História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 16


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
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Palavras 2.488
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá

Capítulo 16 - Capítulo 16



É engraçado seguir caminhos opostos e chegar ao exato lugar que você estava evitando o tempo todo
 


Calvin tinha colocado alguma coisa no forno quando cheguei a sua casa, e fiquei muito surpresa por ele ter se lembrado de desligar tudo antes de sair (também colocou uma camiseta e calçou chinelos). O meu desespero era tanto que só conseguia chorar sem pausas, pensando no quanto podia ser grave o que estava acontecendo com a minha avó. Sara não havia me dado detalhe algum; pudera, no estado em que nos encontrávamos, nem se ela quisesse me explicar eu iria entender.


Seguimos rapidamente no carro dele, que de fato era o Siena que vivia atrás do meu Sandero.


Calvin ficava murmurando o tempo todo para que eu tivesse calma. Não sei direito se funcionava, acho que não. A minha avó era uma parte muito importante de mim mesma. Difícil imaginá-la doente, mesmo sendo tão idosa. A gente nunca acha que alguma coisa mais séria pode acontecer com quem amamos, é como se eles tivessem a obrigação de serem imortais. Eu realmente queria que fossem.


Desci do carro antes mesmo do Calvin arranjar uma vaga para estacionar. Atravessei o salão da recepção e encontrei a Sara chorando em um canto, provavelmente me esperando chegar. Abracei-a assim que nos encontramos. Ela chorou ainda mais alto.

 

– O que aconteceu, pelo amor de Deus? – choraminguei a pergunta, tentando ser forte diante da minha irmã mais nova. Eu sempre via como sendo a minha obrigação ser mais firme do que ela, não importando o que ocorresse.

– Ela quase morreu, Lil... Foi por muito pouco!

– Não, não diga isso...

– Teria ido embora se não tivéssemos a socorrido tão depressa! Ela está na UTI agora.


Ainda não tínhamos nos largado quando senti outros braços se aproximando de nós. Era a Camila.
Abracei-a com bastante força.

– Como ela está? O que aconteceu, gente? – Sentia-me cada vez mais desesperada. Sabia que a minha prima Camila trabalhava aos sábados até o meio-dia, e se estava ali só significava uma coisa: o estado de saúde da nossa avó era grave.

– Nós pensávamos que era uma gripe forte... – Sara tentou explicar, mas a voz chorosa quase não me permitiu entender. – Estava tudo sob controle, mas... Hoje pela manhã, vovó começou a ficar roxa.


Resolvemos trazê-la ao hospital, mas a situação foi piorando no caminho... Ela começou a suar frio, até que desmaiou.
Levei uma mão à boca.

 

– O médico disse que ela está com pneumonia causada por uma bactéria – completou Camila.


Olhou feio para Sara em seguida. – Ela devia estar sendo tratada há um tempo, assim evitaria o estágio em que chegou.
Oh, minha nossa. Minha mãe certamente tinha inventado de medicá-la com xarope e sopa quente. Claro que não podia funcionar.

– Que estágio? – Solucei.

– A infecção piorou consideravelmente – continuou Cami. – Vovó teve uma parada respiratória que quase gerou uma parada cardíaca. A sorte foi que seu coração continuou batendo...


Solucei mais umas três vezes seguidas. Camila começou a chorar, e Sara, idem. Senti mãos envolvendo a minha cintura; era o Calvin. Abracei-o e entrei no maior berreiro. Nem acompanhei as reações das meninas diante dele, mas ouvi sua voz falar baixinho:
– Sou o vizinho dela. Posso ajudar em alguma coisa?


– Não se pode fazer nada além de esperar a vovó reagir – disse Sara, aos prantos. Só depois que olhou melhor para o Calvin. Esbugalhou os olhos. É, ele tem esse efeito. – Ela está em coma induzido, para que a infecção seja tratada.


Solucei ainda mais alto, e as mãos do Calvin alisaram meus cabelos. Ele chegou a perguntar às meninas o que de fato tinha acontecido, e elas explicaram novamente (meio que se espancaram para ter a chance de explicar e ganhar a atenção dele).


