História (Finalizada) O safado do 105 (chaverroni) (Adaptada) - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias Christian Chávez, Maite Perroni
Personagens Christian Chavez, Maite Perroni
Visualizações 54
Palavras 4.248
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiiee gente 💘

Capítulo 9 - Cap 9


Fanfic / Fanfiction (Finalizada) O safado do 105 (chaverroni) (Adaptada) - Capítulo 9 - Cap 9

Só entendi que havia adormecido quando acordei bem devagar. O meu quarto estava escuro e, como a porta estava aberta, percebi que na verdade a casa inteira tinha ficado imersa na escuridão total. Meio desnorteada, procurei o meu celular na cabeceira da cama. Eram oito e meia da noite. Ainda era sábado. Partes bem sugestivas do meu corpo começaram a latejar. O clima era frio, e a minha pele estava grudenta. Estranhei a minha nudez completa. Lembranças dos momentos com o meu vizinho invadiram a minha mente com efeito retardado (isso para não dizer que a retardada fui eu). Com o coração iniciando uma série de batidas frenéticas, procurei-o pela minha cama. Só constatei o que já sabia: eu estava sozinha. – Calvin? – chamei. Não obtive respostas. Soltei um longo suspiro. Não era para estar admirada. O meu vizinho era um safado, certamente tinha mais o que fazer em uma noite de sábado. Mesmo assim, ainda me levantei da cama e o procurei pela casa. Nada. A porta de saída estava fechada, mas não trancada. Suspirei novamente. Tudo bem, eu tinha caído nas garras do safado do 105. A mágica havia acabado, bem como o interesse dele. O meu também foi saciado. Sabia como ele era na cama (incrível) e como seria senti-lo em mim (incrível), agora podia ficar em paz. Aquele momento foi necessário para ambos. Calvin me queria, e eu também, não havia motivos para arrependimentos. Transar com o meu vizinho tinha sido uma experiência e tanto. Pensava nisso enquanto tomava um banho esperto, tocando as partes do meu corpo que foram tocadas por ele mais cedo. A sensação de suas mãos me apertando ainda circulava pelo meu corpo como se fosse o meu sangue. Pudera, o cara era avassalador. Eu não podia esperar nada diferente de uma foda deliciosa vindo dele. E bem, a minha carência havia diminuído bastante (podia sentir que as teias de aranha já não estavam mais na minha “aranha”), coisa que também não podia ser diferente. Não depois de vivenciar aquelas emoções intensas e aqueles orgasmos profundos. No fim, senti-me na vantagem. O momento com o meu vizinho safado-magia só me proporcionou o bem. Coloquei um pijama confortável e parti para a cozinha, na intenção de assaltar a geladeira. Morria de fome. O cara tinha me saciado de um jeito que nenhum alimento seria capaz de fazer, mas me deixou com o estômago vazio e roncando alto (parecia que tinha um alien dentro de mim). Abri a porta da geladeira e tive uma surpresa logo de cara. Havia um item que não devia estar lá: uma travessa com um delicioso pudim de morango. Aquilo estava uma beleza! Sério, havia morangos, chantilly e muita calda escorrendo. O alien quis abrir um buraco no meu estômago para deixar passar uma mão, assim ele pegaria aquela delícia para devorá-la. Acabei fazendo isso por ele. Um bilhete caiu nos meus pés, fazendo-me gritar de susto. Pensei que tinha sido uma barata. Odeio baratas. Você não tem noção do quanto. Já cheguei a quebrar o dedo mindinho do meu pé. esquerdo tentando fugir de uma. Foi o maior pavor pelo qual já passei. Deixei o pudim em cima da minha mesa (novinha em folha!) e peguei o bilhete, que na verdade era um pedaço de papel arrancado de um caderno de brochura. A letra era feia pra burro, quase ilegível. Tentei