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História O Segredo da Lua - Sabrina e Hermione - Capítulo 14


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Notas do Autor


AAAAAAAAAAA VOLTEI ❤️😏

Capítulo 14 - A profecia


Fanfic / Fanfiction O Segredo da Lua - Sabrina e Hermione - Capítulo 14 - A profecia

 


Sabrina acordou de um sonho terrivelmente perturbador.
A menina de cabelos cacheados procurou freneticamente pelas mãos de Hermione entre os edredons, mas não a encontrou.

Aquilo pareceu bruscamente familiar?

Sabrina encarou o relógio e como de praxe, eram três horas em ponto.
Uma onda de eletricidade percorreu o seu corpo ao lembrar que, tudo de horrível acontecia nesse horário.

Parecia óbvio.

De alguma forma, Sabrina sabia o que fazer e aonde ir.
A loira se levantou e pegou o seu casaco e saiu em disparada até a floresta onde tudo podia acontecer. A “floresta proibida” como todos chamavam.

Como Hermione, Sabrina também tinha os sentidos apurados e eles a guiaram pra lá.
Em questão de minutos, ela estava pisando nas folhas secas e esbarrando nas árvores petrificadas da floresta.

 

–...E aqui vamos nós de novo. – Murmurou consigo mesma.


Uma névoa branca cobria os bosques e Sabrina avistou a luz de uma fogueira no interior da mata.
Ela imaginava o que poderia estar acontecendo ali, só não queria aceitar. E estava com medo.
Independente do que acontecesse naquela noite, ela contaria a Hermione toda a verdade sobre ela. Principalmente sobre quem era o seu pai.

Após caminhar por alguns segundos, Sabrina a avistou, no meio daquela floresta fria e escura.

Hermione estava descalça, diante da fogueira e vestia-se apenas de suas roupas de dormir. Ao seu redor havia uma pequena multidão de bruxos e bruxas de outros covens. Zelda Spellman também estava ali.

 

– Mione... 


Sussurrou Sabrina, mas antes que pudesse correr até a garota, ela o viu.
Lúcifer em sua forma humana, belo como sempre, porém perverso e excepcionalmente diabólico.
Ele se aproximou de Hermione que, tremia levemente atônita, ele abriu a boca para dizer algo que Sabrina se atentou á ouvir atrás das árvores.

 

–... Você não imagina o quanto eu esperei por este momento, Hermione. O momento em quê nos encontraríamos e eu pudesse enfim, revelar á você quem eu sou e todos os meus planos para você... minha amada filha.

 

– FILHA?!


Sabrina arregalou os olhos e correu até o centro, revelando a sua presença.
A loira foi até Hermione e tocou as mãos dela, sentindo que ela estava tão gelada quanto aquelas árvores petrificadas.

 

– Sabrina... – Hermione a olhou com os olhos assombrados.

– Como veio parar aqui?! Vem comigo, aqui não é seguro. Ele não é bom, ele...

 

 

– SABRINA. 


A menina ouviu aquela voz familiar soar por de trás dos seus ombros. Naquele momento ela soube que não tinha como fugir daquela realidade, ela tinha que enfrentar.

Ela então, se virou para encará-lo e lá estava ele, em sua forma de homem, carregando seu olhar congelado.

 

– Senhor das Trevas.

– Que prazer em revê-la, minha primogênita! Chegou em boa hora. Você realmente achou que podia me contrariar e fugir de mim... Mas, esqueceu que eu... sempre venço?


Hermione os encarou, erguendo a sobrancelha, como se perguntasse o que estava acontecendo ali. E antes que Lúcifer pudesse contar alguma coisas distorcida á ela, Sabrina decidiu contar.

 

– Eu sei o que deve estar se perguntando. – Sabrina ignorou o fato de Lúcifer estar ali e se voltou para Hermione. Seus olhos pesaram no mesmo instante que a fitou. – Existem algumas coisas sobre mim que eu não te contei. Mas, foi pra te proteger, Hermione! Eu não queria que tivesse medo de mim ou me odiasse. Se eu escondi isso, foi por pura vergonha de quem eu realmente sou. – Sabrina umedeceu os lábios e suspirou na esperança de que Hermione a entendesse. Sabrina só queria poupá-la de carregar aquela verdade obscura e desprezível.

