamente, continuamos nos beijando por lá até que o Calvin nos levantou

– isso tudo sem desencostar nossos lábios – e, por fim, entramos no que achei ser seu quarto. Não que eu tenha aberto os meus olhos para conferir. Só descobri quando fui jogada em cima de uma cama macia, com o corpo maravilhoso daquele homem sem ousar se desgrudar ao meu.


Abracei-o com as pernas e os braços, sentindo-o por inteiro. Foi maravilhoso. Não tem como descrever o que senti quando me vi absolutamente enlaçada a ele. Desconheço qualquer palavra apropriada para definir como o meu corpo reagia. Era mais ou menos do jeito que a Clarice havia descrito: um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter na vida. E a urgência também me assustava.


Mesmo estando com um pouco de falta de ar, não queria findar aquele beijo que tinha iniciado ainda na porta da frente. Calvin começou a me tocar com a desenvoltura já conhecida por mim. Era o seu velho modo safado de tocar o corpo de uma mulher, misturando cuidado, dedicação e doses de desejo. Confesso que não existiu um centímetro de mim que não quisesse receber aquele toque cafajeste com toda a intensidade possível.


De repente, Calvin decidiu parar tudo (alguém deve ter clicado no pause diante da cena erótica, porque não é possível, foi muito repentino). Desvencilhou-se dos meus braços e se deitou ao meu lado.


Só então abri os meus olhos, sentindo-me confusa e perdida. Encarei-o. Ele me pareceu tão confuso e perdido quanto eu.
Soltei uma interrogação em forma de suspiro.

 

– Desculpa, Lili... Sei que se importa com isso. É que... – Minha careta se intensificou. – Aquela parada, sabe... Das vinte e quatro horas.


Fiquei o observando sem entender bulhufas, até que o meu cérebro retornou ao funcionamento normal. Compreender o que ele estava tentando me dizer foi um baque terrível para mim. Preferia mil vezes a ignorância, e cheguei a fazer uma careta grotesca, pronta para ir embora. Só depois que um resquício de maturidade me fez ficar tranquila.


Calvin tinha transado com alguém em menos de vinte e quatro horas, e teve a decência de me avisar. Era muito deprimente imaginá-lo com uma de suas vadias, mas eu via diante de mim uma mudança. Uma pequena e significativa mudança. Ele podia muito bem ter omitido aquela informação.


E eu jamais saberia, pois realmente não tinha ouvido nada além de sua respiração na noite anterior.

– Calvin... – murmurei. O safado permaneceu com o rosto meio confuso. Não dava para ter a mínima noção do que estava pensando, e achei melhor não saber mesmo. – Isso foi legal. Sério.


Ele sorriu. Sorri de volta.

– Tem certeza? Eu... Não acredito nisso. Quero muito... – Calei a sua boca com o meu dedo indicador. Depois, dei-lhe um selinho demorado. Ele não reagiu, apenas recebeu a minha carícia.


O meu corpo foi tomado por um impulso louco, fazendo-me praticamente subir nele. Terminei com as pernas ao redor da sua cintura, inclinada sobre o seu corpo divino. Separei nossos lábios, mas o observei de muito perto. Calvin sorriu de leve.

 

– Obrigada por ter me avisado. Foi muito gentil. – Desci uma mão mais ousada até o volume firme que demarcava o seu short. Calvin suspirou e balançou a cabeça, provavelmente sem acreditar em si mesmo.


Decidi não ficar atiçando. Depois de mais um selinho molhado, sentei-me na cama na direção oposta à nossa parede compartilhada. Dei uma bela olhada em seu quarto. Era exatamente do tamanho do meu, mas creio que seja a única coisa em comum.

 

– Então... Este é o seu quarto.


Levantei-me devagar e fui andando na direção de uma estante. Era enorme. Na verdade, tomava uma parede inteira. Estava abarrotada de livros, e foi então que percebi que o seu quarto tinha um cheiro característico de papel envelhecido mesclado com seu cheiro gostoso. De um modo geral, não achei ruim.

 

– Sim. Agora, você pode tentar me conhecer. – Ouvi a sua risada gostosa. Meus nervos sentiram todo o poder que ela tinha sobre mim.
Guiei as minhas mãos por alguns exemplares. Havia de tudo um pouco: enciclopédias, romances, suspenses de Stephen King, um acervo imenso da Agatha Christie, livros de poesia e, claro, muita coisa da Clarice Lispector. Havia os mesmos títulos dela em várias edições distintas. Fiquei encantada com a variedade.