traduzir para o português: “Fiz ontem. Ainda não provei, mas tudo que reúne chantilly e morango fica uma delícia. Só não mais que a sua “feijoada”, claro. Amei cada partícula dela, Maite. Queria estar sentindo o seu cheiro de mulher gostosa neste instante, mas precisei ir trabalhar. Maior saco! Pode ter certeza de que estou pensando em você agora. Quero que pense em mim enquanto come esses morangos. Hummm... Na verdade quero te comer com esses morangos. Guarde um pra mim. Calvin.” Safado! Ri sozinha durante muito tempo, parecia uma maluca. Peguei um prato rindo, encontrei uma colher rindo e me servi do pudim rindo. Comi o primeiro morango e ri até chorar. Depois eu acho que chorei de verdade quando o sabor do pudim se misturou na minha boca, e então percebi que a sobremesa do sujeito estava para algo além da escala da perfeição. – No quê que esse cara é ruim, meu Deus? – perguntei para o nada, e, percebendo que não receberia uma resposta, desatei a rir. Liguei as luzes da casa, admirando-a completa pela primeira vez. Não havia tido tempo de curtir a minha sala nova. Observei o tapete felpudo e sorri. Depois, senti-me esquisita. Não era legal ficar com ele. Sei lá, era estranho. Ser responsável, mesmo que provisoriamente, pelo tapete da mãe do Calvin não me parecia uma boa ideia. Vai que ela estivesse assistindo àquilo tudo do além e não tivesse gostando nada? Acabei me sentando nele e pegando uma almofada em cima do sofá. Fiz um sinal da cruz. – Sra. Klein, espero que sua alma esteja em paz. Vou cuidar do tapete, eu juro! – murmurei. – Do seu filho também... – Fiz uma careta. Sério, eu sou muito idiota, e percebo que sou mais ainda morando sozinha. Na verdade, acho que todo mundo é um pouco mais de si mesmo quando não tem ninguém olhando. Terminei de comer o pudim lentamente, com a maior pena de acabar. Tentaria me contentar só com uma fatia (uma fatia bem grande, que mais pareciam três, mas eu podia chamar de uma, certo?). Deixei o prato em cima da mesa de centro e me deitei de vez no tapete. Era tão confortável! Tentei ver se tinha algum cheiro ruim – afinal, havia sido guardado durante anos –, porém nada senti além de um odor que achei ser característico do material utilizado. Calvin devia guardá-lo bem até demais, ou então, sabendo que eu tinha me mudado e na esperança de me presentear, tê-lo levado à lavanderia durante a semana. Revirei o bilhete do Calvin nos meus dedos. Li mais uma vez. Depois outra. E mais uma só para conferir se tinha deixado de entender alguma coisa. Perdi as contas depois da décima vez. Fui acordada apenas pelo meu celular, que tocava de um jeito estridente. Corri até o quarto, quase tropeçando, e o peguei. Não vou mentir: a minha esperança maior estava voltada a um homem lindo e alto, um loiro sedutor, dono do sorriso mais cafajeste que eu já tinha visto na vida. Pensei que a ligação era dele. O que não fazia muito sentido, afinal, não me lembro de ter lhe dado o meu número. Atendi com a voz mais sexy do mundo, principalmente depois de ver que o número era desconhecido. – Maite? – a voz era feminina. Fazia muito barulho ao fundo, parecia estar no meio de uma festa. Meu fogo no rabo se dissipou bem rápido. – É ela. Quem fala? – Não reconhece a voz da sua prima? Fala sério, nega! É a Lilian! Estou numa festa de arromba aqui na casa daquele cara que você pegou... O loirinho fofo, do dente pra frente! Fiz uma careta horrenda. Hã? Não entendi nadinha. – Quê? – Uma festa, Mai! Só falta tu! Vem pra cá, agora! Está cheio de gatinhos! O loirinho já perguntou por você! – Que loirinho, Lilian? – Balancei a cabeça. A minha prima não tinha