História O Santo Graal - Interativa - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance, Tragedia
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Palavras 6.108
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Pessoal, posto logo esse para não ficar tanto tempo sem capitulos - e já trazendo uma nova personagem querida para o grupitcho!

Fiquem com a bela Rose na capa e sua apariçao na historia! como esse saiu menorzinho, deixei a parte melhor para o proximo cap com chave de ouro! aqui foi mais morno, lidando com apenas 4 psonagens.

até segunda, o proximo sai! Até lá!

Sem enrolações, fiquem o cap e espero mesmo que gostem! :#3 beijinhos de mel da autora!

Capítulo 5 - Verso 5 - A Mão Guardiã


Fanfic / Fanfiction O Santo Graal - Interativa - Capítulo 5 - Verso 5 - A Mão Guardiã

"Viajei, uma vez, por meio continente, gozando de meus privilégios como mensageiro. Conheci todo tipo de pessoas, mulheres, velhos e jovens. Servia a um lorde deveras rico, e como tal, ele me fora gentil permitindo-me manter meus bolsos cheios o suficiente para aproveitar a beleza das terras que sempre visitava.

Certa vez, parei em uma vila. Notei que um ferreiro, fazendo seu trabalho com paixão, suor e dedicação, preparava algumas espadas. Galopei até perto e o saudei, o qual fiz perguntando o porque de tanta dedicação. Ele pediu que me sentasse um pouco, e esperasse os clientes viessem pouco a pouco. O fiz e passei a observar os sujeitos que chegavam:

- Faço espadas para homens como ele protegerem sua familia. - ele informou, com amor nos olhos, quando um velho camponês buscou sua arma. 

Um soldado de estandarte e escudo veio, desta vez.

- Faço espadas para soldados justos como Sir Darth lutem pela justiça - ele disse. - Justiça é importante nos dias de hoje, Sir. Sem isso, não somos nada.

Outro homem veio, entregando 3 moedas de ouro.

- Faço espadas para homens como ele, que almejam conhecer o mundo. É um mundo perigoso, e precisam da melhor arma para se proteger, sir.

Percebi a dedicação e bondade presente nos olhos do ferreiro. Me despedi e tomei a estrada outra vez, recebendo de presente uma espada do tal homem, o qual soube chamar-se Sir Ruffus. Contente, a guardei e galopei até a vila mais proxima, em busca de dormir uma noite. Notei que estava sitiada, repleta de corpos e sangue por todo lado. Estandartes e homens em armadura recuperavam-se de uma batalha - a qual percebi ser uma vila pilhada. A população fora expulsa, e não havia nada menos que um soldado de pé, balançando uma lamina deveras bela, o aço reluzente como jamais vira uma parecida - ele exibia-a aos colegas, orgulhoso. Me amedrontei, mas percebi logo que eles não estavam ali para me ferir. 

Fora algum tipo de saque aquele lugar, e certamente não discutiria sobre onde a razão jazia existente, então galopei perto, chamando o tal soldado.

- Como conseguiu tal arma, Sir?

- A melhor espada do continente com o melhor ferreiro. - ele explicou. - Sir Ruffus é seu nome.  

 

Relato de um viajante... 

 

*

 

Acordara logo cedo, e sentiu as ondas abaixo do barco, movendo-o como uma dança gentil e enjoativa. Enjoativa porque ainda podia ver a marca de vomito quente no chão de madeira quando acordou do leve sono, e gentil porque dormira com a madeira rangendo a cada minuto durante  a noite. Tirou a maçã verde dos bolsos, deu uma mordida e eliminou o mau halito com a fruta, caminhando lentamente, o vestido negro limpando o chão empoeirado.

Foi acolhida pela luz do sol ao sair para a proa, e tapou o rosto delicado com uma das mãos. O cheiro de sal atingiu seu nariz. Desviava dos olhares que a seguiam, outros assobiavam e desciam os olhos por suas curvas gentis, ainda que ocultas sobre o kimono negro, e seus dedos deslizassem pelo cabo da espada. A viagem fora agradável até certo ponto – não fossem o cheiro de peixe de alguns viajantes e da bebida jogada pelo barco – isso quando não os pegava olhando para sua bunda. Era aquele o mundo fora das montanhas? Se fosse, era mais selvagem e imaturo que lhe fora ensinada. Sem falar no clima quente que lhe recebeu ao pisar naquelas terras – algo que não suportava nem um pouco.

Parou na balaustrada, e ouviu um som de soluço. Quando baixou os olhos, uma menina estava ali sentada, olhando para o mar. Ela enxugou o rosto, manchado com algumas marcas de poeira e lagrimas, a ignorando.

– Você está... chorando? Por que chora, pequena?  – perguntou a moça, tênue.

– Não... – enxugou o rosto, virando-se de lado. – Eu só... Não se preocupe.

A moça, de grande beleza e delicadeza, a menina percebeu, sentou-se ao seu lado. O kimono negro como seus fios obsidiana, era elegante, e em cima de tamanha beleza, guardava uma lamina embainhada em sua cintura. Os olhos azuis como a água sob seus pés eram tênues, e olharam para o mar. Os lábios eram finos, róseos, e uma mecha fina caia entre seus olhos gentis.

