História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 5


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
Visualizações 200
Palavras 3.740
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


desculpa qualquer erro não revisei
Acho que as coisas estão esquetando
hihihih

Capítulo 5 - Capítulo 5



Um homem safado é capaz de transformar uma mulher comum em uma maníaco-compulsiva em
menos de uma semana

 


Nem esperei para escutar mais gemidos no meu quarto naquela quinta-feira à noite. Tudo porque ouvi alguém batendo palmas no jardim, quase à uma hora da manhã. Olhei pela janela de soslaio, meio temerosa porque já era bem tarde, e vi duas mulheres lindíssimas em frente à varanda do safado do 105. 


O meu corpo inteiro congelou quando ele saiu de casa e as recebeu, dando-lhes abraços e beijos intensos (na boca!). Conversaram um pouco, riram um bocado, até que Calvin as guiou para dentro de sua residência.


Não sou estúpida para achar que não rolaria um ménage muito doido, por isso me antecipei e peguei o maldito colchonete. Já estava ficando puta com a situação. O meu vizinho era um maníaco sexual incansável. E eu uma mulher carente que não aguentava mais ouvi-lo em ação. Não estava fazendo bem para os meus hormônios (que não paravam de me avisar que eu precisava de um homem com H maiúsculo), para o meu sono (metade do meu tubo de corretivo tinha ido embora só com o intuito de disfarçar as minhas olheiras pela manhã) e principalmente para o meu pescoço (que ainda estava meio dolorido).


Revirei no colchonete até quase três horas da manhã.

Não consegui pregar o olho, imaginando o safado transando com as duas gostosonas. Eu podia ir ao meu quarto para escutá-los, mas me recusei a fazer isso. A curiosidade, daquela vez, não podia falar mais alto.


Em vez de bancar a bisbilhoteira, preparei um chazinho de camomila. Abri as janelas da sala e da cozinha, pois a noite estava quente e eu ainda não tinha um ventilador, só o ar-condicionado do quarto. A brisa suave da noite logo melhorou o clima abafado da minha casa, trazendo-me um pouco mais de conforto.


O relógio que pendurei na cozinha me deixava cada vez mais frustrada. Os minutos avançavam em uma velocidade que achei ser maior que a normal, e, enquanto os meus pensamentos vagavam e eu bebericava o chá, perdi totalmente o sono. Sabia que ficaria me sentindo horrível durante todo o dia, mas resolvi cumprir a promessa de não ficar chateada. Só precisava de uma boa solução.


Estava na hora de começar a resolver o meu problema.


Fiz uma limpeza geral na minha cozinha (de novo), lavei o banheiro e varri a sala. Estava parecendo uma louca viciada em limpeza, afinal, tudo ainda estava limpo, mas precisava me distrair.


Sabia que não ia adiantar ficar revirando no colchonete, precisava dar utilidade à minha noite em claro.


Eram quase cinco horas da manhã quando tive coragem de entrar no meu quarto. Fiquei esperando por algum gemido, mas nada escutei. Aliviada, tomei um banho e comecei a me arrumar lentamente para ir ao trabalho. Ainda deu tempo de deitar na minha cama e cochilar durante uns quarenta minutos, trajando o uniforme do trabalho – calça social preta e a camisa da empresa.


O meu despertador me acordou às sete, e embora aquele fosse o horário de acordar e me arrumar, decidi sair de casa de uma vez. Estava em meus planos comer qualquer coisa na padaria da esquina e passar no mercado para comprar os itens que precisaria para fazer a feijoada do sábado.


Para a minha surpresa e total espanto, assim que saí de casa visualizei o safado e a sua bendita cueca Calvin Klein – mas aquela era toda preta – segurando um regador e molhando as plantinhas que jaziam perto do pé de pitanga. Detive-me ao seu corpo exposto durante alguns minutos. A bunda enorme e redondinha ainda estava lá, dando um formato impressionante à cueca. As costas largas, os braços definidos, o tanquinho talhado pelos deuses... Aquele homem era uma espécie rara que exaltava toda a beleza masculina.