jeito mesmo. Não era de hoje que me ligava, chamando-me para festas malucas em que todo mundo ficava bêbado e caía na piscina sem roupa no final. Conhecia um monte de filhinho de papai rico que se reunia com o único objetivo de chamar mulheres gatas para se embebedarem junto com eles. Já fui a uma. Arrependi-me para vida toda. Paguei o maior mico fazendo topless (não fui a única, mas mesmo assim... Se aquele bando de mulher bêbada pulasse de uma ponte, eu tinha que pular?), e a minha sorte havia sido o fato de todo mundo não ter se lembrado direito de quem tinha tirado ou não a blusa. Pelo menos foi o que achei. Um pessoal tirou fotos e postou no facebook. Minha irmã viu, meu irmão, idem (imagine a sensação de ter o seu irmão mais novo assistindo a uma coisa dessas? Depois descobri que ele cobrava um real para os amigos lhe visitarem, na intenção de me verem pessoalmente). Meu pai precisou me chamar para uma “conversa” séria sobre o fato de eu estar usando drogas ilícitas. Tentei lhe explicar que só havia bebido algumas doses de tequila, mas não adiantou. Passei meses sendo vigiada (e proibida de frequentar qualquer tipo de festa), até que desistiram de pegar no meu pé. – Aquele loirinho com cara de cavalo, primo do Igor! Eca! – Igor era o ex-namorado dela. – O cara deve estar malhando, Maite! Só tem delicinha aqui, garanto! Cocei a minha cabeça. – Você sabe que não vou mais a festas assim... – Affe, Maite, não acredito! Pelo que soube, você está morando sozinha! Sua irmã que me disse! Aliás, nem pra me avisar, né? Tu és uma prima muito fuleira mesmo! – Foi tudo muito rápido, Li – menti. Nem sabia direito o porquê de ainda não ter contado um fato tão importante sobre mim para a minha prima, que naquele instante era a única coisa mais perto e amiga que eu tinha. Sou um zero à esquerda quando se trata de amizade. – Só te perdoo se aparecer! Vou te dar o endereço. Minha prima começou a falar sem pausas o endereço da casa do sujeito. Era em um bairro nobre, como previsto. Não o anotei em parte alguma, só memorizei. Conhecia aquela rua. Depois, era só aguçar os ouvidos e escolher a casa que estivesse fazendo mais barulho. Isso, claro, se eu fosse. – Anotou? – Anotei. Mas ainda não sei se eu vou, Li... – Prima, acorda! Bebida de graça, gatos à vontade, música eletrônica... Cadê a velha Maite? Nem eu sei onde havia enfiado a velha Maite. Aquela certamente era uma versão nova. E, não sei por que, mas me achei ainda mais diferente depois do sexo louco com o vizinho. Foi impossível não relembrar aqueles dedos incríveis me estimulando. Soltei um suspiro. Precisava esquecer aquela merda, e rápido. Já estava se tornando perigoso demais para o meu gosto. – A velha Maite está aí em trinta minutos! – falei alto demais, tentando me empolgar. Lilian riu feito uma louca (já estava bêbada, com certeza) e desligou na minha cara. Não tive escolha. Abri o meu guarda-roupa (só meu!) e escolhi pelo básico: vestido preto de tubinho e sapatos que me deixava tão alta quanto alguém que tenha uma altura descente. Fiz uma maquiagem composta por batom vermelho “periguetal”. Eu tinha que ficar bonita, certo? Era o mínimo que eu podia fazer. Claro que não pegaria ninguém. Minha cota de caras gatos já tinha estourado o limite do ano só naquela tarde. Devo ter demorado mais que o normal, pois eram dez e meia quando estacionei o meu carro quase em frente à casa mais barulhenta. Ouvi o “tuntz, tuntz” característico da música eletrônica, bem como visualizei luzes rodopiando um jardim imenso que ficava logo após grades de ferro imensas que trabalhavam como muro. A quantidade de carros estacionados