História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 3


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
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Palavras 2.664
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa qualquer erro :v

Capítulo 3 - Capítulo 3


                                                                          

     Só queria dormir em paz, mas a paz não foi feita
                                             Para pessoas como eu

Arranjei uma desculpa qualquer para não prolongar o jantar na casa do Sr. Calvin Klein. Ele ainda tentou me empurrar uma taça de vinho, mas neguei e fiquei só com a torta alemã que havia preparado mais cedo. Estava uma delícia. Sério, o doido cozinha muito bem. Ele fisgaria qualquer mulher pelo estômago se não tivesse a capacidade de fisgá-las por outras partes do corpo.


A primeira noite dormindo sozinha na minha casa foi bem esquisita. Não consegui pregar o  olho direito, pois estava estranhando tudo. As sombras do meu quarto escuro, o colchão novo – e duro demais para o meu gosto –, o cheiro, os ruídos (ou a ausência deles). Não estava acostumada a dormir em meio a tanto silêncio. Liguei a TV em um volume baixo para ver se melhorava, mas ainda assim tive dificuldade para dormir.


Vi o sol nascer e um galo cantar bem distante, e então consegui dar um cochilo. Não foi grande coisa, visto que precisava me acordar exatamente às sete horas. Não podia me atrasar para ir ao trabalho, visto que o meu chefe era um porre com relação aos horários.
Adorei acordar e não ter que esperar uma fila enorme para conseguir tomar um banho. Consegui me arrumar em menos de meia hora, coisa quase impossível na minha antiga casa. Meu irmão demorava horas se masturbando logo pela manhã no banheiro, a minha irmã dava banho na minha sobrinha – mesmo podendo fazer isso mais tarde, pois é uma desocupada que não trabalha e só sabe falar mal dos outros –, a minha avó inventava de lavar a sua dentadura e os meus pais ficavam gritando ordens feito loucos enquanto faziam o café da manhã.

 Um inferno na terra.


Não me importei com o fato de não ter conseguido dormir quando saí de casa quinze minutosmais cedo do que o normal. Atravessei o jardim com um sorriso enorme estampado no rosto.


 Não havia comido nada, mas, por incrível que pareça, ainda estava satisfeita com o nhoque do dia anterior.


Sabia que teria fome mais tarde, por isso decidi ir atrás de algum mercado ou padaria por conta própria.


– Bom dia, vizinha! – 

A voz do Calvin me assustou, tirando-me dos devaneios. Eu estava prestes a abrir a portinha da frente. 

Olhei para os lados, fazendo caretas, mas não encontrei o sujeito em parte alguma. 

– Aqui, ao lado da roseira!


Espremi os meus olhos e o procurei pelo jardim. Havia uma roseira (que dava rosas vermelhas, um luxo!) perto do muro gradeado, no extremo esquerdo do terreno. Vi o safado do 105 empunhando uma tesoura enorme. Ele estava cortando alguns galhos da roseira, eu acho.


– Bom dia, vizinho! –

 saudei, sentindo-me um pouco envergonhada. Por incrível que pareça, Calvin estava vestido com uma bermuda bem recatada e uma camisa de manga comprida. Nunca o tinha visto tão vestido.


Tudo bem que estava fazendo um frio bem gostoso àquela hora da manhã, mas achei que a pele dele tivesse desenvolvido características da pele de um jacaré, e andasse parcialmente nu durante vinte e quatro horas por dia.


– Você está muito gata... Toda importante e inteligente. Bom dia de trabalho!


Corei de imediato. Precisava me acostumar, precisava me acostumar, precisava me acostumar...

– E você? Não vai trabalhar?
– Pego mais tarde. – Piscou um olho. Quase morri.


Não soube dizer se ele tinha dito que pegaria no trabalho ou se pegaria outra coisa, só sei que dei um “tchauzinho” tímido e decidi voltar à normalidade da minha rotina. Aquela sim não mudaria.


Achei uma padaria bem na esquina, e comprei algumas coisas. Havia um supermercado no outro quarteirão. Passaria por lá depois do expediente, não queria me atrasar logo no dia que consegui sair cedo de casa. Cheguei à empresa na hora exata. Até achei um lugar vago no estacionamento sem precisar procurar muito. Uma maravilha!