Fiquei inconsolável durante longos minutos, até que busquei um pouco de autocontrole. Tinha de me manter firme; a minha família precisava de alguém positivista, e não de uma maluca chorona.


Separei-me do Calvin devagarzinho. Suspirei alto e enxuguei as minhas lágrimas. Ele arrumou os meus cabelos para trás. Virei-me na direção das garotas, que ainda estavam inconsoláveis (e chocadas com a beleza do meu vizinho).

– Cadê a mamãe? – perguntei.

– Na sala de espera do hospital. A família quase toda já está lá... – disse Camila.


Fomos guiados (Calvin e eu... Quero dizer, ele não quis ir embora quando eu lhe agradeci e informei que ficaria bem) pelas meninas até a sala de espera. Realmente, a família em peso estava lá (uma tia-avó, três tias, duas primas, um primo e um tio, que era o pai da Cami). A minha avó era adorada por todos, sem exceções. Depois de inúmeros cumprimentos emocionados, de um chororô absoluto e de uma demonstração de desespero por parte da minha mãe, a poeira abaixou e ficamos sentados em silêncio, esperando pelo nada.


Um médico se aproximou depois de tentarmos buscar mais informações, mas ele garantiu que a única coisa que podia fazer era esperar pela reação diante dos medicamentos. Também nos contou que vovó estava respirando com a ajuda de aparelhos.


Calvin chamou o doutor para uma conversa no canto do corredor oposto à sala de espera.
Ninguém viu, somente eu. Fiquei os observando com pesar, até que o Sr. Klein se aproximou de mim lentamente.

– O que ele disse? – murmurei a pergunta. Calvin se sentou ao meu lado. Eu já estava com a bunda dolorida e a coluna toda quebrada.

– Que tudo pode acontecer, Lili. Sua avó pode reagir e ficar perfeitamente curada, mas a infecção... Sabe, ela pode não resistir. – Seu semblante muito sério me angustiou ainda mais. Por outro lado, fiquei contente por não ter me escondido a real situação.


Fiz uma careta de pura dor. Lágrimas involuntárias rolaram pelo meu rosto. Não tive coragem de dizer aquilo a ninguém, e pedi para que ele não dissesse nada. Mamãe estava muito frágil, ainda sem acreditar que havia sido tão desatenta. Pelo menos ninguém a culpou. Graças a Deus, éramos unidos o suficiente para entendermos um ao outro.


A minha família achou que o Calvin era o meu namorado, mas não deram muita atenção. Nem perguntaram o nome dele (ainda bem, pois eu não saberia responder). O Guilherme com certeza falaria alguma coisa a respeito se estivesse ali, mas mamãe achou melhor deixá-lo em casa com o papai.


Uma enfermeira sugeriu que fôssemos para casa, e realizássemos um esquema de escala para que ninguém ficasse tão cansado. Só o tempo iria definir a situação da minha avó. Não havia muito a ser feito.


Quase implorei para que a mamãe fosse para casa. Ela me obedeceu depois de muita relutância.


A mãe da Cami, tia Valéria, ficou com a primeira escala junto com o meu tio. Havia tanta gente para dividir os horários que fui praticamente descartada, já que trabalhava o dia todo e não podia ficar faltando. O domingo foi logo preenchido pelas minhas outras tias.


Não queria ir embora, mas o Calvin acabou me convencendo. Ainda deixamos a Camila em sua residência, bem como outra tia minha que estava sem carro (dá pra imaginar o meu vizinho safado dando carona para minha família?). As últimas horas foram bem surreais. Quase não podia acreditar que tudo aquilo estava mesmo acontecendo.


Quando cruzamos o jardim da nossa casa (é estranho chamar duas casas de uma só?), Calvin me apoiou pela cintura e me acompanhou até a minha varanda. Não falou nada. Peguei as chaves não sei como e abri a porta, sem conseguir encontrar palavras para agradecê-lo por tudo. O que tinha feito por mim não estava no gibi.

