História O Safado do 105 - Sprousehart - Capítulo 7


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Categorias Riverdale
Tags Bughead, Riverdale, Sprousehart
Visualizações 531
Palavras 2.305
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


voltei!!

Capítulo 7 - Capítulo 7


Não posso me esquecer de que o meu vizinho safado é um safado



Acordei cedo só para não perder o costume, e acabei não me arrependendo porque as minhas entregas começaram a chegar a partir das oito horas. Nem eu tinha consciência de que havia comprado tantas coisas novas; sofás, aparelho de jantar (mesa e quatro cadeiras), mesinha de centro, um rack para sala, um para o meu computador e uma mesinha menor para cozinha.


Nem sinal do meu vizinho. Estava com vergonha de chamá-lo para me ajudar na montagem. O que aconteceu durante a madrugada estava me enchendo de angústia; o aperto no peito não queria passar, e o frio na barriga, idem. Meu cérebro tentava dar explicações malucas para justificar as minhas atitudes (acredite quando eu digo que a minha mente fértil elaborou todas as artimanhas mirabolantes possíveis), mas a verdade é que me arrependi de ter feito aquilo. Devia ter ficado na minha.


Por mais que eu quisesse ter este poder, nada faria o tempo voltar, então tentava não pensar muito. Só precisava erguer a cabeça e sobreviver a uma manhã inteira com o safado do 105 soltando as suas indiretas diretas. Precisava ser forte e, acima de tudo, controlada. Os meus hormônios à flor da pele não podiam ser mais fortes que a minha razão (embora tenha a certeza de que são).


Estava tentando, sem sucesso, montar o rack da sala (acocorada no chão, suada e estressada por não estar entendendo porcaria nenhuma) quando ouvi batidinhas na porta. Ela estava aberta, por isso apenas olhei para o lado. Calvin estava sorrindo (como sempre), seminu (como sempre), trajando apenas uma bermuda branca, segurando alguma coisa que não consegui identificar. Ergui-me.

 

– Bom dia, vizinho – murmurei em um muxoxo. A vergonha completa esbofeteando a minha ex- cara de pau.

O cara era lindo demais. Sorrindo daquele jeito, então, fazia qualquer mulher sensata (como eu) mudar de ideia em menos de um segundo.

– Bom dia, vizinha – saudou todo contente. – Desculpa a demora, estava procurando isso. –


Ergueu uma maleta preta e grande em uma mão.

– O que é isso?

– Ferramentas. Você nunca vai conseguir montar isso sem uma furadeira. – Aproximou-se da bagunça que eu tinha feito. Havia pedaços infindáveis de madeira e pregos de toda a qualidade espalhados pelo chão. O manual estava todo amassado, jogado em um canto. – E a minha furadeira trabalha que é uma beleza! – Piscou um olho.


3, 2, 1... Começou o primeiro round. Daquela vez, eu só ficaria na retaguarda. Ele não ia me atingir. Não ia.


Soltei um suspiro enquanto ele se ajoelhava no chão e abria a tal maleta. Havia de tudo um pouco ali dentro.

– Belas ferramentas –

comentei sem querer, esquecendo-me de que tudo o que eu falasse seria usado contra mim.
Calvin ergueu a cabeça e sorriu com malícia, mostrando seus dentes maravilhosos e a curva perfeita da sua boca carnuda, que, por sinal, estava me chamando aos berros. Quase tampei meus ouvidos, só não o fiz porque não adiantaria.


Ele tocou no espaço bem ao seu lado, indicando para que eu ficasse ali. Obedeci, pois foi o que me restou. Sentei-me no chão enquanto ele me analisava de cima a baixo. Encarei-o de volta. Cada partícula de mim implorava por alguma coisa que eu nem sabia o que era, ou, talvez por saber bem, eu tentava ignorar.

 

– Lili? – murmurou o meu nome de um jeito impressionante. Fechei os olhos, mas os reabri depressa. Droga. Não estava funcionando.

– Hã?

– Está estranha... Aconteceu alguma coisa?


Balancei a cabeça em negativa. Calvin levantou mais a bermuda e se sentou nas próprias pernas.
Continuou me olhando. Do nada, ergueu uma mão e tocou o meu queixo. Como ele era quente!

 

– Você é linda. E gostosa. E legal. Não fica triste, não combina contigo, tá? – Piscou o maldito olho.


Aquiesci e suspirei. Decidi sair de perto, não chegaríamos a lugar algum se ficássemos tão próximos. Ele não parecia ser um cara muito difícil de desconcentrar (um rabo de saia era o suficiente). E eu queria que montasse aqueles móveis depressa, só assim a gente almoçaria cedo e eu me veria livre daquele ímã que me impulsionava até ele, deixando-me desesperada.

 

– Vou tentar montar a mesa – alertei. – Parece-me mais fácil.

– Tudo bem!


Bem que eu tentei me concentrar, mas observar aquele homem enorme e gostoso montando um móvel é uma cena imperdível. Fiquei me sentindo uma idiota, afinal, estava pensando que o Calvin se desconcentraria por qualquer rabo de saia enquanto era eu que o secava mais que secador em salão de beleza. Deprimente!