As notícias ruins do dia começaram assim que sentei à minha mesa e liguei o computador.


Meu celular começou a tocar. Pensei em desligá-lo, mas ignorar a minha mãe era a pior decisão que alguém podia tomar em toda a sua vida.


– Oi, mãe...


– Lili? Cadê você, minha filha?


– Eu? Estou trabalhando, oras... – Ri um pouquinho.


– Como assim, está trabalhando? E nós? – Sua voz ficou ainda mais urgente e afetada. A mulher estava nervosa logo cedo? Ferrou.


– Não estou entendendo, mãe. – Peguei uma caneta e fiz um coração em um bloquinho de papel colorido.


– Lili, quem você acha que vai levar o Gui para escola? Seu pai sai muito cedo, não dá tempo de levar, você sabe disso. Ainda tem o hotelzinho da Clarinha, e sua irmã precisava fazer umas coisas no Centro.


Larguei a caneta em cima da mesa. Afundei o meu corpo na cadeira confortável – que eu havia exigido, pois não dava para trabalhar no pedaço de tábua duro que era a cadeira antiga – e soltei um longo suspiro. Não dava para acreditar no que a minha mãe estava dizendo.

 Era duro descobrir que, mesmo ganhando a minha liberdade e autosuficiência, ainda ia ter que bancar a motorista para um monte de gente que podia simplesmente pegar um ônibus.


– Mãe, Gui tem dezessete anos. Com essa idade eu ia à escola de metrô, depois ainda pegava um ônibus. A escola dele fica bem mais perto, talvez dê até para ir andando, ou de bicicleta.

– Não vou deixar meu filho andar de bicicleta no meio da rua! Ficou louca, Lili? Ele pode cair e quebrar o pescoço


Tudo para a minha mãe era cair e quebrar o pescoço. Sério, eu não pude ter um patins por causa disso. E também não pude ir ao parque de diversões pelo mesmo motivo. Nem subir as escadas lá de casa com pés descalços.


– Ele não vai cair, e muito menos quebrar o pescoço.


 – Se a minha mãe soubesse que o passatempo do Guilherme era andar de skate (emprestado de um amigo maconheiro) na rua de baixo,ela teria um troço. – Eu que vou ganhar um torcicolo se tiver que dirigir para todo mundo logo cedo.


Mande a Sara pegar um ônibus para ir ao Centro. Ah, e o hotelzinho da Clara é na rua de trás, pelo amor de Deus! Até a senhora ou a vovó pode levá-la!


Minha mãe ficou calada durante um tempo. Depois, iniciou a sua já conhecida sessão de “eu sou a vítima e ninguém me ama”.


– Vai abandonar a sua família assim? Eu te criei com tanto amor, Lili, daí você vai embora  e quer se livrar de todas as responsabilidades? Perdi a minha filha, é isso?


Soltei um suspiro bem alto. Esfreguei as mãos na minha testa.


– Mãe, eu só quero viver a minha vida. Quero ficar sozinha e ter paz até encontrar alguém com quem possa constituir a minha própria família. Os meus irmãos estão grandinhos demais, está na hora de cada um fazer o mesmo também.


Ela soltou um soluço. Revirei os olhos.


– Tudo bem, Lili... Acho que... Acho que não me acostumei com a ideia de ficar sem você. Sei que precisa de privacidade... Você é uma mulher adulta. Cresceu tão rápido que não consegui acompanhar.


Rápido? Aqueles vinte e oito anos foram uma eternidade para mim. Mas tudo bem, fiquei contente por ela ter me compreendido. Não havíamos tido muitas conversas sobre a minha mudança.


Na verdade, foi algo bem repentino. Eu estava juntando dinheiro desde os vinte e quatro anos, mas ninguém sabia. Quando dei a notícia de que havia comprado uma casa, ninguém achou que fosse mesmo verdade. Até a minha própria ficha ainda não tinha caído.


– Obrigada, mãe. Preciso ir, meu chefe não está me olhando com uma cara muito boa – menti.


Não havia sinal do meu chefe. Acho que ele nem tinha chegado ainda.


– Tudo bem... Bom trabalho, filha. Te amo.