A mulher suspirou pesadamente, de modo nostálgico.

 – Sabe, de onde vim, somos ensinadas que uma dama é mais bonita quando guarda as lagrimas para dentro de si. As lagrimas mancham as força e escurecem sua beleza. Chorar não é sinal de fraqueza, nem sempre. Mas de pesar. De tristeza. – afagou a menina, sentindo o cabelo duro e sujo. – Uma dama não deveria demonstrar esses sentimentos. É degenerativo e destrutivo.

A menina a olhou, abobada, dos pés a cabeça.

– De onde você vem? Não parece daqui. Suas roupas são diferentes...

Ela riu baixinho. – Claro que pareço. Vim de longe, das montanhas. Minha família era muito grande. Éramos de um clã, longe do pais.

– Elas eram bonitas como você?

– Sim – sorriu – Ainda mais bonitas. Todas elas. Minhas irmãs e minha mãe... Éramos treinadas para servir a lordes. Tínhamos trabalho de proteger alguém importante. Era nossa maior função, e nossa honra. Vivíamos e crescíamos para servir alguém. 

– E você esta protegendo? Quem é essa pessoa?

– É o que estou tentando descobrir. Estou atrás dela, desde que... – mordeu o lábio. – bem, desde que fui incumbida de tal tarefa.

Desde que falhei com minha missão... pensou em dizer.

– E onde estão elas? Sua familia? – a pergunta doera mais que a moça previa.

Sentiu os dedos apertarem o tecido sedoso do vestido. –  Agora... Sou só eu. – baixou os olhos. – Sinto falta delas. Essa espada era de minha mãe. Muramassa. – deixou no colo da menina. – Vê? – apontou as escrituras. – Gosta de espadas?

– Sim! – assentiu, sorridente. – Essa é muito bonita! – deslizou o dedo pelo metal brilhante, reluzindo ao sol.

– Deveras.

Virou o rosto para frente quando viu os outros marinheiros começando a correr de lado a outro. As vozes e gritos de terra firme se fizeram audiveis, tão logo pôs os olhos na vila que lembrava-se chamar Daneria, uma pequena cidade portuária de Gran Maulke, onde o sol e os insetos eram tão insuportáveis quanto pernilongos à noite. Era onde ela desceria – afagou a menina pelos cabelos mais uma vez e guardou a lamina em seu manto, erguendo-se delicadamente com o som do tecido fino. 

Rose deu um ultimo olhar a garotinha, que parecia mais calma.

 – Me despeço, aqui, mocinha. Lembre-se...

Ela levantou e parou a beira do barco, com as mãos atrás das costas. – Não chorar... – repetiu, limpando o rosto. – Pode deixar,  milady...

– Rose. Rose Amelia. É um prazer conhecer-te...

– Genevieve.

– É um prazer. – fez reverencia, ainda que ela não fosse nem um pouco nobre. – É aqui que eu desço. Até outro dia, querida. A propósito, aonde vais, Genevieve? Não vi sua mãe.

– Eu não tenho mãe. – disse simplesmente.

– Oh... – agora ela entendia porque a menina chorava. Estava sozinha, como ela. Apenas que Amelie era forte suficiente para não deixar outros lhe verem chorar. – Entendo... e quem cuida de você?

– Lorde Hower –  ela apontou para um homem trajado com vestes nobres, próximo a outro homem. Era forte, barbudo, e uma capa verde-grama caia por seus ombros largos. Talvez fosse o responsável por ela, pois não tirou os olhos dela desde que Amelie sentara a seu lado.

Mantinha os dedos na lamina, a olhando torto.

– Ele é seu lorde?

– Eu vim com ele. Mamãe trabalhava para ele, em sua casa. Quando ela se foi, ele foi até meu lar. Me buscar. – ela informou. – disse que vai cuidar de mim.

– Oh, o servirá, então? – ela sorriu, e a menina assentiu. – Então somos mais parecidas do que pensa. Seja forte. Agora ele cuida de voce, e mais tarde, você cuidará dele. Tudo bem sentir falta de sua mãe, mas agora tem um novo lar – assegurou. – Boa sorte, a você. E seja forte.  – ela pousou no porto, saltando da madeira chacoalhante, e mistuou-se a multidão do píer da cidade.

Ela tinha de encontrar seu lorde – na carta, apenas dizia quando o encontrariam. Mas agora, sem o comboio salvo e sem rastro algum da protegida, era apenas nas mãos de Amelie que a vida da milady deveria ser responsabilizada, e ela não se perdoaria um dia se falhasse naquela missão – o que sua mãe e irmãs diriam se ela o fizesse? Amelie ergueu a postura. Estava duvidosa. Não deveria ser tão pessimista. Estava no rastro certo, apenas um dia de viagem de onde deveria cruzar com a sua futura protegida.

Aquele sangue demoníaco ainda lhe cheirava no rosto, mãos e espada, por mais que ela tivesse despido-se no rio mais próximo e lavado seu corpo cerca de três vezes.  Sentia o gosto de ferro nos lábios, e tentou esquecer aquilo. Lambeu os labios doces apenas para se ter certeza de que estava limpa mesmo.