 

– Ei, vizinha... Você deve estar com fome. – Alisou a minha bochecha, e mais uma lágrima deve ter lhe sujado a mão. – Tem suflê de batatas lá em casa, só vou deixar dourar mais um pouco. Trago para você em um instante, tudo bem? Toma um banho e veste algo confortável.


Sorri. Minha nossa... Quem era aquele homem diante de mim?

 

– Já fez tanto por mim, Calvin... – murmurei com a voz rouca e chorosa. – Nem tenho como te agradecer, é sério.


Ele sorriu daquele jeito safado, fazendo-me relembrar quem realmente ele era. Admiti o que a minha razão tentava discordar: estava encantada pelo meu vizinho. Havia sido enfeitiçada em todos os sentidos, mesmo sabendo que jamais daria certo.

 

– Quando... Quando eu ficava triste, costumava deitar no tapete da minha mãe. Sempre me trazia conforto.
Franzi a testa.

– Você não o tinha guardado?

– Sim. Eu o guardava embaixo da minha cama, até que meu pai descobriu. Ele não gostava de me ver deitado em um tapete cor-de-rosa. Dizia que era coisa de veado, e que não iria fazer bem para uma criança de oito anos. – Riu de leve. – Meu pai era meio machista, coisa de gente antiga.


Abri a boca involuntariamente. Não sabia se tinha ficado surpresa por causa daquela nova informação sobre o pai dele, sobre a sua atitude de buscar conforto em um mero tapete ou sobre o fato de ter feito aquilo tantas vezes em um curto espaço de tempo, que nem acreditava que outra pessoa pudesse fazê-lo e sentir a mesma coisa.


Sério, o tapete da Sra. Klein era incrível. Tinha me dado muito conforto desde que se instalou na minha sala.

– Banho, suflê de batatas e tapete – sussurrei.

– Suflê de batatas no tapete... Eu trago.
Aquiesci.

– Almofadas e lençóis – completei com ar tristonho.

– E você beijando a minha boca. – Sorriu. Sorri um pouquinho.


A sensação que tive foi a de que estava perdendo uma pessoa e ganhando outra. Era uma troca que não se fazia, obviamente, ninguém poderia substituir o lugar da minha avó. Mas sei lá, foi esquisito. Senti-me muito triste, mas alegre. Desesperada, mas consolada. Um misto de emoções que o meu peito nunca tinha sentido. A vida estava mexendo com os meus valores, com a minha paz...


Estava trocando lugares e remodelando uma existência que eu nem sabia que podia ser a minha.


Eu só queria que houvesse espaço para as duas pessoas. Afinal, uma delas era a grande mulher da minha vida, alguém com quem sempre contei, alguém que amo incondicionalmente, acima de qualquer coisa. A outra se tratava de um sentimento novo, nunca experimentado. De alguém que começava a significar mais do que eu queria, que me despertava coisas inimagináveis.


Eu nunca trocaria a primeira pela segunda, isso é um fato, mas não significa que não me traria dor perder qualquer uma. A má notícia – a mais pessimista – vinha da compreensão de que uma tragédia podia acontecer a qualquer instante, fazendo-me ficar sem nenhuma delas.
E aí eu não saberia o que fazer. Provavelmente seria o meu fim.


Estávamos saboreando o delicioso suflê de batatas feito pelo Calvin. Havia pedacinhos de presunto e queijo dentro... Pense numa delícia! Abrimos uma garrafa de vinho (segundo ele, vinho esquentava o corpo e a alma, trazia a sensação de conforto que eu estava precisando) e a tomamos quase toda. A conversa foi mínima. Tentei comer sem chorar, mas toda vez que pensava na minha vozinha, uma lágrima caía.

 

– Sabe, amanhã é domingo... – Calvin comentou em certo momento. Estava sentado com as costas apoiadas no sofá e as pernas estiradas no tapete. Eu estava quase em cima dele, deitada sobre o seu corpo. Um edredom nos cobria, visto que já estava escurecendo e a temperatura abaixava muito rápido.

 

– É... Por quê?