Foi impossível não desejá-lo, mesmo estando puta da vida com a canalhice dele. Suspirei profundamente enquanto analisava suas coxas grossas, condizentes com todo o restante. Ele estava tão absorto em regar as plantas que nem percebeu a minha aproximação.
Apesar de estar me sentindo um zumbi (embora externamente estivesse parecendo uma Barbie, toda maquiada e produzida), e de ele ser o real culpado por isso, não podia deixar a situação me abalar. Eu conhecia muito pouco do Calvin, tão pouco que nem sabia qual era o seu verdadeiro nome.


Com muita sinceridade, o meu real desejo naquele instante não foi de brigar ou de esbofeteá-lo com aquele regador (embora tenha pensado nisso por alguns segundos), mas sim saber um pouco mais sobre o cara safado que comia um monte de vadia diariamente.
A sua história devia ser, no mínimo, interessante.


Aprumei a bolsa no meu ombro e me preparei para surpreendê-lo. Mesmo estando bem atrás do sujeito, ele ainda não havia percebido a minha presença. Segurei a sua cintura com força, logo sentindo toda a rigidez dos seus músculos.


– Bom dia, vizinho! – berrei como uma maníaca. Ele tomou um susto tão grande que caiu para frente, levando os meus braços consigo.


Foi um desastre.

Calvin mergulhou nas plantas diante de si, e eu caí bem em cima dele, batendo o meu rosto nas suas costas enormes e os meus joelhos em suas coxas. Meus cabelos foram agarrados por um galho do pé de pitanga durante o percurso, e soltei um grito de dor.
Cheguei a achar que estava no meio de um pesadelo muito ruim enquanto tentava me levantar.


Calvin buscou apoio para se erguer, mas o meu peso o impedia, então ele acabou desistindo e ficou esperando que eu conseguisse sair dali primeiro. As plantas e galhos grudados na gente não ajudavam em nada, bem como os meus saltos (que naquele instante mais pareciam patins), por isso foi uma tarefa complicada e demorada.


Quando finalmente fiquei de pé, com os cabelos assanhados, cheios de folhas grudadas, e com o uniforme amassado, tive vontade de chorar. Calvin se levantou bem rápido depois que a maluca aqui parou de imprensá-lo contra as plantas.


– Uau! –

Ele limpou a barriga, toda suja de terra e folha, com as mãos.

– Que ataque foi esse?
Nossa, Lili... Assim você me mata! –

Começou a gargalhar.


Praguejei um monte de palavrão mentalmente. Ainda tentava recuperar o meu fôlego (e a minha dignidade, embora ela jamais pudesse ser recuperada depois daquele mico).


– Desculpa! – choraminguei.


Ele bateu uma mão contra a outra, tentando se livrar da sujeira. Olhava o próprio corpo com um sorriso divertido estampado nos lábios. Ele ainda estava melado nas pernas e no rosto, e devo acrescentar que nunca esteve tão sexy. Eu pegava aquele homem sujo de lama, de graxa, de farinha de rosca... Resumindo a minha enorme lista composta por mais de mil itens: pegava aquele cara de qualquer jeito.


– Desculpa pelo quê, Lili? –

Finalmente me olhou. Perdi-me em algum lugar dentro de seus olhos profundos. – Foi o bom-dia mais intenso da minha vida. Só seria mais perfeito se você estivesse só de calcinha! – Riu.


Abri a boca. Não deu tempo de raciocinar muito.


– Da próxima vez vou me lembrar disso.


Foi instantâneo, Calvin parou de rir e me olhou de cima a baixo. Prendeu os lábios como se estivesse morrendo de tesão. Não pude suportar a curiosidade; dei uma bela de uma olhada no volume da sua cueca. Não foi o suficiente para calcular o tamanho do seu RG, mas foi o bastante para que ele percebesse o que eu estava procurando.