por ali era enorme, de modo que me achei uma sortuda por ter conseguido uma vaga tão perto. Os portões estavam abertos, mas havia vários grupos de pessoas dispersos pelo jardim, e também logo na entrada. Eu não conhecia uma alma sequer, só a Lilian. Atravessei os portões na maior cara de pau, achando que em algum momento alguém me pararia e perguntaria quem eu era. Não aconteceu. O máximo de atenção que consegui despertar veio por parte de alguns caras, que me secaram com a cara de pau ainda maior que a minha. Tentei equilibrar os meus saltos no caminho de pedra que ia até um terraço enorme, cheio de gente interessante, bonita e cheirosa. Percebi isso assim que alcancei a multidão e inspirei profundamente. Nem sinal da Lilian. Percorri o ambiente como se fosse a dona da casa. Cheguei até uma porta enorme de madeira, que estava aberta, dando acesso à casa. Um luxo! Nunca vi sala tão grande, parecia de novela. Havia gente se esfregando nos sofás, nas paredes, e até em cima da mesa, mas ninguém parecia se importar. Lana Del Rey começou a cantar no exato momento em que um cara gatinho surgiu com uma bandeja de bebidas. Eu nem sabia do que se tratava, mas aceitei mesmo assim. Um gole foi o bastante: era Martini. Entrei imediatamente no clima. Tudo bem, eu estava sozinha em uma casa desconhecida, com um bando de gente que nunca vi mais bêbado, cantarolando junto com a Lana e bebendo Martini falsificado (ou não). Bom, pelo menos a Lilian tinha razão. Aquele lugar mais parecia um gatil. Voltei para o amplo terraço, pois tinha mais gente lá (ou seja, menos chance de alguém reconhecer a penetra que havia em mim). Passei pelas pessoas e até ensaiei alguns passos. Virei o copo de Martini. Aquela era a velha Maite. Ela ainda estava ali. Sempre amei festas, foi os meus pais que me fizeram esquecer isso. Confesso que o trauma ainda existia, era a única explicação por estar com o coração batendo tão depressa. Visualizei a Lilian no canto esquerdo, perto de uma pilastra. Estava conversando com um loirinho alto e muito bonitinho. Aproximei-me. Mesmo que não quisesse atrapalhar a minha prima, não podia ficar em uma festa desconhecida por tanto tempo. – E aí, Li! – Cheguei “chegando”, empurrando o seu ombro com o meu. A doida quase caiu no chão. Sério, eu sou um desastre. Bom, pelo menos obriguei o cara a agarrá-la antes que caísse. Ponto para mim. Lilian se recuperou da queda e se virou na minha direção. Seu rosto se iluminou. – MAITE! AMIGA! QUE SAUDADE! – Sim, ela gritou de um jeito bem esganiçado. Se a festa não tivesse me notado até então, creio que aconteceu naquele instante. Abraçou-me com força, quase me derrubando também. – Como estamos? – perguntei. Olhei o loirinho sem querer, e o reconheci imediatamente. Puta merda, eu já tinha mesmo ficado com aquele cara! Foi numa festa organizada pelo ex da Li. – Ei! Beleza? – Beleza, Maite... Quanto tempo, né? – Sorriu, mostrando os tais dentes de que lhe davam o “aspecto equino”. Ok, só os dentes dele que eram estranhos. O resto até ia. Ele beijava bem. Quero dizer, pelo que me lembre. Lilian me largou e me observou atentamente. – Mulher, que pele é essa? Você está linda! Depois me dá a marca da base! – Tocou o meu rosto suavemente. – Uau, preciso dessa maciez! Urgente! Lilian sofria de espinhas fora de hora. As espinhas da coitada só apareciam em dias de festas, era impressionante. Localizei uma na sua bochecha, devidamente disfarçada com corretivo. Ri por instinto, percebendo o quanto estava com saudade daquela doida. – Você também está linda, prima! – Admirei seu vestido cor-de-rosa. Caía muito bem com seus cabelos castanho-claros