 

– Eu não fui para Hogwarts por acaso. – A menina engoliu seco. – Eu fui por você.


Hermione a olhava encabulada, sentindo seus ombros cada vez mais tensos.
Sabrina procurava uma maneira fácil de dizer aquilo, mas não havia.

 

– Há exatos seis meses eu recebi uma missão do inferno para que eu me aproximasse de você, Hermione... E te protegesse. – Com pesar, Spellman encarou a silhueta do homem atrás de si. – E este é Lúcifer... – Sabrina suspirou pesado. – E eu... sou... filha dele.


Aquelas palavras saíram cortando como navalhas. A loira estava com medo da reação dela, do que Hermione poderia pensar sobre ela dali pra frente. Mas, se Sabrina realmente a queria... teria que contar toda a verdade sobre seu passado. Á todo custo.

As duas garotas se entreolharam por alguns segundos em silêncio. Um silêncio interrompido.

 

– Muito comovente! – A voz de Lúcifer se sobressaiu naquele silêncio perturbador da floresta. – Sabe o que também é comovente? A sua incompetência em cumprir a sua missão! Era apenas um pedido: Mantenha-a intocada! E você mesma fez questão de corrompê-la. E breve pagará por isso. Mas, antes...


Lúcifer fez uma parada dramática fazendo as duas garotas se entreolharem apreensivas.

 

–...Eu quero anunciar perante a igreja profana a minha nova... Herdeira.


A pupila dos olhos de Sabrina dilataram-se e o seu mundo congelou ali e por todo lado se ouviam murmuros. 

 

– Sim, este era o motivo pela qual eu não queria que a tocasse. – Lúcifer encarou Sabrina nos olhos. – Hermione é sua irmã.


Os sussurros se expandiram pelas extremidades da floresta.
Agora tudo fazia sentido.
Lúcifer queria mantê-la pura, porque sabia que haveria um sentimento maior entre as duas garotas e certamente Sabrina iria querer ir á fundo nisso, como havia feito.

Mas, aquela revelação caiu como uma rocha pesada sobre Granger e Spellman. 
O que haviam feito? Era um crime? Um pecado até mesmo para a igreja profana?
Tudo era muito fresco e incerto e Sabrina se sentiu incapaz de dizer qualquer coisa naquele momento.

Toda via, Hermione havia escutado demais e agora queria algumas respostas.

 

– Como eu posso ser sua filha?! Meus pais sequer mencionaram algo sobre você ou qualquer relação... d-d-diabólica! Eu não acredito nisso!

– Eu imaginei que seria muita informação e talvez você fosse relutante, Hermione. – Lúcifer falava com sua voz melodiosa, indo até Hermione e a mesma se esquivou. – Você herdou isso de mim. Por isso, tomei a liberdade de convidar seus falsos pais. Para lhe dizer.


Sabrina e Hermione encararam o casal que saia por de trás da multidão de bruxos e bruxas ali presentes.
A mulher com quem Sabrina havia conversado na noite passada, que achava ser a mãe de Hermione, se apresentou com seus olhos carregados de lágrimas desesperadoras. Ao lado, seu marido tentava se manter forte pela mulher e por Hermione, que os olhava em prantos.

Aquilo não era uma pegadinha ou uma brincadeira de mal gosto, mas algo muito errado vinha acontecendo durante todo aquele tempo na vida de Hermione, e esconderam dela.

 

– Mãe... – Hermione caminhou até a Sra. Granger que estava em choque. – Não é verdade o que ele está dizendo, não é?! Diz pra mim que não é! Diz!

– Sim, querida... sim... 


A mulher caiu sobre seus joelhos, em prantos. Como se visse o fim de sua vida ali, em sua frente.
Sabrina quis consolá-la, ajudá-la, fazer alguma coisa, pois sentiu pena da mulher. Mas, sabia que aquele momento era deles. Eles tinham muito o que explicar á filha.

 

– Já era... o terceiro bebê que nós perdíamos... – A Sra. Granger começou a falar em meio aos soluços. – Os médicos disseram que era arriscado tentar de novo, foi quando... Ele apareceu pra nós... 


Hermione a olhava com seus olhos tristes e marejados.