Tomou a carta em mãos outra vez, desdobrou-a e leu palavra por palavra novamente – bem como tivera feito  nas ultimas horas enquanto o barco chacoalhava durante a noite e ouvia o ronco dos beberrões a dormir em seu lado.  Já havia decorado todas as palavras, e fez com certificação de que cumpriria seu dever.

“Agradecemos a proteção provida pelas Rosas e seus serviços. No mais prometido e cedo possível, nossa família ficará mais que feliz em honrar o acordo com as Rosas e suas irmãs, e proverá a proteção e bonificação por tomar conta da viagem de Meryl. Esperemos que tudo seja seguro pelas estradas. Sabemos que a viagem é longa e cansativa, bem como repleta de perigos, então será certamente bem vinda e acolhida em nosso lar.

Sabemos que seu trabalho será bem feito e por isso, lhe confiamos a vida de nossa querida irmã, Meryl, em suas mãos.

Assinado e aguardando sua chegada, Alyka Cowen.”

– Bem, o combinado era que ela fosse protegida até a vila mais próxima – olhou em volta. – Estou na vila que ela deveria passar antes de rumarmos para Gran Maulke novamente... se ela fugiu sozinha antes do tempo, entao é provavel que tomou o caminho normalmente até sua casa. E para isso, teria que passar por aqui...

Estou ao menos um dia de distancia dela, pensou.

Andou mais pelas ruas, discretamente,olhando em volta. Viu um homem falando sobre algumas armas numa estante – do tipo de sujeito que sabia de tudo. Esperou os clientes se afastarem, e despencou a mão gentil sobre seu ombro largo.

– Com licença – O homem a olhou dos pés a cabeça, assobiando. Sorriu ao perceber que ela era mais jovem que aparentava, e ela percebeu que ela dera uma leve piscadela. – Preciso saber se ouviu esse nome por esses arredores. "Meryl Cowen". Jovem de cabelos negros longos. Rosto redondo, pequena marca na bochecha, abaixo do olho. Vestes nobres e olhos claros, de tom castanho. Cheiro de lilás e canela. – lembrava-se de tê-la conhecido antes, e o odor adocicado da jovem era marcante. Da família, parecia ser a mais jovem dos três irmãos e, certamente, a mais gentil. – Seu nome é famoso, portanto se um Cowen passa por esse lugar, normalmente seria conhecido e melhor ainda, sabido.

O homem pensou, coçando o queixo barbudo.

– Uh, não me parece familiar. Digo, a descrição. Conheço bem o nome daqueles Cowen de Gran Maulke. Águia prateada no pescoço, cabelos pretos como carvão e queixo empinado é coisa daquela família. – cuspiu no chão. – Sim, sei como são. Mas não a vi. Ninguém parecida, nem ouvi falar.

Ao notar que ela se afastaria, ele decidiu puxa-la. Sua memória pareceu refrescar.

– Veja, mocinha, talvez eu saiba de alguém que possa ajudar. Na verdade, conheço o cara certo. Procure por Derrick Butler, na estalagem mais próxima, a Gotas de Mel – apontou a direção. – Ele sabe de tudo, e de tudo ele sabe por meia Anchadia. Anda com um monte de joias nos dedos, e mais algumas no cu, certamente, visto que aquele ali quando não é visto trepando com as melhores putas da cidade, é fazendo favores a outros. - ele riu, coçando a barriga larga. - O homem é um faz tudo, e em horas vagas, toma conta de uma gerencia bancaria de lordes metidos, outros riquinhos e esse tipo de coisa. Ah! Também pode ser agiota pra quem precisa. Certamente, se há alguém informado e com ouvidos por meio Oeste, é Butler. Também é conhecido como Gato Branco.

- Gato... Branco?

- Não se preocupe, você saberá porque quando o ver. – sorriu, divertido.

– “Derrick Burter.” – repetiu, e fez meia reverencia. Checou a bolsa de ouro, não tão cheia quanto queria. – Obrigada, caro senhor. Me perdoe... Mas não tenho moedas para agradecer, agora. Talvez quando voltar...

– Ah nem se preocupe com dinheiro, é um prazer auxiliar damas tão bonita quanto você, milady – fez reverência desajeitada – Espero ver-te de novo.  – sorriu com dentes amarelados. – Se precisar de alguma coisa, me procure de novo. Não há nada que eu não consiga arrumar para você. O nome é Ruffus. Ruffus Rorick, à seu dispor.

–  Obrigada, sir Ruffus – disse, se virando e despedindo do homem, o manto negro deslizando elegantemente atrás de si.

 

*

 

 

De noite, quando criança, costumava ouvir historias sobre sua vila. Histórias de lendas, e vindas da boca dos outros elfos. Histórias sobre criaturas e lendas assustadoras.