 

– Você é um metido – defini.


Calvin gargalhou, e foi impossível não acompanhá-lo. Virei-me na sua direção a fim de observar o quarto como um todo. Passei alguns segundos admirando o seu corpo deitado lindamente na cama desforrada, mas logo procurei me restabelecer.


Havia uma cômoda grande ao lado da cama, provavelmente local onde colocava suas roupas, visto que não encontrei nada parecido com um guarda-roupa. Prateleiras exibiam carros em miniaturas e alguns bonecos de super-heróis. Cocei a cabeça.

 

– E infantil. Acho que ainda está na puberdade. – Apontei para os bonecos. Calvin gargalhou novamente.


O que acabei de falar foi comprovado ainda mais quando reparei na TV e no videogame com o joystick bem posicionado no rack branco –mesma cor da cômoda e da estante –, sinal de que o utilizava com frequência. O safado do 105 era um menino.

– Quantos anos você tem, afinal? Doze? – Ri, desta vez apontando para o videogame. Calvin continuou gargalhando.

– Vinte e quatro, vizinha.
Bufei.

– Agora, sim, vou me sentir uma velha. – Sentei-me na beirada da cama, de costas para ele. – Tenho vinte e oito.
Suas mãos massagearam a minha coluna antes mesmo de eu terminar a frase. Fechei os olhos, e nem precisei me controlar muito para ter a minha pele arrepiada por completo.

– Ei, Lili... Não confunda velhice com maturidade. Você é uma mulher madura, mas não há nada velho em você.


Virei-me depressa e o puxei para mim. Seu rosto veio de encontro ao meu, e então lhe dei um beijo rápido.

 

– Ok... Você é metido a intelectual, infantil, bagunceiro... Paciente... É, porque só um cara paciente para conseguir colecionar tantos bonequinhos. – Gargalhou. Seu rosto estava tão perto do meu que absorvi cada sopro de seu hálito quente. – Deixa eu ver o quê mais... Sua janela não tem cortinas, então é um cara que gosta de acordar cedo, já que o sol bate bem deste lado... Eu me rendo, não sei conhecer ninguém pelo quarto!


Gargalhamos juntos.

 

– Até que está indo bem... Vamos lá, continue.
Suspirei. Fechei os olhos.

– Você é muito sensível, Calvin. Os livros... As frases... As flores... Até mesmo o fato de cozinhar mostra o quanto é sentimentalista. Cuida do nosso jardim muito bem. Uma pessoa que curte coisas tão modestas só pode ser alguém humilde, de bem com a vida, mas muito solitária. – Calvin se afastou um pouco para me observar melhor. O rosto foi tomado pela seriedade. – Você cozinha sozinho... Cuida das plantas como se elas fossem suas companheiras. O videogame não me deixa negar, só há um joystick ali. Não há um segundo play. Suas companhias não te acompanham no que você gosta de fazer.


Ele prendeu os lábios.

 

– Claro que me acompanham no que eu gosto. – Sorriu sacanamente. Bufei.

– Certo, digamos que você gosta muito de sexo, mas isso não é tudo. Vai dizer que é?
Ponderou por alguns segundos.

 

– Não, mas está no topo da lista. – Aquele sorriso canalha me trazia reações opostas demais para o meu gosto. – Não preciso de companhia para fazer o restante.


Aprumei o meu corpo para vê-lo totalmente de frente. Ambos estávamos sentados na cama, mas ele tinha os pés em cima dela, enquanto os meus estavam para fora.

 

– Então é isso? Você não gosta de companhia? Suponho que a sua mão lhe serviria muito bem se fosse o caso, não?


Ele riu bastante, mas não encontrei graça nenhuma naquilo. Por um instante, pensei em mim mesma. Adoro ficar sozinha. Acho até que acabo afastando as pessoas por causa disso. Não tenho companhia para fazer nada que gosto de fazer, e ultimamente não tenho feito tanta coisa além de sobreviver.


No fundo, não era muito diferente do Calvin. Talvez ele até fosse melhor que eu, já que ainda faz o que gosta nas horas livres. Eu só assisto a seriados, fico no computador... Não tenho talento para nada.