 

– Á princípio nós não acreditamos... Mas, uma semana depois... Recebemos a notícia de que eu estava grávida novamente. De você, minha garotinha... E você nasceu, perfeitamente saudável, era um milagre! 

– Com o passar dos anos nós esquecemos daquele homem estranho e da promessa. – O Sr. Granger começou a contar com pesar. – Mas, quando a carta de Hogwarts chegou pra você, nós... Lembramos daquele acordo...

 

– E QUAL ERA ESSE ACORDO?! 


Um silêncio constrangedor pairou sobre os dois.

 

– FALEM!


Hermione exclamou alto, cerrando os punhos. E Lúcifer se aproximou dela, respondendo aquela pergunta.

 

– Na sua décima sexta lua eles entregariam você... Para mim.


Os olhos castanhos de Hermione despejaram lágrimas quentes sobre seu rosto pálido. Ela procurou refúgio nos olhos de Sabrina, mas a mesma estava tão assombrada quanto ela naquele momento.
Não haviam outros caminhos, a sua vida havia sido uma grande mentira. Ela se sentia sozinha, desamparada, como se seu mundo fosse um grande buraco escuro e frio.

Lúcifer se aproximou da garota desolada e lhe estendeu a mão.

 

– Venha comigo, criança. E começaremos um novo futuro pra você, ao meu lado! E poderá se vingar de todos que lhe causaram este sofrimento. Você e Sabrina? Se sentarão ao meu lado no inferno! Até que tudo esteja pronto para o grande banquete.


Um silêncio perturbador se instalou e Hermione encarou a mão do homem e limpou suas lágrimas.

 

– A minha resposta... É NÃO!

– COMO?!


A voz de Lúcifer pareceu bruscamente aborrecida.

 

– EU DISSE NÃO!

 

A voz de Hermione estrondou por todo o bosque, fazendo as árvores ao redor das extremidades estremecerem sobre suas raízes. Ao ar, se ouvia as asas dos pássaros baterem ao voarem espantados dali.

Sabrina sentiu sua respiração falhar ao ver o vermelho sangue vibrar nos olhos de Granger.

 

– Eu não vou com você á lugar algum.


O ar ficou gelado, as folhas circulavam sobre o solo da floresta.
Lúcifer recuou ao contemplar as trevas que Hermione carregavam em seus olhos, toda via, ele tentou não deixar isso explícito ao seus seguidores, porém Sabrina percebeu claramente o medo nos olhos dele.

 

– Não, não, não... Vamos manter a calma! – Subitamente, Zelda Spellman intrometeu-se na frente de Hermione, protegendo-a de si mesma. – A pobre menina recebeu muita informação assim, de repente! Ela está... Extasiada! Com toda essa revelação de ser a... a... sua secundogênita, Senhor das Trevas! Dê alguns dias para que ela... possa processar essas informações, sim?


Lúcifer encarou Zelda severamente e após alguns instantes, sua expressão amoleceu.

 

– Aceito. – Falou por fim e Zelda suspirou aliviada. –...E enquanto isso, ordeno que Sabrina pela primeira vez faça o seu dever como... Irmã mais velha.


Lúcifer deu as costas e desapareceu.

 

– Você está bem, querida? – Zelda tocou os braços gelados de Hermione e a mesma desabou, abraçando Zelda como se procurasse um abrigo. A bruxa a abraçou de volta fortemente.

Sabrina assistia aquilo com um peso em seus ombros, sentindo sua garganta fechar e um nó se instalar. A loira se sentiu inválida por não conseguir se mover ou dizer alguma coisa durante toda aquela revelação e apoiar Hermione.
Sabrina se sentia inútil.

Os pais de Hermione tentaram se aproximar da filha, mas a mesma se esvaiu.

 

– Vamos para a mansão Spellman, você pode ficar conosco o tempo que quiser.


Zelda dizia entrelaçando o braço ao redor de Hermione, induzindo-a a voltar para a mansão. Sabrina acompanhou em silêncio.

Ao chegarem na mansão, Hilda já havia preparado um chá de camomila para que todos pudessem dormir com o mínimo de tranquilidade.

Enquanto Hermione tomava o seu banho, Sabrina ajeitou a sua cama, para que ficasse confortável novamente, deixou acesa apenas a luz de um abajur e amarrou uma fita vermelha na cama para afastar os pesadelos.