Quando criança, depois de ser acolhida e conhecer os outros Drows, Mnuvae vira de tudo naquela tribo – servira a outros lideres, como seu maldito e viscoso rito de passagem, enfrentara outros elfos, humanos e o ódio por sua pele escura. Ouvira sobre lobos gigantes, e humanos de três olhos que vinham visitar as crianças de noite, principalmente as que mentiam par os pais. A sua favorita, no entanto, era sobre o cão de 4 cabeças, que buscava aqueles que morriam com algum arrependimento em sua vida e partiam para uma floresta gélida, onde as árvores eram congeladas a ponto de rachar. Um lugar onde, aprendera nas lendas, as pobres almas sofredoras eram penduradas pelas mãos e pés no galhos por toda eternidade. E ali passavam o sofrimento até sua alma se destroçar completamente.

Mas para alguns Drows de sua tribo, o monstro mais assustador eram os humanos e sua frieza com os elfos – o que seria exatamente poético para os que viviam no Norte. Era uma piada sem graça, mas verdadeira. Mas naquele momento, as humanas não pareciam nada assustadoras, muito menos atemorizantes.

Mas claro, elas estavam praticamente feridas e desamparadas, e isso, até o ser mais frágil possuíria coragem para enfrentar. Não tirou os olhos da loira, a qual acordara alguns minutos, desde que dormira a tarde toda  - tremeu e gemeu de frio, febre e dor, e Mnuvae perdeu contas de quantas vezes cobriu-a com mais peles de lobo e aumentava a fogueira perto delas.

Agora, ela estava sentada a frente das chamas, os orbes reluzindo no fogo, enquanto Gwynevere encarava um pote de alguma bebida que a elfa pedira para tomar. A princesa tirara sua armadura, e era coberta por uma camada de pelos espesso, apenas sua calça azulada a mostra. Por sua vez, Mnuvae estava apenas com uma leve blusa cobrindo todo seu corpo, feita de lã, e uma calça leve, castanha – não importava-se em mostrar nada desde que eram ambas mulheres. E Mnuvae dormira com pessoas demais para ter vergonha de mostrar alguma carne, principalmente à uma garota que parecia ter metade de sua idade.

– Sua irmã ainda tem febre – a elfa informou – prepararam algumas ervas para dá-la quando acordar. Mas ela parece estar melhorando rápido. - constatou. - Ela é muito forte para uma humana, eu diria.

– Ela é uma Steppenwolf – informou – Não é uma humana comum. O organismo dela é diferente do meu e do seu. O clã dela tem... peculiaridades. Talvez não tão resistente quanto de elfos, mas muito superior a de humanos comuns.

– Não só o organismo perde para o nosso, mas talvez não tão bela quanto nós, também – Mnuvae sorriu de canto.  

– Pois para mim, ela é tão bela quanto qualquer um de vocês, elfos – disse, sorrindo para a Steppenwolf. – E tão forte quanto qualquer guerreiro. Tivemos má sorte. Eu já a vi abrir tantas trincheiras em batalha, tudo sozinha, apenas com duas espadas. E saindo de lá vitoriosa, e inspirando centenas e centenas de soldados. Sou tão fraca perto dela... Mas junto dela, eu nunca senti medo de lutar. Ela sempre estava lá... sempre do meu lado. Mas esses malditos demonios... – fechou os punhos.

Mnuvae levou um frasco a boa. Pelo cheiro, era alguma bebida elfica. – Bem, talvez se os humanos fossem mais brandos com nós, Drows, poderiamos ter evitado isso há muito tempo. Lutando juntos. E não com seu orgulho idiota...

Gwynevere cerrou os olhos. Parecia segurar uma coisa da garganta há muito tempo.  – Posso contar uma historia, elfa?  Já que estamos aqui.

– Por favor, sou toda ouvidos. – a drow permitiu.

Gwynevere manteve os olhos no fogo, faiscando em frente ambas.

– Quando criança, depois que meu pai sumiu, decidi andar por Karthen, visitar os locais da capital, conhecendo as pessoas. Queria saber sobre meu povo. Sobre aqueles que teria de proteger algum dia. Então, ouvi  historias sobre os elfos, os famosos “Drows”, habitando as florestas fora das muralhas. Notei como todos falavam de modo tão maldoso e assustado, e me perguntei porque tinha tanto ódio e medo com esse povo. Queria conhece-los. – disse, sinceramente, com leve um sorriso no rosto. – queria dizer as tribos que um dia, eu seria rainha do pais. Que vocês, como todo nortenho e estrangeiro, seja do sul ou do leste, ou das montanhas, ou de fora de Anchadia, seria bem vindo em meu pais e minhas ruas. Queria que soubessem que eu não os odiava, e que tinha pena que vocês tinham de viver fora das terras que também, aos meus olhos, pertencem a vocês. Que vocês eram tão nortenhos quanto os humanos.

Houve uma pausa, e Victoria se remexeu. Gwynevere esfregou as  mãos, assoprando nelas.

– Você era diferente – admitiu Mnuvae, pensando no ódio que já presenciara. – Já conheci muitos humanos, mas não tao tênues e sinceros quanto voce. Por favor, continue.