 

– Só estou acostumado a ser sozinho, Lili. Não acho ruim.
Fiz uma careta. Impossível não me identificar com o que falou.

– Conte-me mais.

– Não há nada para ser contado. – Abriu os braços, sinalizando para o quarto. – Este sou eu.


Encarei-o durante um tempão. Calvin nem se mexeu, sustentou o meu olhar com serenidade. Eu ainda estava imersa nos pensamentos que diziam que tínhamos mais coisas em comum do que imaginávamos.

 

– Pedi demissão – murmurou assim, do nada.
Arregalei os olhos ao máximo. Não consegui acreditar no que falou, achei até que tinha ouvido errado.

– Sério?

– Sim... Sabe, Lili, ouvi muito do que você me falou naquele... dia. Estava muito acomodado com relação ao meu emprego. – Sorriu. – Não me olhe assim, foi o melhor a ser feito. Vou começar em outro na segunda-feira. Vai ser mais puxado, mas pelo menos vou ser um dos cozinheiros, não um mero lavador de pratos.


Carambolas! Nem se tivesse caído um meteoro de pegasus bem na minha cabeça eu não teria ficado tão estupefata. Calvin continuou rindo enquanto me decidia se aquilo era um sonho ou realidade. Não podia ter noção da importância das minhas palavras quando as joguei na cara daquele homem. Foram mecânicas, movidas especialmente pela TPM.

 

– Conseguiu... algo tão rápido... assim? – Foi difícil até para falar.
Seu sorriso límpido se intensificou ainda mais.

– Muito rápido! Se soubesse que ia ser tão fácil, teria feito muito antes. Obrigado, Lili.


Calvin me puxou pela nuca e me deu um beijo longo. A sua língua na minha era uma verdadeira provocação. Não conseguia ficar quieta diante de tanta gostosura; simplesmente fiz nossos corpos se colarem. Ele me apoiou pela cintura e me deitou lateralmente na cama. Seu corpo estava transversal ao meu, mas as bocas trabalharam com muito afinco.

 

– Ah, Lili... Não dá pra crer que a sua visita ao meu quarto foi apenas para verificar a minha estante.

– Relaxa aí, bonitão. Espere as vinte e quatro horas para me mostrar o tamanho da sua estante.


Quem mandou? – Pisquei um olho.
Ele riu.

 

– Como você é malvada! Puta merda... Juro que vou contar cada segundo. – Deu-me uma sucessão de selinhos estalados. Comecei a rir, do nada, e ele riu muito também.


Sério, eu não fazia ideia do que era aquilo. Tentava encontrar um espaço para a razão (nem que seja do tamanho de uma formiguinha cotó), porém nenhum me parecia sóbrio o suficiente para infiltrá-la. Faltava alguma coisa importante dentro de mim, visto que a sensação de ausência não me largava. Por outro lado, havia uma parte do meu ser que estava absolutamente completa.

 

– Ei... – Calvin sussurrou depois que findou mais um beijo mágico que foi capaz de me oferecer.

– Vou te mostrar uma coisa.
Ele andou até a estante e pegou um livro. Já sabia exatamente onde buscá-lo, o que me deixou admirada. Deu-me um exemplar cor-de-rosa, de capa dura, porém sem nada escrito na frente.

 

– O que é? – Fui me sentando.

– O livro de pensamentos que a minha mãe deixou para mim. Não abra na primeira página, tem meu nome nela.


Fiz uma careta para ele, sentindo as mãos vacilarem um pouco. Não sabia quanta carga emocional existia naquele objeto. Sabia que era elevada por causa da seriedade com que Calvin me observou.


Abri o livro bem no meio. As páginas eram todas brancas, mas havia recortes de frases retiradas de jornais, revistas, livros... Enfim, eram recortes diferentes tanto na cor quanto na letra. Parecia uma colcha de retalhos.


Aproximei o livro do meu rosto, observando uma das frases – a que me chamou mais atenção.
Comecei a ler em voz alta:

 

– “Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que...

– “... somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente”. – Calvin completou por mim. Fiquei admirada quanto continuou, pois a frase que selecionei tinha terminado. – “Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil”.
Uau!

 

– Eu disse, não disse? Metido a intelectual de uma figa!
Gargalhou.

– Minha mãe adorava a Clarice. Aprendi a ler aos cinco anos, apenas tentando ler este livro.