Em minutos, Granger saiu do banheiro enrolada em uma toalha, ela tinha seus olhos inchados. Provavelmente tinha chorado em baixo do chuveiro, mas agora mantinha sua expressão séria no rosto.

Ela avistou Sabrina sentada ao pé da cama como se a esperasse. Havia muito pra dizer, muito pra explicar. Então, após alguns instantes em silêncio, Sabrina se virou para encará-la.

 

– Hermione...

– Sabrina... – A menina interrompeu, suspirando pesadamente. – Sei que quer explicar, mas eu só queria dormir agora.

– Eu posso ficar aqui com você.

– Eu prefiro ficar sozinha essa noite, se não se importar...


Relutante, Sabrina suspirou e assentiu, levantou-se da cama.

 

– Tudo bem... – A loira caminhou ressentida até a porta. – Se precisar de alguma coisa, estarei na sala.

 

Hermione acenou positivamente e Sabrina saiu, fechando a porta.

 

Na manhã seguinte...


Sabrina acordou com o sol batendo forte em seu rosto, as divisões do sofá da sala não eram nada confortáveis.
A série de pesadelos havia lhe cercado a noite toda, parecia que todos os demônios a perseguiram durante o seu sono.
Naquele instante, todas as lembranças da madrugada passada voltaram para a sua mente.

 

– Bom dia, prima.


A voz de Ambrose sôou da porta da cozinha, o rapaz encostou-se na parede, com uma xícara de café na mão.
Sabrina coçou os olhos, soltando um gemido preguiçoso.

 

– Que noite, não?

– Nem me fale.

– Antes de se levantar, imaginei que gostaria de saber que a sua... ah... “Irmã”. Não está no quarto. Ela se foi.


Sabrina encarou o vazio, como se aquilo fosse mesmo o esperando.

 

– Foi o quê eu imaginei que ela faria.

– Está se sentindo esquisita?

– Eu transei com a minha... “irmã”! Como acha que eu tô me sentindo?!

– Tecnicamente, é sua MEIA irmã. Você veio da carne de Lúcifer, a Hermione veio do poder dele. É diferente.

– MAS, SOMOS IRMÃS, AMBROSE!! AAAAAAGH! EU QUERO MORRER!!!


Sabrina se jogou no sofá, sufocando-se com o travesseiro.

 

– Sabe qual é o pior? Agora tudo faz sentido! Tudo! Nossas semelhanças, a missão do senhor das trevas! Ele queria que eu a protegesse de mim mesma! E agora ele vem todo “paternal” prometendo tronos! Prometendo poder! Como se isso fosse algo...

– Normal? É, eu sei, mas sabe o que eu acho? Que o inferno está precisando mesmo de ajuda.

– Como assim?

– Eu tenho recebido mensagem estranhas, visitas estranhas a algum tempo...

 

– RAIOS! – A frase de Ambrose foi interrompida pelos gritos da Tia Zelda. – Também receberam a visitinha desagradável de DEMÔNIOS DO SONO?! Argh, eu não dormi nadinha!


Ambrose e Sabrina se entreolharam surpresos.

 

– Também teve pesadelos, Tia? Nós também.

– ARGH! Parece que o inferno está DES-CON-TRO-LA-DO.


Aquela frase da tia Zelda penetrou o coração de Sabrina, por algum motivo, mas ela não deu muita importância, afinal, tinha que encontrar Hermione para formarem um plano, caso contrário seriam “fantoches” de Lúcifer pra sempre. E isso não estava nos planos de Sabrina.


Foram semanas difíceis, com o paradeiro de Hermione, e aparição estranhas de demônios e possessões repentinas, parecia que o inferno estava sem governo.

Com toda aquele alvoroço sinistro acontecendo, os Spellman’s tiveram que reforçar ainda mais a proteção da mansão, já que parecia que a porta do inferno estava escancarada.


Os dias se passavam e Sabrina teve as semanas mais deprimidas de sua vida. Não tinha ânimo se quer pra sair de casa.
Ela sentia falta de Hermione, sentia que havia a perdido ou pior, ela poderia estar perdida.
E com tanta coisa estranha acontecendo, ela estaria desprotegida. 
Pela primeira vez, Sabrina não tinha um plano.