– Também. Beijinho!


Um peso de mil toneladas foi tirado das minhas costas quando desliguei o telefone. Pensei que não conseguiria, mas finalmente me vi livre de tudo o que me ligava à minha família. Já não teria responsabilidade com ninguém além de mim mesma. Eles precisavam se virar sem mim.


A sensação de liberdade me acompanhou durante todo o dia. Trabalhei com muito bom humor. Senti-me uma nova mulher, pronta para mudar em todos os sentidos. Sabia que muita coisa seria diferente, mas era exatamente o diferente que eu buscava. Estava cansada de ser sempre ordenada.
Não me leve a mal, eu amo a minha família. Só estou velha demais para aturar certas coisas.


O meu pai odiou o fato de eu ter me mudado. Segundo ele, eu só devia sair de casa quando estivesse casada. Pensamento da época em que a minha bisavó era virgem. Ainda bem que a minha mãe discorda disso, e fez o velho ao menos aceitar as minhas decisões. Até porque, com sinceridade, do jeito como a minha vida amorosa está o tal casamento vai demorar muito.


Procurei nos meus relacionamentos a liberdade que não encontrava em casa. Já me apaixonei, já quebrei a cara, já tive homens loucos por mim (que quebraram a cara), enfim... Tentei de tudo um pouco, mas a minha vontade de ser livre nunca passou.
Meus namoros foram curtos, o mais longo durou uns nove meses. 

De uns tempos para cá, venho em busca apenas de um bom sexo. Eu mereço poder transar sem pôr a minha liberdade em risco, não é? A escolha é totalmente minha, e sei que posso mudar de opinião sem problema algum. Não vou dar uma de difícil caso encontre alguém especial. Não tenho medo de me apaixonar. 


Também não sou nenhuma desesperada. 

Os anos podem passar sem que eu encontre uma boa companhia, não me importarei. Eu gosto de mim mesma, sou feliz sozinha. Adoro ler, assistir à televisão, ir ao cinema, fazer compras... Faço muitas coisas sem companhia, e adoro. A solidão não é um problema para mim. E é por isso que tenho certeza de que vou amar morar só.


A ideia inicial era fazer apenas uma pequena compra, mas, depois do fim do meu expediente, acabei fazendo a feira do mês. Comprei tanta porcaria que se a minha avó soubesse diria que eu morreria de diabete, como aconteceu com meu avô. Ah, mas eu amo doces! Agora que ninguém iria ficar me pentelhando, vigiando até o que como, poderia devorá-los sem culpa. 

Quero dizer, quase sem culpa, pois não quero engordar.


Cheguei à minha casinha linda e cor-de-rosa às oito e meia da noite. Não havia sinal do safado do 105. A casa dele estava toda escura, por isso fiz o favor de ligar as luzes do jardim. Nem acreditei quando fui até a minha varanda e descobri um vaso grande ao lado da porta. Havia rosas vermelhas maravilhosas (e cheirosas!) enfeitando. 

Achei aquele gesto tão bonitinho!  

Seria mais bonitinho ainda se eu não soubesse quais eram as reais intenções do Sr. Klein. Ele não estava tentando ser agradável, só estava dando em cima da vizinha para conseguir sexo quando quisesse.
Não que eu não quisesse sexo. 

Eu queria muito (até demais!), ainda mais com um cara lindo, maravilhoso e gostoso como ele. Só que o cara me assusta. Ele é doido, pode ser até uma espécie de tarado. Vai saber... Além de que não esqueço o modo como beijou aquelas três mulheres. Deve ser acostumado a entrar todas as modalidades do sexo, e eu não me acho uma pessoa indicada para curtir o clima geral da luxúria.


Adoro sexo, mas prefiro sexo normal. E também não sei se é uma boa ideia manter relações com o vizinho. Não é legal misturar as coisas, tínhamos que manter uma convivência confortável para nós dois. Certo?
Cheirei as rosas. Sorri de um jeito bobo, como qualquer mulher faz ao receber flores. Resolvi deixá-las ali, pois a minha varanda estava vazia demais. O vaso deu mais vida à entrada da minha casa. Talvez pudesse mantê-lo por tempo indeterminado. Claro que as rosas iriam murchar, mas eu podia dar um jeito e comprar alguns arranjos artificiais depois.
Não me estressei por ter que fazer o meu próprio jantar.