Acabei ligando o som e indo até a cozinha. Deixei a feijoada no fogo para ferver novamente. Fui adiantando o arroz e cortando a couve. Seria mais útil se organizasse o almoço do que se tentasse montar a mesa (descobri depois de quarenta minutos que não era tão fácil assim de ser montada, aliás tenho certeza de que coloquei um parafuso no lugar errado, mas não consegui tirá-lo de lá).


Estava cantarolando e muito concentrada no corte da couve quando senti um corpo quente bem atrás do meu. Mãos surgiram do nada diante de mim, segurando as minhas e me obrigando a parar de trabalhar a faca. Foi instantâneo, meu corpo travou todo. Uma pulsação horrível fez a minha cabeça quase explodir, parecia que havia água gelada em vez de sangue circulando nas minhas veias.

 

– Assim você vai se cortar, Lili. – Um murmúrio baixo perto do meu ouvido fez a minha pele se arrepiar. – Empurre a couve na direção da faca, não o contrário.


Suas mãos por cima das minhas começaram a se movimentar, obrigando-me a acompanhá-las.


Bem que tentei buscar a minha força interior (estava quase soltando um kamehameha) para cortar a maldita couve, mas o corpo quente daquele homem se esfregando nas minhas costas estava bem mais interessante.


Arquejei e, sem querer, empinei a minha bunda só um pouquinho. Calvin riu com malícia. Fui tomada por uma nova onda de arrepio.

– Suas unhas precisam ficar mais perto da faca do que seus dedos... – continuou explicando. –
Incline a sua mão assim... E acelere o movimento.
Não sei o que me deu. Minhas mãos continuaram lerdas, mas o meu quadril o obedeceu que foi uma beleza. Comecei a rebolar um pouco, mas parei quando senti que as coisas lá embaixo estavam ficando... duras. Pensei que fosse morrer de tanto tesão.

 

– Eu acho melhor você voltar a montar o rack – sussurrei. – Sou pior em montagem do que em corte.
Sr. Klein riu de novo. Acabei dando outra empinada, só para ter certeza de que ele estava mesmo excitado. Mas é claro que não precisava de comprovação, havia uma ferramenta maciça pressionando a curva entre a minha bunda e as minhas costas.

– Você é ótima no corte, Lili.

– Você parece ser bom em tudo.
Desta vez ele gargalhou. Ri um pouco também, mesmo estando desconcertada e envergonhada de mim e da minha capacidade de me atirar em cima do sujeito.
Para o meu alívio (ou não), ele acabou se afastando.

– Já terminei o da sala e o do computador... Acho que só falta a mesa.
Olhei-o de soslaio. Nem tive coragem de encarar seus olhos.

– As mesas. São duas. Uma vai ficar na cozinha.

– Só é olhar para trás.
Virei-me e dei de cara com a maldita mesa. Já estava devidamente montada e depositada bem no centro. Perguntei-me como não havia notado antes. Acho que me concentrei demais cortando a couve e cantando as músicas que ainda rolavam no meu som.


Calvin riu do meu desconcerto. Olhei para ele de um jeito frustrado, e acabei piorando a situação quando deixei meus olhos navegarem até a sua bermuda, que ainda carregava um volume alto na frente. Tentei desviar o rosto, mas já era tarde demais. O safado já havia percebido o meu interesse.

 

– A feijoada sai daqui a pouco – mudei de assunto, voltando a cortar a couve como ele tinha ensinado. – Acho que vou fazer caipirinha, você topa?

– Topo, de boa. Ei, Lili...

Olhei-o.

– Presta atenção na faca. Não quero que se machuque. – Piscou um olho. Misericórdia...


Como ele queria que eu prestasse atenção na faca daquele jeito? Eu só conseguia pensar sobre uma ferramenta, um regador... Enfim, você entendeu. Já estava confusa com tantos duplos sentidos.


Tudo culpa da minha carência. Ou de mim. Ou dele. Ou daquela casa que era tão perto da dele. Ou do corretor que me convenceu a comprá-la.

 

No fim, acho que ninguém é inocente.
Calvin se perdeu em algum lugar da sala enquanto eu preparava a caipirinha. Fiquei pensando se era uma boa ideia misturar vizinho safado com bebida alcoólica, mas eu já tinha oferecido e seria chato se não preparasse. Prometi a mim mesma que tomaria apenas um copo, quantidade suficiente para ficar relaxada, e não bêbada.


De cara, dei logo um gole tão grande que levou metade do conteúdo. Esqueci-me de que a bebida não curaria a minha excitação, muito pelo contrário, só faria ampliá-la. Deixei meu copo na cozinha e fui levar o do Calvin.


Estaquei assim que entrei na sala. Quase derrubei o copo no chão de tão estupefata. Calvin estava terminando de montar a mesa num canto, mas as cadeiras já estavam ao redor dela. Os sofás estavam muito bem dispostos, bem como a mesinha de centro e o rack. Até aí tudo bem, salvo que ele teve trabalho para deixar tudo no lugar certinho. O que me admirou mesmo foi a presença de um tapete rosa-bebê tão felpudo que parecia um gato gigante dormindo na minha sala. A combinação das cômodas junto com o tapete era perfeita.