Mas, naquela noite gelada daquele inverno, ela mal sabia que teria uma visita indesejada.

Cansada de ficar trancada no quarto, já que sua única companhia era a sua coleção de livros. Sabrina finalmente desceu para comer leite com biscoitos, quando deu de cara com uma jovem bruxa esquisita em sua sala.

 

– Ahm... posso ajudar?


Sabrina perguntou enrolando-se em seu hobby de seda negra. A bruxa de cabelos negros e cumpridos se levantou e a olhou profundamente com seus olhos tão azuis que assustavam. Parecia ter a mesma idade que ela.

 

– Você é Sabrina Spellman?


Sabrina franziu o cenho, encarando-a de cima a baixo.

 

– Sou...

– Eu estava procurando por você.

– Tá, e você é? Como entrou aqui?!

 

– Tudo bem, Sabrina. – As tias Hilda e Zelda surgiram ali. – Esta é Morgana, uma jovem bruxa vidente das montanhas de Greendale. Ela pode nos ajudar a encontrar a sua irmã perdida.


Zelda dizia acendendo um incenso de sândalo.

 

– Na verdade, eu senti que precisavam da minha ajuda, então eu vim.


No centro da sala já havia uma mesa preparada para um ritual. Velas acesas, pedras e cartas estavam postas.
Sabrina não estava com cabeça para rituais, ainda estava  digerindo toda aquela loucura de Hermione ser sua irmã.

 

– Sente-se aqui, deixe a Morgana ler a sua mão.

– Foi mal, tias! Mas, eu tô em contemplação por tudo o que eu descobri! E sinceramente, não acho que uma estranha lendo a minha mão irá me ajudar em algo. Eu já causei problemas demais usando magia. Estou oficialmente me aposentando!

– Pelo amor de satanás! Vire essa boca pra lá, Sabrina! – Zelda dizia assoprando a fumaça de seu cigarro por todo o lado. – Nós vamos encontrar Hermione e a sua mão vai ajudar nisso.

– E porquê a minha mão? Ein?


Morgana sentou-se ao pé da mesa, mantendo seus olhos azuis nas mãos de Sabrina, como se ela escondesse segredos nela.

 

– Porque as suas mãos são as que mais tocaram a suposta bruxa desaparecida, eu suponho. – Morgana respondeu erguendo a sobrancelha e Ambrose pigarreou segurando o riso, enquanto a fala de Sabrina travou dentro de sua boca. 

 

– Estou certa?


Todos na sala aguardavam uma resposta de Sabrina e garota pareceu encabulada.

 

– Tá, tá! Vamos logo com isso.


Morgana indicou um lugar e Sabrina sentou-se farta de tudo aquilo. Ela só queria não sentir mais o buraco enorme que apoderou-se de seu peito quando Hermione foi embora.

Após, minutos de concentração, Morgana pediu a mão dela.
Receosa, Sabrina entregou sua mão para a vidente, que abriu os olhos como se enxergasse ali um portal mágico para outra dimensão.

Morgana tinha os dedos longos e unhas enormes e vermelhas que passeavam sobre a palma de Sabrina.
Ela era uma bruxa jovem e bonita, mas tinha os olhos de uma anciã, que havia vivido de tudo um pouco.

Após, minutos de apreciação que fez Sabrina bufar de impaciência, a jovem bruxa a olhou nos olhos. Olhos quase brancos, que faziam Sabrina se arrepiar.

 

– A sua linha da cabeça me aponta uma pessoa ansiosa, cheia de expectativas e planos...

– Uau, que surpresa. Me mostre uma pessoa que não é ansiosa neste século, que eu te mostro a minha profana paciência!

– SABRINA! Deixe-a falar! 


Zelda falou entre os dentes e Sabrina continuou com cara de tédio, com a mão estendida.
Morgana mantinha-se concentrada nas linhas das mãos da garota.

 

–...Sua ansiedade me mostra que o quê está vivendo hoje, é o resultado de muitas más escolhas. Estou certa?


Sabrina deu de ombros e a bruxa continuou percorrendo o indicador em sua palma. Aquilo lhe causava um incômodo terrível, mas ela não queria ser ainda mais desagradável.