longos. Não menti, ela estava mesmo encantadora. – Já vi que conseguiu bebida! – gargalhou. – Não perde tempo, hein? – O garçom ajudou muito! – gargalhei também, de um jeito cúmplice. Lilian riu ainda mais. Percebi que o loirinho ficou meio desconcertado. Confirmei o que imaginava dez minutos depois de ter encontrado a Lilian. A maldita logo deu um jeito de se afastar, deixando-me sozinha com o sujeito. Era óbvio que ele queria um “repeteco”. Veio se chegando cheio de ânsia, achando que eu entraria na dele facinho. Enganou-se. O mar não estava para peixe naquela noite. Comecei a dançar sem dar muita bola, apenas mantendo-me perto dele por educação (e um pouquinho de pena também, coitado). O meu copo não parava vazio. Nem meus pés pararam quietos. Adoro dançar. Sempre gostei, desde pequena. Pratiquei Ballet durante todo ensino fundamental, mas parei no médio. Meio que enjoei. Devo ter dado muito na cara que não estava nem um pouco a fim de ficar com o loirinho, pois quando menos percebi, ele já não estava ao meu lado. Nem sinal da Lilian, aquela cadela. Devia estar latindo por aí, atrás de um cachorrão sarado. Ri de mim mesma e dos meus pensamentos. Estava ficando meio alterada. Péssimo sinal. O garçom veio com mais uma dose de Martini. Ele era tão bonitinho que acabou me convencendo a encher o copo. Droga! Por que a minha carne tinha que ser tão fraca? Se eu fosse um tantinho mais forte e controlada não teria dado bola para o meu vizinho safado. Lembrei-me dele. Daquele sorriso sacana... Dos olhos escuros e profundos... Do toque... Ai, meu Deus... Devo ter suspirado umas mil vezes no meio da pista de dança, sentindo-me perdida por causa das lembranças fora de hora. Uma meleca geral! Pensei em ir embora. Lilian jamais descobriria o meu paradeiro mesmo. Já tinha feito a minha parte; apareci por lá, toda bonitona, como combinado. Provei que a velha Maite ainda existia. Não havia mais nada para fazer no meio de tanta gente desconhecida. De repente, o terraço imenso da casa me trouxe uma sensação claustrofóbica. A ideia de ir para casa se tornou ainda mais atrativa, por isso decidi acatá-la. Sequei o meu copo (desperdiçar para quê?) e o deixei em cima de uma das caixas de som enormes instaladas no canto. Procurei o caminho de pedras do jardim, mas não o encontrei. Tomei a pior decisão da minha vida. Segui pela grama verdinha e bem cortada, enterrando os meus saltos de um jeito que me fez andar como um ganso manco. Cruzei alguns arbustos e palmeiras. Estava escuro por ali, mas conseguia visualizar o portão de saída mais adiante. Era a luz no fim do túnel. Arrependi-me de não ter procurado melhor o caminho de pedras. Devia estar bêbada, não tinha outra explicação para a minha falta de senso. Continuei andando cambaleante, até que o meu salto se enterrou de verdade na grama. Tipo, não consegui mais levantar o meu pé direito. Olhei ao redor. Vi um casal se esfregando em uma palmeira logo adiante. Estavam quase se comendo. Fora eles, ninguém por perto. – Puta que pariu... – murmurei. Tentei levantar o meu pé, e nada. – Droga... Cacete... Parei e suspirei fundo. Agachei-me, mesmo estando de vestido. Tinha consciência de que o meu “lance” ia aparecer por inteiro. Tirei a fivela da sandália e livrei o meu pé. Fiz o mesmo com a outra, sentindo verdadeira raiva de ter ido aquela festa. Devia estar em casa, entupindo-me de pudim de morango. E esperando o safado chegar do trabalho para que cumprisse a sua promessa. Não. Devia ter ido mesmo. Nada de engordar. E nada de ficar esperando pelo vizinho. Era demais até para mim. Puxei a sandália com a maior força que consegui