– Meus almoços de domingo são sagrados. É estranho você só saber disso agora... Tentei te convidar, mas alguma coisa sempre acontece.
Inclinei-me um pouco para observá-lo melhor.

– Do que está falando?
Calvin demorou um pouco para responder. Parecia bem pensativo.

– Meu pai trabalhava muito, Lili, mas os domingos eram sempre meus. Pelo menos o almoço.


A gente fazia churrasco em nosso quintal... Desde que ele morreu, tenho mantido a tradição. É como se ele ainda estivesse aqui.
Foi difícil processar a informação. Impressão minha ou o Calvin estava realmente disposto a se abrir comigo? Parecia que havia aberto o livro da sua vida bem na minha frente, e eu estava lendo tudo quase sem pausas.

 

– Espera aí... Quintal?
Ouvi seu riso gostoso.

– Nossa casa tem um quintal nos fundos, Lili. – É sério que ele também estava se referindo àquelas casas como sendo uma? E pior, como sendo nossa? – Só a porta de acesso que ficou estrategicamente do meu lado.

 

– Sério? Poxa, não sabia... Estou surpresa.

– É... Olha, sei que está triste pela sua avó, mas eu estou cansado de fazer isso sozinho. É deprimente. – Balancei a cabeça positivamente. Mil coisas se passaram pela minha cabeça na velocidade da luz. – Como falei, quis te chamar antes, mas não deu. Agora que você além de minha vizinha é minha amiga, pensei que podíamos... Ah, esquece.


Fiquei congelada diante da palavra amiga. É sério, produção? Depois de tantas emoções e trocas de carícias, o cara ainda me colocava na friend zone?

 

– A gente pode fazer isso, Calvin. Não prometo ser um churrasco feliz, mas aceito o desafio. É uma coisa muito legal que você faz em memória do seu pai, vai ser uma honra fazer parte. Assim como é uma honra estar no tapete consolador da sua mãe... Enfim, é como se eu já fosse da família. – Assim que concluí, achei que tinha aberto muito a minha boca.

 


Calvin apenas riu. Incrível... Seria humor negro? Estávamos imersos na melancolia pura, e ele ainda conseguia rir?
Ficamos algum tempo em silêncio, até que uma dúvida me incomodou. Como sempre.

 

– Calvin... Por que não chama a Karen-quenga? Ela não é a sua melhor amiga?
O silêncio retornou. Achei que ele não me responderia.

– Se você não quiser, tudo bem. Eu entendo – disse, por fim.

– Não é isso. Só queria saber por que você...

– Troca de favores – cortou a minha frase na metade. – Você tinha razão, Lili. Só tenho troca de favores. Mas preciso disso. Gosto demais disso, não vai mudar.


Congelei.

– Tudo bem, não falei nada...

– O que quer de mim, Lili? – perguntou de um jeito meio rabugento.


Sentei-me no tapete, afastando-me completamente dele. Encarei-o. Calvin estava muito sério.
Droga! Eu não podia de modo algum ameaçar a sua liberdade, do contrário ele ficava com aquela cara de besta pro meu lado.
Maldita aversão a compromisso!

 

– Sou sua vizinha, e também sua amiga, não? Deixe de frescura, você troca os favores com quem quiser. Combinado?

– Achei que estivesse combinado desde o início.


Puta que pariu. O que ele estava fazendo? Propondo relação aberta? Status de relacionamento do Calvin Klein: comendo a minha vizinha na hora que eu quiser, e de quebra recebendo uns conselhos.


Parabéns, Lili. Conseguiu chegar exatamente onde você não queria.

– Mas estava. – Nem acreditei que falei aquilo. Minha nossa... – Só estou reafirmando.
Calvin sorriu com malícia. Odiei-me por dentro.

– Beleza, vizinha. Vem cá, está frio aqui. – Puxou-me de volta. Claro que fui. Fazer o quê? Também estava com frio.


Status de relacionamento da Lili: alugando a vagina para o vizinho safado temporariamente, e de quebra comendo pratos deliciosos.
Aquela merda era uma troca de favores do mesmo modo! Argh!
 


Notas Finais


Comentem..
dilvulgem...
XOXO


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