 

– Esta aqui, é a linha do coração, que me mostra claramente um sentimento maior do que você descreve ser. Sentimentos que vem de décadas, de muito antes de você nascer. Algo escondido entre as estrelas.


Sabrina remexeu-se inquieta, as palavras de Morgana apesar de previsíveis, eram certas. Certas de coisas que Sabrina não admitiria nem pra si mesma.

 

– Algo está escrito desde muito tempo. Que deveria se cumprir agora, mas talvez a sua ansiedade tenha feito você mudar tudo.


A incredulidade de Sabrina foi se esvaindo aos poucos, despertando a sua curiosidade. O que ela havia mudado?

 

– Tudo estaria perdido agora, se não fosse pelo o que a sua linha da vida me mostra.

– E o que ela mostra?!


Morgana a encarou, erguendo a sobrancelha.

 

– Ela me leva á três linhas, uma representa você, outra a sua irmã desaparecida e a terceira, poderá te ajudar a salvar o futuro de vocês. Você não pode ir á luta sozinha, Spellman. Um braço direito lhe ajudaria, mas se você também tiver o esquerdo... 


O azul dos olhos de Morgana engoliam os olhos de Sabrina, que mal piscava.

 

–...se tiver o esquerdo, você estará completa.


Como um estrondo, Morgana voltou em si e Sabrina puxou a sua mão de volta, um tanto assustada.
A Jovem se levantou, recolhendo as suas coisas.

 

– Ei, espera aí, o que quer dizer com “braço direito” ou “braço esquerdo”? 

– Isto é tudo, guarde as minhas palavras e entenderá no momento certo.

– Espera, volta aqui! Eu não entendi! Onde é que está a Hermione, afinal?!


Antes de sair, Morgana deu uma boa olhada para Sabrina.

 

– Algo me diz que você a conhece o suficiente para saber onde ela está.


Um sorriso foi lançando e Morgana desapareceu dali, deixando Sabrina ainda mais encabulada.

 

– Eu sei?


Sabrina Murmurou consigo mesma.
A menina foi para seu quarto e se deitou para dormir, quando uma luz extremamente óbvia acendeu em sua cabeça. 


Hermione não havia fugido, ela estava pesquisando, estava lendo pra entender tudo o que havia acontecido. E qual era a melhor biblioteca que elas conheciam?”

 

– Hogwarts! Ela tá em Hogwarts!


Sabrina desceu as escadas como um vento impetuoso, pegou seu casaco e saiu desenfreada até a porta, com o coração acelerado, mas quando a abriu, deu de cara com quem seu coração mais almejava encontrar. 
Assim, de maneira tão simples, Hermione estava ali em sua frente, com seu punho fechado, pronta para bater na porta e na outra mão, ela carregava um livro.

Sabrina congelou sobre seus pés, pois queria abraçá-la, tocá-la, dizer o quanto sentiu a falta dela, mas ainda não sabia como Hermione se sentia sobre tudo aquilo.

As duas garotas se olharam por alguns segundos, Sabrina temia o que poderia acontecer ali.

 

– Eu preciso falar com você.


A voz de Hermione sôou ríspida e Sabrina abriu a porta.

 

– Entra...


Hermione cruzou com Sabrina, indo até o centro da sala, jogando seu gigantesco livro sobre a mesa.
Sabrina observava tudo, sem perguntar.

 

– Eu pesquisei. Eu procurei em livros! E você não vai acreditar no que eu encontrei.


Hermione falava com seus olhos assombrados e Sabrina a encarava atônita, sentando-se ao pé da mesa mantendo uma certa distância.

 

– No começo eu achei que era loucura, que era coisa da minha cabeça! Mas, depois... Tudo começou a fazer sentido, tudo!


Hermione começou a folhear o livro como se fosse o devorar.

 

– Quando o nosso “amoroso” pai nos fez, ele fez por pura vaidade, isso não é novidade. O que ele não esperava, era que parte dos poderes dele seriam transferidos para nós quando completássemos 16 anos. Por isso temos esses poderes.

– Isso só pode ser brincadeira...

– Não, não é! Lúcifer está fraco, você lembra da reação dele quando eu o confrontei na floresta? Ele recuou! Ele poderia me matar ali se quisesse, mas não fez.