– Eu... Viajei pelas bibliotecas da cidade, toda tarde e noite, todos os dias. Eu e Victorya. Juntas, procuramos tudo que sabíamos sobre vocês. Eu li e reli todos os livros que via desde então, e desde que me lembre, nos apaixonamos por seu povo – apertou a coberta de pelos. – eu simplesmente queria visita-los pessoalmente e dizer que vocês seriam bem vindos dentro de Karthen. Eu queria que soubessem que um dia, faria todos gostarem de vocês, e que viveriam entre nos, e cada Kartheninano amaria e conheceria como vocês são de verdade. Queria que os vissem como eu via. Como um povo incrivel, com caracteristicas e cultura a serem apreciados. Com sua beleza inexplicavel. Eu mudaria a recepcao das pessoas sobre voces, era o que eu desejava.

– Parecia bom. – admitiu Mnuvae, gentilmente. – E então?

– Eu estava no castelo, certa tarde, quando foi informada de que uma vila havia sido atacada, e a camponesa sobrevivente, a única, na verdade, havia sobrevivido. Ela  correu o maximo que pôde até o castelo, pedindo por ajuda. Pedi que cuidassem dela e deixassem-na contar o que aconteceu. Ela estava em prantos, suja e ferida, e depois de se acalmar, ela começou a falar. Quando a vila dela entendeu o que aconteceu, já era tarde demais.  Ela só teve tempo de pegar o filho, de 4 anos, e correr para fora dali, enquanto ouvia os aldeões gritando, morrendo e ficando para trás. Quando perguntei quem fizera aquilo, tudo que eu aprendi sobre vocês caiu por terra. – murmurou.

Mnuvae mal notou a princesa se levantar, parando a sua frente. O tecido que a cobria caiu, e ela estava apenas com um leve gibão azul cobrindo seu corpo, os braços de fora.  

– Ela perdeu tudo, foi estuprada e teve a vila saqueada. O marido? O pescoço cortado enquanto a protegia dos invasores. O filho único, de 4 anos? Foi morto e sabe-se la o que mais fizeram com a criança. E depois de tudo, na outra noite, a mulher foi encontrada morta em seu quarto, uma faca em seu próprio peito e as lagrimas manchando seu rosto. –  disse, com lagrimas em fúria no rosto. –  Ela perdeu tudo. E tirou a vida. Uma vila inteira perdida, as vidas ceifadas e o terreno queimado quando pedi que meus soldados voltassem ao local. Tudo por causa, eu fiquei sabendo, que vocês, elfos filhos da puta, são tao cruéis com humanos quanto alguns de pele branca lhe são! Por isso, - apontou o dedo em riste, dentes rangendo. – por isso, odeio vocês com toda minha força! Daquele dia em diante, eu soube o quão animais e selvagens vocês eram. O quão aquelas pessoas estavam certas.

Ela parou para respirar, cenho franzido. 

– Vocês, Drows, não passam de monstros. Animais selvagens, e nada menos que isso.

– Princesa... – pediu Mnuvae, se erguendo do chão.

 – Eu cresci o resto da vida, desde então, não com admiração, mas com medo de vocês. Assim como as pessoas que me cercavam, eu só nutri medo da sua raça. Quando cresci, aprendi o que era sentir ódio de vocês, e nutri com gosto. Porque vocês mereciam ter minha raiva.  Elfos não passam de selvagens, ignorantes e cruéis, vocês falam de maldade humana e injustiça, quando vocês mesmos não demonstram bondade e  piedade para com humanos. Eu os desprezo, sua elfa suja. – tapeou Mnuvae, rapidamente. – sua porra de raça animal.

O rosto da elfa virou para o lado, e ela sentiu o rosto latejar mais quente – olhou com indiferença para a princesa. Ela não precisou fazer nada, pois rapidamente, outros elfos invadiram a tenda e a seguraram.

– Disse que seria besteira manter ela aqui, Mnuvae – a elfa Vyren apertou o pescoço de Gwynevere. – Vamos mata-la. Aqui e agora.

– Ninguém fará nada – declarou Mnuvae – Vyren, Macal, soltem-na. Agora.

– Matar? Não me surpreende que estejam provando minhas palavras fazendo o que selvagens fariam – riu. – Eu tenho nojo de vocês. E só não farei nada aqui hoje por conhecimento e compreensão de que se não fosse ela – acenou a Mnuvae - minha amada irmã estaria morta. E por isso, tem minha única gratidão. Aqui e agora. Depois disso? Podem queimar nos infernos.

–  Então não deixemos que viva mais um dia..

– Parem, merda! – Mnuvae empurrou os elfos. – Deixem-na. Eu me prontifiquei a cuidar delas. E somente eu decido o que acontecerá a elas.

– Vê a ignorância humana, Mnuvae? – disse Inden, na entrada da tenda. – Fazemos gentileza, e nos retornam com ódio. É sempre assim.

– Deixem-me queimar esta vila casa por casa e estuprar um dos seus irmãos elfos? – disse Gwyn, estoica. – Se me deixarem, então poderemos conversar sobre sentir ódio.

Mnuvae a olhou, e voltou-se a Inden.  – Inden, eu resolvo isso. Ela partira da vila agora mesmo, assim que-

– Apenas sairei quando Victorya estiver capaz de andar com os próprios pés – sentou ao lado da Steppenwolf. – Antes disso, terão de me aturar aqui. Sabe? Como princesa do reino que estão pisando nesse exato momento.