– Da próxima vez que me agarrar entre as plantas te ensino a manejar o regador... –

murmurou, tocando de leve o seu pênis por cima da cueca.


Eita! Meu coração disparou. Senti o sangue deixar o meu corpo enquanto dava alguns passos para trás. Calvin continuou me olhando, mas pelo menos deixou as mãos subirem pela sua barriga.


Começou a retirar mais sujeira por ali, só que bem lentamente, de um jeito mais sensual impossível.


– Eu sei muito bem como se rega uma planta – incitei, tomando doses de coragem.


Calvin sorriu amplamente, mas daquele seu velho modo sacana.


– Aposto que sim, Lili... – sussurrou. Deu alguns passos para frente, ficando perigosamente perto de mim. Mandei a minha razão calar a boca. Ela queria que eu me afastasse e saísse correndo dali, mas não pude. – Você deve ser uma jardineira de mão cheia... – Analisou o meu corpo com um olhar misterioso. – Com todo esse equipamento... Ah!


Sério, ele precisava parar com aqueles suspiros-gemidos. Eu não podia ser dona de mim enquanto ele os soltasse sem pudor algum. Já era difícil me controlar em situações normais, o cara ainda apelava!


Lembrei-me da minha ideia de ser mais doida do que ele. Não sei se aquele era o momento certo, mas eu precisava arriscar. Nada de ficar parecendo uma idiota, precisava mostrar que era uma mulher decidida. Não fazia ideia de como aquilo faria os seus encontros durante a madrugada ser mais silenciosos, o que era o meu real objetivo. Mas e daí?


Olhei bem em seus olhos escuros e me aproximei ainda mais, deixando o meu queixo se encostar ao seu peito firme. Sorri com malícia e não pensei em mais nada quando ergui uma mão e toquei a sua cueca. Fiz uma careta quando constatei que o safado, diferentemente de um segundo atrás, já estava excitado de verdade. Tipo, mesmo. Um volume glorioso preencheu a minha mão, e achei que fosse morrer antes de dizer o que eu queria.


Vi os olhos dele se apertarem e mais um suspiro-gemido marcar presença. Seu corpo tremelicou um pouco diante do meu toque.


– Seu equipamento de jardinagem também não é nada mal... Tenha um bom dia, Calvin Klein.


Afastei-me depressa e virei as costas, caminhando decididamente até a portinha de madeira.


Pude sentir seu olhar queimando o meu traseiro, mas ele nada falou e eu não tive coragem de olhar para trás. A minha dose de ousadia do mês inteiro já havia atingido o limite.


Trabalhar foi muito difícil. Não conseguia me concentrar em nada além do regador do Calvin, que era capaz de deixar a minha planta (e a de qualquer mulher, pelo visto) muito bem molhada. Mas tudo bem, era sexta-feira, dia de alegria. Não fui capaz de sentir sono durante todo o expediente, graças a ele. Mas não podia me esquecer de que também foi graças a ele eu não ter dormido a noite inteira.


Eu não tenho muitos amigos. Na verdade, eu meio que não tenho amigos. Pode ser estranho dizer isso com tanta normalidade, mas para mim é mesmo natural. As minhas amigas do tempo de escola estão todas casadas, vivendo as próprias vidas, e na faculdade de Análise de Sistemas só tinha homem.


Peguei uns sete, transei com dois, e acabou que não fiz amizade com nenhum. Não me culpe, eu realmente precisava aproveitar o fato de ser a única mulher em uma sala composta por cinquenta e quatro pessoas.


Sendo assim, costumava sair sozinha ou com algumas primas mais próximas às sextas-feiras. Às vezes saía com a Sara, mas é um saco ter que ficar tomando conta dela. A doida sempre exagera na bebida. Alguns colegas de trabalho até me chamaram para um happy hour, mas eu tinha outros planos para aquela noite: preparar a feijoada que eu havia prometido ao safado do 105.