– Ele ficou... Com medo?
 

– Eu também pensei nisso no começo, mas não.


Sabrina observava Hermione explicar e sentia que sua cabeça ia explodir a qualquer momento. Aquilo explicava o porquê do inferno estar de portas abertas. Lúcifer não o controlava mais.

 

– Foi quando eu lembrei da aula da Srta. Brown sobre demonologia. Sobre as histórias de que o diabo...

– Comia os seus filhos pra adquirir poderes?

– “Recuperar” seria a palavra.


Sabrina e Hermione se encararam por um tempo, como se pensassem em como sair daquela loucura.

 

– Eu andei pesquisando e... é tudo real! É uma profecia e meio que existe uma possibilidade de estarmos fazendo parte dela.

– Oh, porra! Mas que profecia?!

– A profecia da Constelação de Órion... Eu a encontrei na última prateleira esquecida na biblioteca de Hogwarts. Ela relata que Lúcifer perderia os seus poderes para suas filhas, ele ficaria fraco e elas governariam o inferno no lugar dele. E o único jeito de recuperar a sua força... Seria devorado suas três filhas.

– Espera aí, como assim TRÊS?

– É isso aí... A profecia diz claramente “três”. Acho que... Temos uma irmã perdida...

– PUTA QUE PARIU!


Sabrina exclamou chocada, debruçando sua cabeça sobre suas mãos. A loira congelou, não acreditava que aquela história poderia ficar ainda pior.

 

– A verdade é que nós temos que encontrá-la antes que ele encontre. Ele tá fraco, então temos uma vantagem.

– VANTAGEM? Hermione, Lúcifer é um rodado desgraçado! Quantos mais irmãos eu tenho?!

– Só mais essa, aparentemente...


Sabrina suspirou, sentindo o peso do mundo em suas costas, mas ela respirou fundo e olhou para Hermione.

 

– Então, você fugiu... pra... Pesquisar sobre tudo isso? Você não fugiu de mim?


Sabrina perguntou encarando suas mãos, receosa.

 

– Á princípio, foi por você, eu fiquei surpresa com tantas mentiras. 


Sabrina suspirou, sentindo seu coração perder qualquer esperança.

 

–...Mas, depois eu percebi que só poderíamos vencer isso juntas.


Sabrina encarava as próprias mãos, quando sentiu as mesmas serem tocadas pelas mãos quentes de Hermione.

 

– Eu tô cansada dessa guerra com você.


Os olhos de Sabrina marejaram-se, ela não queria encará-la. Estava envergonhada por tudo o que havia feito só pra agradar seu pai.

Hermione tocou o seu queixo fazendo-a olhar pra ela.

Uma lágrima escorreu dos olhos de Sabrina, fazendo ela limpar rapidamente.

 

– Me perdoe, já chega de mentiras.

– Já chega...


Hermione se inclinou para abraça-la e Sabrina se sentiu acolhida e em paz com tudo aquilo pela primeira vez.


– Até porque, nós somos irmãs agora, não é?


Hermione falou e Sabrina a encarou erguendo as sobrancelhas.

 

– Relaxa, eu tô brincando! Tecnicamente nem somos irmãs de sangue.

– Você quase me matou de susto, Hermione Granger!


Hermione riu, mas suspirou pesadamente.

 

–...O problema é que... eu ainda sou... Virgem. – Hermione sussurrou a palavra e Sabrina a encarou. – E é assim que Lúcifer me quer, e eu não tô nenhum pouco afim de dar o que ele quer.


Hermione ergueu a sobrancelha, com um sorrisinho maroto nos lábios. De repente, todo aquele peso havia se esvaído e Sabrina sorriu.

 

– Podemos resolver isso hoje se quiser...


Sabrina se inclinou e Hermione correspondeu.
Os lábios se tocaram e um beijo gostoso foi depositado.
O mundo estava em caos, mas elas tinham algo mais importante e mais gostoso para resolverem naquele momento.


Notas Finais


Nossa Fic já está na reta final!!!

Qual é a Fic preferida de vocês? A minha preferida era de HINNY, mas a autora simplesmente abandonou e eu fiquei sem um final 😥 ainda não superei kkkkkk e a de você?


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