– Ora, essa vaca...

– Quieta, Vyren.– Mnuvae ponderou. – É justo. Ela tem todo direito de nos odiar, assim como temos direito de odiar os humanos. Mas por hoje? Provemos a princesa que está errada e que somos melhores que selvagens. – sugeriu aos outros. – Não é razoável?

– “Estar errada”... Eu? – a loira riu baixinho. – Só em seus sonhos...

– Para fora, por favor – a elfa pediu, ao passo que fizeram enviando olhares furiosos a princesa ali relaxada.

Seria tão fácil cortar o pescoço dela, um deles pensou. Talvez nunca o fariam – não enquanto Mnuvae continuasse defendendo-as ali.

Mnuvae parou na porta, braços cruzados. – Veja, tem direito de ter ódio contra nos, isso admito. Mas não pode nos odiar  para sempre. E fazendo isso, então a criança que acreditou nos Drows uma vez terá morrido para sempre. É isso que quer, princesa?

Ela tinha de começar de algum ponto – e não seria fazendo o que Gwynevere queria que fizessem. Apenas provaria a ela que estava certa, morta ou não. Houveram muitas vezes em sua vida que aprendera que tinha de mostrar a outra face, mas aquele não era um desses momentos.

De repente, ouviram um gemido – Victorya tremeu levemente. Cuspiu sangue de seus lábios secos. Sua pele parecia levemente azulada, pálida. 

– A flecha dos cavaleiros abissais... – a loira se lembrou – Não... esqueci que ela foi perfurada antes de cairmos...

Um liquido viscoso, brilhando em azul marinho, escorria do ombro da moça. Brilhava de modo cristalizado, como se fosse gelo.

– Ela foi ferida, e não é só uma ferida física. É também mística. Ela foi envenenada... – lambeu, e cuspiu o veneno, enxugado os lábios com as mãos. - Visco do abismo. Ou em outras palavras...

–– “Flor de Rangel” – Mnuvae a olhou. – O que? Acha que por que sou da realeza sou burra? Eu já li a respeito. Mas não a parte importante: como a curamos?

– Precisamos falar com um dos curandeiros da vila. Ele saberá o que fazer. – disse, carregando a Steppenwolf nos braços.

– Então ela estará curada. - concluiu.

– Não exatamente – ela parou em meio caminho. – Normalmente, seu comportamento já não ajudou muito para os olhos da vila, e devo dizer, o fato de que você tem pele e orelhas diferente das nossas tambem anuviará a bondade dela.

– Então?

– Então, minha cara princesa, não sei como ela ajudará sua irmã. Quem sabe ameaçar-nos de novo com a promessa de que vai nos tirar de suas terras seja o método mais convincente? – disse, neutra. – O que vai, volta.

– Direi o “que vai e volta”, elfa. – seguiu a elfa para a tenda da tal curandeira. – Meu bom humor, e nesse momento, ele não está dos melhores.

 

*

 

Taberna da Bruxa

Noite

 

 

A lua brilhara forte naquela noite.

O ceu estrelado piscava entre as nuvens, e o furduncio na taberna era comum todos os dias. Tao logo trocara de roupas e saiu do seu quarto, desceu para o bar, a fim de tomar algo – e por sugestão do próprio Blath, que insistira que Tacet conhecesse melhor o local. E ficar isolada no quarto o dia inteiro não era melhor visao de aproveitar o dia para um jovem com ele.

Já era noite, e era sua vez de ser o bardo. Passara o dia todo assando os pães, e se a senhora Evelyn reclamasse outra vez sobre vê-lo com as garotas da taberna em vez de fazer seu trabalho, era sinal de “Blath indo para o olho da rua”. Por isso, aproveitaria melhor a noite com sua nova canção – e uma que não havia cantado antes.

Tacet manteve-se agasalhada até os pés, sentando do lado da mesa onde Krysty, a filha da dona da taberna, estava acompanhando-a. Do lado delas, duas garotas fofocavam, rindo baixinho.

– Olha só, é aquele ali, o bardo! Ele é muito fofo, não é?

– Hm... Já vi melhores, na verdade. Mas até que não me importaria em chupar ele nem que seja uma única vez – a outra brincou. – O que você acha, Sara? Voce teria coragem se o chamasse atrás da taberna?

– Acho que você é doente! – a amiga riu. – Pelos deuses, Meggan, você mal o conhece. Nós mal o conhecemos!

– E quem disse que isso importa? Eu faria um boquete nele, não ia casar com ele pro resto da vida – deu de ombros. – Eu pedi o pau, não a mão do moleque.

O alvo das risadinhas era um jovem carregando um alaúde embaixo do braço, caminhando pela taberna. Ele possuía constituição firme, o rosto redondo e perfeito para alguém tão simples quanto ele parecia ser – os lábios risonhos, carnudos, não paravam de sorrir enquanto deslizava os dedos pelo alaúde que carregava em seus braços. Os cabelos castanhos, lisos e levemente brilhosos pelo suor que exalava, eram macios e caiam sobre sua testa. Vestia uma blusa sob uma jaqueta de tecido leve – o cinto ao redor da cintura, uma joia fixa abaixo da gola, combinando com o brilho em seus olhos âmbar.

