História O Segredo da Rosa - Capítulo 1


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Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Sebastian Michaelis
Tags Black Butler, Demonios, Demons, Drama, Kuroshitsuji, Sebastian, Sebastian Michaelis
Visualizações 18
Palavras 912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Seu Mordomo


No princípio, era tudo escuridão.

Não havia luz, quanto menos, calor. O inferno era apenas cinzas, e o frio lúgubre que tomava conta de tudo que pudesse ser visto, ou tocado. Um sentimento fúnebre e intenso, como sepulcros de mármore em dias mortuários. O infinito enterro da moral humana, tão vivaz sob nossas peles, correndo rente ao sangue gélido de minhas veias. No início, não tinha nome, quanto menos, um sentido real para se estar vivo. 
Criado para ser um soldado infernal, um dos muitos filhos de Mamon, observava dia após dia, almas penadas serem soterradas por moedas. Suas peles sendo fundidas ao ouro derretido, se transformando em uma gosma homogênea de sangue, carne e dourado. Belo aos olhos de quem chegasse, tedioso aos cansados e já muitos anos vividos olhos deste demônio que vos fala, eu fugi.

- Sebastian?! - Gritou Mey-rin, de muito longe. Soou como se estivesse berrando rente ao ouvido do demônio, estridente e irritante. 

Deixou o diário de lado por um momento, esperando que a tinta secasse para que o guardasse na gaveta da pequena escrivaninha junto da pena. Suspirou pesado, incomodado com a ineficácia e constante incomodação que aqueles empregados desajeitados proporcionavam, e se ergueu, à caminho da possível situação desastrosa que iria encontrar. 
Ao abrir a porta, se deparou com o que era, muito inacreditavelmente, um jantar sobre a mesa da cozinha. Sem partes queimadas, sem partes cruas, exalando um odor levemente adocicado. 

- Pensei que eu prepararia o jantar do jovem mestre. - Comentou, abrindo o relógio de bolso para se situar no tempo, no entanto, quando foi se pronunciar novamente com relação ao horário... 

- É para você! - Sorrindo, Finnian ergueu os braços, orgulhoso de si mesmo - Amacei as uvas e amaciei a carne! Fizemos vinho para você! - Ressaltou, animadíssimo. 

O demônio, por um momento, ficou em silêncio. Pasmo com o que havia encontrado, não pronunciou uma palavra sequer. Mas sorriu, de canto.

- Você amaciou a carne? E eu quem encontrei o ponto perfeito do lança chamas?! 

Mey-rin se aproximou, envergonhada, do moreno que ficou estático. No lugar em que parou, foi o lugar em que ficou durante toda a falaçada de Finnian e Bardroy para ver quem havia contribuído mais, e por mais tempo, com o jantar surpresa do mordomo. 

- E-então... -Pressionou os indicadores, um contra o outro, frente ao corpo, rente ao peito. Suas bochechas avermelhadas denunciavam de quem havia sido a ideia- Queríamos agradecer o que faz por nós... Sabemos que sempre estragamos tudo, e que se não fosse por você, sequer estaríamos aqui, agora. -Desviou o olhar, e por fim, o abraçou- Obrigado, Senhor Sebastian! 

Murmuriou antes de soltá-lo, voltando para perto dos loiros que brigavam incessantemente. Os arrastou para fora da cozinha quando percebeu que Bard já empunhava seu lança chamas, e Finny levantava uma das sacas pesadas de batata do canto para se atingirem. Deixaria Sebastian sozinho, com o que parecia ser um pernil assado com batatas, e a garrafa de vinho caseiro e envelhido algumas semanas sobre a mesa. 

Idiotas, pensou.
Como humanos podiam ser tão... Idiotas?
Tinham a oportunidade de, sozinhos, se alimentarem daquele "jantar". A oportunidade de servi-lo ao jovem mestre para mostrar à ele que estavam melhorando como servos, mas... ao contrário das muitas boas opções que poderiam ter escolhido, tomaram logo a mais imbecil de todas. Certamente, jamais entenderia a humanidade em seu todo... desejariam algo em troca depois? Gostava de se perguntar coisas semelhantes enquanto levava a forma para o lado de fora da mansão, colocando-a no chão.
Talvez estivessem tentando se redimir de todas as besterias que já haviam feito durante todos esses anos... esta era a que mais cogitava, e não lhe deixava a mente enquanto aguardava pacientemente. 
"Idiotas", pensou, uma última vez. "E ainda sim, fascinantes".

Ouviu miados. De longe, miados, manhosos e longos. Sua dama estava lhe chamando, lhe esperando, lhe tirando dos devaneios de sempre. E ficou satisfeito em ir até ela, deixando, para sua pequena, o pernil inteiro.

- O que você acha, my lady? - Acariciava sua pelagem escura. As mãos sempre cobertas pelas luvas, agora desnudas, tateavam a maciez que era seu corpo- Acertaram, pelo menos uma vez em suas vidas? 

Conversar com ela era sua forma de conforto. Semelhante aos humanos, tentando diálogo com seu Deus. Se divertiu, muito minimamente, com a comparação. Pelo menos ela lhe respondia; com miados, mas respondia. 
Voltou ao seu devaneio inicial. A terra de longe era tão fria quanto o inferno. Conseguia sentir, por menor que fosse, o calor do sangue dentro de si. O calor das roupas, dos tecidos, sempre intenso, mas jamais maior que o calor do corpo humano. Não havia comparação. Nada se comparava ao calor produzido por corpos vivos, dançando, caminhando, existindo. A adrenalina aumentando a pressão sanguínea, e podia ouvir, perfeitamente, cada glóbulo vermelho morrer. Por um segundo, viu ela. Diante dos seus olhos, a viu. Pode senti-la consigo. Seu calor, seu cheiro, seu am...

Miau! 

De longe um miado, saciado, e ela sumiu. Diante dos seus olhos, se foi.
Sequer havia ido metade do pernil, e preferiu deixar ele ali, à mercê de qualquer animal faminto que desejasse comer ou morrer tentando.
Olhou no relógio, e o ponteiro bateu em perfeita sincronia, às 20h. Hora de preparar o jantar do jovem mestre, e servir-lhe algo que faça suas papilas gustativas implorarem por mais.

Afinal, era um mordomo e tanto.
Um demônio e mordomo, tanto quanto. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentários e críticas construtivas são sempre bem-vindas.
Obrigado por ler.


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