História O segredo - Capítulo 37


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Categorias Naruto
Tags Drama, Incesto, Naruino, Narusaku, Naruto, Revelaçao, Romance, Sasusaku, Segredo
Visualizações 97
Palavras 931
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Vanessa: posso matar funcionários?
Aquilo que está morto não pode morrer, Vanessa.

Capítulo 37 - Ligações perdidas


Pela primeira vez em anos, fui despertado de meu sono por um outro alguém. Meus olhos teimaram por não se abrir, e senti-me dolorido pela posição na qual eu havia dormido. Contudo, a mão que me sacudia insistia por fazer-me levantar.

— Naruto — a voz de minha irmã.

À medida que meus sentidos despertavam, apoiei-me nos cotovelos e me sentei na cama. Pisquei algumas vezes até desembaçar minha visão, e de imediato fitei o rosto de Sakura, com seus cabelos bagunçados. Mas ela não me encarava. Segurando o cobertor na altura dos seios, fitava algo no outro lado do quarto. Ainda com o sono a pungir-me, acompanhei seu olhar, e para meu assombro avistei, sentada sobre a cômoda, Tayuya encarando-me sem qualquer expressão aparente. E, mesmo sob pesado sono, estremeci por inteiro com seu olhar.

Deus.

— Tayuya.

Seus pés não alcançavam o chão, e suas mãos apoiavam-se na cômoda. De algum modo, ela me pareceu absolutamente serena, quieta como uma águia empoleirada no cume de uma montanha. Mas seus olhos encaravam-me profundamente, e havia algo de horrendo neles.

— Eu não sei como explicar isso — falei, sem fazer ideia do que dizer-lhe. Apoiei-me na cabeceira da cama e permaneci em silêncio.

Sakura estava sentada próxima à beirada da cama, e embora eu a fitasse pelas costas, tive a certeza de que uma tensão indescritível recaia sobre seus pensamentos. E, quanto à Tayuya, nem ao menos pude imaginar os sentimentos que a dominavam naquele momento; o repúdio, o asco e horror talvez estivessem misturados em um turbilhão inominável de sentimentos hediondos. Imaginei que perguntas e escarnecimentos aproximam-se à medida que o silêncio se perpetuava. Contudo, sem pronunciar uma única palavra, Tayuya desceu de cima da cômoda e deixou o quarto; ouvi seus passos pelo corredor, e depois pela escada, até desvanecer por completo.

— Deus — falei. Sakura, porém, continuava quieta e de costas para mim. — Foi ela que te acordou?

— Não. Quando acordei, ela já estava sentada lá. Não sei por quanto tempo ela ficou olhando para nós.

Levantei-me da cama e vesti-me com as primeiras roupas que encontrei. Ao chegar à sala, não encontrei sinal de Tayuya. As luzes da cozinha estavam apagadas, e as portas da frente e garagem estavam fechadas, embora destrancadas. Sem saber como agir, fiquei imóvel frente à porta da garagem, digerindo tudo o que acabara de acontecer. E não foi sem arrependimento que me recordei de que havia ignorado as ligações de Tayuya. De um modo ou de outro, a culpa pelo que ela acabara de ver era minha. Com o som de passos, voltei-me em direção à escada; Sakura, já vestida, terminava de descer, com seus cabelos bagunçados caindo por sobre os ombros. Foi então que, diante dela, senti-me um monstro, um monstro aliviado.

Minha vida, minhas escolhas, meus desejos e meus amores, tudo se tornou calmo e sereno, como se o céu jamais tivesse desabado sobre minha cabeça, e novamente senti meus pés firmes no chão no qual eu pisava. Senti o pecado novamente florescer em meu ser, e quase posso jurar que senti o toque do próprio Diabo em minha alma. Mas sorri, feliz e debilmente, ao ver-me livre de um dos fardos que um dia jurei carregar.

— Ela se foi.

Sakura adentrou a cozinha, acendeu as luzes e apanhou a garrafa que eu havia lhe entregado na noite passada. E, sem o auxílio de copo ou taça, desfrutou de um rápido trago, e após uma pequena careta, voltou a beber. Sorri brevemente com aquilo, e logo eu a acompanhava na bebida. Sentamo-nos à mesa e bebemos, sem nada dizer.

Acredito que quando a graça da vida se mostra injusta, só me resta beber. Mas isso não é tudo. Quando a injustiça se mostra acolhedora, só me resta beber. Costumamos acreditar e nos apoiar na virtude, na justiça, na moral e no sagrado, mas tudo isso é, de certa forma, periférico, porque ao fim, quando o mundo revela sua verdadeira feição, tudo o que resta é você.

A garrafa estava pela metade quando ela a abandonou, deixando-a cair sobre a mesa, e embora eu a tenha segurado antes que rolasse e se espatifasse, o restante do vinho escorreu pela mesa até o chão.

— Eu odeio você — disse-me ela, com um quê de desespero em seu rosto. — Mas eu te amo. É errado, e odeio esse erro, mas eu te amo, Naruto, e não consigo me esquecer disso nem mesmo por um único dia se quer.

Transtornado, aturdido e aliviado, afundei-me na cadeira e respirei fundo.

— Sua maldita. Por Deus, você devia ter admitido isso há muito tempo.

— Juramos esquecer.

— E nosso pai recentemente te relembrou disso — ela assentiu.

— Ele me fez jurar novamente, e repassou, detalhe por detalhe, tudo o que aconteceu naquela noite.

Aquela noite é a representação factível do tempo do corvo de Edgar Allan Poe, o tempo que jamais poderá voltar a si: nevermore.

— Você viu aquela caixa? — pesarosa, ela assentiu.

— Ele a pôs sobre a estante.

— Ainda mais alto do que qualquer uma das nossas fotos de família — complementei.

Em meio à conversa, peguei-me pensando em Tayuya, e no que ela deveria estar sentindo naquele momento.

— Independentemente disso, jamais pautarei novamente a minha vida pelas decisões dele. Diga ele o que quiser, e faça ele o que quiser, serei eu a escolher — afirmei.

— E quanto à Tayuya e os outros?

— E quanto ao Sasuke? — embora tenha se esforçado para esconder sua surpresa, seu rosto empalideceu ligeiramente. — Posso lhe devolver qualquer pergunta que me fizer.

Sem nada mais a dizer, levantei-me e busquei a última garrafa de vinho que restava em meu armário.



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