Ele afiava um dos acordes, quando uma voz disse:

– É para cantar hoje ou não? Se quiser, pode começar a trabalhar como putinha! – o bar riu junto do bêbado. – O rapazinho até que tem o rostinho bonito para um homem. Já pensou em deixar alguém comer seu cu?

– Claro, claro – Blath  preparou a garganta, pigarreando. – E suponho que seja perito no oficio da prostituição, estou certo? Do contrario, não me recomendaria com tamanha vontade... – dessa vez, foi ele quem fez a clientela cair na gargalhada.

Antes que o homem abrisse um berreiro, Blath pôs sua voz para trabalhar, deslizando os dedos pelos finos acordes e fechando os olhos.

 

“Um guerreiro nobre, sinto-me tentado a contar.

De uma terra distante, o sol sempre à brilhar

E deste velho soldado, lhes direi a canção

De sir Rickard Stafford

Ouro forjado em seu coração

Espada e vida despedaçadas?

Mas não a sua bravura

Fora traído por aqueles

Que buscavam sua amargura.

Desejos findados por ódio

iluminaram os regicidas

Dor e feridas da tragédia,

Caçaram o Sir, em sua vida

Crianças a chorar, tempestade em plena fuga

As lagrimas do velho Sir sumiram

Na tormenta, aquele dia

Separado de seu próprio sangue, perdeu-se o Sir

Livre do infeliz mundo dos vivos

Privado de tamanha dor

E com esse infeliz conto

Eu lhes conto, assim

A historia do nobre Sir

Que encontrara seu fim...”

 

Terminada a canção, Blath fez leve reverencia, sem erguer os olhos, encostando o alaude no chão. 

– Obrigado. Obrigado...

Houve leve silêncio, antes que uma menina erguesse a mão. – E o que aconteceu? – a garota perguntou timidamente. – Com o cavaleiro?

– Caralho! Essa é a pior canção que já ouvi! – reclamou um velho gordo, os lábios melados de cerveja. – Cacete! O filho da putinha nem conta o que houve com o desgraçado do Sir!

– Não se sabe o que houve – ele ergueu a mão, em rendição. – Err... sabem? Essa é a ideia... Er, subjetividade? Posso-lhes mostrar um dicionário? Com todo respeito, isso não deveria diminuir a qualidade da canção que lhes propus esta noite, senhores! – abriu os braços – Mas creio que não entendam o refino e cuidado com que uma boa canção é forjada.

– Isso se chama sacanagem – murmurou outro sujeito, no ouvido de outro.

– Não. Isso se chama licença poética – respondeu Blath, guardando o alaúde. – Agora, se me dão licença... Tenho que resolver algumas coisas. – e se virou, tomando o caminho pelas mesas.

– Foi muito bem, lá, Blath fofinho – sorriu Kristy, limpando uma das mesas.  - Pessoalmente? Eu adorei sua música! 

Ele a conhecia-a desde que chegara ali.  Kristy era a filha mais nova da velha Adelyne, e, portanto, terreno afastado de suas investidas românticas.

Uma vez Adelyne lhe dissera que se ele ousasse se aproximar da calcinha casta da filha, era um chute entre suas pernas que receberia do irmão da garota, Adner. Nunca mais Blath olhara para a menina da mesma forma.

– Mas de quem era aquela história? Nunca me contou sobre aquilo antes.

– É longa historia, Kristy – deu de ombros. – Depois, posso contar tudo direitinho.

– Vou cobrar essa, Blath – deu uma piscadela, observando o garoto subir para o segundo andar.

Saiu pela janela do seu quarto, e caminhou pelas telhas, sentando na borda. Deixou o objeto de trabalho de lado e deitou-se ali mesmo. Ele gostava de olhar as estrelas, no frio da noite. O ajudava a pensar em alguma canção nova.

A presença dela passou despercebida ao se aproximar dele, silenciosa como era.

– Então, você é um cantor? – a voz de Tacet disse atrás dele. 

Na noite, quase não era possível ver sua pele, escura como era. Apenas as marcas brilhantes por sua pele se faziam visiveis, o que tornavam-na tão bela quanto misteriosa. 

– Eles pareceram bem felizes com a música. Ao menos, duas meninas que estavam conversando perto de mim.

– Meninas? – ele questionou.

–  Sim. Elas queriam chupar você atras da taberna. – informou. – Não vai fazer isso? Parece ser bom. Ser chupado. Conheci muitos homens que disseram que queriam que eu os chupasse. Mas eu nunca o fiz. – deu de ombros.

Ele sorriu, rindo com a naturalidade com que ela falava daquelas coisas.

–  Tanto faz... Queria apenas que minha musica fosse reconhecida. Que pudesse ser vista por toda Anchadia! - admitiu sonhador. 

Deitou-se sobre as telhas, ajeitando as costas de modo confortável. 

Houve leve silencio, e ele ouviu-a sentar também.