Passei em um supermercado, visto que não deu tempo de ir pela manhã, depois fui direto para casa. Liguei as luzes do jardim, como de costume, e parei diante da minha porta. Olhei para o chão. As rosas vermelhas ainda estavam lá, mas desta vez o vaso estava bem mais cheio. Percebi que todas elas eram novas, e também que havia alguns ramos de outro tipo de flor; uma bem pequeninha, da cor branca. Sorri, porque foi o que me restou.


Eu gostava daquele cuidado que o Calvin me oferecia. Alguma coisa acabou me dizendo que aquele jardim havia sido ideia totalmente dele. E, com sinceridade, homem que curte plantas só pode ser um homem sensível. Perguntei-me onde aquele cafajeste de carteirinha guardava a sua sensibilidade, e só depois de um tempo percebi que a resposta estava diante de mim: aquele jardim era a sua própria sensibilidade. Era a maneira como ele a externava.


Tudo bem, eu já estava fazendo suposições românticas demais para o meu gosto. Ele provavelmente só cuidava do jardim para ter a oportunidade de exibir o seu corpo em uma cueca Calvin Klein. E certamente só me presenteava com aquelas rosas para arranjar sexo, como havia suposto desde o princípio.


Foi muito mais confortável para a minha mente aceitar que o meu vizinho era um maníaco sexual. Aceitar que ele era sensível por trás de tanta volúpia parecia loucura.


Liguei o som bem alto, aproveitando que o vizinho não estava (e se estivesse, foda-se, antes som alto que gemido alto) e comecei a preparar a minha deliciosa feijoada. Todo mundo da minha família se animava quando eu decidia prepará-la. Nas festas e churrascos era só o que o povo pedia: “cadê a feijoada da Lili?”, “vai ter a feijoada da Lili?”. Pela primeira vez na vida, faria aquele prato em uma quantidade pequena.
Uma nostalgia incomum tomou conta de mim enquanto cortava todas as carnes que utilizaria.


No fundo, sentia saudade da minha família. Os nossos jantares eram os melhores, mamãe fazia questão de que comêssemos juntos todas as noites. Eu sempre ria bastante, mesmo estando cansada por causa de um dia exaustivo de trabalho. A minha avó sempre contava uma de suas histórias, e o meu pai jamais deixava de me dar um beijo de boa noite.


Por mais loucos que eles fossem, eram tudo o que eu tinha no mundo. Tudo o que sou devo à presença constante de cada um deles, e sei que, mesmo estando distante, jamais deixarei de amá-los. Precisava viver a minha vida sim, mas será que a liberdade que tanto almejava seria plena com um afastamento tão completo? Eu nem tinha ligado para a minha mãe, nem para ninguém. Parecia uma filha ingrata.


Cheguei a pegar o meu celular, mas desisti. Eu precisava de um tempo maior para raciocinar sobre aquilo. Talvez sentir saudade não seja algo tão ruim, deve haver uma aprendizagem muito grande por trás da nostalgia. Não impediria a mim mesma de aprender com a distância. Eu precisava ter a certeza de que estava sendo injusta, precisava sentir na pele. Não tenho medo de aprender com a vida.


Enquanto cantarolava e cozinhava, abri uma garrafa de vinho que tinha comprado. Sempre me imaginei tomando vinho sozinha na minha própria casa, e aquela era a ocasião propícia. Digo e repito, adoro a minha companhia. Não entendo como podem existir pessoas que sempre têm a necessidade de estar com alguém para fazer tudo. Acredito que a vida tenha me oferecido poucas frustrações por causa disso: não preciso de ninguém para ser feliz. Nunca precisei.


Enquanto deixava a panela fazendo o seu serviço, decidi tomar um banho bem esperto.