reunir, e só então ela veio com tudo. Resultado: caí sentada na grama. – Mas é uma merda mesmo, viu? – falei alto demais. Levantei-me o mais depressa que pude. Peguei as minhas sandálias e fui andando como se não tivesse acontecido nada. Era o que tinha restado para a minha dignidade. Um segundo se passou e fiquei pensando nos bichos que poderia estar pisando. Podia ter uma barata ali... Dei passos mais largos, até que passei pelo casal desentupidor de pia. Eles não se pegavam mais, o cara até tinha se distanciado. Ouvi uma gargalhada que foi capaz de me deixar toda arrepiada, da cabeça aos pés. Tudo porque a reconheci. Virei para trás. Sério, a minha vida devia virar filme. Não acreditei quando vi nada mais nada menos que o Calvin. Ele estava vestindo uma calça jeans preta e uma camisa lilás bem esportiva. Fiquei um tempão o observando. Na verdade, passei tanto tempo analisando o modo como ele ria e gesticulava como um doido. Às vezes tocava a mulher, que estava apoiada no tronco da palmeira. Devo ter me transformado em uma delas, pois literalmente criei raízes. Não sei como foi que aconteceu, mas depois de alguns segundos eles perceberam que não estavam totalmente sozinhos. Calvin se virou na minha direção e parou de rir. Continuei no mesmo lugar, com a mesma expressão e as mesmas sandálias sujas de grama nas mãos. – Maite? – Andou até mim lentamente, deixando a mulher sozinha. Era uma magra azeda com cara de patricinha. Típico dele. – O que faz aqui? Dei um passo para trás quando ele ficou perto demais. – Uma prima é amiga do dono da casa – respondi sem emoção. – Que bacana, amigos em comum! – Encarei-o. Estava rindo do mesmo modo sacana. Cínico. Maldito. – Karen! – Virou-se para trás, chamando a vadia. – Vem cá, quero que conheça alguém. Dei um passo para trás, mas estaquei. A mulher veio saltitando como uma galinha pintadinha, e tive vontade de cavar o meu túmulo bem ali naquele jardim. Aqui jaz Maite. Boa filha, péssima amiga e vizinha otária. – Esta é Maite, a vizinha de que te falei! – Riu como se nada estivesse acontecendo. – Maite, Karen é a minha melhor amiga. Não consegui deixar de fazer uma careta. Melhor amiga? Fala sério, né? Só podia ser uma piada. Karen sorriu amplamente e ergueu uma mão, tocando-me o rosto. A minha careta ficou pior ainda. Pensei que ela não podia ficar pior do que aquilo, mas me enganei. Quando Karen se inclinou para me beijar bem perto da boca, tive certeza de que só podia estar imersa em um sonho. – Ela é mesmo uma maravilha, Deli! Bem que você disse. Maite, flor, foi um prazer te conhecer! – Tocou os meus cabelos. – Vou pegar bebida pra gente! Saiu do meu campo de visão em menos de dois segundos. Calvin continuou me olhando e sorrindo como o canalha miserável que ele é. Soltei todo o ar dos meus pulmões. – Deli? Calvin gargalhou. – Você não é a única a me apelidar. Karen me chama de Deli carinhosamente. Vem de “delícia”. – Gargalhou ainda mais alto. Nem fiz questão de acompanhá-lo. Não tinha a menor graça. – Beleza. Estou indo para casa. – Virei as costas e dei alguns passos. Calvin puxou a minha mão com força, de modo que nossos corpos se chocaram. Segurou-me a cintura de jeito. – Não tão rápido, vizinha – sussurrou do jeito rouco que me deixava louca. Desvencilhei-me de seus braços, morta de raiva. Ele me largou, fazendo uma careta. – O que houve? Está chateada? – Não, claro que não! Eu na maior inocência evitando ficar com um loirinho bem bonitinho porque tinha transado loucamente com meu vizinho cafajeste hoje à tarde, e ele lá, na mesma festa, agarrando uma de suas vadias. Estou me sentindo ótima! – Certo, sei que não