– Se está tão desejoso, por que não recorre à Dama dos Bosques? Seria mais fácil que ficar em seus sonhos para sempre.

 – O... que? Me perdoe, mas sou novo no continente - ele se sentou. - O que é essa.. Dama dos Bosques?

– "Gwrayg Aeidhe", Dama dos Bosque, Fortuna, e da Sorte. – ela explicou. – Dizem que nos bosques do sul, além das florestas e dos pântanos de Aldritch, uma doce voz canta e atrai artistas, sejam Sir’s ou Lady’s. É uma bela moça, de cabelos negros, e orelhas pontudas. Trajando um elegante vestido transparente, flutuando com uma pena entre as árvores. A protetora da natureza e dos bosques, Aeidhe é dita como uma dama elfa. Bela como a lua da noite, de pele cremosa e cabelos negros e brilhantes. Basta alguém ter verdadeiro desejo de sucesso e riquezas, e deixar uma maçã verde, em meio ao bosque, enterrada como uma oferenda. O artista, então, deve dormir lá até anoitecer, à sua espera. À meia noite, em plena lua cheia, a  doce voz da Dama cantará aos seus ouvidos, e a partir daí, ela lhe dará sua mão como esposa, e lhe proverá nos anos que se seguirem talento, fama e fortuna, bem como seu amor incondicional.

Blath olhava tudo abobado. Como não ouvira aquilo antes?

– Acho que posso fazê-lo, então... – ponderou.

– E então, uma vez alcançada a vida de fortuna, fama, e felicidade, ela parte da vida do individuo, deixando-o em profunda tristeza e solidão. Após o coração partido, o que resta ao pobre individuo, é deixar este mundo, afogando-se no rio mais próximo ou perfurando uma adaga em seu peito, o modo mais rápido de livrar-se do sofrimento sem fim.

Blath piscou. – Mas ora, nunca dissse que desejei fortuna, mesmo. Deixemos isso para depos – ele meneou. – Mas fora uma bela história a que contara.

– Para alguns, parece que falta a coragem para seguir seus sonhos. – concluiu. – Com essa pouca fé, nunca chamaria a Dama dos Bosques, Blath.

– Diria que sensatez é a questão, Tacet – ele riu sozinho. – E o amor pela vida. Mas de toda forma... De onde você é?

– Para que quer saber? Mal nos conhecemos.

– Esse é o intuito, minha cara. Por isso perguntei. Diga-me, voce é de aparencia diferente, uma “baalihan”, ou “filhos do abismo”, como ouvi chamarem por estas terras – ele assobiou – Mas não que seja de mal aparência, muito pelo contrario. Apenas tenho curiosidade. De onde voce vem? Tem familia?

      – Mato pessoas. É o que faço – confessou simplesmente. – Fui criada para isso. Para matar, e é o que sou boa. Eu não tenho orgulho, não posso sentir isso. Simplesmente, sou boa. – o olhou, neutra.

     – Você... Ainda o faz?

     – Só quando perguntam demais... – o olhou por baixo do capuz.

     –  Quem disse que faço perguntas? – ele virou-se. – Ah, eu apenas gosto de indagar sobre o mundo. E pessoas interessantes. Tenho cota limitada de pessoas interessantes em minha vida. Achei que conhecer alguém como você seria produtivo.

     – No meu mundo, voce seria morto antes de abrir a boca – confessou.

    – Bem... –  com canto do olho, ele viu as garotas de antes parando na porta da taberna, com se procurassem por alguem. – Err...

         Lambeu os lábios, sentindo que a noite começara  valer a pena ainda mais. Levantou-se e afagou o ombro da baalihan, levando o alaúde com a outra mão.

     – Boa noite, Tacet. Estou indo... Err, resolver algumas coisas. Sabe como é, certo? A noite é sempre jovem quando seu coração é jovial. Não se pode negar os desejos do coração. Até breve! 

      Tacet permaneceu ali, tentando absorver aquelas palavras – mas se suecsso. Sentimentos? O que eram eles para ela? Ela não deveria sentir nada. Eram fraqueza. Não eram?

      Ao menos, era assim que fora ensinada.

     – Oi, garotas!– ouviu a voz do garoto embaixo de si, na rua. Com os braços envoltos delas, se afastou dali, as risadinhas delas ecoando pela rua, seguindo para longe de suas vistas.

      – Sentimentos? – a baalihan apertou as pernas contra seu peito, cerrando os olhos. – Sentimentos... mas eu não devo senti-los. Por que me importaria? Esses humanos são muito curiosos... – murmurou.

      Então, algo chamou sua atenção. 

       Tacet não soube se fora sua visão borrada ou impressao, mas uma silhueta parou no beco, ao longe, e manteve-se ali, oculta nas sombras, apenas um birlho prateado caracteristico piscando, como metal. Como uma arma. Pareceu a olhar, intensamente, e então sumiu na escuridão da rua. 

Quando Blath olhou para cima de relance, procurando a baalihan , ele nada viu.

        Ela não estava mais lá.

"Mas o quê--?"

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Bjinhos, até a próxima e amo voces! :3

No próximo, Sherydan! Joshua! Rickard! Beatrix! e muito mais!


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