Aproveitei o meu momento “eu me amo e sou gostosa” para fazer uma hidratação no cabelo e no corpo, além de depilação completa. Sério, até fiz um desenho em formato de coração. Aí ficou uma desgraça disforme e acabei tirando tudo, mas valeu a tentativa.


Nunca tomei um banho tão demorado, mas acredito que tenha sido necessário. Uma nova Lili saiu daquele banheiro, e pela primeira vez me senti realmente pertencente àquela casa. Acho que eu também estava precisando de móveis novos e de uma limpeza geral, tanto exterior quanto interior. Só sei que gostei do resultado, embora não soubesse exatamente o quê de fato havia mudado em mim. O espelho me mostrou a mesma garota de sempre, mas nem sempre o espelho diz de verdade quem a gente é.


Envolvi o meu corpo na minha toalha verde-limão e fui conferir a panela. Um cheiro maravilhoso incensou a minha casa inteira quando a destampei, e fiquei feliz por estar dando certo.


Com muita sorte o meu vizinho querido do pintão (e de tudo ão), iria aprovar os meus dotes culinários. Tentei não pensar que estava cozinhando para um cozinheiro, e que certamente ele daria a sua opinião com mais profissionalismo.
Ouvi um barulho na porta e corri até a janela ao lado. Uma olhadinha rápida no relógio da cozinha me fez ter a certeza de que aquela não era hora de receber visita: quase uma da manhã.


Arregalei os meus olhos quando percebi o Sr. Klein diante da minha varanda, trajando apenas uma bermuda azul. Ele não percebeu a minha olhadinha pela janela, ainda bem. Teria tempo de colocar uma roupa.


Dei dois passos na direção do meu quarto e parei. A história do doido invadiu novamente o campo das minhas ideias, e cheguei a rir de mim mesma. Balancei a cabeça em negativa e dei mais um passo.

 Parei.


Certo, eu já disse que às vezes faço as coisas sem pensar. A minha mente tem um parafuso a menos, por isso não me julgue. Eu nunca disse que era normal. E não me senti nada normal quando, do jeito que estava, fui até a porta e abri.


Calvin sorria do seu jeito safado, mas tudo mudou quando deu uma bela olhada nas minhas condições. Eu estava ensopada. Havia gotas fartas escorrendo pelo meu cabelo e pelas minhas pernas, e a toalha pequena me cobria de um jeito não tão confortável assim.


– Você tirou o dia para me assassinar ou é só impressão? – Calvin sussurrou, apoiando seu corpo delicioso na lateral da minha porta.

Cruzou os braços na frente de si e continuou a me olhar como se eu fosse uma fatia de torta de limão (essa foi só para combinar com a cor da toalha).

 

– Ainda nem te ataquei... – Sorri com malícia. Precisava ser mais doida. Precisava ser mais doida...

– Ainda

.
Não soube o que responder. Calvin passou um tempão só me analisando, de forma que comecei a me sentir uma estúpida por não ter colocado uma roupa decente antes de atender a porta.


– Então... A que devo a sua visita, vizinho? Quer açúcar? Ou quer algo mais? – Pisquei um olho.

 

Ele fez uma careta confusa, mas depois sorriu. É bom demais usar as mesmas armas que o seu oponente. Já estava na chuva e já estava molhada, o resto era lucro.

– Algo mais com açúcar –

respondeu em um murmúrio. Descruzou os braços e deu um passo à frente. Acabei dando um para trás. A minha razão começou a martelar o meu juízo. Não podia dar cabimento a ele, pelo amor de Deus. O cara fodeu pelo menos quatro mulheres desde a minha chegada.
Aliás... É, perdi as contas.


– Hum... Então, estou fazendo a feijoada! – Virei as costas e fui andando até a cozinha, atravessando a sala vazia. Mudar de assunto foi a minha melhor opção. – Está combinado amanhã, não é? Os móveis devem chegar logo cedo

.
– Senti o cheiro lá da minha casa, por isso que estou aqui. Fui totalmente atraído. –  


Riu de leve, e senti o meu coração ser possuído pelo ritmo ragatanga. – Ei, sua casa está ficando maneira.