Foi um processo muito demorado, mas decorei quase tudo.
Fiquei absolutamente surpresa.

 

– Tenho muitas coisas que foram dela. Esta estante inteira pertencia à biblioteca. – Apontou, e depois alisou os lençóis. – Esta cama foi dos meus pais, onde provavelmente fui feito. – Riu.
E muito bem feito (ô, glória!).

– A biblioteca que era na minha cozinha?

– Exatamente. – Sentou-se ao meu lado na beirada da cama. – As coisas andam meio estranhas desde que o meu pai morreu. Acho que ainda não me acostumei.

– Quando foi isso?

– Faz uns três anos. Éramos só ele e eu aqui nesta casa.
Puts!

– E o seu irmão?
Suspirou. Passou as mãos pelo rosto.

– É filho do primeiro casamento do meu pai. Um idiota. – Pareceu muito chateado de uma hora para outra. – Não pensou duas vezes antes de se livrar de mais da metade dos móveis, pertences... O otário não desistiu até vender a metade da casa, e algo me diz que não terminou por aí. Fiquei tão sem chão que não tive forças para lutar por nada.


Comecei a alisá-lo carinhosamente. Devia ter sido uma barra das grandes. Imagine só, perder a mãe logo quando nasceu e depois o pai, aos vinte e um anos? Nem tinha ideia de quanta dor aquele coração batendo diante de mim sentiu.

 

– Sobre a casa, eu...

– Lili, pare. Já disse que a casa é sua. Sinceramente, estou grato por ter sido você a comprá-la. Sei que aquele lado está em boas mãos, isso é um alívio.


Ainda me sentia um pouco culpada. Sei lá, tudo era muito complicado. Não queria ter me metido naquela rincha familiar, mas ao mesmo tempo fiquei contente porque o Calvin confiava em mim

.

– Seu pai não se casou de novo?
Balançou a cabeça.

– A morte da minha mãe meio que... acabou com o velho. Era um mulherengo completo.
Aí é que está a raiz da safadeza do Calvin. Vibrei internamente como se tivesse terminado a combinação de um cubo mágico (nunca consegui essa proeza). Seu pai viúvo, e muito triste pela morte da esposa, entregou-se à “raparigagem” e induziu o filho único a viver do mesmo modo. Dificilmente


Calvin aprenderia a viver outra vida que não aquela. Seu comportamento havia sido fruto de anos e anos convivendo de perto com a putaria.
Eureca!

 

– Calvin... Você sabe que... – Levei um susto tremendo quando senti o meu celular vibrando no bolso da minha calça. – Ai!
Ele se manteve em alerta, mas riu quando saquei o aparelho. Pedi licença e atendi sem ao menos olhar quem estava me ligando. Era a Sara.

– Lil? Onde está?


Olhei ao redor.

– Em casa. O que foi, Sara? – Gesticulei com os lábios a palavra “irmã”. Calvin continuou sorrindo.

– Vovó foi internada – disse com a voz embargada.
Pus-me de pé.

– O quê? Quando? Onde ela está? – Calvin se levantou também.
Meu coração quase saiu pela boca. Não tinha notado que a Sara estava com a voz chorosa.

– Hoje. Ela... Teve uma parada respiratória, foi... Está aqui no hospital e eu não... Não sei, Lil, você precisa vir. Mamãe está louca!
Só percebi que eu estava chorando quando o Calvin começou a me olhar com seriedade e ergueu uma mão para enxugar as minhas lágrimas.

 

– Em que hospital? – Olhei para ele e balancei a cabeça. O coitado estava confuso e ficando todo vermelho.
Sara começou a choramingar o nome do hospital. Foi desesperador. Totalmente angustiante.

– Estou indo agora! – berrei e desliguei no mesmo instante. Olhei para o Calvin com ar de desespero. – É a minha avó! Está no hospital... Preciso ir... Não sei o que aconteceu...

– Ei, calma. Eu te levo. Vamos logo.


Não consegui pestanejar. Fui praticamente arrastada pelo meu vizinho dedicado e carinhoso.
Definitivamente, estava apaixonada por aquele lado especial que pertencia a ele tanto quanto o lado que eu odiava. Mas não tive tempo de pensar nisso.


Só queria saber da minha querida avó.
 


Notas Finais


Beijinhos até amanhã...
XOXO


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...