 Só o silêncio reinante era motivo de dádiva. Fiz muitas orações. Rezei bastante, desta vez agradecendo pela grande mudança na minha vida. Aquele foi o jantar mais silencioso da história. Nem o som eu quis ligar. O bairro era tão calmo que quase não passavam carros, por isso o único ruído que ouvi foi o de alguns grilos brincando no jardim.


Fui dormir muito cedo. Na verdade, já estava pescando enquanto lavava os pratos. Tomei um banho relaxante e praticamente me atirei na minha cama nova. Juntei três travesseiros (um na cabeça, outro entre as pernas e o último eu abracei com força) e me acomodei da melhor forma que consegui.


Não demorei nada a cair no sono.


Pensei que o meu despertador havia tocado, mas não. O meu quarto ainda estava escuro. Olhei o relógio de cabeceira e constatei que eram duas horas da manhã. Eu já me sentia satisfeita, por mim, podia me acordar para ir trabalhar, mas saber que eu ainda tinha algumas horas me fez bem. Quero dizer, quase. Descobri o que havia me acordado dez segundos depois de ter aberto os meus olhos.


– Ah! Fode! Fode! Com força! – Levei um susto imenso. Cheguei até a me sentar na cama.  Fode, cachorro!


Olhei ao redor, meio desnorteada. Demorei alguns segundos para descobrir que os gemidos e os gritos não vinham da minha casa. Ajoelhei-me na cama e coloquei os meus ouvidos na parede, logo após a cabeceira.


– Ah, delícia! Que rabo gostoso!


Opa! Eu conhecia aquela voz. Era o Sr. Calvin Klein. Podia até visualizar o seu sorriso sacana enquanto falava aquilo.


– Fode o meu rabo! Rápido!


Caraca! Que mulher gulosa! A parede começou a vibrar muito. Sério, até a minha cama foi meio que empurrada para trás. O barulho se tornou insuportável, mas mesmo assim não tirei os meus ouvidos da parede. A curiosidade falou muito mais alto do que a surpresa.


Tentei imaginar o que tanto fazia barulho, e, pelos meus cálculos, o quarto do Sr. Calvin talvez tenha ficado bem ao lado de onde é o meu. Aquele ruído grotesco era das pernas de madeira (ou de outro material, não sei) de uma cama em atrito com o chão. Isso sem contar com a cabeceira, que devia estar praticando luta livre contra a parede.


Soltei um resfolego. Aquele era o sexo do cara? Puta que pariu, que selvagem! Sério, não deu para evitar; o meu corpo se esquentou na hora, só de imaginar o que estava sendo feito. Por outro lado, não devia estar surpresa. Nunca esperei romantismo e carícias suaves vindas do Calvin, ele tinha todos os sintomas de quem adora fazer o “lepo lepo” com muita força.


Os barulhos continuaram até que a mulher soltou um grito animalesco. Calvin ainda gritou  para que ela gozasse gostoso no pau dele, e só consegui imaginar como seria isso. Misericórdia... Era demais para mim. Acho que aquela mulher não sairia viva daquela trepada. Bom, eu não sairia. Na verdade, achei que não sairia viva só de escutar.


Depois de quinze minutos sem que a selvageria tivesse cessado, decidi me mudar temporariamente para a sala. Eu ainda não tinha sofá, por isso peguei um colchonete enrolado embaixo da cama e o forrei com um edredom. Precisei fechar a porta do meu quarto para não ouvir os animais no cio (com a porta aberta ainda dava para ouvir, acredite!).


E para dormir de novo? Foi tarefa impossível. Revirei de um lado e do outro pelo menos umas cinquenta vezes até descobrir o que estava me angustiando: aquele tesão dos infernos que havia despertado a minha calcinha tão cedo (ou tão tarde!).


Só consegui ter paz para dormir quando o meu companheiro de horas sombrias, ou seja, o meu dedo do meio da mão direita, fez o seu serviço. Bastou uma vez e pronto. Dormi como uma princesa, abandonada no cantinho da minha sala vazia.


Notas Finais


acho que postarei mais hj


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