Olhei para trás e o vi abrindo a porta do meu quarto. Pensei que não faria aquilo, mas o doido entrou mesmo. Entre a minha cozinha e o meu quarto são apenas cinco passos, mas os dei envolvida em milhões de pensamentos loucos. Ainda esperei o Calvin sair de lá, mas ele demorava muito.


Tomei fôlego e resolvi entrar de uma vez. Ele estava de pé diante da minha cama, observando-a como se fosse atração turística. Para um homem como ele, devia ser mesmo. Seu parque de diversões era bem ali. E os meus pensamentos só giravam em um carrossel sem sentido, depois entravam em uma montanha-russa e se perdiam em um trem fantasma: a minha vontade mesmo era sair gritando, mas na direção do monstro, não da oposta.

 

– Por que entrou no meu quarto? – perguntei por perguntar.

– A gente só conhece alguém de verdade pelo quarto. Não sabia disso? – Encarou-me e sorriu com malícia.

– Não...

– É verdade. Você é organizada, controladora e... meiga. O guarda-roupa grande mostra que tem atitude... Que é centrada e determinada. A meiguice vem da cor. Você deve ter uns vinte e tantos anos e ainda se preocupou em deixar o rosa prevalecer no seu quarto. A cama... – Sentou-se nela. – Diz que você é preguiçosa. Mas nem tanto, talvez seja apenas carência... – Fiz uma careta, e ele riu. – Você gosta de ser mimada, Lili.

Deitou-se completamente, pegando o meu travesseiro e o abraçando. Eu mal podia acreditar que aquele cara estava na minha cama, analisando a minha personalidade (e acertando cada ponto). Não fui capaz de falar nada. Calvin ainda brincou com um dos meus ursinhos, que eu deixava em cima dacama só para enfeitar.

– Você é ligada a sua família – continuou. Comecei a ficar realmente assustada. – Esses ursos comprovam. Apesar de gostar de privacidade, é uma mulher companheira e romântica.
Olhei para os lados, sem saber onde enfiar a minha cara. Sinceramente, para Calvin me conhecer melhor a única coisa que faltava era que eu deixasse aquela toalha cair no chão. Se bem que o que estava fazendo era pior do que se estivesse me despindo diante dele.

– Acho... Acho melhor você... ir.


Calvin não se chateou com a minha sentença. Ajoelhou-se na cama e ergueu uma mão. Não entendi direito o que queria, mas acabei lhe entregando a minha. Puxou-me devagar, fazendo-me sentar na cama ao seu lado. Mil coisas se passaram pela minha cabeça.

– Você não gosta de se sentir invadida. Desculpe-me –

murmurou. Beijou as costas da minha mão. Prendi o fôlego. – Um dia estará no meu quarto e entenderá o quanto sou ansioso e curioso. Mas já digo de antemão que eu adorei cada detalhe de você, Lili.


Calvin se levantou como se não tivesse dito nada. Eu havia criado raízes ali mesmo, estava oficialmente incapaz de me mexer, de falar, de demonstrar qualquer tipo de reação. Nunca ninguém havia me desvendado com tanta facilidade, e me feito ficar tão absorta. Ele pensou que tinha me conhecido, mas a verdade é que, diante de suas palavras, eu mesma passei a me conhecer.


– Até mais, vizinha –

disse, beijando-me a testa. Meu corpo inteiro se derreteu com a sua boca quente de encontro à minha pele fria. Calvin caminhou até a porta e se virou antes de partir. – Você fica uma delícia enrolada em uma toalha. Estou louco para provar da sua feijoada... Na verdade, não vejo a hora. – Piscou um olho.
...
Vou dizer mais nada não.
 


Notas Finais


divulguem a fanfic, quem sabe eu volto ainda hj


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