 

– Calvin... Onde... Onde arranjou este tapete? – quase não consegui perguntar.
Ele saiu de debaixo da mesa, empunhando um martelo. Observou o tapete e, de repente, ficou muito sério.

– Posso tirar se não tiver gostado.

– Está... Está lindo, nunca vi um tapete tão fofo! Mas... Como o conseguiu?

Ele deu de ombros.

– Era da minha mãe.
Fui me aproximando da mesa onde ele estava.

– Calvin... Explica isso direito. – Minhas mãos começaram a tremer. – Não posso ficar com este tapete. 

– Eu que não posso usar um tapete cor-de-rosa, Lili. – Sentou-se no chão e fez uma careta. –  Guardo este tapete há vinte e quatro

anos, finalmente achei uma utilidade para ele.
Vinte e quatro anos? Calvin tinha vinte e quatro anos? Ou só guardava o tapete durante este tempo? Mas a sua mãe havia morrido assim que nasceu, não? Minha nossa, aquele homem estava mesmo disposto a me endoidar.
Sentei-me no chão, bem de frente para ele. Encarei-o e lhe ofereci o copo de caipirinha. Calvin sorriu e deu um gole.

– Hum... A sua caipirinha está uma delícia. – Sorriu com malícia.
Balancei a cabeça.

– Já chega, Calvin. Conte-me a história do tapete.
Ele suspirou, dando adeus ao sorriso sacana.

– Não tem muito que contar. Fiquei com muitas coisas da minha mãe, esta casa é uma delas. –
Arregalei os olhos. – Bom, na verdade o meu pai ficou com a casa.

– O corretor não me disse nada sobre isso...

Calvin sorriu.


– Aquele idiota faria qualquer coisa para vender a casa, Lili. É o meu irmão. Quando o meu pai morreu, ele quis porque quis que a vendêssemos e dividíssemos o dinheiro. – Levei uma mão à boca, passada. Calvin não se abalou. – Eu me recusei a sair daqui, então ele veio com essa história de dividir a casa ao meio.

 

– Oh, meu Deus... Eu... Não sabia disso, Calvin. Caramba... Olha, se você quiser, eu posso dar um jeito, sei lá. Posso vendê-la para você e...

– Não, Lili! De forma alguma! – Continuou sorrindo. – Nem pense nisso, esta casa é sua e sempre será até quando você quiser.

– Mas... Poxa vida, não estou me sentindo bem em fazer parte disso.


Ele largou o martelo de um lado e o copo de caipirinha do outro. Ergueu as mãos lentamente até segurar as laterais do meu rosto.

– Você nada tem a ver com a babaquice do meu irmão. Ele tinha direito a metade e, sinceramente, prefiro você como vizinha a morar com aquele chato.
Balancei a cabeça. Estava realmente me sentindo péssima.

– Mas esta é a casa dos seus pais...

– Eles morreram, Lili. Ninguém leva nada no caixão. Relaxa... Ainda estou aqui, não é?

 

Jamais irei embora, foi aqui que nasci e cresci. O resto são apenas lembranças.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Não sou do tipo chorona, mas aquela história me comoveu de verdade. Deve ter sido uma barra para ele. Aliás, não faço ideia do que seja viver sem uma mãe, um pai... A minha família é tudo para mim. Se meus pais morressem, Deus me livre, detestaria a ideia de vender a nossa antiga casa.


Segurei as mãos dele, que ainda estavam sobre o meu rosto.

– Tem certeza? – choraminguei.

– Ei, não chore. Está tudo bem. Eu tenho certeza absoluta. – Sorriu, mas sem resquícios de malícia ou sacanagem. Fiquei vidrada naquele sorriso novo, diferente para mim. – E ficaria muito feliz se ficasse com o tapete. Não me lembro da minha mãe, mas sinto sua presença nesta casa... Meu pai dizia que ela amava morar aqui.

– Ah, Calvin... Não sei...

– Por favor, Lili. – Encarou-me com tanta firmeza que me senti fraquejando.

– Tudo bem. Certo... Eu fico com ele, mas é só um empréstimo.
Sorriu.

– Como quiser. Obrigado, vizinha.


Sério, tive vontade de me atirar nos braços dele. Até me visualizei passando as pernas ao redor da sua cintura, terminando sentada em seu colo. Iria lhe beijar a boca até que se deitasse, e então transaríamos debaixo da minha mesa nova.


Dei de ombros. Eu não sabia direito os motivos de ainda não ter feito aquilo. Depois de um segundo me lembrei de que o cara era um cafajeste, cretino, maníaco sexual, comedor de vadia adoidado. Um safado..

.
Um safado fofo, protetor, sensível, que sabe cozinhar, entende de jardinagem, monta móveis e fode gostoso. Mas, ainda assim, um safado.

 


Notas Finais


Já sabem né favoritem, comentem, divulguem
até mais
XOXO


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