devia fazer drama. Só que não consigo ser tão cara de pau quanto ele. Calvin ficou muito sério. Prendeu os lábios. – Maite... Eu pensei que soubesse que... que não somos nada. Só transamos. Só transamos. Que maravilha! A culpa é toda minha, eu sei. – Eu sei, Calvin. Sei perfeitamente. – Balancei a cabeça, aquiescendo. Estava muito séria, e ele também. Pelo menos isso. – Mas foi hoje. Será que não podia esperar vinte e quatro horas? Desviou o rosto. – Ela é mesmo uma amiga. Ri com desdém. – Eu vi. – Olha, Maite... Eu sou assim. A gente transou, e foi delicioso... Na verdade, não parei de pensar em você. Foi... muito bom mesmo. Gostei de você em todos os sentidos, não tenho por que mentir quanto a isso. – Até eu me assustei com a sua seriedade. – Mas eu sou assim. – Um safado – concluí. – É isso aí. A liberdade é tudo que tenho, Maite. Eu a utilizo do jeito que quero. Não sou de ninguém. Não consigo ser. Aquiesci, começando a compreendê-lo. Eu também queria liberdade, não? Sabia perfeitamente que transar com o vizinho não significaria nada. Nem para ele e nem para mim. Só fomos conduzidos pelo desejo. Usamos a nossa liberdade ao nosso favor. – Você tem razão, Calvin. Acho que... não sou acostumada a este tipo de coisa, mas te entendo. – Dei de ombros. – Vou para casa, já estava indo. – Está de carro? Eu te levo. – Segurou a minha mão. Não encontrei forças para me afastar. – Estou de carro, sim. Relaxa. Divirta-se com a Karen quenga. Ele sorriu. – Ela gostou de você. – Fiz uma careta. Calvin percebeu o meu estranhamento. - Karen também gosta de liberdade, Maite. Nós somos muito íntimos. Se um dia quiser se juntar a nós... – Seu sorriso de malícia se intensificou. Arfei. Sério, tentava fazer aquilo não me atingir, mas, bem lá no fundo, estava decepcionada. E não soube dizer qual era o fundamento da minha decepção. – Não, obrigada. Gosto de pênis. Calvin gargalhou. – Tenho amigos também. Se quiser... Arregalei os olhos. Ele estava mesmo sugerindo aquilo? Um sanduíche de Maite? Misericórdia divina... Olhei para o céu e só pensei na Sra. Klein. A coitada devia estar desesperada lá no céu, observando as safadezas infindáveis do filho querido. – Gosto de um pênis por vez – completei. – Vou lá. Virei as costas de novo, mas o Calvin correu até ficar na minha frente. – Só para constar... Não sou mentiroso. Isso, nunca. Eu estava trabalhando. Acabei de chegar de lá. – Não importa... – Balancei os ombros. – Ei, Maite, importa sim. – Segurou o meu queixo. – Quero que confie em mim, sou seu vizinho. Aquiesci – Beleza. Agora, deixe-me ir. Calvin me deu um selinho rápido. Não consegui me afastar. Eu estava tão atônita que nem me dei o trabalho de sair do canto. – Chego daqui a pouco, não demoro. Juro. Estou esgotado... E a culpa é sua. Ri, mas sem sentir a menor graça. Fui andando em direção ao portão quando ouvi sua voz atrás de mim: – Gostou do pudim? – O seu pudim tem uma bela consistência, vizinho! – respondi de volta, mas nem olhei para trás. Sabia que ele estava sorrindo daquele jeito safado. E que estava secando a minha bunda.

CONTINUA.... 


Notas Finais


Então gente eu ia deixar um aviso falando que não iria continuar com a fanfic pois tem poucas visualizações e ninguém comenta acaba sendo chato pois parece que nem um ser gosta de ler a fanfic eu fico muito triste pois eu me ânimo tanto com as fanfic que posto e sempre acaba como um nada é muito triste mais continuarei postando mesmo sem criatividade sem ânimo para isso seria injusto para os poucos que lêem não sejam tão invisível comigo assim até o próximo capítulo


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